Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Transgenicos, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

A verdade por trás do mito

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 20/03/2014

ana-clara-martins-1
ana-clara-martins-1 🇧🇷

5

(1)

5 documentos

1 / 17

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Transgenicos e outras Notas de estudo em PDF para Engenharia Agronômica, somente na Docsity!

Soja combinada com bactéria, vírus e a flor petúnia. A possibilidade de modificar qualquer forma de vida em laboratório gerou grandes oportunidades e grandes riscos. Todos os países do mundo discutem os limites éticos e morais da ciência e das grandes corporações. Até onde podemos modificar a natureza?

Transgênicos

© 1 © (^2) © 1 e 2 Greenpeace/Rodrigo Baleia

O QUE SÃO ORGANISMOS
TRANSGÊNICOS?
MELHORAMENTO É
MODIFICAÇÃO?
BIOTECNOLOGIA É SINÔNIMO DE
TRANSGÊNICO?
A POLÊMICA DOS
TRANSGÊNICOS É A LIBERAÇÃO
NO MEIO AMBIENTE?
QUAL É O POTENCIAL DE
DANOS GRAVES E IRREVERSÍVEIS
DOS TRANSGÊNICOS?
POR QUE O GREENPEACE
SE OPÕE AOS TRANSGÊNICOS?
O QUE É O PRINCÍPIO
DE PRECAUÇÃO?
COMO É FEITA A
AVALIAÇÃO DO RISCO
DOS TRANSGÊNICOS?
O QUE É A SOJA RESISTENTE AO
ROUNDUP®^ DA MONSANTO?
MAS… AS INFORMAÇÕES
SÃO CONFIÁVEIS?
O QUE É A
CONTAMINAÇÃO GENÉTICA?
COMO É FEITA A
COBRANÇA DO DIREITO DE
PROPRIEDADE INTELECTUAL?
O CONSUMO DE HERBICIDA
AUMENTA COM O USO DE
PLANTAS TRANSGÊNICAS?
O QUE É A ROTULAGEM DE
PRODUTOS TRANSGÊNICOS?
OS TRANGÊNICOS NO BRASIL:
QUEM É RESPONSÁVEL?
OS TRANSGÊNICOS
RESOLVEM O PROBLEMA
DA FOME NO MUNDO?
O QUE É A
AGRICULTURA ORGÂNICA?
O DESMATAMENTO
AFETA A AGRICULTURA?
QUAIS SÃO OS
CRITÉRIOS DE COMPRA
RESPONSÁVEL DE SOJA?
POR QUE O GREENPEACE É
CONTRÁRIO À PRODUÇÃO
DE SOJA NO BIOMA AMAZÔNIA?
OS CONSUMIDORES PODEM
MUDAR O COMPORTAMENTO
DAS GRANDES INDÚSTRIAS?
GUIA DO CONSUMIDOR
JUNTE-SE A NÓS
PÁG.0 4
PÁG.0 5
PÁG.0 6
PÁG.0 7
PÁG.0 8
PÁG. 10
PÁG. 12
PÁG. 13
PÁG. 14
PÁG.1 5
PÁG. 16
PÁG. 18
PÁG. 20
PÁG. 22
PÁG. 23
PÁG. 24
PÁG. 25
PÁG. 26
PÁG. 28
PÁG. 30
PÁG. 32
PÁG. 33
PÁG. 38

o

primeiro uso comercial de um or- ganismo transgênico foi para a pro- dução de um medicamento para diabete, quando uma bactéria recebeu genes do ser humano para produzir a in- sulina. A bactéria permaneceu confinada em um ambiente industrial controlado, e apenas o produto químico produzido, depois de purificado e analisado, foi utili- zado. Esse tipo de emprego de organis- mos transgênicos é chamado de “uso em ambiente confinado”.

TRANGÊNICOS NA INDÚSTRIA

O uso de microorganismos transgênicos em ambiente confinado para a produção de medicamentos, enzimas e reagentes não gerou polêmica , não é questionado: não há contato do transgênico com o meio ambiente ou com o consumidor. Além disso, o medicamento produzido é testado exaustivamente pelos protocolos de segurança da indústria farmacêutica.

OS TRANSGÊNICOS

E O MEIO AMBIENTE

Ao contrário do que acontece na indús- tria farmacêutica, um organismo geneti- camente modificado, se liberado no meio ambiente, pode crescer, multiplicar-se, sofrer modificações e interagir com toda a biodiversidade. Ele não pode ser controla- do. São seres vivos que irão interferir em todos os ciclos da natureza. Os seus ge- nes exógenos (de outras espécies) podem ser transferidos para uma espécie selvagem relacionada (semelhante) ou apresentar um comportamento imprevisível, causando es- tragos ao ecossistema. Esses efeitos podem ser irreversíveis, e nosso conhecimento de como e quando o dano pode surgir é limita- do, causando surpresas desagradáveis. A polêmica dos transgênicos é a libera ção no meio ambiente? Biotecnologia é sinônimo de transgênico?

