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4. João (Moody)
Tipologia: Notas de estudo
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Introdução Esboço Capítulo 1 Capítulo 7 Capítulo 13 Capítulo 19 Capítulo 2 Capítulo 8 Capítulo 14 Capítulo 20 Capítulo 3 Capítulo 9 Capítulo 15 Capítulo 21 Capítulo 4 Capítulo 10 Capítulo 16 Capítulo 5 Capítulo 11 Capítulo 17 Capítulo 6 Capítulo 12 Capítulo 18
INTRODUÇÃO
Caráter do Livro. Simples na linguagem e estrutura, este livro é, não obstante, uma exposição profunda da pessoa de Cristo colocada em cenário histórico. Tem uma mensagem para o discípulo humilde do Senhor e também para o mais adiantado teólogo. Certas semelhanças existentes entre ele e os Evangelhos Sinóticos são facilmente percebidas. Apresenta a mesma pessoa como figura central. Encontramo-lo como o Filho de Deus, o Filho do homem, o Messias, o Senhor do Salvador, e outros títulos. Há alguns anos atrás era moda, em alguns círculos, dizer-se que o Jesus de João era o resultado de um processo teológico dentro da igreja primitiva, por meio do qual o homem de Nazaré fora elevado à posição de divindade. Esse ponto de vista já não é mais sustentável, pois estudos posteriores estabeleceram a convicção de que a Cristologia dos Sinóticos e a Cristologia de João são fundamentalmente a mesma. Um Jesus meramente humano é completamente estranho tanto aos Sinóticos quanto a João. Conforme o padrão histórico se desdobra no Quarto Evangelho, mostra-se parecido, no esboço geral do curso dos acontecimentos, com o quadro dos Sinóticos o ministério preparatório de João Batista, a vocação de certos discípulos para aprender e servir, o ministério duplo da palavra
e dos feitos (milagres), a mesma tensão entre o entusiasmo popular pelo Senhor e a oposição do judaísmo oficial, a importância crítica da pessoa e autoridade de Jesus. Do mesmo modo, no que se refere aos acontecimentos finais da vida de Cristo na terra, encontramos o mesmo quadro da traição, prisão e julgamento, morte pela crucificação, e a ressurreição. Sem dúvida, também encontramos uma considerável diferença dos Sinóticos. Enquanto os Sinóticos mencionam apenas uma Páscoa, parecendo portanto limitar o ministério de Cristo a um ano somente, João menciona pelo menos três Páscoas (2:23; 6:4; 13:1), sugerindo que o ministério estendeu-se por três anos. Nos Sinóticos o ministério limita- se quase que exclusivamente à Galiléia, enquanto João enfatiza a atividade de Jesus na Judéia e pouco diz sobre a campanha na Galiléia. Nos Sinóticos os ensinamentos públicos de nosso Senhor tratam do "reino de Deus". Essa expressão está quase ausente no Quarto Evangelho, onde os discursos centralizam-se grandemente no próprio Jesus, seu relacionamento com o Pai, e a sua indispensabilidade às necessidades espirituais do homem (cons. os Eu sou). Alguns detalhes históricos criam problemas. Um exemplo é a purificação do Templo, colocada por João logo no começo do ministério (capítulo 2), mas no final do ministério pelos escritores dos Sinóticos. A explicação mais simples aqui é provavelmente a melhor – houve duas purificações. Outro exemplo relaciona-se com a vocação dos discípulos, a qual de acordo com os Sinóticos aconteceu na Galiléia. João narra a chamada de diversos homens em cenário da Judéia, bem no encetamento do ministério (capítulo 1). O problema diminui quando se imagina que a própria prontidão dos pescadores galileus em abandonar suas redes para seguirem a Jesus é mais fácil de se explicar com base em conhecimento anterior e um discipulado experimental, tal como o Quarto Evangelho revela. É um tanto perturbador encontrar Jesus já considerado o Messias, neste Evangelho, logo no começo de sua obra (João 1), quando a aceitação do Messiado parece vir bem mais tarde nos outros Evangelhos.
conclusão. Objetivos subordinados podem ser aceitos, tais como a refutação do Docetismo, um ponto de vista que negava a verdadeira humanidade de Jesus (cons. 1:14), e a denúncia do judaísmo como sistema inadequado de religião que coroava seus outros pecados com a recusa em aceitar o Messias prometido (1:11, e outros).
