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Tuberculose, Notas de estudo de Biomedicina

BASE SOBRE A TUBERCULOSE, SEU TRATAMENTO E SUA TRANSMISSÃO

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 22/03/2011

bellarmino-7
bellarmino-7 🇧🇷

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TUBERCULOS
TUBERCULOS
E
E
Nivaldo Mustafa Araujo
Nivaldo Mustafa Araujo
Ruben Alberto Abbott de Castro Pinto
Ruben Alberto Abbott de Castro Pinto
Neto
Neto
pf3
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TUBERCULOS

TUBERCULOS

E

E

Nivaldo Mustafa Araujo

Nivaldo Mustafa Araujo

Ruben Alberto Abbott de Castro Pinto

Ruben Alberto Abbott de Castro Pinto

Neto

Neto

DEFINIÇÃO E AG.

DEFINIÇÃO E AG.

ETIOLÓGICO

ETIOLÓGICO

Doença infecciosa crônica causada pelo

Doença infecciosa crônica causada pelo

bacilo aeróbico

bacilo aeróbico

Mycobacterium

Mycobacterium

tuberculosis,

tuberculosis,

cuja característica principal

cuja característica principal

é o tropismo pelo parênquima pulmonar e

é o tropismo pelo parênquima pulmonar e

a transmissão pela inalação de partículas

a transmissão pela inalação de partículas

infectadas por este bacilo.

infectadas por este bacilo.

O

O

Mycobacterium tuberculosis

Mycobacterium tuberculosis

, foi isolado

, foi isolado

em 1882 pelo pesquisador alemão Robert

em 1882 pelo pesquisador alemão Robert

Koch. Por isso o bacilo da tuberculose

Koch. Por isso o bacilo da tuberculose

ficou conhecido como bacilo de Koch (BK).

ficou conhecido como bacilo de Koch (BK).

MANIFESTAÇÕES

MANIFESTAÇÕES

CLÍNICAS

CLÍNICAS

Tosse

Tosse

Expectoração (inclusive com sangue)

Expectoração (inclusive com sangue)

Falta de apetite

Falta de apetite

Emagrecimento

Emagrecimento

Febre

Febre

Suores noturnos

Suores noturnos

Indisposição, mal estar

Indisposição, mal estar

SÍNDROMES CLÍNICO-

SÍNDROMES CLÍNICO-

RADIOLÓGICAS

RADIOLÓGICAS

Tb primária típica:

Tb primária típica: mais comum em

mais comum em

crianças entre 2 e 12 anos – qualquer

crianças entre 2 e 12 anos – qualquer

segmento pulmonar acometido.

segmento pulmonar acometido.

Tb primária progressiva:

Tb primária progressiva:

ainda mais

ainda mais

comum em crianças, o foco primário

comum em crianças, o foco primário

evolui para área de inflamação

evolui para área de inflamação

granulomatosa e exsudativa, e então

granulomatosa e exsudativa, e então

evolui para pneumonia tuberculosa; 1/

evolui para pneumonia tuberculosa; 1/

médio e inferior do pulmão.

médio e inferior do pulmão.

Tb no idoso:

Tb no idoso:

Geralmente forma pós-

Geralmente forma pós-

primária, apical, mas frequentemente

primária, apical, mas frequentemente

apresentam a Tb primária progressiva com

apresentam a Tb primária progressiva com

infiltrados pneumônicos.

infiltrados pneumônicos.

Tb no imunodeprimidos:

Tb no imunodeprimidos:

espectro amplo,

espectro amplo,

dependente do grau de imunodepressão e

dependente do grau de imunodepressão e

contagem de CD4, aspecto radiológico

contagem de CD4, aspecto radiológico

atípico.

atípico.

Tb extra-pulmonar:

Tb extra-pulmonar:

com patogênese

com patogênese

variando conforme órgão acometido; pleura,

variando conforme órgão acometido; pleura,

linfonodos, ossos, articulações, meninges,

linfonodos, ossos, articulações, meninges,

rins, genitália, pericárdio, intestino...

rins, genitália, pericárdio, intestino...