B

iotecnologia é a tecnologia desen- volvida a partir de conhecimentos de uma ou de várias áreas da bio- logia, geralmente com finalidade produtiva. É o uso prático do conhecimento sobre a vida, por meio de técnicas e conhecimentos sobre microorganismos, plantas e animais - biologia, bioquímica, genética e fisiologia. A biotecnologia está se tornando erro- neamente sinônimo de modificação gené- tica em plantas alimentícias por força da propaganda, que vende a planta transgê- nica como a tecnologia que resolve todos os problemas. Entretanto, alguns cientistas questionam se o desenvolvimento de trans- gênicos pode ser denominado tecnologia. Tradicionalmente, uma tecnologia está associada com: previsão, controle e reprodutibilidade.

A biotecnologia envolve técnicas como o teste

de paternidade, a cultura de tecidos vegetais,

a clonagem, a transgenia, entre outras.

“A Monsanto não tem que garantir a segurança dos alimentos transgênicos. Nosso interesse é vender o quanto mais possível. Garantir a segurança é trabalho do FDA” - Phil Angell, diretor de comunicação da Monsanto.

Uma vez liberado no meio ambi-

ente é praticamente impossível

recolher um organismo vivo.

A segurança dos alimentos transgênicos nunca foi avaliada com o mesmo rigor usado pela indústria farmacêutica para testar os medicamentos.

Mas o atual estágio das tecnologias de inserção de

genes utilizadas na obtenção de OGMs pode ser carac-

terizado como:

TRANSGENIA E TECNOLOGIA?´

O

s defensores da engenharia genéti- ca alegam que o processo é preciso, devido à exatidão de quais genes são adicionados, e que, por esta razão, seus efeitos podem ser previstos. No entanto, na prática, o processo é incontrolável. Novas pesquisas científicas mostram que a função dos genes é muito mais complexa do que se imaginava:

  • A posição onde genes são inseridos é feita ao acaso – outros genes podem ser rompidos e suas funções alteradas;
  • Muitas cópias dos genes podem ser in- tegradas, fragmentos adicionais inseridos, seqüências de genes rearranjados ou su- primidos – o que pode resultar na inativa- ção de genes, instabilidade ou interferência em outra função do gene;
  • Um gene não codifi ca somente uma função. Descobertas feitas por estudos como o do genoma humano demonstra- ram que há muito menos genes em orga- nismos superiores do que se previa ante- riormente. Foram encontrados de 30 a 40 mil no homem em vez dos 120 a 140 mil imaginados. Isso signifi ca que genes ou partes de genes, podem estar envolvidos em diferentes funções, dependendo de como são transcritos e quais outros genes estão envolvidos. Essa descoberta enfra- quece a suposição de que se um gene com uma função conhecida for a adicio- nado, ele irá se comportar, na prática, de uma única forma.
  • Um pacote de genes é introduzido onde não há precedentes evolucionários. A introdução de genes vem de uma mistu- ra de espécies que nunca foram reunidas antes. O comportamento e a interação dos genes inseridos, ao longo do tempo, em um genoma complexo, são desconhecidos.

MUDANÇAS PERMANENTES

A falta de previsão dos efeitos ao longo do tempo é a conseqüência da complexidade da transgenia. Uma vez liberado no meio ambiente, não será mais possível recolher o organismo vivo. A provável irreversibilida- de do impacto do organismo geneticamen- te modificado é atribuída à capacidade de reprodução dos seres vivos: se os transgê- nicos cruzarem com espécies selvagens semelhantes, mudanças genéticas podem ser incorporadas no código genético natu- ral e alterar o caminho da evolução de for- ma irreversível. Qual é o potencial de danos graves e irrever- síveis dos transgênicos?

As imperfeições da técnica de inserção de genes

podem gerar modifi cações perigosas a longo prazo.

