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O uso de métodos geofísicos, especificamente a eletrorresistividade, na investigação e mapear a contaminação no cemitério de vila rezende, piracicaba, são paulo, brasil. O documento discute as características de áreas contaminadas, a etapa de investigação confirmatória e apresenta resultados de estudos geoelétricos, incluindo mapas potenciométricos e localizações de ensaios.
Tipologia: Notas de estudo
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Engenheiro Ambiental pela Escola de Engenharia de Piracicaba (EEP). Mestre em Geociências e Meio Ambiente pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp). Consultor Ambiental. Professor da Faculdade Anhanguera de Piracicaba
Geólogo pela Unesp Rio Claro. Geofísico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) na área de Geofísica. Doutorado em Geociências e Meio Ambiente pela Unesp. Livre-docente em Geofísica Aplicada pela Unesp
Dentro do gerenciamento de áreas contaminadas, a aplicação de métodos geofísicos, em estudos de área contaminada, constitui uma metodologia
confirmatória. Este procedimento – mais precisamente o método da eletrorresistividade por meio das técnicas da sondagem elétrica vertical e imageamento
elétrico – foi aplicado no cemitério de Vila Rezende, em Piracicaba, São Paulo, para investigar e mapear a contaminação do cemitério por necrochorume. Os
resultados indicam uma profundidade do nível freático entre 3,1 e 5,1 m, com duas direções de fluxo subterrâneo, uma a SW e outra a SE. Tanto as prováveis
plumas de contaminação, que têm as mesmas direções de fluxo subterrâneo, quanto as anomalias condutivas verificadas nas seções geoelétricas confirmam
as suspeitas de contaminação na área.
Palavras-chave: eletrorresistividade; contaminação; necrochorume; investigação.
Inside of the administration of contaminated areas, the application of geophysical methods, in studies of contaminated area, constitutes a confirmatory
methodology. This procedure – more precisely the electrical resistivity method through the techniques of the vertical electric sounding and electrical imaging
techniques, was applied at Vila Rezende’s cemetery, Piracicaba, São Paulo, Brazil, to investigate and to map the contamination of the cemetery for necrochorume.
The results indicate a depth of water table among 3.1 and 5.1 m, with two flow directions, being one to SW and another to SE. So the probable contamination
plumes, that have the same directions of underground flow, as for the conductive anomalies verified at the geoelectrics sections confirm the suspicions of
contamination in the area.
Keywords: eletrorresistivity; contamination; necrochorume; investigation.
Endereço para correspondência: Robson Willians da Costa Silva – Pós-graduação em Geociências – Unesp, Campus Bela Vista – Avenida 24 A, 1.515 – 13506-900 – Rio Claro (SP), Brasil – Tel.: (19) 34224069 – E-mail: [email protected] Recebido: 12/06/08 – Aceito: 2/2/09 – Reg. ABES: 096/
Com a promulgação pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente
(Conama) da Resolução nº 335 de 28 de maio de 2003, os cemitérios
são vistos como fontes de contaminação do ambiente, e sua implan-
tação está sujeita ao atendimento dos critérios legais, fazendo-se ne-
cessária a implantação de equipamentos de proteção ambiental para
salvaguardar o solo e as águas subterrâneas.
É possível apontar como a principal causa de poluição dos cemi-
térios a eliminação do necrochorume pelos cadáveres, particularmen-
te, no primeiro ano do sepultamento. O necrochorume pode veicular,
além de micro-organismos oriundos do cadáver, restos ou resíduos
de tratamentos químicos hospitalares (quimioterapia, por exemplo)
e os compostos decorrentes da decomposição da matéria orgânica.
Esses contaminantes incorporados ao fluxo de necrochorume são
prejudiciais ao solo e às águas subterrâneas.
Segundo Matos (2001), os compostos orgânicos liberados no
processo de decomposição dos cadáveres aumentam a atividade
Silva, R.W.C. & Malagutti Filho, W.
“Identificação de áreas contaminadas”, a atividade de sepultamento
como passível de causar contaminação.
Uma área contaminada pode ser definida como uma área, local ou
terreno onde há comprovadamente poluição ou contaminação causa-
da pela introdução de substâncias ou resíduos que nela tenham sido
depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de
forma planejada, acidental ou até mesmo natural (CETESB, 2001).
