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Solos e Adubação
Tipologia: Notas de estudo
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O feijão-caupi pode ser cultivado em quase todos os tipos de solos, merecendo destaque os Latossolos Amarelos, Latossolos Vermelho-Amarelos, Argissolos Vermelho-Amarelos e Neossolos Flúvicos. De um modo geral, desenvolve-se em solos com regular teor de matéria orgânica, soltos, leves e profundos, arejados e dotados de média a alta fertilidade. Entretanto, outros solos como Latossolos e Neossolos Quartzarenicos com baixa fertilidade podem ser utilizados, mediante aplicações de fertilizantes químicos e/ou orgânicos.
Amostragem do solo
A amostragem deve seguir critérios que assegurem confiança de representatividade em número ideal de amostras. Para colher uma boa amostra, recomenda-se:
Correção da acidez do solo
As recomendações para correção de acidez devem ser feitas com base em resultados de análise química do solo. A tendência atual na recomendação de calagem é dar mais ênfase a percentagem de saturação de alumínio no solo do que seu teor isoladamente.
Recomenda-se calagem para a cultura de feijão-caupi, quando esta percentagem de saturação de alumínio for igual ou maior do que 20%.
A quantidade de corretivo, com base no teor de alumínio e cálcio + magnésio trocáveis, pode ser calculada utilizando-se as seguintes fórmulas:
Outro critério para o cálculo da necessidade de calagem é pela elevação da saturação de bases a um nível desejado. No caso do feijão-caupi, a elevação da saturação de base em 50% é feita utilizando-se a fórmula:
onde: T = mmolc .dm 3+^ de H +^ + Al 3+^ + K+^ + Ca2+^ + Mg 2+^ + Na+ V1 = S/T x 100 sendo S = mmolc .dm -3de K+^ + Ca2+^ + Mg2+^ + Na+ V2 = 50% PRNT = poder relativo de neutralização total do calcário f = fator de profundidade, 1 para calagem até 20 cm e 1,5 para calagem até 30 cm.
Na calagem são empregados, geralmente, calcários que podem ser calcíticos ou dolomíticos, o último, pelo teor de magnésio que contém, deve ser usado sempre que possível.
O calcário deve ser aplicado pelo menos dois meses antes da semeadura para que se obtenham os efeitos esperados. Contudo, essa é uma orientação geral, pois a reação do calcário está diretamente condicionada à umidade do solo e às características do corretivo. Caso o calcário possua um PRNT
diferente de 100%, é necessário corrigir a quantidade recomendada nas fórmulas 1 e 2, citadas anteriormente, utilizando-se a seguinte fórmula:
Dose a aplicar (t/ha) = dose recomendada (t/ha)/ PRNT do calcário x 100.
Nitrogênio
Elemento altamente móvel na planta e, por isso, os primeiros sintomas de deficiência surgem nas folhas mais velhas, em forma de clorose uniforme homogênea, amarelo-esverdeada, passando a amarelo-esbranquiçada, que se estende às folhas novas, com a intensificação dos sintomas. O número de folhas, a área foliar e o crescimento das plantas são reduzidos, dando lugar a um desfolhamento prematuro.
O feijão-caupi absorve, para seu desenvolvimento completo, uma quantidade superior a 100 kg de N/ha. Considerada como planta de boa capacidade noduladora e eficiente sistema de fixação, o caupi dispensa a adubação nitrogenada. Culturas desenvolvidas em áreas recém-desmatadas, arenosas ou com teor de matéria orgânica menor que 10 g/kg, geralmente apresentam deficiência de nitrogênio. Nessas condições, recomenda-se a aplicação de 20 kg de N/ha, em cobertura, aos 15 dias após a fase de emergência das plantas.
Condições climáticas, Precipitação, Temperatura, Fotoperíodo, Vento, Radiação solar, Zoneamento de risco climático.
Condições climáticas No Brasil, poucos estudos de fisiologia do feijão-caupi têm sido conduzidos com a finalidade de se ver resposta dessa cultura aos fatores climáticos. A maioria dessas informações são obtidas por meio de trabalhos realizados em outros países. Dentre os elementos de clima conhecidos, destacam-se a precipitação e a temperatura do ar que, po intermédio do zoneamento de risco climático, possibilitam verificar a viabilidade e a época adequada implantação da cultura do feijão-caupi. Outros elementos do clima que exercem influência no crescim desenvolvimento dessa cultura são: fotoperíodo, vento e radiação solar.
Precipitação A cultura do feijão-caupi exige um mínimo de 300 mm de precipitação para que produza a contento, s necessidade de utilização da prática da irrigação. As regiões cujas cotas pluviométricas oscilem entre 500 mm anuais são consideradas aptas para a implantação da cultura. Entretanto, a limitação em ter hídricos encontra-se mais diretamente condicionada à distribuição do que à quantidade total de chuv ocorridas no período (Fig. 1). A ocorrência de ligeiros "déficits" hídricos no início do desenvolvimento da cultura pode concorrer par estimular um maior desenvolvimento radicular das plantas, porém, estresse hídrico próximo e anterio florescimento pode ocasionar severa retração do crescimento vegetativo, limitando a produção (Ellis 1994; Fancelli & Dourado Neto, 1997).
importante porque a cultura ocupa a área por menos tempo e proporciona um menor consumo de água e energia.
