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Trabalho sobre o petroleo.
Tipologia: Trabalhos
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A descoberta de petróleo é uma tarefa que envolve um estudo do comportamento das diversas camadas do subsolo através de métodos geológicos e geofísicos que, em conjunto, conseguem indicar o local mais adequado para a perfuração. Em nenhum momento da prospecção pode-se prever onde existe petróleo, o que ocorre é a indicação do local mais favorável à sua existência. Esta fase fornece uma grande quantidade de informações técnicas. A seguir serão apresentados os principais métodos de prospecção de petróleo, a saber, métodos geológicos, métodos geofísicos e métodos sísmicos. Métodos Geológicos Com o apoio de aerofotogrametria, fotogeologia e trabalhos de campo, os geólogos elaboram mapas geológicos de superfície e inferem a geologia de subsuperfície a partir destes mapas e de dados de poços. Além disso, os geólogos analisam informações de caráter paleontológico e geoquímico. Desta forma, consegue-se reconstituir as condições de formação e acumulação de hidrocarbonetos em uma determinada região. Os mapas geológicos de superfície são continuamente construídos e analisados. A aerofotogrametria consiste em fotografar o terreno utilizando-se aviões devidamente equipados, voando com altitude, velocidade e direção constantes. A fotogeologia consiste na determinação de feições geológicas a partir de fotos aéreas, onde dobras, falhas e outras características geológicas são visíveis. 1.2 Descoberta e Exploração de Petróleo 5 Métodos Geofísicos Após o esgotamento dos recursos diretos de investigação (métodos geológicos), são adotados métodos indiretos (geofísicos) para prospecção em áreas potencialmente promissoras. A geofísica pode ser vista como o estudo da terra usando medidas de suas propriedades físicas. O objetivo de usar este método é obter informações sobre a estrutura e composição das rochas em subsuperfície. A gravimetria e a magnetometria, também chamadas métodos potenciais, foram muito importantes no início da prospecção de petróleo por métodos indiretos, permitindo o reconhecimento e mapeamento das grandes estruturas geológicas que não apareciam na superfície. A prospecção gravimétrica para petróleo estuda as variações de densidade em subsuperfície. A prospecção magnética para petróleo tem como objetivo medir pequenas variações na intensidade do campo magnético terrestre. Métodos Sísmicos Existem essencialmente dois métodos sísmicos: de refração e de reflexão. O método sísmico de refração foi muito utilizado na área de petróleo na década de 50, mas atualmente sua
aplicação é bastante restrita. Atualmente, o método de prospecção mais utilizado na indústria do petróleo é o método sísmico de reflexão. Este método fornece alta definição das feições geológicas em subsuperfície propícias ao acúmulo de hidrocarbonetos. O levantamento sísmico inicia-se com a geração de ondas elásticas, através de fontes artificiais, que se propagam pelo interior da Terra, onde são refletidas e refratam nas interfaces que separam as rochas de diferentes constituições petrofísicas. Estas ondas retornam à superfície e são captadas por sofisticados equipamentos de registro. Tanto em terra quanto no mar, a aquisição de dados sísmicos consiste na geração de uma perturbação mecânica em um ponto da superfície e nos registros das reflexões pelos receptores. Na sísmica 2-D os registros das reflexões são realizados por centenas de canais de recepção ao longo de uma linha reta. Geralmente, a distância entre os canais receptores é de 20 metros. Na sísmica 3-D o levantamento dos dados sísmicos é executado em linhas paralelas afastadas entre si de distância igual à distância entre os canais receptores. O processamento dos dados segue basicamente o mesmo roteiro tanto em 2-D quanto em 1.2 Descoberta e Exploração de Petróleo 6 3-D. No entanto, na sísmica 3-D o algoritmo de migração possui a flexibilidade de migrar eventos para a terceira dimensão, permitindo que eventos laterais presentes nas seções 2- D sejam migrados para suas respectivas posições verdadeiras em 3-D. Na sísmica 2-D, o conjunto de traços sísmicos é como uma matriz de dados enquanto na sísmica 3-D é um cubo de dados 3-D. A interpretação de dados 3-D é muito mais precisa e facilitada pelo
detalhe das informações.
