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verdades-e-perigos-da-energia nuclear
Tipologia: Notas de estudo
1 / 9
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coordenadora
editora
editora de arterevisão técnica
revisão
projeto grá
fi co e ilustração
Rebeca LererGabriela MichelottiCaroline DonattiRicardo Baitelo e Marcelo FurtadoGuilherme LeonardiGabriela Juns
tiragem:
10.000 exemplares
impressão:
Visão Grá
fica e Editora
setembro/
Sabe-se que o Brasil tem a sexta maior reserva de urânio domundo, de 309 mil toneladas de U3O8, minério de urânio.Mas, até hoje, só foram investigados 25% do território nacio-nal; acredita-se que os 75% restantes possam abrigar reservasque colocariam o Brasil como o segundo maior produtor domundo. O que não se comenta é que essas reservas subter-râneas são
finitas e, por estarem em locais de difícil extração,
como a Amazônia, demandam um grande custo e uma grandequantidade de energia para serem extraídas.
O combustível da energia nuclear Os materiais mais radioativos ocorrem em pro- porções muito pequenas na natureza. Por exemplo,para cada mil átomos de urânio, 7 são de urânio-235,muito radioativo, e 993 de urânio-238, levementeradioativo. Para ser usado como combustível deusinas nucleares ou na fabricação de bombas atô-micas, é necessário aumentar a proporção de urâ-nio-235 arti
ficialmente. Esse processo industrial é
conhecido como enriquecimento de urânio, quetorna o material muito mais perigoso.
Além disso, quando o urânio é usado como com- bustível, seu processamento resulta em vários sub-produtos radioativos, como o rutênio, o césio e o plutônio.
O plutônio não ocorre espontaneamente na na- tureza e é uma das substâncias mais radiotóxicasconhecidas: um único micrograma, menor que umapartícula de poeira, pode causar câncer se inaladoou ingerido. Uma esfera de plutônio menor que umabola de tênis pode produzir uma bomba nuclearcom capacidade de matar milhões de pessoas.
Toda usina nuclear tem um reator, o equipamento onde se processa a reação de fissão nuclear, liberando calor que será usado para gerar energia elétrica. Uma usinacomo Angra é, portanto, uma Central Termelétrica Nuclear.
O núcleo do reator, onde
fica o combustível nuclear (urânio),
fica dentro do Vaso
de Pressão, que contém a água de refrigeração do núcleo, num circuito conhecidocomo Circuito Primário. Essa água, que é radioativa, impede que o elemento com-bustível esquente demais e se funda.
A água do Circuito Primário é usada para aquecer uma outra corrente de água, que vai passar por um Gerador de Vapor. Este segundo sistema é conhecido comoCircuito Secundário. O vapor gerado é comprimido e passa por uma turbina gerado-ra de eletricidade, acionando-a e produzindo energia elétrica. Em seguida, a água docircuito secundário é condensada novamente e bombeada de volta para o Geradorde Vapor, constituindo um outro sistema de refrigeração, independente do primeiro.
No núcleo do reator, os elementos resultantes da
fissão nuclear são radioativos,
assim como a água do circuito primário, o ar e os materiais utilizados. Por isso todaa estrutura do reator é protegida por uma estrutura de aço, que tem a função deimpedir que materiais radioativos escapem para o meio ambiente.
tanque deágua
reator
contenção
circuitoprimário
geradorde vapor
turbina circuitosecundário
geradorelétrico
água
Chernobyl: o pior acidente da história^ O pior acidente nuclear da história foi o da usina de
Chernobyl
, na ex-URSS (hoje Ucrânia), em 1986.
O reator 4 explodiu e a nuvem radioativa que se formou pela explosão se espalhou em poucos dias paraa Polônia e Escandinávia, disparando até o alarme da usina nuclear Forsmark, na Suécia. De uma horapara outra, centenas de milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas. Até hoje, regiõesinteiras estão proibidas de produzir comida e a maioria das pessoas que vivem em áreas afetadas estádoente. De acordo com estatísticas o
ficiais do governo da Ucrânia, 15 mil jovens que foram forçados a
trabalhar na limpeza das áreas contaminadas tinham morrido até 2002. A totalidade das conseqüênciassobre ecossistemas, saúde humana e a sociedade nunca será conhecida. Foram documentados emvários países problemas de saúde como câncer de tireóide, leucemia, outros tipos de câncer, problemasrespiratórios, digestivos, reprodutivos, neurológicos, psicológicos, vasculares, endócrinos, doenças infec-ciosas e anormalidades genéticas. Apenas por câncer, o número de mortes pode chegar a 93 mil. Ao todo,estima-se que o acidente tenha afetado entre 5 e 8 milhões de pessoas.
2
The Chernobyl catastrophe - consequences on human health. Greenpeace 2006. The human consequences of the 2 Chernobyl nuclear accident. PNUD e Unicef, com apoio da OMS e ONU, 2002.
Fotos: ©Greenpeace/Robert Knoth
Crianças afetadas pela radia-ção do acidente de Chernobyl
6
A proliferação de armas nucleares Os
primeiros
reatores
nucleares
foram
construídos com a
fi nalidade especí
fica de
produzir plutônio para as bombas americanas.Só depois foram adaptados para gerareletricidade.
As armas nucleares podem ser construí- das a partir do urânio (o combustível das usi-nas nucleares) ou do plutônio (presente nolixo nuclear). Vários países que hoje possuembombas atômicas desenvolveram-nas em pa-ralelo a programas nucleares ‘para
fins pací
fi-
cos’, como os da Índia e do Paquistão.
