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trabalho de dermatofuncional para ver
Tipologia: Trabalhos
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Artigo apresentado à Biocurso, para obtenção do título de Especialista em Fisioterapia Dermatofuncional.
1. Introdução
O crescimento capilar é considerado processo complexo. Envolve a atividade do folículo piloso e seu ciclo, que na fase anágena hiperproliferativa precisa de equilíbrio fisiológico para que o ciclo capilar se mantenha normal e os fios cresçam saudáveis¹. Ocorrendo algum desequilíbrio, provocado, por exemplo, por estresse, um número considerável de folículo passam da fase anágena para telógena, no final da qual caso o folículo não retorne mais a fase anágena, ou seja, não produza mais fios de cabelo, tem-se então o começo da alopecia, uma doença dermatologicamente infamatória crônica que afeta os folículos pilosos provocando a perda parcial ou total dos cabelos¹,². Dentre os tipos de alopecia pode-se citar a alopecia androgenética (AAG), que tem como característica a alteração no ciclo do cabelo que leva à minimização folicular progressiva com conversão de fios terminais em velo, mais finos, curtos e menos pigmentados. Conhecida também como ‘calvície hereditária’, a alopecia androgenética (AAG), atinge ambos os sexos. Todavia, 50% dos homens com mais de 50 anos apresenta algum grau de calvície, enquanto que as estimativas em relação às mulheres são variadas, sendo que em torno de 30% delas são acometidas pela AAG, por vota dos 70 anos³. Sendo a alopecia androgenética a expressão de uma alteração no ciclo folicular normal, teoricamente pode ser reversível e se não tiver em quadro muito avançado pode haver resposta terapêutica. Os objetivos do tratamento é aumentar a cobertura do couro cabeludo e retardar a progressão da queda dos cabelos³. Sob este enfoque, o estudo tem como objetivo apresentar algumas considerações sobre os efeitos do microagulhamento em pacientes do sexo masculino com alopecia androgenética.
2. O cabelo e suas características fisiológicas e morfológicas
O Cabelo, além de ser visto como um adorno tem a função de proteger a cabeça dos raios solares por meio da melanina que nele se faz presente e que é também responsável por sua coloração. “O cabelo possui receptores nervosos que funcionam como sensores, os quais o levam a aumentar a proteção da cabeça quando necessário”. Os seres humanos possuem entre 90 e 150 mil fios de cabelos no couro cabeludo que crescem 1 cm/mês 90,37 mm/dia) cuja perda normal ocorre entre 50 a 100 fios diários. Seu diâmetro varia de 15 a 110μm, dependendo da raça⁵ ’ ⁴.
O cabelo é constituído de proteínas denominadas queratinas, produzidas nos queratinócitos^3 do tecido epitelial de invaginações da epiderme para a derme. Deste modo, morfologicamente o cabelo é dividido em camadas distintas estando o fio de cabelo situado em tecido vivo (o bulbo folículo capilar), este promove a multiplicação e a diferenciação das células, formando o cabelo como uma haste que aumenta de tamanho, com células que vão se renovando de baixo para cima e morrem na ponta do fio, ao saírem do bulbo⁷ ’⁶. Cada folículo possui seu próprio ciclo de desenvolvimento, que compreende as seguintes fases⁴ ,⁸ :
Fonte: Fernandes (2013)⁸ Figura 1 – As diferentes fases do ciclo de crescimento capilar: A : Anágena (Crescimento); B : Catágena (Degeneração); C : Telógena (Repouso) Algumas afecções podem afetar os cabelos (alterações adquiridas ou congênitas) e atingir inclusive o couro cabeludo. Muitas dessas patologias não oferecem riscos à vida, mas geram insegurança emocional e perda da autoestima, comprometendo a qualidade de vida da pessoa afetada⁹. Nos homens, o principal fator de perda dos cabelos acontece em decorrência da alopecia androgenética, que provoca queda de cabelo crônica e difusa, podendo ter inicio já por volta dos 17 ou 18 anos, com uma significativa queda diária dos fios. Já nas mulheres, os fatores da
(^3) Os queratinócitos do folículo piloso são células que se multiplicam numa velocidade muito maior que os da pele e se diferenciam para formar as diferentes estruturas do cabelo. A produção e o armazenamento de queratina é um processo denominado queratinização, que causa o endurecimento destas células, levando à desintegração de seus núcleos e, consequentemente, a morte⁵.
acomete indivíduos geneticamente predispostos cuja herança genética pode vir tanto do lado
materno como paterno, embora os genes determinantes ainda não sejam conhecidos¹³‚¹². Os dois androgênios predominantes naturais são a testosterona e a Di-Hidrotestosterona (DHT). A testosterona é convertida em DHT pela enzima5α-redutase, composta por duas isoenzimas, tipo I e tipo II, ambas presentes no couro cabeludo. O diagnóstico da AAG normalmente é realizado pelo padrão clínico de perda capilar, a partir do topo da cabeça. Diante dessas condições, uma grande maioria dos pacientes afetados pela calvície demonstra necessidade de um adequado tratamento. “A busca por tratamento para alopecia, em última análise, representa um sentimento de inconformidade desenvolvido pelo paciente com relação à perda de cabelos progressiva e com sua imagem pessoal”, salienta Silva (2011, p. 23). Com base nesse ponto de vista, algumas vezes verifica-se a tentativade melhora da autoestima dos pacientes frente ao desenvolvimento da alopecia androgênica, inclusive fazendo uso de algumas estratégias comportamentais (melhoria da condição física, maior envolvimento com o trabalho e assim por diante) e uso de artifícios para disfarçar a calvície (uso de chapéu, perucas). Na atualidade, dentre os tipos de tratamento disponíveis o microagulhamento, uma técnica que faz uso de um aparato composto basicamente de duas partes (um cabo e um rolo de polietileno
denominado roller ), vem sendo apontado como uma boa alternativa neste sentido¹⁴‚¹¹‚¹⁴.
4. Um olhar sobre o microagulhamento, seus aspectos históricos, finalidades e ações
O microagulhamento tem sido definido como uma técnica usada em procedimentos estéticos, consistindo no estímulo mecânico gerado pelo rolamento de um cilindro contendo de 120 a 540 microagulhas que geram centenas de micro canais na pele, aumentando-lhe a permeabilidade cutânea e estimulando os fibroblastos a produzirem mais colágeno para restaurar o tecido conjuntivo¹⁶. Destacando aspecto histórico da questão, pode-se dizer que o microagulhamento, que tem influência da Acupuntura, surgiu na França, nos anos 60. Tudo começou com o aparecimento da técnica denominada Nappage, que cuidava de pequenas incisões para administração de fármacos, que tinha como objetivo o rejuvenescimento facial. Mas, a técnica propriamente dita só vem a se consolidar na década de 1990, na Alemanha, conhecido como Dermarroler™. Tempos depois, precisamente em 2006, a ideia deste equipamento começa a se difundir por todo o mundo. Na atualidade o microagulhamento se mostra como uma opção para estimular a produção de colágeno, sem provocar a desepitelização total observada nas técnicas ablativas¹⁸ ’ ¹⁷.
Suas ações se resumem em perfuração da epiderme gerando canais que podem permanecer até 24 horas após a aplicação, aumentando a permeação em cerca de 40 vezes (o que permite a entrega de ativos nas camadas da pele onde se quer atuar); geração de um falso estímulo de lesão, com consequente processo de inflamação controlado, que inicia uma cascata de eventos celulares, contribuindo para a remodelação tecidual; indução da neocolagênese e neoangiogênese com o intuito de reabilitação do Tecido Conjuntivo e separando o tecido, ao invés de dilacerá-lo¹⁶. A figura 2 oferece uma visão do microagulhamento e sua aplicação
Fonte: Lima et al. (2013) ¹⁸ Figura 2 – Visão esquemática da penetração da agulha durante o procedimento
Os instrumentos utilizados para a realização do microagulhamento constituem-se de um rolo de polietileno (vide figura 3) encravado por agulhas de aço inoxidável e estéreis, alinhadas simetricamente em fieiras perfazendo um total de 190 unidades, em média, variando segundo o fabricante. O cumprimento das agulhas se mantém ao longo da estrutura do rolo, variando de 0,25mm a 2,5mm, de acordo com o modelo (figuras 4)¹⁸. Normalmente, a intervenção sob anestesia local é bem tolerada com agulha que não ultrapasse 1mm de comprimento. “A partir desse tamanho recomenda-se bloqueio anestésico complementado por anestesia infiltrativa. Objetivando o maior conforto do paciente em situações de prolongado tempo cirúrgico e injúria mais profunda recomenda-se anestesia local associada à sedação”, salienta Lima et al. (2013, p. 112)¹⁸.
O microagulhamento é um manejo terapêutico recentemente incluído no tratamento da alopecia androgênica, em função de algumas importantes condições para o crescimento dos cabelos¹⁰. Nessa ordem de conceito pode-se observar que essa nova opção para tratar a AAG favorece o crescimento dos cabelos por conta de alguns mecanismos como a ativação do sistema plaquetário mediante as feridas cutâneas, estimulando a liberação dos fatores de crescimento derivados das plaquetas e dos fatores de crescimento epidérmicos; células-tronco do bulbo capilar são ativadas nas áreas com feridas provocadas pelo equipamento; superexpressão dos genes relacionados com o crescimento do cabelo, como o fator de crescimento do endotélio vascular, beta catenina, vias Wnt3a e Wnt10b, de acordo com estudos em animais¹⁷. A literatura tem afirmando que o combate à alopecia com microagulhamento é sempre associado ao uso de medicamentos que inibem a perda dos fios e estimulam o crescimento dos cabelos, podendo ser substâncias que possuem atuação na produção hormonal ou simplesmente substâncias para fortalecer o couro cabeludo¹⁷. Na realização do procedimento no couro cabeludo deve-se delimitar a região a ser tratada, utilizando, por exemplo, o campo fenestrado e aplicar o anestésico tópico 30 minutos à uma hora antes do procedimento. Após esse período retirar o creme com gaze embebida em soro fisiológico, realiza antissepsia de toda a área a ser tratada com clorexidina ou álcool 70%; aguarda completa secagem da área para iniciar a rolagem; seleciona um equipamento com agulhas de tamanho 1,5 mm e faz o rolamento sobre as áreas afetadas em direções longitudinais, verticais e diagonais até que o eritema leve seja observado¹⁷ , conforme mostra a figura 5.
