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Abcesso Periamigdaliano, Notas de estudo de Medicina

Abcesso Periamigdaliano tudo acerca de suas condutas.

Tipologia: Notas de estudo

2020

Compartilhado em 11/02/2020

gleison-t-castro
gleison-t-castro 🇧🇷

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Obstrução de Vias Aéreas Superiores após Drenagem de
Abscesso Periamigdaliano. Relato de Caso *
Upper Airway Obstruction after Peritonsillar Abscess Drainage.
Case Report
Deoclécio Tonelli, TSA 1, Fernando Wilhelm de Carvalho 2, Paula de Camargo Neves Sacco, TSA 3,
Vanessa Heinke 4, Raquel Vasconcelos de Souza 4
RESUMO
Tonelli D, Carvalho FW, Sacco PCN, Heinke V, Souza RV -
Obstrução de Vias Aéreas Superiores após Drenagem de
Abscesso Periamigdaliano. Relato de Caso
Justificativa e Objetivos - O abscesso periamigdaliano é uma
complicação incomum, porém predispõe a comprometimento
grave das vias aéreas superiores. O objetivo deste relato é
apresentar um caso de obstrução de vias aéreas após
drenagem cirúrgica de abscesso periamigdaliano numa
paciente jovem sem outras doenças de base.
Relato do Caso - Trata-se de uma paciente de 26 anos com
grave abscesso periamigdaliano que submeteu-se à anestesia
geral para drenagem e após a extubação apresentou grave
insuficiência respiratória, necessitando de reintubação
traqueal e ventilação controlada mecânica por 24 horas.
Conclusões - O planejamento anestésico e a adequada
indicação cirúrgica são fundamentais para a prevenção de
complicações em cirurgia otorrinolaringológica.
UNITERMOS - CIRURGIA, Otorrinolaringológica;
COMPLICAÇÕES, Respiratória: obstrução de vias aéreas
SUMMARY
Tonelli D, Carvalho FW, Sacco PCN, Heinke V, Souza RV -
Upper Airway Obstruction after Peritonsillar Abscess Drainage.
Case Report
Background and Objectives - Peritonsillar abscess is an un-
usual complication, but predisposes to severe upper airway
complications. This report aimed at presenting a case of upper
airway obstruction after surgical drainage of a peritonsillar ab-
scess in a healthy young female patient.
Case Report - Young female patient, 26 years old, with severe
peritonsillar abscess and submitted to general anesthesia for
drainage. After extubation, she presented a severe respiratory
failure requiring reintubation and controlled ventilation for 24
hours.
Conclusions - The anesthetic strategy and the adequate surgi-
cal indication are fundamental in preventing complications dur-
ing ENT surgeries.
KEY WORDS - COMPLICATIONS, Respiratory: airway ob-
struction; SURGERY, Otorhinolaryngologic
INTRODUÇÃO
Oabscesso periamigdaliano é uma complicação inco-
mum, porém predispõe a comprometimento grave das
vias aéreas superiores 1.
Quando se estende até o palato mole, pode causar trismo,
obstrução respiratória e intubação orotraqueal difícil, po-
dendo tornar-se um problema ao anestesiologista, se hou-
ver indicação cirúrgica 2.
A própria manipulação da glândula pode causar complica-
ções hemorrágicas 3,4 ou obstrutivas 1,2,5, sendo seu manu-
seio dependente da gravidade de cada caso 4,6.
Oobjetivodeste relato é apresentarumcaso de obstrução de
vias aéreas após drenagem cirúrgica de abscesso periamig-
dalianonumapaciente jovem semoutras doenças de base.
RELATO DO CASO
Paciente com 26 anos, do sexo feminino, branca, procurou o
prontosocorrocom queixa de febre,dorde garganta edificul-
dadeparadeglutir 3dias,tendo feito uso depenicilinacris-
talina sem melhora do quadro. O exame físico foi impossibili-
tado pela dificuldade e intensa dor à abertura da boca. Os
exames laboratoriais revelaram leucocitose (20.100) sem
desvio à esquerda ou outras alterações.
Foi estabelecido o diagnóstico de abscesso periamigdalia-
no, sendo a paciente encaminhada ao centro cirúrgico para
realização de drenagem. A paciente foi monitorizada com
cardioscópio, oximetria de pulso e pressão arterial não inva-
siva, sendo induzida em seqüência rápida, optando-se por
anestesia geral balanceada com propofol (200 mg), alfenta-
nil(200µg),rocurônio(40 mg), sevoflurano e óxido nitroso. A
paciente foi intubada sem dificuldade.
Após o procedimento anestésico-cirúrgico, realizado sem
intercorrências,apaciente foi extubada,evoluindoimediata-
mente com obstrução de vias aéreas superiores sendo ne-
cessária a reintubação.
588 Revista Brasileira de Anestesiologia
Vol. 52, 5, Setembro - Outubro, 2002
INFORMAÇÃO CLÍNICA
CLINICAL REPORT
Rev Bras Anestesiol
2002; 52: 5: 588 - 590
* Recebido do (Received from) Hospital Beneficente São Caetano, CET
Integrado de Medicina ABC
1. Coordenador do Serviço de Anestesiologia do CET Integrado da Facul-
dade de Medicina ABC
2. Assistente do Serviço de Anestesiologia do CET Integrado da Faculda-
de de Medicina ABC
3. Instrutora do CET Integrado da Faculdade de Medicina ABC
4. Ex-ME de CET Integrado da Faculdade de Medicina ABC
Apresentado (Submitted) em 23 de julho de 2001
Aceito (Accepted) para publicação em 05 de março de 2002
Correspondência para (Mail to):
Dr. Deoclécio Tonelli
Rua Marina Jacomini, 60/63
09541-360 São Caetano do Sul, SP
ÓSociedade Brasileira de Anestesiologia, 2002
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Obstrução de Vias Aéreas Superiores após Drenagem de

Abscesso Periamigdaliano. Relato de Caso *

Upper Airway Obstruction after Peritonsillar Abscess Drainage.

Case Report

Deoclécio Tonelli, TSA 1 , Fernando Wilhelm de Carvalho 2 , Paula de Camargo Neves Sacco, TSA 3 , Vanessa Heinke 4 , Raquel Vasconcelos de Souza 4

RESUMO Tonelli D, Carvalho FW, Sacco PCN, Heinke V, Souza RV - Obstrução de Vias Aéreas Superiores após Drenagem de Abscesso Periamigdaliano. Relato de Caso

Justificativa e Objetivos - O abscesso periamigdaliano é uma complicação incomum, porém predispõe a comprometimento grave das vias aéreas superiores. O objetivo deste relato é apresentar um caso de obstrução de vias aéreas após drenagem cirúrgica de abscesso periamigdaliano numa paciente jovem sem outras doenças de base. Relato do Caso - Trata-se de uma paciente de 26 anos com grave abscesso periamigdaliano que submeteu-se à anestesia geral para drenagem e após a extubação apresentou grave insuficiência respiratória, necessitando de reintubação traqueal e ventilação controlada mecânica por 24 horas. Conclusões - O planejamento anestésico e a adequada indicação cirúrgica são fundamentais para a prevenção de complicações em cirurgia otorrinolaringológica.

U N I T E R M O S - C I R U R G I A , O t o r r i n o l a r i n g o l ó g i c a ; COMPLICAÇÕES, Respiratória: obstrução de vias aéreas

SUMMARY Tonelli D, Carvalho FW, Sacco PCN, Heinke V, Souza RV - Upper Airway Obstruction after Peritonsillar Abscess Drainage. Case Report

Background and Objectives - Peritonsillar abscess is an un- usual complication, but predisposes to severe upper airway complications. This report aimed at presenting a case of upper airway obstruction after surgical drainage of a peritonsillar ab- scess in a healthy young female patient. Case Report - Young female patient, 26 years old, with severe peritonsillar abscess and submitted to general anesthesia for drainage. After extubation, she presented a severe respiratory failure requiring reintubation and controlled ventilation for 24 hours. Conclusions - The anesthetic strategy and the adequate surgi- cal indication are fundamental in preventing complications dur- ing ENT surgeries. KEY WORDS - COMPLICATIONS, Respiratory: airway ob- struction; SURGERY, Otorhinolaryngologic

INTRODUÇÃO

O

abscesso periamigdaliano é uma complicação inco- mum, porém predispõe a comprometimento grave das vias aéreas superiores 1. Quando se estende até o palato mole, pode causar trismo, obstrução respiratória e intubação orotraqueal difícil, po- dendo tornar-se um problema ao anestesiologista, se hou- ver indicação cirúrgica 2.

A própria manipulação da glândula pode causar complica- ções hemorrágicas 3,4^ ou obstrutivas 1,2,5^ , sendo seu manu- seio dependente da gravidade de cada caso 4,^.

O objetivo deste relato é apresentar um caso de obstrução de vias aéreas após drenagem cirúrgica de abscesso periamig- daliano numa paciente jovem sem outras doenças de base.

RELATO DO CASO

Paciente com 26 anos, do sexo feminino, branca, procurou o pronto socorro com queixa de febre, dor de garganta e dificul- dade para deglutir há 3 dias, tendo feito uso de penicilina cris- talina sem melhora do quadro. O exame físico foi impossibili- tado pela dificuldade e intensa dor à abertura da boca. Os exames laboratoriais revelaram leucocitose (20.100) sem desvio à esquerda ou outras alterações. Foi estabelecido o diagnóstico de abscesso periamigdalia- no, sendo a paciente encaminhada ao centro cirúrgico para realização de drenagem. A paciente foi monitorizada com cardioscópio, oximetria de pulso e pressão arterial não inva- siva, sendo induzida em seqüência rápida, optando-se por anestesia geral balanceada com propofol (200 mg), alfenta- nil (200 μg), rocurônio (40 mg), sevoflurano e óxido nitroso. A paciente foi intubada sem dificuldade. Após o procedimento anestésico-cirúrgico, realizado sem intercorrências, a paciente foi extubada, evoluindo imediata- mente com obstrução de vias aéreas superiores sendo ne- cessária a reintubação.

588 Revista Brasileira de Anestesiologia

INFORMAÇÃO CLÍNICA

CLINICAL REPORT

Rev Bras Anestesiol 2002; 52: 5: 588 - 590

* Recebido do ( Received from ) Hospital Beneficente São Caetano, CET Integrado de Medicina ABC

1. Coordenador do Serviço de Anestesiologia do CET Integrado da Facul- _dade de Medicina ABC

  1. Assistente do Serviço de Anestesiologia do CET Integrado da Faculda-_ _de de Medicina ABC
  2. Instrutora do CET Integrado da Faculdade de Medicina ABC
  3. Ex-ME de CET Integrado da Faculdade de Medicina ABC_

Apresentado ( Submitted ) em 23 de julho de 2001 Aceito ( Accepted ) para publicação em 05 de março de 2002

Correspondência para ( Mail to ): Dr. Deoclécio Tonelli Rua Marina Jacomini, 60/ 09541-360 São Caetano do Sul, SP Ó Sociedade Brasileira de Anestesiologia, 2002

Encaminhada à unidade de terapia intensiva, a paciente foi mantida sedada com midazolam e fentanil em infusão contí- nua e sob ventilação mecânica, sendo avaliada pela infecto- logia que estabeleceu como hipótese diagnóstica: síndrome monolike, com infecção bacteriana secundária, sendo trata- da com ampicilina por via venosa. Foram colhidas sorologias para HIV, toxoplasmose, mononucleose e citomegalovírus, tendo sido todas negativas. Após instituído o tratamento, a paciente evoluiu com melho- ra do quadro, sendo extubada e tendo alta da UTI após 24 ho- ras do procedimento cirúrgico e alta hospitalar após 72 ho- ras, sem sinais de obstrução ou sangramento. A paciente aguarda remissão completa do quadro infeccioso para programar sua amigdalectomia.

DISCUSSÃO

O abscesso periamigdaliano é uma complicação infecciosa que exige interação entre o otorrinolaringologista e o aneste- siologista para o melhor planejamento da conduta 2. Há estudos que recomendam a amigdalectomia primária 6,7^ , enquanto outros recomendam tratamento conservador, dei- xando a amigdalectomia para casos recorrentes 8-10^. A maio- ria, no entanto, concorda com a punção amigdaliana para es- vaziar o abscesso antes da conduta cirúrgica propriamente dita 2 , evitando dessa forma a aspiração de pus, hemorragia ou obstrução das vias aéreas por manipulação cirúrgica ex- cessiva. A indicação anestésica é outro ponto de controvérsia, que depende da conduta cirúrgica. A punção com esvaziamen- to pode ser feita sob anestesia local 2. Entretanto, a drena- gem cirúrgica sob anestesia geral é a melhor forma de as- segurar a patência das vias aéreas, fato bem discutido na literatura 4-^. Deste caso podemos concluir que o planejamento anestési- co bem como uma adequada indicação cirúrgica são funda- mentais para prevenção de complicações após drenagem de abscesso periamigdaliano.

Upper Airway Obstruction after Peritonsillar

Abscess Drainage. Case Report

Deoclécio Tonelli, TSA, M.D., Fernando Wilhelm de Carva- lho, M.D., Paula de Camargo Neves Sacco, TSA, M.D., Va- nessa Heinke, M.D., Raquel Vasconcelos de Souza, M.D.

INTRODUCTION

Peritonsillar abscess is an unusual complication, but predis- poses to severe upper airway complications 1. When reaching the soft palate, it may cause trismus, respira- tory obstruction and difficult tracheal intubation, eventually becoming a problem for the anesthesiologist if there is surgi- cal indication 2. The tonsil manipulation itself may cause hemorrhagic 3,4^ or obstructive 1,2,5^ complications and the manipulation depends on the severity of the case 4,^. This report aimed at presenting a case of airways obstruction after surgical peritonsillar abscess drainage in a young healthy female patient.

CASE REPORT

Young female patient, Caucasian, 26 years old, was referred to the first aid unit complaining of fever, sore throat and diffi- cult swallowing for 3 days, having used crystalline penicillin without improvement. Physical evaluation was impossible due to difficulty in opening the mouth and severe pain. Lab tests revealed leucocytosis (20,100) without shift to the left or other changes. Patient was diagnosed as peritonsillar abscess and was re- ferred to the operating center for drainage. Patient was moni- tored with cardioscope, pulse oximetry and non-invasive blood pressure, and was induced with general balanced an- esthesia with propofol (200 mg), alfentanyl (200 μg), rocuronium (40 mg), sevoflurane and nitrous oxide, by the rapid sequence method. Patient was easily intubated. After surgery, performed without intercurrences, patient was extubated and immediately evolved to upper airways ob- struction, being then reintubated. Referred to the intensive care unit, patient was kept sedated with midazolam and fentanyl in continuous infusion and un- der mechanical ventilation, being evaluated by the infectologist who established as diagnostic hypothesis: monolike syndrome with secondary bacterial infection, be- ing treated with intravenous ampicillin. Samples were col- lected for HIV toxoplasmosis, mononucleosis and cytomegalovirus, and were all negative. After treatment, patient improved, was extubated and dis- charged from the ICU 24 hours after the procedure and from the hospital 72 hours after surgery without signs of obstruc- tion or bleeding. Patient is awaiting for total infection remission to schedule her tonsillectomy.

Revista Brasileira de Anestesiologia 589

TONELLI, CARVALHO, SACCO ET AL

AGRADECIMENTOS

Agradecemos ao Dr. Mário Casemiro Júnior, aneste- siologista assistente do CET Integrado da Faculdade de Medicina ABC.