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Varicela e gravidez
Tipologia: Notas de estudo
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A varicela é uma doença comum da infância considerada habitualmente benigna. Adquirida na idade adulta pode acompanhar-se de complicações que serão ainda mais graves se for uma mulher grávida. A pneumonia da varicela é a complicação mais frequente e pode ser letal.
A taxa de mulheres em idade fértil não imunes para a varicela é pequena. No 2º Inquérito Serológico Nacional a taxa de indivíduos com anticorpos para o vírus da varicela Zoster (VVZ) variou entre 94% e 98% nos grupos etários dos 15 aos 44 anos.
Indicações absolutas:
Indicações relativas:
Medidas de suporte:
A grávida deve ser internada em estabelecimento hospitalar com quarto de pressão negativa e, embora o aciclovir não esteja aprovado para utilização na gravidez por questões de segurança para o feto, a sua utilização é mandatória na presença de complicações – aciclovir e.v. na dose de 10 a 15 mg/Kg, de 8/8 horas, durante 7 dias. Por se tratar de um fármaco do grupo C, este deverá ser evitado durante a primeira metade da gravidez, especialmente antes das 12 semanas de gestação.
O vírus da varicela atravessa a barreira placentar, dissemina-se no feto por via hematogénica e, tal como no adulto, após a virémia inicial, permanece latente nos gânglios periféricos. Quando a infecção ocorre até às 20 semanas o risco de varicela congénita é baixo (<2,4%) mas, se o feto for infectado, as consequências são graves. Há que vigiar sinais de síndroma da varicela congénita: ACIU (quase uma constante), lesões cutâneas cicatriciais (sendo característica a distribuição por dermatomas), anomalias esqueléticas (hipoplasia dos membros, clavícula, costelas, omoplata, dedos; diminuição da motilidade), do SNC (microcefalia, atrofia cortical, calcificações cerebrais, ventriculomegália), oftalmológicas (cataratas, microftalmia, coriorretinite, atrofia óptica, estrabismo), alterações gastrointestinais e genitourinárias.
A ocorrência de herpes zoster durante a gravidez não tem repercussões sobre o feto.
Descrevemos atrás os riscos de síndroma da varicela congénita e as alterações mais comuns que podem ser encontradas no feto.
A varicela pode ainda ser contraída no período perinatal de dois modos: ou por via transplacentar
Risco de varicela congénita no recém-nascido
A probabilidade de um RN de mãe com varicela periparto adquirir a doença é menor do que o de um RN com contacto domiciliário. O tempo de incubação é também menor podendo variar entre 9 e 15 dias após o início do exantema materno. A mortalidade é contudo muito mais elevada do que a varicela adquirida após o nascimento e correlaciona-se directamente com o tempo que medeia entre o início do exantema materno e o nascimento. O envolvimento hepático e a pneumonia primária são as complicações mais temíveis tendo, esta última, mortalidade muito elevada.
Após o início da erupção cutânea da grávida, deve evitar-se que o parto ocorra nos 5 a 8 dias seguintes para dar ao feto tempo de adquirir algum grau de imunidade proveniente dos anticorpos maternos.
Procedimentos e Terapêutica
Doses Imunoglobulina humana Intramuscular - Varicellon P ® – 0,2mL/kg
Aciclovir Perfusão endovenosa de 1h – 30mg/kg/dia, 3 tomas diárias de 8/8h
Medidas de isolamento
Deve ser prescrita imunoglobulina a todos os RN que tenham tido contacto com varicela desde que preencham as seguintes condições: