Docsity
Docsity

Prepara tus exámenes
Prepara tus exámenes

Prepara tus exámenes y mejora tus resultados gracias a la gran cantidad de recursos disponibles en Docsity


Consigue puntos base para descargar
Consigue puntos base para descargar

Gana puntos ayudando a otros estudiantes o consíguelos activando un Plan Premium


Orientación Universidad
Orientación Universidad


8. Sá de Miranda, Apuntes de Lengua y Literatura Gallega

Asignatura: Literatura Portuguesa I (das origens à Renascença), Profesor: Maria Isabel Moran Cabanas, Carrera: Lengua y Literatura Gallega, Universidad: USC

Tipo: Apuntes

Antes del 2010

Subido el 31/05/2008

luz_varela
luz_varela 🇪🇸

4.3

(756)

231 documentos

1 / 9

Toggle sidebar

Esta página no es visible en la vista previa

¡No te pierdas las partes importantes!

bg1
1. Vida e formação
Sá de Miranda (1481 – 1558) pode situar-se como um autor de transição
entre a Idade Média e a Renascença:
1) Nasce em Coimbra e forma-se nas línguas e culturas clássicas, também
estudaria Leis em Lisboa, onde participa do ambiente cortesão do momento
(composições do Cancioneiro Geral e cartas ao rei D. João III).
2) Acede à Corte e escreve usando a medida velha num primeiro momento
(Cancioneiro Geral), mas posteriormente seria o introdutor do dolce stil
nuovo em Portugal
Viaja à Itália em 1521 com uma bolsa concedida pela Corte e ali convive
com autores da Renascença italiana, pelo que se familiariza com a estética
da sua literatura.
De volta para Portugal, em 1526, passa pela Espanha, onde conhece a
Garcilaso e Juán Boscán, autores espanhóis muito empenhados em
introduzir a estética clássica na Espanha. Deste modo, de Miranda
decide fazer o mesmo em Portugal.
Já em Coimbra começa a usar os novos cânones no teatro e na poesia.
3) É um autor humanista, o que se opõe ao teocentrismo medieval, classicista e
renascentista.
Ao final da sua vida retirar-se-ia para a sua quinta, cumprindo deste modo
com o ideário renascentista de contacto com a natureza e os livros.
Temos de dizer também que era uma pessoa muito observadora da
realidade, pelo que na sua obra são frequentes os comentários sociais (saudosos ou
moralistas) com espírito crítico.
2. Obra
2.1.. Classicação da obra
1) Lírica:
1).)a Palaciana: composições do Cancioneiro Geral (vilancetes, cantigas)
em redondilhas. São as suas primeiras composições.
1).)b De influência clássica, em as que ensaia o dolce stil nuovo do que é
considerado introdutor em Portugal:
sonetos,
canções,
cartas,
elegias,
éclogas.
2) Teatro clássico:
2).)a Comédias em prosa, que apresentam um forma inovadora (prosa):
Estrangeiros:
Obra de título metaliterário, que a sua estrutura, linguagem,
personagens e molde (prosa) são elementos estrangeiros ao teatro
português.
uma crítica a Gil Vicente por medievalista e excessivamente
popular (critica a rima a martelaços).
Villalpandos.
8. Sá de Miranda
PAGE 6
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9

Vista previa parcial del texto

¡Descarga 8. Sá de Miranda y más Apuntes en PDF de Lengua y Literatura Gallega solo en Docsity!

  1. Vida e formação

Sá de Miranda (1481 – 1558) pode situar-se como um autor de transição entre a Idade Média e a Renascença:

  1. Nasce em Coimbra e forma-se nas línguas e culturas clássicas , também estudaria Leis em Lisboa, onde participa do ambiente cortesão do momento (composições do Cancioneiro Geral e cartas ao rei D. João III).
  2. Acede à Corte e escreve usando a medida velha num primeiro momento ( Cancioneiro Geral ), mas posteriormente seria o introdutor do dolce stil nuovo em Portugal
  • Viaja à Itália em 1521 com uma bolsa concedida pela Corte e ali convive com autores da Renascença italiana, pelo que se familiariza com a estética da sua literatura.
  • De volta para Portugal, em 1526 , passa pela Espanha , onde conhece a Garcilaso e Juán Boscán , autores espanhóis muito empenhados em introduzir a estética clássica na Espanha. Deste modo, Sá de Miranda decide fazer o mesmo em Portugal.
  • Já em Coimbra começa a usar os novos cânones no teatro e na poesia.
  1. É um autor humanista , o que se opõe ao teocentrismo medieval, classicista e renascentista.

