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Este documento explica a formação e estruturas de unhas, incluindo a matriz ungueal, lúnula, hiponíquio e queratina. Além disso, discute as doenças que podem afetar as unhas, como onicocriptoses, hemangiomas capilares e infecções fúngicas. O texto também aborda o papel dos profissionais da saúde, como podólogos e dermatologistas, no diagnóstico e tratamento dessas condições.
Tipologia: Notas de estudo
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Adriane do Espírito Santo Rangel Soares
Vila Velha - ES 1 ª Edição - 2017
Todos os direitos reservados à autora. Nenhuma parte do conteúdo deste livro poderá ser utilizada ou reproduzida em qualquer meio ou forma, seja ele impresso, digital, áudio ou visual sem a expressa autorização por escrito da autora sob penas criminais e ações civis.
A palavra técnica deriva do grego téchne , cuja tradução significa arte ou ciência, e a palavra podológica, que compartilha da mesma origem grega, refere-se à expressão podo/podos = pés e lógica/lógico/logos = tratado/estudo. Portanto, a expressão Técnicas Podológicas nos faz concluir que:
A autora é bacharel em Enfermagem com especialização no tratamento de feridas, podóloga, docente e ministrante de palestras, participante da equipe do projeto de pesquisa Assistência de Enfermagem em Diabetes do Município de Vitória – ES pela Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, autora de 03 livros na área: Dermatologia de Membros Inferiores, Unhas: Espelho da Saúde e Reflexo de Doenças e do livro infanto juvenil A Invasão da Unha do Dedão do Pé. Presidente em exercício da ADVV - Associação de Diabéticos de Vila Velha - ES, entidade filiada a Fenad.
Elementos que sustentam o corpo, veículos que nos impulsionam a andar, correr, saltar, ficar de pé. Os pés viajam pelo nosso imaginário representando força, superação, liberdade, fetiche. Reverenciados pela arte e literatura mundial e muitas vezes esquecidos na correria do dia a dia. Abandonados no desconforto de calçados nada funcionais, vítimas de precários hábitos de higiene, mutilados por costumes “sem pé nem cabeça”, eles acabam com o tempo se ressentindo e como quaisquer máquinas, sem cuidados adequados, falham. Pés maltratados fazem qualquer um se curvar, diante de dores que nem sabíamos que poderíamos sentir.
Portanto, fiquem atentos, pois antes dos seus pés gritarem, primeiro eles falam. Aprenda a ouvi-los com esta conversa “ao pé da letra”. Os nossos membros inferiores e às vezes exclusivamente nossos pés, são passíveis de serem acometidos por várias doenças e condições de gravidade variáveis. Foram selecionadas algumas para conhecimento neste livro sobre a saúde dos pés, por se tratarem de doenças de incidência considerável atualmente.
Para fins didáticos, a unha humana e o seu estudo se encaixam perfeitamente na expressão “anatomia do aparelho ungueal”, a unha humana está longe de se comportar como uma simples unidade feita basicamente de queratina, ao contrário, nossa unha representa um complexo aparelho cujas partes devem ser minuciosamente analisadas isoladamente, visto que, cada
parte deste aparelho denominado unha, pode ser acometido por diferentes processos patológicos. Produzimos unha ainda na vida intra uterina, a partir da epiderme da ponta dorsal dos nossos dedos na 9ª semana, sendo que, na 50ª semana de vida intra uterina a matriz de nossas unhas, está suficientemente desenvolvida a ponto de formar nossas unhas, a partir de agora, num processo ininterrupto, salvo algumas condições, até a morte. Esta placa semi flexível, translúcida quando saudável, a qual denominamos unha, é o resultado do amadurecimento de um tipo de tecido produzido na matriz ungueal, que será envolvido por queratina ao longo do seu trajeto até o bordo ou borda livre da unha, ou seja, a unha primeiramente se forma como um tecido especializado na matriz ungueal, atraves da atividade ininterrupta de células nesta região, e, ao longo do seu trajeto até cobrir a ponta distal dos nossos dedos, recebe constantes injeções de queratina até tornar-se esta placa dura a qual denominamos unha. A unha está firmemente aderida ao seu leito ungueal, região de pele abaixo da unha rica em terminações nervosas e vasos sanguíneos, e esta aderência entre a unha e o tecido embaixo dela é tão intenso que, microscopicamente, em situações em que há desprendimento da unha, seja de forma traumática ou não, pode-se observar este mesmo epitélio, acompanhando a porção inferior da unha que se soltou. A lúnula, estrutura em forma de meia lua, visível no corpo da unha próximo a sua borda proximal, as vezes de difícil visualização principalmente em pessoas que apresentam unidades ungueais diminuídas, ou seja, unhas
