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Livro belíssimo e elucidativo sobre a Transição Planetária
Tipologia: Resumos
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Não perca as partes importantes!












































































Espírito
Revisão: Profº Luciano de Castilho Úrpia Editoração eletrônica: Hayrla Silva Capa: Sandrine Boebaert Surpervisao editorial: Sergio Sinotti Coordenação e produção gráfica: LIVRARIA ESPÍRITA ALVORADA EDITORA CNPJ 15.176.233/0001-17 - I.E 01.917. Rua Jayme Vieira Lima, n.° 104, Pau da Lima, CEP 41235-000 - Salvador (BA) - Telefax: (71) 3409-8312/ E-mail: <[email protected] Homepage: www.mansaodocaminho.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação ( CIP) Catalogação na Fonte BIBLIOTECA JOANNA DE ANGELIS F895 FRANCO, Divaldo Pereira, (1927), Transição planetária. - (pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda). Salvador: Livraria Espirita Alvorada Editora, 2010. 248 p. ISBM978-85-61879-35- l.Espiritismo. I. Divaldo Pereira Franco II. Manoel Philomeno de Miranda (Espírito) CDD: 133. DIREITOS RESERVADOS: Todos os direitos de reprodução, cópia, comunicação ao público e exploração econômica desta obra estão reservados, única e exclusivamente, para o Centro Espírita Caminho da Redenção (CECR), sendo proibida a sua reprodução parcial ou total, através de qualquer forma, meio ou processo, sem a previa e expressa autoriza9ao da editora, nos termos da lei 9.610/98. Impresso no Brasil Presita em Brazilo
"Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso e que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o tempo, grande emigração se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, porque, senão, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculo ao progresso,. .Substituí-los-ão Espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade..." "...A época atual e de transição; confundem-se os elementos das duas gerações. Colocados no ponto intermédio, assistimos a partida de uma e a chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelos caracteres que lhes são peculiares...” (A GENESE, de Allan Kardec. A geração nova, Cap. XVIII -Itens 27 e 28. 13. edição da FEB.)
O egrégio codificador do Espiritismo, assessorado pelas Vozes do Céu, deteve-se, mais de uma vez, na análise dos trágicos acontecimentos que sacudiriam a Terra e os seus habitantes, a fim de despertar os últimos para as responsabilidades para consigo mesmos e em relação à primeira. Em O Livro dos Espíritos, no capítulo dedicado à Lei de destruição, o insigne mestre de Lyon estuda as causas e razões dos desequilíbrios que se dão no planeta com frequência, ensejando as tragédias coletivas, bem como aquelas produzidas pelo ser humano, e constata que é necessário que tudo se destrua, a fim de poder renovar-se. A destruição, portanto, é somente produzida para a transformação molecular da matéria, nunca atingindo o Espírito, que é imortal. Desse modo, as grandes calamidades de uma ou de outra procedência têm por finalidade convidar a criatura humana à re flexão em torno da transitoriedade da jornada carnal em relação à sua imortalidade. As dores que defluem desses fenômenos denominados como flagelos destruidores, objetivam fazer a "Humanidade progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos." Eis, portanto, o que vem ocorrendo nos dias atuais. As dores atingem patamares quase insuportáveis e a loucura que toma conta dos arraiais terrestres tem caráter pandêmico, ao lado dos transtornos depressivos, da drogadição, do sexo desvairado, das fugas psicológicas espetaculares, dos crimes estarrecedores, do desrespeito às leis e à ética, da desconsideração pelos direitos humanos, animais e da Natureza... Chega-se ao máximo desequilíbrio, facultando a interferência divina, a fim de que se opere a grande transformação de que todos temos necessidade urgente. Contribuindo na grande obra de regeneração da Humanidade, Espíritos de outra dimensão estão mergulhando nas sombras terrestres, afim de que, ao lado dos nobres missionários do amor e da caridade, da inteligência e do sentimento, que protegem os seres terrestres, possam modificar as paisagens aflitivas, facultando o estabelecimento do