Ao final da sua vida retirar-se-ia para a sua quinta, cumprindo deste modo com o ideário renascentista de contacto com a natureza e os livros.

Temos de dizer também que era uma pessoa muito observadora da realidade, pelo que na sua obra são frequentes os comentários sociais (saudosos ou moralistas) com espírito crítico.

  1. Obra

2.1.. Classificação da obra

  1. Lírica : 1).)a Palaciana : composições do Cancioneiro Geral (vilancetes, cantigas) em redondilhas. São as suas primeiras composições. 1).)b De influência clássica , em as que ensaia o dolce stil nuovo do que é considerado introdutor em Portugal :
  • sonetos ,
  • canções ,
  • cartas ,
  • elegias ,
  • éclogas.
  1. Teatro clássico : 2).)a Comédias em prosa , que apresentam um forma inovadora (prosa):
  • Estrangeiros :
    • (^) Obra de título metaliterário , já que a sua estrutura, linguagem, personagens e molde (prosa) são elementos estrangeiros ao teatro português.
    • Há uma crítica a Gil Vicente por medievalista e excessivamente popular (critica a rima a martelaços ).
  • Villalpandos.

2).)b Tragédia , da que só se conserva um trecho de 12 versos de Cleópatra.

1.. Cartas

  1. (^) Carta a El-rei D. João :
  • Elogio quase épico do poder de Portugal na altura.
  • Referência ao poder do rei , que tem a sua origem em Deus , o que é contraditório com o humanismo renascentista.
  • Achega argumentos históricos.
  • Alusões à literatura greco – latina.
  • Conselhos ao rei, que estão em relação com:
    • O Leal Conselheiro ;
    • ensenhaments provençais;
    • O Príncipe de Maquiavelo^1 , obra em que se descreve o governador ideal (poder absoluto e centralismo).
  • Reflecte as preocupações das elites da altura (monarquia absoluta vs. feudalismo).
  • É uma crítica à cobiça e à hipocrisia , que considera alguns dos piores males do reino. Deste modo avisa o rei para que não confie nas “públicas santidades” e recomenda-lhe que escute a todos , seguindo o exemplo de personagens clássicas como Alexandre Magno.
  1. A seu irmão Mem de Sá :
  • Carta que apresenta intertextualidade com a anterior, já que lhe dá conselhos ao seu irmão.
  • Tema : gabação da vida no campo ( beatus ille ) e pessimismo a respeito da actividade humana (decadência das descobertas). Neste senso faz-se referência à fábula do rato da cidade e o rato do campo.
  • (^) Influencias: Horácio (a mais importante), Heráclito... (referências eruditas).
  1. A António Pereira, senhor do Basto, quando se partiu para a corte com a casa toda :
  • Defesa da vida no campo (Horácio) que se inscreve no tópico renascentista da aurea mediania , aurea mediocritas ou mito da idade de ouro.
  • Crítica às descobertas , que considera mais perigosas que a guerra com Castela.

2.. (^) Sonetos

Dos sonetos de Sá de Miranda destaca:

  1. Sonetos metaliterários: obsessão pela perfeição formal. Os humanistas acreditam que o bom poeta tem de fazer-se, não nasce. Assim, a poesia baseia-se muito na imitação (lei da imitatio ), quer dizer, o poeta tem de conhecer bem os clássicos e demostrá-lo na sua obra imitando-os. Ademais os géneros renascentistas obedecem a leis estritas e rigorosas, que levam a Sá de Miranda a reelaborar os seus textos uma e outra vez, facto ao que ele mesmo faz referência.

(^1) Esta obra também influi em A Castro de António Ferreira.

a versos já das Musas asselados, e àquela grande Sílvia consagrados! Ícaro me põe medo e Lucifer.

Os meus, se nunc acabo de os lamber, como ussa os filhos mal proporcionados,

  • ah! passatempos vãos! ah! vãos cuidados! - a quem posso porém nisso ofender?

Tudo cabe no tempo, entrego ao ano, depois à perda; diga-me esta gente qual anda o furioso assi emendado.

Torno às cousas sagradas: que um profano leigo, como eu, tocá-las tão somente não é de siso são, mas de abalado.

  1. Consideração da poesia como mensagem : 2).)a Antes do século XVI a poesia era vista como um entretimento do espírito ou uma manifestação de cortesania amorosa. 2).)b Desde o século XVI modifica-se a conceito de poesia sob o espírito humanista, e começa a ser usada para ensinar e para a crítica social. Assim, os autores sentem a obrigação de ensinar, em especial aos poderosos. Sá de Miranda insiste na dignificação da palavra escrita para aconselhar e arquivar os feitos ilustres e, em definitiva, para servir a pátria.

