






Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Resenha de um dos livros mais lidos e respeitados sobre o Zen. Conta a experiência do autor com a arte do Kyudô - Arco e Flecha.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
1 / 10
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!







Resenha Critica: A ARTE CAVALHEIRESCA DO ARQUEIRO ZEN
HERRIGEL, EUGEN. A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen. São Paulo: PENSAMENTO, 14º Ed., 1995.91p.
ficcional, escrito por um filósofo alemão em 1948, quase vinte anos depois de ter voltado do Japão. Durante os anos em que viveu em tal país como professor da Universidade de Tohoku, Herrigel aprendeu a arte de atirar com o arco. Na contracapa de seu livro, ele conta como seu mestre deu dois tiros no escuro, acertando ambos. Apenas essa história já seria suficiente para compreender o zen, ou pelo menos para dar-lhe credibilidade, uma vez que, voltamos a dizer, A arte cavalheiresca do arqueiro zen é uma obra não-ficcional.
Independente de saber se o livro é um retrato exato do zen budismo ou a arte do arco e flecha tradicional japonês (kyudo), é extremamente querido por muitos e tem sido um best-seller há mais de cinqüenta anos. Muitas das idéias do livro tornaram-se princípios fundamentais de como os ocidentais vêem zen budismo. Um exemplo é a idéia de que as tarefas de um simples devoto estudo por muitos anos aos pés de um mestre, antes de serem autorizados a fazer as tarefas mais importantes. Por exemplo, uma idéia central do livro é que através de anos de prática, uma atividade física torna-se fácil tanto mentalmente e fisicamente, como se o corpo executa movimentos complexos e difíceis, sem o controle consciente da mente.
A doutrina do kyudo está altamente agregada ao estudo do zen, kyudo é uma arte altamente formalizada e definitivo alvo do praticante é competir consigo mesmo. Com a concentração apropriada, praticante e arco se fundem, quando se tornam um só, aí sim, e somente aí, a flecha pode ser liberada, no kyudo não importa o quão precisa é a flecha no alvo, ou como se atingiu o alvo, isso é apenas conseqüência. O importante é como esse tiro é feito e em que estado à mente se encontra quando a flecha é solta. É uma combinação de arte física e filosófica sob os princípios do zen budismo.
que não havia outro caminho que conduzisse ao misticismo, a não ser o da própria vivência e o do sofrimento.
A experiência de Herrigel como aprendiz do zen, fez-lhe perceber que sua busca por algo místico também não poderia ficar no âmbito do pensamento verbal:
Eu compreendera que não havia outro caminho que conduzisse ao misticismo, a não ser o da própria vivência e do sofrimento. Se faltam essas premissas, fica apenas o inconseqüente palavrório. (pag. 26).
Desde o começo da aventura espiritual de Herrigel, existe uma peregrinação arrebatedora desde as primeiras páginas deste livro. Uma dura, áspera e longa viagem que começa nas trevas do exterior e termina na ofuscante luminosidade interior e que nos lembra a célebre declaração zen: “Antes que eu penetrasse no Zen, as montanhas e os rios nada mais eram senão montanhas e rios. Quando aderi ao Zen, as montanhas não eram mais montanhas, nem os rios eram rios. Mas, quando compreendi o Zen, as montanhas eram só montanhas e os rios , apenas rios.”(pag.7).
A arte cavalheiresca do arqueiro zen traduz com riqueza de detalhes a expressão transmissiva da escola nipônica: quase 6 (seis) anos de trabalho diário com arco e flecha até que se consiga acertar o alvo, o mestre não dá qualquer instrução de como manejar o disparo além de, ocasionalmente, executar a tarefa diante dos olhos do discípulo. Não há, ainda, qualquer intenção de ganho exterior ou esportivo: “Arco e flecha são, por assim dizer, nada mais do que pretextos para vivenciar algo que também poderia ocorrer sem eles” (pag.19).