A arquitetura da planta de feijão-caupi é resultado da interação dos seguintes caracteres: hábito de crescimento, comprimento do hipocótilo, do epicótilo, dos entre-nós, dos ramos principal e secundários e do pedúnculo das vagens, da disposição dos ramos laterais em relação ao ramo principal e da consistência dos ramos. Esse último caráter tem grande influência no grau de acamamento das plantas. Para os cultivos tradicionais, geralmente em pequenas áreas e em consórcio, a arquitetura não é tão importante, mas deve ser dada preferência a cultivares semi- prostradas, com ramos de tamanho médio a longo. Para cultivos de sequeiro mais tecnificados e cultivos irrigados, a arquitetura passa a ter maior importância, devendo ser dada preferência por cultivares de porte mais compacto e mais ereto, de ramos curtos, que permitam, inclusive, a colheita mecânica.
Na região Meio-Norte são comercializados vários tipos de grãos de feijão-caupi, entretanto, os predominantes são os de cor mulata, sempre-verde e branco. Desses, os feijões branco e sempre- verde, em toda a cadeia comercial, são mais valorizados e obtêm os melhores preços, tanto no atacado como no varejo. Em relação a tamanho e forma, há uma preferência por grãos com peso de 100 grãos em torno de 18 g de formatos reniforme ou arredondado. Dessas características, entretanto, a cor parece ser o fator mais importante na formação do preço do produto. Portanto, é importante que o produtor procure usar cultivares que tenham grãos bem aceitos pelos comerciantes e consumidores.
Nas áreas semi-áridas, mais sujeitas à distribuição irregular das chuvas e a veranicos longos, devem ser usadas cultivares mais rústicas, mais tolerantes a estresses hídricos e com maior capacidade de recuperação após uma estiagem. Para áreas mais favorecidas e sistemas de produção em que são feitas correção de acidez de solo, aplicação de fertilizantes, controle de ervas e controle de pragas e de doenças, como no caso da região dos cerrados, devem ser usadas cultivares que respondam à melhoria na qualidade do ambiente.
Para produção de feijão verde (vagem verde ou grãos verdes) em pequenas áreas, deve ser dada preferência por cultivares semi-prostradas, com ramos médios a longos, com longo período de floração e frutificação, que possibilitem várias colheitas. Essas cultivares devem ter vagens atrativas para o comprador, devem ser uniformes, bem granadas, murchar mais lentamente e ter a relação de peso grão verde/peso vagem verde superior a 60%. Também devem ter a capacidade de preservar um bom aspecto pós-colheita e serem de fácil debulha manual. Os grãos devem ser claros para manter um bom aspecto pós-debulha. Grãos que escurecem com rapidez perdem o valor comercial. Para esse tipo de produção, há uma preferência por cultivares de vagens roxas e de grãos brancos.
Em ambos os tipos de produção, grãos secos e vagens verdes, é muito importante que as cultivares sejam bem adaptadas, tenham uma boa capacidade produtiva, um bom nível de resistência a doenças e pragas e um bom aspecto no campo.
Cultivares locais
Na região Meio-Norte, há um grande número de cultivares locais, as quais ainda são muito cultivadas, principalmente por pequenos e médios produtores, que produzem suas próprias sementes. Esse germoplasma possui uma variabilidade genética imensurável, a qual pode ser observada a partir dos diferentes tipos de grãos que são encontrados nas feiras livres e nos mercados das médias e grandes cidades. Há algumas características que são predominantes nas cultivares locais:
Os nomes das cultivares locais geralmente são dados em função de alguma característica que se destaca na cultivar, em sua maioria relacionadas à cor ou forma dos grãos. Com base na portaria no 85, de 06 de março de 2002, 7ª parte, anexo XII, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o feijão-caupi pertence ao Grupo II (Feijão-de-corda, feijão-caupi ou feijão-macassar, espécie Vigna unguiculata (L.) Walp.) e tem as seguintes classes: Branco, Preto, Cores e Misturado (Brasil, 2002). Para facilitar o entendimento dessa classificação, dada a enorme diversidade de cores do feijão-caupi, Freire Filho et al. (2000) propuseram a inclusão de subclasses, nas classes Branco e Cores, visando a obter uma nomenclatura que pudesse ser usada por pesquisadores, técnicos, produtores, industriais, comerciantes e consumidores. Assim, as cultivares podem ser reunidas nas seguintes classes:
A semente é o ponto de partida para se ter uma boa lavoura e, conseqüentemente, uma boa produçã Desse modo, uma lavoura destinada à produção de sementes deve obedecer às normas de produção cultura. Essas normas são estabelecidas pelas Comissões Estaduais de Sementes e Mudas - CESMI's e