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Artigo Academico de Psicologia-Psicanalise
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Bárbara Caetana Neto
Débora Fontes Serradourada
Mayra Coutinho
Patrício Cordeiro da Silva
Priscila Nayara Resende^1
Resumo: Neste trabalho busca-se, de forma sucinta, apresentar a importância do ensino da Psicanálise na universidade. Através das ponderações de Freud, pretende-se estabelecer indicativos da contribuição do ensino psicanalítico no âmbito acadêmico de formação dos psicólogos, no que concerne ao aspecto teórico e postura ética.
Palavras-Chave : Psicanálise; ensino; psicólogo; ética; sujeito.
Um dos principais desafios para os psicanalistas, no que diz respeito à relação da Psicanálise com a Academia, está no fato de que a transmissão sistemática dos conceitos psicanalíticos na universidade, por si só, não teria o poder de produzir os efeitos propostos por Freud, que é a busca de uma abordagem levando em conta sujeito e a construção da subjetividade.
(^1) Bacharelandos do 2º período de Psicologia do Curso de Psicologia do Centro Universitário
Newton Paiva. Belo Horizonte- Minas Gerais.
O debate do ensino da Psicanálise nas universidades, no entanto, iniciou-se com o próprio Sigmund Freud, em aproximadamente 1918-1919, ao lançar a pergunta “Deve-se ensinar a Psicanálise na universidade?”.
A partir dessa indagação, Freud já apresentava sua preocupação com o fato de que algumas universidades já se utilizavam de elementos da Psicologia para explicações equivocadas de fenômenos psíquicos e de sua forma de tratamento, que classificava qualquer manifestação fora de um certo “padrão”, como patologia passível de tratamento médico.
Em seu texto, Freud afirma que “a universidade só teria a ganhar com a inclusão, em seu currículo, do ensino da Psicanálise” (FREUD, 1976, p.126).
É fato incontestável que a interação entre a Psicanálise e outras disciplinas acadêmicas produz ganhos tanto para a Psicanálise, quanto para a área de interação.
Exemplos disso tem-se na ampliação da formulação teórica sobre a constituição do sujeito, teoria sobre o aparelho psíquico, sobre a relação edípica, e os efeitos na fase adulta, que ressurgem resignificados de modo inconsciente, bem como a teoria sobre a formação de sintoma.
Os conceitos de inconsciente, interpretação de sonhos, complexo de Édipo, pulsão, recalque, transferência, dentre outros, forneceram ferramentas para que os psicólogos pudessem atuar na observação dos fenômenos psíquicos sob uma nova perspectiva, independente do campo de atuação.
O ensino desses conceitos psicanalíticos na universidade favorece ao próprio psicólogo em formação, tomar contato com elementos da sua própria subjetividade, ainda que para uma melhor prática seja necessário um aprofundamento desse conhecimento através das Escolas de Psicanálise e, não menos importante, da sua própria submissão à análise.
O objetivo deste artigo então é apresentar uma contribuição à discussão que se estabelece quando tratamos do ensino na Psicanálise na universidade, e de que forma esse saber acrescenta benefícios a formação dos psicólogos.
Seria então, através do ensino da Psicanálise, na medida em que propõe reflexões acerca da subjetividade, das manifestações individuais do material recalcado ou das manifestações do inconsciente, que visaria uma possível formação ética e humanizada a ser utilizada na compreensão dos fenômenos
analista. Nesse ponto, um aspecto fundamental trazido pela Psicanálise é o da escuta do inconsciente.
A despeito do objetivo do ensino da Psicanálise, dentre eles está o de promover uma análise critica dos acadêmicos acerca de sua postura em relação a si mesmo e ao mundo. Em “Novas Conferências Introdutórias à Psicanálise”, Freud (1933) alertou para o fato de que, apoiar-se na Psicanálise para transpor barreiras éticas sob justificativas revolucionárias, seria desviar-se da sua finalidade.
