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Apostilas de Conceitos Esotéricos sobre a "A Árvore da Vida" de Israel Regardie, um Estudo sobre Magia.
Tipologia: Notas de estudo
Compartilhado em 26/11/2013
4.4
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fundamental de magia e o alfabeto filosófico é comunicado sob um voto de segredo. Isto, como um todo, omitindo-se um grande número de pontos secundários e variações triviais, constitui a base do ritual de iniciação do neófito.
Se não houver, todavia, o prosseguimento do trabalho mágico prático em seu próprio interesse, essas iniciações e rituais não terão qualquer proveito para o neófito. Que servem efetivamente de preparação é verdadeiro, e também transmitem uma certa consagração e sacramentalização tornando a tarefa do neófito mais compreensível e talvez menos perigosa devido a virtude deles. A título de confirmação, lembraremos que Milarepa depois de suas iniciações foi imediatamente aconselhado por Marpa a iniciar o trabalho prático, que em seu caso era meditação e concentração. Ao aprendizpreparado seja por meio de treino seja por meio de alguma peculiaridade de nascimento – o qual, em qualquer caso devido à reencarnação implica numa atenção anterior a estas coisas – a iniciação cerimonial tem um efeito distinto ao conceder ao aprendizuma visão efêmera, porém resplendente da meta espiritual buscada por ele e que ele agora indistintamente encara. E de fato assim é se os oficiantes do templo forem hierofantes não apenas no nome mas em realidade, devidamente versados de um ponto de vista prático na rotina e técnica mágicas, pois quando um oficiante do templo representa o papel de um deus, se ele estiver familiarizado com os métodos da técnica mágica, assumirá a forma daquele deus tão perfeitamente que as emanações magnéticas provenientes do deus nele fluirão para a alma interior do neófito. Esse assumir de formas divinas tal como anteriormente descrito, pode ser levado bastante longe, mesmo ao ponto da efetiva transformação, e há registro de exemplos autênticos nos quais o neófito, se suficientemente sensitivo, vê à distância no salão não simplesmente um ser humano atuando arbitrariamente como hierofante, mas sim uma gigantesca figura divina, fulgurante e espantosa, do deus que o homem representa cerimonialmente. Quando, como afirmei, os hierofantes são magos treinados, como eram na época do antigo Egito, a iniciação dos neófitos não se limitar a ser um serviço formal sem significado, mas é uma cerimônia de extrema realidade e poder.
Isto concerne aos rituais de iniciação. O ritual dramático que não envolve nenhuma questão de iniciação é bastante similar do prisma da concepção e execução. Diversos indivíduos ensaiam em concerto para seu próprio mútuo benefício a vida de um deus, e por meio de repetidas invocações, comemorando mediante o discurso e a ação incidentes e acontecimentos da história daquele deus, e têm êxito em fazer aparecer o deus numa área consagrada. Acatando a técnica mágica e exaltando a si mesmos suficientemente além do plano dualístico normal de consciência ocorrerá uma união duradoura entre os participantes e a divindade. As Bacantes é um exemplo notável de um ritual dramático grego. Na verdade, de um ponto de vista cerimonial, é tudo que um ritual dramático deve ser quanto à forma. E é tão excelente que aqueles que nele têm interesse hoje o fazem devido ao seu sentimento de que se trata de uma esplêndida tragédia teatral. No caso de uma companhia de indivíduos iniciados que estão bem familiarizados com a invocação, trabalhando simpaticamente entre si, e exercendo a vontade e a imaginação na forma mágica prescrita, a peça pode ser transformada numa poderosíssima invocação dramática de Dionísio. A tradução em
versos rimados do Professor Gilbert Murray é mais uma obra-prima clássica de poesia recriativa do que uma tradução literal do grego, transmitindo com suma fidelidade a atmosfera religiosa e o espírito ditirâmbico da veneração a Baco. Há nesta peça uma suplicação ao deus no estilo exaltado tão típico de todas as invocações:
“Aparece, aparece, qualquer que seja tua forma ou nome
Ó Touro da Montanha, Serpente de Cem Cabeças, Leão de Flama ardente! Ó Deus, Besta, Mistério, vem! ... “ Abordando o mesmo tema mágico, há um esplêndido hino a Dionísio proveniente dos Hinos místicos de Orfeu , traduzido por Thomas Taylor:
“Vem, abençoado Dionísio, o variamente nomeado,
De face taurina, gerado do trovão, Baco afamado. Deus bassariano, de universal poder, De quem espadas, sangue e ira sagrada causam prazer:
No céu regozijando, louco, Deus de alto som, Furioso inspirador, da vara o portador:
Pelos Deuses reverenciado, que com a humanidade está presente,
Propício vem, com mui regozijadora mente.”