Reino de Deus nos corações. Reconhecemos que essa nossa informação poderá causar estranheza em alguns estudiosos do Espiritismo, e mesmo reações mais severas noutros... Nada obstante, permitimo-nos a licença de apresentar o nosso pensamento após a convivência com nobres mentores que trabalham no elevado programa da grande transição... Equipes de apóstolos da caridade no plano espiritual também descem ao planeta sofrido, a fim de contribuir em favor das mudanças que devem operar-se, atendendo aqueles que se encontram excruciados pela desencarnação violenta, inesperada, ou padecendo o jugo de obsessões cruéis, ou fixados em revolta injustificável, considerando-se adversários da Luz, membros da sanha do Mal, afim de melhorar a psicosfera vigente, desse modo, facilitando o trabalho dos Mensageiros de Jesus. Na presente obra, apresentamos três fases distintas, mas que se interpenetram, em torno do trabalho a que fomos convocado, mercê da compaixão do Amor, de modo a acompanharmos as ações de enobrecimento de dignos e valorosos Benfeitores, vinculados ao programa em desenvolvimento a respeito da transição planetária que se vem operando desde há algum tempo... Não temos outro objetivo, senão estimular os servidores do Bem a prosseguirem no ministério, a qualquer custo, sem desânimo nem contrariedade, permanecendo certos de que se encontram amparados em todas as situações, por mais dolorosas se lhes apresentem. Procuramos sintetizar as operações de socorro aos desencarnados vitimados pelo tsunami ocorrido no Oceano Indico, devastador e de consequências graves, que permanece ainda gerando sofrimento e desconforto, especialmente porque sucedido de outros tantos que prosseguem ocorrendo com frequência assustadora... Logo após, referimo-nos ao contributo especial dos Espíritos dedicados às tarefas de reencarnação dos novos obreiros, terrestres ou voluntários de outra dimensão cósmica, passando à análise dos tormentos que invadem a Terra, assim como da interferência dos Espíritos infelizes, que se comprazem em manter o terrível estado atual de aturdimento. Nada obstante, em todos os momentos, procuramos demonstrar a providencial misericórdia de Jesus, sempre atento com os Seus mensageiros a todas as ocorrências planetárias, minimizando as aflições humanas e abrindo espaço ao dia radioso de amanhã, que se aproxima, rico de bênçãos e de plenitude. Agradecendo ao Senhor de nossas vidas e aos Espíritos superiores investidos da sublime tarefa da grande transição planetária, por haver-nos concedido a honra do trabalho ao seu lado, sou o servidor devotado de sempre.
Salvador, 09 de abril de 2010. Manoel Philomeno de Miranda
apresentando-o quando criança habitando os Alpes austríacos, numa capela aldeã de madeira, ouvindo a mesma composição em velho órgão... As memórias cresciam-lhe, modificando o cenário e pude vê-lo correndo pelos prados verdes numa área assinalada por casario de madeira pintada entre montanhas cobertas pelo gelo eterno e o solo salpicado por miúdas flores, mesclando papoulas e rosas trepadeiras coloridas sobre a grama verdejante... O caleidoscópio evocativo do caro amigo projetou-se-me na tela mental, levando-me a evocação da própria infância, sendo dominado, agora, pelas paisagens da terra brasileira e baiana em Sol e alegria, onde o Senhor da Vida me honrou com a recente reencarnação. Toda a magia mística desse amável povo, a sua simplicidade e sofrimento resignado, especialmente o dos indígenas e afro descendentes, suas esperanças e aspirações povoaram-me o Espírito, embalado pela melodia sublime. Não saberia dizer o tempo que transcorreu, a medida que a noite avançava. Tornando a realidade, meu amigo e nos outro parecíamos haver despertado de um sonho feliz, e quase sem nos darmos conta, estávamos com as mãos unidas, sorrindo e agradecendo a Deus. Oscar demonstrou haver tornado conhecimento da minha percepção psíquica das suas lembranças, e, sem delongas, explicou-me:
