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Teologia, ensino cristão do ser de Deus
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Não perca as partes importantes!
























“Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer.” — Romanos 9:18 —
qualquer atributo; se Ele tem sido um assassino, adúltero, ou perjuro, ou idólatra, ou blasfemo, Deus pode salvá-lo, se Ele quiser, e em nenhum aspecto prejudicar a Sua Glória. Embora as pessoas tenham pecado por muito tempo, tenham sido obstinadas, tenham cometido pecados hediondos mil vezes, até mesmo que eles envelheceram em pecado, e pecaram sob grandes agravos: deixar os agravos ser o que puderem; se eles pecaram mesmo sob tão grande luz; se eles se desviaram, e pecaram mesmo contra as numerosas e solenes advertências e esforços do Espírito, e misericórdias de Sua Providência Comum, embora o perigo de tais seja muito maior do que o de outros pecadores, ainda assim Deus pode salvá-los se isto Lhe agrada, por causa de Cristo, sem qualquer prejuízo a qualquer um de Seus atributos. Ele pode ter misericórdia de quem tiver misericórdia.”
“Foi um testemunho suficiente da aversão de Deus mesmo contra a maior maldade que Cristo, o Filho Eterno de Deus, morreu por isso. Nada pode demonstrar a aversão infinita de Deus por qualquer maldade mais do que isso. Se o próprio homem ímpio deverá ser lançado no Inferno, e deverá suportar os tormentos mais extremos que serão sempre sofridos ali, isto não seria uma maior manifestação da aversão de Deus pelo pecado, do que os sofrimentos do Filho de Deus por causa do pecado.”
“Se os homens têm afrontado Deus, sempre e tanto; se lançaram sempre tanto desprezo em Sua autoridade; ainda assim, Deus pode salvá-los, se Ele quiser, e a honra de Sua Majestade não sofre o mínimo dano. Se Deus salvar aqueles que O têm ofendido, sem satisfação, a honra de Sua Majestade sofreria dano. Pois, quando o desprezo é lançado sobre Sua Infinita Majestade, Sua honra sofre dano, e o desprezo deixa uma obscuridade sobre a honra da Majestade Divina, se o dano não for reparado. Mas os sofrimentos de Cristo repararam integralmente o dano. Deixe o desprezo ser sempre tão grande, no entanto se tão honrável pessoa como Cristo se compromete a ser um Mediador para o ofensor, e na mediação sofrer em seu lugar, é totalmente reparado o dano causado pelo maior pecador à Majestade do Céu.”
“Os pecadores são, por vezes, prontos para lisonjearem-se que, embora possa não ser contrário à Justiça de Deus condená-los, mas isto não será consistente com a glória da Sua Misericórdia. Eles pensam que será desonroso para a misericórdia de Deus lançá-los no inferno, e não ter nenhuma piedade ou compaixão deles. Eles pensam que isso seria muito duro e severo, que não cabeira a um Deus de infinita Graça e terna Compaixão. Mas Deus pode negar a salvação a qualquer pessoa natural, sem qualquer depreciação à Sua Misericórdia e Bondade. Aquilo, que não é contrário à Justiça de Deus, não é contrária à Sua Misericórdia.”
“Deuteronômio 7:7: ‘O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos’. Deuteronômio 9:6. ‘Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o Senhor teu Deus te dá esta boa terra para possuí-la, pois tu és povo obstinado’. Deus lhes dá a entender, que não era por nenhuma outra causa, senão o Seu Livre Amor Eletivo, que O levou a escolhê-los para ser Seu povo. Essa razão é dada: por que Deus os amava; foi porque Ele os amava (Deuteronômio 7:8). Que é o mesmo que dizer que foi agradável à Sua Vontade Soberana, colocar o Seu Amor sobre você.”
“Deus exerce Sua Soberania nas vantagens que Ele concede a pessoas particulares. Todos precisam de Salvação da mesma forma, e todos são, naturalmente, não merecedores dela; mas ele dá algumas maiores vantagens para a salvação a uns do que a outros.”
“Deus exerce Sua Soberania algumas vezes concedendo salvação aos pequenos e medíocres, e a nega aos sábios e grandes. Cristo em Sua Soberania passa pelas portas de príncipes e nobres, e entra alguma casa e ali faz morada, e tem comunhão com os seus obscuros habitantes. Deus em Sua Soberania reteve a Salvação do homem rico, que se regalava esplendidamente todos os dias, e a concedeu ao pobre Lázaro, que estava sentado mendigando em seu portão.”
