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Este documento aborda o conceito de transformações lineares, sua definição formal e propriedades. Também é discutida a representação de vetores e transformações lineares por meio de matrizes, tanto na base canônica quanto em bases genéricas. São apresentados exemplos de como obter a matriz canônica de uma transformação linear e como realizar a mudança de base. Além disso, o documento explora o conceito de núcleo de uma transformação linear e como obtê-lo por meio da resolução de um sistema linear. Este conteúdo é relevante para o estudo de álgebra linear, sendo útil para estudantes universitários de cursos relacionados a matemática, engenharia, física, entre outros.
Tipologia: Notas de aula
1 / 16
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1º Passo: Verificar se a transformação preserva a soma.
Para isso, precisamos tomar dois vetores de ℝ
3
genéricos, 𝑢 = (𝑢
1
2
3
) e 𝑣 =
1
2
3
), e verificar se 𝑇
cada um dos lados da igualdade a ser verificada separadamente:
1
2
3
1
2
3
1
1
2
2
3
3
1
1
2
2
1
1
3
3
2
2
3
3
𝟏
𝟏
𝟐
𝟐
𝟏
𝟏
𝟑
𝟑
𝟐
𝟐
𝟑
𝟑
Agora, calculamos o lado direito:
1
2
3
1
2
3
1
2
1
3
2
3
1
2
1
3
2
3
𝟏
𝟏
𝟐
𝟐
𝟏
𝟏
𝟑
𝟑
𝟐
𝟐
𝟑
𝟑
Como os dois lados resultaram no mesmo vetor, então a primeira propriedade
está satisfeita.
2º Passo : Verificar se a transformação preserva produto por escalar.
De maneira semelhante à que fizemos na verificação anterior, consideraremos
agora um escalar 𝜆 ∈ ℝ genérico e um vetor 𝑢 = (𝑢
1
2
3
3
qualquer e
calcularemos, separadamente, cada um dos lados da igualdade a ser verificada:
1
2
3
1
2
3
𝟏
𝟐
𝟏
𝟑
𝟐
𝟑
Agora, o lado direito:
1
2
3
1
2
1
3
2
3
1
2
1
3
2
3
𝟏
𝟐
𝟏
𝟑
𝟐
𝟑
Novamente, ambos os cálculos resultaram no mesmo vetor, portanto a segunda
propriedade também é cumprida e podemos afirmar que 𝑇 é uma transformação
linear (ou, nesse caso, podemos até dizer que é um operador linear, por conta
de os dois espaços vetoriais envolvidos serem iguais).
Exemplo 2 : Dada 𝑻: ℝ
𝟑
𝟐
com 𝑻
𝟏
𝟐
𝟑
𝟏
𝟐
𝟏
𝟑
, verifique se
𝑻 é uma transformação linear.
Começaremos verificando se ela preserva a estrutura de soma linear. Sendo 𝑢 =
1
2
3
) e 𝑣 = (𝑣
1
2
3
) dois vetores quaisquer de ℝ
3
, temos:
1
1
2
2
3
3
1
1
2
2
1
1
3
3
𝟏
𝟏
𝟐
𝟐
𝟏
𝟑
𝟏
𝟑
𝟏
𝟑
𝟏
𝟑
Por outro lado,
1
2
3
1
2
3
1
2
1
3
1
2
1
3
𝟏
𝟏
𝟐
𝟐
𝟏
𝟑
𝟏
𝟑
Observe que as expressões resultaram em vetores diferentes (as primeiras
coordenadas até são iguais, mas a segunda não), portanto a transformação não
é linear.
Caso suspeitemos que a transformação não seja linear, não é necessário
mostrar isso simbolicamente, como fizemos acima: basta tomar dois vetores que,
quando aplicados para verificar uma das propriedades, resultem em valores
diferentes.
Assim, poderíamos ter escolhido, por exemplo, 𝑢 = ( 1 , 0 , 3 ) e 𝑣 = (− 1 , 1 , 2 ) e
teríamos:
e, por outro lado,
Mas cuidado! Não é porque as propriedades são satisfeitas por alguns vetores
particulares que, necessariamente, ela será satisfeita para todos: para verificar
É possível representar e calcular uma transformação linear por meio de matrizes.
Antes disso, entretanto, convém sabermos como representar adequadamente
um vetor por meio de uma matriz.
Dado um vetor 𝑣 = (𝑣
1
𝑛
𝑛
, sua representação matricial na base
canônica consiste em uma matriz-coluna com 𝑛 linhas:
1
2
𝑛
[𝑣] indica a representação de 𝑣 em forma de matriz (na base canônica).
