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Métodos Geofísicos na Investigação de Cemitérios Contaminados: Estudo em Vila Rezende, Notas de estudo de Engenharia Ambiental

O uso de métodos geofísicos, especificamente a eletrorresistividade, na investigação e mapear a contaminação no cemitério de vila rezende, piracicaba, são paulo, brasil. O documento discute as características de áreas contaminadas, a etapa de investigação confirmatória e apresenta resultados de estudos geoelétricos, incluindo mapas potenciométricos e localizações de ensaios.

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 04/03/2011

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fausto-rocha-10 🇧🇷

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bg1
327
Eng Sanit Ambient | v.14 n.3 | jul/set 2009 | 327-336
Artigo Técnico
O emprego de métodos geofísicos na fase de investigação
confirmatória em cemitérios contaminados
Application of geophysical methods in the confirmatory investigation
phase in contaminated cemeteries
Robson Willians da Costa Silva
Engenheiro Ambiental pela Escola de Engenharia de Piracicaba (EEP). Mestre em Geociências e Meio Ambiente pela Universidade Estadual Paulista “Júlio
de Mesquita Filho” (Unesp). Consultor Ambiental. Professor da Faculdade Anhanguera de Piracicaba
Walter Malagutti Filho
Geólogo pela Unesp Rio Claro. Geofísico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) na área de Geofísica. Doutorado em Geociências e Meio Ambiente
pela Unesp. Livre-docente em Geofísica Aplicada pela Unesp
Resumo
Dentro do gerenciamento de áreas contaminadas, a aplicação de métodos geofísicos, em estudos de área contaminada, constitui uma metodologia
confirmatória. Este procedimento – mais precisamente o método da eletrorresistividade por meio das técnicas da sondagem elétrica vertical e imageamento
elétrico – foi aplicado no cemitério de Vila Rezende, em Piracicaba, São Paulo, para investigar e mapear a contaminação do cemitério por necrochorume. Os
resultados indicam uma profundidade do nível freático entre 3,1 e 5,1 m, com duas direções de fluxo subterrâneo, uma a SW e outra a SE. Tanto as prováveis
plumas de contaminação, que têm as mesmas direções de fluxo subterrâneo, quanto as anomalias condutivas verificadas nas seções geoelétricas confirmam
as suspeitas de contaminação na área.
Palavras-chave: eletrorresistividade; contaminação; necrochorume; investigação.
Abstract
Inside of the administration of contaminated areas, the application of geophysical methods, in studies of contaminated area, constitutes a confirmatory
methodology. This procedure – more precisely the electrical resistivity method through the techniques of the vertical electric sounding and electrical imaging
techniques, was applied at Vila Rezende’s cemetery, Piracicaba, São Paulo, Brazil, to investigate and to map the contamination of the cemetery for necrochorume.
The results indicate a depth of water table among 3.1 and 5.1 m, with two flow directions, being one to SW and another to SE . So the probable contamination
plumes, that have the same directions of underground flow, as for the conductive anomalies verified at the geoelectrics sections confirm the suspicions of
contamination in the area.
Keywords: eletrorresistivity; contamination; necrochorume; investigation.
Endereço para correspondência: Robson Willians da Costa Silva – Pós-graduação em Geociências – Unesp, Campus Bela Vista – Avenida 24 A, 1.515 – 13506-900 –
Rio Claro (SP), Brasil – Tel.: (19) 34224069 – E-mail: [email protected]
Recebido: 12/06/08 – Aceito: 2/2/09 – Reg. ABES: 096/08
Introdução
Aspectos ambientais a serem investigados
Com a promulgação pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente
(Conama) da Resolução nº 335 de 28 de maio de 2003, os cemitérios
são vistos como fontes de contaminação do ambiente, e sua implan-
tação está sujeita ao atendimento dos critérios legais, fazendo-se ne-
cessária a implantação de equipamentos de proteção ambiental para
salvaguardar o solo e as águas subterrâneas.
É possível apontar como a principal causa de poluição dos cemi-
térios a eliminação do necrochorume pelos cadáveres, particularmen-
te, no primeiro ano do sepultamento. O necrochorume pode veicular,
além de micro-organismos oriundos do cadáver, restos ou resíduos
de tratamentos químicos hospitalares (quimioterapia, por exemplo)
e os compostos decorrentes da decomposição da matéria orgânica.
Esses contaminantes incorporados ao fluxo de necrochorume são
prejudiciais ao solo e às águas subterrâneas.
Segundo Matos (2001), os compostos orgânicos liberados no
processo de decomposição dos cadáveres aumentam a atividade
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Artigo Técnico