Muita prática e ensaio se fazem necessários para dar eficácia a esses rituais dramáticos, além do trabalho mágico que se segue, como foi salientado. Sem este último absolutamente nada pode ser efetuado. A técnica astral de ascensão nos planos , investigando-se os símbolos pela visão, a formulação das formas ou máscaras dos deuses e a vibração dos nomes bem como as celebrações de alguma forma de eucaristia representam necessidades no caminho da magia. É verdade que se exige uma enorme quantidade de paciência, mas isto se verifica verdadeiro em relação a todas as coisas que valem a pena de uma maneira ou de outra. O teurgo deverá prosseguir diariamente com essas práticas invocatórias e rituais até atingir o estágio em que se
“Mas uma íbis que meditava às margens do Nilo, o belo deus, ouviu e atendeu. E pôs de lado seus modos de íbis e se tornou como uma serpente, dizendo: Talvez numa centena de milhões de milhões de gerações de meus filhos eles obtenham uma gota do veneno da presa da Exaltada. E vede: antes que a lua crescesse três vezes ele se transformou numa serpente Uraeus e o veneno da presa foi nele e em sua semente estabelecido por todo o sempre.”
Para o mago é esse espírito sublime de vontade e determinação indomáveis que nada pode vencer que é indispensável. É o poder da vontade que de facto constitui o mago e na ausência deste poder nada de qualquer monta pode ser feito. A realização não é atingida em quatro e vinte horas, nem mesmo em vários pores-do-sol; a visão resplandecente e o perfume que consome a própria substância da alma podem estar muitos anos no futuro – mesmo muitas encarnações nas vagas trevas do porvir. Quiçá para alguns a concretização do desejo mais íntimo e da aspiração por Adonai seja uma meta que pertence a um outro mundo, um outro eon e exista na natureza de um sonho. Outros indivíduos podem julgar este um objetivo cujo doce fruto se torna rapidamente disponível à mão com escasso dispêndio de trabalho para ser colhido. Num caso ou no outro nenhum aprendiz está na posição de afirmar no princípio em que momento a meta poderá ser alcançada. Tampouco se trata de um problema que mereça preocupação pois a alma cresce e progride à medida que a compreensão e a intuição se expandem através de atos sucessivos do espírito na estrada da magia da luz. As asas se tornam então mais vigorosas, o próprio vôo se tornando mais longo, e a lâmpada interior alimentada com o azeite da sabedoria permanece continuamente acesa. Ao mago é imperioso considerar sempre esta luz interior e levá-la pacientemente consigo pelos desvios e estradas dos homens, até que ele se transforme nessa luz. Acima de tudo o que é exigido é aquela imperturbável aspiração e vontade indomável ... daí ao trabalho! Que a aspiração do mago seja como a da sábia íbis de Khem. Dispa-se de seus modos humanos e vista-se daqueles do deus! O Conhecimento e a Conversação podem ser uma dádiva que não lhe seja concedida por centenas e milhares de anos, mas quem sabe para onde o espírito se inclina? Pode ser que por inflexível determinação, como aquela da íbis, para lograr a meta, não importa quanto tempo possa levar, floresça a flor dourada da vida de Adonai no interior do coração mais celeremente do que de outra forma poderia ter sido o caso.
Enquanto isto, deve-se dar prosseguimento ao trabalho mágico. Ao teurgo compete diariamente ascender nos planos num esforço de elevar-se mais e mais, e lutar por seu caminho para as esferas translucentes da luz límpida do fogo. A passagem de cada estação verá sua aspiração cada vez mais forte, transmitindo-lhe a força para desimcumbir sua tarefa de conquista e união mágicas. Todas as coisas têm que ser trazidas para dentro da esfera de sua vontade , tanto os céus excelsos quanto os infernos mais inferiores. Essa vontade tem que ser imposta aos mais vis habitantes do astral e estes terão que se curvar diante de todo desejo seu e todo seu domínio. É óbvio que sobre os ombros do mago pesa uma tremenda responsabilidade, a qual cresce a cada passo à frente que ele dá, e à medida que transcorre cada hora de sua carreira. “A natureza nos ensina, e os oráculos
também afirmam, que mesmo os germes nocivos da matéria podem igualmente ser tornados úteis e bons*.” Conseqüentemente, a responsabilidade que cabe ao mago como um penhor sagrado é esta: a ele e somente a ele compete a tarefa de transformar o universo e de transmutar os elementos grosseiros da matéria na substância do espírito verdadeiro. Toda sua vida terá que se transformar numa constante operação alquímica e durante esta vida ele distilará no alambique de seu coração a grosseria do mundo para que se converta na essência dos céus sem nuvens. Sua cabeça, também, tem que se elevar além das nuvens à medida que ele, de pé e ereto, terá seus pés firmemente sobre a terra multicolorida. Somente tenacidade e persistência facultarão essa retidão do espírito e esse poder adamantino da vontade. E estes são os pólos gêmeos que proporcionam resistência e extensão ao báculo do mago. Todos os ramos da teurgia devem ser objeto de persistência ao longo dos anos, não maculados pela cobiça pelos frutos das ações do mago. Em todos os casos, como todos podem ver, a arte divina constrói caráter e vontade e no devido tempo um karma favorável será criado em cujo senda nenhum obstáculo ousará se interpor, quando o Anjo se apressará em elevar a alma – sua amada há tanto tempo, e consumar as núpcias místicas prolongadas para tantos numa idade exaustiva. “Nesse dia o Senhor será Um, e Seu Nome será Um.”