na Babilônia e no Egito, que nos fascinaram com os seus templos faustosos, arrastando-nos depois para as derrotas sangrentas com Astiages e o assassinato de Akenaton... Transitamos pelos montes do Tibet e as planuras da índia, repetindo as lições do Mahabarata que nos emocionavam, sem que conseguíssemos alterar a belicosidade infeliz que nos assinalava... A China veneranda com Fo-Hi e os seus filósofos ensinou-nos sabedoria, entretanto não nos arrefeceu a sede alucinada de poder sobre a Manchúria e os povos vizinhos, que também a destroçaram várias vezes com os seus carros de destruição... Atravessamos o deserto com Moisés, como o faríamos depois com Esdra, for nobreza de Ciro para reconstruir o Templo e reerguer Jerusalém, e atacamos os filisteus e outros povos, semeando o terror, malsinando, destruindo... Atenas encantou-nos, desde os dias de Anaxágoras, depois, com as lições de Sócrates, não impedindo, porem, que nos entregássemos, em Esparta, a hediondez e as lutas incessantes... Acompanhamos Ciprião, o africano, como o fizéramos com Alexandre Magno, o macedônio, e Aníbal, o cartaginês, embora conhecedores da filosofia em torno da imortalidade e da interferência dos deuses em nossas vidas,.. ...E contigo, após ouvir-Te as lições de incomparável beleza, abandonamos a fidelidade e convertemos a Tua doutrina em poder de mentira, luxuria, hipocrisia e desventura... Assim, atravessamos a noite medieval, advertidos for mártires e santos, apegados a infâmia e ao horror. Morremos e renascemos, vezes sem conto, despertando realmente para a vida em abundancia quando as claridades do Espiritismo nos arrancaram da densa treva interior, da ignorância e do abismo da loucura egotista... Houve uma pausa comovida. Todos respirávamos ao ritmo da narração evocativa, profunda e grave. Logo depois, prosseguiu com o mesmo timbre de voz e a mesma emoção: Mais de uma vez, a Tua misericórdia sacudiu a barca planetária, qual ocorreu, háa pouco, através do tsunami, demonstrando a fraqueza dos engenhos humanos e suas parcas possibilidades de conhecer os desígnios de Deus, a Jim de a todos despertar-nos em definitivo.. Novamente solicitaste o apoio de outros Espíritos para a grande transição que logo mais terá lugar no mundo físico. Permite-nos, agora, que o Embaixador de outra Esfera, que estamos aguardando, fossa trazer-nos a Tua bênção em nome do amor universal, a fim de que, realmente conscientes, consigamos servir-Te com discernimento e abnegação. Aqui estamos, genuflexos e expectantes, a Teu serviço, de coração e mente abertos a verdade. Misericórdia, Senhor! Quando silenciou, completara-se a materialização do visitante especial no tubo de luz, graças a contribuição das médiuns que lhe ofereceram a substancia própria para o acontecimento. Era de estatura um pouco mais alta do que o terrícola padrão. Os olhos pareciam duas estrelas fulgurantes no céu da face gentil. Os movimentos corporais faziam-se harmônicos, quando saiu do lugar onde se condensara, seguindo o mestre de cerimônias, que o conduziu a um assento especial e com destaque sobre a plataforma. Um perfume suave e doce tomou conta do imenso auditório e todos nos concentramos, fixando o venerável convidado. Novamente o coral infantil enterneceu-nos com o seu sublime canto.
Ainda não saíramos do quase êxtase, quando o nosso dirigente acercou-se do visitante ilustre e saudou-o com deferência e carinho. Ato contínuo, levou-o à tribuna e concedeu-lhe a palavra. O nobre Espírito agradeceu com um sorriso jovial e iniciou a sua exposição: "- Veneráveis administradores, almas irmãs nossas de todas as dimensões: "Saudamos-vos a todos em nome do Senhor do Universo. "Representando a formosa Esfera de amor que se encontra instalada numa das Plêiades, envolta em vibrações especiais constituídas de fótons que formam uma luminosidade em tons azuis, aqui estamos, atendendo à invitação do Sublime Governador do planeta terrestre. "Embora sem condições de falar em nome dos nossos Guias espirituais, trago o compromisso de contribuir convosco no programa de elevação da Humanidade através da reencarnação de servidores do Bem, adrede preparados para o mister sublime. "Esta não é a primeira vez que o mundo terreno recebe viajores de outras moradas, atendendo à solicitação de Jesus- Cristo, qual aconteceu no passado, no momento da grande transição das formas, quando modeladores do vaso orgânico mergulharam na densa massa física fixando os caracteres que hoje definem os seus habitantes... Da constelação do Cocheiro vieram aqueles nobres embaixadores da luz que contribuíram