O gerenciamento de áreas contaminadas visa minimizar os riscos
a que estão sujeitos a população e o meio ambiente, em virtude da
existência das mesmas, por meio de um conjunto de medidas que asse-
gurem o conhecimento das características dessas áreas e dos impactos
causados por elas, proporcionando os instrumentos necessários à to-
mada de decisão quanto às formas de intervenção mais adequadas.
A Cetesb (2001) aponta alguns critérios que devem ser levanta-
dos para que uma área possa ser considerada como potencialmente
contaminada. O Quadro 1 apresenta as características das atividades
passíveis de causar contaminação encontrada em cemitérios.
Mesmo que a atividade de sepultamento não se enquadre literal-
mente como atividade industrial ou comercial, podem ocorrer vaza-
mentos de substâncias passíveis de causar danos ao solo e às águas
subterrâneas, visto que, nessa atividade, se manuseiam resíduos bio-
lógicos – os cadáveres.
A estratégia para o gerenciamento, proposta pela Cetesb (2001),
é constituída por uma série de etapas sequenciais, nas quais as infor-
mações obtidas em cada etapa é base para a execução da etapa se-
guinte. O gerenciamento está dividido basicamente em dois proces-
sos, subdivididos nas etapas, conforme visto no Quadro 2. A Figura 1
apresenta o sequenciamento do processo de identificação de áreas
contaminadas.
A etapa de definição da área de interesse marca o início do geren-
ciamento das áreas contaminadas (ACs). São definidos os objetivos
principais a ser alcançados e a área do gerenciamento, considerando
o solo e as águas subterrâneas como os principais bens a proteger.
A identificação das áreas potencialmente contaminadas (APs) é
realizada coletando-se os dados necessários por meio das técnicas de
levantamento de dados existentes, de investigações e por observação
do histórico.
A avaliação preliminar consiste na elaboração de um diagnóstico
inicial das APs, com um levantamento de informações existentes e
microbiana no solo sob a área de sepultamentos. O autor afirma
ainda que, nessas áreas, há aumento da condutividade elétrica,
pH, alcalinidade e dureza da solução do solo, devido à presença
de compostos de nitrogênio e fósforo e de diversos sais (Cl-, HCO 3 ,
Ca+2, Na+). Ocorre também a presença de óxidos metálicos (Ti, Cr,
Cd, Pb, Fe, Mn, Ni, entre outros) lixiviados dos adereços das urnas
mortuárias e de patógenos associados a mortes por doenças infecto-
contagiosas.
A norma técnica L1.040 da Companhia de Tecnologia de
Saneamento Ambiental (Cetesb) de 1999, Implantação de Cemitérios ,
e a Resolução Conama nº 335, traçam alguns requisitos técnicos para
implantação de novas necrópoles. Partindo desse pressuposto, os
principais aspectos dos cemitérios em atividade a serem investigados
são os geológico-geotécnicos, hidrogeológicos e ambiental.
Investigação de áreas contaminadas
Tendo em vista os inúmeros casos de áreas contaminadas divul-
gados ao público, a Cetesb, com a cooperação técnica do órgão ale-
mão Deutsche Gesellschaft Für Technishe Zusammenarbeit (GTZ), ela-
boraram, em 2001, o Manual de gerenciamento de áreas contaminadas.
Esse manual se tornou referência no âmbito de gerenciamento de
áreas contaminadas no Brasil, mas não consta, em seu capítulo 3,
Quadro 1 – Características das atividades passíveis de causarem con- taminação encontrada em cemitérios Características Ocorrência Existência de processos produtivos que pos- sam causar contaminação do solo e das águas subterrâneas
Não ocorrem em áreas de cemitérios
Presença de substâncias que possuem potencial para causar danos aos bens a proteger via solos e águas subterrâneas
Pode ocorrer em áreas de cemitério
Atividade industrial ou comercial que apresente histórico indicando manuseio, armazenamento ou disposição inadequada de matérias-primas, produtos e resíduos
Pode ocorrer em áreas de cemitério
Atividade industrial ou comercial que apresente histórico indicando a ocorrência de acidentes ou vazamentos
Pode ocorrer em áreas de cemitério
Atividade industrial ou comercial que apresente histórico de geração de áreas suspeitas de con- taminação ou de áreas contaminadas
Pode ocorrer em áreas de cemitério
Quadro 2 – Processos e etapas do gerenciamento de áreas contaminadas Processos Etapas do processo
Identificação de áreas contaminadas
Definição de áreas de interesse Identificação de áreas potencialmente contaminadas Avaliação preliminar Investigação confirmatória
Recuperação de áreas contaminadas
Investigação detalhada Avaliação de risco Investigação para remediação Projeto de remediação Remediação Monitoramento (^) Figura 1 – Processo de identificação de áreas contaminadas
Definição da área de interesse
Avaliação preliminar
AP AS
Investigação confirmatória (*)
AC
Identificação da área potencialmente contaminada
AP = Área Potencialmente Contaminada; AS = Área Suspeita de Contaminação; AC = Área Contaminada (*) Momento no qual podem ser utilizados os Métodos Geofísicos
Silva, R.W.C. & Malagutti Filho, W.