O cruzamento entre duas plantas transgênicas diferentes nas lavouras pode criar uma planta desconhecida. No Canadá, a canola (colza) transgênica re- sistente ao agrotóxico glifosato cruzou com a canola transgênica Liberty Link, resistente ao agrotóxico gluofusinato, e em seguida cruzou com a canola não transgênica Clearfield, resistente ao her- bicida do grupo imidazolinona. Isso criou uma super erva daninha jamais imagina- da pelos cientistas, que é combatida por um produto químico extremamente tóxico chamado 2,4 D. © Greenpeace/Rodrigo Baleia

O

Greenpeace exige dos governos de todos os países que seja imple- mentado o Princípio da Precaução sobre a questão dos transgênicos e to- das as políticas públicas. Isso responde- ria a questões importantes sobre o tema: quando e como autorizar ou proibir um transgênico?; deve-se cultivar plantas transgênicas ou convencionais?; é mais proveitoso usar um modelo agrícola ba- seado em insumos químicos ou trabalhar com a agroecologia ou agricultura orgâ- nica?; como as decisões devem ser ava- liadas diante dessas questões? O que é o Princípio dA Precau ção?

O Princípio da Precaução embasa os métodos

científicos de avaliação de risco para situações

onde existam ameaças sérias e irreversíveis à

saúde e ao meio ambiente.

  • “É melhor prevenir do que remediar”
  • “O poluidor deve pagar”
  • Devemos olhar por opções

“sem remorso”

  • Devemos reconhecer o valor inerente

da vida não-humana – assim como a

humana

  • A complexidade e variabilidade do

mundo real limitam a habilidade do co-

nhecimento científico de fazer previsões

A mobilização da sociedade civil defende o direito de acesso ao conhecimento, transparência e seriedade nos processos de avaliação de riscos. Analisar o risco pelo Princípio de Precaução é vital em relação à liberação de organismos transgênicos na natureza. Os transgênicos devem ser avaliados a partir do ponto de vista do consumidor e do meio ambiente - que serão afetados se algo de errado acontecer - e não segundo interesses econômicos.

  • Temos de reconhecer a vulnerabili-

dade do meio ambiente natural

  • Os direitos daqueles que são afe-

tados por uma atividade devem ser

priorizados, e não os daqueles que

são beneficiados por tal atividade

  • Deve haver um exame minucioso

de todas as alternativas e uma aná-

lise das justificativas e benefícios,

assim como dos riscos e custos

  • Perspectivas a longo prazo,

holísticas e inclusivas, são necessá-

rias para a proteção ambiental

PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO

N

o Brasil, a liberação da soja transgê- nica aconteceu sem estudo de im- pacto ambiental: prevaleceu a pres- são dos plantios ilegais nessa decisão. As decisões são favoráveis para a indústria e desfavoráveis para o meio ambiente e para a saúde do ser humano. A análise da “segurança” de uso da soja transgênica elaborada pela Monsan- to emprega o princípio da “equivalência substancial”, que tem sido objeto de con- trovérsia no processo de regulamentação desde sua introdução. Esse método assu- me a hipótese de que nenhuma mudança ocorre na planta a não ser aquelas direta- mente atribuíveis ao gene inserido. Ou seja, o alimento transgênico pode ser considerado equivalente ao mesmo alimento “natural” após análises químicas apenas nos principais componentes. Esse conceito contrasta com a interpretação de um “padrão de segurança” (recomendado pela Sociedade Real do Canadá), que re- quer uma análise científica rigorosa para avaliar, e possivelmente caracterizar, to- dos e cada um dos efeitos gerados pela manipulação genética.

A ANÁLISE DA MONSANTO

Os ensaios de campo apresentados na documentação submetida pela Monsanto, visando sua comercialização, são observa- ções visuais feitas por técnicos que somente seriam capazes de detectar efeitos aparen- tes graves e imprevistos. Nenhum parâme- tro fisiológico ou bioquímico foi analisado, como o consumo de nitrogênio e taxas de fotossíntese. Também não foram avaliados os efeitos da modificação genética na plan- ta inteira e nem seu correto funcionamento genético. Está claro que os possíveis riscos não foram suficientemente estudados e ava- liados. Quaisquer mudanças nos processos químicos das proteínas que não resultem em mudanças imediatamente aparentes ou visíveis (e nem por isso menos significati- vas) não teriam sido detectadas nos docu- mentos originais submetidos. Como é feita a avalia ção do risco dos transgênicos?

A avaliação de risco dos transgênicos é fundamen-

tada na suposição de que eles são importantes para

o desenvolvimento da agricultura. Isso influencia a

forma como são avaliados.

INFLUÊNCIA SOBRE AS ISOFLAVONAS

Um exemplo são os níveis de fitoestró- genos (isoflavonas) encontrados na soja transgênica, muito menores do que os encontrados na soja não transgênica, que não haviam sido documentados antes. Os fitoestrógenos servem como suplemento alimentar, o que incorre em um uso cada vez maior de produtos alimentícios basea- dos na soja ou em seus derivados.