Da mesma forma, é possível fazer a representação de uma transformação linear
𝑚
𝑛
por meio de uma matriz [𝑇] canônica, calculada da seguinte maneira:
𝑖
da base canônica deℝ
𝑚
aplica-se 𝑇, obtendo, dessa
forma, o vetor 𝑇(𝑒
𝑖
𝑛
𝑖
) como combinação linear dos vetores𝑒
𝑗
da base
canônica de ℝ
𝑛
, obtendo-se uma expressão do tipo
1 𝑖
1
2 𝑖
2
𝑛𝑖
𝑛
1 𝑖
2 𝑖
𝑛𝑖
formarão a 𝑖-ésima coluna de [𝑇].
Ao final desse processo, teremos
11
12
21
22
1 𝑚
2 𝑚
𝑛 1
𝑛 2
𝑛𝑚
Observe que a matriz resultante será 𝑛 × 𝑚, isto é, terá 𝑛 linhas (uma para cada
vetor da base canônica de ℝ
𝑛
) e 𝑚 colunas (uma para cada vetor da base
canônica de ℝ
𝑚
Exemplo 4: Com a transformação linear 𝑻: ℝ
𝟑
𝟐
dada por
obtenha sua matriz canônica.
A base canônica de ℝ
3
é formada, nessa ordem, pelos vetores ( 1 , 0 , 0 ), ( 0 , 1 , 0 ) e
( 0 , 0 , 1 ). Começamos calculando a transformação em cada um deles:
Agora, cada um dos resultados deve ser escrito como combinação linear da base
canônica de ℝ
2
, que é formada pelos vetores ( 1 , 0 ) e ( 0 , 1 ), nessa ordem:
Dessa maneira, temos [𝑇] = [
Talvez você tenha percebido que existe uma relação entre os números das linhas
da matriz [𝑇] com os coeficientes das variáveis de entrada (𝑥, 𝑦 e 𝑧) da expressão
de 𝑇: a primeira coluna de [𝑇] contém os coeficientes da primeira variável (𝑥), a
segunda coluna de [𝑇] contém os coeficientes da segunda variável (𝑦) e a
terceira coluna de [𝑇] contém os coeficientes da terceira variável (𝑧).
De fato, esse procedimento funciona para obter a matriz canônica de uma
transformação linear. Vejamos outro exemplo.
Exemplo 5: Obtenha a matriz canônica [𝑻] da transformação linear 𝑻: ℝ
𝟒
𝟑
dada por 𝑻(𝒙, 𝒚, 𝒛, 𝒘) = (𝟐𝒙 + 𝟑𝒚 − 𝒛 + 𝒘, 𝒙 − 𝒛 + 𝒘, −𝒙 + 𝒚 − 𝒛 + 𝒘)
A 1ª variável (𝑥) tem coeficientes 2, 1 e - 1, respectivamente.
A 2ª variável (𝑦) tem coeficientes 3, 0 e 1, respectivamente.
Além do fato de aplicações de transformações lineares serem análogas a
multiplicações de matrizes adequadas, há outras informações que as matrizes
que representam uma transformação linear podem fornecer, como veremos em
nossa próxima aula.
Por hora, vejamos como escrever matrizes de transformações lineares em bases
genéricas.
Conforme fizemos para a base canônica em um primeiro momento, dada uma
transformação linear 𝑇: ℝ
𝑚
𝑛
e bases 𝐵
1
1
𝑚
) e 𝐵
2
1
𝑛
) de
𝑚
e ℝ
𝑛
, respectivamente, podemos obter a matriz
𝐵
2
,𝐵
1
de 𝑇 da base 𝐵
1
para
a base 𝐵
2
da seguinte maneira:
𝑖
) para cada vetor 𝑢
𝑖
da base 𝐵
1
𝑖
) como combinação linear dos vetores 𝑣
𝑗
da base 𝐵
2
obtendo-se uma expressão do tipo
1 𝑖
1
2 𝑖
2
𝑛𝑖
𝑛
𝑖 1
𝑖 2
𝑖𝑛
formarão a 𝑖-ésima coluna de [𝑇]
𝐵
2
,𝐵
1
Ao final desse processo, teremos:
𝐵
2
,𝐵
1
11
12
21
22
1 𝑚
2 𝑚
𝑛 1
𝑛 2
𝑛𝑚
Observe que a matriz resultante será 𝑛 × 𝑚, isto é, terá 𝑛 linhas (uma para cada
vetor da base canônica de ℝ
𝑛
) e 𝑚 colunas (uma para cada vetor da base
canônica de ℝ
𝑚
Além disso, note que escrevemos [𝑇] 𝐵
2
,𝐵
1
, com a base “de destino” (𝐵
2
aparecendo antes da base “de origem” (𝐵 1
), mas falamos em matriz da
transformação em relação às bases 𝐵 1
(origem) e 𝐵
2
(destino).