ESBOÇO I. Prólogo. 1:1-18. II. O Ministério de Cristo no Mundo. 1:19 – 12:50. A. O testemunho de João Batista. 1:19-36. B. A escolha dos discípulos. 1:37-51. C. O casamento em Caná. 2:1-11. D. A primeira visita a Jerusalém e Judéia. 2:12 – 3:36.
III. O ministério de Cristo aos seus. 13:1 – 17:26. A. O lava-pés. 13:1-17. B. A participação da traição. 13:18-30. C. O discurso do cenáculo. 13:31 – 16:33. D. A grande oração. 17:1-26. IV. Os sofrimentos e a glória. 18:1 – 20:31. A. A traição, 18:1-14. B. Jesus julgado diante dos judeus. 18:15-27. C. A penosa experiência diante de Pilatos. 18:28 – 19:16. D. A crucificação e o sepultamento. 19:17- 42. E. Aparecimentos depois da ressurreição. 20:1-29. F. O propósito deste Evangelho. 20:30, 31. V. Epílogo. 21:1-25.
COMENTÁRIO
I. Prólogo. 1:1-18.
Sem delongas o escritor apresenta a figura central do Evangelho, mas não a chama de Jesus ou Cristo. Neste ponto Ele é o Logos (Palavra). Este termo tem raízes no V.T., sugerindo conceitos de sabedoria, poder e um relacionamento especial com Deus. Era também largamente usado pelos filósofos para exprimir idéias tais como discussão e mediação entre Deus e o mundo. No tempo de João toda sorte de leitores entenderiam sua adequabilidade aqui, onde a revelação é a nota principal. Mas o aspecto diferente é que o Logos também é o Filho do Pai, que se encarnou a fim de revelar Deus plenamente (1:14,18).
venerar João indevidamente, depois que a Luz despontou, é errado (3:30; Atos 19:1-7). A sintaxe do versículo no grego é difícil. A verdadeira luz que, vinda ao mundo; ilumina a todo homem é a tradução mais provável. Através de sua presença entre os homens o Logos traria uma iluminação superior àquela que fora proporcionada aos homens antes de sua vinda. 10, 11. A Luz era verdadeira e resplandecente, mas a acolhida que teve foi desapontadora. Além da semelhança que há nos dois versículos, jazem neles diferenças deliberadas: estava, mundo; veio, o que era seu; e os seus não o receberam. Deixar de discernir o Logos pré-encarnado é mais compreensível do que a recusa trágica de seu próprio povo, em aceitá-lo quando veio entre eles. 12, 13. Nem todos recusaram a Luz. Aqueles que a receberam ganharam poder (autoridade, direito) de serem feitos (naquele exato momento) filhos de Deus. Aqueles que o receberam são descritos como aqueles que crêem no seu nome (pessoa). Veja 20:31. Há duas maneiras de se dizer a mesma coisa. Os crentes são mais adiante descritos em termos do que Deus faz por eles. Eles nasceram ... de Deus. Não é um processo natural que traz pessoas ao mundo – não do sangue (literalmente, sangues ), sugerindo a mescla das correntes sanguíneas paterna e materna na procriação. Da vontade da carne sugere o desejo natural e humano de se ter filhos, como da vontade do varão (a palavra usada para marido) sugere o desejo especial de se ter uma descendência que continue com o nome da família. Assim, o novo nascimento, algo sobrenatural, foi cuidadosamente resguardado da confusão com o nascimento natural.
