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Riscos Ergonômicos na Construção Civil: Aplicação da Equação NIOSH, Exercícios de Ergonomia

Pós Graduação trabalho de ergonomia

Tipologia: Exercícios

2020

Compartilhado em 26/06/2020

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gabriel-resende-14 🇧🇷

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UNIFAVIP | WYDEN
CENTRO UNIVERSITÁRIO DO VALE DO IPOJUCA
COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO
Aniéli Thais de Souza
Gabriel Queiroz Moraes Resende
RISCOS ERGONÔMICOS EM ATIVIDADES DA CONSTRUÇÃO CIVIL:
Aplicação da equação de NIOSH em um posto de trabalho
CARUARU
2020
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Baixe Riscos Ergonômicos na Construção Civil: Aplicação da Equação NIOSH e outras Exercícios em PDF para Ergonomia, somente na Docsity!

UNIFAVIP | WYDEN

CENTRO UNIVERSITÁRIO DO VALE DO IPOJUCA

COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO

Aniéli Thais de Souza Gabriel Queiroz Moraes Resende RISCOS ERGONÔMICOS EM ATIVIDADES DA CONSTRUÇÃO CIVIL: Aplicação da equação de NIOSH em um posto de trabalho CARUARU

Aniéli Thais de Souza Gabriel Queiroz Moraes Resende RISCOS ERGONÔMICOS EM ATIVIDADES DA CONSTRUÇÃO CIVIL: Aplicação da equação de NIOSH em um posto de trabalho Trabalho de Pesquisa apresentado ao professor Msc. Evandro de Souza Queiroz, da disciplina de Ergonomia do curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho do Centro Universitário do Vale do Ipojuca. CARUARU

1 INTRODUÇÃO

O setor de construção civil é de fundamental para o desenvolvimento da economia de qualquer país. As empresas de construção civil têm buscado cada vez mais aumentar a segurança dos trabalhadores e com isso diminuindo os custos derivados da mão-de-obra ausente ou custos com reparação de danos causados a funcionários que não trabalham de acordo com as normas de segurança, seja por falta de treinamento ou não aplicação do treinamento. Assim sendo, a ergonomia surge para determinar as condições adequadas para a execução das mais diversas funções dos trabalhadores com segurança e qualidade. Quando se analisa uma determinada tarefa, sempre deve ser feita uma avaliação com o objetivo de verificar se ela é executada de forma correta, essa análise tem como objetivo evitar problema de saúde para os trabalhadores. No caso do servente ou do pedreiro na construção civil, os mesmos estão sujeitos a alguns riscos, como exemplo o risco de queda, queda de materiais, riscos físicos, riscos químicos e outros. O presente estudo foi escolhido diante da observação de que comumente ocorrem posturas inadequadas dos operários durante a execução de uma obra, corroborando a importância sobre a ergonomia de todo o projeto de execução, tendo em vista que a ergonomia ganhou elevada importância ao minimizar ou eliminar danos à saúde decorrente destas atividades. Este estudo tem natureza qualitativa e quantitativa, e seu objetivo é descritivo, buscando relatar as situações de trabalho e riscos ergonô micos dos profissionais estudados, nas condições de manuseio de argamassas de assentamento e revestimentos cerâmicos de parede. Foram utilizados como ferramentas para elaboração do presente estudo, a observação dos movimentos realizados pelos trabalhadores com relação ao transporte e utilização dos materiais supracitados e também para fins quantitativos, será utilizada a equação do National Institute for Safety and Health (NIOSH, 1994). Portanto, este estudo tem como objetivo levantar os principais problemas de postura encontrados no posto de trabalho de servente ou pedreiro que façam movimentações de cargas conforme delimitado na descrição das atividades, definindo se estes movimentos são adequados para estes postos de trabalho. Caso não sejam adequados, serão propostas melhorias para que o trabalhador entre na linha de conforto, segurança e com isso melhore sua saúde.

2 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES

A atividade escolhida para Análise Ergonômica do Trabalho (AET) foi a de assentamento de revestimento cerâmico com argamassa colante em paredes, realizada em uma reforma residencial sob responsabilidade de uma pequena empreiteira atuante no agreste pernambucano. Estando em fase final de acabamentos, a obra conta atualmente com quatro colaboradores, sendo estes dois pedreiros e dois serventes. A escolha deu-se, sobretudo, pela alta carga de esforço a que os serventes são submetidos, no transporte das caixas de revestimentos e sacos de argamassa. Como apontado por Poletto et. al (2015) a movimentação de cargas pesadas manualmente pode causar ferimentos, lesões musculoesqueléticas e acidentes. Mesmo a movimentação de cargas mais leves por um longo período sem descanso pode resultar em fadiga física. Tal sobrecarga mostrou-se evidente na diminuição do rendimento destes colaboradores durante o segundo turno de suas atividades. Buscando alcançar os objetivos propostos neste trabalho, a análise das condições de trabalho teve foco no levantamento e transporte manual de cargas. As caixas de revestimento cerâmico, possuem dimensões de 30 cm de largura por 60 cm de comprimento e 11 cm de espessura, e peso de 33,8 kgf, e estão armazenadas como mostra a Figura 1, sendo a distância do topo ao piso a de 60 cm. Quanto a argamassa, os sacos de 20 kgf estão empilhados sobre uma plataforma de pallets , como mostra a Figura 2. Ambos os insumos estão acondicionados a uma distância de 15 metros da obra, onde serão dispostos para uso final. Figura 1 – Armazenagem da argamassa Fonte: Autor (2020)

CM = Fator de Qualidade de Pega: (Dados Tabelados) As variáveis contidas nas fórmulas anteriores são: H = Distância Horizontal (cm) Vc = Altura Vertical da Carga (cm) Dc = Distância Vertical Percorrida (cm) A = Ângulo de rotação lateral do tronco (º - graus) O fator de frequência (FM) e de qualidade de pega (CM) podem ser obtidos utilizando as Tabelas 1 e 2. Tabela 1 – Fator de Frequência de Levantamento FREQUÊNCIA (Elevações/min) DURAÇÃO DO TRABALHO <= 1 hora >1<=2 horas >2<=8 horas V<75 V=75 V<75 V=75 V<75 V= 0 ,2 1,00 1,00 0,95 0,95 0,85 0, 0,5 0,97 0,97 0,92 0,92 0,81 0, 1 0,94 0,94 0,88 0,88 0,75 0, 2 0,91 0,91 0,84 0,84 0,65 0, 3 0,88 0,88 0,79 0,79 0,55 0, 4 0,84 0,84 0,72 0,72 0,45 0, 5 0,80 0,80 0,60 0,60 0,35 0, 6 0,75 0,75 0,50 0,50 0,27 0, 7 0,70 0,70 0,42 0,42 0,22 0, 8 0,60 0,60 0,35 0,35 0,18 0, 9 0,52 0,52 0,30 0,30 0,00 0, 10 0,45 0,45 0,26 0,26 0,00 0, 11 0,41 0,41 0,00 0,23 0,00 0, 12 0,37 0,37 0,00 0,21 0,00 0, 13 0,00 0,34 0,00 0,00 0,00 0, 14 0,00 0,31 0,00 0,00 0,00 0, 15 0,00 0,28 0,00 0,00 0,00 0, >15 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0, Os valores de V estão em cm. Para frequências inferiores a 5 minutos, utilizar F=0,2 elevação por minuto. Fonte: Adaptado de Couto (2002)

Tabela 2 – Qualidade da Pega TIPO DE PEGA FATOR DE PEGA (CM) V<75 V= Boa 1,00 1, Regular 0,95 1, Má 0,90 0, Fonte: Adaptado de Couto (2002) Para facilitar a determinação da qualidade da pega, fez-se uso do fluxograma apresentado na Figura 3. Figura 3 – Fluxograma de definição da qualidade da pega Fonte: Adaptado de Couto (2002) A razão entre o peso real e o LPR resulta no Índice de Levantamento (IL), expresso na Equação (2). Os resultados obtidos no IL determinam o grau de risco da atividade e se há necessidade de intervenção ergonômica ou não. A classificação dos valores obtidos de IL são apresentadas na Tabela (3). IL= 𝑃𝑒𝑠𝑜𝑎𝑠𝑒𝑟𝑙𝑒𝑣𝑎𝑛𝑡𝑎𝑑𝑜 𝐿𝑃𝑅

Como apontado por Ilda (2005), mesmo envolvendo atividades árduas e perigosas a integridade física de seus empregados, a maioria das construtoras de pequeno porte e construções informais não possuem uma organização eficiente ou estruturação das tarefas, de forma que boa parte da mão de obra envolvida na construção civil não pratica lições básicas da ergonomia. A má postura no ato de levantamento das cargas ficou evidente durante a observação neste trabalho. Portanto, na situação analisada, propõe-se intervenção ergonômica através de medidas que vão desde a instrução dos colaboradores sobre ergonomia e os seus benefícios, seguindo os preceitos da ergonomia de conscientização. Além disso, a realização de rodízio com o outro servente seria uma solução cabível nesta situação. A melhora do arranjo físico nesta situação poderia ser feita colocando as cargas em plataformas de pallets , em bancadas improvisadas ou até com a modernização dos equipamentos na aquisição de uma mesa pantográfica, há modelos com rodinhas que facilitariam também o deslocamento horizontal, desde o depósito até o local da obra. 5 CONCLUSÕES É sabido que na área da construção civil existem diversas atividades e ao analisar alguns simples movimentos de apenas um posto de trabalho, podemos observar inúmeras situações que podem colocar os trabalhadores em risco. Isso se deve ao fato da construção civil ainda depender muito das atividades braçais dos trabalhadores, sendo que poucas etapas da construção fazem uso de equipamentos e tecnologias. Isso coloca os trabalhadores em constantes riscos, que muitas das vezes acabam sendo despercebidos ou menosprezados. As análises ergonômicas buscam a redução de doenças ocupacionais, d e fadiga muscular, de situações que colocam o trabalhador em risco, minimizando perdas, danos e custos à s empresas e melhoria no conforto e desempenho dos trabalhadores. Nesta pesquisa, utilizou-se da equação do National Institute for Safety and Health (NIOSH, 1994), para a determinação do peso limite recomendável em tarefas repetitivas de levantamento de cargas. Aplicando-se a metodologia proposta, obteve-se os valores de LPR de 13,49 kg para o transporte de argamassa, e 12,11 kg para o carregamento manual de cerâmica; com os respectivos índices de levantamento (IL) de 1,48 e 2,79. Os resultados obtidos indicam que é necessária uma intervenção neste posto de trabalho de forma a melhorar as condições ergonômicas dos trabalhadores que executam este tipo de movimento

descriminado na seção anterior. Ao analisar tal problemática, tanto pelas fotos como pela equação de NIOSH, existe uma orientação da NR17 que salienta como sugestão adaptação correta na postura, no movimento do corpo e nas questões de movimentos repetitivos o que fica evidente a necessidade da formação de novos conhecimentos sobre a fiscalização e supervisão e uma orientação com mais rigor para que os trabalhadores que realizam os movimentos estudados usem o EPI, tenham recursos no ambiente para fazer a adaptação em uma determinada altura que possam minimizar esforços físicos e com a postura para minimizar os esforços na coluna que lhes causem qualquer dano ou prejuízo na saúde. A simples melhoria do arranjo físico dos materiais no canteiro de obra já pode impactar profundamente nesta situação e poderia ser feita organizando melhor as cargas de modo que facilitem o deslocamento horizontal e vertical das cargas do local de estocagem até o local de utilização. Tais medidas sugeridas necessitam de investimentos irrisórios em treinamento da mão-de- obra e podem ser aplicadas de forma rápida com a supervisão constante do próprio engenheiro responsável ou do mestre de obras do empreendimento em questão.