DIAGNÓSTICO

DIAGNÓSTICO

Baseia-se na suspeita clínica, radiografia de

Baseia-se na suspeita clínica, radiografia de

tórax e estudo bacteriológico;

tórax e estudo bacteriológico;

Suspeita clínica quando apresenta-se com as

Suspeita clínica quando apresenta-se com as

manifestações da doença, quando houve

manifestações da doença, quando houve

contato próximo com bacilífero nos últimos 2

contato próximo com bacilífero nos últimos 2

anos, em casos de desnutrição grave e

anos, em casos de desnutrição grave e

alterações no raio-X e PPD; (escala proposta

alterações no raio-X e PPD; (escala proposta

para triagem de pacientes sintomáticos)...

para triagem de pacientes sintomáticos)...

Sendo :

Sendo :

> 40 pontos- Diagnóstico muito provável;

> 40 pontos- Diagnóstico muito provável;

30 e 35 pontos- Diagnóstico possível;

30 e 35 pontos- Diagnóstico possível;

< 25 pontos- Diagnóstico pouco provável.

< 25 pontos- Diagnóstico pouco provável.

Diagnóstico - Exame

Diagnóstico - Exame

radiológico

radiológico

Para o diagnóstico de tuberculose, o exame radiológico será

Para o diagnóstico de tuberculose, o exame radiológico será

utilizado nos seguintes casos:

utilizado nos seguintes casos:

sintomáticos respiratórios negativos à baciloscopia direta;

sintomáticos respiratórios negativos à baciloscopia direta;

comunicantes de todas as idades sem sintomatologia

comunicantes de todas as idades sem sintomatologia

respiratória;

respiratória;

suspeito de tuberculose extrapulmonar; e

suspeito de tuberculose extrapulmonar; e

portadores do HIV ou pacientes com AIDS.

portadores do HIV ou pacientes com AIDS.

O exame radiológico nesses grupos permite a seleção de

O exame radiológico nesses grupos permite a seleção de

portadores de imagens suspeitas de tuberculose, sendo

portadores de imagens suspeitas de tuberculose, sendo

indispensável submetê-los a exame bacteriológico para se

indispensável submetê-los a exame bacteriológico para se

fazer um correto diagnóstico, já que não é aceitável,

fazer um correto diagnóstico, já que não é aceitável,

exceto em crianças, o diagnóstico de tuberculose

exceto em crianças, o diagnóstico de tuberculose

pulmonar sem investigação do agente causal pela

pulmonar sem investigação do agente causal pela

bacteriologia..

bacteriologia..

Em suspeitos radiológicos de tuberculose pulmonar com

Em suspeitos radiológicos de tuberculose pulmonar com

baciloscopia direta negativa, deve-se afastar a

baciloscopia direta negativa, deve-se afastar a

possibilidade de outras etiologias, recomendando-se,

possibilidade de outras etiologias, recomendando-se,

quando possível, a cultura para bacilo de Koch.

quando possível, a cultura para bacilo de Koch.

TRATAMENTO

TRATAMENTO

A tuberculose é uma doença grave, porém
A tuberculose é uma doença grave, porém
curável em praticamente 100% dos casos
curável em praticamente 100% dos casos
novos, desde que obedecidos os princípios da
novos, desde que obedecidos os princípios da
quimioterapia moderna. A associação
quimioterapia moderna. A associação
medicamentosa adequada e seu uso regular,
medicamentosa adequada e seu uso regular,
por tempo suficiente, são os meios necessários
por tempo suficiente, são os meios necessários
para evitar a resistência e a persistência
para evitar a resistência e a persistência
bacterianas. O tratamento correto dos
bacterianas. O tratamento correto dos
bacilíferos é a atividade prioritária de controle
bacilíferos é a atividade prioritária de controle
da tuberculose, uma vez que permite anular
da tuberculose, uma vez que permite anular
rapidamente as maiores fontes de infecção.
rapidamente as maiores fontes de infecção.

