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Trabalho que relaciona a plasticidade do cérebro com o autismo
Tipologia: Slides
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No ser humano, o processo de desenvolvimento de cérebro é mais lento do que o dos outros animais. Nós nascemos prematuros e inacabados, não apresentando autonomia que nos permita a sobrevivência. O nosso cérebro apresenta um carácter embrionário, ou seja, um inacabamento biológico designado neotenia, que consiste num atraso do desenvolvimento que leva a que o indivíduo evolua mais lentamente, ficando, assim, dependente dos adultos durante mais tempo. É através do conceito de neotenia que é possível compreender o facto de a infância humana ser mais longa. No entanto, é esta lentidão que vai conferir uma vantagem, na medida em que possibilita a influência do meio ao longo da vida. O facto de sermos seres prematuros e biologicamente inacabados leva a que tenhamos um programa genético aberto, ou seja, não somos predeterminados nem temos comportamentos orientados. De certo modo, a lentificação contribui para a individuação, um processo de distinção que explica como dois gémeos homozigóticos não apresentam um cérebro semelhante.
Como puderam ver por esta atividade, o cérebro não é igual para nenhum ser humano. Durante muito tempo, houve uma tentativa de se modelizar o cérebro, criando um modelo para todos os indivíduos. Esta experiência rapidamente se revelou incompatível devido às múltiplas configurações cerebrais. Mesmo dois gémeos homozigóticos, que têm um DNA muito semelhante, apresentam ramificações nervosas diferentes, uma vez que há uma diferente expressão nos genes, o que conduz a um diferente desenvolvimento do sistema nervoso. As suas experiências são diferentes, o que os torna dois indivíduos distintos. É este processo de individuação que ultrapassa as definições genéticas.
Recentemente, descobriu-se que o cérebro é muito mais maleável do que o que se pensava. A relação homem/ meio produz grandes modificações no cérebro permitindo uma constante adaptação e aprendizagem ao longo da vida. Estas modificações ocorrem no primeiro ano de vida, altura em que o cérebro se está a organizar e em crescimento acelerado. Quando nascemos, o cérebro constrói mais sinapses o que as de que necessitamos. Este excesso garante à criança receber as informações de qualquer ambiente. A partir dos 6 anos, as ligações que não são utilizadas começam a ser eliminadas. Esta maleabilidade do cérebro, esta capacidade de se modificar, designa-se por plasticidade, isto é, a capacidade do cérebro de se remodelar em função das experiências do sujeito. Esta aptidão explica o facto de certas regiões deste órgão poderem substituir as áreas afetadas por lesões cerebrais. No entanto, a neuro plasticidade não é apenas relevante nestas lesões, uma vez que está continuamente ativa, modificando o cérebro a cada momento. Por este motivo, não existem dois cérebros iguais.
A plasticidade sináptica consiste na capacidade de rearranjo por parte das redes neuronais. Quer isto dizer que, perante uma nova experiência do indivíduo, as sinapses são reforçadas, permitindo a aquisição de novas respostas ao meio ambiente. Esta plasticidade constitui um dos mecanismos mais importantes da plasticidade cerebral, permitindo que uma lesão ao nível da transmissão de informação seja recuperada através da criação de outras redes neuronais que possam substituir o danos causados.
Existem várias investigações que confirmam a plasticidade do cérebro. Aquela de que vamos abordar é um estudo do neurologista Álvaro Pascual-Leone. Na sua pesquisa, o investigador analisou o efeito produzido no cérebro de cegos adultos que começaram a aprender braille. Esta escrita exige sensibilidade tátil e os seus profissionais conseguem ler cerca de 200 palavras por minuto. Os resultados levaram à conclusão de que os movimentos do dedo que lia em braille faziam aumentar a região do córtex somatossensorial. Além disso, as informações provenientes desse dedo ativavam também as partes do córtex visual, uma vez que as novas conexões neuronais ocupavam a área não ocupada pela ausência de informações visuais. Quer isto dizer que, quando determinadas áreas sofrem lesões que prejudiquem as suas funções, os neurónios vizinhos assumem-nas, provando, assim, a plasticidade do cérebro.