O emprego de métodos geofísicos na fase de investigação

confirmatória em cemitérios contaminados

Application of geophysical methods in the confirmatory investigation

phase in contaminated cemeteries

Robson Willians da Costa Silva

Engenheiro Ambiental pela Escola de Engenharia de Piracicaba (EEP). Mestre em Geociências e Meio Ambiente pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp). Consultor Ambiental. Professor da Faculdade Anhanguera de Piracicaba

Walter Malagutti Filho

Geólogo pela Unesp Rio Claro. Geofísico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) na área de Geofísica. Doutorado em Geociências e Meio Ambiente pela Unesp. Livre-docente em Geofísica Aplicada pela Unesp

Resumo

Dentro do gerenciamento de áreas contaminadas, a aplicação de métodos geofísicos, em estudos de área contaminada, constitui uma metodologia

confirmatória. Este procedimento – mais precisamente o método da eletrorresistividade por meio das técnicas da sondagem elétrica vertical e imageamento

elétrico – foi aplicado no cemitério de Vila Rezende, em Piracicaba, São Paulo, para investigar e mapear a contaminação do cemitério por necrochorume. Os

resultados indicam uma profundidade do nível freático entre 3,1 e 5,1 m, com duas direções de fluxo subterrâneo, uma a SW e outra a SE. Tanto as prováveis

plumas de contaminação, que têm as mesmas direções de fluxo subterrâneo, quanto as anomalias condutivas verificadas nas seções geoelétricas confirmam

as suspeitas de contaminação na área.

Palavras-chave: eletrorresistividade; contaminação; necrochorume; investigação.

Abstract

Inside of the administration of contaminated areas, the application of geophysical methods, in studies of contaminated area, constitutes a confirmatory

methodology. This procedure – more precisely the electrical resistivity method through the techniques of the vertical electric sounding and electrical imaging

techniques, was applied at Vila Rezende’s cemetery, Piracicaba, São Paulo, Brazil, to investigate and to map the contamination of the cemetery for necrochorume.

The results indicate a depth of water table among 3.1 and 5.1 m, with two flow directions, being one to SW and another to SE. So the probable contamination

plumes, that have the same directions of underground flow, as for the conductive anomalies verified at the geoelectrics sections confirm the suspicions of

contamination in the area.

Keywords: eletrorresistivity; contamination; necrochorume; investigation.

Endereço para correspondência: Robson Willians da Costa Silva – Pós-graduação em Geociências – Unesp, Campus Bela Vista – Avenida 24 A, 1.515 – 13506-900 – Rio Claro (SP), Brasil – Tel.: (19) 34224069 – E-mail: [email protected] Recebido: 12/06/08 – Aceito: 2/2/09 – Reg. ABES: 096/

Introdução

Aspectos ambientais a serem investigados

Com a promulgação pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente

(Conama) da Resolução nº 335 de 28 de maio de 2003, os cemitérios

são vistos como fontes de contaminação do ambiente, e sua implan-

tação está sujeita ao atendimento dos critérios legais, fazendo-se ne-

cessária a implantação de equipamentos de proteção ambiental para

salvaguardar o solo e as águas subterrâneas.

É possível apontar como a principal causa de poluição dos cemi-

térios a eliminação do necrochorume pelos cadáveres, particularmen-

te, no primeiro ano do sepultamento. O necrochorume pode veicular,

além de micro-organismos oriundos do cadáver, restos ou resíduos

de tratamentos químicos hospitalares (quimioterapia, por exemplo)

e os compostos decorrentes da decomposição da matéria orgânica.

Esses contaminantes incorporados ao fluxo de necrochorume são

prejudiciais ao solo e às águas subterrâneas.

Segundo Matos (2001), os compostos orgânicos liberados no

processo de decomposição dos cadáveres aumentam a atividade

Silva, R.W.C. & Malagutti Filho, W.

“Identificação de áreas contaminadas”, a atividade de sepultamento

como passível de causar contaminação.

Uma área contaminada pode ser definida como uma área, local ou

terreno onde há comprovadamente poluição ou contaminação causa-

da pela introdução de substâncias ou resíduos que nela tenham sido

depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de

forma planejada, acidental ou até mesmo natural (CETESB, 2001).

O gerenciamento de áreas contaminadas visa minimizar os riscos

a que estão sujeitos a população e o meio ambiente, em virtude da

existência das mesmas, por meio de um conjunto de medidas que asse-

gurem o conhecimento das características dessas áreas e dos impactos

causados por elas, proporcionando os instrumentos necessários à to-

mada de decisão quanto às formas de intervenção mais adequadas.

A Cetesb (2001) aponta alguns critérios que devem ser levanta-

dos para que uma área possa ser considerada como potencialmente

contaminada. O Quadro 1 apresenta as características das atividades

passíveis de causar contaminação encontrada em cemitérios.

Mesmo que a atividade de sepultamento não se enquadre literal-

mente como atividade industrial ou comercial, podem ocorrer vaza-

mentos de substâncias passíveis de causar danos ao solo e às águas

subterrâneas, visto que, nessa atividade, se manuseiam resíduos bio-

lógicos – os cadáveres.

A estratégia para o gerenciamento, proposta pela Cetesb (2001),

é constituída por uma série de etapas sequenciais, nas quais as infor-

mações obtidas em cada etapa é base para a execução da etapa se-

guinte. O gerenciamento está dividido basicamente em dois proces-

sos, subdivididos nas etapas, conforme visto no Quadro 2. A Figura 1

apresenta o sequenciamento do processo de identificação de áreas

contaminadas.

A etapa de definição da área de interesse marca o início do geren-

ciamento das áreas contaminadas (ACs). São definidos os objetivos

principais a ser alcançados e a área do gerenciamento, considerando

o solo e as águas subterrâneas como os principais bens a proteger.

A identificação das áreas potencialmente contaminadas (APs) é

realizada coletando-se os dados necessários por meio das técnicas de

levantamento de dados existentes, de investigações e por observação

do histórico.

A avaliação preliminar consiste na elaboração de um diagnóstico

inicial das APs, com um levantamento de informações existentes e

microbiana no solo sob a área de sepultamentos. O autor afirma

ainda que, nessas áreas, há aumento da condutividade elétrica,

pH, alcalinidade e dureza da solução do solo, devido à presença

de compostos de nitrogênio e fósforo e de diversos sais (Cl-, HCO 3 ,

Ca+2, Na+). Ocorre também a presença de óxidos metálicos (Ti, Cr,

Cd, Pb, Fe, Mn, Ni, entre outros) lixiviados dos adereços das urnas

mortuárias e de patógenos associados a mortes por doenças infecto-

contagiosas.

A norma técnica L1.040 da Companhia de Tecnologia de

Saneamento Ambiental (Cetesb) de 1999, Implantação de Cemitérios ,

e a Resolução Conama nº 335, traçam alguns requisitos técnicos para

implantação de novas necrópoles. Partindo desse pressuposto, os

principais aspectos dos cemitérios em atividade a serem investigados

são os geológico-geotécnicos, hidrogeológicos e ambiental.

Investigação de áreas contaminadas

Tendo em vista os inúmeros casos de áreas contaminadas divul-

gados ao público, a Cetesb, com a cooperação técnica do órgão ale-

mão Deutsche Gesellschaft Für Technishe Zusammenarbeit (GTZ), ela-

boraram, em 2001, o Manual de gerenciamento de áreas contaminadas.

Esse manual se tornou referência no âmbito de gerenciamento de

áreas contaminadas no Brasil, mas não consta, em seu capítulo 3,

Quadro 1 – Características das atividades passíveis de causarem con- taminação encontrada em cemitérios Características Ocorrência Existência de processos produtivos que pos- sam causar contaminação do solo e das águas subterrâneas

Não ocorrem em áreas de cemitérios

Presença de substâncias que possuem potencial para causar danos aos bens a proteger via solos e águas subterrâneas

Pode ocorrer em áreas de cemitério

Atividade industrial ou comercial que apresente histórico indicando manuseio, armazenamento ou disposição inadequada de matérias-primas, produtos e resíduos

Pode ocorrer em áreas de cemitério

Atividade industrial ou comercial que apresente histórico indicando a ocorrência de acidentes ou vazamentos

Pode ocorrer em áreas de cemitério

Atividade industrial ou comercial que apresente histórico de geração de áreas suspeitas de con- taminação ou de áreas contaminadas

Pode ocorrer em áreas de cemitério

Quadro 2 – Processos e etapas do gerenciamento de áreas contaminadas Processos Etapas do processo

Identificação de áreas contaminadas

Definição de áreas de interesse Identificação de áreas potencialmente contaminadas Avaliação preliminar Investigação confirmatória

Recuperação de áreas contaminadas

Investigação detalhada Avaliação de risco Investigação para remediação Projeto de remediação Remediação Monitoramento (^) Figura 1 – Processo de identificação de áreas contaminadas

Definição da área de interesse

Avaliação preliminar

AP AS

Investigação confirmatória (*)

AC

Identificação da área potencialmente contaminada

AP = Área Potencialmente Contaminada; AS = Área Suspeita de Contaminação; AC = Área Contaminada (*) Momento no qual podem ser utilizados os Métodos Geofísicos

Silva, R.W.C. & Malagutti Filho, W.

Metodologia

O método da eletrorresistividade consiste em injetar corrente elé-

trica, por meio de contatos diretos com o solo, e medir a diferença de

potencial elétrico, por eletrodos metálicos aterrados ao solo. Quando

os valores da corrente e do potencial são registrados, é possível calcu-

lar a resistividade dos materiais em subsuperfície.

As técnicas mais utilizadas são a sondagem elétrica vertical (SEV),

que investiga as heterogeneidades verticais das resistividades, e o

imageamento elétrico (IE) que investiga as heterogeneidades hori-

zontais e verticais das resistividades.

Os arranjos eletródicos mais utilizados pelo método da eletror-

resistividade, utilizando as técnicas de SEV e IE, são: gradiente, di-

polo-dipolo, pólo-dipolo, Schlumberger e Wenner (WARD, 1990).

A escolha do arranjo de superfície dos eletrodos depende dos pro-

pósitos do levantamento, da situação geológica e do tipo e da qua-

lidade de informações desejadas. Neste trabalho, empregaram-se

as técnicas da SEV com o arranjo Schlumberger e o IE 2D com o

arranjo dipolo-dipolo.

O arranjo de campo Schlumberger (Figura 4) é o mais utiliza-

do em SEVs, devido à qualidade das curvas de campo, facilidade e

rapidez na execução do ensaio e menor suscetibilidade às variações

laterais de resistividade e ruídos, como correntes naturais no subso-

lo, linhas de alta tensão etc. Neste arranjo, os eletrodos de corrente

AB apresentam uma separação crescente, e os eletrodos de potencial

MN permanecem fixos – a uma distância ≤ AB/5, durante o desen-

volvimento do ensaio. O objetivo básico nesse arranjo é fazer com

que a distância que separa os eletrodos M e N tenda a 0 em relação à

distância crescente entre A e B. Devido aos procedimentos de campo

descritos, o erro produzido por esse tipo de arranjo pode ser consi-

derado insignificante (ORELLANA, 1972). A resistividade utilizando

esse arranjo é dada pela Equação 1:

π

R = ∆

MN

AM.AN

I

V (^) μ ¶

Equação 1

O arranjo dipolo-dipolo (Figura 5) é um dos mais utilizados na

investigação de contaminantes, pela precisão nos resultados e rapidez

na execução em campo. Apresenta melhor resolução, anomalias mais

intensas, considerando relações verticais (WARD, 1990). Neste arran-

jo, a configuração é de dois eletrodos, A e B, de emissão de corrente e

de dois eletrodos, M e N, de potencial com igual abertura ‘x’, estando

os eletrodos dispostos em um mesmo alinhamento. O ponto de atri-

buição do valor calculado é a intersecção das linhas que partem do

centro de AB e MN, com ângulo de 45°. Observa-se, na Figura 5, que

o espaçamento R varia nos múltiplos de abertura do dipolo, na forma

x (n + 1), onde x = 1, 2, 3,... é o número de dipolos MN. Assim, o

nível teórico de investigação progressivamente cresce com o cresci-

mento de R, que teoricamente corresponde a x (n + 1)/2.