A

soja RR foi aprovada para plantio nos EUA em 1994 e, posteriormente, no Canadá, Argentina e México. Em 1996, foi cultivada comercialmente pela primeira vez por agricultores norte-ameri- canos e argentinos. Nesse mesmo ano, re- cebeu aprovação para ser comercializada na União Européia e no Japão apenas para importação e processamento. A aprovação final no Brasil aconteceu em 2005 com a publicação da Lei de Biossegurança. Cinco anos após receber a autorização para uso comercial nos EUA, foi compro- vado que a soja transgênica RR contém genes inseridos acidentalmente, fragmen- tos adicionais do pacote de genes RR e partes do DNA da própria planta rearran- jados de maneira equivocada. Na década de 90, para conseguir autori- zação para sua soja transgênica, a Monsan- to apresentou uma documentação sobre o assunto às autoridades norte-americanas, afirmando claramente que uma única cópia da construção quimérica (pacote de genes de vírus e bactérias inserido na planta) es- tava presente na soja transgênica RR. Entretanto, em maio de 2000 foram des- cobertos fragmentos adicionais de DNA presentes na soja. A Monsanto apresentou relatórios detalhando esses fragmentos adicionais, afirmando que “ambos segmen- tos de DNA são inativos (não funcionais)”.

FALHAS NO PROCESSO

Um relatório publicado em 2001 por uma equipe independente de cientistas mostrou que existem erros graves mes- mo naquela caracterização detalhada apresentada pela Monsanto em 2000. Ao contrário do que afirmava o relatório da Monsanto, um dos fragmentos extras de DNA na soja RR e alguns dos DNA rearranjados da planta são realmente funcionais. A Monsanto admite agora que este DNA está ativo, transcrevendo o produto intermediário, RNA, a um passo de pro- duzir uma proteína, levantando a possi- bilidade de que a soja transgênica venha a produzir proteínas desconhecidas, não previstas e que nunca foram testadas. As mudanças podem aparecer somente após várias gerações ou em tempos de estres- se da planta, como calor ou seca. A avaliação de risco feita originalmente com a soja transgênica RR não levou em consideração os fragmentos adicionais de gene e nem a presença e função desse recém-descoberto DNA rearranjado (não identificado). Portanto, a avaliação de ris- co feita durante o período 1994 – 1996 não pode ser declarada como uma ava- liação de segurança válida para a soja transgênica que está sendo plantada e comercializada atualmente no Brasil. Mas… as informa ções são confiáveis? Existem questões importantes, até agora não resolvidas, a respeito do que é realmente a soja transgênica RR da Monsanto e, de fato, o que mais resta para ser descoberto.

A

soja Resistente ao Roundup® (RR) da Monsanto foi uma das primeiras culturas transgênicas a serem co- mercializadas. Essa soja foi modificada geneticamente para adquirir resistência ao agrotóxico glifosato, que é comerciali- zado pela Monsanto sob a marca registra- da “Roundup®”. Quando a patente do gli- fosato expirou, outras empresas também passaram a comercializar herbicidas com este ingrediente ativo. O Roundup®^ ou outra formulação de glifosato mata a soja convencional. Com a modificação genética, esse agrotóxico pode ser usado pelo agricultor para elimi- nar as ervas daninhas nas culturas de soja transgênica sem afetar sua plantação. A permissão para plantar ou importar soja RR foi baseada em informações for- necidas apenas pela Monsanto. As auto- ridades governamentais de muitos países aceitaram essas informações e permitiram seu uso comercial. Porém, desde meados da década de 90, foi descoberta uma série de anomalias e de efeitos imprevistos rela- cionados à soja RR, fazendo surgir sérias dúvidas quanto à segurança do meio am- biente onde é exposta. o que é A soja Resistente ao Roundup da Monsanto? Seqüência de genes autorizada Seqüência inserida acidentalmente Foram inseridos genes de um vírus, duas bactérias, uma flor e outros três acidentalmente E35S - gene de vírus CTP4 - gene da petúnia EPSPSCP4 - gene de bactéria NOS3 - gene de bactéria

A

transgenia permitiu desenvolver o conceito de que uma empresa pode patentear um ser vivo. A patente de um determinado fragmento de código ge- nético torna a empresa dona dos direitos de propriedade intelectual de qualquer ser vivo que tenha esse fragmento dentro de si. Essa patente criou muitas vítimas no mundo, pois a inevitável contaminação por meio da polinização cruzada ou mis- tura de sementes coloca o agricultor na condição de um criminoso, que viola os direitos de patente de uma tecnologia. O agricultor, que na realidade é vítima deste cenário, é processado e multado por algo que não criou e muito menos pode controlar.

