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2 - e - books - surpresa, Notas de estudo de Engenharia Mecânica

Ivestimentos em dinheiro

Tipologia: Notas de estudo

2016

Compartilhado em 13/01/2016

anderson-lopes-97
anderson-lopes-97 🇧🇷

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Os Segredos

de George Soros

& Warren Buffett

4 a^ Edição

Mark Tíer

Tradução Alessandra Mussi Araújo

Agradecimentos

S

EMPRE FUI FASCINADO por dinheiro e psicologia. Meu primeiro objeto de interesse levou-me para o setor de investimentos. Neste livro, tive a oportunidade de reunir minhas duas fascinações. Para satisfazer parte de minha atração pela psicologia, estudei Progra- mação Neurolingüística (PNL), que, numa explicação simplificada, signi- fica psicologia aplicada, e acabei chegando a Master Practitioner - o nível mais avançado dessa ciência. Um dos conceitos principais da PNL diz que, se alguém é capaz de fazer algo bem-feito, todos podem aprender com ele. Um processo da PNL cha- mado "modelagem" é a aplicação desse conceito e deu origem à idéia de descobrir o que Warren Buffett, George Soros e outros investidores extra- ordinários têm em comum. Portanto, em primeiro lugar, quero agradecer a George Zee, que levou vários professores de renome da área de PNL para Hong Kong, e a Leo Angart, que continuou a organizar seminários de PNL quando George Zee aposentou-se. Aprendi com Judith e DeLozier, Robert Dilts e David Gordon o proces- so de modelagem, que consiste na base deste livro. Robert H. Meier gentilmente permitiu que eu tivesse acesso a seu verda- deiro tesouro de artigos e material de pesquisa sobre investimentos, colecio- nados durante cerca de 25 anos de estudos sobre os mercados financeiros. Esse valioso cabedal ajudou-me imensamente em minhas pesquisas. Escrever um livro acaba sendo um trabalho em equipe. O consultor Ma- urice Cruz foi de ajuda inestimável, auxiliando-me a formar muitos dos conceitos desta obra. Estou certo de que, se Tim Staermose não tivesse pas- sado vários meses trabalhando comigo, este livro ainda não estaria concluí- do. Muitas vezes, ele apontou quando eu estava me desviando do projeto inicial e devo grande parte da clareza do texto à sua preciosa colaboração. Terry Coxon encontrou várias maneiras de melhorar ainda mais a quali- dade do original. Michelle Celi não se incomodou de digitar o manuscrito várias vezes, mesmo tendo de incluir dezenas de milhares de palavras que nem sequer chegaram ao rascunho final. Raquel Narca manteve seu apoio durante

todo o lento processo de lapidação desta obra e fez inúmeras sugestões ex- celentes durante sua elaboração. Várias pessoas leram o original em diferentes fases e fizeram comentá- rios importantes que ajudaram a melhorar continuamente o resultado final. Agradeço a Larry Abrams, Gloria Altus, David Bergland, Bruno Bissinger, ' Norman de Brackinghe, Bay Butler, Hugh Butler, Peter Chen, Robert W. Czerchin, Robyn Flemming, Laurente Gournelle, John Greenwood, Lo- ray Greiner, Don Hauptman, Dan Rosenthal, Bruce Tier, Don Tier, Whit- ney Tilson, Kris Wadia e Al Zuckerman, pela contribuição.

P A R T E D O I S

 - 1 O poder dos hábitos mentais Warren Buffett e George Soros - 2 Os sete pecados capitais nos investimentos - 3 Preserve o que você tem - 4 George Soros não assume riscos? - 5 "O mercado sempre está errado" - 6 Você é o que você avalia - 7 "Você chama Isso de posição?" - 8 Um centavo economizado é um dólar ganho - 9 Concentre-se no que você sabe fazer de melhor - 10 Se você não sabe quando dizer "sim", diga "não" sempre - 11 "Comece pela letra A" - 12 "Quando não há nada a fazer, não faça nada" - 13 Puxe o gatilho - 14 "Saiba quando vender antes de comprar" - 15 "Não faça emendas ao seu sistema" 
  • 16 "Admita seus erros"
    • 17 Aprenda com seus erros - 18 Querer não é poder - 19 Fique de boca fechada - 20 "Impostor! Impostor! Impostor!" - 21 "Não importa o que você tem, gaste menos" - 22 "Deveríamos pagar para ter este emprego" - 23 "O mestre em seu ofício"
    • 24"Isto é a sua vida"
      • 25 "Aposte em seu próprio negócio" - 26 É preciso ser um gênio?
  • 27 Estabelecendo as bases Criando seus próprios hábitos
    • 28 Esclareça seus objetivos em termos de investimentos - 29 0 que você vai avaliar? - 30 Conquistando a competência inconsciente - 31 É mais fácil do que você pensa - EPÍLOGO: Onde conseguir ajuda - APÊNDICE I: Os 23 hábitos vencedores nos investimentos - APÊNDICE II: Registros dos dois investidores mais ricos do mundo - REFERÊNCIAS - NOTAS - ÍNDICE