E mesmo que não atinjamos a unidade com Adonai, há na magia um grande ganho visto que por meio dela buscamos transmutar o grosseiro no sutil e no puro. E esta é a redenção do mundo. Muito brevemente todo o nosso ser circundará um sol invisível de esplendor e seremos mais e mais atraídos para ele, como o aço é atraído para o magneto. Embora possam ser necessários eons para que finalmente cheguemos perto, ainda assim nos sentimos talvez como Adão deveria ter sentido se tivesse visto tremeluzindo através das trevas do exílio em que lutava o brilho do paraíso celeste e soubesse que este não estava realmente perdido, mas que após a purificação dele, Adão, lhe seria concedido um pouco dele em que entrasse e caminhasse. Dispor desta certeza não é pouca coisa. Trata-se de uma visão que não deve ser encarada com trivialidade. Embora inevitavelmente tenhamos que falhar e cair reiteradas vezes, há horas e minutos de prazer e alegria quando os anjos das alturas trajam novamente ante nossa vista seus antigos aspectos de glória, e nós somos fundidos no calor e fogo do êxtase e contentamento, cientes de que nós, os mortos por séculos e longas eras, podemos ainda ressuscitar de novo.
CAPÍTULO XV
A relação teórica que o moderno espiritismo celebra com magia é passível, numa oportunidade ou noutra, de ser questionada. Por conseguinte, é preciso fornecermos aqui alguma resposta. Limitar-nos-emos a uma discussão sumária deste assunto já que parece a este autor não se tratar de algo de grande importância. Algumas palavras apenas serão suficientes para demonstrar de que forma tal relação existe.
Madame Blavatsky. Seguindo-se à morte do corpo, que é o veículo visível dos princípios superiores, o ser humano real , perfeitamente intacto embora subtraído do corpo físico, é impelido para o plano astral. Gradualmente ele ascende aos diversos palácios que foram autocriados pelo tipo de vida que acabou de ser vivida; nestes palácios ele repousa ante o Ancião dos Dias , assimilando sua experiência terrestre e transformando-os em recursos para uma nova encarnação. A magia, acompanhando a Cabala, abraça a idéia filosófica da reencarnação ou Gilgolem das almas. Realmente, na medida em que os magos vão em direção desta teoria filosófica sustentam que em certos estágios de desenvolvimento, quando o organismo humano se torna luminoso, refinado e sensitivo por meio de reiteradas consagrações e invocações, as lembranças de Neschamah com suas emoções e poderes mais elevados se infiltram em Ruach , trazendo consigo a clara lembrança de existências passadas.
Após a morte física, a trindade de princípios que é o ser humano verdadeiro permanece no astral encerrada no Ruach e seu Nephesch. A desintegração, já tendo sido desencadeada pela ocorrência da morte física, prossegue ainda. Nephesch , que é o veículo das paixões, emoções e processos instintivos, é então descartado da constituição. Permanece, contudo, como uma entidade nesse plano, animado até um certo ponto pelas forças e energias cegas com as quais ele entra em contato. Lenta mas continuamente ele se desintegra se deixado só, de modo que tal como o corpo físico é dissolvido reintegrando o pó da terra, Nephesch é dissolvido para os elementos do plano astral. Por esta razão, os teurgos proíbem visões e experiências nesse domínio astral inferior. Aí nada pode ser encontrado que possua valor espiritual visto que se trata do mundo da matéria em decomposição de Nephesch e da desintegração. Nephesh descartado, o ser humano interior encerrado em Ruach “ascende” às camadas intermediárias do astral, onde lentamente a essência dos pensamentos mais refinados, as experiências e emoções mais nobres são destiladas das partes mais grosseiras, sendo assumidas na própria natureza de Neschamah. Esta separação de afinidades concluída, são assimiladas e expandidas no astral divino, Amentet. Neste momento é necessário mencionar o emprego do verbo “ascender” e outros verbos utilizados num sentido similar. Desnecessário salientar que um sentido metafísico é sugerido porquanto os planos subjetivos dos mundos invisíveis não estão dispostos um sobre o outro como os andares de um arranha-céu, nem se envolvem como as camadas de, por exemplo, uma cebola. Sendo metafísicos, todos os mundos se interpenetram e se fundem, o mundo físico ou mais externo sendo penetrado pelo mais interno e as esferas mais sutis. Ascender no astral , portanto, apesar de ser uma expressão literalmente enganosa, tem a finalidade de expressar o fato da partida de uma plano mais grosseiro efetuando-se uma subida a um mundo mais rarefeito e menos denso.
