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Livro: A Ordem do Progresso - Marcelo de Paiva Abreu Capítulo 4 - Crise, Crescimento e Modernização Autoritária, 1930-1945; Capítulo 5 - Política Econômica Externa e Industrialização, 1946-1951.
Tipologia: Resumos
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Vargas ascende ao poder sob um Governo Provisório logo após a Revolução de 1930, da qual resultou na destituição de Washington Luís e impediu a posse de Júlio Prestes. O início deste período acaba sendo afetado pela Grande Depressão de 1929, onde já era atribuído o crescimento econômico “voltado para dentro”, visto que era imposto um processo de industrialização indo de acordo com o deslocamento da demanda, em contrapartida, temos ainda como predominante o fator externo. Neste momento, onde há um choque externo afetando a economia, há como impacto mais expressivo uma queda na balança de pagamentos, sendo este ocasionado principalmente e também pela interrupção dos fluxos de capitais. A capacidade para importar se torna ociosa, temos importações com preço relativo mais caro, há uma redução severa sobre as reservas internacionais, e os termos de troca e capacidade de importar acabam deteriorados. Em meio às complicações sobre o setor econômico vigentes no período, temos algumas medidas políticas tomadas, principalmente no que tange a balança de pagamentos. É incorporado um regime de distribuição de câmbio, com finalidade de racionar as divisas utilizadas para importação, tal qual estabelece limitações no setor importador e tende a priorizar compras oficiais e serviços da dívida, bens essenciais para o setor interno, e remessas como lucros e dividendos. Há certa proteção sobre o crescimento industrial interno, e com isto temos a necessidade da sustentação do câmbio em conjunto com o controle de importações previamente acertado. Em 1930, o Brasil detinha de inúmeras dívidas com empréstimos internacionais, cerca de 65% correspondia à dívida britânica, 30% à dívida com os estadunidenses, e o restante direcionado à outras moedas. Diante a isto, houve ainda uma desvalorização cambial em decorrência da crise de 1930, causando tal comprometimento com o saldo comercial no que diz respeito a capacidade para importar, resultando em um aumento quanto a prioridade acerca da dívida. Em razão disto, é possível observar uma distinção essencial entre as dívidas sobre os britânicos e americanos, de modo que, enquanto há uma pressão constante dos britânicos no sentido de priorizar o pagamento da dívida, os estadunidenses não detém de tal pressão expressiva, priorizando o fortalecimento de relações comerciais ao buscar uma política conciliatória, diante a isto é possível aferir que, ambos possuem importância considerável com enfoque no investimento direto para o Brasil, sendo respectivamente, o primeiro em relação à setores tradicionais como principalmente as ferrovias, da qual houve um declínio neste investimento, e o outro indo de encontro à setores modernos como o
participação relevante com o passar do tempo, quase tão importante quanto a dos estadunidenses, em virtude de um acordo comercial consolidado na época com os mesmos. Apesar dos benefícios vistos anteriormente provenientes da crise, há em contrapartida a influência negativa sobre câmbio, que segue em baixa não tendo uma melhora nem com a redução da balança de pagamentos sobre o descongelamento de atrasados cambiais. Ao longo de 1935, a taxa de câmbio de exportação teve variações consideráveis, enquanto a de importação se manteve estável até o ano de 1937, e apesar das dificuldades, a economia permaneceu em crescimento. Em 1938 Vargas permanece no poder novamente e inicia-se o Estado Novo, tendo agora como foco mais fortalecido o crescimento industrial interno, ligando-se diretamente a ideia de um estado mais intervencionista e empreendedor, de modo a consequentemente dar origem às primeiras grandes estatais, e diversos órgãos públicos direcionados ao setor produtor. Há uma forte centralização do poder nesse novo período, onde reforça o surgimento das regulações de relações nacionais. A partir deste período, há uma inversão de interesses entre necessidade de investimento e pagamento da dívida, onde