P A R T E UM

Os segredos de

Warren Buffett

e George Soros

4 INVESTIMENTOS: OS SEGREDOS DE GEORGE SOROS E WARREN BUFFETT

Quanto mais comparava os dois, mais semelhanças descobria. Ao anali- sar a mentalidade deles, o modo como tomam suas decisões e até mesmo suas convicções, descobri coincidências incríveis. Por exemplo:

Buffett e Soros compartilham das mesmas convicções sobre a nature- za dos mercados. Quando investem, não se concentram nos lucros que esperam alcan- çar. Na verdade, não investem por causa do dinheiro. Ambos concentram-se muito mais em não perder do que em ganhar dinheiro. Nunca diversificam: sempre que investem, compram uma participação compatível com a disponibilidade que terão para cuidar do negócio. A capacidade que esses investidores possuem de fazer previsões so- bre o mercado ou a economia não tem absolutamente nada a ver com o sucesso que alcançaram.

Ao analisar seus comportamentos, convicções, atitudes e estratégias para a tomada de decisões, encontrei 23 hábitos e estratégias mentais que ambos praticam religiosamente. Você também poderá aprender cada um deles.

Os mestres em investimentos Warren Buffett: "0 sábio de Omaha"

Nascido em 1930, em Omaha, Nebraska, Estados Unidos Começou administrando fundos de investimentos em 1956 com a formação da Buffett Partnership (dissolvida em 1969). Atualmente é presidente do conselho e sócio principal da Berkshire Hathaway, Inc. Mil dólares que fossem investidos com Buffett em 1956 valeriam hoje US$25.289.750. índice de retorno composto anual: 24,7% Mil dólares investidos no índice de ações da S&P em 1956 valeriam hoje US$ 73.860. Número de anos com prejuízo: um (2001) - em comparação aos treze anos de baixa do índice de ações da S&P 500 desde 1956.

*Até 31 de dezembro de 2002.

George Soros: "O homem que quebrou o Banco da Inglaterra" Nascido em 1930, em Budapeste, Hungria Fundou o Quantum Fund em 1969 (originalmente chamado Double Eagle Fund). Em 2000, o fundo tornou-se o Quantum Endowment Fund.

Mil dólares que fossem investidos com Soros em 1969 valeriam hoje US$ 5.142.300. índice de retorno composto anual: 28,6% Mil dólares investidos no índice de ações da S&P em 1956 valeriam hoje US$ 25.889. Número de anos com prejuízo: quatro (1981, 1996, 2000, 2002) - em comparação aos nove anos de baixa do índice de ações da S&P 500 desde 1969. *Até 31 de dezembro de 2002.

O PODER DOS HÁBITOS MENTAIS 5

Meu próximo passo foi "testar" esses hábitos em relação ao comporta- mento de outros investidores e negociadores de commodities (produtos básicos) bem-sucedidos. O resultado foi uma combinação perfeita.

Peter Lynch, que conseguiu um retorno anual de 29% durante os anos em que esteve à frente do Fidelity Magellan Fund; investidores lendários como Bernard Baruch, Sir John Templeton e Philip Fisher; além desses, to- dos os inúmeros investidores (e negociadores de commodities) altamente bem-sucedidos sobre os quais estudei e com os quais trabalhei praticam exatamente os mesmos hábitos mentais de Buffett e Soros. Todos, sem ex- ceção.

A bagagem cultural não faz diferença. Vivi um momento extremamente interessante quando entrevistei um investidor japonês que mora em Hong Kong e que negocia no mercado de futuros de Cingapura, Tóquio e Chica- go usando gráficos de "barras" (candlestick) em japonês. Conforme a con- versa prosseguia, fui assinalando um hábito seguido por outro na minha lista, chegando a um total de 22 itens ticados.

