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Um estudo clínico realizado por roxana knobel, médica obstetra da universidade estadual de campinas (unicamp), sobre a eficácia da acupunctura no alívio da dor durante o parto. O estudo envolveu 120 mulheres e foi dividido em quatro grupos de tratamento: acupunctura sacral, com eletrodos de superfície, auriculopunctura e controle. Os resultados mostraram que as mulheres que receberam tratamentos reais obtiveram maior alívio da dor do que as que tiveram tratamento simulado.
Tipologia: Notas de estudo
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8 Universidade Estadual de Campinas^ –^ 23 a 29 de setembro de 2002 S A Ú D E
médica obstetra Roxana Knobel acompa- nhou, durante um ano e meio, o trabalho de parto de 120 pacientes atendidas no Caism da Unicamp. O seu propósito: comprovar ci- entificamente a eficácia da acupuntura para aliviar a dor por ocasião do nascimento do bebê. Ao longo de todo o tratamento, Roxana pôde verificar que a “acupuntura contribui de maneira extremamente eficaz para aliviar a dor durante o período de dilatação”. Segundo a obstreta e especialista em acupuntura, o parto pode ser dividido em três fases. A primeira fase, do início das contrações uterinas até que o colo se dilate por completo – por isso chamada de perí- odo de dilatação. É uma fase que demora em torno de oito horas e as contrações são dolorosas para a maioria das mulheres. A segunda fase vai do momento da dilatação completa até a saída do bebê e dura apro- ximadamente trinta minutos. A terceira fase cor- responde à expulsão da placenta. Esse ensaio, com as 120 mulheres, com idade entre 16 e 40 anos, foi feito de maneira aleatória e as mu- lheres divididas em quatro grupos de tratamento: acupuntura sacral (agulhas nas costas com estímulo elétrico), com eletrodos de superfície (pequenos bo- tões metálicos nas costas da paciente com estímulos elétricos), auriculopuntura (agulhas nas orelhas com estímulo elétrico) e o grupo de controle, com as
participantes recebendo apenas tratamento simula- do nas costas ou na orelha. Roxana explica que o tratamento foi feito de forma que nem a parturiente, nem a equipe médica e de enfermagem, nem os pesquisadores responsáveis pelo preenchimento das fichas, sabiam a que gru-
po cada mulher pertencia. As parturientes que parti- ciparam das investigações de Roxana, receberam medicação para dor e analgesia peridural quando precisaram, independente de serem dos grupos de tratamento real ou dos grupos de controle, aque- las que receberam tratamento simulado. Os resultados mostraram que houve maior alívio da dor nas mulheres que receberam tratamentos reais, com acupuntura, do que as que tiveram tratamento simulado. “As mulheres per- tencentes aos grupos de trata- mento com acupuntura sacral, auricular ou com eletrodos, re- velaram ter obtido um alívio maior da dor em proporção às mulheres do grupo de contro- le, tanto durante o trabalho de parto quanto no dia seguinte ao parto”, explica Roxana. A médica ressalta ainda que as parturientes desses grupos também precisaram ser tratadas com medicamentos para a dor em proporção menor que o grupo de con- trole. “No entanto, não houve diferenças entre os gru- pos com relação ao uso da analgesia peridural”. O grau da dor era “medido” por meio de um processo de- nominado Escala Analógica Visual da Dor (EAV). Esses resultados fazem parte do trabalho de tese de Roxana, Técnicas de Acupuntura para alívio da dor no trabalho de parto – ensaio clínico, defendido recentemente sob orientação do professor José Carlos Gama da Silva. Embora os resultados do estudo tenham sido considerados bons, são neces- sários estudos mais completos, que envolvam maior número de pacientes, para comprovar a eficiência da técnica, diz a obstetra. No entanto, ela afirma que “é uma técnica segura, pois não houve nenhum efeito colateral nem para a mãe nem para o bebê nesse trabalho que acabo de concluir”, afirma a médica.
s moradores de favelas cortadas por córregos ou pequenos rios estão sujeitos a diversos fatores de risco. Um deles é a convivência diária com as fezes de cães e gatos espalha- das pelas vielas. Dentre as doenças parasitárias pas- síveis de serem transmitidas por animais domésticos destaca-se a Toxocaríase Humana, que pode levar a sérios problemas de saúde e algumas vezes o ao comprometimento da visão do indivíduo. Levan- tamento realizado pelo ecólogo Francisco Anurama Filho em três bairros periféricos de Campinas, os jardins Campineiro, Santa Mônica e São Marcos, mostrou que a cada cinco moradores pelo menos um tem o problema. Destes, 66,7% são crianças com até 10 anos. A novidade da pesquisa de Anaruma, sua tese de doutorado junto ao Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, é que os dados da toxocaríase até então eram originados de compilação de dados já exis- tentes, de pessoas internadas em hospitais ou a de- manda espontânea de unidades básicas de saúde. Segundo levantamento realizado nos arquivos do Instituto Adolfo Lutz pelo orientador da tese de Francisco, Pedro Paulo Chieffi, de 2025 exames, a mé- dia de positividade foi de 3,6%. Anaruma fez dois levantamentos de base populacional entre 1999 e 2000 nos três bairros. Visitou 40 domicílios e 138 moradores fizeram coletas de sangue para imuno- ensaio (Elisa). A população fazia parte de um universo de 5.000 pessoas e 940 famílias. A ocorrência de infecção humana pelo Toxocara estava presente em 23,9% das amostras na primeira avaliação, número que caiu para 20,9%, um ano depois. Paralelamen- te foram colhidas 75 amostras do solo das favelas. Foram con- firmados indíces de 12,3 e 14,0% de contaminação am- biental por ovos de Toxocara, em igual período.
O Toxocara não é um parasita intestinal humano. A contaminação ocorre acidentalmente e o verme fica perdido quimicamente no organismo, provocando a Síndrome da Larva Migrans Visceral ou Ocular. O quadro clínico dos pacientes com toxocaríase depen- de de diversos fatores como o número de larvas que infectou o indivíduo e a resposta imunológica do hospedeiro, estimulada pela presença de larvas no organismo. A visceral caracteriza-se por febre, alterações pul- monares, palidez e edemas, entre outros sintomas. A ocular pela presença de larvas ou restos larvários no globo ocular, normalmente com envolvimento unilateral. A lesão mais comum encontrada é a endoftalmia crônica, correspondendo a metade dos casos. Pode ainda ocorrer acometimento da corói- de, vítreo e retina e, em alguns casos mais severos,
resultar em perda da visão. Francisco Anaruma Filho, docente e coordenador de curso na Associação Cultural e Educacional de Garça, explica que o estabelecimento de política pública de controle antiparasitário nos cães (principalmente nos jovens) pertencentes à comunidade com o problema é uma solução. Poderia ainda aproveitar um dia de vacinação anti-rábica para o procedimento. O recolhi- mento de cães vadios, embora complicado em uma favela, seria outra atitude, além de delimitar e quantificar o problema por meio de inquéritos sorológicos na população, da educação sanitária e de cursos de atu- alização aos profissionais da saúde. O problema do Toxocara não se restringe a áreas de favelas. Pode atin- gir também escolas e creches em que crianças tenham contato direto com o solo que estejam contaminados com fezes de cães e gatos parasitados.
Córrego no Jardim São Marcos: um em cada cinco moradores da região tem o parasita
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Foto: Antoninho Perri
Foto: Neldo Cantanti