conduz à uma mudança na balança comercial, colocando neste momento o projeto de consolidação da industrialização antes do pagamento da dívida. Neste contexto, em 1937 temos um fortalecimento do controle cambial sobre a instituição de um monopólio no Banco do Brasil e de um controle mais rígido sobre as importações de acordo com as essencialidades, em conjunto com o cenário de um estrangulamento externo relativo. Neste âmbito, é realizada uma reorientação referente à política do café, deixando parte das políticas protecionistas deste setor de lado, o que acaba provocando uma elevada oferta deste produto no mercado internacional, uma queda no valor do café e tal cuja acarretou em um aumento interno referente às exportações em aproximadamente 40%, havendo certa compensação de uma em detrimento da outra. A eclosão da 2º Guerra Mundial, acabou motivando uma mudança sobre os pesos da balança, no que condiz ao direcionar-se para os aliados estadunidenses e indo contrário à Alemanha, junto a isto, há a Missão Aranha que tem como objetivo aproximar Vargas dos EUA, tal evento teve como impacto de maior relevância, as exportações em declínio sob o enfoque da perda dos mercados europeus, que resultaram em dificuldades relativas à obtenção de importações, as quais acarretam em efeitos contraditórios quanto ao desempenho econômico, enquanto por outro lado, temos um crescimento industrial limitado em detrimento da dificuldade pela obtenção de insumos, bens intermediários e bens de capital necessários.
Em 1941 temos uma melhora no saldo comercial, é um ponto de inflexão onde passa a ter um crescimento econômico maior em razão do desabastecimento do qual gera um surto nas substituições de importação, havendo assim um crescimento ligado às exportações. Ocorre no momento em que são estabelecidos acordos de suprimentos com os Estados Unidos para que seja possível a manutenção do setor interno, e ainda dentro deste contexto é possível identificar que nesta época houve uma demanda externa sobre bens e serviços, dando a possibilidade para o Brasil situar-se incorporado nesta finalidade de exportação, tornando este acontecimento benéfico no sentido de proporcionar um reforço sobre a balança comercial, tais eventualidades são excepcionalmente para período referente à 2ª Guerra Mundial, de modo a retornarem às atividades normais, logo após este intervalo. A expansão do PIB ainda é reforçada pela ideia de Estado empreendedor, uma política econômica expansionista, temos neste período um aumento da dependência do Brasil com os Estados Unidos. Os investimentos britânicos e americanos aumentam tanto que desta forma é construída uma siderúrgica. Ao fim da guerra, a generosidade americana é encerrada, pois a preocupação situava-se no que tange a reconstrução dos mercados. E, após as tentativas falhas de Vargas ao redefinir as bases políticas no regime de 1944-1945, segue sua consequente deposição, com os quais podem ser considerados uma espécie de reorientação da política norte-americana relativa ao Brasil. Diante a isto, temos as eleições em 1945, onde é passado o poder para Eurico Gaspar Dutra.
O Governo Dutra além de ser notado pelas reflexões do pós guerra, possui dois marcos relevantes a serem mencionados, o primeiro no que diz sobre a preocupação sobre a industrialização e o segundo sobre a passagem de uma política interna contracionista para uma política mais flexível. Com a reconstrução mundial no pós guerra, temos expectativas positivas em relação ao fluxo de comércio, melhora no preço do café, aumento das exportações e também os canais de fornecimento de tecnologia. Também temos a ideia de que o Brasil seria credor dos Estados Unidos, por ter se aliado e cooperado durante a guerra, isso ajudaria a conseguir financiamentos, ou acordos comerciais. O governo acaba tomando a decisão de manter o câmbio fixo artificialmente, aumenta a inflação, e ocorre uma sobrevalorização do câmbio, permitindo o abastecimento do mercado de insumos e tecnologias, entretanto prejudicando a nossa economia no âmbito externo.
Referência Bibliográfica:
Abreu, Marcelo de Paiva. A ordem do progresso: dois séculos de política econômica no Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014