para a construção da Humanidade atual, inclusive outras inteligências, todavia, não moralizadas, que após concluídos alguns estágios evolutivos retornaram, felizes, aos lares queridos... "Em outras oportunidades, luminares da Verdade submergiram nas sombras do mundo terrestre, a fim de apresentarem as suas conquistas e realizações edificantes, auxiliando os seus habitantes a crescer em tecnologia, ciência, filosofia, religião, política, ética e moral... Nada obstante, o desenvolvimento mais amplo ocorreu na área da inteligência e não do sentimento, assim explicando o atual estágio de evolução em que se encontram, rico de conhecimentos e pobre de edificações espirituais... "Periodicamente, por sua vez, o planeta experimenta mudanças climáticas, sísmicas em geral, com profundas alterações na sua massa imensa, ou sofre o impacto de meteoros que lhe alteram a estrutura, tornando-o mais belo e harmônico, embora as destruições que, na ocasião, ocorrem, tendo sempre em vista o progresso, assim obedecendo à planificação superior com o objetivo de alcançar o seu alto nível de mundo de regeneração. "Concomitantemente, a fim de poderem viajar na grande nave terrestre que avança moralmente nas paisagens dos orbes felizes, incontáveis membros das tribos bárbaras do passado, que permaneceram detidos em regiões especiais durante alguns séculos, de maneira que não impedissem o desenvolvimento do planeta, renascem com formosas constituições orgânicas, fruto da seleção genética natural, entretanto, assinalados pelo primitivismo em que se mantiveram. "Apresentam-se exóticos uns, agressivos outros, buscando as origens primevas em reação inconsciente contra a sociedade progressista, tendo, porém, a santa oportunidade de refazerem conceitos, de aprimorarem sentimentos e de participarem da inevitável marcha ascensional... Expressivo número, porém, permanece em situações de agressividade e indiferença emocional, tornando-se instrumentos de provações rudes para a sociedade que desdenha. Fruem da excelente ocasião que, malbaratada, os recambiará a mundos primitivos, nos quais contribuirão com os conhecimentos de que são portadores, sofrendo, no entanto, as injunções rudes que serão defrontadas. Repete-se, de certo modo, o exílio bíblico de Lúcifer e dos seus comparsas, no rumo de estâncias compatíveis com o seu nível emocional grosseiro, onde a saudade e a melancolia se lhes instalarão, estimulando-os à conquista do patrimônio de amor desperdiçado na rudeza, e então lutarão com afa para a conquista do bem. "Ei-los, em diversos períodos da cultura terrestre, desfrutando de chances luminosas, mas raramente aproveitadas, cuja densidade vibratória já não lhes permite, por enquanto, o renascimento em o novo mundo em construção." O Emissário silenciou suavemente e repassou os olhos luminosos pelo imenso auditório mergulhado em quietude e reflexão, absorvendo-lhe cada palavra, logo prosseguindo: "As moradas do Pai são em número infinito, mantendo, como é compreensível, intercâmbio de membros, de modo a ser preservada a fraternidade sublime, porquanto, aqueles mais bem aquinhoados devem contribuir em benefício dos menos enriquecidos de momento. A sublime lei de permutas funciona em intercâmbio de elevado conteúdo espiritual. "Da mesma forma que, da nossa Esfera, descerão ao planeta terrestre, como já vem sucedendo, milhões de Espíritos enobrecidos para o enfrenta-mento inevitável entre o amor abnegado e a violência destrutiva, dando lugar a embates caracterizados pela misericórdia e pela compaixão, outros missionários da educação e da solidariedade, que muito se empenharam em promovê-las, em existências pregressas, estarão também de retorno, contribuindo para a construção da nova mentalidade desde o berço, assim facilitando as alterações que já estão ocorrendo, e sucederão com maior celeridade... "Nesse sentido, o psiquismo terrestre e a genética humana encontram-se em condições de receber novos hóspedes que
equilíbrio... Frutos das paixões das criaturas que lhes sofrerão os efeitos em forma de consumpção libertadora, lentamente surgirão os valores da saúde integral, da alegria sem jaça, da harmonia pessoal, da integração no espírito cósmico da vida. "Como em toda batalha, momentos difíceis surgirão exigindo equilíbrio e oração fortalecedora, os lutadores estarão expostos no mundo, incompreendidos, desafiados por serem originais na conduta, por incomodarem os insensatos que, ante a impossibilidade de os igualarem, irão combatê-los, e padecendo diversas ocasiões de profunda e aparente solidão... Nunca, porém, estarão solitários, porque a solidariedade espiritual do Amor estará com eles, vitalizando-os e encorajando-os ao prosseguimento. "Todo pioneirismo testa as resistências morais daquele que se atreve a ser diferente para melhor quando a vulgaridade predomina, razão pela qual são especiais todos esses que se dedicam às experiências iluminativas e libertadoras. Nunca, porém, deverão recear, porque o Espírito do Senhor os animará, concedendo-lhes desconhecida alegria de viver, mesmo quando, aparentemente, haja uma conspiração contra os seus superiores propósitos. "O modelo a seguir permanece Jesus, e a nova onda de amor trará de retorno o apostolado, os dias inesquecíveis das perseguições e do martirológio que, na atualidade, terá características diversas, já que não se podem matar impunemente os corpos como no passado... Isso não implica que não se assaquem acusações vergonhosas e se promovam campanhas desmoralizadoras contra eles, a fim de dificultar-lhes o empreendimento superior. Assim mesmo, deverão avançar, joviais e estoicos, cantando os hinos da liberdade e da fé raciocinada que dignificam o ser humano e o promovem no cenário interior. "Trata-se, portanto, de um movimento que modificará o planeta para melhor, a fim de auxiliá-lo a alcançar o patamar que lhe está reservado. "Quem não se entrega à luta, ao movimento, candidata-se ao insulamento, à morte... "Assim sendo, sob o comando do Cancioneiro das bem-aventuranças, sigamos todos empenhados na lídima fraternidade, oferecendo-nos em holocausto de amor à verdade, certos do êxito que nos está destinado. "Louvando, portanto, Aquele que nos convidou, misericórdia solicitamos." Quando terminou a eloquente explanação apresentava lágrimas nos olhos que não se atreviam a romper-lhes as comportas... O governador geral de nossa comunidade acercou-se-lhe e o abraçou carinhosamente, qual desejávamos todos fazer. Novamente, o coral infantil entoou romântica balada, totalmente desconhecida por mim, enquanto pétalas de rosas caíam delicadas sobre todos nós, desfazendo-se no contato conosco, exalando perfume especial. Ato contínuo, conduzido pelo nosso administrador, o emissário retornou ao tubo de luz e diluiu-se delicadamente. Havia cumprido com o dever que lhe trouxera à nossa Colônia. O mestre de cerimônias acercou-se da tribuna e encerrou a solenidade. Levantamo-nos vagarosamente em silêncio, formando pequenos grupos interessados em comentar a exposição, enquanto outros nos dirigimos ao estrado para manter conversação com os nobres membros de nossa comunidade, e nos colocarmos à sua disposição. Identificados pelo amigo Ivon Costa, ele acercou-se do nosso governador, ensejando-nos longa e edificante conversação. Os comentários prosseguiram por alguns minutos, quando, então, à semelhança de outros assistentes, demandamos nossos aposentos, Oscar, Ivon e nós outro.
Para mim, pessoalmente, aquela era uma noite muito especial. Reflexionando em torno da mensagem ouvida a respeito do futuro da Humanidade, não pude sopitar uma inefável alegria de viver os momentos tão significativos em torno da construção da Nova Era. Desde as remotas páginas do Evangelho de Jesus, assim como das narrações do Apocalipse, e mesmo antes, existem revelações em torno de um mundo feliz na Terra, após as terríveis flagelações que alcançariam as criaturas e as dilacerações que sofreria o planeta. Os sucessivos acontecimentos que estarreceram a sociedade, convidando-a à análise em torno das convulsões que sacodem o mundo físico periodicamente, enquanto os atos hediondos de terrorismo e de atrocidade repetiam-se de maneira aparvalhante, eram sinais inequívocos da grande mudança que já estaria tendo lugar no orbe terrestre. Passados, porém, os primeiros momentos explorados pela mídia insaciável de tragédias, outros fatos se tornavam relevantes, substituindo aqueles que deveriam merecer mais estudos e aprofundamento mental, de maneira a encontrar-se soluções para