O CUSTO DA TRANSGENIA

A patente genética garante durante 20 anos o direito de as empresas cobra- rem o quanto desejarem por suas semen- tes. Depois, basta lançar um novo tipo de transgênico para garantir por mais duas décadas o seu monopólio. O valor cobrado pela presença dos ge- nes patenteados é arbitrado pela empre- sa dona da tecnologia. No Brasil, o valor cobrado no ano de 2004 foi de R$ 0, por saca de 60 quilos para o agricultor que declarou produzir soja transgênica e não realizou o teste. O agricultor que de- clarou que sua soja não era transgênica, mas teve resultado positivo no teste, por ter soja transgênica ou soja convencio- nal contaminada, foi obrigado a pagar R$ 1,50 por saca de 60 quilos, além dos cus- tos do teste. No ano de 2005, seria cobrado R$ 1, por saca, mas, devido à grave seca que gerou quebra de produtividade, foi cobra- do 1% do valor da saca de soja. As regras para cobrança em 2006 determinam a co- brança de R$ 0,50 por quilo de semente, depois de longa negociação (a Monsanto desejava R$ 0,88) e 2% para cada saca colhida. O valor que poderá ser cobrado no futuro é desconhecido: vai depender da capacidade do agricultor de voltar para a soja convencional.

PENAS PESADAS

O agricultor que não recolher espontanea- mente esse valores pode ter que pagar uma multa pesada. Vítima da contaminação de suas lavouras por sementes transgênicas, pode ser obrigado a pagar os royalties e também a multa. Como é feita a cobrança do direito de propriedade intelectual?

Uma pequena quantidade de sementes transgênicas

em um lote de soja é suficiente para gerar:

  • a cobrança dos royalties e pagamento de multas
  • a recusa de empresas que não aceitam soja transgênica
  • perda da certificação orgânica, que é a garantia

de um produto livre de agrotóxicos e transgênicos

11

A RESPONSABILIDADE

DA MONSANTO

A soja transgênica da Monsanto é culpada pelo aumento no uso de herbicidas. Ape- nas um tipo de soja transgênica resistente a herbicida está disponível comercialmente para uso: a soja Resistente ao Roundup®. (vide pág 14). De toda a área cultivada com transgêni- cos nos Estados Unidos, 54% são de soja transgênica RR. Os dados do Departa- mento de Agricultura dos EUA mostram um inacreditável aumento de 22% na quanti- dade de glifosato aplicado por hectare de soja transgênica entre 2001 e 2002. Con- seqüentemente, o grande aumento do uso de glifosato aplicado por hectare de soja transgênica combinado com a expansão da área de soja Resistente ao Roundup® da Monsanto foi a principal razão para o aumento no consumo de agrotóxicos na agricultura dos Estados Unidos.

OS HERBICIDAS E O GLIFOSATO

O maior uso de herbicidas se deve princi- palmente à redução da eficácia do glifosato. Isto é causado por vários fatores, incluindo a alteração na população de ervas dani- nhas resistentes ou tolerantes ao glifosato. O uso constante do glifosato seleciona as plantas com menor sensibilidade ou com algum tipo de proteção contra o herbicida. A redução do preço do herbicida associa- do à sua menor eficácia leva o agricultor a usar quantidades cada vez maiores de agrotóxicos em sua lavoura transgênica, estendendo os danos. Porém, esse aumento no uso de agro- tóxicos não representa surpresa, pois os cientistas alertaram, há muitos anos, que cultivar plantas resistentes aos herbicidas iria gerar grandes mudanças na população de ervas invasoras e em sua resistência aos herbicidas, obrigando um maior núme- ro de pulverizações e/ou maior quantidade de herbicida. Essas adaptações ecológicas estão bem documentadas e têm confronta- do as pesquisas apresentadas pela indús- tria de transgenia. Hoje, até mesmo as em- presas que trabalham com transgênicos advertem sobre o problema. Em resumo, as vantagens aclamadas pelas indústrias de transgenia provaram que são falsas. O uso de herbicidas está, agora, crescendo dramaticamente nos Estados Unidos, principalmente devido ao cultivo da soja Resistente ao Roundup®^. Este é mais um exemplo das falsas promessas dos cultivos transgênicos.