“Deus exerce Sua Soberania em chamar alguns para a Salvação, que têm sido muito horrenda- mente ímpios, e deixando outros, que foram pessoas morais e religiosas. Os Fariseus eram uma seita muito rigorosa entre os Judeus. Sua religião era extraordinária. Eles não eram como os demais homens, roubadores, injustos ou adúlteros (Lucas 18:11). Havia moralidade neles. Eles jejuavam duas vezes por semana, e davam o dízimo de tudo que possuíam. Eles eram religiosos. Mas ainda assim eles foram em sua maioria rejeitados, e os publicanos, e as meretrizes, e um tipo abertamente vicioso de pessoas entraram no reino de Deus diante deles (Mateus 21:31).”
“O Desígnio de Deus na Criação foi o de glorificar a Si mesmo, ou fazer manifesta a glória essencial de Sua natureza. Foi ajustado que Sua Infinita Glória deveria brilhar; e era o desígnio original de Deus fazer uma manifestação de Sua Glória, como ela é. Não que era Seu desígnio manifestar toda a Sua glória para a apreensão das criaturas; pois é impossível que as mentes das criaturas possam compreendê-la. Mas foi o Seu Desígnio fazer uma verdadeira manifestação de Sua Glória, como representante de todos os Seus atributos.”
“Se todos os atributos de Deus não são manifestados, a glória de nenhum deles se manifesta como ela é; pois os atributos Divinos refletem a glória uns dos outros.”
“A glória de Deus eminentemente aparece em Sua Soberania absoluta sobre todas as criaturas, grandes e pequenas. Se a glória de um príncipe está em seu poder e domínio, então a glória de Deus é a Sua Soberania absoluta. Aqui aparece a infinita grandeza e majestade de Deus acima de todas as criaturas. Portanto, é da vontade de Deus manifestar a Sua Soberania. E a Sua Soberania, assim como seus outros atributos, é manifestada nos exercícios do mesmo. Ele glorifica o Seu Poder no exercício do Poder. Ele glorifica Sua Misericórdia no exercício da Misericórdia. Da mesma forma, Ele glorifica a Sua Soberania no exercício da Soberania.”
“Então a glória da Soberania de Deus aparece em que ele é Soberano sobre as almas dos homens, que são criaturas tão nobres e excelentes. Deus, portanto, vai exercer a Sua Soberania sobre eles.” “[...] a Soberania de Deus sobre os homens se mostra gloriosa no que se estende a todas as coisas que lhes dizem respeito. Ele pode dispor delas em relação a tudo o que lhes diz respeito, de acordo com o Seu próprio prazer. Sua Soberania se mostra gloriosa no que abrange os seus assuntos mais importantes, até mesmo no estado eterno e condição das almas dos homens. Aqui vemos que a Soberania de Deus é sem obrigações ou limites, na medida em que abrange a um caso de tamanha
“O povo de Deus tem o maior motivo de gratidão, maior razões para amar a Deus, que tem lhes concedido tal grande e inefável Misericórdia por Sua mera Vontade Soberana.”
“Deus insiste, que a Sua Soberania seja reconhecida por nós mesmo neste grande assunto, um assunto que tão de perto e infinitamente nos interessa, como a nossa própria Salvação eterna. Esta é a pedra de tropeço na qual milhares caem e perecem; e se continuarmos discutindo com Deus sobre a Sua Soberania, isto será nossa ruína eterna. É absolutamente necessário que nós devamos nos submeter a Deus, como nosso Soberano absoluto, e o Soberano sobre as nossas almas; como alguém que pode ter misericórdia de quem quer ter misericórdia, e endurecer a quem Ele quiser.”
“Muitos ouvem que a misericórdia de Deus é infinita, e, portanto, acham que, se eles demorarem a procurar a Salvação para o presente, e buscá-la-ão no futuro, pois assim Deus concederá Sua Graça a eles. Mas considero que, embora a Graça de Deus seja suficiente, no entanto, ele é Soberano, e agirá por Seu próprio prazer se Ele irá salvar ou não. Se você adiar a Salvação até daqui por diante, a S alvação não estará em Seu poder. Será como um Deus soberano se agradar, se você deverá obtê-la ou não. Vendo, pois, que neste caso você está tão absolutamente dependente de Deus, é melhor seguir sua direção na busca, isto é, ouvir a sua voz hoje: ‘Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais seu coração’.”
“Deixe você ser o que você puder, pecador, Deus pode, se Ele quiser, glorificar grandemente a Si mesmo na Sua salvação.”
Um Sermão Por Jonathan Edwards
“ Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer” (Romanos 9:18)
O apóstolo, no início deste capítulo, expressa sua grande preocupação e tristeza de coração pela nação dos Judeus, que foram rejeitados por Deus. Isso o leva a observar a diferença que Deus fez por eleição entre alguns dos Judeus e outros, e entre a maior parte daquele povo e os Cristãos Gentios. Ao falar isso, ele entra em uma discussão no ponto mais específico da Soberania de Deus na eleição de alguns para a vida eterna, e rejeição dos outros, do que é encontrado em qualquer outra parte da Bíblia; no curso da qual ele cita várias passagens do Antigo Testamento, confirmando e ilustrando esta Doutrina. No versículo 9, ele nos remete ao que Deus disse a Abraão, mostrando a Eleição de Isaque ao invés de Ismael – “Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho”, então o que Deus disse a Rebeca, mostrando a sua eleição de Jacó ao invés de Esaú; “O maior servirá ao menor”. No verso 13, a uma passagem de Malaquias: “Amei a Jacó, e odiei a Esaú”. No verso 15, para o que Deus disse a Moisés: “Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia”. E o verso anterior do texto, para o que Deus diz a Faraó: “Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra”. Nisto que o apóstolo diz no texto, ele parece ter respeito especialmente aos dois últimos trechos citados: o que Deus disse a Moisés no versículo 15, e para o que ele disse a Faraó no versículo imediatamente anterior. Deus disse a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia”. A isso o apóstolo se refere na primeira parte do texto. E nós sabemos quão frequentemente é dito de Faraó, que Deus endureceu o seu coração. E assim o apóstolo parece ter se referido na última parte do texto: “e endurece a quem quer”. Podemos observar no texto:
I. Irei mostrar o que é a Soberania de Deus.
A Soberania de Deus é o Seu direito absoluto, independente de dispor de todas as criaturas de acordo com Seu próprio prazer. Vou considerar esta definição por suas partes:
A Vontade de Deus é chamada de o Seu mero prazer.
Agora, me proporei a inquerir:
II. O que a Soberania de Deus na salvação dos homens implica. Em resposta a esta pergunta, eu observo, isso implica que Deus pode conceder a salvação em qualquer um dos filhos dos homens, ou recusá-lo, sem qualquer prejuízo para a glória de qualquer um de seus atributos, exceto quando Ele tem se agradado de declarar, que Ele vai ou não concedê-la. Isto não pode ser dito absolutamente, como o caso está agora, que Deus pode, sem qualquer prejuízo para a honra de qualquer um de seus atributos, conceder a salvação para qualquer um dos filhos dos homens, ou recusá-lo; porque, em relação a alguns, Deus se agradou a declarar, que Ele queira ou que Ele não queira conceder a Salvação a eles; a assim obrigar a Si mesmo em relação à Sua própria promessa. E em relação a alguns ele se agradou de declarar, que Ele nunca vai conceder salvação a eles; a saber, aqueles que cometeram o pecado contra o Espírito Santo. Assim, conforme o caso está agora, ele está obrigado; ele não pode dar a salvação em um caso, ou recusá-lo em outro, sem prejuízo para a honra de Sua Verdade. Mas Deus exerceu Sua Soberania ao fazer estas declara- ções. Deus não era obrigado a prometer que iria salvar todos os que creem em Cristo; nem ele foi obrigado a declarar que aquele que cometeu o pecado contra o Espírito Santo nunca será perdoado. Mas agradou-Lhe assim declarar. E se não fosse por isso, isto é, que Deus tomou prazer de obrigar-Se, nestes casos, Ele ainda pode conceder ou recusar a Salvação, sem prejuízo de qualquer um de Seus atributos. Se isto fosse por si só, prejudicial a qualquer um dos seus atributos o conceder ou recusar a salvação, então Deus não faria este ato como Soberano absoluto. Porque então deixa de ser uma coisa meramente arbitrária. Isto deixou de ser uma questão de liberdade absoluta, e se tornou uma questão de necessidade ou obrigação. Pois Deus não pode fazer qualquer coisa em prejuízo de qualquer um de seus atributos, ou ao contrário ao que é em Si mesmo, Excelente e Glorioso. Portanto,
maldade mais do que isso. Se o próprio homem ímpio deverá ser lançado no Inferno, e deverá suportar os tormentos mais extremos que serão sempre sofridos ali, isto não seria uma maior manifestação da aversão de Deus pelo pecado, do que os sofrimentos do Filho de Deus por causa do pecado.
