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Asignatura: Literatura Portuguesa I (das origens à Renascença), Profesor: Maria Isabel Moran Cabanas, Carrera: Lengua y Literatura Gallega, Universidad: USC
Tipo: Apuntes
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1.1.. Contexto histórico
Desde 1580 e até 1640 Portugal perde a sua independência e a corte desloca-se para Madrid ou Valladolid. É o período conhecido como Monarquia Filipina.
1.2.. Antecedentes literários
Há dois conjuntos de textos que podemos considerar obras de transição da Idade Média para a Renascença :
1.. Etiquetas ligadas à Renascença
A Renascença supõe a assimilação das formas artísticas greco – latinas e do espírito que leva a utiliza-las, mas não a sua ressurreição porque já se tinham usado na Idade Média. Deste modo, a etiqueta de Renascença ou Renascimento aparece ligada a:
Humanismo : que implica o estudo da cultura greco – latina e, a partir dela, a exaltação do Homem como cidadão do mundo e protagonista de feitos gloriosos, quer dizer, o antropocentrismo que se opõe ao teocentrismo medieval.
Classicismo : etiqueta que se refere a uma estética que estabelece um sistema rigoroso de regras específicas para os diferentes géneros literários: 2).)a Épica. 2).)b Lírica , com subgéneros como:
2.. Formas
A forma mais usada é o soneto de versos decassílabos , mas a medida nova não impede a continuação da medida velha (redondilha) embora esta seja usada para temas considerados menos importantes (lúdicos, folclóricos). Mas há uma excepção : “Sôbolos rios que vão” de Camões , composição em que se trata um tema sério em redondilhas.
António Ferreira repudiara a medida velha e mesmo criticara os poetas coetâneos que a usam.
3.. O Renascimento português
1.3.. Fase dos navegadores
(^1) Obra publicada de jeito póstumo. O título também é colocado postumamente pela admiração que tem à pátria portuguesa.
1.4.. Vida
Há diversas hipóteses sobre a biografia de Bernardim Ribeiro, mas há muito poucos documentos que as justifiquem:
Origem : 1).)a Alguns teóricos defendem que é de Torrão (Alentejo), já que numa das suas éclogas aparece um pastor que diz ser desse lugar e interpreta-se esta personagem como um alter ego do autor. 1).)b Outros autores crêem que tem de ser dalgum lugar o norte de Portugal pela não distinção entre / F 06 2 / e / F 07 6 /.
Formação : por Menina e moça sabemos que domina o estilo palaciano e que é quem de usar vocabulário jurídico.
Profissão : há um alvará do rei D. João III em que se nomeia a um Bernardim Ribeiro como escrivão / notário, mas não há certeza de que seja o mesmo autor de Menina e moça.
Confissão : é muito aceitada a tese de que é de origem judia, por razões como: 4).)a Menina e moça edita-se pela primeira vez em Itália, na tipografia do judeu judeu Abrão Usque. Da sua tipografia sairam obras de tema religioso ou textos sagrados para os judeus, em hebreu ou latim. Em português só editou:
4).)b Uma das leituras que admite Menina e moça é uma leitura religiosa ligada ao povo judeu.
6.. Obra
6...1... Composições do Cancioneiro Geral
(^2) O anagrama é um recurso muito utilizado na Renascença.
Há cinco composições do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende da autoria dum Bernardim Ribeiro , mas não sabemos se é o mesmo autor de Menina e moça , embora incluam elementos ligados ao judaísmo : )a Importância da cor amarela , que eram obrigados a usar os judeus em Portugal para serem discriminados. )b Parodia ou fingimento de praticar os ritos católicos. )c Aparece o tema da partida.
Deste modo, podemos falar duma certa intertextualidade entre Menina e moça e estas composições.
1.5.. Éclogas
Berndardim Ribeiro é autor dum conjunto importante de éclogas.
1.6.. Menina e moça
)d Edições :
Em 1554 é editada na cidade italiana de Ferrara , na tipografia do judeu Abrão Usque^3 sob o título de História de Menina e Moça por Bernardim Ribeiro agora de novo estampada e por suma diligência emendada. A locução de novo tem sido interpretada à moderna, de modo que implica a existência de edições anterior, mas no século XVI também podia significar pela primeira vez e tudo parece indicar que esta é a primeira edição da obra.
Posteriormente reedita-se em Évora e adiciona-se uma quinta parte : O romance de cavalarias.
Manuscritos : 1).)a (^) Manuscrito A , data-lo pelo professor Asensio em 1543 , já que na ultima folha se faz referência à morte de Rui de Sá Pereira e do Bispo de Coimbra, que foi nesse ano. 1).)b Manuscrito M , encontrado em Madrid. Data da segunda metade do século XVI e é mais breve que o anterior.
Edições : 2).)a Edição de Ferrara ( 1554 ), a cargo de Abrão Usque. Contém também 5 éclogas, poesias menores e uma carta a Cristóvão Falcão. 2).)b Edição de Évora ( 1557/1558 ), a cargo de André de Burgos. Contém 5 éclogas e o romance Ao longo da Ribeira. 2).)c Edição de Colónia ( 1559 ), uma repetição da de Ferrara publicada por Arnold Birkman , conhecido pelos seus interesses comerciais em Antuérpia , um dos lugares aos que iam os judeus exilados da Espanha e Portugal.
Há certas variantes na língua e no texto das diferentes edições, mas geralmente segue-se a edição de Ferrara.
Comentário dalguns trechos Trecho 1 (linhas 1 – 36) (^) • Intertextualidade com:
Comentário dalguns trechos Trecho 1 (linhas 1398 –
remodelados de forma que parecessem um conjunto, mas no que intervieram diferentes autores.
Comentário dalguns trechos Trecho 1 (linhas 3792 –
)h Menina e moça e Crisfal
)i O Judaísmo / criptojudaismo em Menina e moça
A partir de certas reflexões de Helder Macedo vem-se interpretando Menina e moça como uma novela mística / religiosa em chave judaica:
Não podemos esquecer que a situação dos judeus em Portugal é muito difícil nesta altura:
Em 1497 , durante o reinado de D. Manuel I, são forçados a se converterem já que após a expulsão dos judeus de Castela (1492) muitos refugiaram-se em Portugal. O facto de serem forçados a se converterem deve-se, em parte, à pressão de Castela.
(^) Em 1506 produz-se o Massacre de Lisboa ou Matança da Páscoa :