Em seguida, perguntou-me se eu achava que havia alguma incidência de imposto sobre os lucros advindos de suas negociações. Com isso, comple- tei a lista. (Graças ao regime fiscal liberal de Hong Kong, ele conseguia fa- zer o que queria de maneira legal: negociações livres de impostos.) O teste final foi identificar se esses hábitos eram "transferíveis". É possí- vel ensinar como adotá-los? A pessoa que aprender esses hábitos consegui- rá melhorar os resultados de seus investimentos? Comecei comigo mesmo. Como já fui assessor de investimentos e, du- rante muitos anos, publiquei meu próprio boletim informativo sobre o as- sunto, o World Money Analyst, era constrangedor admitir que meus pró- prios resultados em termos de investimentos não eram nada bons. O pior, na verdade, era que, durante muitos anos, simplesmente deixei meu di- nheiro parado no banco.

Quando mudei meu próprio comportamento, adotando esses hábitos vencedores nos investimentos, meus resultados melhoraram sensivelmen- te. Desde 1998, meus investimentos pessoais no mercado de ações tiveram um crescimento médio de 24,4% ao ano - em comparação ao índice de ações da S&P, que cresceu apenas 2,3% ao ano.* Além disso, não tive ne- nhum ano de prejuízo, ao passo que o índice S&P ficou em baixa em três desses seis anos. Se eu consegui ganhar mais dinheiro, mais facilmente do que jamais poderia imaginar, você também pode.

*De lo^ de janeiro de 1998 a 31 de dezembro de 2003.

O PODER DOS HÁBITOS MENTAIS 7

seguinte comentário: "Você teria tirado um A se tivesse aprendido a so- letrar!".

Em menos de cinco minutos, ele estava soletrando palavras como "anti- constitucionalissimamente", "exceção" e "bochecha", com as quais fez confusão a vida toda. Ele conhecia a grafia dessas palavras; só não sabia que era exatamente para isso que deveria atentar!*

É incrível o poder dos hábitos mentais.

A estrutura dos hábitos mentais

Um hábito é uma resposta que foi aprendida e que se tornou automática por meio da repetição. Uma vez assimilados, os processos mentais pelos quais um hábito é executado tornam-se subconscientes.

É certo que o bom soletrador não sabe como consegue soletrar uma pa- lavra corretamente. Ele simplesmente "sabe" que o fez de maneira certa.

Mas a maioria das ações do investidor bem-sucedido não ocorre no ní- vel consciente? Ler relatórios anuais, analisar balanços patrimoniais e mes- mo detectar padrões nos gráficos dos preços das ações ou das commodities não são atividades conscientes?

Sim, até certo ponto. No entanto, a consciência é apenas a ponta do ice- berg mental. Por trás de cada pensamento, decisão ou ação consciente, existe uma complexa combinação de processos mentais subconscientes - sem falar nas convicções e emoções ocultas que podem sabotar até mesmo a pessoa mais determinada.

Por exemplo, se alguém ouviu repetidamente que "não é capaz de sole- trar", essa convicção poderá se tornar parte de sua identidade. Essa pessoa é capaz de entender a estratégia do bom soletrador e, com a ajuda de um instrutor, conseguirá alcançar inclusive os resultados de quem é bom nessa atividade. Contudo, se usar apenas seus recursos próprios, voltará rapida- mente ao antigo padrão mental.

Somente se a pessoa mudar a convicção de que "é um péssimo soletra- dor" poderá adotar os hábitos mentais dos bons soletradores.

Outro fator limitador, geralmente secundário, é a falta de uma habilida- de associada. Há uma porcentagem muito pequena de pessoas que sim- plesmente não consegue criar uma imagem mental interna: é preciso que

  • A estratégia para soletrar foi desenvolvida por Robert Dilts, co-criador da área da psicolo- gia aplicada conhecida como Programação Neurolingüística.

8 INVESTIMENTOS: OS SEGREDOS DE GEORGE SOROS E WARREN BUFFETT

alguém primeiro as ensine como visualizar para que elas aprendam a sole- trar bem. Quatro elementos necessários para sustentar um hábito mental:

  1. uma convicção que conduza seu comportamento;
  2. uma estratégia mental - uma série de processos internos conscientes e subconscientes;
  3. uma base emocional; e
  4. habilidades associadas.

Para analisar outros processos, vamos aplicar uma estrutura mais sim- ples do que a utilizada nos hábitos dos investimentos altamente bem- sucedidos, porém mais complexa do que a "estratégia para soletrar".