Metodologia
O método da eletrorresistividade consiste em injetar corrente elé-
trica, por meio de contatos diretos com o solo, e medir a diferença de
potencial elétrico, por eletrodos metálicos aterrados ao solo. Quando
os valores da corrente e do potencial são registrados, é possível calcu-
lar a resistividade dos materiais em subsuperfície.
As técnicas mais utilizadas são a sondagem elétrica vertical (SEV),
que investiga as heterogeneidades verticais das resistividades, e o
imageamento elétrico (IE) que investiga as heterogeneidades hori-
zontais e verticais das resistividades.
Os arranjos eletródicos mais utilizados pelo método da eletror-
resistividade, utilizando as técnicas de SEV e IE, são: gradiente, di-
polo-dipolo, pólo-dipolo, Schlumberger e Wenner (WARD, 1990).
A escolha do arranjo de superfície dos eletrodos depende dos pro-
pósitos do levantamento, da situação geológica e do tipo e da qua-
lidade de informações desejadas. Neste trabalho, empregaram-se
as técnicas da SEV com o arranjo Schlumberger e o IE 2D com o
arranjo dipolo-dipolo.
O arranjo de campo Schlumberger (Figura 4) é o mais utiliza-
do em SEVs, devido à qualidade das curvas de campo, facilidade e
rapidez na execução do ensaio e menor suscetibilidade às variações
laterais de resistividade e ruídos, como correntes naturais no subso-
lo, linhas de alta tensão etc. Neste arranjo, os eletrodos de corrente
AB apresentam uma separação crescente, e os eletrodos de potencial
MN permanecem fixos – a uma distância ≤ AB/5, durante o desen-
volvimento do ensaio. O objetivo básico nesse arranjo é fazer com
que a distância que separa os eletrodos M e N tenda a 0 em relação à
distância crescente entre A e B. Devido aos procedimentos de campo
descritos, o erro produzido por esse tipo de arranjo pode ser consi-
derado insignificante (ORELLANA, 1972). A resistividade utilizando
esse arranjo é dada pela Equação 1:
π
V (^) μ ¶
Equação 1
O arranjo dipolo-dipolo (Figura 5) é um dos mais utilizados na
investigação de contaminantes, pela precisão nos resultados e rapidez
na execução em campo. Apresenta melhor resolução, anomalias mais
intensas, considerando relações verticais (WARD, 1990). Neste arran-
jo, a configuração é de dois eletrodos, A e B, de emissão de corrente e
de dois eletrodos, M e N, de potencial com igual abertura ‘x’, estando
os eletrodos dispostos em um mesmo alinhamento. O ponto de atri-
buição do valor calculado é a intersecção das linhas que partem do
centro de AB e MN, com ângulo de 45°. Observa-se, na Figura 5, que
o espaçamento R varia nos múltiplos de abertura do dipolo, na forma
x (n + 1), onde x = 1, 2, 3,... é o número de dipolos MN. Assim, o
nível teórico de investigação progressivamente cresce com o cresci-
mento de R, que teoricamente corresponde a x (n + 1)/2.
A resistividade utilizando o arranjo dipolo-dipolo é calculada
pela Equação 2:
μ ¶
π
n 2
n 1
n
Equação 2
Para estabelecer o modelo geoelétrico e, posteriormente, a elabo-
ração do mapa potenciométrico da área do cemitério, foram realiza-
das 16 SEVs, com espaçamento dos eletrodos AB de até 200 m, em
setembro de 2006. As SEVs foram distribuídas em toda área de estu-
do (Figura 6), sendo executados sete ensaios na área interna do ce-
mitério (SEV: 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 13), e nove ensaios na área externa
do cemitério (SEV: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 14, 15 e 16). O aparelho utilizado
foi o resistivímetro Bison, modelo 2390 da Bison Instruments Inc. O
processamento das SEVs visando à obtenção do modelo geoelétrico
foi realizado no software IX1D v.3 da Interpex Limited , utilizando tanto
o método direto como inverso. No método direto, admitiu-se um
modelo inicial, baseado no conhecimento prévio da geologia local.
O algoritmo do software calculou a curva de resistividade e, após um
ajuste razoável, o modelo foi refinado por meio da inversão, com base
A (^) M (^) P N B MN b AB/
A V
Linhas equipotenciais Linhas de corrente
Figura 4 – Arranjo Schlumberger
Sentido de caminhamento
Linhas equipotenciais Linhas de corrente
A V V V V V A B
x nx x
R
45º 45º
M 1 N 1 M 2 M 3 M 4 M 5
n 1
N 2
n 2
N 4
n 4
N 3
n 3
N 5
n 5 Z = R/
x = Espaçamento dos dipolos R = Espaçamento entre os centros dos dipolos considerados n = Níveis Teóricos de Investigação Z = Profundidade teórica investigada
Figura 5 – Arranjo dipolo-dipolo
Investigação de cemitérios por meio de Métodos Geofísicos
Resistividade (ohm.m)
Resistividade (ohm.m)
Profundidade (m)
1000
100
10
0,
1
10
100 1 10 100 1000 AB/2 (m)
1ª Camada Anomalia Condutiva (Conatminação?)
Zona de Evapotranspiração
Zona Retenção Zona de Aeração
Zona deSaturação
Nível d’água (Água de Gravidade)
2ª Camada Solo argiloso 3ª Camada 4ª Camada Siltito argiloso 5ª Camada Diabásio 10 100 1000
Curva de campo Curva do modelo
Figura 7 – Curva típica da área interna e sua caracterização hidrogeológica
no método dos mínimos quadrados, que busca uma convergência da
curva teórica para a curva de campo.
Após obtidas as profundidades dos níveis freáticos nos locais das
SEVs e suas coordenadas UTM, foi possível elaborar o mapa poten-
ciométrico da área, utilizando o software Surfer v.8 da Golden Software ,
com a interpolação geoestatística de mínima curvatura. Esse método
de interpolação geoestatística é um método suavizador, sendo o que
melhor representa as linhas equipotencias.
Para investigação e mapeamento geoelétrico do cemitério, foram
executadas 12 linhas de IEs (Figura 6), em fevereiro de 2007, com
comprimento de até 390 m, espaçamento de 10 m entre eletrodos,
5 níveis de investigação, resultando numa profundidade teórica de
15 m, por meio do resistivímetro Terrameter SAS 4000 da Abem
Instruments. Os dados foram processados no software RES2DINV , de
autoria de Loke (2004), que executa um imageamento 2D do terreno,
empregando a técnica da inversão por meio do método dos mínimos
quadrados. Os resultados da inversão pelo RES2DINV foram expor-
tados na forma de arquivos XYZ e interpolados por krigagem simples
pelo Surfer , para elaborar as seções geoelétricas.
Para gerar os mapas 3D de resistividade elétrica dos 5 níveis de
investigação, foi realizada uma análise geoestatística de 274 dados
por nível pelo software Variowin 2.21, de autoria de Pannatier (1996).
O modelo variográfico foi exportado para o software Surfer , para a
realização da interpolação pelo método da krigagem ordinária.
Resultados e discussão
SEV
O modelo geoelétrico da área interna do cemitério (Tabela 1) apre-
senta uma heterogeneidade de valores de resistividade entre 10 e 2.
Ω.m, sendo os níveis mais condutivos interpretados como provável
contaminação por necrochorume e os mais resistivos, como horizontes
areno-argilosos, aterro com sedimentos arenosos, cascalho de calcário,
resíduos de construção e demolição moídos e reciclados, e tubulações
e galerias de drenagem superficial. As curvas apresentam padronização
da segunda parte em diante, em profundidade e resistividade a partir
de 4 m e 180 Ω.m, respectivamente, interpretado como siltitos argi-
losos da Formação Corumbataí. No entanto, em algumas SEVs, o seu
último nível (a partir de 18 m) apresentou resistividade 15 vezes maior
em relação ao nível geoelétrico anterior, podendo ser correlacionadas
com o diabásio. A Figura 7 apresenta curva típica (SEV-7) da área inter-
na, com sua respectiva correspondência hidrogeológica.
Devido ao caráter arenoso das camadas superficiais (aterro) do
cemitério, os líquidos provenientes da decomposição dos corpos –
necrochorume – podem fluir perfeitamente. Já nas camadas mais
profundas, os sedimentos apresentam condições fisico-químicas,
como textura argilosa e baixa condutividade hidráulica, que são
desfavoráveis para percolação do necrochorume – embora isso facili-
te o fenômeno de saponificação dos cadáveres.
Figura 6 – Localização dos ensaios geoelétricos realizados na área de estudo
Tabela 1 – Modelo geoelétrico proposto para a área interna do cemitério Zona Descrição dos materiais Resistividade (Ω.m)
Aeração
Solo argilo-arenoso 157 ≤ ρ ≤ 628 Solo areno-argiloso 2.070 ≤ ρ ≤ 2. Anomalia condutiva – necrochorume 13 ≤ ρ ≤^75 Solo areno-argiloso + aterro arenosos 448 ≤ ρ ≤ 935 Tubulações e construções de concreto aterradas
934 ≤ ρ ≤ 1.
Saturação
Solo argilo-arenoso 110 ≤ ρ ≤ 373 Siltito argiloso (Formação Corumbataí) 10 ≤ ρ ≤ 455 Diabásio (intrusivas básicas) ρ > 110
Investigação de cemitérios por meio de Métodos Geofísicos
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 0 5 10
Profundidade (m)^15
m
Seção de IE - 1
Espaçamento entre eletrodos de 10m Interações = 5 RMS = 18,5%
NA
Provável pluma de contaminação
Poço de visita
tubulações de concreto
Boca de lobo
tubulação Caixa de ligação de tubulações (concreto)
contaminação
Provável pluma de
200 0 5 10 15
m
Profundidade (m)
Seção de IE - 2
SEV 09 (^50 100) SEV 12 150 SEV 13 250 300
Espaçamento entre eletrodos de 10m Interações = 5 RMS = 12,4%
NA Poço de Caixa de ligação
Poço de visita
contaminação
Provável pluma de
Tubulação de concreto
visita
Boca de lobo
Poço de visita 0
0 m 5
10 15
200
Profundidade (m)
SEV 08 SEV 07
Seção de IE - 3
50 100 150 250 300 350 400
Poço de visita
Poço de visita e Boca de lobo
Tubulação
tubulação e poço Tubulação caixa de ligação
Provável pluma de contaminação 0
de visita
Espaçamento entre eletrodos de 10m Interações = 5 RMS = 14,5%
0 120 130 m 5 10 15
20 30 40 50 60 70 80 90 100 110
Profundidade (m)
Seção de IE - 5
Espaçamento entre eletrodos de 10m Interações = 5 RMS = 16,9%
10
Direção do fluxo da provável pluma de contaminação 0
(^01020 30 40 50 60 70 80 90 100 110120 )
NA
0 5 10
Profundidade (m)^15
Seção de IE - 11
m
Espaçamento entre eletrodos de 10m Interações = 5 RMS = 11,6%
Poço de visita
Provável área de influência por transporte de necro-chorume
NA
0 5 10
Profundidade (m)^15
SEV 16
(^050 100 150 200 250 300) m
Espaçamento entre eletrodos de 10m Interações = 5 RMS = 11,7%
NA
Sedimentos arenosos carreados por escoamento superficial
Siltitos Argilosos
Sedimento argilo-arenoso
Sedimento areno-argiloso
NA 2600 1400 700 350 150 50 0
Resistividade Aparente (ohm.m)
LEGENDA
Jazigos ( a montante)
Canteiro Central
Nível d'água
Cadáveres enterrados por inumação (a montante)
Jazigos ( a montante - lado de fora)
Muro
Asfalto
Figura 10 – Seções geoelétricas: linhas de IE-1, 2, 3, 5, 11 e 12
Silva, R.W.C. & Malagutti Filho, W.
Na seção de IE-5, ocorrem baixos valores de resistividade aparen-
te (abaixo de 75 Ω.m) próximo à superfície, acima do nível freático,
correspondendo a uma anomalia condutiva proveniente da influên-
cia do vazamento de necrochorume dos jazigos a montante.
A parte final das seções de IE-2, 3 e toda a seção 5, mais preci-
samente a jusante das quadras 1, 4 e 8, apresentaram, em todas as
camadas, resistividades aparentes inferiores a 150 Ω.m. Essa área,
além de apresentar baixo nível freático, é a de maior intensidade de
sepultamentos, havendo assim uma constante renovação da fon-
te contaminadora. Dent (1995), em um cemitério na Austrália, e
Matos (2001), no cemitério Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo,
constataram que há aumento da condutividade elétrica no lençol
freático próximos de sepultamentos recentes. Migliorini (1994), no
cemitério Vila Formosa, em São Paulo, e Almeida e Macêdo (2005),
em cinco cemitérios na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, cons-
tataram aumento da condutividade elétrica no lençol freático por
meio de altas concentrações de íons maiores, principalmente o clo-
reto e compostos nitrogenados.
Na superfície das quadras 1, 4 e 8, há presença de jazigos acima
do nível do terreno com até quatro gavetas, preparados para alojar di-
versos cadáveres num mesmo local ao longo dos anos, após o período
de exumação. Desta forma, a principal fonte de contaminação são es-
ses tipos de jazigos, nos quais continuamente ocorrem sepultamentos
e, consequentemente, renovação das fontes contaminadoras.
Na seção IE-11, que está localizada na área externa do cemitério
baixa resistividade estão abaixo de 7 m de profundidade, em zona
saturada, a jusante do fluxo no cemitério, podendo ter influência do
necrochorume. Romero (1970) apud Pacheco (1986) afirma que o
percurso de contaminantes biológicos em sedimentos com textura
fina, que é o caso do necrochorume e o aquífero presente no cemité-
rio, pode chegar a 30 m.
A seção IE-12 foi realizada a aproximadamente 320 m a NW e
a montante da área cemitério, servindo assim como uma linha de
comparação ( background ). Foi realizada a essa distância, devido à
inexistência de uma área a montante próxima ao cemitério, com
dimensões suficientes para realização do ensaio, e que fosse isen-
ta de interferências causadas pela linha de alta tensão presente no
entorno do cemitério. Segundo Orellana (1972), um valor anômalo
deve diminuir ou ultrapassar em pelo menos duas ou três vezes o
valor de background.
Os altos valores de resistividade aparente que ocorrem na seção
IE-12 demonstraram que essa área é isenta de anomalias conduti-
vas proveniente de contaminação por necrochorume. Os valores de
resistividades entre 700 e 2.600 Ω.m relacionam-se ao solo argilo-
arenoso, areno-argiloso e aos sedimentos arenosos carreados por es-
coamento superficial e depositados em curvas de nível do local. Os
valores de resistividade entre 150 e 700 Ω.m correlacionam-se com
uma camada de solo argilo-arenosa saturados. Os valores de resis-
tividade elétrica inferiores a 150 Ω.m correlacionam-se aos siltitos
argilosos da Formação Corumbataí.
A Figura 11 apresenta o mapa 3D de resistividade elétrica para os
cinco níveis de investigação que corresponde a uma profundidade de
4,16 a 14,8 m, segundo o modelo do software RES2DINV.
Observam-se, no mapa, duas prováveis plumas de contaminação
no primeiro nível de investigação: uma na direção SW e outra a SE,
ambas seguindo a direção do fluxo subterrâneo. A provável pluma a
4,16 m
9,62 m
12,20 m
6,97 m
14,80 m
Z
0 20 75 250 900 2000 3000
Resistividade em ohm.m
Provável Pluma de Contaminação
P
P
P
P
P6 (^) P
Poço de Monitoramento
Fluxo d' Água Subterrânea
Delimitação da Provável Pluma de Contaminação
Figura 11 – Mapa 3D de resistividade elétrica para os cinco níveis de investigação
Silva, R.W.C. & Malagutti Filho, W.
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MIGLIORINI, R.B. Cemitérios como fonte de poluição em aqüíferos : estudo do cemitério Vila Formosa na bacia Sedimentar de São Paulo.
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