Ao considerar o espiritismo, a tradição mágica afirma que é com os cadáveres astrais ou Qliphoth , como são denominados, que os espíritas principalmente se ocupam. Através do transe passivo e negativo, os princípios mais elevados são forçados a recuarem, não deixando nenhum vínculo com os veículos inferiores do médium ou proteção para estes. A porta é franqueada à admissão de quaisquer entidades que se encontrem nas vizinhanças astrais. Já que as almas dos seres humanos e
seres angélicos ascendem ao astral divino, a maior parte dessas entidades no astral inferior são os elementais mais grosseiros, os administradores dos fenômenos naturais e os Qliphoth em decomposição ou cascões adversos. Conseqüentemente, o transe espírita negativo fundamentalmente implica a obsessão dos resíduos em decomposição e restos imundos inerentes àquele plano. Diante disso a questão que se coloca é a seguinte: “Por que, se os espíritos que se comunicam com as médiuns são meros cascões astrais, acontece de ocasionalmente exibirem inteligência e razão? “
A palavra ocasionalmente é bastante gratificante. Um dos fatos mais correntemente mencionados pelos investigadores é a ausência de coerência e inteligência nas mensagens obtidas do “outro lado”. No caso, contudo, de se perceber um leve lampejo de inteligência nos absurdos verbais geralmente transmitidos aos médiuns, a explicação racional dada por Lévi é claramente aplicável. Lembrar-se-á que Lévi define a luz astral como o agente mágico, e que em sua substância estão registrados todos os pensamentos, emoções e ações. O corpo astral, um dos aspectos de Nephesch , sendo composto da matéria sutil da luz astral, participa da definição de Lévi. Numa página anterior, indiquei a conexão entre a concepção acadêmica formal do inconsciente e a concepção cabalística de Nephesch , do qual o corpo astral é um aspecto. Neste veículo, portanto, estão registrados todos os pensamentos que um indivíduo teve durante a vida, todas as percepções e sensações que experimentou e todas as ações que executou. Quando após a morte esse Nephesch descartado é galvanizado para a atividade de um aparente ser vivo, animado por inteligência através da energia deslocada tanto pelo médium em transe quanto pelos pensamentos dos participantes da sessão espírita, esse cadáver astral pode exibir uma réplica da inteligência que em vida o utilizava.
Esse amplo esboço dá conta da maioria das comunicações recebidas via fontes espíritas, embora seja necessário afirmar com toda justeza em relação a essa, como em relação a todas as outras generalizações, que há exceções, embora os médiuns capazes de penetrar os planos mais elevados do espírito sejam extremamente raros. O médium, uma vez tenha aberto a porta de sua organização astral e psíquica, é incapaz de controlar a si mesmo, e tampouco é capaz de empregar discernimento quanto ao que irá entrar ou não pela porta aberta e tomar posse de sua personalidade. Naturalmente, essas observações se referem unicamente aos casos nos quais os fenômenos são genuínos. Mas visto que há tantos casos de fraude e embuste deliberados, pode-se recorrer às afirmações que acabamos de fazer que igualmente se prestam a explicar tais coisas. Sendo passivo, o médium não exerce controle do poder de produzir fenômenos quando a corrente psíquica é cortada, por assim dizer; e quando os fenômenos lhe são exigidos pelo recebimento de dinheiro, é coisa bem simples simular a possessão genuína. É mais simples ainda pronunciar um palavrório recheado de disparates que é favoravelmente comparável às mensagens recebidas dos “mortos”. Além disso, pelo fato de a entidade obsessora ser das mais baixas e das profundas da Terra, dificilmente se pode considerar sua associação com o médium edificante ou enobrecedor. Limita-se a ser uma influência nociva, causando a
direção, são de pouca utilidade para o aspirante em busca de Adonai e da bem-aventurança dos deuses. Existem inúmeras operações menores para a aquisição de objetos que se deseja, como livros, ouro, mulheres e similares. Há operações de destruição e fascinação, adivinhação e transformação e assim por diante. Estas são apenas algumas que recebem absolutamente demasiada ênfase e atenção às expensas de assuntos mais importantes em engrimanços e livros de instrução inferiores. Divorciados de aspirações mais elevadas, são inteiramente reprováveis.