Hoje, um dos grandes desafios do setor de óleo e gás é descobrir esses recursos quando eles estão escondidos debaixo de rochas de sal, no fundo do mar. A revitalização dos poços de petróleo no Golfo do México, por exemplo, deve-se à descoberta do óleo no chamado sub-sal. Ela é de interesse direto do Brasil, devido à estratégia da Petrobras de buscar projetos internacionais de exploração e produção em águas profundas. Mas podem ocorrer problemas importantes durante a perfuração de poços para prospecção de petróleo, caso sejam encontradas formações de rochas salinas, especialmente quando elas tiverem grande espessura e profundidade.
As características naturais dessas rochas, que tendem a deformar com o tempo, levam a dificuldades de operação que podem provocar perda total da perfuração. Uma perda dessas gera um prejuízo da ordem de 15 milhões de dólares. Para diminuir esse risco, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo) e o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) desenvolveram um aparato laboratorial inovador. Com ele podemos obter as características de deformação da rocha ao longo do tempo, que é chamada de fluência, nas condições que estão presentes nos poços. São ensaios longos, que podem durar até vários meses. Com esse conhecimento, é possível dimensionar adequadamente as operações de perfuração, simulando qual será o comportamento das rochas, para identificar a hora de retirar a broca e instalar o revestimento no furo em tempo hábil.
Em resumo, o método de imagens atômicas consiste das seguintes etapas:
Como observado anteriormente, o processo convencional de construção de malhas numéricas para volumes sísmicos requer que as imagens contendo cortes desses volumes sejam interpretadas por geólogos e geofísicos a fim de determinar as fronteiras das áreas de interesse. Em alguns casos, este processo pode consumir meses de trabalho minucioso. Uma outra desvantagem deste procedimento manual é que pode levar a resultados diferentes e mesmo contrastantes se conduzidos por especialistas diferentes. Espera-se como resultado do presente projeto o desenvolvimento e implementação de um método 100% automatizado para construção de malhas a partir de imagens sísmicas. O software assim construído deverá ser acoplado ao sistema MultiMesh já em uso pela Petrobrás. Isto permitirá a aplicação direta do trabalho em programas de prospecção de petróleo, proporcionando uma maior rapidez na obtenção de dados através de simulação numérica. Também antevemos a possibilidade de utilizar o método automático para balizar o método manual de reconhecimento de falhas e horizontes, obtendo desta forma um método híbrido mais exato que ambos. Referências Bibliográficas [1] Cavalcanti, P. R. and Mello, U. T., 1999, Three-dimensional constrained Delaunay triangulation: a minimalist approach, 8th International Meshing Roundtable '99, Lake Tahoe, CA, Oct. 10-13 1999, pp. 119-129. [2] Cavalcanti, P. R. and Mello, U. T., 2003, "A Topologically-based Framework for Three-dimensional Basin Modeling", Multidimensional Basin Modeling, editors S. Düppenbecker and R. Marzi, AAPG/ Datapages Discovery Series No. 7, Chapter 16, 2003, p.255-269. ISBN 1-58861-006- [3] Hale, D., 2001, Atomic Images – A Method for Meshing Digital Images. 10th International Meshing Roundtable, Newport Beach, CA.
[4] Hale, D., 2002, Atomic meshes: from seismic imaging to reservoir simulation: Proceedings of the 8th European Conference on the Mathematics of Oil Recovery. [5] Hale, D., and Emanuel, J., 2002, Atomic meshing of seismic images: Expanded abstracts of the 72nd Annual International Meeting of the Society of Exploration Geophysicists. [6] Shimada, K. 1993, Physically-Based Mesh Generation: Automated Triangulation and Volumes via Bubble Packing, PhD Thesis, Massachusetts Institute of Technology. [7] McInerney, T. and Terzopoulos, D. 1999, Topology Adaptive Deformable Surfaces for Medical Image Volume Segmentation, IEEE Transactions on Medical Imaging, vol 18 no 10,
Reservas e Reservatórios
A pesquisa tecnológica na área de reservas e reservatórios está relacionada à Geologia e Engenharia de Reservatórios. O principal objetivo é aumentar a recuperação de hidrocarbonetos. Para isso, diferentes áreas de pesquisa são envolvidas, tais como: geofísica de reservatórios, processos de recuperação, simulação numérica de reservatórios dentre outras.
