



Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Resenha da obra Totem e Tabu, do famoso Freud. Em forma de resenha, também pode ser usado para resumo.
Tipologia: Resumos
1 / 5
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!




UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS Sociologia e Antropologia Geral Letícia Lisboa Corrêa TOTEM E TABU: ALGUNS PONTOS DE CONCORDÂNCIA ENTRE A VIDA MENTAL DOS SELVAGENS E DOS NEURÓTICOS – SIGMUND FREUD RESENHA CRÍTICA DA OBRA NATAL – RN 2019
Para os teóricos de diversas áreas do conhecimento humano no século XIX, o processo de construção do “atual” estado de vida social era de muita importância. Freud Sigmund então, usando sua abordagem psicanalista, escreve Totem e Tabu, obra de 1913. Neste texto, considerado por muitos o fundamento da antropologia freudiana/psicanalítica, o autor faz diversos paralelos entre a psicologia dos selvagens e a psicologia dos neuróticos obsessivos, afim de demonstrar não somente a evolução da sociedade em seu estado natural para o estado social-cultural, como para falar sobre a exogamia, os impulsos humanos e a origem do Complexo de Édipo. É dividido em quatro capítulos: O Horror ao Incesto; O Tabu e a Ambivalência dos Sentimentos; Animismo, Magia e Onipotência de Pensamentos e O Retorno do Totemismo na Infância. Todos fundamentais para o entendimento de seus pensamentos. Em seu primeiro capítulo, chamado pelo autor de ensaio , Freud hierarquiza os tipos de sociedade, tratando as tribos dos aborígenes australianos como primitivas, usando-as de exemplo para fundamentar seus pensamentos em relação ao sistema totêmico pois as mesmas estão alheias às construções religiosas e sociais ocidentais consideradas avançadas, sendo regidas por este sistema. As tribos dividem-se cada qual nomeada segundo o seu totem, que pode ser representado por um animal, planta ou força da natureza, geralmente tratado como ancestral em comum e espírito protetor, tendo relação especial com todo o clã. Respeitam seu totem e não comem sua carne. É algo passado hereditariamente, criando uma consciência não somente de tribo, como também de relação sanguínea – o parentesco –. Algo curioso visto por Freud na relação das tribos consideradas primitivas com o totemismo é a constante presença do horror ao incesto e o laço com a exogamia (cruzamento de indivíduos não relacionados), pois membros do mesmo clã não podem casar ou ter relações sexuais entre si, sendo esses atos passíveis de punição severa independente da
Em seu terceiro ensaio denominado Animismo, Magia e Onipotência dos Pensamentos , o autor explica que a origem do animismo surgiu do contato humano com o sonho e com a morte, tornando-se a doutrina das almas e espíritos no geral, transferindo esse conceito para outras coisas e tornando-se caráter vivo da natureza. Mesmo ainda sem relação com uma religião especifica, possui fundamentos sobre quais religiões foram criadas no futuro. Freud então apresenta desta vez três séries de pensamentos relacionados ao progresso da civilização humana: o animismo – correspondendo ao narcisismo clinico pois as vontades do indivíduo são mais importantes – , a religião – relacionada à escolha do objeto – e a ciência – sendo esta última o auge da maturidade, pois há renuncia ao princípio de prazer, voltando-se ao mundo externo para a busca do objeto de seus desejos. Reconhecendo o sistema animista como aquele em que se tem necessidade prática de controlar o mundo, existem formas externas e internas de fazê-lo, como a feitiçaria e a magia. Mesmo tendo conceitos popularmente similares e ambas tendo ênfase nos desejos, são diferentes entre si: a feitiçaria é a arte de influenciar espíritos das mais diversas formas enquanto a magia abdica os métodos psicológicos , tendo tendências mais imitativas como por exemplo querer que chova, então imitar os movimentos da chuva. Sendo assim, a magia é muito importante pro animismo. A onipotência dos pensamentos tem muito a ver tanto com o conceito de animismo quanto com a própria magia em si, pois o individuo é influenciado pelo seu próprio ato de “querer”, colocando-o como protagonista do universo, superestimando seus pensamentos em relação à realidade. Neste contexto, Freud retoma a neurose obsessiva, visto que a dificuldade de aceitar a realidade e a inclinação a aspirações individuais e egoístas também são apresentadas nesse caso.
Em seu quarto e último ensaio chamado O Retorno do Totemismo na Infância , o totemismo é retomado, sendo retratado como um sistema que seria a base da organização social de todas as culturas, pois o conceito de totem influencia decisivamente na subdivisão e organização da tribo, tornando-se não só social, como religioso na medida em que o respeito e amor mútuo entre o primitivo e seu totem acontece. Ao longo do capitulo, Freud trata a exogamia como consequência da lei do totem, usando Darwin e sua teoria da Horda Primeva como base, argumentando novamente sobre a compreensão dos primeiros desejos sexuais do homem e sua natureza incestuosa. É a partir desse contexto que o autor traça paralelos entre crianças e animais / povos primitivos. Tendo a zoofobia como exemplo, quando as crianças examinadas eram meninos, o medo concernia ao pai, tendo sido apenas deslocado ao animal. Freud então percebe que a impossibilidade de o garoto odiar totalmente o pai é devido ao fato dele também ser um objeto de amor e admiração, trazendo novamente a ambivalência emocional à tona. O autor então encerra sua obra dizendo que o totemismo é na verdade, o fruto das condições proporcionadas pelo Complexo de Édipo, tendo o animal totêmico retratado como a figura do pai. Desta forma, as duas principais proibições do sistema totêmico – ou tabus, como o autor trata durante todo o texto – matar o totem e casar com uma mulher do mesmo totem torna-se então compreensível, visto que representam impulsos reprimidos. Ao finalizar a leitura e análise dos quatro capítulos, torna-se discutível a importância de tal obra para compreender os atos inconscientes e a formação da moralidade humana.