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a Sintaxe, Notas de estudo de Literatura

Apostilas de Português sobre a Sintaxe, Concordância, Casos delicados de concordância, Concordância com pronome relativo e expressões expletivas, Concordância nominal: as palavras “obrigado” e “mesmo”.

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 25/11/2013

PorDoSol
PorDoSol 🇧🇷

4.5

(273)

637 documentos

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SINTAXE
Concordância
Casos delicados de concordância
Concordância com pronome relativo e expressões expletivas
Concordância nominal: as palavras obrigadoe mesmo
Concordância nominal: é proibido / é proibida
Concordância verbal (1)
Concordância verbal (2)
Concordância do verbo fazer
Concordância do verbo haver
Concordância do verbo ser
Oração reduzida
Uso da palavra onde
Uso das palavras ondee aonde2
Pontuação - uso da vírgula
Pronome relativo precedido de preposição
Pronome relativo e regência
Regência verbal
Regência verbal 2
Colocação pronominal
Colocação pronominal 2
CONCORDÂNCIA
Cabe dez... falta vinte... sobrou trinta... as mina... teus cabelo é da hora... eu
quero vinte pão... isso custa
cinco
real...
Não é novidade para ninguém que o brasileiro, quando fala, não dá muita importância à concordância. A nenhum
tipo
de
concordância! Cometer erros de concordância na fala do cotidiano é muito comum, mas no texto formal é
necessário
que a
concordância esteja absolutamente rigorosa.
Vamos a um trecho da canção Música Urbana, do Capital Inicial:
Tudo errado, mas tudo bem.
Tudo quase sempre como
eu sempre quis.
Sai da minha frente, que
agora eu quero ver.
Não me importam
os seus atos,
eu não sou mais
um desesperado.
Se eu ando por
ruas quase escuras,
as ruas passam
Você notou como o letrista fez a concordância: não me importam os seus atos. Os atos não têm importância,
portanto
eles
não importam. A concordância está correta, o que é exigível ao menos na língua formal. É desejável que a gente
acerte
concordância no cotidiano também. Basta concordar verbo e sujeito. Atosestá no plural, então é óbvio que o
verbo
também
deve estar no plural: importam. Acerte a concordância você também.
CASOS DELICADOS DE CONCORDÂNCIA
Às vezes a concordância verbal nos prega uma peça.
Para ilustrar, o Nossa Língua Portuquesafoi até a rua e formulou
algumas perguntas ao público.
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SINTAXE

Concordância Casos delicados de concordância Concordância com pronome relativo e expressões expletivas Concordância nominal: as palavras “obrigado” e “mesmo” Concordância nominal: é proibido / é proibida Concordância verbal (1) Concordância verbal (2) Concordância do verbo “fazer” Concordância do verbo “haver” Concordância do verbo “ser” Oração reduzida Uso da palavra “onde” Uso das palavras “onde” e “aonde” 2 Pontuação - uso da vírgula Pronome relativo precedido de preposição Pronome relativo e regência Regência verbal Regência verbal 2 Colocação pronominal Colocação pronominal 2

CONCORDÂNCIA “Cabe dez”... “falta vinte”... “sobrou trinta”... “as mina”... “teus cabelo é da hora”... “eu

quero vinte pão”... “isso custa cinco real”... Não é novidade para ninguém que o brasileiro, quando fala, não dá muita importância à concordância. A nenhum tipo de concordância! Cometer erros de concordância na fala do cotidiano é muito comum, mas no texto formal é necessário que a concordância esteja absolutamente rigorosa. Vamos a um trecho da canção “Música Urbana”, do Capital Inicial: “Tudo errado, mas tudo bem. Tudo quase sempre como eu sempre quis.

Sai da minha frente, que

agora eu quero ver. Não me importam os seus atos, eu não sou mais um desesperado. Se eu ando por ruas quase escuras, as ruas passam” Você notou como o letrista fez a concordância: “não me importam os seus atos”. Os atos não têm importância, portanto eles não importam. A concordância está correta, o que é exigível ao menos na língua formal. É desejável que a gente acerte concordância no cotidiano também. Basta concordar verbo e sujeito. “Atos” está no plural, então é óbvio que o verbo também deve estar no plural: “importam”. Acerte a concordância você também.

CASOS DELICADOS DE CONCORDÂNCIA Às vezes a concordância verbal nos prega uma peça.

Para ilustrar, o “Nossa Língua Portuquesa” foi até a rua e formulou algumas perguntas ao público.

“Pedro ou Paulo será ou serão o próximo presidente da República?” A maioria das pessoas acerta. “Pedro ou Paulo será ...”. Somente um dos dois será o próximo presidente da República - o ou que aparece na oração é excludente, indica a exclusão de Pedro ou de Paulo da cadeira de Presidente da República. Logo, o verbo fica no singular. Contudo, se alguém perguntar sobre sua preferência musical, a resposta poderá ser: Tom ou Caetano me agradam. O ou presente nesta oração não é excludente, logo o verbo assume o plural. Outra pergunta: 40% dos eleitores preferiram ou preferiu 40% dos eleitores preferiram. A expressão que vem depois do percentual está no plural ( eleitores ) e aí não há outra opção. 40% do eleitorado preferiu ou preferiram. Muita gente acertou. O termo que vem depois do percentual é singular, logo o verbo também fica no singular. A forma correta é “40% do eleitorado preferiu”. “40% preferiu ou preferiram”. Nesta frase não há nada depois da expressão percentual. Então vale o número 40, que é plural. “40% preferiram, 1% preferiu”.

CONCORDÂNCIA COM PRONOME RELATIVO E EXPRESSÕES EXPLETIVAS

Você já deve ter ouvido muita gente falar “não foi eu”. Acham que o “foi” vale para qualquer caso. Não é bem assim. Para ilustrar essa questão o professor Pasquale busca referência na música “Foi Deus que fez você”, de Luiz Ramalho. “... Foi Deus que fez o céu... Foi Deus que fez você... Foi Deus...” “Foi Deus que fez”. Porque “foi”? Porque Deus é 3 ª pessoa, Deus é igual a “ele” e “ele foi”. Agora, não é cabível dizer “Eu foi”. Logo, “não foi eu” está errado. O correto é “não fui eu”, “não fomos nós”. O verbo que vem depois da palavra “que” também deve concordar com a palavra que vem antes. Portanto, “Fui eu que fiz” ( eu fui, eu fiz),”Fomos nós que fizemos”, “Foram eles que fizeram”. Outra coisa que você não deve confundir é o caso da expressão expletiva “é que”, que é fixa. A cancão “Só nós dois”, de Joaquim Pimentel, pode ilustrar muito bem. “ Só nós dois é que sabemos o quanto nos queremos bem Só nós dois é que sabemos Só nós dois e mais ninguém...” A expressão “é que” é fixa. Nunca diga “São nessas horas que a gente percebe”. O correto é dizer “Nessas horas é que a gente percebe” ou “É nessas horas que a gente percebe”. “É que” é uma expressão de realce, fixa e fácil de ser percebida. Pode, também, ser eliminada. Veja os exemplos: “Só nós dois é que sabemos” - “Só nós dois sabemos” “É nessas horas que a gente percebe” - Nessas horas a gente percebe”. A expressão “é que”, expletiva, pode ser perfeitamente eliminada sem prejuízo da estrutura frasal.

OBRIGADO (A) / EU MESMO (A)

“Eu mesma fiz essa bolsa”, é assim que se fala? É possível, mas é necessário fazer a concordância. Quando quem fala é homem deve dizer “eu mesmo”. Se for mulher, “eu mesma” Você, referindo-se a uma mulher, deve dizer “você mesma”, “ela mesma”. No plural e havendo pelo menos um homem, “nós mesmos”. Havendo só mulheres “nós mesmas”. A concordância deve ser feita quando é necessário agradecer. O homem diz “Obrigado”. A mulher, “obrigada”. É PROIBIDO / É PROIBIDA Uma pessoa vai a um edifício comercial, a um ambiente mais formal, e vê ali uma tabuleta:

caso específico da nossa língua. Quando este verbo é usado para indicar tempo transcorrido, não deve ser flexionado.... Verbo “fazer” indicando tempo não é flexionado: “Faz dez anos...” “Faz vinte dias...” “Faz duas horas...” “Já fazia dois meses...” Quando usamos o verbo fazer associado a outro verbo, e indicando tempo, este também fica no singular: “Vai fazer vinte anos...” “Deve fazer vinte anos...” Vamos a outro exemplo de concordância, a partir da canção “O Poeta Está Vivo”, com o Barão Vermelho: “Se você não pode ser forte, seja pelo menos humana. Quando o papa e seu rebanho chegar, não tenha pena: todo mundo é parecido quando sente dor” Se no caso do verbo “fazer” muitas pessoas usam indevidamente o plural, neste exemplo ocorre o contrário: a letra usa indevidamente o verbo no singular. “Papa e rebanho” chegam, portanto “quando o papa e seu rebanho chegarem”. Houve, na letra da música, um escorregão na concordância. Como se trata de uma regra básica da língua, procure respeitá-la na fala e na escrita.

CONCORDÂNCIA DO VERBO FAZER

O brasileiro é resistente ao plural. Esta é a conclusão do professor Pasquale. Ouve-se muito dois real, dez real... Para ilustrar o professor propõe à rua a seguinte questão: “Faz vinte anos que estive aqui ou fazem vinte anos que eu estive aqui”. As opiniões ficam divididas. O correto é “ Faz vinte anos que estive aqui.” O verbo fazer indicando tempo não tem sujeito. Pode-se e deve-se dizer: “passaram dez anos”. De fato, os anos passam. Mas, nunca falar “ fazem dez anos “. O mesmo acontece na locução verbal quando o verbo fazer é associado a outro na indicação de tempo: “ Já deve fazer vinte anos que ela foi embora “. Nunca dizer :”Já devem fazer vinte anos ...”. Nesses casos o verbo fazer vem sempre no singular. Outro caso é levantado: “Quando conheci sua prima, eu morava lá há dez anos” ou “... morava lá havia dez anos”. A dica é muito simples. Usando o verbo fazer a forma correta de falar é “.... morava lá fazia dez anos”. Logo, “... eu morava lá havia dez anos”. Neste caso, o verbo haver equivale a fazer, indica tempo. Os tempos verbais também devem se casar: se eu morava..., morava fazia ..., morava havia.... É assim que exige o padrão formal da língua.

CONCORDÂNCIA DO VERBO HAVER “Haja paciência!” Todos já ouvimos essa expressão. Esse “haja” é o verbo haver no presente do subjuntivo. Esse verbo talvez seja o mais desconhecido quanto às suas flexões. Muitas vezes é usado sem que o usuário tenha consciência de que o está usando. “Estive aqui há dez anos”. O “há” presente na oração é o verbo haver e pode ser trocado por outro verbo: “Estive aqui faz dez anos”. Existem deslizes típicos de quem não conhece as características do verbo haver. Quando se diz “Há muitas pessoas na sala”, conjuga-se o verbo haver na terceira pessoa do singular do presente do indicativo. Note que não foi feita a concordância do verbo haver com a palavra pessoas. Não se poderia dizer “Hão pessoas”. O verbo haver, quando usado com o sentido de existir, fica no singular. Se fosse usado o verbo existir, este sim iria para o plural: “Existem muitas pessoas na sala” A confusão tende a aumentar quando o verbo haver é usado no passado ou no futuro. Em certo trecho, a versão feita

pelo conjunto “Os incríveis” da canção “Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones”, diz: “... Não era belo mas, mesmo assim, havia mil garotas a fim....” Nesta canção o verbo haver foi empregado com o sentido de existir. Logo, está correta a versão, o verbo no passado e no singular. No Brasil, fala-se “cabe dez”, “sobrou 30”, “falta 30”. Geralmente não se faz concordância. Mas, quando não é necessário fazer, erra-se. “Houveram muitos acidentes naquela rodovia”. Errado. O correto é “Houve muitos acidentes naquela rodovia”. Haverá acidentes, houve acidentes, há pessoas, havia pessoas, houve pessoas. Vale repetir: “O verbo haver quando empregado com o sentido de existir, ocorrer, acontecer, fica no singular, independentemente do tempo verbal.

CONCORDÂNCIA DO VERBO SER

“Volta pra casa... me traz na bagagem: tua viagem sou eu. Novas paisagens, destino passagem: tua tatuagem sou eu. Casa vazia, luzes acesas (só pra dar impressão), cores e vozes, conversa animada (é só a televisão)...” “Simples de Coração” (Engenheiros do Hawaii) Na letra dessa música temos dois trechos interessantes: “tua viagem sou eu” e “tua tatuagem sou eu”. São interessantes porque é relativamente pouco usual esse emprego do verbo ser. Normalmente, quando vemos, por exemplo, “tua viagem”, esperamos um verbo na 3ª pessoa do singular, concordando com o sujeito: “tua viagem é;...” ou “tua viagem foi...” Mas - por que o letrista utilizou “tua viagem sou eu”? Porque o verbo ser, nesse caso, está ligando o substantivo “viagem” ao pronome pessoal “eu”. O pronome pessoal prevalece, pelo simples motivo de que, em termos de concordância verbal, a pessoa prevalece sobre o que não é pessoa, sempre. Por isso, independentemente da ordem da frase, faz-se a concordância do verbo “ser” com a pessoa, como fez de forma corretíssima o pessoal dos Engenheiros do Hawaii nas duas passagens: Eu sou tua viagem. Tua viagem sou eu. Eu sou tua tatuagem. Tua tatuagem sou eu. ORAÇÃO REDUZIDA Você já deve ter ouvido falar em oração reduzida. Com alguns exemplos muito simples podemos identificá-la. “Quando você fizer tal coisa...” “Ao fazer tal coisa...” No primeiro caso o verbo fazer está no futuro do subjuntivo. Você percebeu. No segundo, eliminamos a conjunção “quando” e não conjugamos o verbo fazer, deixando-o no infinitivo. Em suma, reduzimos a oração. Outro exemplo. “Precisando, telefone.” A primeira oração “precisamos” pode ser desdobrada. “Se precisar, telefone” ou “Quando precisar, telefone”. Passamos a usar as conjunções “se” ou “quando”. Quando usamos verbos no gerúndio ( falando, bebendo, partindo), no infinitivo ( falar, beber, partir ) ou no particípio ( falado, bebido, partido ), não se usa o elemento ( se , quando ) que introduz a oração, ou seja, a conjunção. A oração começa direto com o verbo. É reduzida. Veja o fragmento de uma letra de Caetano Veloso e Gilberto Gil:

“No dia em que eu vim m’embora ... sentia apenas que a mala de couro que eu carregava embora estando forrada fedia, cheirava mal...”

letra da canção seria: “... e antes que eu esqueça onde estou, antes que eu esqueça onde estou, onde estou com a cabeça?” Vamos a outro exemplo, a canção “Onde você mora”, gravada pelo grupo Cidade Negra: “... Você vai chegar em casa, eu quero abrir a porta. Aonde você mora, aonde você foi morar, aonde foi? Não quero estar de fora... Aonde está você?” Quem vai, vai a algum lugar. Portanto, a expressão correta nesse caso é “aonde”. Aonde você foi? Mas quem mora, mora em algum lugar. Quem está, está em algum lugar. Nesse caso, a expressão correta é “onde”: Onde você mora? Onde você foi morar? Onde está você? Veja agora este trecho da canção “Bete Balanço”, gravada pelo Barão Vermelho: “Pode seguir a tua estrela, o teu brinquedo de star, fantasiando um segredo, o ponto aonde quer chegar...” Ensinam as gramáticas que, na língua culta, o verbo “chegar” rege a preposição “a”. Quem chega, chega a algum lugar. A preposição é usada quando queremos indicar movimento, deslocamento. Portanto, a letra da música está correta: O ponto aonde você quer chegar. Eu chego ao cinema pontualmente. Eu chego a São Paulo à noite. Eu chego a Brasília amanhã. Na linguagem coloquial, no entanto, é muito comum vermos construções como “eu cheguei em São Paulo”, “eu cheguei no cinema”. Não há grandes problemas em trocar “onde” por “aonde” na língua do dia-a-dia ou em versos de letras musicais populares, dos quais fazem parte o ritmo, a melodia e outros fatores. Mas, pela norma culta, num texto formal, use “aonde” sempre que houver a preposição “a” indicando movimento: ir a / dirigir-se a / levar a / chegar a PONTUAÇÃO - VÍRGULA Como usar a vírgula? Seu uso está relacionado à respiração? Não. A vírgula depende da estrutura sintática da oração. Às pessoas, na rua, foi sugerida uma questão. Pediu-se que colocassem vírgulas no seguinte texto: “O diretor de Recursos Humanos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos declarou que não haverá demissões neste mês.” A maioria acertou. Não há vírgula. “O diretor de Recursos Humanos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos” é o sujeito do verbo declarar. Foi ele, o diretor, que declarou. Entre sujeito e verbo não há vírgula. Depois, “ ...que não haverá demissões neste mês.” Como a seqüência está na ordem direta, não há por que colocar vírgula. Mas, às vezes, vírgula pode decidir o sentido do texto.

O professor Pasquale fala da sua participaão no Programa Jô Soares, quando pediu a ele que escrevesse um telegrama. Irás voltarás não morrerás Dependendo do sentido que se quer dar, ocorre a pontuação. Irás. Voltarás. Não morrerás. Irás. Voltarás? Não. Morrerás. Resumo. No primeiro caso não há por que usar a vírgula. O texto está na ordem direta e em seqüências diretas não se usa pontuação. No caso do telegrama pontua-se de acordo com aquilo que se quer dizer. A pontuação decide o sentido.

PRONOME RELATIVO PRECEDIDO DE PREPOSIÇÃO Esse módulo trata do uso do pronome relativo QUE. Em certos casos ele deve ser acompanhado da preposição EM , como no caso da letra da música “GOSTAVA TANTO DE VOCÊ” (Edson Trindade). Tim Maia canta: “...Pensei até em me mudar, lugar qualquer que não exista o pensamento em você ...”. Leila Pinheiro corrige e canta: “... lugar qualquer em que não exista o pensamento em você ...” Leila Pinheiro tem razão. Afinal,, se esse pensamento existe em algum lugar, o correto seria dizer “lugar qualquer em que não exista o pensamento em você”. Trata-se do emprego da preposição com o pronome relativo “que”. Na linguagem do dia-a-dia essa preposição desaparece. É comum as pessoas dizerem “A empresa que eu trabalho”. Se eu trabalho em algum lugar, deverei dizer “A empresa em que trabalho”.

PRONOME RELATIVO E REGÊNCIA

Há pouco tempo foi exibido na televisão um anúncio cujo texto dizia: “... a marca que o mundo confia.” Acontece que, “quem confia, confia em”. Logo, o correto seria dizer: “... a marca em que o mundo confia.” As pessoas falam “A rua que eu moro”, “Os países que eu fui”, “A comida que eu mais gosto”. O correto seria dizer “A rua em que moro”, “Os países a que fui”, “A comida de que mais gosto”. O problema também está presente em uma letra da dupla Roberto e Erasmo Carlos, “Emoções”. “... são tantas já vividas são momentos que eu não me esqueci...”

Se eu me esqueci, eu me esqueci de Quem esquece, esquece algo Quem se esquece, esquece-se de algo Logo, o correto seria “são momentos de que não me esqueci.” Pode-se, também, eliminar a preposição de e o pronome me. Ficaria “são momentos que eu não esqueci” Em um jornal de grande circulação o texto de uma campanha afirmava: “A gente nunca esquece do aniversário de um amigo..” O correto seria: “A gente nunca esquece o aniversário de um amigo” ou “A gente nunca se esquece do aniversário de um amigo.” Vale o mesmo esquema para o verbo lembrar. Quem lembra, lembra algo Quem se lembra, lembra-se de algo Ex: Eu não lembro o seu nome. Eu não me lembro do seu nome. Como você pode notar, esses erros de regência são muito comuns. É necessário redobrar a atenção para não cometê-los mais. REGÊNCIA VERBAL Regência é a relação que se verifica entre as palavras. Por exemplo: quem gosta, gosta de alguma coisa. Assim, o verbo “gostar” rege a preposição “de”. Existe, entre o verbo e a preposição, um mecanismo, uma relação.

Outro exemplo é o verbo “esquecer”. Vamos ver o trecho da canção “As Canções que você Fez pra mim”, de Roberto e Erasmo Carlos: “... Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou, tanta coisa que somente entre nós dois ficou...” É muito comum que se fale “esqueceu de tanta coisa”, mas quem esquece, esquece algo. Quem se esquece, esquece-se de algo. Portanto, as formas corretas são: “Esqueceu tanta coisa.” “Esqueceu-se de tanta coisa.” A mesma coisa vale para o verbo “lembrar”. Vamos ver um trecho da canção “Tempo Perdido”, gravada por Paulo Ricardo: “...Temos todo o tempo do mundo. Todos os dias, antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia, sempre em frente, não temos tempo a perder...” O uso está correto. Poderia ser também “Lembro-me e esqueço-me de como foi...” Quem lembra, lembra algo. Quem se lembra, lembra-se de algo.

COLOCAÇÃO PRONOMINAL

Discute-se na letra da música - “ EU SEI QUE VOU TE AMAR “( Tom Jobim e Vivícius de Moraes ) a melhor colocação do promome TE no trecho: “Eu sei que vou te amar Por toda minha vida eu vou te amar ...” O correto seria que o pronome viesse após a conjunção integrante que, já que esta conjunção é palavra atrativa. Ficaria : Eu sei que te vou amar. A outra forma é colocar o pronome TE após o verbo. Ficaria : Eu sei que vou amar-te. No entanto, o professor Pasquale acha que ficaria estranho Tom Jobim e Vinícius cantarem: “Eu sei que te vou amar Por toda a minha vida Eu sei que vou amar-te ...” , Na colocação do pronome muitas vezes vale a eufonia apesar de a eufonia apesar de a norma culta nem sempre abonar essas formas.

COLOCAÇÃO PRONOMINAL 2

Este assunto foi tratado mais de uma vez no programa: a colocação dos pronomes oblíquos átonos em relação aos verbos. Pronomes oblíquos átonos: ME - TE - SE - LHE - LHES - O - A - OS - AS - NOS - VOS Aqui no Brasil, muitas vezes o professor diz ao aluno: “Não é possível começar a frase com o pronome me”. E, se o aluno escreve na redação: “Me disseram que...”, leva uma bronca do professor, que não explica ao aluno de onde vem essa história. O que acontece é que a língua portuguesa “oficial”, isto é, o português de Portugal, não aceita o pronome no início da frase. Eles falam “Disseram-me...”. O problema é que essa colocação pronominal não tem nada a ver com a nossa maneira de falar, a nossa sonoridade. Nós temos a nossa maneira de usar o pronome, e não há por que lutar contra isso. É como na canção “Vento Ventania”, do grupo Biquíni Cavadão: “Vento, ventania, me leve para as bordas do céu, pois vou puxar as barbas de Deus.

Vento, ventania, me leve pra onde nasce a chuva, pra lá de onde o vento faz a curva, me deixe cavalgar nos seus desatinos, nas revoadas, redemoinhos...” O mesmo grupo tem outra canção que também é um bom exemplo da nossa maneira de colocar os pronomes na frase. A canção é “Timidez”. “Toda vez que te olho, crio um romance. Te persigo mudo todos os instantes. Falo pouco, pois não sou de dar indiretas. Me arrependo do que digo em frases incertas...” Em português de Portugal isso não poderia ser assim. Precisaria ser “Leve-me”, “Deixe-me”, “Persigo-te”, “Arrependome” e assim por diante. É importante lembrar que a nossa forma de usar os pronomes, no começo da frase, está oficialmente errada. No cotidiano, com os amigos, na vida diária, podemos falar à nossa maneira. Mas numa prova de português, num vestibular, num concurso, devemos escrever o pronome sempre depois do verbo. Console-se, são coisas da nossa língua portuguesa...