Os métodos potenciais têm sido amplamente utilizados para geofísica de exploração desde o início do último século. Suas aplicações, em geral, foram empregadas no mapeamento regional de grandes estruturas relacionadas a recursos minerais como: falhas de borda da bacia, grabens e horsts , diápiros de sal, profundidade do embasamento e estimativa de fluxo de calor. No entanto, durante a última década, equipamentos de alta resolução (altimetria de satélite, gradiômetros gravimétricos e magnetométricos, magnetômetro de césio, DGPS e computadores potentes) tornaram disponíveis um enorme volume de dados para exploração de recursos minerais marinhos. Atualmente, estes dados têm sido usados para calibração de pequenos contrates de densidade e de susceptibilidade magnética, fundamentais para várias pesquisas em exploração, tais quais: i) correção de velocidade para a sísmica de reflexão 3D e 4D; ii) micro-gravimetria e micro-magnetometria para a geofísica de poço; iii) mapeamento de densidade e porosidade em alta resolução para fluído em poros; iv) mapeamento de estruturas de riscos geotécnicos e v) sulfetos e nódulos polimetálicos em crosta oceânica. Atualmente, uma nova visão dessas aplicações esta sendo utilizada pela indústria de exploração mineral. O objetivo principal deste artigo é o de fazer uma breve revisão sobre o tema e também dar algum suporte teórico para essas aplicações.
Somente a partir da década de 90, com o aumento da precisão proporcionada pelos magnetômetros de césio, passou-se a utilizar a magnetometria como ferramenta para o mapeamento de regiões com alto potencial de recursos minerais marinhos. Estes equipamentos possuem uma precisão da ordem de 0,001 nT, podendo detectar pequenas anomalias magnéticas geradas por rochas com percentual de metais. A magnetometria de alta resolução, por exemplo, medindo as três componentes do campo, vem sendo usada para a caracterização da segmentação da cordilheira e localização dos depósitos de sulfetos maciços. Ainda na década de 90, a integração dos dados obtidos pelos satélites altimétricos SEASAT, GEOSAT, ERS e Topex-Poseidon possibilitou o mapeamento do geóide em todos os oceanos e, conseqüentemente, a estimativa da anomalia gravimétrica ar-livre (Sandwell, 1990 e 1992) e da batimetria predita (Yale, et. al., 1997). Com isto a crosta oceânica vem sendo investigada em detalhe e feições com anomalias gravimétricas de comprimentos de onda maiores que de 20 km (Fig. 2) podem ser pesquisadas com vistas à definição de províncias com potencial para a exploração de recursos minerais nos oceanos.
Atualmente, com o reaquecimento da indústria de exploração de recursos minerais e com o aumento da precisão dos gravímetros (0,01 mGal) e magnetômetros (0,001 nT); os métodos potenciais tornaram-se uma ferramenta útil e econômica para a modelagem de pequenas anomalias gravimétricas e magnetométricas (Fig. 3), em geral, associadas a recursos minerais marinhos (Pierce et al., 1998).
Este trabalho apresenta uma breve discussão sobre os métodos potenciais e sua importância na caracterização dos depósitos minerais marinhos. Inicialmente, apresenta-se a fundamentação teórica como forma de entendimento do método e, em seguida, são citadas algumas aplicações dos métodos potenciais, enfocando principalmente a exploração de hidrocarbonetos em margens continentais.