Exemplo 7: Dadas as bases 𝑩 𝟏
) de ℝ
𝟐
e 𝑩
𝟐
) de ℝ
𝟑
e sendo 𝑻: ℝ
𝟐
𝟑
dada por 𝑻
𝟐𝒚, 𝟐𝒙 + 𝒚, 𝒙 − 𝒚) , obtenha [𝑻]
𝑩 𝟐
,𝑩 𝟏
Começamos calculando 𝑇 sobre os vetores da base 𝐵 1
Agora, devemos escrever os vetores ( 3 , 3 , 0 ) e (− 1 , 1 , 2 ) como combinação linear
dos vetores da base 𝐵
2
, utilizando os métodos que vimos na Aula 3. Feito isso,
obteremos:
Portanto, [𝑇]
𝐵 2
,𝐵 1
Talvez não esteja clara ainda a motivação de pensar nas matrizes de
transformações lineares em outras bases que não a canônica, mas veremos, na
próxima aula, que, para algumas transformações lineares, existem bases que a
tornam muito mais fáceis de serem escritas e calculadas. Ilustramos isso no
próximo exemplo.
Exemplo 8 : Considere a transformação linear 𝑻: ℝ
𝟑
𝟑
dada por
a) Obtenha a matriz canônica de 𝑻.
chamada de matriz de transição da base 𝐵 para a base 𝐵′ e é denotada por
𝐵→𝐵′
. Vejamos como obter uma matriz como essa.
Exemplo 9: Dadas as bases 𝑩 = (
) e 𝑩
′
) de
𝟐
, encontre a matriz de transição de 𝑩 para 𝑩′.
Para isso, devemos escrever os vetores da base 𝐵 como combinação linear dos
vetores da base 𝐵′:
Dessa maneira, temos
𝐵→𝐵′
]. Essa matriz pode ser usada para
converter qualquer vetor escrito na base 𝐵 para um vetor na base 𝐵′. Dessa
forma, temos uma matriz que faz a conversão para um vetor arbitrário e não
precisamos ficar buscando uma combinação linear para cada conversão
necessária, como fazíamos na Aula 3.
Por exemplo, suponha que temos um vetor 𝑣, tal que
𝐵
], isto é:
Para convertê-lo para a base 𝐵′, basta calcularmos
𝐵→𝐵′
𝐵
, o resultado
será [𝑣]
𝐵′
Portanto
𝐵′
], ou seja,
que é o mesmo vetor que obtivemos anteriormente desenvolvendo a
representação de 𝑣 na base 𝐵
Dessa forma, dadas duas bases 𝐵 = (𝑢
1
𝑛
) e 𝐵
′
1
𝑛
) de ℝ
𝑛
podemos obter a matriz
𝐵→𝐵′
de transição da base de 𝐵 para 𝐵′ por meio do
seguinte procedimento:
𝑖
da base 𝐵 como combinação linear dos vetores 𝑣
𝑗
obtendo uma expressão do tipo 𝑢
𝑖
𝑖 1
1
𝑖 2
2
𝑖𝑛
𝑛
𝑖 1
2
𝑖𝑛
como os valores na 𝑖-ésima
coluna de
𝐵→𝐵′
Assim, a matriz será dada por
𝐵→𝐵′
11
12
21
22
1 𝑛
2 𝑛
𝑛 1
𝑛 2
𝑛𝑛
Finalizaremos esta aula falando sobre um importante conjunto associado às
transformações lineares: seu núcleo.
Dada uma transformação linear 𝑇: ℝ
𝑚
𝑛
, seu núcleo (também chamado de
kernel e denotado por ker 𝑇) é o conjunto de vetores de ℝ
𝑚
definido por
ker 𝑇 = {𝑣 ∈ ℝ
𝑚
𝑛
Isto é, o núcleo de 𝑇 é o conjunto de vetores de ℝ
𝑚
nos quais, quando se aplica
a transformação 𝑇, obtém-se o vetor nulo ( 0 , 0 , ⋯ , 0 ) ∈ ℝ
𝑛
É possível obter o núcleo de uma transformação linear por meio da resolução de
um sistema linear.
Exemplo 10: Com a transformação 𝑻: ℝ
𝟑
𝟐
dada por sua matriz canônica
] , calcule 𝒌𝒆𝒓 𝑻.
Seja [𝑣] = [
] a representação matricial de um vetor 𝑣 ∈ ker 𝑇. Sabemos que, ao
calcular 𝑇(𝑣), devemos obter o vetor nulo ( 0 , 0 ) de ℝ
2
, portanto, temos
Referências