Esquemas de Tratamento

Esquemas de Tratamento

Em todos os esquemas, a medicação deve ser

Em todos os esquemas, a medicação deve ser

administrada diariamente, em uma só ingestão,

administrada diariamente, em uma só ingestão,

de preferência, em jejum. Uma atenção especial

de preferência, em jejum. Uma atenção especial

deve ser dada ao tratamento dos grupos

deve ser dada ao tratamento dos grupos

considerados de alto risco de toxicidade,

considerados de alto risco de toxicidade,

constituídos por pessoas com mais de 60 anos,

constituídos por pessoas com mais de 60 anos,

pessoas em mal estado geral, etilistas, pessoas

pessoas em mal estado geral, etilistas, pessoas

em uso concomitante de drogas anti-convulsivas

em uso concomitante de drogas anti-convulsivas

e pessoas que manifestem alterações hepáticas.

e pessoas que manifestem alterações hepáticas.

Mulheres em uso de contraceptivos orais e

Mulheres em uso de contraceptivos orais e

gestantes também requerem atenção especial.

gestantes também requerem atenção especial.

Esquemas de tratamento

Esquemas de tratamento

Segundo a situação do caso, os esquemas a

Segundo a situação do caso, os esquemas a

serem adotados são:

serem adotados são:

Situação Esquema Indicado

Sem tratamento anterior I

Com tratamento anterior:

  • recidivante do esquema I ou
  • retorno após abandono do esquema I

IR

Meningite tuberculosa II

Falência dos esquemas I ou IR III

Esquema IR**

Esquema IR**

2RHZE/4RHE** - Indicado nos casos de
2RHZE/4RHE** - Indicado nos casos de
retratamento em recidivantes e retorno após
retratamento em recidivantes e retorno após
do esquema I
do esquema I

Observações: a) Os recidivantes de esquemas alternativos por toxicidade ao esquema I

devem ser avaliados para prescrição de esquema individualizado.

b) Havendo alteração visual durante o tratamento, o paciente deverá ser encaminhado

para um serviço de referência, com o objetivo de avaliar o uso do Etambutol.

Peso do Doente

Fases do

Tratamento

Drogas Até 20kg Mais de

20kg até

35kg

Mais de

35kg até

45kg

Maid de

45kg

MG/KG/DIA MG/DIA MG/DIA MG/DIA

R 10 300 450 600

H 10 200 300 400

Z 35 1000 1500 2000

1ª Fase (

meses)

E 25 600 800 1200

R 10 300 450 600

H 10 200 300 400

2ª Fase (

meses)

E 25 600 800 1200

Esquema II

Esquema II

2RHZ/7RH* - Indicado na meningite
2RHZ/7RH* - Indicado na meningite
tuberculosa
tuberculosa

Observações:

a) Nos casos de concomitância de meningite tuberculosa com qualquer outra localização de

tuberculose, usar o esquema II. b) Nos casos de meningite tuberculosa, em qualquer idade,

recomenda-se o uso de corticosteróides por um prazo de 2 a 4 meses, no início do tratamento.

c) Na criança, a prednisona é administrada na dose de 1 a 2 mg/kg de peso corporal, até a dose

máxima de 30 mg/dia. No caso de se utilizar outro corticosteróide aplicar a tabela de equivalência

entre eles. d) A fisioterapia na meningite tuberculosa deverá ser iniciada, com orientação, o

mais precocemente possível.

