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suicidio e profissionais da saude
Tipologia: Notas de estudo
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RESUMO Objetivo: Propiciar aos residentes da área da Saú- de, principalmente os que trabalham nos Setores de Emergência Hospitalar, informações a respeito do fenômeno do suicídio, com o escopo de fornecer ferramentas cognitivas que permitam a adoção das medidas mais adequadas aos quadros apresentados.
Método: Revisão da literatura científica no cam- po da Suicidologia.
Conclusões: Uma vez que a estatística epide- miológica do suicídio tem crescido de maneira signi- ficativa e que o profissional da saúde poderá durante sua carreira se defrontar com um seu paciente que passe por essa tragédia, o conhecimento desse com- portamento é de importância fundamental para que possa dar o tratamento ou o encaminhamento mais eficaz para aquela pessoa que se apresenta com esse problema. DESCRITORES: SUÍCIDO/prevenção & controle; CORPO CLÍNICO HOSPITALAR; SERVIÇO HOSPITALAR DE EMER- GÊNCIA; INTERNATO E RESIDÊNCIA.
ABSTRACT
Objective: To provide the residents of health sciences, particularly the ones that work in Emergency Departments, information regarding the phenomenon of suicide, in order to offer cognitive tools that allow the adoption of therapeutic strategies to the situations presented. Methods: Review of scientific literature in the field of Suicidology. Conclusions: Given that the prevalence of suicide has increased significantly and that the professionals of health may face such a tragic situation, the knowledge of this clinical presentation is of basic importance so one can offer the management most efficient for the patient who presents with this problem. KEY WORDS: SUICIDE/prevention & control; MEDICAL STAFF, HOSPITAL; EMERGENCY SERVICE, HOSPITAL; INTERNSHIP AND RESIDENCY.
As pesquisas no campo da Suicidologia indi- cam que a natureza do comportamento suicida é complexa e como tal, constituída pela interação de diversos fatores etiológicos, de natureza bio- lógica, psicológica, social, cultural e ambiental.
Quanto à dimensão biológica da raiz do com- portamento em questão, a literatura especializa- da tem verificado a ocorrência de uma correla- ção entre a disfunção serotoninérgica e o suicí- dio com resultados consistentes, tendo como um
de seus importantes marcos as primeiras publi- cações de Asberg et al. (1976) (1)^. Tendo por parâmetro o fato de que na gênese do comportamento ora em análise se encontra uma convergência de elementos de dimensões distintas da natureza humana, o ponto de parti- da, para o profissional da saúde que se depara com um ser humano que tentou o suicídio e em função desse ato dá entrada em uma unidade hospitalar é a compreensão de que o ato extremo do qual se defronta é resultado de um processo de desestruturação composto de múltiplos fato- res que culminou com a adoção de uma medida de tão extrema magnitude. Os profissionais da área da Saúde tendem a apresentar uma certa incompreensão em relação à pessoa que tentou o suicídio, que se traduz em um desconforto emocional em ter que tratar o consulente com esse histórico. Como seres polí- ticos que somos, todos nós, inclusive os especia- listas em saúde, não estamos imunes de trazer- mos toda uma carga cultural de repulsa e tenta- tiva de afastamento daqueles que buscam sua autodestruição. Como bem aponta Cassorla, ao invés de serem acolhidos nas Unidades de Saúde, por es- tarem debilitados em função de uma tentativa de suicídio ou por estarem confusos e com proble- mas dos quais o suicídio representou a única alternativa que lhes pareceu viável, tendem a ser menosprezados quanto aos sentimentos dos quais não conseguem elaborar de forma estruturada e passam, geralmente, a ser identifi- cados como pessoas que estariam querendo cha- mar a atenção e que na verdade, não passariam de atores que estariam dramatizando fatos banais e, como tal, não mereceriam a atenção dos Cen- tros de Saúde (2)^. Ainda segundo Cassorla, o ato suicida sus- cita naquele profissional que o atende uma vio- lência, isto é, o atendente sente-se agredido e esse sentimento desperto explicaria, em parte, a dificuldade em lidar com uma pessoa que apre- sente um quadro de risco de comportamento sui- cida. Assumem, nesse ato, a agressão que a cul- tura imagina ser vítima. Um outro fator que faz emergir uma barreira entre a equipe de saúde e o suicida decorre do confronto que o suicídio pro- move, de termos que lidarmos com a nossa im- potência frente à morte do outro e a consciência de nossa própria finitude (2)^. Cassorla chama atenção para o fato de que o profissional de saúde está comprometido com o ato de salvar vidas e, quando uma pessoa, vo-
luntariamente busca se matar, sente-se, mesmo que inconscientemente, ultrajado por aquele ato de menosprezo pela vida (2)^. Ao realizar uma ampla pesquisa, que envol- veu equipes de especialistas em vários países, tendo como objeto o suicídio, a OMS constatou que os índices alarmantes dos casos de suicídio verificados em diversas nações exigiam a adoção de uma matriz metodológica que norteasse ações emergenciais coordenadas de prevenção do com- portamento suicida. Uma vez que os dados epidemiológicos do suicídio representam um quadro estatístico preocupante, a OMS passou a qualificar o suicí- dio como um grave problema de saúde pública e, como tal, sugere que os países adotem políti- cas públicas emergenciais de prevenção do sui- cídio. No esforço metodológico para orientar ações profiláticas, lançou em 1999 o SUPRE (Sui- cide Prevention Program). No capítulo intitulado: Epidemiologia do Sui- cídio, Wang et al. nos apresenta a estimativa da OMS de que em 2020, aproximadamente 1,53 milhão de pessoas no mundo irão consumar o suicídio e, em relação às tentativas, esse núme- ro será de dez a vinte vezes superior. Esses índi- ces correspondem a uma morte por suicídio a cada vinte segundos e uma tentativa a cada dois segundos (3)^. Ao tabular os resultados das investigações científicas realizadas nos diversos países que par- ticiparam do projeto, a OMS constatou que, ain- da que o viés cultural exerça um relevante papel de influência, existe um núcleo de características comportamentais que tender a se manifestar nas pessoas que possuem a ideação suicida, indepen- dente do país em que o fenômeno ocorra. Prieto e Tavares esclarecem a importância de se conhecer as taxas de incidência do suicídio e de suas tentativas nas diversas populações, além dos fatores considerados de risco, pois tais informações, uma vez cientificamente trabalha- das possibilitam o delineamento de estratégias preventivas e clínicas, envolvendo a identi- ficação precoce do risco e a intervenção em crise (4)^. Uma vez que os traços comportamentais típi- cos podem ser identificados, torna-se viável a tempestiva intervenção terapêutica na pessoa com pensamentos suicidas em níveis que inspi- ram cuidados evitando, em certa medida, que o paciente passe do estágio de ideação para o de tentativa de suicídio ou até mesmo ao suicídio consumado.
Além disso, fatores de vida estressores recen- tes que foram associados com um risco aumen- tado para suicídio incluem:
REFERÊNCIAS
Endereço para correspondência: RODRIGO MOURA LOUREIRO Rua Afonso Taunay, 180/ CEP 90520-540, Porto Alegre, RS, Brasil Fone: (51) 3207- E-mail: [email protected]