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3 Conhecimentos Gerais, Notas de estudo de Direito

conhecimentos gerais apostila susepe

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 07/06/2015

juliana-knorst-12
juliana-knorst-12 🇧🇷

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Com a introdução do açúcar nas colônias francesas, inglesas e holandesas, principalmente, o Brasil deixa de liderar a produção mundial. O preço do açúcar passou a sofrer oscilações com o aumento da oferta do produto no mercado internacional. Muitos enge- nhos prósperos começam a conhecer um período de crise econômica. Em 1580, ocorre a União das monarquias de Portugal e Espanha (União Ibérica). Deste ano até 1640, por questões de sucessões monárquicas, a Espanha passa a exercer domínio sobre Portugal e suas colônias. No Brasil, esta fase conturbada foi marcada pelas invasões de holandeses e franceses. Na região do Prata, os ingleses passam a fazer investidas no comércio local. Como indica Pesavento, durante o período da união ibérica (1580- 1640) os holandeses não somente ocuparam o nordeste bra- sileiro como também apoderaram-se das zonas da África fornecedoras de mão de obra negra, ocasionando a falta de escravos para o restante do Brasil não holandês. Com o fim da união dos reinos de Portugal e Espanha, o acordo de Tordesilhas passa a ser questio- nado. As duas nações europeias passam a travar afrontamentos em toda a região que compreende atualmente o Rio Grande do Sul. Ao longo dos anos, portugueses e espanhóis buscam estabelecer o controle da região, sendo através de estratégias de povoamento ou militarmente, através da construção de fortes. A região também passa a ser disputada por diferentes segmentos com interesses econômicos distintos: pelos jesuítas espanhóis da Companhia de Jesus, com um projeto de catequização e de produção para os indígenas, e pelos tropeiros paulistas (luso-brasileiros) que chegavam à região. Estes foram atraídos, inicialmente, pela busca de índios para escravidão e, em um segundo momento, pela captura do gado xucro espalhado na região de Vacaria do Mar (atual campanha gaúcha e uruguaia). Como indica Pesavento, também os “acioneros” de Santa Fé, Corrientes e Buenos Aires, autorizados pela Espanha, estiveram por anos na região preando animais na região na região de vacaria del mar. Além do interesse econômico, os Platinos buscavam a região para responder a expansão portu- guesa no território gaúcho e na área platina. A gradual ocupação do território gaúcho Nos primeiros anos, a busca de índios e do gado foram os fatores que atraiam os luso-brasileiros para o território sulista. Ao longo dos séculos o território que compreende o atual Rio Grande do Sul passa a se configurar como uma região voltada para o abasteci- mento da região central do país. Num primeiro momento, durante toda a fase da união ibérica, não houve uma ocupação sistemática na região, que apenas era uma zona passageira em direção a região Platina. A ocupação do território gaúcho pelos portugueses só se realiza de forma mais sistemática a partir da distribuição de sesmarias ao longo da costa atlântica para homens de bem (católicos e de posses) na maioria luso-brasileiros de Laguna (cidade fundada em 1676). Formalmente, o início da ocupação das terras que compreende atualmente o Rio Grande do Sul se realiza com a fundação, em 1737, do forte Jesus, Maria e José, que deu origem ao povoado do Rio Grande. Para compreendermos a gradual ocupação do território onde se situa o Rio Grande do Sul três fatores são de fundamental importância:

  • A fundação da Colônia do Santíssimo Sacramento pelos portugueses em 1680.
  • A fundação dos sete povos das missões pelos jesuítas espanhóis.
  • A descoberta de gado pelos portugueses e espanhóis na região de Vacaria do Mar (região sul do RS) A Colônia do Sacramento A fundação da primeira fortificação em território gaúcho que deu origem à cidade do Rio Grande, em 1737, está diretamente associada ao interesse português em manter base na região do Prata. A origem do interesse dos portugueses na região do Prata pode ser datada durante o período da união ibérica quando alguns segmentos de comerciantes portugueses passaram a se estabelecer em Buenos Aires. Com o fim da união Ibérica os portugueses são expulsos da região. Como não era de intenção deles abandonar o próspero comércio platino e o contrabando, os comerciantes portugueses pressionam a coroa portuguesa para estabelecer um forte na região. Como indica Pesavento, concretizando estas ambições, em 1680 foi fundada, na outra margem do rio da Prata a Colônia do Sacramento. A proteção da Colônia do Sacramento foi um dos principais fatores que contribuíram para o interesse português em povoar o atual estado do Rio Grande do Sul. As missões Jesuíticas As missões jesuíticas estabelecidas, a partir de 1682, no território gaúcho pelos jesuítas espanhóis fazem parte de uma estratégia dos espanhóis em conter o avanço português na região e no Prata. O historiador Moacyr Flores descreve detalhadamente como se organizavam as missões e a atuação educacional e religiosa dos jesuítas nos sete povos. Os jesuítas não se limitaram apenas a edu- cação religiosa dos índios guaranis, mas também buscavam proteger os índios contra a ação dos bugreiros e da escravidão. Além de receber educação europeia, os índios missioneiros também se ocupavam da criação de gado e da agricultura moderna. O principal produto cultivado nas missões era a erva mate e o fumo. De modo geral, como salienta Flores, os jesuítas aceitavam grande parte da cultura indígena como, por exemplo, o modo de organização da produção coletiva e individual e a língua guarani, mas descartavam alguns como a “poligamia”.

Como indica Pesavento os índios missioneiros também buscavam gado na tumultuada região de vacaria do mar para os jesuítas espanhóis. O interesse gradual dos portugueses em ocupar a parte sul do Brasil também estava relacionado a ocupação das missões jesuíticas. Com os anos, tanto os espanhóis como portugueses perceberam as riquezas que os jesuítas produziram através da mão indígena. Com o tratado de Madri (1750), o interesse português pela região das missões é satisfeito. Portugal e Espanha propõem a troca da colônia do Sacramento, sob domínio português, pela região das missões, sob dominação espanhola. O tratado de Madri, 1750, realizado por Portugal e Espanha, determinou que os índios abandonassem os sete povos para não gerar revoltas destes contra Portugal. Na figura abaixo temos como ficou a divisão do território Rio-grandense com o tratado de Madri e a localização dos sete povos (São Francisco de Borja, São Nicolau, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo Custódio). Três consequências sobre o território rio-grandense surgiram do tratado:

  • A criação da Capitania Rey de do Rio Grande do Sul São Pedro.
  • O estabelecimento do Rio Uruguai como fornteira do Brasil e do Reino do Prata.
  • As Guerras guaraníticas As guerras Guaraníticas – as batalhas na região missioneira duraram de 1754 a 1756. Apesar da concordância dos jesuítas em abandonar a região, os indígenas missioneiros, liderados por Sepé Tiaraju permanecer na região. Os índios missioneiros travaram várias contra investidas militares do Prata. Em 1756, parte do Prata uma missão com mais de 2 mil homens. O lider Sepé Tiarajú morre após uma emboscada que preparou para os platinos. O mito de Sepé está presente na obra anticlerical O Uraguai , de Basílio da Gama.Como analisa Flores, a guerra guaranítica destruiu moralmente as reduções, abalando a confiança dos índios nos jesuítas e nas autoridades, destruiu estâncias e ervais. Vacaria do Mar A região que se denominava Vacaria do Mar compreende a atual parte sul do Estado e norte do Uruguai, região da Campanha. Tratava-se de uma região de pastagens onde se criou a campo livre uma quantidade de vacum de origem questionada pela historio- grafia. A região era conhecida tanto pelos espanhóis como pelos portugueses. Em apenas 6 anos, de 1628 a 1634 foi exterminado todo o rebanho da região. Como indica pesavento, ‘preia ao gado xucro’ ; uma intensa atividade de caráter predatório, atraiu para a região, os paulistas, os “acioneiros” das províncias do Prata e os índios missioneiros e indivíduos sem fé nem lei que vaqueavam por conta própria, vendendo o couro a quem lhes pagasse. Extraía-se apenas o couro, que era então exportado para a Europa por Buenos Aires ou pela Colônia do Sacramento. A carne, na época, não tendo um valor econômico, era consumida no local, em quantidades necessárias à subsistência, e o restante, deixado a apodrecer no campo. A região mais tarde passa a ter importância na ocupação do estado. Anos depois do eldorado de Vacaria do Mar os luso-brasilei- ros passam a estabelecer a criação de gados naquela região e a ocupação desta através da doação sesmarias. A formação da capitania de são Pedro: uma região estanceira e militarizada Os tropeiros luso-brasileiros, durante desde o século XVII desrespeitavam o tratado de Tordesilhas. Por questões de ordem eco- nômica, como a busca de gado, de ouro e de índios (para substituir a escravidão negra sob controle holandês) eles atravessavam o território espanhol e mapeavam terras abrindo caminhos para circulação de produtos. Os portugueses se aventuraram em andar pelo litoral brasileiro, chegando até o atual Uruguai em busca de alguma riqueza econômica, principalmente o gado, que poderia estar abandonado. Nada encontrando, mais ao sul, eles se fixam no comércio do Plata, durante o período da união ibérica. A partir do século XVIII a região passa a ser objeto de disputa aberta entre portugueses e espanhóis. Como podemos ver, no início o território gaúcho era atrativo de tropeiros paulistas e lagunenses que vinham atrás do gado para comercializá-lo na região de Sorocaba, de onde era distribuído tanto para os engenhos como para as necessidades da mineração na região das gerais. Com os anos os portugueses tiveram que montar base na região. Os portugueses, durante o período da união ibérica, passaram a distribuir sesmarias na região do litoral gaúcho e a fundar aldeias. A ocupação do território propriamente dita do território onde se situa o atual estado do Rio Grande do Sul se realizou de forma gradativa. Em linhas gerais, o processo de ocupação do estado teve dois fatores distintos, mas complementares. De um lado, a ocu- pação gradual do RS esteve relacionada à necessidade portuguesa da manutenção da Colônia de Sacramento. A criação do primeiro Forte de Jesus, Maria e José, em 1937, que originou a cidade de Rio Grande teve, entre outros motivos, como principal fator o forta- lecimento português na região Platina. Conforme indica o historiador Moacyr Flores, a Comandância Militar do Continente do Rio Grande de São Pedro (com sede em Santa Catarina) tinha como objetivos auxiliar a Colônia do Sacramento, povoar a região e regular as relações entre os diferentes elementos povoadores. O governo colonial estabeleceu uma rígida disciplina militar para controlar uma população de origem tão

O tratado de Santo Ildefonso, a divisão da Capitania e a intensificação do contrabando de gado Após anos de invasões e conflitos na região Portugal e Espanha assinam o tratado de Santo Ildefonso (1777). Com o tratado a formação política- geográfica da capitania sofre novas alterações. Os portugueses enfraquecidos economicamente com a crise do ciclo do ouro nas minas gerais perdem toda a região das missões em troca pela ilha de Santa Catarina que foi invadida no mesmo ano do tratado. A capitania de Rio grande de São Pedro fica dividida ao meio. O tratado estabeleceu uma zona neutra (os campos neu- trais) entre a região das lagoas mirim e mangueira e a costa marítima. Como salientam Schroder, Konrad e Rodrigues. As restrições impostas pelas zonas neutrais não resolveram o conflito na região. Ao contrário intensificaram o contrabando de gado na região. Os portugueses, principalmente, não respeitaram as zonas neutriais. A capitania pelo tratado de Santo Ildefonso As vilas e sedes de freguesias da capitania no final do século XVIII No final do século XVIII havia três vilas na capitania; N.Sra Madre de Deus de Porto Alegre (sede do governo), São Pedro de Rio Grande e N. Sra de Rosário do Rio Pardo, 10 sedes de freguesias (entre elas N. Sra. Da Conceição de Viamão, Santo Antônio da Patrulha, Bom Jesus do Triunfo) e 9 freguesias que se distribuíam em capelas (N. Sra da Conceição de Piratini, São Francisco de Paula de Pelotas, Santa Bárbara de Encruzilhada...). O período que vai do final do século XVIII até o início do século XIX é marcado pela expansão das sesmarias e a reconquista de terras perdidas pelo tratado de Santo Ildefonso. Os estanceiros, enriquecidos pelas charqueadas, passam a ocupar a região neutral expandem-se até as missões. Como indica Pesavento, o enriquecimento propiciado pelo charque contribuiu para acirrar as relações entre os latifundiários gaúchos e os representantes da coroa. Além do poder econômi- co regional os estanceiros passam a ter também o controle administrativo da região. Eles passam a monopolizar os cargos na região, dividindo-os entre eles, em detrimento dos interesses coloniais lusitanos. A importância da área cresceu de tal forma que o Rio Gran- de foi promovido a capitania Geral, independente do Rio de Janeiro e diretamente subordinada ao Vice-Rei do Brasil. O início do século XIX: a vinda da Família Real, a Conquista de Cisplatina, a imigração alemã e a revolução Farroupilha A vinda da Família Real ao Brasil Em 1806, os franceses decretam o controle continental aos navios ingleses em todas as nações sob domínio francês. O Reino Português, aliado tradicional da Inglaterra, mantem sua solidariedade aos ingleses, adotando uma postura “neutra”, mas furando o bloqueio. Em 1807, as tropas francesas lideradas pelo general Junot marcham em direção à Península Ibérica. Temendo a invasão francesa, em 1808, a família real desembarca na cidade de Salvador e depois segue para o Rio de Janeiro. A vinda da família Real ao Brasil constitui uma história à parte para os historiadores que se dedicam a história de fatos históricos particulares. Em geral, é motivo de muitos contos, curiosidades e anedotas. Em 1815, o Brasil deixa de ser Colônia, fazendo parte do Reino Unido de Portu- gal e Algarve. O principal da vinda da família real foi o crescimento econômico, urbano, educacional e científico que o Brasil teve durante o período. Entre as mudanças que ocorreram durante o período em que a Família Real esteve no B rasil (1808-1820) destacam-se: a criação do Banco do Brasil (1808), a abertura de escolas de Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro, O Museu Real (atual Museu Nacional), o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, criação de indústrias, criação da Imprensa Régia, publicação de jornais. Do ponto de vista estraté- gio foi criada a Academia Real Militar. Com a finalidade admnistrativa as capitanias foram elevadas à províncias. A chegada de Dom João ao Brasil também proporcionou mudanças à capitania de Rio Grande, que agora passara a ser província. As vilas de Rio Grande, Porto Alegre e Rio Pardo foram elevadas a municípios e Santo Antônio da Patrulha passou a ser o quarto município da província. O rei procedeu uma nova organização militar à província criando o Regimento de Milícias Guaranis das Missões, sediado em São Borja. Neste período, organiza duas frentes de combates no país promovendo a invasão de Caiena, colônia francesa ao norte da América do Sul, e a intervenção no Prata com o apoio inglês. Comandadas pelo militar de Manoel Marques de Sousa as tropas luso-brasileiras invadem as cidades de São Carlos, Maldonado, e Melo e marcham para Montevidéu. Em 1821, através de um Tratado o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves incorpora Montevidéu, criando a Província de Cisplatina. Os platinos resistem durante anos na região da campanha até que com o apoio de tropas argentinas (nação liberta da Espanha desde 1810), conseguem formar o país Uruguai, na região compreendida entre o Chuí e o Rio da Prata. A imigração Alemã No contexto das nações europeias que começavam a se desenvolver industrialmente, como era o caso de regiões que passarão a integrar a Alemanha (1871), a intensidade do capitalismo industrial e a acumulação de capital por parte da burguesia urbana fez surgir uma massa proletariada urbana. A indústria com maior capacidade produtiva, fez com que as pequenas manufaturas entrassem em cri- se. A crise do meio urbano também se refletia no campo, onde os problemas principais advinham da concentração da propriedade, do

confisco de terras e dos altos impostos agrícolas. Estas condições perversas na estrutura econômica criaram uma massa populacional com dificuldades de se colocar no sistema produtivo tanto no meio urbano como no ambiente rural. Como salienta Pesavento, o prin- cipal problema para países como a Alemanha, que já atravessavam problemas políticos de unificação foi o crescimento demográfico de uma massa populacional excedente em termos de ocupação que ameaçava a estabilidade interna das nações. Paralelo às dificuldades das populações destes países europeus que estavam sofrendo transformações no meio industrial e com um excedente de população desprovida dos meios de produção (especialmente da terra), algumas novas nações como o caso do Bra- sil, que desde 1808, com a abertura dos portos, tinham a necessidade da ocupação populacional de seu território para garantir tanto o desenvolvimento de colônias agrícolas, visando a gradual substituição da mão de obra escrava, como para fins militares. Com estas finalidades, Dom Pedro I solicita a vinda de soldados alemães e, posteriormente, o governo imperial passa a estabelecer colônias na província do Rio Grande. Atraídos por promessas de uma terra próspera em 1824 chegam ao Brasil, os primeiros colonos Alemães que partiram do Rio de Janeiro, depois para Porto Alegre e da capital para a Feitoria do linho-cânhamo, atual cidade de São Leopoldo. Os colonos alemães estabeleceram, de forma mais intensiva, a agricultura com uma base de policultura e deram origem à uma indústria familiar alicer- ceada em atividades como sapateiros, alfaiates, tecelões, carpinteiros ou marceneiros. Como indica Flores, Em 1829, havia em São Leopoldo oito azenhas, uma fábrica de azeite, uma fábrica de sabão e oito pequenos curtumes. Do ponto de vista econômico, segundo a mesma autora, a colonização visava atender o abastecimento interno do país, ameni- zando o desnível da balança comercial causado pelo grande peso das importações. Ao longo dos anos, os habitantes de origem alemã diversificaram a produção do estado desenvolvendo uma economia comercia de gêneros de subsistência, e a partir dos anos 1870, exportam para o centro do país abastecendo o mercado interno regido pelo café no Vale do Paraíba (SP). Além dos gêneros agrícolas exportados (milho, feijão, batata, mandioca trigo) as colônias se especializaram também na produção de toucinho e banha. O desenvolvimento da agricultura beneficiou o surgimento do processo de acumulação de capital para um grupo bem específico entre os habitantes das colônias: o comerciante. Como destaca Pesavento, o comerciante alemão foi o elemento que se destacou no mundo colonial na província. Lucrava sobre a produção agrícola mediante a diferença obtida pelos produtos na colônia e em Porto Alegre. Lucrava com o transporte das mercadorias da colônia à capital, lucrava ainda com as operações financeiras e de empréstimo e guarda de dinheiro, o que lhe oportunizava capital de giro para investir. O comerciante da área colonial diversificou paulatinamente suas atividades aplicando o capital na indústria, em empresas de navegação, bancos, companhias de seguro, loteamentos, hotéis. Segundo Pesavento, a introdução de colônias alemãs na Província também estava relacionada a uma estratégia política por parte do poder central. A ocupação de pequenas áreas virgens pelos pequenos agricultores tinha também o intuito de neutralizar o poder da oligarquia regional (os estanceiros). Mas, na prática, do ponto de vista político, o poder regional era dominado por latifundiários da pecuária (estanceiros). Durante o século XIX, as possibilidades de atuação política eram quase nulas. Os elementos enriquecidos da colônia atuavam na política mais fazendo a relação entre a massa de pequenos agricultores e a oligarquia pecuarista do sul do estado. Em termos de cargos o máximo que restava aos habitantes das cidades coloniais era a ocupação de vagas nas câmaras municipais, geralmente exercida por comerciantes e elementos de uma elite cultural em formação. O Estudo de Gans sobre a presença teuta em Porto Alegre durante a segunda metade daquele século, demonstra a influência que os alemães tiveram no comércio da capital. Como mencionamos, muitos dos descendentes de alemães que viviam nas colônias vieram a ocupar diversas profissões, sobretudo comerciais e artesanais, na capital e a se integrar na vida socioeconômica da cidade como um todo. A dimensão da presença alemã na capital pode é exemplificada por Gans através do que relatou na época o viajante alemão Jo- seph Hömeyer sobre a cidade: “Eu já havia notado, em outras cidades meridionais, grande número de alemães e Porto Alegre pareceu-me totalmente alemã. Todas as lojas, todas as oficinas pareciam ser de alemães, todas as estalagens, todas as vendas tinham nomes de alemães e o cabelo louro parecia predominar”. Quadro sintético do estabelecimento de colônias Alemãs na província do Rio Grande na fase imperial brasileira Período 1824 1827 1835 -1845 1850 1857 Região São Leopoldo Primeiro núcleo colonial alemão no Brasil São Pedro de Alcântara Litoral norte do RS Com a Guerra dos Farrapos não foi permitida a colonização para o RS, estabelece-se a zona do Itajaí-SC como área de colonização. Estabelecimento de colônias nos vales dos Rios Pardo, Taquarí e Caí. Jacob Reingantz Inicia o povoamento da região de São Lourenço – sudeste do RS Fonte de dados: Moacyr Flores: História do Rio Grande do Sul – Organização Luciano Jacobsen

De acordo com Flores, em 1836, os farrapos manobram a Assembléia Legislativa que não deu posse ao novo presidente indicado, e induzem Antônio de Souza Neto a proclamar a Republica Rio-Grandense em 11.09.1836, após a vitória nos Campos de Seival. No ano seguinte, foi fundada a República Piratini, na localidade de mesmo nome. Durante seu tempo de duração, a República Rio-Grandense funcionou nos ditames de um país independente, com bandeira, hinos, escudos e economia própria. Mesmo lutando contra o Império Brasileiro, os Farrapos nunca aceitaram a ajuda externa para resolver as questões internas. Logo no início da revolução o uruguaio Lavalleja propõe ajuda às tropas farroupilhas com o intuito de formar um novo país em um imenso território compreendendo o Uruguai, o Rio Grande do Sul e as províncias Argentinas de Entre Rios, Corrientes e Missiones. No final da guerra, como salienta Flores, o presidente da Argentina, Manuel Rosas, com o objetivo de lutar contra o império brasileiro ofereceu dinheiro para Bento Gonçalves continuar a Revolução. A Revolução foi tomando batalhas entre forças em toda a província. Os farrapos, por vários anos, sitiaram a capital e outras cidades em sucessivas batalhas com os caramurus (em geral gaúchos que lutavam em prol do Império). De acordo com o historiador citado, o grande erro de estratégico dos farrapos foi nunca ter tomado a cidade do Rio Grande. Além de deixarem uma brecha para as tropas imperiais entrarem na província para combatê-los, os farrapos ficaram sem um porto para exportação do charque e para manutenção da vida comercial. As exportações da república Rio-Grandense seguiam pelo porto uruguaio de Montevidéu. A falta de uma região portuária fez com que os farrapos novamente invadissem o território catarinense. Depois de terem tomado a cidade de Lages (1838), no planalto da província de Santa Catarina, os farrapos, liderados pelo italiano Giuseppe Garibaldi visavam uma região portuária naquela província. Para tanto escolheram a cidade de Laguna, que passou a denominar cidade Juliana, capital da República Catarinense. Sem o apoio da população local, a República Juliana durou quatro meses, sendo retomada pelo exército Imperial no ano de 1839. A revolução começou a ter seu fim quando, em 1842, o Barão de Caxias assume o Comando das Armas. Uma de sua primeira estratégia foi fazer um acordo com o presidente do Uruguai, Oribe, impedindo que os republicanos se refugiassem do outro lado da fronteira. De outro lado, foi conquistando o apoio das populações por onde passava distribuindo roupas, alimentos e água. De outro lado, as lideranças farrapas passaram a se dividir, questionando o centralismo dentro do próprio movimento. Como descreve Flores, a República Rio-Grandense ficou sem capital e o exército passou a agir em pequenos grupos na zona da campanha, cada vez mais recalcados para a fronteira. Em 1944, Bento Gonçalves iniciou as tentativas de acordo com o Barão de Caxias. As reinvindicações do grupo revolucionário era que fosse concedida a anistia geral, garantia dos cargos no exército nacional para os rebeldes de acordo com os postos que ocu- param na revolução, liberdade a todos os cativos (em geral os lanceiros negros) que lutaram na revolução, garantia da propriedade e da segurança individual, entre outros itens. Assim, em 1845 é assinado o acordo de Ponche verde que deu fim à revolução. Na verdade os Imperiais declararam pacificada a província, mas não assinaram o acordo, apenas cumprindo-o em partes. A liberdade dos negros como queriam os farrapos foi negada pelos imperiais. Uma parte dos negros foi exterminada na Batalha dos Porongos e os sobreviventes foram enviados ao Rio de Janeiro. Como salienta Pesavento, iniciou-se após a revolução um período de apogeu da dominação regional marcado pela submissão da província, empobrecida pelos dez anos de guerra, aos interesses do centro do país. Durante os dez anos de luta a imigração esteve paralisada. Os imigrantes alemães que vieram para o país no período da revolução foram encaminhados para as províncias de Santa Catarina e Espirito Santo. Imigração Italiana no Rio Grande do Sul A colonização italiana teve inicio no ano de 1872 nas colônias de Conde D´Eu e Dona Isabel, na região serrana do estado. Como indica Flores, no Rio Grande do Sul os imigrantes italianos receberam glebas agrícolas de 25 ha., isoladas da sociedade brasileira, o que permitiu a conservação dos valores éticos e religiosos. As colônias eram auto-suficientes em alimentos sendo o milho o produto que servia de base para a alimentação das pessoas e dos animais. Os colonos se dedicavam intensamente à produção de alimentos de subprodução animal: manteiga, queijo, leite, banha e ovos. A maior atividade econômica dos colonos italianos gaúchos era a viticultura. O produto era exportado para as fazendas do centro do país o que possibilitou a formação de cooperativas e grandes cantinas na região. O progresso industrial na região teve impulso a partir da ferrovia Porto Alegre- Caxias. O maior contato com o sistema econô- mico da sociedade brasileira possibilitou o sucesso econômico das colônias. No início do século, a área colonial já conta com muitas indústrias, principalmente metalúrgicas, que se ocupavam da formação de ferramentas. A vocação artesanal dos colonos impulsio- nava a indústria. A partir de 1910 os colonos passam a ocupar outras áreas do estado principalmente a região do alto-uruguai. Mas em poucos anos se expandem da serra até a região norte do estado.

Atualmente, cerca de 25% da população gaúcha é descendente de colonos italianos, que através dos anos foram ocupando e fundando diversas cidades pelo interior do Estado. A imigração polonesa Os poloneses chegaram no Rio Grande do Sul a partir de 1884, se estabelecendo inicialmente na colônia de Conde D´Eu. Como grande parte das terras já estava destinado aos colonos alemães e italianos, os poloneses tiveram que se espalhar por várias regiões do estado, principalmente na região das Missões e do Alto Uruguai. Mesmo com o distanciamento geográfico, os colonos poloneses mantiveram seus hábitos e costumes, principalmente religiosidade, a culinária e o gosto pela música. Economicamente se dedicaram mais intensamente a agricultura e ao comércio. A imigração Judaica A imigração judaica no Rio Grande do Sul começou no ano de 1904, os judeus vinham de vários países da Europa. A imigração foi organizada por uma associação, a “Jewish Colonization Association” (Associação Judaica de Colonização). O primeiro processo de fixação de imigrantes judeus no Rio Grande do Sul se deu na criação da Colônia de Philippson, próxima a Santa Maria. Com o fracasso da maioria dos núcleos agrícolas os imigrantes judeus começam a abandonar a zona rural e passam a procurar a zona urbana. Assim, em meados de 1920, Porto Alegre será a cidade mais procurada no RS. Também, outras cidades representa- ram uma alternativa aos colonos judeus que abandonavam a zona rural em busca de uma vida melhor, como Erechim, Pelotas, Rio Grande, Santa Maria e Passo Fundo. Nas cidades, inicialmente, desenvolviam-se como mascates e depois passaram a adquirir lojas, fabricando móveis, confeccionando roupas, entre outras atividades. (Serviu de orientação para abordar a colonização judaica o estudo de NEVES, GOMES, ALVES, RIBEIRO E RODRIGUES 2009: Imigração judaica no RS em busca de um território livre). Rio Grande do Sul: contexto econômico No contexto da fase colonial do Brasil (1500-1822), o início do século XVII, corresponde ao terceiro ciclo econômico do Brasil, o ciclo da mineração, que teve impulso com a descoberta do ouro na região das Minas Gerais. Nesta fase, os tropeiros oriundos da capitania de São Vicente intensificam suas investidas à região onde hoje situa o estado do Rio Grande do Sul com a intenção de capturar o gado abandonado na região de Vacaria do Mar, na parte sul do estado. Este gado era levado para a região de Sorocaba e dali seguia para abastecer a capitania de Minas Gerais. Portanto, como estas terras eram zona de disputas entre Portugal e Espanha nesta fase não se pode pensar em uma economia consolidada pela pecuária. O que havia era uma pilhagem de animais tanto pelos espanhóis como pelos portugueses, que os jesuítas abandonaram na região. Com a ocupação sistemática dos portugueses na região, a partir dos anos 30 daquele século, inicia-se uma pequena economia apoiada na pecuária, sobretudo para utilização do couro do animal. A ocupação propriamente econômica do território gaúcho inicia quando os portugueses distribuem sesmarias ao longo do litoral. Nestas terras, chamadas “estâncias”, os luso- brasileiros que aqui se situaram, passaram a criar o gado de forma extensiva. Como indica a historiadora Sandra Pesavento, nestes anos, os rebanhos de gados do sul do Brasil, conectam o Rio Grande do Sul como economia subsidiária da economia de exportação (ouro e açúcar). Inicia-se então a economia do charque, que passará por anos a constituir a base da economia desta província. Com a chegada dos açorianos, um produto de base agrícola é introduzido no estado, o trigo. Em poucos anos, as plantações são atacadas pela praga da ferrugem e os açorianos abandonam esta cultura e a exemplo dos luso-brasileiros passam também a dedicar-se a pecuária extensiva. Somente na primeira metade do século XIX, com a chegada dos colonos alemães à província, em 1824, é que a estrutura econô- mica deixa de ser baseada exclusivamente na pecuária. Já nos primeiros anos de colonização os imigrantes alemães introduzem na província uma economia de subsistência de produtos agrícolas Como observa Manique da Silva (1979), passam assim a coexistir duas sociedades distintas na província de São Pedro: a do estancieiro (na grande propriedade, dominando a Serra do sudeste e a Campanha) e a dos pequenos agricultores localizados princi- palmente em determinadas áreas da Depressão Central e do litoral. A partir da década de 40 até 1870, inicia uma fase que caracteriza a introdução do comércio de produtos comercias (milho, feijão, batata, trigo) entre a zona colonial alemã e a capital da província. Dos anos 70 em diante, a agricultura colônia já atingia uma fase de poder exportar para o centro do país, abastecendo o mercado interno gerado pelo café. Nesta fase, começa a ganhar força econômica uma nova figura, o comerciante, que mais tarde se constituirá no industrial através da acumulação de capital.

As demais exportações da pecuária compõem um elenco de produtos, como carne em conserva, couros curtidos, gado em pé, graxa, crinas, ossos, chifres, etc. A produção da lavoura exportada também foi crescente no período 1889-1930. No início, os principais produtos exportados eram arroz, feijão, fumo em folha, farinha de mandioca, vinhos, cebola, erva-mate, batata-inglesa, alfafa e banha. O desempenho das vendas coloniais foi sustentado pelo crescimento da banha e do arroz, assim como pelo de vinhos e batata-inglesa. A banha foi o mais importante produto colonial exportado. Resultava da associação entre a produção familiar de subsistência e a criação de suínos para a fabricação da banha. De acordo com Roche, no início do século XX, ocorreu um processo de separação entre o criador de suínos e produtor de banha bruta e os refinadores de banha, passando esta a ser transformada por indústrias situa- das próximas às regiões coloniais, junto com os demais produtos derivados, como as carnes preparadas, os embutidos, o sabão e os defumados. Primeiro a produção abastecia o mercado do Rio Grande do Sul e, posteriormente, destinava-se às praças do Rio de Janeiro e de São Paulo basicamente e entre 1917 e 1923, atingiram o mercado internacional chegando a países como Alemanha, Argentina, Itália, Portugal e ao Uruguai. A comercialização para outros países só foi representativa para alguns produtos, como arroz, fumo, feijão e batatas, nos anos da Primeira Grande Guerra e no início dos anos 20. Produtos como vinho, cebola, alfafa e milho se voltavam apenas para o mercado nacional .Houve uma estagnação das exporta- ções (menos para arroz, batata-inglesa e alfafa) e por uma drástica baixa de seus preços. A produção colonial do RS e suas relações de comércio sofreram diretamente a concorrência da produção crescente dos res- pectivos produtos em outros estados. Notadamente, Minas Gerais e São Paulo foram os mais competitivos, pois utilizavam terras desbravadas pelo café, assim como Paraná e Santa Catarina, onde a colonização também estava em curso. De acordo com Fraquelli, a produção de arroz permeabilizou a entrada do capitalismo no campo. Desde o início o produto foi cultivado pela lavoura empresarial, utilizando o trabalho assalariado, a mecanização de seu cultivo e a irrigação. A cultura do arroz inicialmente cultivado nas áreas próximas a Laguna dos Patos e cidades como Guaíba e Cachoeira do Sul, se intensifica também no sul pastoril, o reduto da pecuária. O arroz contava com mercado cativo para a venda da produção. Devido a introdução de adubação, preparo mecânico do solo, irrigação, a rizicultura gaúcha apresentava, desde aqueles anos, o maior rendimento entre os estados bra- sileiros. O vinho, a princípio, era um produto artesanal e restringia-se ao autoconsumo e ao mercado regional. Voltou-se para o mercado nacional, nesse período, com o surgimento das cooperativas e das empresas industriais especializadas e com a consequente separação entre a produção agrícola da uva e a produção industrial do vinho. Conforme analisa Dalmazo, a evolução histórica das relações de comércio do RS foi a expressão maior do desenvolvimento cres- cente e das transformações da economia regional. O processo de desenvolvimento dos segmentos da pecuária-charqueada-frigorífico e da lavoura colonial foi fundado com características específicas em relação às demais regiões do Brasil, que configuraram a forma- ção de uma grande diversificação social e econômica no RS. O movimento dos fluxos de mercadorias buscava, principalmente, a realização no mercado nacional. O mercado externo cresceu em importância apenas em um período curto de tempo, especialmente para os produtos da pecuária, mais para o arroz e a banha. Os primeiros anos do século XX: os imigrantes e a industrialização do estado Como pode-se perceber, por longos anos a base econômica do Rio Grande do Sul se realizou na pecuária e na agricultura de produtos coloniais. Vimos que o comércio de produtos coloniais era bastante diversificado e as exportações de produtos da zona da colônia como a banha e seus derivados se destinavam tanto a outros estados como ao comércio internacional. Dentro do estado, o fluxo comercial entre a zona colonial e a capital do estado se realizava de forma extensa. Os colonos incre- mentaram um sistema hidroviário para fazer o escoamento de sua produção para Porto Alegre. Com os anos, vários comerciantes que tinham pequenas indústrias na área colonial passaram a se estabelecer na capital se direcionando às atividades industriais. Dessa forma pode-se notar que no contexto regional, mesmo a mais tempo dominando a economia no estado, não são os pe- cuaristas da região sul o grupo econômico que vai incrementar a industrialização no estado. Atingidos pela concorrência com países platinos e com dificuldades em produzir em escala industrial, através de frigoríficos, este grupo econômico não consegue converter investimentos para o setor industrial como fizeram os cafeicultores paulistas. Em sua maioria, as maiores indústrias do estado nasceram através da acumulação de capital dos comerciantes de produtos agrí- colas da região de colonização alemã, e mais tarde também os comerciantes imigrantes de origem italiana da região serrana. Segundo Reichel (1979) o desenvolvimento industrial gaúcho nos primeiros anos do século XX se caracterizou por incrementar uma produção voltada para atender a expansão do mercado interno nacional. Os comerciantes do estado passaram a aferir mais lucros. O estado passou a comercializar com mais intensidade com o centro do país seus principais produtos: charque e os produtos agrícolas (o feijão, o milho, a batata, a mandioca, a uva e o fumo).

Este superávit comercial possibilitou o incremento industrial do estado, que em 1907 já era a terceira força industrial do país, fi- cando atrás em número de estabelecimentos apenas do Distrito Federal (Rio de Janeiro) e de São Paulo. A produção industrial gaúcha voltava-se especialmente para abastecer o mercado interno. Quanto a distribuição territorial, a zona industrial gaúcha se situava principalmente nas cidades de Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande. Naqueles anos, como acontece hoje, as indústrias gaúchas a distância entre o estado e os principais centros econômicos do país, dificultava a concorrência. O fator distância aumentava os preços dos produtos industriais gaúchos que eram tributados em vários estados antes de chegar ao destino. Este fato fez com que os industriais gaúchos voltassem sua produção mais para o mercado interno do que para o nacional. Esta característica de voltar-se para o mercado interno vai pautar a indústria gaúcha até a segunda metade do século XX. De acordo com Reichel, nos primeiros anos do século XX, as fábricas de maior produção foram as de tecidos, em segundo lugar as fábricas de bebidas, em terceiro lugar as fábricas de calçados e em quarto lugar as fábricas de conservas e de fumo. Naqueles anos, também houve uma expansão do número de fábricas no estado. Em 1905 havia 314 fábricas e em 1919 o estado já possuía 12.950 estabelecimentos fabris. Na primeira guerra houve um crescimento significativo da industrial têxtil gaúcha, que ao longo dos anos foi perdendo espaço para a agroindústria. Economia gaúcha 30-60: integração com a economia nacional, expansão, crise e subordinação e manutenção do modelo da economia gaúcha subordinada ao centro do país Conforme as analises econômicas, nos anos 30 houve um processo mais intenso de integração da economia gaúcha do mercado nacional, Mas levando em consideração todo o período 30-50 nota-se poucas mudança em relação ao padrão como a economia do RS interage com a economia brasileira. Para caracterizar a economia gaúcha do período tomamos por base as análises dos economistas Schmidt e Hierriein Jr, que espe- cificam a dinâmica de vários setores da economia gaúcha desde o final do século XIX. AS bases do crescimento econômico do RS consistiram na manutenção de seu papel de exportador agropecuário e agroindustrial para o mercado interno brasileiro, bem como na ampliação de seu mercado interno regional. Até meados dos anos 50, pelo menos, a restrita integração do mercado nacional para a produção industrial e a escassez de oferta de bens industriais, permitiram que a indústria gaúcha se expandisse no período com escalas de produção antieconômicas e elevados custos de produção, que se revelariam insustentáveis quando a integração do mercado interno brasileiro impôs condições concorren- ciais mais severas aos produtores gaúchos (Barros de Castro). A indústria gaúcha, entre 1920 e 1950, acentuou o seu caráter regional. Na análise de Schmidt e Hierriein Jr, o perfil setorial da indústria gaúcha permaneceu basicamente o mesmo, com uma pequena redução do peso majoritário da indústria da alimentação. Nas duas décadas seguintes à Revolução de 1930, a pecuária tradicional voltou a apresentar dificuldades, mas manteve seu cres- cimento paulatino. O ciclo do charque e a agricultura colonial, a base da economia gaúcha durante todo o século XIX, entram em decadência. No período 30-50 a economia gaúcha é marcada pelas relações de assalariamento, em vista da expansão industrial, da urbaniza- ção, mas também em virtude da formação de um novo setor produtivo, a lavoura capitalista do trigo, que se tornaria, isoladamente, o principal setor da produção primária no início dos anos 50. A economia gaúcha seguiu sua trajetória expansiva, tal qual a economia brasileira, com um pequeno período recessivo que se seguiu à crise mundial iniciada em 1929. Mas, a economia gaúcha apresentava importantes problemas, indicativos do esgotamento do padrão de desenvolvimento econômico configurado nos 40 anos da Primeira República. Dentre os principais problemas que se apresentam a partir de 1930, o esgotamento da fronteira agrícola parece ter sido decisivo para uma economia regional com ampla base agropecuária e uma indústria estreitamente vinculada a ela (Accurso, Candal, Veras, 1965), De outra parte, a fragmentação da propriedade da terra na lavoura colonial obstaculizava a ampliação da produtividade, enquanto o latifúndio permaneceu consolidado ao sul do Estado, sem que a pecuária extensiva alterasse seu padrão produtivo. Do ponto de vista estratégico, o estado ainda enfrentava problemas de infra-estrutura, como era o caso da energia elétrica. Já a produtividade cresceu em índices inferiores aos da indústria paulista, assim como os salários médios. Como enfatiza os economistas citados, trata-se de uma crise especificamente regional, porque, nessa década, a economia brasilei- ra realizou um “grande salto” com o Plano de Metas (1955-59), resultado da ação de um Estado desenvolvimentista, sob o Governo de Juscelino Kubitschel. A instalação dos novos setores industriais assinalou uma nova fase da industrialização brasileira regional- mente concentrada no sudeste. A integração do mercado nacional ensejou que novas áreas de produção agropecuária (Paraná e Centro-Oeste) alcançassem os mercados do centro do País com vantagens de produtividade e localização sobre os produtores gaúchos, enquanto os produtos indus- triais de São Paulo começavam a adentrar expressivamente o mercado regional em condições vantajosas frente aos produtores locais. Paralelamente, a lavoura do trigo experimentou uma grande crise, em parte devida aos acordos do Governo Federal com os EUA para importação dos excedentes da produção tritícola daquele país.

Período 1962- Ao período expansivo da economia, seguem-se os anos da crise de 1962-67. No caso específico do Rio Grande do Sul, a sua in- dústria de transformação acompanha o fraco desempenho da economia, apresentando uma taxa de crescimento muito baixa, inclusive inferior à apresentada pela indústria brasileira. Período 1968- A expansão da indústria de transformação do Rio Grande do Sul foi expressiva no período 1968-73, inclusive superior à veri- ficada no período anterior, de rápido crescimento industrial.. Neste período a produção industrial do Estado expandiu-se de forma acelerada, chegando inclusive a superar o ritmo apresentado pelo conjunto da indústria brasileira. Período 1973- O período 1973-80 caracteriza-se por uma desaceleração no crescimento da produção industrial comparativamente ao período 1968-73. Entretanto as taxas ainda foram elevadas, estando, inclusive, acima da taxa histórica de crescimento do PIB brasileiro nas últimas décadas. Considerando a indústria total, a intensidade da queda é maior para o Rio Grande do Sul do que para o Brasil. Durante os pe- ríodos 1965-73 e 1973-80, os setores privilegiados foram os de bens de capital (mecânica e material de transporte) e os de bens de consumo não duráveis, no período seguinte a ênfase foi desviada para o setor de insumos básicos (siderurgia, metalúrgica, produtos químicos e fertihzantes, etc). O setor agrícola gaúcho no período 70- As flutuações ocorridas na indústria durante o período analisado também podem ser notadas na agricultura. Assim como no setor secundário, o terciário gaúcho também passou por períodos de crescimento e crises ao longo daqueles anos. De acordo com Garcia, a partir da década de 70, o Rio Grande do Sul, utilizou-se largamente do sistema oficial de crédito a lavou- ra empresarial — arroz, trigo e soja — e, em menor escala e via de regra de forma indireta, os agricultores vinculados à agroindústria. Houve também um crescimento da demanda por máquinas e insumos modernos (defensivos, fertilizantes, tratores, implementos agrícolas, etc. ) Nos anos 80-90, a situação inverteu-se. A crise que se abateu sobre a economia brasileira incidiu no volume de crédito e na con- cessão de subsídios. Na verdade, os subsídios vão diminuindo gradativamente, até serem completamente eliminados em meados da década. Para o período 70-80, a soja foi o produto agrícola que obteve o melhor desempenho. A produção do RS atingiu o mercado ex- terno com mais verocidade. A partir da década de 90, o produto teve um decréscimo da área cultivada no estado devido à queda da soja no mercado internacional e ao aumento da concorrência externa. Quanto à produção de trigo, no período foi marcado por oscilações, com tendência de redução na área cultivada.. Em 1970, se plantou 1 ,4 milhão de hectares desse grão e, em 1990, apenas 980 mil. O Brasil sempre se caracterizou como um importador deste produto agrícola. A produção de arroz no estado é analisada por Sampaio e Furstenau. Segundo as autoras, a produção de arroz do Rio Grande do Sul tem sido, ao longo dos últimos anos, sempre superior à dos grandes países produtores. Para a produção gaúcha de feijão houve oscilações durante os anos 90, decorrentes, em grande parte, de variações climáticas. Essa lavoura é extremamente vulnerável às mudanças climáticas e/ou a doenças originadas de situações climáticas não propícias às diversas fases do desenvolvimento das plantas. Apesar do crescimento da lavoura o estado passou a ser o oitavo produtor nacional. O Brasil é o segundo maior produtor de feijão, ficando atrás apenas da Índia. Em relação à produção de Milho, o Rio Grande do Sul, por sua vez, era o segundo maior e passou para a terceira colocação em 2000 e poderá ser superado, talvez rapidamente, por Goiás. O Estado do RS era responsável por 18,55% do total nacional; em 2000, teve sua participação diminuída para 12,18. Desempenho do setor agroindustrial no período 70- No segmento mais intimamente vinculado à agroindústria, foi a produção de aves aquela que apresentou um melhor desempenho, na medida em que “ganhou espaço” tanto no mercado extremo quanto no interno. No mesmo sentido, apontam os dados relativos ao consumo per capita da came de frango no Brasil: ele passa de 4,9 em 1975 para 18,3 kg/hab./ano em 1992.’’ O Rio Grande do Sul foi um dos estados da Federação que mais se beneficiou dessa expansão do mercado. Entre 1970 e 1992, o abate de aves no Estado dos irrisórios 13 milhões chegou a 261 milhões de cabeças.