A

s plantas transgênicas criadas para serem resistentes aos herbicidas fo- ram desenvolvidas para simplificar o manejo de ervas daninhas dentro do siste- ma de produção agrícola com uso de agro- tóxicos. As empresas que trabalham com a transgenia afirmam que as atuais varie- dades de transgênicos reduzem substan- cialmente o uso de agrotóxicos. Entretanto, uma avaliação recente feita pelo cientista Dr. Charles M. Benbrook sobre o uso de agrotóxicos nos Estados Unidos ao longo dos primeiros nove anos (1996-2004) de cultivo comercial de transgênicos mostra resultados bem diferentes.

COMPROVAÇÃO

Usando dados estatísticos do departamen- to de agricultura norte-americano (USDA), o estudo mostrou que o uso de plantas transgênicas resistentes aos herbicidas (milho, soja e algodão) aumentou o uso de agrotóxicos em mais de 45 milhões de qui- los ao longo dos últimos oito anos, quando comparado com os cultivos convencionais. Nos primeiros três anos de cultivo (1996 a 1998), os transgênicos resistentes aos her- bicidas reduziram o consumo desse tipo de agrotóxico, comparado com os cultivos convencionais. Entretanto, nos últimos qua- tro anos (2001 a 2004), a quantidade des- tes herbicidas aplicados nestas mesmas variedades transgênicas aumentaram. No ano de 2004 foi usado, em relação às cul- turas convencionais, 16,4% mais agrotóxi- cos nas plantas transgênicas, ou seja, um aumento de 19,8 mil toneladas de produtos químicos despejados no meio ambiente. As supostas vantagens ambientais dos cultivos transgênicos tão aclamadas pelas corporações de transgenia não resistiram ao tempo. Após nove anos de introdução da cultura transgênica, foi claramente com- provado que os argumentos usados por cientistas independentes, grupos ambien- talistas e associações de defesa dos con- sumidores estavam corretas. Hoje, muito mais herbicida é usado na agricultura nor- te-americana do que antes da introdução dos transgênicos na economia. O consumo de herbicida aumenta com o uso de plantas transgênicas?

A avaliação após nove anos do cultivo de

transgênicos nos Estados Unidos mostra um

aumento dramático na quantidade de agrotóxicos

usados nas lavouras de plantas transgênicas

resistentes a herbicida.

USO DE AGROTÓXICOS - Um comparativo do uso de agrotóxicos em culturas transgênicas x culturas tradicionais (milho, soja e algodão) Fonte: Os primeiros nove anos, Charles Benbrook - http://www.biotech-info.net/Full_version_first_nine.pdf

A

Organização para Alimentos e Agri- cultura das Nações Unidas definiu, em 1999, que agricultura orgânica é um sistema de produção de alimentos que promove e melhora o ecossistema agrícola, e fomenta a biodiversidade e a atividade biológica do solo por meio de práticas adaptadas às condições regio- nais. Os agrotóxicos e produtos químicos danosos são eliminados do processo, e apenas métodos culturais, biológicos e mecânicos são aceitos. Produto orgânico, por lei, nunca pode- rá estar contaminado com organismos transgênicos. A contaminação genética é uma grande ameaça aos sistemas agro- ecológicos e pode inviabilizar a produção de “alimentos saudáveis isentos de con- taminantes intencionais” como define a nossa legislação. O que é a agricultura orgânica? DEFINIÇÃO DA LEI A agricultura orgânica é definida pela Lei Federal 10.831 de 23 de dezembro de 2003. Art. 1o^ Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômi- ca e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não-renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, arma- zenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente.

S

em poder político, sem dinheiro para comprar comida, sem terras para cul- tivar os seus alimentos. A engenharia genética e os alimentos transgênicos não podem fazer nada para resolver esses pro- blemas. Talvez os torne piores. A agricultura industrial não promove diversidade de culturas para alimentar os mercados locais, apenas produz merca- doria agrícola para exportar aos que pos- suem dinheiro. Desde 1950, a produção de alimentos aumenta a cada ano, mas hoje temos muito mais desnutridos e famintos do que a 20 anos atrás.

O EXEMPLO ARGENTINO

A produção de alimentos na Argentina, por exemplo, bateu recordes nos últimos anos. No ano de 2002, bateu o recorde de produção e exportação. Ao mesmo tempo, 2002 foi o recorde de pobreza e fome no país. A gigantesca monocultura de soja transgênica para exportação substituiu as culturas de arroz, sorgo e milho. Substituiu também o gado de corte e leite. O dinheiro ficou nas mãos de poucos exportadores. Florestas nativas estão sendo derrubadas para o plantio de soja. O uso intenso do pa- cote tecnológico de semente transgênica e agrotóxicos em grandes monoculturas mecanizadas eliminou pequenas proprie- dades e milhares de empregos rurais, con- centrando a posse da terra produtiva nas mãos de poucos. O principal argumento quando a soja transgênica RR foi aprovada na Argentina, em 1996, era a promessa de aumentar a segurança alimentar do país. Em maio de 2002, quase a metade da população argen- tina estava abaixo da linha da pobreza. A principal causa da fome na Argentina foi o aumento do preço dos alimentos e a grave situação econômica. As falsas promessas dos transgênicos não eliminaram a fome da Argentina: pioraram a situação. Os transgênicos resolvem o problema da fome no mundo?