7
7 Leonard, S. et alii.
Traking nuclear proliferation: a
guide in maps and charts
, 1995.
o
acidente
foi
descoberto,
as
autori-
dades mandaram policiais e bombeiros sem ne-nhuma proteção para isolar a área, que tambémse contaminaram. As vítimas tiveram suas casase todos os seus pertences destruídos e levadospara um aterro. Os trabalhadores que
fi zeram a
O acidente do césio-137 Até hoje, o acidente de Goiânia em 1987 é considerado o pior acidente radiológico em áreaurbana da história. Dois catadores encontraramuma fonte de césio-137, utilizada para radiote-rapia, na área de uma clínica abandonada, ealguns dias depois venderam a peça para umferro-velho. Ao desmontar a peça, o proprietário
do ferro-velho, Devair Ferreira, se encantou como que encontrou no seu interior: um pozinho azulque brilhava no escuro - o césio-137, e levou-opara casa.
O material virou atração para a família e os amigos. Muitos deles ganharam de presente umpouco do pó, e assim, tragicamente, o césio-
demolição e o transporte do material também secontaminaram.
As 19 gramas de césio-137 contidas naquela fonte
fizeram mais de 60 vítimas e contaminaram milhares de pessoas que nunca
ficará conhecido.
Calcula-se que mais de 20 toneladas de lixo ra-dioativo foram gerados com a tragédia.
O Programa Nuclear Brasileiro A história da energia nuclear no Brasil começa por volta de 1945, com objetivos civise militares. Na década de 50, foram montadosos primeiros reatores de pesquisa. Durante aditadura militar, foi dado um novo impulso para odesenvolvimento nuclear do país, com a cons-trução da primeira central nuclear brasileira,Angra 1, e com a assinatura do acordo nuclearBrasil-Alemanha, que previa a construção deoito reatores. Desses, apenas o de Angra 2 foiconcluído, operando até hoje com uma licençaprovisória.
Em 1979, teve início o Programa Nucle- ar^
Militar
Paralelo,
que
foi
responsável
pela perfuração de um poço de 320 m naSerra do Cachimbo (PA). O poço, fechadoem 1991, apresentava todas as caracterís-ticas de um local de testes com bombasatômicas. Atualmente, a Marinha contacom uma verba de mais de R$ 1 bilhão paraconstruir um submarino nuclear.
8
8 O Estado de S. Paulo
, 11/07/2007. http://www.estado.
com.br/editorias/2007/07/11/eco-1.93.4.20070711.48.1.xml?
Fiscalização e Segurança Nuclear - Relatório do Grupo de Trabalho - Câmara dos Deputados - Comissão de Meio Ambiente e Desen- 6 volvimento Sustentável - Brasília, 2007. Relatório do Grupo de Trabalho de Fiscalização e Segurança Nuclear da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da 5 Câmara dos Deputados.
© Luiz Novaes/Folha Imagem
Sem equipamentos de segurança adequados, técnicosretiram material radioativo da área contaminada.
Fonte
Associação das Vítimas do Césio
ficiência energética.
ficam mais lixo radioati-
vo. O país ainda não tem depósitos de
finitivos para
os rejeitos de Angra 1 e 2 e a situação se agravarácom a construção de uma terceira usina. 3. Energia nuclear é perigosa. Three Mile Island, Chernobyl e o caso do césioem Goiânia são apenas alguns dos inúmeros aci-dentes que marcam a história da energia nuclearno mundo. 4. Energia nuclear facilita o desenvolvimentode armas nucleares. Todos os países que têm o domínio do ciclo deurânio podem desenvolver uma bomba atômica.Índia e Paquistão são alguns dos países que obti-veram a bomba a partir de um programa nuclearpara
fins pací
ficos.
9
10 motivos para dizer NÃO à energia nuclear
ficiência energética.
©Greenpeace/Félix Reiners
nuclear X mudanças climáticas De uns tempos para cá, a indústria nuclear vem usando uma estratégia de marketing, ou maquiagem verde, para convencer a sociedade e os toma-dores de decisão de que a energia nuclear é limpa porque não emite gases deefeito estufa e, assim, não contribui para o problema do aquecimento global.Em primeiro lugar, não é verdade que a energia nuclear não gera gases. Paraconstruir a usina, para extrair e enriquecer o urânio utilizado como combustívelnuclear, para armazenar os rejeitos nucleares e desativar a usina ao
final de sua
vida útil, é necessária uma grande quantidade de energia. Este processo todosigni
fica a emissão de muitos gases, inclusive CO2. Assim, ao se considerar todo o ciclo produtivo da indústria nuclear, temos uma energia que emite muitomais gases de efeito estufa do que outras energias renováveis.
Além disso, um estudo do Massachusetts Institute of Technology mostrou que, para resolver o problema das mudanças climáticas, seria necessário cons-truir pelo menos mil novos reatores no curto prazo, o que é impossível – tantoeconômica quanto
fisicamente.
Por
fim, o argumento de energia limpa não se sustenta porque a energia
nuclear utiliza um combustível de disponibilidade
finita e gera toneladas de lixo
radioativo – uma poluição perigosa que, assim como o aquecimento global,será herdada pelas próximas gerações e permanecerá perigosa por centenasde milhares de anos.
Assim, a verdadeira solução para o aquecimento global e para a se- gurança energética do Brasil e do planeta são as energias renováveis e ouso inteligente da energia – desperdiçando menos e aproveitando mais!
cesso todo
CO2. Assim, ao se considerar s uma ener
cesso todo^ considerar
CO2. Assim, a s uma ener
Eletrobrás - sobre o Procel. 9 http://www.eletrobras.gov.br/elb/portal/data/Pages/LUMIS0389BBA8PTBRNN.htm