o pecado é punido nos sofrimentos de Cristo, na medida em que Ele é o nosso Fiador, e por isso é legalmente a mesma pessoa, e sustenta a nossa culpa, e nos Seus sofrimentos suportou o nosso castigo. Pode-se objetar que Deus disse: “Se tu comes, tu morrerás” [Gênesis 2:17]; como se a mesma pessoa que pecou deve ser punida; e, portanto, por que a verdade de Deus não O obriga a isso? Eu respondo, que a palavra, então, não se destinava restritamente a ele, que em sua própria pessoa pecou. Adão provavelmente compreendeu que a sua posteridade foi incluída, se eles pecassem na sua própria pessoa ou não. Se eles pecaram em Adão, a veracidade dessas palavras, “se comeres”, significa- va, se comeres em ti mesmo, ou confiando em ti mesmo. E, portanto, a última palavra, “morrerás”, também suficientemente permite uma tal construção como: “tu morrerás em ti mesmo, ou na tua garantia”. Isaías 42:21: “O Senhor se agradava dele por amor da sua justiça; engrandeceu-o pela lei, e o fez glorioso”. Mas,
Deus pode recusar a salvação a qualquer pecador que seja, sem prejuízo à honra de qualquer um de seus atributos.
Não há uma pessoa qualquer que esteja em uma condição natural, a quem Deus não pode recusar-Se a conceder a Salvação, sem prejuízo de qualquer parte da Sua glória. Deixe que uma pessoa natural seja sábia ou insensata, de um temperamento natural bom ou mau, de parentesco inferior ou honroso, seja nascido de pais ímpios ou piedosos; que ela seja uma pessoa moral ou imoral, tudo de bom que ele possa ter feito, embora ele tenha sido religioso, tenha feito muitas orações, e quaisquer sofrimentos que tenha tido para que ele pudesse ser salvo; qualquer que seja a preocupação e angústia que ele possa temer de que ele será condenado; ou qualquer circunstância em que ele possa estar; Deus pode negar-lhe a Salvação sem o menor menosprezo a nenhuma das suas perfeições. Sua glória não será em qualquer instância ser minimamente obscurecida por isto.
geração por muitas centenas de anos. A terra que no passado estava povoada por muitas grandes e poderosas nações. Havia os Egípcios, um povo famoso por sua sabedoria. Havia também os Assírios e Caldeus, que eram grandes, e nações sábias e poderosas. Havia os Persas, que por sua força e política sujeitaram uma grande parte do mundo. Havia as nações renomadas dos Gregos e Romanos, que eram famosos por todo o mundo por seus excelentes governos civis, por sua sabedoria e habilidade nas artes da paz e da guerra, e que por sua destreza militar em suas subjugarão e reinaram sobre o mundo. Aqueles foram rejeitados. Deus não os escolheu para serem o Seu povo, mas deixou-os por muitas eras em grosseira escuridão pagã, a perecer por falta de visão; e escolheu um único povo, a posteridade de Jacó, para ser o Seu próprio povo, e para dar-lhes os meios de Graça. Salmo 147:19-20: “Mostra a sua palavra a Jacó, os seus estatutos e os seus juízos a Israel. Não fez assim a nenhuma outra nação; e quanto aos seus juízos, não os conhecem”. Esta nação era um povo pequeno e desprezível em comparação com muitas outras pessoas. Deuteronômio 7:7: “O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos”. Deuteronômio 9:6. “Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o Senhor teu Deus te dá esta boa terra para possuí-la, pois tu és povo obstinado”. Deus lhes dá a entender, que não era por nenhuma outra causa, senão o Seu Livre Amor Eletivo, que O levou a escolhê-los para ser Seu povo. Essa razão é dada: por que Deus os amava; foi porque Ele os amava (Deuteronômio 7:8). Que é o mesmo que dizer que foi agradável à Sua Vontade Soberana, colocar o Seu Amor sobre você.
Deus também mostrou a Sua Soberania na escolha das pessoas, quando outras nações foram rejeitadas, que vieram dos mesmos progenitores. Assim, os filhos de Isaque foram escolhidos, quando a posteridade de Ismael e dos outros filhos de Abraão foram rejeitadas. Assim os filhos de Jacó foram escolhidos, quando a posteridade de Esaú foi rejeitada: como o apóstolo observa no sétimo verso, “Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência” [Romanos 9:7]. E novamente nos versículos 10–13. “E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá ao menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú”. O apóstolo não se refere apenas à eleição das pessoas de Isaque e de Jacó ao invés de Ismael e Esaú; mas de sua posteridade. Na passagem, já citada de Malaquias, Deus tem o respeito às nações, que foram os descendentes de Esaú e Jacó; Malaquias 1:2-3. “Eu vos tenho amado, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não era Esaú irmão de Jacó? disse o Senhor; todavia amei a Jacó, e odiei a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto”. Deus mostrou a Sua Soberania, quando Cristo veio, ao rejeitar os Judeus, e chamar os gentios. Deus rejeitou essa nação que eram os filhos de Abraão
segundo a carne, e que tinha sido seu próprio povo por tantos séculos, e que exclusiva- mente possuía o único Deus verdadeiro, e escolheu o pagão idólatra ao invés deles, e os chamou para ser Seu povo. Quando o Messias veio e nasceu de sua nação, e a quem tanto esperavam, Ele foi rejeitado por eles. Ele veio para os seus, e os seus não o receberam (João 1:11). Quando a dispensação gloriosa do Evangelho veio, Deus passou pelos Judeus, e chamou aqueles que tinham sido pagãos, para desfrutar dos privilégios do mesmo. Eles foram quebrados, para que os gentios fossem enxertados em seu lugar (Romanos 11:17). Agora é chamada amada, a que não era amada. E mais são os filhos da mulher solitária, do que os filhos da casada (Isaías 54:1). Os filhos naturais de Abraão, são rejeitadas, e Deus levanta filhos a Abraão de pedras. Essa nação, que foi tão honrada por Deus, tem sido agora, por muitas eras, rejeitada, e permanece dispersa por todo o mundo, um monumento notável da Vingança Divina. E agora Deus distingue grandemente algumas nações dos gentios em relação a outras, e tudo de acordo com a Sua Vontade Soberana.
dito, “E Jesus, olhando para ele, o amou” [Marcos 10:21]. Ainda assim, ele foi deixado; enquanto o ladrão, que foi crucificado com Cristo, foi escolhido e chamado, mesmo na cruz. Às vezes Deus mostra Sua Soberania, mostrando misericórdia para com o principal dos pecadores, por aqueles que foram assassinos, profanadores e blasfemos. E mesmo quando eles estão velhos, alguns são chamados na última hora. Deus, por vezes, mostra a Soberania de Sua Graça ao mostrar misericórdia para com alguns, que passaram a maior parte de suas vidas a serviço de Satanás, e tem pouco para gastar no serviço de Deus.
IV. Venho agora para dar as razões, por que Deus, assim, exerce Sua Soberania na Salvação eterna dos filhos dos homens.
Assim, se a sabedoria de Deus se manifestar, e não a Sua santidade, a glória de Sua sabedoria não iria se manifestar como ela é; pois uma parte da glória do atributo da Sabedoria Divina é que ela é uma Sabedoria sagrada. Semelhantemente, se a Sua
Santidade se manifestar, e não a Sua sabedoria, a glória de Sua Santidade não iria se manifestar como ela é; pois uma coisa que pertence a glória da Santidade de Deus é que ela é uma Santidade sábia. Assim é com relação aos atributos de Misericórdia e Justiça. A glória da misericórdia de Deus não aparece como ele é, a não ser que seja manifesta como uma Misericórdia justa, ou como uma Misericórdia consistente com a justiça. E assim é com respeito à Soberania de Deus, ela reflete a glória de todos os Seus outros atributos. Faz parte da glória da Misericórdia de Deus, que é Misericórdia Soberana. Portanto, todos os atributos de Deus refletem a glória uns dos outros.
A Glória de um atributo não pode ser manifestada, como é, sem a manifestação de outro. Um atributo é defeituoso sem outro, e, por conseguinte, a manifestação será defeituosa. Por isso, foi da vontade de Deus manifestar todos os Seus atributos. A glória declarativa de Deus nas Escrituras é muitas vezes chamada de: o nome de Deus, porque ele declara Sua natureza. Mas, se o Seu nome não significar a Sua natureza como ela é, ou não declarar qualquer atributo, ele não é um verdadeiro nome. A Soberania de Deus é um dos seus atributos, e uma parte da Sua glória. A glória de Deus eminentemente aparece em Sua Soberania absoluta sobre todas as criaturas, grandes e pequenas. Se a glória de um príncipe está em seu poder e domínio, então a glória de Deus é a Sua Soberania absoluta. Aqui aparece a infinita grandeza e majestade de Deus acima de todas as criaturas. Portanto, é da vontade de Deus manifestar a Sua Soberania. E a Sua Soberania, assim como seus outros atributos, é manifestada nos exercícios do mesmo. Ele glorifica o Seu Poder no exercício do Poder. Ele glorifica Sua Misericórdia no exercício da Misericórdia. Da mesma forma, Ele glorifica a Sua Soberania no exercício da Soberania.