No segmento de carne bovina a produção manteve-se praticamente estagnada nestes 20anos. No Rio Grande do Sul a área da pecuária perdeu espaço para a da lavoura e os abates permaneceram estáveis. Economia gaúcha contexto atual Respondendo por 8,8% do PIB nacional, o Rio Grande do Sul tem a quarta maior economia nacional, ficando para trás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A economia gaúcha tem sua matriz diversificada na agricultura (soja, trigo, arroz e milho), na pecuária e na indústria (de couro e calçados, alimentícia, têxtil, madeireira, metalúrgica e química). No setor automotivo o estado se destaca por possuir um dos maiores parques do continente. Esse setor responde por 13% do PIB industrial gaúcho. O pólo de autopeças da região de Caxias do Sul é o segundo mais importante do país.O estado destaca-se também como o principal produtor de tratores e colheitadeiras. Nos últimos anos vêm sendo inclementadas atividades de alta-tecnologia como: a fotônica, a metrologia, a biotecnologia, a nanotecnologia e a tecnologia de informação. O desempenho da economia gaúcha em 2011 A Fundação de Economia e Estatística (FEE) do RS divulgou os números do crescimento da economia gaúcha no ano que chega ao fim. O evento é muito esperado pela imprensa do Estado porque ela dá ampla cobertura da matéria há quase quatro décadas. O crescimento do PIB foi anunciado em solenidade no Palácio Piratini com a presença do Bacharel Tarso Genro, excelentíssimo senhor Governador do Estado. O PIB cresceu 5,7% em 2011. O valor do PIB gaúcho é de R$ 273, 879 bilhões no corrente exercício. A participação do produto do Estado no PIB brasileiro elevou-se de 6,47% (2010) para 6,65% (2011). Paralelamente, o PIB per capita estadual atingiu R$ 24.846,00, um aumento de 5,2% sobre o ano passado. Em âmbito setorial, medido pelo Valor Adicionado Bruto (VAB), a Agropecuária avançou 18,8%, enquanto a Indústria cresceu 2,5% e o setor de Serviços evidenciou um incremento de 5,2%. Na Agropecuária o crescimento da atividade da Lavoura (26,7%) foi responsável pelo notável desempenho do setor primário. Em nível de produto os maiores incrementos correram por conta da produção de fumo (44,9%), arroz (30,1%), cebola (24,9%), uva (18,7%), maçã (18,0%), soja (10,9%), feijão (10,1%), trigo (8,8%), batata-inglesa (5,8%), laranja (5,2%) e milho (2,5%). A pecuária registrou avanço de 2,5% no corrente ano, com destaque para a produção de leite (7,3%), aves (3,4%) e suínos (3,3%). O crescimento da indústria foi liderado pela produção de fumo (11,5%), máquinas e equipamentos (9,2%), produtos de metal – exclusive máquinas e equipamentos (4,2%) produtos químicos (3,8%) e veículos automotores (3,8%), mobiliário (2,8%) e edição, impressão e reprodução de gravações. Finalmente no setor de serviços os destaques ficaram por conta dos incrementos de o Comércio e serviços de manutenção e re- paração (4,6%) e transporte, armazenagem e correio (4,1%). O PIB municipal do RS de 2009 Nessa semana a FEE divulgou o PIB municipal do Rio Grande do Sul referente ao ano de 2009. O valor total do PIB foi de R$ 215.863.879.000,00. Porto Alegre detinha o maior do PIB do Estado em 2009, com um valor de R$ 37.787.913.000,00. Ele repre- sentou 17,51% do produto estadual nessa oportunidade. O ranking da segunda até a décima posição e as respectivas participações relativas foi preenchida pelos municípios de Canoas (7,62%), Caxias do Sul (5,80%), Rio Grande (2,91%), Gravataí (2,61%), Triunfo (2,49%), Novo Hamburgo (2,08), Santa Cruz do Sul (2,03%), Pelotas (1,78%) e Passo Fundo (1,73%). Diversas outras informações sobre PIB, PIB per Capita, Valor Adicionado Bruto (VAB), população e variações por grupos de cidades e de Conselhos Regionais de Desenvolvimento (COREDES) podem ser encontrados no site da FEE, www.fee.tche.br. Fonte: blog do professor Fraquelli FEE Exportações gaúchas crescem 28% no ano As exportações estaduais registraram, em novembro, um valor de US$ 1,4 bilhão, que representa um acréscimo de US$ 211, milhões (18,4%) em relação ao mesmo mês do ano anterior. Este resultado foi inferior ao observado na média nacional (23,1%), apesar do crescimento em volume (15,4%) ter sido bastante superior ao registrado País (2,8%). No mês, o Estado ocupou a sexta posição nas exportações nacionais, com uma participação de 6,27% (a menor do ano), abaixo de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pará e Paraná. Destacam-se no mês os crescimentos das exportações de farelo de soja (74,4%), com um acréscimo de US$ 47,6 milhões, e de arroz (276,5%), com um acréscimo de US$ 43,0 milhões, em relação a novembro do ano anterior. Considerando os países de destino, os grandes destaques foram os aumentos para o Japão (US$ 32,3 milhões), para a Itália (US$ 31,0 milhões), para o Reino Unido (US$ 26,4 milhões) e para a Holanda (US$ 25,6 milhões) Nos primeiros onze meses do ano, as exportações do Rio Grande do Sul acumularam US$ 18,1 bilhões. Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve um acréscimo de US$ 4,

Hidrografia Bacias e Sub-Bacias Hidrográficas O território do RS é formado por 3 grandes bacias hidrográficas: a Bacia do Uruguai, a qual faz parte da Bacia do Rio da Prata e abrange cerca de 57% da área total do Estado; a bacia do Guaíba com 30% do total e a Bacia Litorânea com 13% do total. O uso do solo da primeira está vinculado principalmente às atividades agropecuárias e agroindustriais. A segunda apresenta áreas de grande concentração industrial e urbana, sendo a mais densamente povoada do Estado, além de sediar atividades diversificadas incluindo indústria, agropecuária e agroindustria, entre outras. A terceira apresenta usos do solo predominantemente vinculados às atividades agropecuárias, agroindustriais e industriais. No Rio Grande do Sul a gestão dos recursos hídricos vem alcançando importantes avanços com a instalação dos Comitês de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas cujo trabalho visa definir instrumentos de planejamento e gestão dos recursos hídricos, pro- movendo a sua recuperação e conservação. Das 23 sub-bacias do Estado, 16 já contam com Comitês instalados e operantes, 4 apresentam comissões provisórias e 4 são bacias compartilhadas que necessitam tratamento especial. Relevo O relevo gaúcho é bastante variado, ultrapassando os 1000 metros e podendo chegar a menos de 100 metros no Vale do Taquari. O Rio Grande do Sul tem as seguintes unidades morfológicas:

  1. Planalto: constituído predominantemente de áreas de campos limpos e pastagens; campos subarbustivos; florestas de encosta; florestas do Alto Uruguai; zona agrícola de uso intensivo de verão e inverno e zona agrícola de uso intensivo de verão.
  2. Cuesta do Haedo: constituído predominantemente de áreas de campos limpos e pastagens; campos subarbustivos e zona agrí- cola de uso intensivo de verão.
  3. Depressão Central: constituído predominantemente de áreas de campos limpos e pastagens; zona agrícola de uso intensivo de verão e zona agrícola de culturas diversificadas.
  4. Escudo Sul-Rio-grandense: áreas de campos subarbustivos e de campos mistos com ocorrência de matas-galerias e de encostas.
  5. Planície Costeira: áreas de depósitos arenosos e cordões de dunas; lagoas e lagunas; zona agrícola de uso intensivo de verão e zona agrícola de culturas diversificadas.

Contexto Geográfico: Geografia Humana do Rio Grande do Sul Para compreender o contexto geográfico do Rio Grande do Sul é importante o estudante se ater, nos aspectos populacionais do estado, na dinâmica sócio-econômica, especialmente nas diferenciações das regiões norte e sul do estado, nas crises na economia da região sul do estado, no processo de urbanização do estado, no fluxo migratório crescente da população para cidades pólos do estado ( Porto Alegre, Caxias do Sul, São Leopoldo, Passo Fundo, entre outras) a migração em direção ao oeste de outros estados da região sul, no êxodo rural. Aspectos populacionais do estado do Rio Grande do Sul A população atual do Rio Grande do Sul é de 10.582.877 de habitantes. Segundo um extenso levantamento da dinâmica popula- cional do estado dos últimos 100 anos realizado pela demógrafa Maria de Lourdes Teixeira Jardim, em 1900 o estado possuía 1. 070 passando para 10.187.798 em 2000. População total e taxas de crescimento anual da população do Rio Grande do Sul e do Brasil — 1900- População Total Taxas De Crescimento Anual (%) ANOS RS BR RS BR 1900 1 149 070 17 438 434 2,50 1, 1920 2 182 713 30 635 605 3,26 2, 1940 3 320 689 41 236 315 2,12 1, 1950 4 164 821 51 944 397 2,29 2, 1960 5 366 720 70 992 343 2,57 3, 1970 6 664 891 94 508 583 2,19 2, 1980 7 773 837 121 150 573 1,55 2, 1991 9 138 670 146 917 459 1,48 1, 2000 10 187 798 169 799 170 1,21 1, FONTE: JARDIM, Maria de Lourdes Teixeira; BANDEIRA, Marilene Dias. Porto Alegre: FEE, 2000. Evolução da população do Rio Grande do Sul - 1940 a 2007 Fonte: IBGE - Censo Demográfico 2000, Contagem da População 2007