14. Antes que a fé possa produzir o novo nascimento, deve haver um objeto sobre o qual repousar, tal como a encarnação do Verbo , o Filho de Deus. Deus, tendo se expressado na criação e na história, onde a atividade do Logos era evidente mas a sua pessoa velada, agora se revelava através do Filho em forma humana, que não era simples semelhança, mas carne , João poderia ter usado "homem" mas escolheu
declarar a verdade da encarnação enfaticamente como se quisesse contrariar aqueles que tinham tendências gnósticas. Essa falsa visão de Cristo recusava-se a aceitar que a divindade pura pudesse assumir corpo material, uma vez que a matéria era considerada má (cons. I Jo. 4:2, 3; II Jo. 7). Habitou. Tabernaculou. Em combinação com a glória sugere a personalização da nuvem luminosa que repousava sobre o tabernáculo no deserto (Êx. 40:34). O Verbo encarnado é também a resposta à oração de Moisés (Êx. 33:18). João não narra a Transfiguração, pois apresenta todo o ministério como uma transfiguração, exceto quanto à luz da qual fala, que é moral e espiritual ( cheio de graça e de verdade e não algo visível, cons. Jo. 1:17).
15. Mais informações (cons. 1:7) são apresentadas sobre o testemunho do Batista à luz do aparecimento público de Jesus. Jesus veio depois de João em tempo mas veio antes dele em importância, pois era antes dele na qualidade de Eterno (cons. 1:1). 16. O Evangelista confirma a singularidade de Cristo. Não só João Batista mas todos os crentes participaram de sua plenitude – a perfeição da divindade (cons. cheio em 1:14). Graça por graça descreve uma manifestação acumulada sobre outra – uma verdadeira plenitude. 17. Assim como Jesus Cristo ultrapassou a João (1:15), assim também foi superior a Moisés. Ambos trouxeram algo de Deus, mas um trouxe a lei que condena, o outro a graça que redime da lei. Verdade sugere a realidade da revelação divina de Cristo. 18. Deus é invisível, porque é Espírito (cons. 4:24;1 Tm. 6:16). Teofanias não revelam sua essência. Mas o Filho unigênito de Deus (aqui, os principais manuscritos têm Deus em vez de Filho ; cons. Jo. 1:1) revela. No seio do Pai dá a entender com Deus (1:1). A missão do Filho foi declarar ( fez conhecer ; a palavra grega dá-nos o nosso "exegeta") o Pai. Cristo interpretou Deus ao homem. Nada é perdido (cons. Hb. 1:2, 3; Gl. 1:15).
mantida em Betânia , a leste do Jordão. Não deve ser confundida com Betânia de 11:1,18.
29. No dia seguinte surge uma nova situação. A delegação partiu e Jesus apareceu no cenário. Mas não houve nenhuma troca de palavras entre ele e João. Satisfeito por ter afirmado aos fariseus a grandeza de Cristo, João tornou-se agora específico quanto à Sua pessoa e obra. Seu próprio ministério baseava-se sobre o fato do pecado; o de Cristo relacionava-se com a remoção do pecado. Cristo era o Cordeiro de Deus. A História (Êx. 12:3) e a profecia (Is. 53:7) juntam-se para fornecer os antecedentes desse título. É preciso ter em mente também os sacrifícios diários no templo. 31-34. Quando Jesus procurou o batismo de João, o Batista não o reconheceu (cons. Lc. 1:80), mas ele tinha recebido um sinal de identificação de Deus – o Espírito descer do céu como pomba permanecendo sobre Ele. Além do sinal foi-lhe dada uma palavra referente à obra que Ele realizaria com a capacitação celestial para tanto concedida – Ele batizaria com o Espírito. Tal pessoa, João sabia, não poderia ser ninguém menos que o Filho de Deus. Ninguém de menor estatura poderia usar com tanta autoridade o divino Espírito. João deu três testemunhos excelentes da pessoa e obra de Cristo. Como Cordeiro, sua missão era a da redenção. Ao batizar com o Espírito, Ele fundaria a Igreja. Como Filho de Deus, Ele seria digno de adoração e obediência. 35, 36. Estes versículos são de transição. Eles nos informam que João tinha discípulos e que ele também desejava transferi-los para Jesus. Esta era importante parte de sua tarefa de precursor, como o restante do capítulo declara.