➢ Lúnula ➢ Hiponíquio ➢ Eponíquio ➢ Faixa onico córnea ➢ Leito ungueal ➢ Sulcos ungueais ➢ Raiz da unha ➢ Matriz da unha PROPRIEDADES QUÍMICAS DA UNHA A unha basicamente é formada de queratina,mas, tão somente este fato, não é garantia de unhas saudáveis, é necessário pontes intercelulares para ligar toda essa queratina e isso só é possível graças ao elemento químico enxofre, que promove essas ligações químicas na unha conhecidas como pontes dissulfeto. A dureza e força da unha, que antes era atribuída erroneamente ao elemento cálcio, se deve ao seu grande conteúdo de ceratinas duras, proteínas ricas em enxofre e cisteína e sua flexibilidade é dependente do conteúdo de água encontrado na unha, se o conteúdo de água diminui
abaixo de 18% a unha torna-se frágil, se o conteúdo de água aumenta acima de 30%, a unha torna-se opaca e macia. O principal lipídeo encontrado nas unhas é o colesterol, responsável pelo efeito plastificante saudável e o seu conteúdo nas unhas é dependente de controle hormonal, a quantidade de colesterol na unha diminui após a menopausa. Também encontramos traços de vários elementos como ferro, zinco e cálcio; que não influenciam em nada a dureza das unhas. FATORES EXÓGENOS E ENDÓGENOS QUE ALTERAM ESPESSURA, COR E CRESCIMENTO DAS UNHAS A espessura e cor das unhas são suscetíveis a mudanças devido a vários fatores. Dentre os fatores endógenos de maior incidência, capazes de alterar a espessura para mais ou para menos e cor das unhas destacam-se a alimentação, a idade e as doenças sistêmicas. Entre os fatores exógenos destacam-se as
destruir as pontes intercelulares dos corneócitos e tornar as unhas frágeis e mais finas, permitindo a incidência da onicosquizia e da onicólise. CURIOSIDADES! ➢ Células do tipo células de Langherans e melanócitos estão presentes na matriz das unhas, no leito ungueal encontram-se somente células de Langherans. O aumento excessivo de melanossomos (devido aos melanócitos tornarem-se ativos) nos corneócitos, no desenvolvimento da placa ungueal, desencadeia o surgimento da melanoníquia. ➢ A unha cresce 0,1 mm ao dia nos dedos da mão e um terço disto nos dedos do pé. ➢ A espessura das unhas das mãos corresponde a 0,5/0,75 mm e 1mm nas unhas dos pés. ➢ Produzimos 3 g de unha por ano. ➢ As unhas das mãos levam de 4 a 6 meses para crescerem e as dos pés de 12 a 18 meses.
➢ O íon cálcio é responsável pela dureza dos ossos e dentes, quem é responsável pela dureza das unhas é o enxofre disponível na forma do aminoácido cisteína. ➢ Concentração normal de enxofre na unha 32%, o que equivale a 12% de cisteína. Esta concentração diminui em casos de atrofia ou distrofia ungueal. ➢ Os lipídios são responsáveis pela elasticidade da unha, são encontrados nas unhas na forma de colesterol. Gordura total 0,1 a 1% contrastando com 10% encontrado no estrato córneo. ➢ A escassez de água contribui para a dureza da unha, valor normal 7-12%. ➢ O leito ungueal é irrigado por 2 arcos arteriais e os vasos linfáticos são numerosos, mais que em outras áreas da pele, indo até o tecido adiposo. ➢ Numerosos corpúsculos de Vater Paccini podem ser vistos profundamente, a partir da borda livre da unha, os corpúsculos de Meisner são visualizados. ➢ A microflora da unha é composta por bactérias gram positivas, gram negativas, scopulariopses brevicaulis e candida albicans. É bem conhecida a incidência de fungos em unhas aparentemente normais servindo de reservatório para infecções, assim como a possibilidade das infecções interdigitais afetarem a unha. A importância deste fato é o papel oportunista desempenhado pela
facilidade. A regra de ouro é nunca ocasionar uma lesão maior do que aquela que o paciente já apresenta.
anteparo embebido em anti-séptico como curativo primário. Nesta etapa de aplicação de anteparo, é fundamental para o podólogo, entender que está lidando com uma lesão na pele, e em qualquer protocolo de tratamento de lesões na pele é instituído que, todo o material que for entrar em contato direto com a lesão, seja estéril, para se evitar o risco de contaminação cruzada durante o procedimento. Indicação de anteparo: fio dental para aparelho ortodôntico. Indicação de anti- séptico: Digluconato de clorexidine a 0,12% solução aquosa. Dica: sempre manipule o digluconato de clorexidine a 0,12% solução aquosa sem corante e sem essência, pois é desta forma que ele é indicado para o tratamento de feridas. As fórmulas comerciais já prontas, que também são indicadas pela odontologia como solução de bochecho, geralmente apresentam em suas formulações bases alcoólicas ou contendo ácido cítrico, que neste caso, é contraindicado para o uso em feridas. ATENÇÃO! Está contraindicado por protocolos nacionais e internacionais de tratamento de feridas, o uso de pomadas antibióticas em lesões, devido ao fato, mais do que comprovado, de que não há eficiência dos antibióticos de ação local no tratamento de feridas, por apresentarem baixa concentração nas camadas tissulares. Também está contraindicado o uso de soluções a base de iodo ou água oxigenada, por serem altamente citotóxicos e destruírem o tecido de granulação.