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Um trabalho que ajuda no desenvolvimento da cidade e alunos
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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A importância de se conhecer a história e geografia locais Link da Apresentação/ Making Of : https://www.youtube.com/watch?v=Y4iw23tc5yU&feature=youtu.be Link do protótipo/videoaula: https://www.youtube.com/watch?v=lUSo6rZAID AMÉRICO BRASILIENSE 2020
A importância de se conhecer a história e geografia locais Relatório Técnico Científico apresentado na disciplina de Projeto Integrador IV para o curso de Licenciatura em Pedagogia da Fundação Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) AMÉRICO BRASILIENSE 2020
Conhecer a memória cultural da própria cidade é fundamental aos estudantes, pois, para se entender a história de outros povos é essencial saber como se deu a construção e evolução da própria sociedade, por isso, é fundamental que as crianças não só conheçam como estudem os povos e culturas que deram origem à cidade deles. Ademais, quando estamos inseridos na vida em comunidade nos relacionamos com pessoas e, dessa troca, origina-se a nossa cultura, que se constrói gradativamente. Assim sendo, Pedroso (1999) salienta a importância de se conhecer o passado histórico social e cultural do próprio povo: Quem não vive as próprias raízes não tem sentido de vida. O futuro nasce do passado, que não deve ser cultuado como mera recordação e sim ser usado para o crescimento no presente, em direção ao futuro. Nós não precisamos ser conservadores, nem devemos estar presos ao passado. Mas precisamos ser legítimos e só as raízes nos dão legitimidade. (PEDROSO, 1999, p.8) Dessa forma, fica evidente o fato de que quando conhecemos nossas raízes a nossa realidade passa a ter sentido, pois só dessa forma podemos entender com clareza as mudanças que ocorrem no presente e as que ocorrerão no futuro. Por isso é fundamental que as crianças do Ensino Fundamental I estudem a história e geografia locais, por meio de uma perspectiva histórica que abranja lugar e tempo. A palavra “lugar” tem vários significados, e, para a geografia escolar não é diferente, tal conceito é abrangente, podendo referir-se desde a um planeta quanto a rua em que se vive, como evidencia Leite (2018): No que se refere às questões de ensino-aprendizagem em Geografia e suas relações intrínsecas com os processos identitários, o conceito de lugar apresenta-se como multiescalar, pois transita de um extremo ao outro no território e até no planeta, assumindo a identidade de bairro, cidade, Estado, região, país, continente, num ir e vir constante, para buscar referências concretas que possibilitem a transposição didática, a formulação de conceitos, o estabelecimento de referenciais identitários. Nessa perspectiva, supera a dimensão tempo/espaço por possibilitar o trânsito em diferentes tempos e espaços e então, aportar indícios de identidade. Como elemento de mediação no
justamente trabalhar com a memória local e, apresentar, por meio de uma vídeoaula, um pouco do passado histórico da cidade de Araraquara para os alunos do quinto ano do Ensino Fundamental. 1.1. Problema e objetivos Devido à atual realidade mundial (pandemia) não foi possível visitar escolas para definição do tema, entretanto, uma das integrantes do grupo, Mayra Aparecida Marcellino Botechia é professora de Geografia do Ensino Fundamental II na rede estadual de ensino, e foi a partir das experiências dela que tal projeto foi elaborado. Em umas das reuniões em grupo do Projeto Integrador para a Pedagogia IV a professora Mayra relatou que os alunos não têm conhecimendo da história e geografia locais, apesar do assunto fazer parte do currículo do Ensino Fundametal I o tema é apenas vagamente apresentado na época do aniversário da cidade, comemorado em 22 de agosto. A razão da memória local não ser muito trabalhada é devido à rejeição que tal conteúdo sofre, sendo considerado por muitos de menor importância em relação a outros, como afirmam Nogueira e Silva (2010): Existe, portanto, uma parcela de preconceito e resistência quanto à história local. Uma destas resistências deve-se ao fato de ela ter ficado, durante muito tempo, a cargo de historiadores amadores, curiosos que se dispuseram a levantar dados e a escrever sobre a localidade onde moravam. Médicos, engenheiros, professores de disciplinas variadas ou pessoas sem formação acadêmica eram – e em muitos casos ainda são