Peso do Doente

Fases do

Tratamento

Drogas Dose para todas as

idades MG/KG de

peso/dia

Dose Máxima

em MG

R 20 600

H 20 400

1ª Fase (2 meses)

Z 35 2000

R 10 a 20 400

2ª Fase ( 7 meses)

H 10 a 20 600

Efeitos Adversos

Efeitos Adversos

Isoniazida
Isoniazida
: náuseas, vômitos, hepatotoxidade,
: náuseas, vômitos, hepatotoxidade,
neuropatia periférica e reação lupus-símile;
neuropatia periférica e reação lupus-símile;

Rifampicina
Rifampicina
: náuseas, vômitos, hepatotoxidade,
: náuseas, vômitos, hepatotoxidade,
hipersensibilidade, trombocitopenia, síndrome
hipersensibilidade, trombocitopenia, síndrome
gripal, nefrite intersticial aguda;
gripal, nefrite intersticial aguda;

Pirazinamida
Pirazinamida
: náuseas, vômitos, hepatotoxidade,
: náuseas, vômitos, hepatotoxidade,
hiperuricemia, gota;
hiperuricemia, gota;

Estreptomicina
Estreptomicina
: labirintopatia, ototoxicidade e
: labirintopatia, ototoxicidade e
nefrotoxicidade;
nefrotoxicidade;

Etambutol:
Etambutol:
náuseas, vômitos, borramento,
náuseas, vômitos, borramento,
perturbações e até perda visuais.
perturbações e até perda visuais.

Etionamida:
Etionamida:
náuseas, vômitos, diarréia e icterícia.
náuseas, vômitos, diarréia e icterícia.

PROFILAXIA

PROFILAXIA

Prevenção (Vacina BCG)

Prevenção (Vacina BCG)

BCG, sigla decorrente da expressão Bacilo de Calmette-Guérin, é o

BCG, sigla decorrente da expressão Bacilo de Calmette-Guérin, é o

nome da vacina antituberculosa preparada com uma subcepa derivada

nome da vacina antituberculosa preparada com uma subcepa derivada

de uma cepa de Mycobacterium bovis, atenuada por repicagens

de uma cepa de Mycobacterium bovis, atenuada por repicagens

sucessivas. Estudos evidenciam que, em crianças, a aplicação do BCG

sucessivas. Estudos evidenciam que, em crianças, a aplicação do BCG

diminui a incidência de formas graves de tuberculose, como a

diminui a incidência de formas graves de tuberculose, como a

meníngea e a miliar.

meníngea e a miliar.

Dose e administração da vacina

Dose e administração da vacina

A vacina BCG será administrada sem prova tuberculínica prévia, na

A vacina BCG será administrada sem prova tuberculínica prévia, na

dose de 0,1 ml. No Brasil, a vacina BCG é prioritariamente indicada

dose de 0,1 ml. No Brasil, a vacina BCG é prioritariamente indicada

para as crianças da faixa etária de 0 a 4 anos, sendo obrigatória para

para as crianças da faixa etária de 0 a 4 anos, sendo obrigatória para

crianças menores de um ano, como dispõe a Portaria nº 452, de

crianças menores de um ano, como dispõe a Portaria nº 452, de

06/12/76, do Ministério da Saúde.

06/12/76, do Ministério da Saúde.

Recomenda-se vacinar

Recomenda-se vacinar

os recém-nascidos, sempre que possível nas maternidades, desde que

os recém-nascidos, sempre que possível nas maternidades, desde que

tenham peso igual ou superior a 2 kg e sem intercorrências clínicas; tenham peso igual ou superior a 2 kg e sem intercorrências clínicas;

os recém-nascidos e crianças soropositivas para HIV ou filhos de mães

os recém-nascidos e crianças soropositivas para HIV ou filhos de mães

com AIDS, desde que não apresentem os sintomas dessa síndrome. Os

com AIDS, desde que não apresentem os sintomas dessa síndrome. Os

vacinados nessas condições deverão ser acompanhados pela vigilância

vacinados nessas condições deverão ser acompanhados pela vigilância

epidemiológica nas unidades de referência para AIDS e

epidemiológica nas unidades de referência para AIDS e

trabalhadores de saúde não reatores à prova tuberculínica que

trabalhadores de saúde não reatores à prova tuberculínica que

atendem, habitualmente, tuberculose e AIDS.

atendem, habitualmente, tuberculose e AIDS.