Um ramo razoavelmente importante da magia menor, embora não negra, é o controle dos Tattvas ou das correntes prânicas vitais que operam na natureza. Mediante o emprego dos símbolos de Tattvas , acompanhados por um conhecimento das horas específicas do dia quando essas forças adquirem preponderância e pureza, o mago que assim o desejar poderá abrir os portais do corpo e da mente às forças vivificadoras e reanimadoras dessas correntes ocultas. Através desses recursos, ele obterá descanso físico e psíquico quando estiver em maré baixa e em caso de desvitalização das forças de seu ser. No Livro dos Mortos são mencionadas muitas transformações mágicas das quais o khu ou entidade mágica no ser humano é capaz, e fórmulas práticas para a produção de tais transformações como em falcão, lótus, andorinha e assim por diante podem ser aí percebidas. Como tornar alguém invisível aos olhos dos outros, mesmo em meio a uma grande multidão, através da formulação de um invólucro astral é um outro ramo dessa magia cinzenta que existe entre a magia da luz e a negra. Não posso dizer que o aspirante ao Augoeides tenha muita utilização para tais realizações e poderes dúbios.
A natureza da magia negra, que parece preocupar grandemente tantos histéricos, consiste quase que inteiramente no motivo sustentado na mente do operador. Quando Lévi aborda este assunto e o da bruxaria em seus escritos ele se lança completamente numa tangente, e seus soberbos exageros coloridos com toda a rutilância e retórica à sua disposição tornam a leitura divertida. Que alguns o tenham citado em função desse assunto para uma interpretação literal, em lugar de descartá-lo como mera verbosidade, ultrapassa minha compreensão. Suas observações acerca do bode de Mendes e a veneração de Bafomé em conexão com os templários são simplesmente ridículas. Que comentário poder-se-ia fazer em relação às instruções absurdas fornecidas por ele como sendo os supostos passos dados por aqueles envolvidos com a arte negra, a não ser que seriam excelente material para os atuais thrillers? Estou ainda para descobrir em que loja de departamentos pode-se comprar velas feitas de gordura humana. Que ser humano poderia ser obtuso ou louco o bastante para pensar em obter incenso misturado com o sangue de um bode, uma toupeira e um morcego? Outras necessidades horrendas são a cabeça de um gato preto recentemente morto, um morcego afogado em sangue, os chifres de um bode virgem e a crânio de um parricida! Ainda assim em seu Book of Cerimonial Magic , o Sr. Waite teve a preocupação de pronunciar uma advertência medonha contra a goécia juntamente com o desenho grotesco de Lévi do círculo goético para emprego com os “adereços” mencionados acima. Preparando-se para uma ofensiva devastadora contra a magia negra, Waite posicionou sua artilharia mais pesada quando, na realidade, um arremessador
de ervilhas teria sido muito mais eficiente contra tal inimigo. Resta pouca dúvida de que Lévi estivesse “se divertindo às custas” de alguns leitores e que estivesse simplesmente cedendo seu talento para ritos lúgubres impossíveis, os rebentos de uma imaginação curiosa, embora exuberante.
O hipnotismo e o ato de privar uma outra pessoa de escolha ou uso da vontade constituem de fato uma das formas mais desprezíveis de magia negra. Aqueles que realmente empregam tais métodos deveriam ser cuidadosamente evitados pelo teurgo tal como ele faria com uma doença asquerosa. Os feitos absurdos ordinários relativos à confecção de filtros, poções e figuras de cera para trabalhos de fascinação ou maldade existem inteiramente abaixo da dignidade do mago sincero. O que pode talvez constituir verdadeira magia negra é o uso de selos e talismãs carregados feitos por uma pessoa que tenha adquirido poder mágico para a depreciação e dano de seu semelhante. Operações cujo objetivo seja evocar a sombra de um amigo ou parente falecido à manifestação visível consistem de manipulações da substância astral e carecem de qualquer finalidade útil visto que perturbam os tranqüilos processos de assimilação e construção de faculdades que se processam no astral superior após a morte física. Somente a vaidade insana e a curiosidade desordenada poderiam ser satisfeitas pela necromancia. Este ramo específico da bruxaria está aparentado ao espiritismo, embora para sermos totalmente verazes e justos tenhamos que admitir que os motivos deste último culto realmente se colocam num plano mais elevado e mais sincero. Em ambos os casos, entretanto, o motivo não é desculpa pois eles são uma abominação diante de toda a tendência dos processos da natureza.