os terríveis efeitos da poluição da atmosfera, do envenenamento das fontes de vida no planeta... É verdade que alguns movimentos bradavam em convites à responsabilidade das nações e dos governos perversos, responsáveis pela emissão dos gases venenosos, para logo tomarem vulto os planos de divertimentos globais e de novas conquistas para o gozo e a alucinação. Ainda o pranto das vítimas não secara nos olhos e os efeitos trágicos dos acontecimentos nem sequer diminuíram, e as contribuições da solidariedade eram desviadas para fins ignóbeis, enquanto os sofredores observavam a indiferença com que eram tratados, relegados à própria sorte, após a tragédia que sofreram. As praias de diversos países do Oceano Índico estavam juncadas de cadáveres, dezenas de milhares jaziam sob os escombros das frágeis construções destruídas e a insensatez turística já planejava novos pacotes para outros paraísos e lugares de lazer e perversão que não foram danificados... Felizmente, mulheres e homens nobres, organizações e entidades humanitárias sensibilizaram-se com a dor do seu próximo e acorreram com generosidade, oferecendo alguns recursos que podiam diminuir o desespero das vítimas, dos sobreviventes que tinham necessidade de reconstruir os lares e continuar as experiências humanas. O espetáculo espiritual nas regiões atingidas, no entanto, era muito grave. De igual maneira, em razão da decomposição dos cadáveres humanos e de animais outros e da ausência de água potável, era grande a ameaça do surgimento de epidemias, e os Espíritos, abruptamente arrancados do domicílio orgânico, vagavam, perdidos e desesperados, pelas áreas onde sucumbiram, transformadas em depósitos de lixo e de destroços, numa noite sem término, pesada e ameaçadora. Os gritos de desespero, os apelos de socorro e os fenômenos de imantação com outros desencarnados infelizes, constituíam a geografia extra-física dos dolorosos acontecimentos. Acompanhávamos os tristes acontecimentos desde nossa comunidade, através de recursos especiais que nos projetavam as imagens terríveis, recolhendo-nos às reflexões do que seria possível contribuir para atenuar tanto desespero e cooperar pelo restabelecimento da ordem. O banditismo aproveitava-se da situação deplorável para estrangular as suas vítimas, exploradores hábeis negociavam sobre os despejos dos perdidos e alienados, conspirações hediondas forjavam hábeis manobras para a usurpação do máximo daqueles que nada quase possuíam... Era esse, de alguma forma, o espetáculo horrendo pós-tragédia do tsunami. No dia seguinte, deveríamos reunir-nos com os organizadores da jornada à região conflagrada, de modo a tomarmos conhecimento dos serviços de emergência a serem realizados. Amanhecera de forma esplêndida, com o céu azul turquesa nimbado de suave claridade que iluminava toda a nossa comunidade. Embora nos encontremos sob a mesma ação das leis que vigem na manutenção do orbe terrestre, a luz do Sol que nos alcança, porque não encontra obstáculos materiais para produzir o aquecimento contínuo, tem sempre a mesma temperatura, também resultado de camadas especiais de energia emanada dos fótons que envolvem o nosso campo vibratório. Dessa forma, não ocorrem alterações como aquelas sofridas no planeta e decorrentes da sua posição em relação ao Astro-rei. Deveríamos encontrar-nos às 10h, à sombra de venerando cedro no jardim que circunda o Templo ecumênico, onde todos os religiosos das mais diferentes convicções podem reunir-se para vivenciar as suas doutrinas. O órgão derramava musicalidade especial, e quando nos aproximamos, Oscar e nós, os demais membros se nos acercaram jovialmente. Ivon Costa acompanhava o responsável pelo grave empreendimento, cabendo-lhe o dever de apresentar-nos, o que ocorreu sem maiores circunlóquios.
Engenheiros e arquitetos desencarnados movimentaram-se com rapidez e edificaram uma comunidade de emergência, que a todos nos albergaria logo mais, recebendo também aqueles aos quais socorrêssemos. Curiosamente ampliou os esclarecimentos, informando que os ocidentais em férias que se fizeram vítimas, mantinham profunda ligação emocional com aquele povo e foram atraídos por forças magnéticas para resgatar, na ocasião, velhos compromissos que lhes pesavam na economia moral...
A pós algum tempo de repouso e de meditação, deixei-me inspirar pela oração, entregando-me ao Senhor da Vida para o ministério que deveria exercer com os nobres Espíritos que logo mais visitaríamos a Terra. Um balsâmico bem-estar inundou-me os sentimentos e não pude conter as lágrimas de alegria e de gratidão aos Céus, por permitir-me aprender no trabalho e com o exemplo dos mais abnegados. Às 18h, encontramo-nos, e após uma oração pronunciada pelo Dr. Charles White, tomamos o veículo especial que nos conduziu à cidade de Suma-tra, na Indonésia, considerado o quarto país mais populoso da Terra, que fora assolada entre outras cidades dos muitos países atingidos, onde deveríamos instalar-nos com os demais grupos que nos anteciparam. A cidade tivera mais de dois terços da sua área afetada pela inundação e pela destruição... Igualmente considerada o país mais populoso dentre os muçulmanos, seu povo, espalhado pelas inúmeras ilhas, não podia imaginar a grandeza da calamitosa ocorrência, por falta de comunicação entre aquelas de origem vulcânica e as outras de formação calcária... Alguns Espíritos nobres acercaram-se da região no começo de dezembro, a fim de organizarem as comunidades transitórias para receberem os que desencarnariam em aflição, no terrível futuro evento sísmico. Transcorrido algum tempo de viagem, chegamos à comunidade espiritual situada sobre a área tristemente atingida. Embora houvéssemos acompanhado alguns lances da tragédia em nossa Colônia, podíamos agora ver diretamente os danos causados pela onda imensa e as que a sucederam, destruindo tudo com a velocidade e a força ciclópica do terremoto nas águas profundas do oceano Indico, e logo depois, as contínuas vibrações e seguidos choques destruidores. A força tempestuosa espalhara-se pelas costas da índia, do Sri Lanka, da Tailândia, das Ilhas Phi Phi, das Maldivas, de Bangladesh, de parte da África e de outros países, embora com efeitos menores que alcançaram o Atlântico... Como resultado lastimável ocorreram alterações na massa terrestre, no seu movimento, na inclinação do eixo, que embora não registradas com facilidade pelos seus habitantes, foram detectadas por instrumentos sensíveis. A primeira onda avassaladora ceifara mais de 150.000 vidas, enquanto as sucessivas carregadas de destroços de casas, barcos e construções de todo tipo, de árvores arrancadas e pedras, semearam o horror, arrasando as comunidades litorâneas... A psicosfera ambiental era densa, denotando todos os sinais inequívocos das tragédias de grande porte. Ouvíamos o clamor das multidões desvairadas, enlouquecidas pelo sofrimento decorrente da morte dos seres queridos, assim como em relação aos desaparecidos, à perda de tudo, vagando como ondas humanas sem destino. De imediato, começaram a chegar as contribuições internacionais, porém, os instintos agressivos dominavam grupos de exploradores, de vadios e criminosos que se aproveitavam da oportunidade para ampliar a rapina e o terror. Tempestades vibratórias descarregavam energias densas sobre o rescaldo humano e geográfico, confrangendo-nos sobremaneira. Logo após encontrarmos o lugar que nos deveria servir de suporte para as incursões ao planeta, onde igualmente se alojavam outros grupos espirituais socorristas, o nosso gentil condutor explicou-nos qual a tarefa que deveríamos desempenhar naqueles primeiros minutos e, orientando-nos, mergulhamos na densa noite que se abatia sobre a região devastada. Os corpos em decomposição amontoavam-se em toda parte, após ligeira identificação de familiares e a remoção de alguns para outros lugares, chamando-nos a atenção as fortes ligações espirituais mantidas pelos recém-desencarnados, que nem sequer se haviam dado conta da ocorrência grave. Imantados aos despojos, estorcegavam, experimentando a angústia do afogamento, as dores das pancadas produzidas pelos destroços, o desespero defluente da ignorância... De quando em quando escutavam-se preces e súplicas dirigidas a Allah, logo seguidas de blasfêmias e imprecações tormentosas. Movimentavam-se muitos encarnados em atividades de auxílio, apesar da noite densa, demonstrando a solidariedade humana, inúmeros dos quais haviam chegado de outros países, especialistas nesse tipo de socorro, que se misturavam aos caravaneiros do Além, igualmente dedicados ao amor ao próximo. O Dr. White caminhou entre os muitos destroços e cadáveres na direção de um grupo de desencarnados, que me fazia recordar uma alcateia de lobos famintos, ou chacais disputando os despojos das presas mortas... A balbúrdia era expressiva, e o pugilato entre alguns Espíritos era igualmente vergonhoso...