Como já vimos, é o carácter plástico do cérebro que o disponibiliza para a aprendizagem. Esta é uma característica particular do ser humano que, ao estar sempre em mutação, procura novas formas de aprendizagem. Para desenvolver o seu processo, são necessários estímulos externos e internos que provocam uma transformação apreciativa na estrutura mental do aprendizado, sendo, assim, um processo pessoal que envolve a totalidade da pessoa. Durante a aprendizagem ocorre a interiorização de uma série de atitudes e capacidades intelectuais, com a aquisição de novos comportamentos e o desenvolvimento de competências. Há, também, uma alteração de modos do indivíduo, em que as informações adquiridas podem ser absorvidas através de técnicas de ensino ou pela aquisição de hábitos. A aprendizagem é influenciada e condicionada por diversos fatores necessários ao sucesso do processo de fixação das novas informações, que depois serão processadas pelo indivíduo:
Sala Snoezelen é uma sala equipada com material para estimulação sensorial. É um local feito de luz, sons, cores, texturas e aromas, onde os objetos são coloridos e disponibilizados para serem tocados e admirados. Os sentidos primários são estimulados dando sensação de prazer. O nome deriva do holandês Snoezelen resultante da contração de snuffelen = cheirar, com doezelen = relaxar.
A neuroplasticidade simboliza a possibilidade de desenvolver e aperfeiçoar as habilidades do autista por meio das experiências a que vai sendo submetido, em amplos sentidos, sobretudo sensoriais: audição, paladar, tato, olfato e visão. Para “ativar” o potencial que a plasticidade pode ter sobre a condição de quem sofre do TEA é importante realizar ações de aprendizagem que estimulem os neurónios de maneira a contribuir para os processos de reabilitação e otimização de resultados funcionais do cérebro dos autistas. Por isso, o diagnóstico precoce é considerado fundamental para quem sofre do transtorno. Quanto mais cedo são introduzidas novas práticas e rotinas terapêuticas capazes de estimular o funcionamento do cérebro, mais os neurónios podem ser treinados a superar as limitações decorrentes do distúrbio. Para provar o efeito que a neuroplasticidade pode ter sobre a condição de quem sofre do transtorno de autismo, iremos dar alguns exemplos verídicos que decorreram com uma criança em idade escolar. Esta criança tem sido acompanhada psicologicamente pela Doutora Isabel. Em diálogo com esta profissional foi-nos dado a conhecer o caso e a as técnicas e rotinas terapêuticas utilizadas para estimular o cérebro de seu paciente. As que destacámos centram-se na quebra de rotina, que tem por objetivo familiarizar o autista com o facto de, durante a sua vida, nem tudo ser rotineiro e programado como ele está habituado para que se possa sentir seguro. Esta terapia pretende, portanto, abalar o mundo seguro do doente levando-o a entender que os acontecimentos da vida são incertos e não são programadas, nem rotineiros. Para isso, os seus comportamentos rotineiros e alguns dos seus comportamentos característicos são postos em causa por estas técnicas terapêuticas.
Para concluir, o cérebro humano tem uma grande capacidade de apreender e de se adaptar a novas situações. A longa infância, a influência do meio e a plasticidade são tudo características do Homem que o distinguem de outros seres. Além disso, o facto de ser criativo e conseguir encontrar métodos que melhorem a sua aprendizagem tornam-no único. Deste modo, consegue aprender mais sobre si próprio e o que o rodeia podendo utilizar esse conhecimento em proveito próprio.
http://files.portfolio-de-psicologia-b.webnode.pt/200000013-5802e58fda/cerebro.pdf
https://www.ibpsychmatters.com/neuroplasticity http://psicologia-12abc.blogspot.com/2009/10/prematuridade-e-neotenia_24.html http://psicologiat.blogspot.com/2012/03/lentificacao-e-individuacao.html?m= http://ojs.unesp.br/index.php/revista_proex/article/viewFile/1437/ http://cerebro.weebly.com/plasticidade-cerebral.html https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/28971/28971_4.PDF https://www-vittude-com.cdn.ampproject.org/v/s/www.vittude.com/blog/transtorno-do- espectro-autista-ou- autismo/amp/?usqp=mq331AQCCAE%3D&_js_v=0.1#referrer=https%3A%2F%2Fwww.goo gle.com&_tf=De%20%251%24s&share=https%3A%2F%2Fwww.vittude.com%2Fblog% 2Ftranstorno-do-espectro-autista-ou-autismo%2F https://www.snoezelen.info/history/