Considerando-se que neste capítulo tratamos largamente do astral, desejo mais uma vez me referir à técnica da viagem astral que é procurada pelo mago. Constitui obrigação imperiosa para o teurgo investigar por completo, como foi exposto num capítulo anterior, em seu resplandecente e iridescente corpo de luz os níveis superiores da luz astral, aqueles que fazem fronteira com os mundos criativo e arquetípico. A ele cumpre também penetrar intrepidamente em todo santuário protegido daí, se familiarizando com a natureza essencial e os variados aspectos que esse plano apresenta, embora jamais deva perder de vista um importante fato a estar sempre presente em sua mente. É preciso que se esforce
Uma outra classe de seres, contudo, cresce e se expande a ponto de abarcar todo o horizonte com esplêndida luminosidade e brilho. A experiência de todas as gerações de magos demonstra que o ser que se encolhe de medo do pentagrama ou foge é ou um demônio de face canina ou um elemental, tendo que ser tratados de maneira apropriada. Por outro lado, o ser cuja aparição não é afetada pelo pentagrama e o ritual de banimento conveniente, é uma inteligência espiritual, um anjo , um sublime ser celestial a ser respeitado, amado e venerado.
Uma variação do símbolo do pentagrama empregada por outras pessoas com um certo grau de sucesso é uma cruz dourada encimada por uma rosa carmesim. O simbolismo em ambos os casos é idêntico, embora alguns possam considerar que a cruz apresenta associações teológicas desagradáveis. É um sinal dos quatro elementos estendido aos quadrantes cardeais, enquanto que os coroa a rosa, símbolo da beleza, nobreza e vida espiritual. Na prática, sua aplicação é um pouco diferente daquela do pentagrama porque é menos simples formular a Rosacruz com o bastão do que com o primeiro símbolo; o mago interpõe em imaginação este símbolo entre o outro ser e ele próprio sem tentar traçá-lo.
O fato, portanto, de um anjo trajado de fogo e glória e portando uma espada afiada de chamas barrar sua entrada ao pilone deve fazer o teurgo se deter, e se deter para refletir pois parece indicar que até ali ele não está suficientemente purificado e sensível em seu corpo de luz para ser capaz de atravessar aquele pilone específico do qual é barrado. Deve se constituir sua obrigação solene considerar como necessidade primordial o meio pelo qual uma purificação ulterior pode ser efetuada. Deve-se infundir no corpo de luz uma substância espiritual proveniente de planos mais elevados e mais celestiais. O assumir persistente de formas divinas e a transmutação de sua própria forma astral naquela do deus e a identificação com o caráter sublime moral e espiritual do deus se revelará um método tão infalível quanto outros. Através deste método, a substância do corpo de luz no devido tempo passará a participar do esplendor e efulgência ígneos da substância do deus. Talvez a melhor forma divina a ser assumida com esse propósito seja a do Harpócrates sentado no lótus , o Senhor do Silêncio , que é o gêmeo de Hórus,
Senhor da Força e do Fogo. A forma convencional na qual é geralmente retratado é aquela de um bebê inocente, com o dedo no lábio, empertigado como um embrião acima de um lótus branco que surge do mar. Em torno dele há um azul escuro profundo semelhante ao do símbolo do Tattva do espírito, representando a noite que tudo abarca. O lótus é o símbolo perene da ressurreição e da eterna juventude e o bebê representa inocência, espiritualidade e supremo repouso. “O deus ‘sentado acima do lótus...’” afirma Jâmblico em The Mysteries (Os Mistérios) , “...significa obscuramente uma transcendência e força que em absoluto não entram em contato com o lodo, indicando também seu império intelectual e empíreo, pois percebe-se que tudo que pertence ao lótus é circular, a saber, tanto a forma das folhas quanto o fruto; e só a circulação está ligada ao movimento do intelecto, o qual energiza com identidade invariável numa única ordem e de acordo com uma única razão. Mas o deus é estabelecido sozinho, e acima de um domínio e energia desta espécie, veneráveis e santos, superexpandidos e que residem nele mesmo, o que estar ele sentado visa significar. “ O assumir mágico desta forma, especialmente o circundamento do corpo astral pelo ovo azul-escuro ou índigo, tem poder suficiente para banir quaisquer influências indesejáveis porquanto eleva o mago acima desse domínio.