"Os quebra-gelos"

Imagine que estamos numa festa e que percebemos que dois homens estão de olho na mesma mulher. Logo notamos que o primeiro deles começa a andar em direção a ela, mas pára, dá meia-volta, segue em direção ao bar e passa o resto da noite desacompanhado, embriagando-se cada vez mais. Pouco depois, vemos o segundo homem andar em direção à mulher e co- meçar a conversar com ela. Mais tarde, constatamos que o segundo homem parece estar conversan- do com quase todos na festa. Por fim, ele nos aborda e começa a conversar. Concluímos que o rapaz é um cara legal, mas, quando paramos para pensar mais profundamente a respeito, descobrimos que ele não falou muito: nós é que falamos quase o tempo todo. Todos nós conhecemos pessoas assim, que conseguem se aproximar de alguém que nunca viram antes e, minutos depois, estão conversando como se fossem amigos de infância. São o que chamo de "quebra-gelos". Por trás de seu comportamento, estão os hábitos mentais que praticam:

  1. Convicção: Acreditam que todo mundo é interessante.
  2. Estratégia mental: Ouvem uma voz interna que diz: "esse cara ou essa moça deve ser alguém interessante".
  3. Base emocional: Sentem-se curiosos e até mesmo empolgados com a perspectiva de conhecer uma pessoa diferente. Sentem-se bem con- sigo mesmos e sua atenção está sempre voltada para fora. (Se estão preocupados com algum problema ou sentem-se tristes - focados in- ternamente -, não estarão "a fim" de conversar.)

10 INVESTIMENTOS: OS SEGREDOS DE GEORGE SOROS E WARREN BUFFETT

Quebra-gelo Solitário Autocentrado*

Convicção

Estratégia mental

Foco mental

Emoções

Habilidades

As pessoas são interessantes

Voz interna: "Esta deve ser uma pessoa interessante."

Externo Curiosidade, empolgação Estabelecer empatia, ser um bom ouvinte

Não sou bom o bastante/Saio sempre machucado Lembrar-se dos relacionamentos anteriores

Interno Mágoa

-

Algumas pessoas são interessantes

Voz interna: "Esta pessoa é interessante (para mim)?" Principalmente interno Incerteza

Questionamento

  • Observação: Esta é apenas uma das inúmeras variações do que podemos chamar de "Estratégias dos solitários".

Há tipos de convicções semelhantes subjacentes aos prejuízos de vários investidores. Dou a elas o nome de Os sete pecados capitais nos investi- mentos...

C A P Í T U L O 2

Os sete pecados capitais

nos investimentos

A

MAIORIA DOS INVESTIDORES É PREJUDICADA por convicções equivoca- das sobre como alcançar o sucesso nos investimentos. Mestres em in- vestimentos como Warren Buffett e George Soros simplesmente não com- partilham desse tipo de mentalidade. Batizei a maioria dessas inverdades prejudiciais amplamente difundidas como Os sete pecados capitais nos in- vestimentos. A primeira etapa para deixar essas noções equivocadas para trás é enxer- gar o que há de errado nelas...

1 Q^ PECADO CAPITAL NOS INVESTIMENTOS: Acreditar que você precisa prever o próximo passo do mercado para obter um excelente retomo. REALIDADE: Os investidores altamente bem-sucedidos não conseguem fa- zer previsões sobre o mercado melhor do que você e eu. Não acredite nisso apenas porque eu estou dizendo. Um mês antes da quebra do mercado de ações em outubro de 1987, George Soros apareceu na capa da revista Fortune declarando:

A crescente valorização das ações [americanas], que superou de longe as cotações básicas, não significa que elas deverão cair. Não é porque o mer- cado está superavaliado que essa alta não seja sustentável. Se quiser saber até que ponto as ações americanas poderão ser supervalorizadas, veja o exemplo do Japão.^1

Enquanto defendia a tendência de alta nas ações americanas, Soros pres- sentiu que uma quebra iria acontecer - no Japão - e repetiu a mesma opi- nião num artigo do jornal The Financial Times em 14 de outubro de 1987. Uma semana depois, o Quantum Fund de Soros perdeu cerca de US$ 350 milhões quando o mercado americano, não o japonês, quebrou. Todo o lucro daquele ano foi eliminado por completo em poucos dias. O próprio Soros admitiu o seguinte: "Meu sucesso financeiro forma um contraste absurdo com minha capa- cidade de prever os acontecimentos."^1

OS SETE PECADOS CAPITAIS NOS INVESTIMENTOS 13

co ter saído de circulação e de uma trajetória global bastante fraca em ter- mos de previsões. Por exemplo, em 21 de julho de 1996, quando o índice Dow Jones era de 5.452, ela afirmou que "poderia chegar a 6.400". Apenas dois dias de- pois, ela havia anunciado que "o mercado cairia entre 15% e 25%". Essas foram duas de suas catorze previsões feitas entre 1987 e 1996 - de acordo com os registros do The Wall Street Journal, da Business Week e do The New York Times. Desses catorze prognósticos, apenas cinco estavam corretos. Portanto, seu índice de acertos foi de 36%. Você poderia ter se saído melhor - e ter ganho mais dinheiro que ela - jogando cara ou coroa. Elaine Garzarelli é apenas um dos nomes da longa lista de gurus do mer- cado que surgem e desaparecem quase num passe de mágica. Lembra-se de Joe Granville? Era o queridinho da mídia americana no início dos anos 80, até o momento em que - quando o índice Dow chegou a quase 800 em 1992 - aconselhou seus seguidores a vender tudo e operar a descoberto no mercado. Bem, 1982 foi o ano em que teve início a grande alta no mercado da dé- cada de 1980. Contudo, Granville continuou a encorajar as pessoas a ope- rar a descoberto, enquanto o mercado subia, até chegar a 1.200 pontos. Granville foi substituído por Robert Prechter, que, diferentemente dele, previu uma grande alta no mercado nos anos 80. No entanto, após a que- bra de 1987, Prechter declarou que o crescimento acelerado do mercado havia terminado e profetizou que o índice Dow Jones cairia para 400 no início da década de 1990. Errou feio! O boom das empresas ponto.com dos anos 90 produziu outro conjunto de "heróis" da mídia, a maioria dos quais desapareceu de cena logo depois que a NASDAQ ( National Association of Securities Dealers Automated Quotation System) começou a sucumbir em março do ano 2000. Se existe alguém que realmente pode fazer previsões precisas sobre o mercado, com regularidade, essa pessoa escapou da incansável caçada da mídia aos gurus da economia. O sábio "anônimo" estava certo quando fez o seguinte comentário em relação ao dinheiro: "Prever é difícil, especial- mente quando se trata do futuro". Os "gurus" da mídia ganham a vida falando sobre investimentos, ven- dendo seus conselhos ou cobrando honorários para administrar o dinheiro dos outros. Mas, como afirma John Train em seu livro The Midas Touch, "o homem que descobre como transformar chumbo em ouro não vai con- tar seu segredo por US$ 100,00 ao ano",^4 tampouco vai contar seus tru- ques de graça nos noticiários da TV.

14 INVESTIMENTOS: OS SEGREDOS DE GEORGE SOROS E WARREN BUFFETT

É por isso que Buffett, Soros e outros mestres, que realmente ganharam dinheiro por meio de seus investimentos, raramente falam sobre o que es- tão fazendo ou sobre sua opinião atual sobre o mercado. Com muita fre- qüência, não dizem nem mesmo a seus próprios investidores o que está acontecendo com o dinheiro deles!

3 o^ PECADO CAPITAL NOS INVESTIMENTOS: Acreditar que é por meio de "infor- mações privilegiadas" que se consegue ganhar muito dinheiro. REALIDADE: Warren Buffett é o investidor mais rico do mundo. Sua fonte favorita de "dicas" de investimentos geralmente é obtida gratuitamente: relatórios anuais das empresas.

George Soros ganhou o título de "o homem que quebrou o Banco da Inglaterra" quando tomou uma bolada de dez bilhões de dólares empresta- dos por um dia, apostando contra a libra em 1992. Mas não estava sozinho. Os sinais do iminente colapso da libra esterlina estavam claros para todos que fossem capazes de fazer a análise correta. Centenas, senão milhares, de outros operadores também ganharam muito dinheiro quando o preço da libra desabou.

Mas somente Soros mergulhou de cabeça e embolsou dois bilhões de dólares de lucros.

Agora que são famosos, Buffett e Soros têm acesso imediato às pessoas mais poderosas do mundo dos negócios. Entretanto, quando começaram a investir, eram ilustres desconhecidos e não podiam esperar nenhuma aco- lhida especial. Além disso, tanto Buffett quanto Soros tinham um retorno maior sobre os investimentos antes da fama do que hoje em dia. Se, de al- guma forma, um deles passar a ter conhecimento de informações privile- giadas, não ganhará grande coisa com isso.

Como diz Buffett: "Com uma quantidade suficiente de informações pri- vilegiadas e um milhão de dólares, você pode quebrar em um ano".^5

4 o^ PECADO CAPITAL NOS INVESTIMENTOS: Diversificar.

REALIDADE: A incrível trajetória de Warren Buffett é conseqüência de sua habilidade de identificar um certo número de empresas formidáveis - e de- pois assumir posições majoritárias somente nessas organizações.

De acordo com George Soros, o importante não é estar certo ou errado com relação ao mercado. O que importa é quanto dinheiro você ganha quando faz o negócio certo e quanto perde, caso erre feio. Soros e Buffett compartilham exatamente da mesma fonte de sucesso: um grande número