B. A Vocação dos Discípulos. 1:37-51. O desejo altruísta de João de glorificar Cristo produziu frutos entre seus seguidores. Sem nenhuma ordem ou sugestão de sua parte além do seu testemunho, dois discípulos seguiram Jesus. Um é identificado como
sendo André. O silêncio quanto ao nome do outro aponta para o escritor do Evangelho, que não menciona o seu nome por causa da modéstia. 37-42. Seguiram a Jesus. O ato físico expressou a intenção de segui-lo no sentido espiritual. Que buscais? Tal pergunta poderia ser uma demonstração de repulsa, mas não quando pronunciada com delicadeza. A contra-pergunta, Onde assistes? Tal como o fato de o seguirem, pode sugerir um sentido mais profundo – Qual é o segredo de sua vida e poder espirituais? Sua habitação poderia não atraí-los, mas a conversa sublime que se seguiu permaneceu como flagrante memória. Anos mais tarde João se lembrou da hora do dia – quatro da tarde.
41. O significado de primeiro não está claro. Nenhuma atividade posterior de André foi declarada. Possivelmente, primeiro tem a intenção de sugerir que o outro discípulo (João) também procurou seu irmão Tiago, que aparece antes, nos Sinóticos, como discípulo de Jesus (Mc. 1:16-20). Achou... achamos. A narrativa está cheia da alegria do descobrimento (cons. Jo. 1:43, 45). Messias , o termo hebreu para "o ungido", tem o seu correlativo na palavra grega Cristo. André atreveu-se a chamar Jesus de Cristo porque o Batista o apresentou assim aos seus seguidores, ou por causa das horas passadas na companhia de Jesus? 42. O trabalho pessoal de André começou cedo e com seus parentes. A troca do nome de Simão para Cefas , o termo aramaico para Pedro, significando pedra , provavelmente indica uma mudança prometida da fraqueza para a estabilidade e força (Lc. 22:31, 32). 43. Novamente a mudança do dia foi observada (cons. 1:29, 35, em contraste à ausência de tais traços no Prólogo). Desta vez Jesus faz a descoberta (cons. Lc. 19:10), e ordena a Filipe que o siga (contraste com Jo. 1:37). 45-51. Filipe vindicou a confiança de Jesus nele como discípulo buscando Natanael e transmitindo-lhe a convicção de que Jesus de Nazaré era o muito esperado que preencheria as predições de Moisés e dos profetas. Pode-se testemunhar do Senhor mesmo quando o conhecimento ainda é incompleto ou defeituoso. Jesus, o Nazareno,
Alguma luz é lançada sobre o relacionamento de nosso Senhor com sua mãe e também a sua atitude para com a vida social (cons. Mt. 11:19). A transformação da água em vinho foi observada como sendo o seu primeiro milagre.