((ilustr. – Harpócrates acima do lótus – O Senhor do Silêncio ))
Essa técnica particular da forma divina da Harpócrates é especialmente significativa mesmo no que diz respeito à vida cotidiana. Quando se é assaltado por pensamentos indesejáveis e emoções de ódio pode-se conseguir alívio desta pressão e até assistência e resistência espirituais assumindo-se a forma desse deus. Por meio deste assumir nosso ser é transmutado para a configuração do deus e a mente é elevada além da pequenez mundana por assimilação do caráter e natureza da divindade. Isto implica, seguramente, numa força de imaginação e vontade, mas para a maioria das pessoas é mais fácil reter na mente imagens pictóricas do que uma idéia abstrata, qualquer indivíduo podendo ser treinado com um pouco de prática para visualizar uma forma tão simples e bela como o bebê acima do lótus. A única
Fundamento é possível para ele através da Seta da Aspiração e do Poder da Harmonia e da Beleza para cima – sempre para cima além do deserto infecundo do Abismo ** no qual ele monta o camelo cabalístico , *** recebido jubilosa e lisonjeiramente pela Rainha no Palácio do Rei , que é a Coroa **** santa da Árvore da Vida. Chegado à Coroa, o mago não é mais. Não obstante, aí ainda existe aquela consciência superior da Vida Eterna que constitui a individualidade real do mago – aquela parte real dele da qual, talvez, tenha estado raramente consciente durante as suas vidas anteriores sobre a Terra – aquele espírito primordial e universal, que pulsa e vibra invisível no cerne do coração de todos.
** Regardie faz referência à Sephira misteriosa Daäth. (N. T.)
*** Referência ao caminho de Gimel (camelo) na Árvore da Vida. (N. T.)
**** Kether , a Sephira mais elevada da Árvore da Vida. (N. T.)
Escreveu Porfírio que “as almas ao atravessar as esferas dos planetas vestem, como túnicas sucessivas, as qualidades desses astros.” Visto que os planetas e os signos zodiacais foram atribuídos à Árvore e estão incluídos na implicação das dez Sephiroth , o mago por meio desse processo da ascensão nos planos assimila as qualidades e características mais elevadas de cada planeta e cada Sephira. À medida que o skryer ascende à Luz suprema da Chama imperecível da Vida incorpora em si mesmo o poder inato dos planos pelos quais ele passa e como as características inferiores de seu ser são dificilmente compatíveis com a ígnea majestade impessoal do domínio celestial, são removidas deixando as características superiores como os augustos guardiães do campo da consciência. Todas as características dos mundos excelsos são sucessivamente assumidas pelo mago, e transcendidas até que ao fim de sua jornada mágica ele é fundido ao ser do Senhor de toda Vida. A meta final de sua peregrinação espiritual é o êxtase de paz no qual a personalidade, o pensamento e a autoconsciência finitos, mesmo a elevada
consciência dos deuses supremos, declinam cabalmente e o mago se funde na unidade do Ain-Sof , onde nenhuma sombra de diferença ingressa.
CAPÍTULO XVI
Ao começar esboçar e escrever este livro acerca de magia era a firme intenção do autor elucidar todos os processos mágicos tão simples e inteligivelmente quanto fosse humanamente possível e coerente com o tratamento exegético de um assunto sumamente difícil e complexa. Pelo fato de ter havido no passado tanta obscuridade deliberada e matéria propositadamente enganosa, pareceu a hora exata de produzir uma declaração que pudesse ser utilizada de uma vez por todas como uma exposição clara e definida. O autor espera ter sido fiel a essa intenção ao longo do texto, embora quanto a este ponto o leitor deva ser o único juiz. Ambigüidade e por vezes deliberada tentativa de ludibriar mediante o emprego de simbolismo difícil e a citação de extensas séries de nomes de autoridades têm caracterizado muitos livros de magia, pondo a perder qualquer valor que eles pudessem ter. Resta delinear neste livro uma fórmula secreta de magia prática de uma natureza tão tremenda – encoberta como sempre esteve no passado pelo deslumbramento de símbolos recônditos e oculta por pesados véus – que este autor está em dúvida se seria sábio ou político se ater a sua decisão original. Poderia, é claro, ter sido omitida do conteúdo geral, mas foi necessário incluí-la sob alguma forma a fim de tornar este tratado moderadamente completo na medida do que concerne aos principais, embora elementares aspectos da alta magia. O método do qual nos propomos a falar aqui constitui uma fórmula tão poderosa da magia da luz e tão passível do abuso e uso indiscriminados na magia negra que se uma concepção de sua técnica e teoria é realmente para ser apresentada, a intenção original deste autor tem que ser descartada. Será preciso valer-se do meio de um simbolismo eloqüente que foi utilizado durante séculos para transmitir estas e idéias similares. E ao leitor deve se assegurar que o simbolismo não foi propositadamente desorganizado, nem foi tampouco tornado ambíguo, obscuro e destituído de sentido. Se meticulosamente estudados, os termos empregados revelarão
inteiramente assimiladas em relação à Árvore. Munido deste entendimento, o leitor deverá aplicar seus poderes ao esquema simbólico que se segue.