  2. Tema da mudança : 3).)a É muito recorrente na Renascença o tema da mudança, que é sempre para pior (também em Camões). Ademais, a mudança do homem contrasta com a da natureza , pela que passa o tempo mas rejuvenesce cada primavera , mentes que o homem caminha só para morte. 3).)b Isto contrasta com a ideia de que o homem pode conseguir uma felicidade tranquilizadora com o regresso a uma mítica idade de ouro , que está na natureza que pode dominar (perspectiva antropocêntrica ).

O sol é grande: caem com a calma as aves, Do tempo em tal sazão, que sói ser fria. Esta água que de alto cai acordar-me-ia, Do sono não, mas de cuidados graves. Ó cousas, todas vãs, todas mudaves, Qual é tal coração que em vós confia? Passam os tempos, vai dia trás dia, Incertos muito mais que ao vento as naves. Eu vira já aqui sombras, vira flores, Vi tantas águas, vi tanta verdura, As aves todas cantavam de amores. Tudo é seco e mudo; e, de mistura, Também mudando-me eu fiz doutras cores. E tudo o mais renova: isto é sem cura!

  • Passagem do tempo pela natureza (primavera no primeiro terceto) e pelo homem (segundo terceto).
  • Léxico referido à mudança ( vãs, mudáveis ...)
  • Léxico referido às descobertas ( vento, naves ...)
  1. Tema do amor : 4).)a Amor petrarquista , em que se gabam as características intelectuais da dama, que nunca apresenta uma aparência visível e, se o faz, são elementos marcados pelos cânone renascentista. 4).)b (^) Cegueira e contradições que produz o amor (também em Camões: “Amor é um fogo que arde sem se ver”).

Quando eu senhora em vos olho ponho (^) • Canto ao poder sobrenatural da senhora , que o leva a delirar. Este retrato vosso é o sinal (^) • Poder da senhora.

  1. Reflexão filosófica : 5).)a Meditações filosófico – morais. 5).)b Inconformismo com o mundo social. 5).)c Reflexões sobre a morte.

  2. Bilinguismo : a maioria dos sonetos estão em português, mas também escreve sonetos em castelhano, que têm os mesmo temas que os de Juan Boscán ou Garcilaso. Isto não é estranho já que tinham as mesmas fontes clássicas e nesta altura a imitação fiel era valorada positivamente.

3.. Éclogas:

As éclogas caracterizam-se pela crítica à sociedade , em que se desenvolve o motivo renascentista do desconcerto do mundo, mundo ao revês ou mundo às avessas.

)A Basto

  1. Obsessão pela perfeição formal , já que a retoca até 12 vezes.
  2. Estrutura e tema renascentistas , mas usa a redondilha.
  3. Estrutura dialogada protagonizada por : )B Bieito , quem se estranha pelo comportamento de Gil, que se isola do mundo. )C Gil , que justifica o seu isolamento do mundo porque o botaram da cidade (diz que foi corrido à vara ), fora para o campo para servir de pastor (tópico da écloga) e ali tampouco esteve bem. Este mal-estar deve-se a que o homem é um lobo para o homem , pelo que só é como melhor está. )D Basto é o narrador que introduz as duas personagens protagonistas.

Bieito e Gil são dois tipos de homens que se contrapõem e Sá de Miranda parece simpatizar mais com Gil , o qual é coerente com a sua biografia.

  1. Crítica social que faz de Basto , e das outras éclogas de Sá de Miranda, uma expressão de protesta contra os males da sociedade do seu tempo, que está a viver as consequências das descobertas (sociais, económicas e políticas). Deste modo critica: 4).)a a tirania dos que vivem do suor alheio; 4).)b (^) as crueldades na aplicação da justiça ; 4).)c a escravatura ; 4).)d a má distribuição da riqueza ; 4).)e a ambição; 4).)f ...

Trecho 1: Basto a Nuno Álvares Pereira (“Pelas ribeiras duns rios [...] outrem parta a diferença”)

  • Trecho situado no início da écloga.
  • Atitude pessimista ( bosques sombrios , pesares ...)
  • Oposição campo vs. cidade.
  • Ambiente bucólico.
  1. Comédia : )a Estrangeiros (1526):
  • Acção : rivalidade entre um doutor e um fanfarrão que pretendem os amores duma rapariga. A cena passa-se em Palermo.
  • (^) Influência dos comediógrafos italianos.
  • Crítica ao teatro anterior (Gil Vicente e a sua escola). Podemos considerar deste modo que o título é metaliterário , já que estrangeira é a forma da comédia (prosa), as personagens, as normas seguidas... Ademais podemos tirar esta interpretação do prólogo da obra:

Dedicatória ao Infante Cardeal Dom Henrique

  • Crítica à comédia tradicional.
  • Referências eruditas a comediógrafos anteriores.
  • Louvor da comédia.
  • Divisão comédia vs. tragédia.
  • Pede a protecção do infante para o cultivo da comédia.
  • Referência à nova comédia helénica : ũa pintura da vida comum. Prólogo de Estrangeiros (^) • Personificação da comédia que, dotada de voz própria, dirige-se ao espectador português :
  • Apresenta-se como um género novo.
  • Faz referência às suas origens e a que foi abandonada com a passagem do tempo e a que foi recuperada pelos romanos e quer ser recuperada agora pelo autor ( já quási não havia memória de nós, té que os vizinhos em que duns nos outros ficara algũa lembrança...)
  • Necessidade de explicar as suas características.
  • Referência ao uso da língua portuguesa para este género.
  • Captatio benevolentiae ( Ouvi e favorecei-me )

)b Villalpandos : obra em que se explora o qui pro quo. Os protagonistas são dois soldados castelhanos (os Villalpandos).

  1. Outros autores

2.3.. Autores que cultivaram a comédia

2.3...1... António Ferreira

António Ferreira é conhecido como autor de tragédia ( A Castro ), mas também é autor de duas comédias:

  1. Cioso , obra protagonizada por un marido ciumento que se apaixona por uma cortesã e acava duplamente enganado : pela cortesã e pela sua espossa.

  2. Bristo , obra em que se contam as rivalidades amorosas entre dois fanfarrões.

2.4.. Jorge Ferreira de Vasconcelos

Jorge Ferreira de Vasconcelos, para além de novelas cavaleirescas , é autor de várias comédias em prosa:

  1. Eufrósina : conta-se o caso amoroso duma moça cortesã que casa mentes o seu pai está em romagem a Santiago. Quando o seu pai volve tenta obter a separação do casal , a partir desta situação surgem cenas cómicas.

  2. (^) Ulissipo : obra protagonizada por Ulisippo^2 , uma personagem austera dentro da casa mas que se permite todas as liberdades com as suas amantes. A sua mulher é continuamente persuadida por uma beata. Esta beata aparece na segunda edição como uma viúva , por problemas com a Inquisição. Tem um final feliz , como é habitual no género da comédia.

  3. Aulegrafia : enredo amoroso em que está presente o elemento celestinesco.

As comédias de Jorge Ferreira de Vasconcelos foram pouco estudadas pela crítica, mas há dois aspectos delas que é preciso destacar:

)G Anticastelhanismo da linguagem , com uma intencionalidade muito marcada de valorizar o português. )H São bons documentos etnográficos , que se achegam aos relatos de costumes (modas, formas de cortesia, superstições...)

Considera-se que são obras difíceis de representar pela excessiva caracterização das personagens, a lentidão da acção e a ambientação. Deste modo, não é estranho que as tentativas de representação que houve delas precisassem de muitas adaptações.

5.. Autores que cultivaram o bucolismo

Os principais representantes do bucolismo em Portugal foram Bernardim Ribeiro e Sá de Miranda , mas também é preciso nomear a Diogo Bernardes e Pero de Andrade Caminha. Os dois tiveram contactos com Sá de Miranda e António Ferreira e têm umas vidas com muitos paralelismos.

4...2... Diogo Bernardes

Diogo Bernardes participa na expedição de D. Sebastião a Alcácer Quibir com a missão de contar as façanhas do jovem rei. Passa vários anos de cativeiro no norte de África , e é ali onde escreve boa parte da sua obra poética. Já em Portugal convive intelectualmente com António Ferreira e Sá de Miranda.

As principais características da sua obra poética são:

)a O rio Lima como elemento recorrente. É conhecido como o cantor do Lima , e é nestas composições em que está presente o bucolismo.

)b Cultiva os géneros poéticos típicos da sua época : soneto, écloga, cartas... Muitos dos seus sonetos foram atribuídos a Camões (a obra lírica de Camões apresenta grandes problemas de edição).

Verdes e baixos vales, alta serra, Duras e solitárias penedias, Correntes águas, frescas fontes frias, Testemunhas do mal qu’em mim s’encerra;

  • Soneto que foi atribuído a Camões.
  • Saudade focada através da observação da paisagem , da que se faz uma evocação (^2) Ulissipo é uma forma erudita que faz referência a Lisboa.