percorrer, após despertar do letargo que passariam experimentando por algum tempo. Momentos houve de agitação, porque alguns dos exploradores de energia recusavam-se ceder as suas vítimas ao nosso apoio, altercando e apresentando-se em condições próprias para um pugilato físico, distante de qualquer método de equilíbrio. O Dr. White, porém, comunicava-se mentalmente conosco, estimulando-nos ao prosseguimento, aproveitando-se da indecisão de alguns verdugos, vinculando-nos a Jesus no Seu ministério de amor junto aos obsidiados a quem socorrera, usando da Sua autoridade, e, desse modo, continuamos. A patética da gritaria infrene e da desolação em volta comovia-nos, no entanto, não podíamos deslocar-nos mentalmente da atividade que nos dizia respeito naquele reduto de putrefação e loucura. Atendendo a uma mulher desvairada que segurava uma criança também lacrimosa e inconsolável, percebi-lhe a alucinação defluente do momento em que se desejou salvar com a filhinha de poucos anos de idade, buscando a parte superior da casa em que viviam, e a onda arrancou-a dos alicerces despedaçando-a e esmagando contra os destroços ambos os corpos. Podia-se ver-lhe os registros na mente alucinada... Não parava de gritar suplicando socorro, acreditando-se, como realmente se encontrava, perseguida por seres demoníacos que a desejavam submeter... Tocando-lhe a fronte espiritual e emitindo sucessivas ondas de amor e de paz, percebi que me captava o pensamento e, porque estivesse estimulada à fé religiosa, pôde perceber-me em seu e no auxílio à filhinha, deixando-se conduzir para fora do círculo em que se encontrava aprisionada, embora ainda vinculada ao corpo reduzido a frangalhos. A pequenina encontrava-se livre da injunção perispiritual da matéria, e logo asserenou-se ao receber as vibrações que se exteriorizavam deste servidor em sua direção. Ivon veio em meu socorro e começamos a concentrar a nossa atenção nos laços que a mantinham presa ao veículo carnal sem qualquer utilidade naquele momento. Algum tempo depois, após conseguirmos esgarçar as ataduras energéticas entre o Espírito e a matéria, por fim, acalmou-se, deixando-se conduzir, enquanto chorava comovedoramente, lamentando o acontecimento da desencarnação de que se dava conta. Buscamos falar-lhe de imortalidade através do pensamento que ela captava, apresentando-lhe a filhinha que deveria cuidar, prosseguindo como se estivesse na Terra e preparando-se para auxiliar aos demais familiares que, se não estivessem conduzidos pelo carro da morte, muito necessitariam da sua cooperação, para poderem continuar no processo de recuperação nos dias porvindouros. Convidada à reflexão da família, o instinto maternal apresentou-se-lhe mais forte e ela acedeu em acalmar-se. Conseguiu locomover-se, embora com alguma dificuldade, abraçando a criancinha que adormecera no seu regaço, e a conduzimos a um grupo de auxiliares especiais que, a partir daquele momento, se encarregariam das providências compatíveis ao seu estado. Ainda não víramos tudo de que a natureza humana é capaz enquanto lhe predominam as forças brutais do primarismo. Estávamos absortos no atendimento daquela mole sofrida, quando alguns indivíduos ainda reencarnados, começaram a remover os corpos sem qualquer consideração, aproveitando-se das sombras terríveis da noite.
As horas sucediam-se lentas e pesadas. O grupo que atendíamos era constituído por quase mil vítimas da tragédia sísmica. Aparentemente pequeno era o resultado do nosso esforço, embora nos encontrássemos empenhados com carinho na execução da atividade que nos foi reservada. A noite tornava-se cada vez mais pavorosa do ponto de vista humano, em razão dos horrores que se manifestavam sem cessar. Na esfera física, a procura de cadáveres para identificação era afligente, porque as pessoas choravam e imprecavam sem lucidez em torno do que exteriorizavam. Era uma catarse coletiva sob a inclemência das sombras tormentosas. Do nosso lado, não era menos angustiante a paisagem espiritual. Ana continuava a manter o archote aceso derramando claridade no local sombrio e truanesco. Em determinado momento, escutamos uivos arrepiantes e vimos em movimento uma densa formação agitando-se e aproximando-se como se empurrada por ventos suaves, imperceptíveis para nós outros. ... Ao acercar-se, podemos ver em hediondez diversos Espíritos com fácies e formas lupinas como se estivéssemos em um cenário de imaginação doentia, observando antigos seres humanos que se fizeram vítimas da zoantropia. Com aspectos repelentes e hórridos, eliminavam baba pegajosa pelas bocas escancaradas e os olhos brilhantes procuravam os cadáveres cujos Espíritos estávamos libertando. Subitamente tentaram atirar-se sobre um dos montes de membros e corpos misturados, como se estivessem esfaimados. Nesse comenos, Dr. White sinalizou ao padre Marcos que, rápido e seguro, desdobrou uma rede de fios luminosos e de ampla proporção, no que foi auxiliado por Ivon e Oscar, atirando-a com habilidade sobre o monturo fétido... De imediato, pudemos perceber que se tratava de uma defesa magnética, irradiando energia especial que apavorou os agressores, que certamente a conheciam, fazendo que se afastassem em tropel rápido, sem maiores perturbações para o nosso labor. Fora a primeira vez que me deparara com cena de tal porte. Percebendo-me as interrogações mentais, o hábil diretor veio-me em socorro, explicando-me: