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Trabalho da disciplina de bioestatística que relaciona a hipertensão arterial com o AVC
Tipologia: Esquemas
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xxxxxxxxxxxx xxxxxxxxx 2022
Trabalho apresentado à disciplina de Bioestatística, como forma de avaliação requisito para aprovação na disciplina. xxxxxxxxx 2022
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença de alta prevalência, considerada um problema de saúde pública de âmbito mundial devido ao seu risco e dificuldade de controle. É classificada como uma doença crônica, de natureza multifatorial, em muitos casos de curso assintomático, negligenciando assim o diagnóstico e consequentemente o tratamento (Brito, S. E. et al., 2011). O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é definido como um déficit neurológico súbito decorrente de uma lesão vascular. Essa lesão possui uma instalação aguda, de duração variável e pode levar à morte, onde a gravidade varia de acordo com o local e a intensidade com que ocorre a lesão vascular (Brito, S. E. et al., 2011). O principal fator de risco para o AVC é a hipertensão arterial, que, quando devidamente controlada, reduz significativamente as taxas de incidência dessa terrível doença. Apesar de todo avanço que se tem conseguido nos últimos anos referente ao tratamento do AVC, a sua prevenção é prioritária e, neste aspecto, o controle da pressão arterial (PA) tem papel eminente (Gagliardi, J. R., 2009). Com base na forte influência da hipertensão arterial no desenvolvimento do AVC, foi-se decidido apresentar por meio de dados estatísticos que há uma relação intrínseca entre essas duas variáveis. Para isso, usamos o R studio no intuito de criarmos o Gráfico de Barras, para se ter uma maior percepção da relação entre os dados escolhidos; Testes Estatísticos (Intervalo de Confiança) e Teste de hipótese para duas proporções, para avaliar se esses dois casos possuem uma relação.
Para esse trabalho foram usados os dados de uma pesquisa sobre previsão de diabetes, hipertensão arterial e AVC, feita pelo BRFSS 2015 do CDC coletadas no Kaggle. No arquivo encontrado para o trabalho há 9599 amostras, com idades entre 18 anos e 88 anos. O programa escolhido para a execução dessa análise foi o R Studio, pois ele possui programações de gráficos e permite realizar cálculos estatísticos. O primeiro passo foi importar os dados para o programa R Studio , em seguida, separamos os números amostrais por gênero, como mostrado na tabela 1. AMOSTRAS % HOMENS 4211 43,8 % MULHERES 5388 56,2 % TOTAL 9599 100 % Tabela 1: Números e percentuais amostrais por gênero e número de amostras totais Esses dados possuíam diferentes variáveis que poderiam ser estudadas, mas escolhemos trabalhar com gênero, hipertensão e AVC. Para a representação gráfica desse estudo utilizamos o gráfico de barras agrupado, que é uma técnica que nos permite comparar diferentes conjuntos de dados, além de nos possibilitar observar a frequência de fatores ou sumariar métricas numéricas em função de categorias. Então foram feitos dois gráficos, o primeiro gráfico analisando quantos homens hipertensos e não hipertensos tiveram AVC, e no segundo gráfico foram feitas as mesmas análises com as mulheres. Posteriormente foi feito o teste de hipótese para duas proporções, na qual diz que a hipótese nula de duas proporções é igual a um valor hipotético (H 0 : p1 - p2 = P0), e a hipótese alternativa de duas proporções podem ser unilateral à esquerda (H 1 : p1 - p2 < P0), unilateral à direita (H 1 : p1 - p2 > P0) ou bilateral (H 1 : p1 - p2 ≠ P0). Associado a esse teste também temos o intervalo de confiança, que indica a margem de incerteza, e o valor-p, que nos dirá se temos ou não evidências o suficiente para rejeitar a hipótese nula. Portanto, no nosso trabalho foi feito um teste de hipótese para homens e outra para mulheres, utilizando o intervalo de confiança de 95% e a hipótese alternativa bilateral (H 1 : p1 - p2 ≠ P0).
Com a análise dos gráficos é possível visualizar a existência de homens e mulheres hipertensos que tiveram AVC. Na figura 5a, tivemos 40 homens não hipertensos que tiveram AVC e 103 homens hipertensos que tiveram AVC. Enquanto na figura 5b, tivemos 60 mulheres não hipertensas que tiveram AVC e 109 mulheres hipertensas que tiveram AVC.Essa relação pode ser melhor observada na tabela 2 e
HOMENS Não hipertenso Hipertenso Sadios 2497 1571 AVC 40 103 Tabela 2: Tabela da relação entre hipertensão e AVC, no caso dos homens. MULHERES Não hipertenso Hipertenso Sadios 3353 1866 AVC 60 109 Tabela 3: Tabela da relação entre hipertensão e AVC, no caso das mulheres. 3.2. Teste de hipótese para duas proporções Após a análise gráfica, criou-se a hipótese de que os dados de hipertensão e os de AVC possam haver correlação um com o outro. Partindo dessa ideia estabelecemos que a: H 0 : P1 - P2 = 0 H 1 : P1 - P2 ≠ 0 Realizamos o teste de hipótese para duas proporções com 95% de intervalo de confiança e nível de significância de 5%, como mostrado na tabela 4 e 5. HOMENS PROPORÇÃO INTERVALO DE CONFIANÇA (IC) Não Hipertensos (P1) 0.0157 0.0116 ; 0. Hipertensos (P2) 0.0615 0.0509 ; 0. Tabela 4: Resultado do teste para duas proporções, no caso dos homens. MULHERES PROPORÇÃO INTERVALO DE CONFIANÇA (IC) Não Hipertensas (P1) 0.0175 0.0136 ; 0. Hipertensas (P2) 0.0551 0.0459 ; 0. Tabela 5: Resultado do teste para duas proporções, no caso das mulheres.
Observamos que os homens não hipertensos possuem IC (μ; 95%) = (0. ≤ P1 ≤ 0.0213) e os homens hipertensos possuem IC (μ; 95%) = (0.0509 ≤ P2≤ 0.0740), já as mulheres não hipertensas possuem IC (μ; 95%) = (0.0136 ≤ P1≤ 0.0225) e as mulheres hipertensas possuem IC (μ; 95%) = (0.0459 ≤ P2 ≤0.0661). Ou seja, nesta margem, tem-se a probabilidade de se encontrar homens e mulheres com AVC. É possível notar através do presente teste de hipótese que a proporção de homens hipertensos que possivelmente desenvolveram AVC é superior a proporção de mulheres hipertensas que presumivelmente desenvolveram AVC. "...O sexo masculino e a raça negra apresentam maior incidência de AVE isquêmico. Entre os fatores de risco modificáveis, a hipertensão arterial é o principal deles, acarretando aumento superior a três vezes na incidência de AVE." (Castro, J.A.B. et al., 2009). Também obtivemos que o valor-p para o teste de duas proporções das mulheres, é de 1,025 x 10-15 e dos homens de 2,313 x 10 -14. Percebe-se, então, que o valor-p < nível de significância em ambos testes, o que nos dá evidências suficientes para rejeitar a hipótese nula. Nesse sentido, ao rejeitarmos a hipótese nula, mostramos que há diferença entre as duas proporções de cada teste. À vista disso, pode-se dizer que a hipertensão influência no desenvolvimento do AVC. Existe uma relação muito próxima entre doenças cerebrovasculares (DCV) e HA: o cérebro, muitas vezes, é o causador da HA e ao mesmo tempo a principal vítima dessa doença. O cérebro é, em geral, o órgão que mais precocemente e mais intensamente sofre as conseqüências da HA. O comprometimento é precoce e progressivo; quanto maior o tempo de exposição à HA, maior o risco, e quanto maiores os índices da HA, igualmente maiores serão as complicações. Os estudos de Framingham comprovam esse risco progressivo. Uma constatação bastante interessante e ainda sem explicação adequada é que a HA normalmente é mais lesiva ao cérebro do que a outros órgãos. Vários estudos comprovam esse achado, como por exemplo, os resultados de Framingham que constataram que os hipertensos têm uma incidência duas vezes maior de infarto agudo do miocárdio e quatro vezes de acidente vascular cerebral, comparativamente aos normotensos 1. (Brito, S. E. et al., 2011).
Previsão de Diabetes, Hipertensão e AVC. Disponível em: . O que é um gráfico de barras e mais de 20 modelos de gráfico de barras. Disponível em: SCARSO DE BRITO, E. et al. Hypertension as a risk factor for stroke. J Health Sci Inst, v. 29, n. 4, p. 265–273, 2011. Disponível em: https://repositorio.unip.br/wp-content/uploads/2020/12/V29_n4_2011_p265-268.pdf GAGLIARDI, Rubens José. Hipertensão arterial e AVC. ComCiência , Campinas, n. 109, 2009. Disponível em:
Hipertensão é o principal fator de risco para AVC | Secretaria Municipal da Saúde | Prefeitura da Cidade de São Paulo. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2022 Hipertensão arterial: hábitos saudáveis ajudam na prevenção e no controle da doença. Disponível em: < https://aps.saude.gov.br/noticia/12076>. Diabetes, Hypertension and Stroke Prediction. Disponível em: . ANGÉLICA BARRADAS DE CASTRO, J. et al. Estudo dos principais fatores de risco para acidente vascular encefálico* Study on the risk factors for stroke. [s.l: s.n.]. Disponível em: .