Os métodos potenciais vêm se desenvolvendo fortemente devido à sua ampla aplicabilidade e alta relação custo/benefício, para fins de exploração de recursos minerais marinhos. Tais métodos baseiam-se na utilização do campo potencial gravimétrico e/ou magnético da
Terra, como fonte de sinal natural que é medido pelos equipamentos geofísicos. A exploração dos recursos minerais marinhos, através do uso dos métodos potenciais (gravimetria e magnetometria), baseia-se fundamentalmente no processamento e redução destes dados para a interpretação das anomalias gravimétricas e/ou magnetométricas residuais associadas a estes recursos. No entanto, estas anomalias são extremamente pequenas quando comparadas aos campos totais observados, sendo cerca de três à cinco ordens de grandeza menores que o campo geomagnético e gravitacional, respectivamente. Por este motivo, a obtenção das anomalias residuais requer a quantificação físico-matemática desses campos para que, posteriormente, sua interpretação seja feita por modelagem direta ou inversa. Desta forma, tanto na redução quanto na interpretação das anomalias é fundamental o conhecimento da teoria do potencial que dá suporte a toda a quantificação física necessária. A teoria do potencial tem origem na Teoria da Gravitação de Newton, sobre os campos gravitacionais, e nos estudos de Gilbert (1540-1603) sobre os campos geomagnéticos, sendo que suas primeiras aplicações para fins de mineração datam de 1556 (Agrícola, 1965). Tomando como base o campo gravimétrico tem-se, através da Lei da Gravitação Universal, que a força de atração ( F ) entre dois corpos depende da razão direta das massas ( m 1 e m 2 ) e varia inversamente com o quadrado da distância ( r ):
onde: G=6,67 x 10 -8^ dyn-cm^2 /g 2 é a constante de gravitação universal. Já a força de atração magnética ( F (^) m ) pode ser obtida a partir da Lei de Coulomb e é muito semelhante à expressão acima, sendo que a constante gravitacional é substituída, de maneira inversa, pela permeabilidade magnética (μ)do meio físico entre os pólos magnéticos:
Portanto, para fins do escopo do artigo, mostraremos de maneira sucinta o tratamento matemático para o caso do campo gravimétrico, ressaltando que o mesmo pode ser estendido para o campo magnético, já que ambos dependem diretamente das massas envolvidas e inversamente do quadrado de suas distâncias, conforme as equações (1) e (2). Desta forma, considerando m 2 e r como a massa ( M ) e o raio ( R ) da Terra, a aceleração da gravidade ( g ) é dada por:
Sabe-se então que a aceleração média da gravidade na Terra é de 9, m/s 2 ( 1 cm/s 2 é igual a 1 gal , em homenagem à Galileu), sendo que os
propagação de correntes elétricas em um meio (Carlson & Jagger, 1959; Turcotte & Schubert, 1992; Middleton & Wilcook, 1994 e Reynolds, 1997).
As aplicações dos métodos potenciais na prospecção de recursos minerais data da descoberta de hidrocarbonetos na década de 20, no Texas-EUA, através de gravimetria - utilizando a Balança de Torsão de Eötvos - (Gibson & Millegan, 1998). Desde então, várias aplicações do uso dos métodos potenciais (gravimetria e magnetometria) foram realizadas para fins de exploração de recursos minerais marinhos. Tais aplicações relacionam-se à pesquisas globais, regionais e locais onde pode-se ressaltar os estudos de Patherson & Reeves (1985), Reynolds et. al. (1987), Keller (1988), Hoog (1989), Chapin (1996), Max et al. (1999) e Burley et al. (2000).
Dentre as aplicações globais e regionais destes métodos, grande parte tem suporte nos dados obtidos por navios oceanográficos e pelo sensoriamento remoto dos satélites MAGSAT, SEASAT, GEOSAT, ERS- e TOPEX-POSEIDON (Yale, et. al., 1995). Tais satélites possibilitaram a interpretação regional de anomalias residuais magnéticas (Ku & Sharp, 1983) e gravimétricas (Sandwell, 1990), que são utilizadas para uma série de objetivos de prospecção, como por exemplo: i) para a definição do "potencial e riscos de exploração" de bacias e sub-bacias sedimentares, ii) para definição dos limites entre crosta oceânica e crosta continental e iii) para o mapeamento de novas fronteiras exploratórias. Através da modelagem dessas anomalias pode-se ainda investigar a idade térmica da crosta oceânica e seus processos magmáticos, a espessura dos sedimentos, a morfologia do embasamento, a espessura da crosta e o fluxo de calor superficial. Deve-se destacar que todos estes parâmetros são fundamentais para a definição dos ambientes tectono-magmáticos e sedimentares com potencial para exploração de recursos minerais marinhos.