Fome e desnutrição existem porque os famintos são pobres.

Apenas 16% das terras produtivas do mundo estão livres de problemas como a poluição quí- mica e o desequilíbrio ecológico. O sistema da agricultura industrial está comprometendo a terra onde serão cultivados os alimentos das gerações futuras.

“Não podemos culpar os

agrônomos pela fome no

mundo, os verdadeiros

culpados são aqueles que

geram concentração de

poder e riquezas.”

O consumidor deve optar pelos produtos orgânicos para proteger o meio ambien- te, a qualidade de vida e a sua saúde.

A SOJA E A FLORESTA

Entre 2003 e 2004, o desmatamento na Amazônia foi o segundo maior da história: mais de 2,6 milhões de hectares, sendo que quase a metade desse desmatamen- to (48%) ocorreu no Mato Grosso. Nesse período, a área agrícola aumentou cerca de 1,2 milhões de hectares. E grande par- te dessas regiões desmatadas tem as ca- racterísticas, aptidão e logística adequa- das para o cultivo da soja. A maioria dos agricultores vê a flores- ta como um obstáculo para o desenvolvi- mento dos seus negócios. Buscam abrir novas áreas para cultivos, muitas vezes desobedecendo a legislação. O código florestal vigente, por meio de medida pro- visória, prevê a manutenção de 80% das florestas nas propriedades rurais da Ama- zônia como reserva legal. Além disso, de- vem ser preservadas as margens dos rios e as encostas dos morros com inclinação maior do que 45 graus.

AGRICULTURA E MADEIRA

Os agricultores costumam olhar a legisla- ção que exige as áreas de reserva legal como se tivessem que inutilizar parte de suas propriedades. Mas não é bem assim: também pode-se lucrar com a área de re- serva legal. Basta aprovar junto ao Ibama um plano de manejo florestal, que garante um fornecimento contínuo de madeira de forma saudável, sem deixar de aproveitar essas áreasl. O Desmatamento afeta a agricultura?

A destruição desenfreada das florestas tem conseqüên-

cias que, no futuro, poderão prejudicar o agricultor

e toda a sociedade. A principal delas está relacio-

nada com as mudanças do clima.

O consumidor consciente está fechando os mercados internacionais para produtos que causam a destruição da Amazônia e danos à biodiversidade.

EVOLUÇÃO DA ÁREA PLANTADA

COM SOJA NA AMAZÔNIA LEGAL

Fonte: Conab

FLORESTA E CLIMA

Cerca de 50% do vapor d'água que for- ma chuvas sobre a Amazônia depende da existência da floresta. As árvores da floresta funcionam como uma bomba in- jetando vapor de água na atmosfera, que retorna na forma de chuva. Sem a cober- tura florestal, o clima se torna mais seco até nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, prejudicando também suas plantações.

“A região amazônica

exporta 3,4 trilhões

de metros cúbicos de

água por ano para a

região centro-sul"

ANO TOTAL MIL HA Fonte: Philip Fearnside, INPA/ Proyeto SALLJEX

  1. Os ventos alísios do Nordeste deslocam as nuvens carrregadas de água formadas na Amazônia em direção aos Andes, a oeste do continente.
  2. Ao se depararem com a barreira natural dos Andes, essas nuvens se deslocam para o Centro-sul do Brasil, gerando boa parte das chuvas que caem sobre essa extensa região.

16

A

cada ano, milhares de quilômetros quadrados de inestimável biodiver- sidade da floresta Amazônica vi- ram fumaça. No ano passado, uma área equivalente a seis campos de futebol foi destruída por minuto, para dar lugar a pastos empobrecidos, campos de soja e de outros grãos. A população, expulsa de suas terras por uma agricultura altamen- te mecanizada, cada vez mais se amon- toa nas violentas favelas das metrópoles amazônicas. Além disso, os pacotes tec- nológicos associados ao cultivo da soja, com uso intensivo de fertilizantes quími- cos, agrotóxicos e transgênicos deverá ter efeitos ainda não estudados sobre os complexos ecossistemas amazônicos. A chegada da soja nos últimos anos ajudou a dizimar a floresta, junto com as fazendas de gado que surgiram com as es- tradas abertas pelo regime militar nos anos Por que o Greenpeace é contrário à produ ção de soja no bioma Amazônia?

A vocação da Amazônia não é ser o

celeiro do planeta. A vocação da

Amazônia é ser a maior fl oresta do

mundo, o maior estoque de biodiver-

sidade e a maior reserva de água

doce do planeta.

1970, e desde então tornou-se o motor do desmatamento e da concentração fundiá- ria. O comércio internacional desse grão gerou riqueza para poucos em algumas áreas, mas também causou mais desmata- mento, mais terras públicas invadidas, mais populações tradicionais desalojadas. O desenvolvimento econômico na Amazônia não deve ser baseado na subs- tituição da floresta pela soja, uma cultu- ra exótica. Deve-se investir em pacotes tecnológicos para produtos tradicionais da floresta, que possam garantir empre- go e renda mantendo a floresta em pé. Com a soja, gradativamente, a floresta vai abaixo em nome de um velho modelo econômico fruto da eterna dependência brasileira. Exporta-se commodities agrí- colas para gerar superávits na balança comercial e ajudar o Brasil a pagar sua gigantesca dívida externa. A área demarcada representa o Bioma Amazônia, segundo a definição oficial do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O Bioma é composto por 9 esta- dos: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondô- nia e Roraima e a área parcial dos estados do Maranhão, Mato Grosso e Tocantins. Bioma Amazônia (IBGE 2004) © Greenpeace/ Nilo D'Avila ©

Os consumidores podem mudar o comportamento das grandes indústrias?

O poder de compra transforma o consumidor

consciente em um ativista ambiental.

O ciberativismo é uma forma de protesto virtual por meio da Internet. O envio de e-mails para empresas e políticos é divertido, rápido e não gasta papel. Participe: http://www.greenpeace.org.br/participe/cyber.php

Q

uando compramos produtos em uma feira ou supermercado, esta- mos fi nanciando a gigantesca ca- deia (fábricas, agricultores, comerciantes, etc) que deu origem àquele produto. O consumidor consciente da origem de tudo aquilo que compra pode recusar produtos que causam, em algum momento de sua produção, danos ambientais ou sociais. A madeira ilegal movimenta a indústria do crime. Grilagem de terra, falsifi cação de documentos, assassinatos, trabalho escravo e destruição de fl orestas fazem parte do cotidiano daqueles que fornecem a madeira de origem ilegal. O consumidor tem o poder de interrom- per toda a cadeia de produção e comercia- lização de crimes e destruição exigindo co- nhecer a origem da madeira ou procurando por produtos com certificação florestal. As plantas transgênicas causam impac- tos ambientais e sociais. O modelo agrícola de monocultura sustentado por agrotóxicos contamina o solo e a água, prejudicando a biodiversidade. A patente sobre plantas e animais ameaça nossa soberania alimen- tar e a agricultura familiar. O consumidor tem o poder de escolher uma dieta rica e variada, incentivando a produção diversifi cada de alimentos e de dar preferência para produtos agroecoló- gicos ou com certifi cação orgânica. ASSOCIAÇÃO CIVIL GREENPEACE CONSELHO DIRETOR Presidente:^ Fernando Furriela Membros:^ Eduardo M. Ehlers, Jayme Brener, Marcelo Sodré, Pedro Jacobi, Samyra Crespo Diretor Executivo : Frank Guggenheim Diretor de Campanhas : Marcelo Furtado Diretora de Comunicação : Gladis Éboli Diretora^ de Marketing e Captação de Recursos : Clélia Maury Diretor Financeiro : Wilson Mosca Segundo Diretor de^ Políticas Públicas : Sérgio Leitão Diretor do Escritório de Manaus: Paulo Adario TRANSGÊNICOS: A VERDADE POR TRÁS DO MITO EXPEDIENTE Jornalista responsável: Cristina Bodas Mtb 25.740-SP Projeto Gráfico e Produção: Estúdio MOL (www.estudiomol.com.br) Diretor de Arte:^ Raphael Erichsen Assistentes de Arte: Ana Paula Megda e Adriana Komura Editores de Texto : Ventura Barbeiro (Greenpeace) e Rodrigo Pipponzi (MOL) Ilustrações:^ Chico Bela Essa cartilha foi elaborada pela Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace. Fale conosco: transgê[email protected] Rua alvarenga, 2331 • São Paulo - SP • 05509- [email protected]