Fonte:
http://www.cabeloecalvicie.com/microagulhamento (2017). Figura 5 – Procedimento microagulhamento AAG
O rolo como se pode observar desliza no paciente provocando mínimos ferimentos que aumentarão a vasodilatação e estimulam a formação de colágeno pela pele. Nesse momento, as substâncias (cremes e loções) que são usadas para estimular o crescimento de novos fios são injetadas no paciente e por conta das pequenas aberturas causadas pelas agulhas, atuam com maior eficiência e rapidez no organismo¹⁷. Em síntese, o microagulhamento é tratamento inovador e pode ser considerado como mais uma estratégia para no enfrentamento da alopecia. Um estudo realizado por Dhurat e Mathapati (apud COSTA, 2016)¹⁷ com quatro homens apresentando alopecia, que se submeteram a quinze sessões de microagulhamento, com uso de minoxidil e finasterida (medicamentos usados para combater a alopecia) revelou que:
Tratou-se de uma pesquisa descritiva e bibliográfica iniciada em novembro de 2016 e finalizada em fevereiro de 2017. A coleta dos dados ocorreu nas bases de dados da Scielo (ScientificElectronic Library Online), Lilacs (Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde), e na Biblioteca Virtual de Saúde Pública, utilizando-se os termos “Características
Respondendo ao objetivo proposto, os achados bibliográficos mostram que o microagulhamento é uma técnica utilizada em procedimentos estéticos, constituindo-se no estímulo mecânico gerado pelo rolamento de um cilindro ( roller ) contendo de 120 a 540 microagulhas que como observa Costa (2016) geram centenas de micro canais na pele, aumentando-lhe a permeabilidade cutânea e estimulando os fibroblastos a produzirem mais colágeno para restaurar o tecido conjuntivo. As ações de microagulhamento, conforme estudo de Costa (2016) se resumem em perfurar a epiderme criando canais que podem permanecer até 24 horas após a aplicação, gerando um falso estímulo de lesão, com consequente processo de inflamação controlado, que acaba por provocar uma cascata de eventos celulares que contribuem para a remodelação tecidual, além de induzir a neocolagênese e neoangiogênese, visando a reabilitação do Tecido Conjuntivo, separando o tecido, ao invés de dilacerá-lo, tendo como instrumento um rolo de polietileno encravado por agulhas de aço inoxidável e estéreis, alinhadas simetricamente em fieiras. Quanto aos efeitos do microagulhamento na alopecia androgenética masculina, os estudos de Costa (2016) mostram que, ainda que se trate de manejo terapêutico recente, essa nova opção para tratar a AAG favorece o crescimento dos cabelos porque: promove a ativação do sistema plaquetário mediante as feridas cutâneas, estimulando a liberação dos fatores de crescimento derivados das plaquetas e dos fatores de crescimento epidérmicos; possibilita a ativação de células-troncos do bulbo capilar nas áreas com feridas provocadas pelo equipamento; gera a superexpressão dos genes relacionados com o crescimento do cabelo, como o fator de crescimento do endotélio vascular, beta catenina, vias Wnt3a e Wnt10b. O tratamento, conforme proposições de Silva (2011) é costumeiramente associado ao uso de medicamentos que inibem a perda dos fios e estimulam o crescimento dos cabelos, podendo ser substâncias que possuem atuação na produção hormonal ou simplesmente substâncias para fortalecer o couro cabeludo.
8. Conclusão
Apesar do pequeno número de publicações a respeito da questão levantada, diante das evidências apresentadas nos estudos analisados, pode-se concluir que no caso da alopecia androgenética masculina, o microagulhamento é uma modalidade de tratamento que vem se mostrando satisfatória e pode ser considerada como uma nova possibilidade para os indivíduos afetados pelo distúrbio, especialmente os mais jovens, que se sentem constrangidos e inconformados com a perda progressiva dos fios de cabelo. O microagulhamento tem sido
descrito como uma técnica inovadora na medicina estética e vem chamando a atenção de pessoas de todos os gêneros e idades, que buscam tratamentos cínicos e/ou estéticos para melhorar a aparência, seja da pele ou do cabelo.
9. Referências