1. Três dias depois parece relacionar-se com 1:43. Dois dias ou mais seriam precisos para se fazer a viagem a Caná, que ficava cerca de sete milhas e meia ao norte de Nazaré. João faz notar a presença da mãe de Jesus no casamento. Evitou aqui mencionar o nome Maria , e também em 19:26, devido a mesma reserva porque escondeu o seu próprio nome. Estava especialmente relacionado com Maria (19:27). 2. Não se sabe se Jesus planejou estar presente ao casamento ou se o convite para Ele e Seus discípulos foi feito depois de sua chegada a Galiléia. Se esta última é a alternativa correta, a falta de vinho pode ser facilmente explicada. Outros convidados também podiam ter chegado inesperadamente. Natanael, cujo lar estava em Caná, possivelmente tinha algo a ver com os arranjos. 3-5. Maria trouxe a Jesus a informação de que o suprimento de vinho acabara. Em sua resposta, o uso do termo mulher não envolve desrespeito (cons. 19:26). Que tenho eu contigo? As palavras indicam separação de interesses e parecem sugerir uma pequena repreensão. Talvez Maria esperasse que Jesus usasse a situação para chamar a atenção para si mesmo de modo a apressar seu programa messiânico. Mas a sua hora não tinha chegado ainda (7:30; 8:20; 12:23; 13:1; 17:1). Jesus queria que sua mãe entendesse que o antigo relacionamento entre eles dois (Lc. 2:51) chegara ao fim. Ela não devia interferir em sua missão. Maria foi sábia e não discutiu o assunto. Se ela não podia mandar nEle, podia instruir os servos a obedecerem as instruções dEle. E assim demonstrou a sua confiança nEle. 6-8. Para atender à emergência, Jesus usou seis talhas de pedra, das que os judeus usavam para as purificações – lavar as mãos antes e depois das refeições e diversos outros banhos cerimoniais. Cada uma
devia conter cerca de vinte galões. Estando cheios, Jesus instruiu os servos a tirar. Isto parece se referir ao ato de tirar a água dos grandes recipientes para recipientes menores. O que era retirado era então levado ao mestre-sala. Uns acham que o mestre-sala era alguém pouco mais importante que um mordomo; outros acham que era um amigo do noivo convidado para ocupar o lugar de mestre de cerimônias (cons. Eclesiástico 32:1 e segs.) 9, 10. Provando o vinho, o funcionário certificou-se de que era de qualidade superior, tão superior que sentiu-se obrigado a elogiar o noivo pelo tratamento fora do comum que dispensava aos seus convidados dando-lhes vinho bom no fim da festa, quando muitos já teriam bebido tanto que não estariam mais em condições de discernir se o vinho era bom ou de qualidade inferior. A falta de vinho foi resolvida pela intervenção de Jesus. A verdade mais profunda do incidente é que, simbolicamente, o Judaísmo foi revelado como deficiente (na ênfase dada às abluções cerimoniais, a ponto dê negligenciar assuntos espirituais, e em sua exaustão indicada pelos cântaros vazios), quando Cristo fornece plenitude de bênçãos da mais alta qualidade (cons. 7:37- 39). Mais do que isso, ele o fez sem chamar a atenção para si mesmo, um exemplo agradável.
11. Princípio a seus sinais. Esta declaração refuta os Evangelhos apócrifos que narram milagres da meninice de Jesus. A palavra milagre , (ERC) que João usa por toda parte, significa sinal , indicando que o ato tem o propósito de revelar o propósito por trás dele, jogando luz sobre a pessoa de Cristo ou sua obra. Glória , neste caso, é um termo que chama a atenção para o poder de Jesus de realizar uma transformação espiritual, conforme sugerida pela mudança da água em vinho (cons. 11:40). Seus discípulos creram nele. Contrastando com o mestre-sala, que se caracterizou pela ignorância (v. 9) e os servos, que sabiam do milagre (v. 9), os discípulos foram levados a crer. Só eles realmente lucraram com o sinal.
estavam por ali. Com esse açoite expulsou da área do templo os homens ( todos ) e os animais, derrubando as mesas dos cambistas e esparramando as moedas tilintantes pelo chão. Os pombos não podiam ser expulsos. Era preciso que seus proprietários os retirassem. Tais medidas árduas precisavam de justificativas, as quais foram dadas em que da casa de meu Pai fora pervertida em casa de negócio. O Senhor viera subitamente ao seu Templo e o purificara (Ml. 3:1-3). Uma lição mais profunda do que a remoção da corrupção pode ter sido a intenção ao expulsar os animais do sacrifício, talvez numa antecipação do dia em que o Templo e os seus sacrifícios estariam ultrapassados e o sacrifício final do Cordeiro de Deus fosse concluído (cons. 2:21; 1:29).
