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Apostilas de Português sobre a Sintaxe, Concordância, Casos delicados de concordância, Concordância com pronome relativo e expressões expletivas, Concordância nominal: as palavras “obrigado” e “mesmo”, Concordância nominal: é proibido / é proibida.
Tipologia: Notas de estudo
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Concordância Casos delicados de concordância Concordância com pronome relativo e expressões expletivas Concordância nominal: as palavras “obrigado” e “mesmo” Concordância nominal: é proibido / é proibida Concordância verbal (1) Concordância verbal (2) Concordância do verbo “fazer” Concordância do verbo “haver” Concordância do verbo “ser” Oração reduzida Uso da palavra “onde” Uso das palavras “onde” e “aonde” 2 Pontuação - uso da vírgula Pronome relativo precedido de preposição Pronome relativo e regência Regência verbal Regência verbal 2 Colocação pronominal Colocação pronominal 2
“Cabe dez”... “falta vinte”... “sobrou trinta”... “as mina”... “teus cabelo é da hora”... “eu quero vinte pão”... “isso custa cinco
real”...
Não é novidade para ninguém que o brasileiro, quando fala, não dá muita importância à concordância. A nenhum tipo de
concordância! Cometer erros de concordância na fala do cotidiano é muito comum, mas no texto formal é necessário que a
concordância esteja absolutamente rigorosa. Vamos a um trecho da canção “Música Urbana”, do Capital Inicial: “Tudo errado, mas tudo bem. Tudo quase sempre como eu sempre quis.
agora eu quero ver. Não me importam os seus atos, eu não sou mais um desesperado. Se eu ando por ruas quase escuras, as ruas passam” Você notou como o letrista fez a concordância: “não me importam os seus atos”. Os atos não têm importância, portanto eles
não importam. A concordância está correta, o que é exigível ao menos na língua formal. É desejável que a gente acerte a
concordância no cotidiano também. Basta concordar verbo e sujeito. “Atos” está no plural, então é óbvio que o verbo também
deve estar no plural: “importam”. Acerte a concordância você também.
Às vezes a concordância verbal nos prega uma peça. Para ilustrar, o “Nossa Língua Portuquesa” foi até a rua e formulou
algumas perguntas ao público. “Pedro ou Paulo será ou serão o próximo presidente da República?”
A maioria das pessoas acerta. “Pedro ou Paulo será ...”. Somente um dos dois será o próximo presidente da República - o ou
que aparece na oração é excludente, indica a exclusão de Pedro ou de Paulo da cadeira de Presidente da República. Logo, o
verbo fica no singular.
Contudo, se alguém perguntar sobre sua preferência musical, a resposta poderá ser: Tom ou Caetano me agradam. O ou
presente nesta oração não é excludente, logo o verbo assume o plural. Outra pergunta:
40% dos eleitores preferiram ou preferiu 40% dos eleitores preferiram. A expressão que vem depois do percentual está no
plural ( eleitores ) e aí não há outra opção.
40% do eleitorado preferiu ou preferiram. Muita gente acertou. O termo que vem depois do percentual é singular, logo o
verbo também fica no singular. A forma correta é “40% do eleitorado preferiu”.
“40% preferiu ou preferiram”. Nesta frase não há nada depois da expressão percentual. Então vale o número 40, que é plural.
“40% preferiram, 1% preferiu”.
Você já deve ter ouvido muita gente falar “não foi eu”. Acham que o “foi” vale para qualquer caso. Não é bem assim.
Para ilustrar essa questão o professor Pasquale busca referência na música “Foi Deus que fez você”, de Luiz Ramalho.
“... Foi Deus que fez o céu... Foi Deus que fez você... Foi Deus...” “Foi Deus que fez”. Porque “foi”? Porque Deus é 3ª pessoa, Deus é igual a “ele” e “ele foi”. Agora, não é cabível dizer “Eu foi”. Logo, “não foi eu” está errado. O correto é “não fui eu”, “não fomos nós”.
O verbo que vem depois da palavra “que” também deve concordar com a palavra que vem antes. Portanto, “Fui eu que fiz” (
eu fui, eu fiz),”Fomos nós que fizemos”, “Foram eles que fizeram”.
Outra coisa que você não deve confundir é o caso da expressão expletiva “é que”, que é fixa. A cancão “Só nós dois”, de
Joaquim Pimentel, pode ilustrar muito bem. “ Só nós dois é que sabemos o quanto nos queremos bem Só nós dois é que sabemos Só nós dois e mais ninguém...” A expressão “é que” é fixa. Nunca diga “São nessas horas que a gente percebe”. O correto é dizer “Nessas horas é que a
A Concordância verbal é algo que na linguagem do cotidiano não se costuma fazer. Um jornal escreveu “Chegou as tabelas do
Mundial”, as pessoas dizem “Acabou as ficha”, “Sobrou quinze”, “Falta dez”.
A Música Popular Brasileira está recheada de belíssimos exemplos de como fazer concordâncias verbais adequadas. Um
exemplo está numa canção muito bonita de Paulinho da Viola, “Quando bate uma saudade”.
“... Vibram acordes Surgem imagens Soam palavras Formam-se frases...”
Nessa canção, Paulinho da Viola canta com muita clareza frases com os verbos colocados antes do sujeito, todas com a
concordância muito bem feita. Os substantivos estão no plural, os verbos, também.
Isso no nosso dia-a-dia é raro, mas na linguagem oficial é fundamental estabelecer a concordância. Não se esqueça:
“Acabaram as fichas” ou “Acabaram-se as fichas”, “Sobraram quinze” , “Faltam dez”.
Vamos falar sobre concordância verbal. Vamos tratar de um caso delicado que deixa muita gente atrapalhada. O programa foi
às ruas para ouvir a população: Qual a forma correta? “Vai fazer 5 semanas que ela foi embora.” ou “Vão fazer 5 semanas que ela foi embora.” De sete pessoas ouvidas, três acertaram. A forma correta é: “Vai fazer 5 semanas que ela foi embora.” O verbo “fazer” é um
caso específico da nossa língua. Quando este verbo é usado para indicar tempo transcorrido, não deve ser flexionado....
Verbo “fazer” indicando tempo não é flexionado: “Faz dez anos...” “Faz vinte dias...” “Faz duas horas...” “Já fazia dois meses...”
Quando usamos o verbo fazer associado a outro verbo, e indicando tempo, este também fica no singular:
“Vai fazer vinte anos...” “Deve fazer vinte anos...”
Vamos a outro exemplo de concordância, a partir da canção “O Poeta Está Vivo”, com o Barão Vermelho:
“Se você não pode ser forte, seja pelo menos humana. Quando o papa e seu rebanho chegar, não tenha pena: todo mundo é parecido quando sente dor” Se no caso do verbo “fazer” muitas pessoas usam indevidamente o plural, neste exemplo ocorre o contrário: a letra usa
indevidamente o verbo no singular. “Papa e rebanho” chegam, portanto “quando o papa e seu rebanho chegarem”.
Houve, na letra da música, um escorregão na concordância. Como se trata de uma regra básica da língua, procure respeitá-la
na fala e na escrita.
O brasileiro é resistente ao plural. Esta é a conclusão do professor Pasquale. Ouve-se muito dois real, dez real...
Para ilustrar o professor propõe à rua a seguinte questão: “Faz vinte anos que estive aqui ou fazem vinte anos que eu estive aqui”. As opiniões ficam divididas. O correto é “ Faz vinte anos que estive aqui.” O verbo fazer indicando tempo não tem sujeito. Pode-se e deve-se dizer: “passaram dez anos”.
De fato, os anos passam. Mas, nunca falar “ fazem dez anos “.
O mesmo acontece na locução verbal quando o verbo fazer é associado a outro na indicação de tempo: “ Já deve fazer vinte
anos que ela foi embora “. Nunca dizer :”Já devem fazer vinte anos ...”. Nesses casos o verbo fazer vem sempre no singular.
Outro caso é levantado: “Quando conheci sua prima, eu morava lá há dez anos” ou “... morava lá havia dez anos”.
A dica é muito simples. Usando o verbo fazer a forma correta de falar é “.... morava lá fazia dez anos”. Logo, “... eu morava lá
havia dez anos”.
Neste caso, o verbo haver equivale a fazer, indica tempo. Os tempos verbais também devem se casar: se eu morava..., morava
fazia ..., morava havia.... É assim que exige o padrão formal da língua.
“Haja paciência!” Todos já ouvimos essa expressão. Esse “haja” é o verbo haver no presente do subjuntivo.
Esse verbo talvez seja o mais desconhecido quanto às suas flexões. Muitas vezes é usado sem que o usuário tenha consciência
de que o está usando.
“Estive aqui há dez anos”. O “há” presente na oração é o verbo haver e pode ser trocado por outro verbo: “Estive aqui faz dez
anos”.
Existem deslizes típicos de quem não conhece as características do verbo haver. Quando se diz “Há muitas pessoas na sala”,
conjuga-se o verbo haver na terceira pessoa do singular do presente do indicativo.
Note que não foi feita a concordância do verbo haver com a palavra pessoas. Não se poderia dizer “Hão pessoas”.
O verbo haver, quando usado com o sentido de existir, fica no singular. Se fosse usado o verbo existir, este sim iria para o
plural: “Existem muitas pessoas na sala”
A confusão tende a aumentar quando o verbo haver é usado no passado ou no futuro. Em certo trecho, a versão feita pelo
conjunto “Os incríveis” da canção “Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones”, diz:
“... Não era belo mas, mesmo assim, havia mil garotas a fim....”
Nesta canção o verbo haver foi empregado com o sentido de existir. Logo, está correta a versão, o verbo no passado e no
singular.
No Brasil, fala-se “cabe dez”, “sobrou 30”, “falta 30”. Geralmente não se faz concordância. Mas, quando não é necessário
fazer, erra-se. “Houveram muitos acidentes naquela rodovia”. Errado.
O correto é “Houve muitos acidentes naquela rodovia”. Haverá acidentes, houve acidentes, há pessoas, havia pessoas, houve
pessoas.