A luta de Herrigel para superar sua “demasiada obstinada vontade" e dominar o arco. Torna esta interessante história muito comovente, educativa e inspiradora, mas não se torna pesado, uma vez que facilmente poderia ter em menos de autoria hábil. A arte do tiro com arco seja a arte marcial mais zen por sua própria prática, já que a precisão de uma flecha se obtém por um condicionamento de tranqüilidade e calma e não por explosão física como outras artes marciais. Os arqueiros sempre foram usados em guerras, a técnica do arco é a técnica pela técnica se tornou um caminho a ser seguido, um meio para se atingir um objetivo maior, que para os japoneses é o auto-entendimento e perfeição através das técnicas marciais, o aluno japonês traz consigo 3 (três) coisas: uma boa educação, um profundo amor pela arte escolhida e uma veneração incondicional pelo mestre.(pag.51).As cerimônias e rituais que envolvem essa arte permanecem inalteradas até hoje. “O desafio final Herrigel enfrenta acaba sendo a libertação suave da corda do arco e flecha, sem intenção consciente”, como o fruto maduro cai da árvore” (pag.64), "como a mão de um bebê libera um objeto para captar outra"(pag. 41), "como a folha de bambu lentamente dobra sob o peso da neve, em seguida, libera o monte de neve sem pensar ".(pag. 60).
Durante as férias de verão, desenvolve uma "técnica" que ele acredita que vai resolver esse problema e quase se obtém jogado para fora do programa por "ofender o espírito do Zen” (pag. 61). Há também um interessante relato de um encontro, onde o professor dá uma incrível demonstração de domínio silencioso, a fim de levantar o moral Herrigel e o nível de compreensão.
"Durante muito tempo eu atirava sem conseguir abrir direito o arco, até que um dia o mestre me ensinou um exercício de respiração, e tudo ficou fácil.
da situação. Tornamo-nos, muitas vezes, ávidos, em busca aflita, o que pode por tudo a perder. Nestes casos, muito comuns, é mais prudente preparar-se também para aceitar o fracasso. Não basta simplesmente botar na cabeça que já conseguimos.
Herrigel sugere que a origem de qualquer necessidade de luta exterior possa ser solucionada a partir da luta consigo mesmo, sendo aí a arena em que se devem travar os combates humanos. Dar a dimensão de vida e morte aos embates consigo mesmo significa trazer a responsabilidade ao homem pela origem de todas as suas ações decisivas, incluindo as ações geradoras e gerenciadoras de conflitos. Apesar de se encontrar nesta compreensão argumentos dualistas e que, pela própria origem e formação alemã, remetem mesmo a certo idealismo, pode-se também supô-la como uma compreensão relevante na história das idéias, até mesmo por suas influências enquanto categorias assumidas pelo diálogo intercultural acerca da espiritualidade japonesa que, então, se intensificava.
O pensamento de Herrigel nos permite vislumbrar a concepção espiritual oriental que trata da "arte sem arte": "Nenhuma pessoa razoável irá exigir do budista zen, que vive na verdade inconcebível einexprimível, que ele tente apresentar sequer um esboçodas experiências que o libertaram e transformaram. Isso porque o Zen está aparentado com o mais puro e contemplativo misticismo. Quem jamais teve experiências místicas, está e ficará excluído. [...] O Zen, como toda mística, é acessível apenas ao verdadeiro místico, ou seja, a alguém que não está exposto à tentação de obter, de maneira sub-reptícia, o que a própria experiência mística nega." (pag.21).
