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Asignatura: Literatura Portuguesa I (das origens à Renascença), Profesor: Maria Isabel Moran Cabanas, Carrera: Lengua y Literatura Gallega, Universidad: USC
Tipo: Apuntes
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Significado Significante
MOTE
Descalça vai pera a fonte Lianor, pela verdura; vai fermosa e não segura.
VOLTA
Leva na cabeça o pote, o testo nas mãos de prata, cinta de fina escarlata, sainho de chamalote; traz a vasquinha de cote, mais branca que a neve pura; vai fermosa e não segura.
Descobre a touca a garganta, cabelos d' ouro o trançado, fita de cor d' encarnado... Tão linda que o mundo espanta! Chove nela graça tanta que dá graça à fermosura; vai fermosa, e não segura.
puellae. É uma descrição plástica (alusão a cores, tecidos, penteados, ornamentação, pela mais branca que a neve pura...)
trilogia em que Camões comentaria os três estados da paixão. Este primeiro estado seria o da liberdade , mas com o risco de ficar nas garras da paixão ( vai fermosa e não segura ).
(fonte).
MOTE SEU
Descalça vai pola neve... Assi faz quem Amor serve.
VOLTAS
Os privilégios que os reis não podem dar, pode Amor, que faz qualquer amador livre das humanas leis. Mortes e guerras cruéis, ferro, frio, fogo e neve, tudo sofre quem o serve.
Moça fermosa despreza todo o frio e toda a dor. Olhai quanto pode Amor mais que a própria natureza: medo nem delicadeza lhe impede que passe a neve. Assi faz quem Amor serve.
Por mais trabalhos que leve, a tudo se of'receria; passa pela neve fria mais alva que a própria neve; com todo o frio se atreve... Vede em que fogo ferve o triste que o Amor serve.
em que se desenvolve a segunda fase da paixão amorosa: vivência do enamoramento e o cativeiro que supõe. Canta-se ao serviço amoroso, mais poderoso do que qualquer lei humana (compara-se com o serviço ao rei ou à guerra).
e fogo ( amor ).
CANTIGAS ALHEIAS
Na fonte está Lianor lavando a talha e chorando, às amigas perguntando: «Vistes lá o meu amor?»
VOLTAS DO CAMÕES
Posto o pensamento nele, porque a tudo o Amor a obriga, cantava; mas a cantiga eram suspiros por ele. Nisto estava Lianor o seu desejo enganando, às amigas perguntando: Vistes lá o meu amor?
O rosto sobre üa mão, os olhos no chão pregados, que, do chorar já cansados, algum descanso lhe dão. Desta sorte Lianor suspende de quando em quando sua dor; e, em si tornando, mais pesada sente a dor.
Não deita dos olhos água, que não quer que a dor se abrande Amor; porque, em mágoa grande, seca as lágrimas a mágoa.
perguntando: “vistes lá o meu amor?” ).
extremos de dor! ) e referência ao choro como um alívio.
Que despois de seu amor soube novas perguntando, d' emproviso a vi chorando. Olhai que extremos de dor!
em redondilhas, como nas composições em medida nova.
modo bastante fiel. Neste Salmo narra-se o exílio dos israelitas que têm de abandonar Sião e fugir a Babilónia.
Sião (Hierusalém) Babilónia
passado feliz presente triste
origem exílio
bem mal
tema recorrente na obra de Camões e na Renascença em geral.
assinalados de Os Lusíadas ).
imagens violentas (versos 190 e 191: a voz, quando a mover, / se me congele no peito. ) que lembram a do soneto O dia em que eu naci moura a pereça.
O dia em que eu naci moura e pereça, não o queira jamais o tempo dar; não torne mais ao mundo e, se tornar, eclipse nesse passo o sol padeça.
A luz lhe falte, o sol se [lhe] escureça, mostre o mundo sinal de acabar, naçam-lhe monstros, sangue chova o ar, a mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas pasmadas de ignorantes, as lágrimas no rosto, a cor perdida, cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes, que este dia deitou ao mundo a vida mais desgraçada que jamais se viu!
ou conservação passiva das vivências
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse Este meu duro Génio de vinganças!
Composição Comentário Enquanto quis Fortuna que tivesse esperança de algum contentamento, o gosto de um suave pensamento me fez que seus efeitos escrevesse.
Porém, temendo Amor que aviso desse minha escritura a algum juízo isento, escureceu-me o engenho co’o tormento, para que seus enganos não dissesse.
Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos a diversas vontades! Quando lerdes num breve livro casos tão diversos,
verdades puras são e não defeitos; e sabei que, segundo o amor tiverdes, tereis o entendimento de meus versos.
sua obra literária:
literária :
canta verdades puras , não defeitos (erros).
lírica:
é sempre para pior. Assim, contrapõe-se o passado (tempo de esperança) com o presente (tempo de desengano). Eu cantarei de amor tão docemente, Por uns termos em si tão concertados, Que dous mil acidentes namorados Faça sentir ao peito que não sente.
Farei que o amor a todos avivente, Pintando mil segredos delicados, Brandas iras, suspiros magoados, Temerosa ousadia e pena ausente.
Também, Senhora, do desprezo honesto De vossa vista branda e rigorosa, Contentar-me-ei dizendo a menor parte.
Porém, para cantar de vosso gesto A composição alta e milagrosa, Aqui falta saber, engenho e arte.
sente / Farei que o amor a todos avivente.
Brandas iras, suspiros magoados, / temerosa ousadía e pena ausente.
amor cortês e da literatura petrarquista. É uma mulher esquiva e doce ao mesmo tempo ( desprezo honesto [...] vista branda e rigorosa ), intangível, superior ao poeta e de qualidades inefáveis ( contentar-me-ei dizendo a menor parte ), descrita só do ponto de vista psicológico.
mulher: aqui falta saber, engenho e arte. Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
partir da oposição entre a dor e a felicidade que produz.
também uma vontade de unificar as ideias do discurso através da palavra amor (com a que começa e termina o poema).
com a mesma palavra) e cheia de paralelismos (anáfora).
antitética , já que o último terceto é
introduzido com a partícula adversativa mas.
É uma definição baseada no paradoxo, tanto no contido como na forma, já que o amor, apesar dos seus efeitos negativos, é quem de unir corações, pelo que é um conceito paradoxal. Um mover d’olhos, brando e piedoso, sem ver de quê; um riso brando e honesto, quase forçado; um doce e humilde gesto, de qualquer alegria duvidoso;
um despejo quieto e vergonhoso; um repouso gravíssimo e modesto; uma pura bondade, manifesto indício da alma, limpo e gracioso;
um encolhido ousar, uma brandura; um medo sem ter culpa; um ar sereno; um longo e obediente sofrimento:
esta foi a celeste formosura da minha Circe, e o mágico veneno que pôde transformar meu pensamento.
puellae), da que só faz uma descrição psicológica e, no caso de ser física, tem de ser seguindo os cânones da época. É uma mulher intangível, superior ao poeta (celeste formosura) e também contraditória (encolhido ousar, medo sem ter culpa).
Odisseia, uma obra que Camões conhece muito bem.
Pede o desejo, Dama, que vos veja; Não entende o que pede; está enganado. É este amor tão fino e tão delgado, Que, quem o tem, não sabe o que deseja.
Não há coisa, a qual natural seja, Que não queira perpétuo o seu estado; Não quer logo o desejo o desejado, Por que não falte nunca onde sobeja.
Mas este puro afeito em mim se dana; Que, como a grave pedra tem por arte O centro desejar da Natureza,
Assi o pensamento, pela parte Que vai tomar de mim, terrestre, humana, Foi, Senhora, pedir esta baixeza.
justifica o desejo (qualificando-o como uma lei natural, igual do que a lei da gravidade), mas afinal considera-o uma baixeza (influencia da teoria neoplatónica)
Transforma-se o amador na coisa amada, Por virtude do muito imaginar; Não tenho, logo, mais que desejar, Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada, Que mais deseja o corpo de alcançar? Em si somente pode descansar, Pois consigo tal alma está ligada.
Mas esta linda e pura semidéia, Que, como o acidente em seu sujeito, Assim com a alma minha se conforma,
Está no pensamento como idéia; E o vivo e puro amor de que sou feito, Como a matéria simples, busca a forma.
da transformação do amador na coisa amada (neoplatonismo). É um motivo que já estava presente no Cancioneiro Geral , mas que se desenvolve agora na Renascença.
vs. sujeito , matéria vs. forma.
doutros autores renascentistas.
Presença bela, angélica figura, Em quem, quanto o Céu tinha, nos tem dado; Gesto alegre, de rosas semeado, Entre as quais se está rindo a Fermosura;
Olhos, onde tem feito tal mistura Em cristal branco e preto marchetado, Que vemos já no verde delicado Não esperança, mas enveja escura;
Brandura, aviso e graça que, aumentando A natural beleza c'um desprezo Com que, mais desprezada, mais se aumenta;
São as prisões de um coração que, preso, Seu mal ao som dos ferros vai cantando, Como faz a sereia na tormenta.
figura da mulher – anjo.
Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida, descontente, Repousa lá no Céu eternamente E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
que a crítica biografista identificou com uma moça chinesa que teria afogado no mesmo naufrágio em que Camões quase perde os
Oh, como se me alonga, de ano em ano, A peregrinação cansada minha! Como se encurta, e como ao fim caminha Este meu breve e vão discurso humano!
Vai-se gastando a idade e cresce o dano; Perde-se-me um remédio, que inda tinha; Se por experiência se adivinha, Qualquer grande esperança é grande engano.
Corro após este bem que não se alcança; No meio do caminho me falece, Mil vezes caio, e perco a confiança.
Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança, Se os olhos ergo a ver se inda parece, Da vista se me perde e da esperança.
mudança para pior, que leva à perda da confiança.
discurso humano! (discurso = percurso vital e também processo da escrita).
Cá nesta Babilónia, donde mana Matéria a quanto mal o mundo cria; Cá donde o puro Amor não tem valia, Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;
Cá, onde o mal se afina e o bem se dana, E pode mais que a honra a tirania; Cá, onde a errada e cega Monarquia Cuida que um nome vão a desengana;
Cá, neste labirinto, onde a nobreza, Com esforço e saber pedindo vão Às portas da cobiça e da vileza;
Cá neste escuro caos de confusão, Cumprindo o curso estou da natureza. Vê se me esquecerei de ti, Sião!
O dia em que eu naci moura e pereça não o queira jamais o tempo dar; não torne mais ao mundo e, se tornar, eclipse nesse passo o Sol padeça.
A luz lhe falte, o Céo se lhe escureça, mostre o mundo sinais de se acabar, nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar, a mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas, pasmadas de ignorantes, as lágrimas no rosto, a cor perdida, cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes, que este dia deitou ao mundo a vida mais desaventurada que se viu.
Livro de Job. O poeta, a diferença de Job, perde a confiança.
Erros meus, má fortuna, amor ardente Em minha perdição se conjuraram; Os erros e a fortuna sobejaram, Que pera mim bastava amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente A grande dor das cousas que passaram, Que as magoadas iras me ensinaram A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos; Dei causa [a] que a Fortuna castigasse As minhas mal fundadas esperanças.
De amor não vi senão breves enganos. Oh! quem tanto pudesse, que fartasse Este meu duro Génio de vinganças!
Fortuna e os próprios erros.
presente /A grande dor das cousas que passaram, / Que as magoadas iras me ensinaram / A não querer já nunca ser contente.
Dizei, Senhora, da Beleza ideia: Para fazerdes esse áureo crino, Onde fostes buscar esse ouro fino? De que escondida mina ou de que veia?
Dos vossos olhos essa luz febeia, Esse respeito, de um império dino? Se o alcançastes com saber divino, Se com encantamentos de Medeia?
De que escondidas conchas escolhestes As perlas preciosas orientais Que, falando, mostrais no doce riso?
dá uma descrição física , mas baseada nos cânones da época.
Medeia.
Pois vos formastes tal como quisestes, Vigiai-vos de vós, não vos vejais; Fugi das fontes: lembre-vos Narciso. Verdade, Amor, Razão, Merecimento Qualquer alma farão segura e forte; Porém, Fortuna, Caso, Tempo e Sorte Têm do confuso mundo o regimento.
Efeitos mil revolve o pensamento, E não sabe a que causa se reporte; Mas sabe que o que é mais que vida e morte, Que não o alcança o humano entendimento.
Doutos varões darão razões subidas; Mas são experiências mais provadas, E por isso é melhor ter muito visto.
Cousas há i que passam sem ser cridas E cousas cridas há sem ser passadas... Mas o melhor de tudo é crer em Cristo.
e merecimento vs. fortuna, caso, tempo e sorte. São os últimos os que realmente regem o mundo.
é crer em Cristo ), algo muito pouco frequente em Camões, ainda que também podemos encontrar isto em Sobolos rios que vão.
Canção X: “Vinde cá, meu tão certo secretário”
contém um apelo à canção. É dizer, são composições metaliterárias.
primeiros versos, personificado na figura do secretário (quem guarda os secretos). Poderia ser considerada como uma canção – epílogo.