Parâmetros Curriculares Nacionais, como enfatiza Nogueira e Silva (2010): Não por acaso, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), referentes ao estudo de História no Ensino Fundamental, recomendam a inserção da História Local nos currículos escolares. É a partir do local que o aluno começa a construir sua identidade e a se tornar membro ativo da sociedade civil, no sentido de que faz prevalecer seu direito de acesso aos bens culturais, representados aqui pelo patrimônio histórico cultural, tanto em sua forma material ou imaterial. Assim, o entendimento da importância desse patrimônio faz-se presente no estudo da História Local, que pode e deve ser estimulado nas escolas. (NOGUEIRA; SILVA, 2010, p. 233) Assim sendo, o objetivo deste trabalho é criar um protótipo, uma videoaula que apresente a história do municío de Araraquara de forma breve, em que a geografia e a história se fundam para uma melhor conexão do passado/tempo e do lugar/sociedade dentro do cotidiano de cada estudante. Afinal, a formação do cidadão se dá também pela história de seu povo, de suas raízes. 1.2. Justificativa O estudo da história local desempenha um papel fundamental na medida em que considera a pesquisa e a reflexão importantes na relação entre indivíduo, grupo e sociedade. Assim sendo, a historiografia da cidade permite que o aluno reflita acerca de seus valores e relacione-os com sua localidade. Nogueira e Silva (2010) abordam o tema e afirmam que a grande vantagem de tal estudo é a diversidade, como mostra o trecho abaixo: Seu [estudo da historiografia local] principal mérito está na busca das singularidades, da diversidade. Enquanto a história global usa uma noção de tempo uniforme, a local e a regional buscam apreender o tempo realmente vivido por cada localidade, em que as experiências são diferentes durante um mesmo contexto histórico. Na história local não há tempo único, mas tempos sociais. A noção de espaço local ou regional é flexível e varia de acordo com o curso da história. A importância da história local e regional está na história elaborada com base nas realidades particulares dos locais, trabalhando com a diferença, com a multiplicidade, apresentando o que há de concreto na dinâmica social e no cotidiano das pessoas que viveram longe dos grandes centros. (NOGUEIRA; SILVA, 2010, p. 233)
estudantes ao estimulá-los com o formato (videoaula) buscando o amadurecimento por meio do conteúdo.
A principal base teórica deste projeto realiza-se sob a perspectiva de Vygotsky (1998), que teoriza sobre as relações sociais. Para o autor, a formação do homem somente ocorre numa relação dialética entre sujeito e sociedade, como podemos observar no excerto abaixo: Desde os primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades adquirem um significado próprio num sistema de comportamento social e, sendo dirigidas a objetivos definidos, são refratadas através do prisma do ambiente da criança. O caminho do objeto até a criança e desde até o objeto passa através de outra pessoa. Essa estrutura humana complexa é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas ligações entre história individual e história social. (VYGOTSKY, 1998, p.24) Assim, a psicologia sócio-histórica de Vygotsky norteia toda a ideia deste projeto, posto que trata da interação do ser humano com o ambiente. Uma vez que tal relação é a base da construção do homem, é fundamental conhecermos os agentes desta relação: o homem e a sociedade. Tal panorama é debatido por Martins (2014): Como seres humanos e, portanto, ontologicamente sociais, passamos a construir a nossa história só e exclusivamente com a participação dos outros e da apropriação do patrimônio cultural da humanidade. Temos assim um movimento de constituição do Homem que passa pela vivência com os outros e vai-se consolidar na formação adulta de cada um de nós. A criança e o adulto trazem em si marcas de sua própria história - os aspectos pessoais que passaram por processos internos de transformação - , assim como marcas da história acumulada no tempo dos grupos sociais com quem partilham e vivenciam o mundo. Assim, o indivíduo transforma-se de criança em adulto processando internamente, por meio de seu livre-arbítrio, as diversas visões de mundo com as quais convive. (MARTINS, 2014 , p. 113). Portanto, torna-se fundamental o conhecimento da sociedade histórica em que se vive, afinal, somos parte integrante desta sociedade. É importante também ressaltar o papel do professor neste processo, que deve realizar uma ação transformadora, como ressalta Paulo Freire (19 8 7), outro importante teórico que fundamenta este trabalho:
processos internos de transformação - , assim como marcas da história acumulada no tempo dos grupos sociais com quem partilham e vivenciam o mundo. Assim, o indivíduo transforma- se de criança em adulto processando internamente, por meio de seu livre-arbítrio, as diversas visões de mundo com as quais convive. Toda esta discussão com certeza tem em VYGOTSKY e em outros psicólogos russos a sua origem, e seu aprofundamento vem sendo feito à luz de experiências especialmente do campo educacional. (MARTINS, 2014, p.113) Ademais, as disciplinas de Didática e Educação Mediada por Tecnologia foram aplicadas diretamente, na finalização deste projeto, na gravação da videoaula. O recurso tecnológico vem ganhando cada mais importância, devido à forma dinâmica, à eficácia, ao maior interesse dos alunos, como analisa Khan (2013): O velho modelo de sala de aula simplesmente não atende às nossas necessidades em transformação. É uma forma de aprendizagem essencialmente passiva, ao passo que o mundo requer um processamento de informação cada vez mais ativo. Esse modelo baseia-se em agrupar os alunos de acordo com suas faixas etárias com currículos do tipo tamanho único, torcendo para que eles captem algo ao longo do caminho. Não está claro se este era o melhor modelo cem anos atrás; e, se era, com certeza não é mais. Nesse meio-tempo, novas tecnologias oferecem uma esperança de meios mais eficazes de ensino e aprendizagem, mas também geram confusão e até mesmo temor; com exagerada freqüência, os recursos tecnológicos não fazem muito mais do que servir de maquiagem. (KHAN, 2013, p. 9) Além disso, obviamente, as disciplinas Fundamentos e Práticas no Ensino da Geografia e Fundamentos e Práticas no Ensino da História foram amplamentes usadas durante toda a produção deste trabalho, principalmente na pesquisa e formulação do protótipo/videoaula. É importante ressaltar que a metodologia estudada em tais disciplinas também foi muito explorada neste projeto, afinal, para agregar na formação dos alunos é preciso fazer uso de métodos adequados, como salienta Barros (2013): A apreensão das noções de tempo histórico em suas diversidades e complexidades pode favorecer a formação do estudante como cidadão, fazendo-o aprender a discernir os limites e possibilidades de sua atuação na permanência ou na transformação da realidade histórica em que vive. A aprendizagem de metodologias apropriadas para a construção do conhecimento histórico é essencial para que o aluno possa
apropriar-se de um olhar consciente para sua própria sociedade e para si mesmo.(BARROS, 2013, p. 309 ) Enfim, uma vez que o processo de aprendizagem é cumulativo, é válido afirmar que todas as disciplinas até aqui estudadas foram aplicadas neste projeto. Obviamente, muitas indiretamente.
desenvolvimento. (IVIC, 2010, p.16,17) Ou seja, uma vez que a sociedade de hoje foi edificada pelo passado é fundamental conhecer a memória social. Então, partimos para a segunda etapa do projeto, que foi a pesquisa sobre a História e Geografia do município de Araraquara. Em um primeiro momento apenas pesquisamos e combinamos de trocar informações/pesquisar. Com os museus da cidade fechados toda a pesquisa foi feita virtualmente. A partir de então passamos a selecionar o conteúdo para a videoaula. Elaboramos um texto que posteriormente foi transformado em roteiro. Em seguida buscamos as imagens para ilustrar nosso protótipo. Posteriormente gravamos nossa videoaula por meio do programa Power Point , escolhido devido à facilidade em narrar simultaneamente as trocas de imagens.
Tendo em vista que nosso público-alvo são crianças, o roteiro da videoaula foi elaborado de forma simplificada, tanto no conteúdo quanto na linguagem.Também buscamos privilegiar aspectos lúdicos, que são mais atrativos para os pequenos e colaboram na construção do conhecimento, como explica Modesto e Rubio (2014): O aspecto lúdico torna-se importante instrumento na mediação do processo de aprendizagem, principalmente das crianças, favorecendo o uso do pensamento, a concentração, o desenvolvimento social, pessoal e cultural, facilitando o processo de construção do pensamento [...] é importante reconhecer a importância do lúdico como veículo para o desenvolvimento social, intelectual e emocional de seus alunos. (MODESTO; RUBIO, 2014, p.1,2) Logo que preparamos todo o conteúdo da videoaula partimos para a elaboração dos slides e finalização do roteiro para então gravarmos. 4.1. Protótipo Inicial Nosso protótipo inicial foi a elaboração de uma videoaula intitulada “Conhecendo o passado de Araraquara”, destinada aos alunos do quinto ano do Ensino Fundamental I. Após esta importante decisão buscamos a pesquisa pela fundamentação teórica, essencial para a produção do projeto. Com a colaboração de todo o grupo, conseguimos uma importante base em Vygotsky (1998), forte influência de Paulo Freire (1997) e grande inspiração em Darcy Ribeiro (2006) - tais autores foram justificados anteriormente em “Fundamentação Teórica”. Prontamente, partimos para a pesquisa individual sobre a historiografia do município de Araraquara, seguida pela troca de materiais encontrados. A partir de então passamos a elaboração de um texto prévio, para ser utilizado de base para nosso protótipo. Então, realizamos um outro debate, a respeito de como aconteceria a videoaula. Optamos por trabalhar somente com a narração de imagens, pois acreditamos que dessa forma ficaria mais dinâmico e atraente para os estudantes.