Atualmente, as aplicações dos métodos potenciais (Leaman, 1994) para a prospecção de recursos minerais marinhos, principalmente petróleo e gás (Shaposhnikov & Samoletov, 1986), não está limitada apenas ao mapeamento de grandes estruturas geológicas (Cordell & McCafferty, 1989; Reynolds, et. al., 1990) (Fig. 4). O grande desenvolvimento da aeromagnetometria (Cowan & Cowan, 1993), da aerogravimetria e da geofísica marinha de alta resolução, com a utilização de gradiômetros magnéticos e gravimétricos (Jekelli, 1988), tem permitido a definição detalhada da geometria de pequenas estruturas (Fig. 5) (Reid et. al., 1990; Macleod et. al., 1993). Os métodos potenciais podem fornecer, portanto informações fundamentais para a exploração e produção de hidrocarbonetos e devem ser integrados a outros métodos geofísicos para sua melhor confiabilidade (Reford, 1980; Lafehr, 1980).
Neste aspecto, uma informação fundamental, por exemplo, é a definição da estrutura de densidades e porosidades de um poço para controle sismo-estratigráfico. Atualmente, através de micro- gravimetria, é possível definir com alta precisão tais parâmetros que são essenciais na conversão tempo-profundidade dos refletores sísmicos utilizados na sísmica de reflexão 3D e 4D. Deve-se ressaltar ainda que, independente do grande desenvolvimento tecnológico dos métodos acústicos, os métodos potenciais têm sido utilizados em escala de detalhe (Machel & Burton, 1991; Goldhaber & Reynolds, 1991), no âmbito da geofísica de exploração, inclusive no monitoramento da produção de campos de petróleo e gás.
A partir da década de 90, os métodos potenciais vêm assumindo um papel de destaque no mapeamento e na exploração de recursos minerais nos oceanos. Suas principais limitações relacionadas às ambigüidades, intrínsecas advindas da teoria do potencial, que geram diferentes soluções nas modelagens, foram aprimoradas através do desenvolvimento de metodologias de interpretação, especialmente aquelas fundamentadas na modelagem por inversão, que incorporam como vínculos outras informações geofísicas e geológicas independentes. Além disto, a ótima relação custo-benefício e a grande disponibilidade de dados nos oceanos (navios e satélites), possibilita seu uso em praticamente todas as províncias marinhas em escala global, regional e até mesmo local. Este fato é particularmente importante, pois possibilita o seu uso integrado, a baixo custo, na exploração de um amplo espectro de recursos minerais marinhos.
Recentemente, o uso de dados aerogeofísicos de alta resolução nas margens continentais tem propiciado um grande avanço no entendimento da relação entre a geologia continental e a marinha em bacias sedimentares marginais. Como exemplo pode-se citar um estudo desenvolvido pela FUGRO-LASA, na Bacia de Santos, utilizando dados de aeromagnetometria de alta resolução (Fig. 6). Pode-se observar (Fig. 6a e Fig. 6b) o alto nível de detalhe proporcionado por estes dados no mapeamento estrutural da bacia, possibilitando a delimitação precisa de sua linha de charneira - identificada pelos limites entre as faixas de alta freqüência espacial ao norte e a porção ao sul dominada por anomalias magnéticas suaves - no mapeamento das sub-bacias, bem identificadas na porção sul do mapa da fase do sinal analítico por sua geometria típica de graben, e no mapeamento da continuidade estrutural da bacia com a Faixa de Dobramentos Ribeira no continente, bem marcada na porção norte do mapa da fase
crescente demanda pela produção de conhecimentos, pela realização de serviços e pela formação de profissionais. Atender adequadamente essas demandas significa estabelecer uma competência científico-tecnológica, de forma sustentável, nas várias áreas de conhecimento envolvidas, em particular a geologia, a geofísica e a matemática aplicada e computacional. O professor Martin Tygel, coordenador do Laboratório de Geofísica Computacional, (LGC), do Departamento de Matemática Aplicada da Unicamp, explica que o trabalho da geofísica consiste em realizar medições na superfície da terra ou no mar e, como resultado, produzir imagens e informações da subsuperfície com vistas a uma série de aplicações, utilizando recursos computacionais de alta tecnologia. Ele cita como exemplos a prospecção de petróleo, e os estudos ambientais, arqueológicos e da construção civil. Segundo Tygel, o procedimento comum de todas essas aplicações é enviar um tipo de onda, receber o sinal que é refletido e, então, processar os dados recebidos.