17. O incidente fez seus discípulos se lembrarem de uma passagem em um Salmo messiânico (69:9) - "O zelo da tua casa me consumirá". Aqui pode-se encontrar uma indicação de que este zelo que lhe custou a oposição do momento, finalmente lhe custaria a sua vida (cons. Jo. 2:19). 18-22. Tal ação drástica rapidamente desencadeou uma exigência dos judeus (líderes) para que Jesus fornecesse um sinal incontestável de que tinha autoridade para sua conduta. Ele sempre se opunha a tais exigências (6:30; Mt. 16:1). Desta vez contentou-se em apontar para o futuro. Destruí este santuário. O caráter figurativo do pronunciamento está evidente, não apenas em Jo. 2:21, mas por causa da completa improbabilidade dos judeus destruírem o seu próprio Templo. Essas palavras não devem ser tomadas como ordem ou convite, mas são naturalmente hipotéticas – "Se vocês destruírem, eu o levantarei". Em três dias é o equivalente a "no terceiro dia". Aceitando isso literalmente, os judeus sentiram que sua declaração era ridícula, uma vez que o Templo levou quarenta e seis anos para ser construído. Herodes começou a sua reconstrução em 20 A.C. Havia partes que ainda não tinham sido completadas, mas a estrutura estava suficientemente completa para ser mencionada como um edifício. (Com referência ao uso figurativo de santuário em vez de corpo, veja I Co. 6:19.) Esta profecia
ajudou a desenvolver a fé dos discípulos, mas só depois da ressurreição do seu Senhor (cons. Jo. 12:16).
2) Os Sinais. 2:23-25. Esta parte é transicional, tendo ligação especialmente íntima com o incidente seguinte. É um resumo, descrevendo Jesus na realização de diversos sinais em Jerusalém, os quais não foram narrados. A coisa importante é a reação, a qual neste caso não foi incredulidade absoluta, nem confiança plena em Cristo atribuída aos discípulos, mas algo que poderia ser chamado de fé milagrosa. Seu caráter insatisfatório foi declarado pelo fato de que Jesus não se confiava a eles, pois conhecia o coração humano e discernia a falta de fé genuína. Exemplos semelhantes são encontrados em 8:30-59; 12:42, 43.
3) O Incidente com Nicodemos. 3:1-15. Contrastando com os muitos em Jerusalém que "creram", mas nos quais Jesus não confiava, Nicodemos avulta como alguém a quem o Senhor abriu o seu coração, alguém que se transformou em um verdadeiro discípulo. Ao mesmo tempo a passagem enfatiza um tema anterior as limitações do judaísmo corrente – mostrando a incapacidade deste líder de compreender a verdade espiritual enunciada por Jesus. 1, 2. Os fariseus eram os líderes religiosos da nação. Nicodemos, além de pertencer a este grupo, era também um dos principais dos judeus, um membro do Sinédrio. Foi ver Jesus de noite , provavelmente movido pela prudência. A atitude oficial para com o Nazareno, depois da purificação do Templo, devia ser de forte oposição. Talvez João estivesse também sugerindo a cegueira deste homem com referência às coisas divinas. Nicodemos estava pronto a aceitar que Jesus era um Mestre enviado por Deus, com milagres por testemunho. Isto poderia significar que ele era um profeta mais poderoso que João, que não realizava milagres. Sabemos sugere que havia outros pensando da