“engraçados”, a fim de chamar a atenção dos estudantes. E, pensando em uma aplicação futura dessa videoaula, acrescentamos uma atividade a ser realizada em sala, um debate sobre o que mais os cativou a respeito do que foi visto. Por fim, vale salientar que, apesar de nossa pesquisa inicial ter sido realizada virtualmente, como base para nosso protótipo decidimos usar o livro “Para uma história de Araraquara”, do renomado historiador Rodolpho Telarolli (2003). Já, para as ilustrações, encontramos excelentes imagens no documentário de Renato Barbieri (2013), intitulado “Araraquara, memórias de uma cidade”. 4.3. Protótipo final A realização do protótipo final foi a penúltima etapa do nosso Projeto Integrador para a Pedagogia IV, a última, como não poderia deixar de ser, foi a elaboração do vídeo de Apresentação/ Making Of ( link na capa deste trabalho). Indubitavelmente, uma grande fonte de informações foi o livro de Telarolli (2013), como mencionado anteriomente, além disso, no site da Prefeitura Municipal de Araraquara encontramos um grande material histórico. Porém, obviamente, muita informação ficou de fora, ora por não ser indicada à faixa etária (como explicado anteriormente), ora por conta da necessidade de fazer um vídeo curto. Então, foi preciso fazer escolhas difíceis em relação ao conteúdo, por isso, decidimos ser conveniente abordar os aspectos tradicionais de uma aula: como ocorreu a fundação, quem fundou, e assim por diante. Entretanto, mesmo com todas as modificações que precisamos fazer, acreditamos que conseguimos fazer uma aula fundamentada no sociointeracionismo de Vygotsky (1998), em que o meio social influencia diretamente na formação do ser humano, e ainda nossa videoaula preocupa-se em narrar as memórias da cidade de Araraquara de forma a cativar os educandos, para que se interessem a respeito do assunto e busquem novas informações além das apresentadas, assim, alcançando a liberdade da opressão tão debatida por Paulo Freire (1987). Link do protótipo final: https://www.youtube.com/watch?v=lUSo6rZAID
Hoje em dia é de fundamental importância pensarmos e repensarmos as formas de ensino. Com as evoluções da sociedade e da tecnologia é preciso que a escola também inove e acompanhe as mudanças. Aliás, não é novidade que a tecnologia revoluciona a educação. A disseminação do conhecimento vem se alterando da invenção da imprensa no século XV por Gutenberg, ao advento da internet, como explica Endres (2019): O ensino, embora sempre tenha tido um cunho elitizado, sofreu o impacto da invenção da imprensa: livros publicados em diversos países passaram a ser conhecidos no mundo todo. Dissemina-se a informação e o conhecimento com velocidade muito superior ao ritmo anterior [...] Nesse longo período, que vai das primeiras universidades na Idade Média até a disseminação do ensino universal resultante do Iluminismo e da Revolução Industrial, as escolas dedicam-se sobretudo à reprodução do saber. [...] As transformações trazidas pela Revolução Industrial no século XVIII somaram-se de forma constante, resultando em descobertas científicas de grande impacto para a organização prática da vida social e do conhecimento – já no século XIX, a disseminação do uso da eletricidade, por exemplo, revolucionou a vida nas cidades, ampliando de forma vertiginosa a velocidade de comunicação. Já na metade do século XX, o capítulo final desta breve história tem início: a revolução da chamada era pós-industrial, quando o computador passa a concentrar as potencialidades técnicas em velocidade exponencialmente maior do que se dava no período anterior. Algumas décadas mais tarde, com o advento da internet e sua exploração comercial já nos anos 1990, temos o cenário atual da transformação tecnológica, cujo impacto se faz sentir em todas as esferas da vida. (ENDRES, 2019, p.12) Ou seja, usar da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) para lecionar nada mais é do que uma adequação à atual realidade. E foi justamente pensando nas crianças de hoje que elaboramos nosso protótipo. A partir da experiência pessoal de uma das integrantes do grupo, que é professora de Geografia, percebemos como, não só os alunos, mas nós também conhecemos muito pouco das nossas raízes históricas e geográficas. Certamente ninguém aprendeu mais com essa videoaula do que o próprio grupo, uma vez que, para elaboração dela, foram necessárias muitas mais pesquisas do que planejamos. Evidentemente a aula não pode ser aplicada, devido à pandemia do