Na verdade esta teoria do Zen tem base no Tao. Trata-se do conceito taoísta do wu-wei (não fazer) no qual se sabe quando se deve ou não agir com o mínimo esforço, deixando as coisas seguirem o seu curso natural, de maneira espontânea e conseguindo se entregar ao momento presente de forma total. Isto resulta de um sentimento de si mesmo como ligado a outros e ao seu ambiente. É a experiência de
nadar com a corrente, seguir com o fluxo ou vagar sem um propósito. O que significa confiar em nosso próprio corpo, os nossos pensamentos e emoções, acreditando que o ambiente irá fornecer apoio e orientação. Ao cultivar wu-wei, o momento torna-se um aspecto importante de nosso comportamento. Aprendemos a perceber processos em suas primeiras fases e, portanto, somos capazes de tomar as medidas oportunas. (pag.53).
A transmissão do conhecimento verdadeiro, de um para o outro, dependeria então de uma espécie de "maturação" interna daquele que aprende. O mestre ensina a partir do que é vivenciado pelo seu aprendiz: "O mestre pode mostrar-lhe algo de que tinha ouvido falar muitas vezes, mas cuja realidade só agora fica tangível, em virtude de suas próprias experiências" (pag. 56).
A aceitação resoluta da morte teria a força de superar o 'aprisionamento' do homem aos apegos ou aos sentimentos. Através de longos anos dedicados à meditação ele descobriu que, no fundo, a vida e a morte são uma única coisa, e que ambas pertencem ao mesmo plano do destino. Ele não sente a angústia de viver, nem o temor da morte. (pag. 87-88).
No livro fala sobre a prática de arco e flecha, Herrigel afirma que a arte genuína não conhece intenção ou finalidade. Quanto maior o empenho obstinado para o disparo em busca do alvo, menor a probabilidade de atingi-lo. O que obstrui o caminho para atingir o objetivo pré-determinado é a vontade demasiadamente ativa. Para um mestre zen, é preciso desprender-se de si mesmo. Fica muito bem exemplifica na seguinte passagem: “Sentei-me numa almofada, diante do mestre que, em silêncio, me ofereceu chá. Permanecemos assim durante longos momentos. O único ruído que se ouvia era o do vapor da água fervendo na chaleira. Por fim, o mestre se levantou e fez sinal para que eu o acompanhasse. O local dos exercícios estava feericamente iluminado. O mestre
atitudes mecânicas. O ato de pensar está associado a componentes intangíveis como sensibilidade, percepção, intuição e interpretação. Não se pode afirmar, também, que apenas os componentes intuitivos sejam suficientes para orientar decisões e executar ações. A conclusão, portanto, é que coração e mente precisa ser acionados para atingir o alvo que se almeja. O livro tem inúmeras passagens importantes, mas uma que me chamou atenção é a seguinte: O aluno estava executando um trabalho com o mestre, movendo grandes pedras no fundo do mosteiro com a ajuda de bastões de alavanca. Ao perceber que aluno estava com dificuldade de mover uma pedra, o mestre se aproximou. Pediu licença e colocou o bastão na base oposta a que o aluno estava imprimindo força. Como que por mágica a pedra começou a rolar para o outro lado. Ele então explicou: Algumas vezes você tem que empurrar uma pedra na direção que ela quer ser rolada. Pedras são os empecilhos que prejudicam o andamento do trabalho. São os processos: inadequados, a burocracia, a falta de equipamentos ou treinamento. A missão do líder dentro de uma equipe consiste em tirar as pedras do caminho e obter o melhor das pessoas. No final, o que importa é garantir que todos estão desempenhando o seu melhor. Tirar as pedras do caminho é o meio para que isso aconteça. Descobrir para que lado cada pedra quer ser rolada e a melhor forma de fazer isso. O livro do Arqueiro é pra ser lido e relido. Ler uma frase e depois de um tempo reler. Conforta-nos, chama atenção para regularmos e reajustarmos o faz-faz de cada dia, para pensarmos em sermos mais serenos sem perder a energia. O livro nos deu a certeza de que devemos permanecer no caminho das práticas em que a percepção interna do corpo é valorizada. É gratificante terminar a leitura de um livro e diagnosticar que ele só acrescentou no meu pessoal e por conseqüência irá influenciar na carreira profissional.