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Asignatura: Literatura Portuguesa I (das origens à Renascença), Profesor: Maria Isabel Moran Cabanas, Carrera: Lengua y Literatura Gallega, Universidad: USC
Tipo: Apuntes
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Sá de Miranda (1481 – 1558) pode situar-se como um autor de transição entre a Idade Média e a Renascença:
Ao final da sua vida retirar-se-ia para a sua quinta, cumprindo deste modo com o ideário renascentista de contacto com a natureza e os livros.
Temos de dizer também que era uma pessoa muito observadora da realidade, pelo que na sua obra são frequentes os comentários sociais (saudosos ou moralistas) com espírito crítico.
2.1.. Classificação da obra
2).)b Tragédia , da que só se conserva um trecho de 12 versos de Cleópatra.
1.. Cartas
2.. (^) Sonetos
Dos sonetos de Sá de Miranda destaca:
(^1) Esta obra também influi em A Castro de António Ferreira.
a versos já das Musas asselados, e àquela grande Sílvia consagrados! Ícaro me põe medo e Lucifer.
Os meus, se nunc acabo de os lamber, como ussa os filhos mal proporcionados,
Tudo cabe no tempo, entrego ao ano, depois à perda; diga-me esta gente qual anda o furioso assi emendado.
Torno às cousas sagradas: que um profano leigo, como eu, tocá-las tão somente não é de siso são, mas de abalado.
Consideração da poesia como mensagem : 2).)a Antes do século XVI a poesia era vista como um entretimento do espírito ou uma manifestação de cortesania amorosa. 2).)b Desde o século XVI modifica-se a conceito de poesia sob o espírito humanista, e começa a ser usada para ensinar e para a crítica social. Assim, os autores sentem a obrigação de ensinar, em especial aos poderosos. Sá de Miranda insiste na dignificação da palavra escrita para aconselhar e arquivar os feitos ilustres e, em definitiva, para servir a pátria.
Tema da mudança : 3).)a É muito recorrente na Renascença o tema da mudança, que é sempre para pior (também em Camões). Ademais, a mudança do homem contrasta com a da natureza , pela que passa o tempo mas rejuvenesce cada primavera , mentes que o homem caminha só para morte. 3).)b Isto contrasta com a ideia de que o homem pode conseguir uma felicidade tranquilizadora com o regresso a uma mítica idade de ouro , que está na natureza que pode dominar (perspectiva antropocêntrica ).
O sol é grande: caem com a calma as aves, Do tempo em tal sazão, que sói ser fria. Esta água que de alto cai acordar-me-ia, Do sono não, mas de cuidados graves. Ó cousas, todas vãs, todas mudaves, Qual é tal coração que em vós confia? Passam os tempos, vai dia trás dia, Incertos muito mais que ao vento as naves. Eu vira já aqui sombras, vira flores, Vi tantas águas, vi tanta verdura, As aves todas cantavam de amores. Tudo é seco e mudo; e, de mistura, Também mudando-me eu fiz doutras cores. E tudo o mais renova: isto é sem cura!
Quando eu senhora em vos olho ponho (^) • Canto ao poder sobrenatural da senhora , que o leva a delirar. Este retrato vosso é o sinal (^) • Poder da senhora.
Reflexão filosófica : 5).)a Meditações filosófico – morais. 5).)b Inconformismo com o mundo social. 5).)c Reflexões sobre a morte.
Bilinguismo : a maioria dos sonetos estão em português, mas também escreve sonetos em castelhano, que têm os mesmo temas que os de Juan Boscán ou Garcilaso. Isto não é estranho já que tinham as mesmas fontes clássicas e nesta altura a imitação fiel era valorada positivamente.
3.. Éclogas:
As éclogas caracterizam-se pela crítica à sociedade , em que se desenvolve o motivo renascentista do desconcerto do mundo, mundo ao revês ou mundo às avessas.
)A Basto
Bieito e Gil são dois tipos de homens que se contrapõem e Sá de Miranda parece simpatizar mais com Gil , o qual é coerente com a sua biografia.
Trecho 1: Basto a Nuno Álvares Pereira (“Pelas ribeiras duns rios [...] outrem parta a diferença”)
Dedicatória ao Infante Cardeal Dom Henrique
)b Villalpandos : obra em que se explora o qui pro quo. Os protagonistas são dois soldados castelhanos (os Villalpandos).
2.3.. Autores que cultivaram a comédia
2.3...1... António Ferreira
António Ferreira é conhecido como autor de tragédia ( A Castro ), mas também é autor de duas comédias:
Cioso , obra protagonizada por un marido ciumento que se apaixona por uma cortesã e acava duplamente enganado : pela cortesã e pela sua espossa.
Bristo , obra em que se contam as rivalidades amorosas entre dois fanfarrões.
2.4.. Jorge Ferreira de Vasconcelos
Jorge Ferreira de Vasconcelos, para além de novelas cavaleirescas , é autor de várias comédias em prosa:
Eufrósina : conta-se o caso amoroso duma moça cortesã que casa mentes o seu pai está em romagem a Santiago. Quando o seu pai volve tenta obter a separação do casal , a partir desta situação surgem cenas cómicas.
(^) Ulissipo : obra protagonizada por Ulisippo^2 , uma personagem austera dentro da casa mas que se permite todas as liberdades com as suas amantes. A sua mulher é continuamente persuadida por uma beata. Esta beata aparece na segunda edição como uma viúva , por problemas com a Inquisição. Tem um final feliz , como é habitual no género da comédia.
Aulegrafia : enredo amoroso em que está presente o elemento celestinesco.
As comédias de Jorge Ferreira de Vasconcelos foram pouco estudadas pela crítica, mas há dois aspectos delas que é preciso destacar:
)G Anticastelhanismo da linguagem , com uma intencionalidade muito marcada de valorizar o português. )H São bons documentos etnográficos , que se achegam aos relatos de costumes (modas, formas de cortesia, superstições...)
Considera-se que são obras difíceis de representar pela excessiva caracterização das personagens, a lentidão da acção e a ambientação. Deste modo, não é estranho que as tentativas de representação que houve delas precisassem de muitas adaptações.
5.. Autores que cultivaram o bucolismo
Os principais representantes do bucolismo em Portugal foram Bernardim Ribeiro e Sá de Miranda , mas também é preciso nomear a Diogo Bernardes e Pero de Andrade Caminha. Os dois tiveram contactos com Sá de Miranda e António Ferreira e têm umas vidas com muitos paralelismos.
4...2... Diogo Bernardes
Diogo Bernardes participa na expedição de D. Sebastião a Alcácer Quibir com a missão de contar as façanhas do jovem rei. Passa vários anos de cativeiro no norte de África , e é ali onde escreve boa parte da sua obra poética. Já em Portugal convive intelectualmente com António Ferreira e Sá de Miranda.
As principais características da sua obra poética são:
)a O rio Lima como elemento recorrente. É conhecido como o cantor do Lima , e é nestas composições em que está presente o bucolismo.
)b Cultiva os géneros poéticos típicos da sua época : soneto, écloga, cartas... Muitos dos seus sonetos foram atribuídos a Camões (a obra lírica de Camões apresenta grandes problemas de edição).
Verdes e baixos vales, alta serra, Duras e solitárias penedias, Correntes águas, frescas fontes frias, Testemunhas do mal qu’em mim s’encerra;