9, 10. A perplexidade de Nicodemos produziu uma repreensão gentil da parte de Jesus. Será que um mestre (lit, professor ) de Israel não sabia essas coisas? Não eram coisas novas (Ez. 11:19). Um reino espiritual e uma vida espiritual que lhe seja adequada não eram coisas estranhas aos ensinamentos do V.T. 11-13. Mais ainda, outros podiam dar testemunho da realidade dessas coisas - nós dizemos. Jesus gostava de associar-se com os seus seguidores. Vós (tu e os outros iguais a ti) não aceitastes o testemunho. Coisas terrenas são as coisas que já foram discutidas, tais como a natureza do reino e o nascimento e vida espirituais. Celestiais são os assuntos que o Filho do Homem, vindo do céu, tinha de revelar como novas e distintas (cons. Mt. 11:25-27). As últimas quatro palavras de 3:13 não estão nos principais manuscritos. 14, 15. Há uma resposta necessária ao imperativo do novo nascimento (cons. 3:7). O levantamento do Filho do homem não pode se referir à Ascensão, à vista da elevação da serpente de bronze sobre o poste (Nm. 21:8), com a qual foi aqui comparado. A alusão é à cruz (Jo. 12:32, 33). Assim como os homens atingidos pelas picadas das mortais serpentes olhavam com expectativa e esperanças para aquilo que era a semelhança do réptil que injetara o vírus da morte em suas veias, assim os pecadores deviam olhar pela fé para Cristo, seu Substituto, que veio em semelhança da carne do pecado e em lugar do pecado (Rm. 8:3). O resultado de tal fé é a vida eterna. Sem essa fé o homem tem de perecer. Não é aniquilação, mas a tragédia de ser eternamente separado de Deus. Aparentemente Nicodemos levou a sério a advertência e o desafio (Jo. 7:50, 51; 19:39, 40). Nesse ponto, parece, as palavras de Jesus termina e as de João continuam, a julgar pela fraseologia, a qual tem diversas analogias com outras porções do Evangelho, onde João indubitavelmente é o responsável pelo material.
4) Os Temas Latentes na Mensagem do Evangelho. 3:16-21. O amor ao pecado estimula os homens a rejeitarem a luz de Cristo, enquanto que aqueles que aceitam a luz estão prontos a confiar nele. 16, 17. João amplia a declaração de Jesus (3:15), retendo as palavras todo o que, pereça, crê, eterna, vida. Os elementos que foram acrescentados são o amor de Deus e a conseqüente doação do seu Filho, o que é descrito como unigênito , com o significado de único, um só. Filhos adotivos não se tornam membros da Divindade. A largura do amor de Deus é enfatizada pelo fato de que o seu objeto é o mundo (inteiro). Embora a vinda de Cristo envolvesse juízo, como o restante da seção atesta, o propósito direto dessa vinda, que repousa sobre o amor divino, não foi a condenação mas a salvação (3:17). 18-21. O crente em Cristo não entra em juízo pelos seus pecados nem agora nem no futuro (a forma do verbo é bastante flexível para cobrir os dois aspectos). Por outro lado, aquele que recusa crer já está sendo julgado em virtude dessa recusa. Ele mesmo decidiu o seu destino. A idéia essencial no juízo é uma distinção, uma separação (o significado original da palavra); e a vinda de Cristo como luz autenticou uma grande diferença divisória. Em vez de corresponder ao amor de Deus, amando o Seu Filho, muitos homens amaram de preferência as trevas à luz porque estavam presos ao seu padrão de vida, que era mau ( obras ... más ). Em 3:20, a palavra mal é outra, dando a entender algo que moralmente não tem valor. O ofensor sabe que está enredado no erro, mas recusa avançar para a luz de Cristo para que suas obras, as quais ele ama, não sejam expostas. Por outro lado, aquele que vem à luz é descrito como aquele que pratica a verdade. Ele age de acordo com aquilo que sabe ser direito (cons. 18:37). Essa conformidade com aquilo que sabe ser a verdade prepara-o para avançar dentro da plena luz de Cristo para ser salvo. Todas as suas obras são feitas em Deus, que o tem dirigido até alcançar este clímax da fé (cons. 1:47).