A educação psicanalítica toma a si uma responsabilidade que não lhe foi requerida, se propõe transformar seus alunos em revolucionários. Ela terá feito a sua parte se os deixar o mais sadios e capazes possível. Nela já existem fatores suficientemente revolucionários para assegurar que o individuo por ela educado não se porá ao lado da reação e da repressão na sua vida futura. (FREUD, 1930-1936, p.
Lacan (1966/1998) define como o único ensino capaz de formar um analista aquele que transmite um estilo, baseando-se no tripé que Freud menciona no texto: Sobre o ensino da Psicanálise nas universidades (1919/1976a): analise pessoal, supervisão e estudo teórico. Sendo mais do que o simples ensino, já que a transmissão do estilo enreda-se na relação transferencial entre o saber tanto da Psicanálise como do analista e o desejo do sujeito.
Segundo Almeida (2006), a transmissão de um estilo dá-se através da transmissão da experiência do analista e o efeito real que a mesma terá sobre o sujeito. Baseando-se em uma posição ética, de uma maneira em que o sujeito deseje conquistar seu conhecimento, vindo por espontânea vontade ocupar seu lugar nessa experiência. “Assim se “completaria” a transmissão da Psicanálise na formação de um analista, segundo nos lembra Freud, em Totem e tabu (1913/1974a), ao recorrer às palavras de Goethe: “Aquilo que herdaste de teus pais, conquista-o para fazê-lo teu” (p. 188).” (Almeida, 2006, p. 4).
Diante desse processo é possível observar que o sujeito irá inserir suas experiências existenciais e desejos ao processo, algo que lhe permite inovar durante a transmissão de estilo. Ao pensar nessa originalidade do estilo pode- se compreender que estilo remete-se ao inconsciente que se apresenta no
discurso do Outro, construindo assim algo próprio e singular, mas que advém de algo que lhe foi transmitido pelo Outro.
Almeida (2006, p. 5) apresenta uma definição ao tema discutido, citando Birman:
Ao conceber a formação do analista pela via da transmissão de um estilo, Lacan aponta a eficácia desse dispositivo que, pela sua peculiaridade, permite a recriação da Psicanálise e sua transmissão , por herança e sucessão, colocando em ato o desejo do analista e do analisando, ambos implicados na experiência da transferência. Consequentemente, o que está em jogo na transmissão da Psicanálise não é apenas o ensino de um saber teórico, que poderia se desdobrar em suas dimensões clínicas, metodológicas e técnicas, mas a possibilidade de continuar a transmitir a experiência do inconsciente inaugurada pelo saber psicanalítico (Birman, 2003).
A transmissão da Psicanálise no campo das instituições nos fará deparar com impasses de ordem ética, teórica e política. Assim sendo, levando em conta os limites e obstáculos da transmissão da Psicanálise na universidade, vale ressaltar, no entanto, a importância do ensino, que em muito pode contribuir para a formação do psicólogo. Isto se dá, tendo em vista, a concepção de sujeito, a noção de incompletude, com a constatação de que não há saber nem linguagem que diz tudo, alem da conceituação básica, no que se refere ao inconsciente, recalque, pulsão e sexualidade infantil.
A Psicanálise, portanto, apresenta sua contribuição na formação do psicólogo, considerando que sua teoria e ética assinalam a importância da posição do sujeito enquanto desejante e suas determinações inconscientes.
Ao se inserir na universidade, a Psicanálise, busca auxiliar outras ciências a estudar, discutir e refletir sobre a construção da subjetividade e sobre a dinâmica dos conflitos. Elucida sobre seus pilares e a relevância de atrelar este conhecimento à vida.
Desta forma, a Psicanálise é de fundamental importância na formação do psicólogo, um profissional que trabalha com o sofrimento psíquico usando o dispositivo da escuta, indagando os motivos inconscientes do sujeito.