Parceria com ANP gera bons resultados Desde 2001, o LGC atua nessa área realizando pesquisa e desenvolvimento em propagação de ondas, modelagem e processamento de dados geofísicos, entre outros. Um dos projetos realizados pelo LGC é a construção de imagens sísmicas em tempo e profundidade, utilizadas para exploração e monitoramento de reservatórios de petróleo e gás. Outro projeto destina-se à obtenção de imagens de atributos geo- eletromagnéticos de interesse em estudos ambientais, como presença de poluentes, localização de dutos e rejeitos industriais no subsolo.
Parcerias - O LGC desenvolve atualmente um importante trabalho em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), no qual é feito o reprocessamento de dados sísmicos antigos com métodos e tecnologia avançadas com vistas à exploração de petróleo. Tygel considera esse trabalho muito interessante, uma vez que muitos dados não podem ser adquiridos novamente, por exemplo, por motivos ambientais. Os dados originais são reprocessados utilizando resultados científicos e recursos computacionais atualizados, sendo possível recuperar muita informação. Além disso, o LGC desenvolve vários projetos para a Petrobrás, visando a melhor exploração e monitoramento de reservatórios de petróleo e gás. A Unicamp, através do LGC, assinou recentemente um convênio com a empresa Brain Tecnologia, sediada em Belo Horizonte (MG), no valor de R$ 2 milhões. Além de interesses em prospecção sísmica de petróleo, a Brain tem forte atuação no setor de meio ambiente através de mapeamento adequado, por exemplo, na detecção de poluentes, delimitação de lençol freático, localização de dutos de petróleo, entre outros. Tygel explica que é um convênio no qual tanto o LGC quanto a Brain podem sugerir projetos de interesse comum. Outro convênio recente foi realizado com as empresas GPlus e AMD, no qual foi disponibilizado um “cluster” de 32 processadores para testes em software de processamento sísmico desenvolvidos no Laboratório. O LGC desenvolve também vários projetos de pesquisa e desenvolvimento com a Petrobras, em particular na forma de teses de pós-graduação de seus profissionais na Unicamp. Finalmente, o LGC recebe também financiamento da Fapesp, em forma de projetos temáticos e de bolsas e do CNPq para o desenvolvimento de suas pesquisas. O aporte de recursos por parte da ANP e Fapesp foi essencial para a aquisição de equipamentos computacionais e instalação do Laboratório. O LGC é ainda um dos membros fundadores do Consórcio internacional Wave Inversion Technology (WIT), que congrega importantes empresas de petróleo mundiais para execução de pesquisa aplicada. Recursos Humanos – O coordenador do LGC afirma que os bons empregos relacionados à alta tecnologia e serviços sofisticados estão sempre migrando para economias mais favoráveis. O campo do petróleo tem a possibilidade de trabalhar com tecnologia de ponta e atrair os bons empregos. “Recebo aqui no Laboratório, quase que diariamente, algum pedido de mão-de-obra qualificada que conheça esse tipo de tecnologia, para emprego certo. São poucas as pessoas qualificadas, existe um espaço muito grande para crescer”, revela. Vale salientar, no entanto, que se trata de uma área que requer bastante dedicação, o profissional precisa saber muito de matemática, informática e geologia. Na visão de Tygel, a universidade poderia treinar mais pessoas. “Existe uma procura por treinamento, mas a demanda por profissionais é muito maior”. Tygel afirma também que é difícil diagnosticar porque a procura pelos candidatos não é tão grande como deveria ser. Ele considera que, especialmente para os jovens, o petróleo tem uma conotação muito negativa, como poluente e destruidor de meio-ambiente, porém essa é uma noção que não representa corretamente toda a realidade. “É claro que, como toda atividade de grandes proporções, a indústria de petróleo tem grande impacto no meio-ambiente. O petróleo, no entanto, é um dos recursos naturais mais nobres, tendo massiva utilização nas indústrias química, farmacêutica e têxtil, bem como na produção de insumos agrícolas. O petróleo é também fundamental na produção de inúmeros materiais sintéticos. Estas aplicações têm impacto muito mais relevante que sua mera utilização como combustível. Além disso, simplesmente não existe ainda substituto energético viável”, afirma. Em uma análise bem objetiva da situação da pesquisa e inovação no País, Martin Tygel é de opinião, que nos últimos 30 anos, o Brasil mandou muita gente para fora, os pesquisadores realizaram seus
doutorados e os cursos de pós-graduação foram bem consolidados. O grande motor era e é a publicação em revistas especializadas. Esperava-se, porém, que esta ação gerasse, por si só, o desenvolvimento, não só científico, mas também tecnológico, capaz de gerar riquezas materiais para a população. No entanto, como há poucas oportunidades no País para o desenvolvimento de produtos a partir dessas idéias, essas são patenteadas e utilizadas em outros países, os quais recebem os dividendos do trabalho. Tygel enfatiza agora o que ele chama de trabalho pós-publicação, na inovação e no estabelecimento das tecnologias. Segundo ele, o país tem uma deficiência cultural histórica que é a de olhar as pessoas que fazem, que “põem a mão na massa”, de uma forma pejorativa, ao contrário do olhar lançado sobre as pessoas que produzem as idéias, os criadores intelectuais. De acordo com Tygel, no Brasil é mais fácil comprar um equipamento de US$ 1 milhão do que pagar um salário adequado para o técnico que fará a manutenção do equipamento. “Posso conseguir agora, com algum projeto de pesquisa, a aquisição de máquinas sofisticadíssimas. No entanto, a contratação de pessoal para operar e manter essas máquinas não se encaixa em nenhum tipo de apoio”, alerta. Tygel acha, no entanto, que a situação está se revertendo, embora não na velocidade que deveria. A Unicamp está investindo mais na inovação e isso significa realizar atividades que tenham, além de qualidade acadêmica, também conteúdo prático. Mas, na opinião do docente, ainda falta apoio para as pessoas qualificadas que não são pesquisadores. Prevenção – Em contraponto com a realidade dos países industrializados, o Brasil utiliza muito pouco os benefícios que a tecnologia geofísica pode oferecer. Tygel explica que, em muitos países, serviços de mapeamentos e análises utilizando o processamento de dados geofísicos são de amplo emprego na sociedade. Dentre os exemplos estão aplicações em preservação de estradas. Segundo ele, através de medições realizadas com a circulação de veículos pesados na estrada é possível verificar possibilidades de ruptura devido ao estado do subsolo. “Um monitoramento correto pode significar uma economia substancial de divisas. Uma situação clássica que poderia ter sido evitada com monitoramento preventivo é a queda da ponte da BR-116”, alerta Tygel. Futuro – O LGC é, segundo seu coordenador, auto-sustentado por seus projetos. Os recursos financeiros são provenientes, entre outras fontes, da Agência Nacional do Petróleo, Petrobras, Brain Tecnologia, GPlus e AMD, Fapesp, CNPq. Além disso, o LGC dispõe de sofisticados pacotes computacionais e aplicativos, disponibilizados a partir de acordos educacionais e de pesquisas com empresas. O Laboratório está vinculado ao Centro de Estudos do Petróleo (Cepetro), considerado por Tygel um centro excelente, porque além de congregar todas as atividades do petróleo, realiza o gerenciamento financeiro dos projetos, aliviando os pesquisadores da pesada carga administrativa. O coordenador do LGC enxerga um futuro de trabalho muito promissor. “A atividade que realizamos é o processamento de dados geofísicos. O custo desse trabalho nos países desenvolvidos está se mostrando muito caro, havendo um deslocamento de serviços para países emergentes, por exemplo, China e Índia. Mesmo sendo os custos do Brasil maiores que nesses dois países, há competência aqui para receber esses serviços. Neste sentido, as atividades de laboratórios universitários, como o LGC, podem desempenhar um papel importante”, prevê Tygel. A construção da nova sede do Cepetro ampliará a capacidade física do LGC, que ocupará um andar inteiro no novo prédio. Esse fato acena com um planejamento de uma grande expansão nas atividades. “Temos que colocar nossos estudantes para trabalhar em problemas reais. Isso não quer dizer que sou contra fazer pesquisa. O LGC apóia decisivamente o grupo de pesquisa em geofísica computacional do Departamento de Matemática Aplicada, participando ativamente dos trabalhos de pesquisa e publicações. Acho, porém, que ao lado do apoio já estabelecido à pesquisa, devemos nos preocupar mais com as aplicações. Além disso, trabalhar em problemas aplicados faz com que o aluno se habitue ao mercado de trabalho que irá encontrar. É um bom caminho para garantir que os nossos jovens tenham oportunidade”, finaliza Tygel.
As ondas de corpo ou volume propagam-se através do interior da Terra. Apresentam percursos radiais deformados devido às variações de densidade e composição do interior da Terra. Trata-se de um efeito semelhante à refracção de ondas de luz. As ondas de corpo são as responsáveis pelos primeiros tremores sentidos durante um sismo bem como por muita da vibração produzida posteriormente durante o mesmo. Existem dois tipos de ondas de corpo: primárias (ondas P) e secundárias (ondas S).
As ondas P ou primárias são as primeiras a chegar, pois têm uma velocidade de propagação maior. São ondas longitudinais que fazem a rocha vibrar paralelamente à direcção da onda, tal como um elástico em contracção. Verifica-se alternadamente uma compressão seguida de uma distensão com amplitudes e períodos baixos, impondo aos corpos sólidos elásticos alterações de volume (contudo não há alterações na forma). No ar, estas ondas de pressão tomam a forma de ondas sonoras e propagam-se à velocidade
das antípodas. No núcleo interno voltam a ter um aumento repentino da velocidade – meio sólido.
Quando ocorre um sismo, os sismógrafos situados perto do epicentro, até uma distância angular de 105º, conseguem detectar as ondas P e S, mas aqueles situados a distâncias angulares maiores não conseguem detectar as ondas S. Isto deve-se ao facto de as ondas S não poderem atravessar líquidos. Foi desta forma que Oldham demonstrou que a Terra possuía um núcleo exterior líquido.
O Laboratório de Interpretação de dados Sísmicos e Geológicos (LISG), instalado no prédio sede do PRH 05 (CEAPLA-NEC), surge como a melhor prática no ensino das técnicas de exploração de hidrocarbonetos, utilizando métodos geofísicos e geológicos, permitindo satisfazer as necessidades da indústria do petróleo.
Este laboratório foi baseado numa experiência desenvolvida na Universidade Central da Venezuela, iniciada em 1999, que permitiu formar alunos com as habilidades requeridas para o desenvolvimento de trabalhos na PDVSA (Petróleos de Venezuela S.A) e companhias estrangeiras, não havendo necessidade de cursos complementares. Esta iniciativa agregou valores tanto à PDVSA quanto ajudou na evolução tecnológica da Venezuela na área de petróleo e gás. Foram desenvolvidos aplicativos de integração entre softwares de interpretação de dados e visualização com softwares de retrodeformação de seções geológicas, geração de registros utilizando redes neuronais e geoestatística, o que permitiu melhorar as metodologias de pesquisa de hidrocarbonetos.
O objetivo do LISG consiste em formar estudantes para processamento de dados adquiridos com métodos geofísicos e geológicos, visando a caracterização de jazidas. Neste sentido, o laboratório oferece cursos específicos de procura e avaliação de reservatórios, assim como cursos de integração de dados, além de permitir desenvolver um conjunto de pesquisas relacionadas com a exploração de hidrocarbonetos.
O LISG trabalha com os softwares Geographix e Landmark , os quais tem módulos especiais de interpretação de dados sísmicos, correlação estratigráfica, caracterização de reservatórios, calibração de dados sísmicos, conversão de estruturas em tempo a profundidade, visualização de blocos 3D e mapeamento, entre outros.
O LISG completou sua instalação em janeiro de 2005. Os primeiros cursos foram ministrados em fevereiro, utilizando-se o software Geographix. Foram voltados para a caracterização de reservatórios (módulo Prizm) e para a interpretação de estilos estruturais (módulo SeisVision, em versões de sísmica 2D3D e 3D).
O banco de dados do Laboratório está sendo construído com dados fornecidos para as universidades pelo BDEP (Banco de Dados de Exploração e Produção da ANP), destacando-se os do Campo Escola de Namorado. Entre aqueles já instalados, podem ser acessados dados das bacias de Santos, Campos e do Paraná, com previsão de instalação de dados da Bacia de Solimões.
O LISG destina-se a prestar suporte aos estudantes de graduação e pós-graduação da