Ilustrando o cabeçalho de um capítulo no livro de Franz Hartman Secret Symbols of the Rosicrucians (Símbolos Secretos dos Rosacruzes) vemos um desenho de uma sereia irrompendo do mar. Suas mãos estão junto aos seus seios e dali brotam duas torrentes que retornam ao mar. Explicando esta figura Hartman escreveu que “... a figura representa o fundamento das coisas e sua origem. Trata-se de um princípio duplo da natureza; seus pais são o Sol e a Lua ; produz água e vinho, ouro e prata pela bênção de Deus. Se torturas a águia , o leão se tornará débil. As ‘lágrimas da águia’ e o ‘sangue vermelho do leão’ têm que se encontrar e se misturar. A águia e o leão se banham, comem e se amam. Eles ficarão como a salamandra e ficarão constantes no fogo.” Na elaboração do que foi dito acima os seguintes princípios podem ser postulados. O Y * do nome sagrado neste sistema é chamado de leão vermelho e a primeira H ** é a águia branca. Concebe-se que estas duas letras sejam as representações de dois princípios cósmicos, dois rios de sangue escarlate que brotam dos seios da sereia para dentro do mar, duas torrentes distintas e incessantes de vida, luz e amor que procedem eternamente da própria Vida. Nelas reside o poder de tocar e comungar, fazendo um novo do outro, sem nenhuma ruptura das fronteiras sutis das torrentes ou qualquer confusão de substância. Em sua natureza são mutuamente complementares e opostas, e no entanto nelas está fundada a totalidade da existência. Todas as operações alquímicas de acordo com as autoridades requerem dois instrumentos principais: “um recipiente circular, cristalino, precisamente proporcional à qualidade de seu conteúdo” ou cucúrbita e “ um forno teosófico selado cabalisticamente ou Athanor. *** O Athanor é atribuído ao Y e a cucúrbita é uma atribuição da H.
** A letra Hé. ( N. T. )
*** Amphitheatrum , H. Khunrath.
Agora apesar do ouro puro que se menciona ser uma substância homogênea, una e indivisível, dinâmica e prenhe de possibilidade infinita, duas substâncias separadas são usadas em sua produção. Estas são denominadas serpente ou o sangue do leão vermelho e as lágrimas ou o glúten da águia branca. A serpente é uma atribuição da V **** do Tetragrammaton e o glúten é alocado à última H deste nome. Estas duas substâncias são a prole, por assim dizer, do leão e da águia. Os instrumentos alquímicos acima mencionados devem ser considerados como os armazéns ou geradores desses dois princípios divinos ou torrentes de rápido fluxo de sangue, fogo e força, o Athanor sendo a fonte ou veículo da serpente , o glúten estando alojado na cucúrbita.
A fabricação do ouro alquímico que é o rocio da imortalidade consiste de uma operação peculiar que apresenta várias fases. Pelo estímulo do calor e do fogo espiritual para o Athanor deve haver uma transferência, umas ascensão da serpente daquele instrumento para dentro da cucúrbita , usada como uma retorta. O casamento alquímico ou a combinação das duas correntes de força na retorta produz de imediato a decomposição química da serpente no mênstruo do glúten , sendo este a parte do solve da fórmula alquímica geral do solve et coagula. Junto à decomposição da serpente e sua morte surge a resplendente Fênix que, como um talismã, deve ser carregada por meio de uma contínua invocação do princípio espiritual compatível com a operação em andamento. A conclusão da missa consiste ou no consumo dos elementos transubstanciados, que é a Amrita , ou no ungir e consagração de um talismã especial.
Antes de prosseguir com a análise dos aspectos desta operação , gostaria de apresentar ao leitor uma citação na qual essa missa é repetida com certos detalhes, empregando a usual nomenclatura da alquimia. “Eu sou uma deusa de beleza e linhagem famosas, nascida do nosso próprio mar que rodeia a terra toda e que está sempre inquieto. Dos meus seios verto leite e sangue, fervendo-os até que se transformem em prata e ouro. Ó objeto o mais excelente, do qual todas as coisas são geradas, embora à primeira vista tu sejas veneno, adornado com o nome da Águia alada.... Teus pais são o Sol e a Lua; em ti há água e vinho, ouro também e prata sobre a Terra, que o homem mortal possa regozijar... Mas