A resistividade utilizando o arranjo dipolo-dipolo é calculada

pela Equação 2:

μ ¶

π

R 

n 2

n 1

n

I

V

Equação 2

Para estabelecer o modelo geoelétrico e, posteriormente, a elabo-

ração do mapa potenciométrico da área do cemitério, foram realiza-

das 16 SEVs, com espaçamento dos eletrodos AB de até 200 m, em

setembro de 2006. As SEVs foram distribuídas em toda área de estu-

do (Figura 6), sendo executados sete ensaios na área interna do ce-

mitério (SEV: 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 13), e nove ensaios na área externa

do cemitério (SEV: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 14, 15 e 16). O aparelho utilizado

foi o resistivímetro Bison, modelo 2390 da Bison Instruments Inc. O

processamento das SEVs visando à obtenção do modelo geoelétrico

foi realizado no software IX1D v.3 da Interpex Limited , utilizando tanto

o método direto como inverso. No método direto, admitiu-se um

modelo inicial, baseado no conhecimento prévio da geologia local.

O algoritmo do software calculou a curva de resistividade e, após um

ajuste razoável, o modelo foi refinado por meio da inversão, com base

A (^) M (^) P N B MN bAB/

A V

Linhas equipotenciais Linhas de corrente

Figura 4 – Arranjo Schlumberger

Sentido de caminhamento

Linhas equipotenciais Linhas de corrente

A V V V V V A B

x nx x

R

45º 45º

M 1 N 1 M 2 M 3 M 4 M 5

n 1

N 2

n 2

N 4

n 4

N 3

n 3

N 5

n 5 Z = R/

x = Espaçamento dos dipolos R = Espaçamento entre os centros dos dipolos considerados n = Níveis Teóricos de Investigação Z = Profundidade teórica investigada

Figura 5 – Arranjo dipolo-dipolo

Investigação de cemitérios por meio de Métodos Geofísicos

Resistividade (ohm.m)

Resistividade (ohm.m)

Profundidade (m)

1000

100

10

0,

1

10

100 1 10 100 1000 AB/2 (m)

1ª Camada Anomalia Condutiva (Conatminação?)

Zona de Evapotranspiração

Zona Retenção Zona de Aeração

Zona deSaturação

Nível d’água (Água de Gravidade)

2ª Camada Solo argiloso 3ª Camada 4ª Camada Siltito argiloso 5ª Camada Diabásio 10 100 1000

Curva de campo Curva do modelo

Figura 7 – Curva típica da área interna e sua caracterização hidrogeológica

no método dos mínimos quadrados, que busca uma convergência da

curva teórica para a curva de campo.

Após obtidas as profundidades dos níveis freáticos nos locais das

SEVs e suas coordenadas UTM, foi possível elaborar o mapa poten-

ciométrico da área, utilizando o software Surfer v.8 da Golden Software ,

com a interpolação geoestatística de mínima curvatura. Esse método

de interpolação geoestatística é um método suavizador, sendo o que

melhor representa as linhas equipotencias.

Para investigação e mapeamento geoelétrico do cemitério, foram

executadas 12 linhas de IEs (Figura 6), em fevereiro de 2007, com

comprimento de até 390 m, espaçamento de 10 m entre eletrodos,

5 níveis de investigação, resultando numa profundidade teórica de

15 m, por meio do resistivímetro Terrameter SAS 4000 da Abem

Instruments. Os dados foram processados no software RES2DINV , de

autoria de Loke (2004), que executa um imageamento 2D do terreno,

empregando a técnica da inversão por meio do método dos mínimos

quadrados. Os resultados da inversão pelo RES2DINV foram expor-

tados na forma de arquivos XYZ e interpolados por krigagem simples

pelo Surfer , para elaborar as seções geoelétricas.

Para gerar os mapas 3D de resistividade elétrica dos 5 níveis de

investigação, foi realizada uma análise geoestatística de 274 dados

por nível pelo software Variowin 2.21, de autoria de Pannatier (1996).

O modelo variográfico foi exportado para o software Surfer , para a

realização da interpolação pelo método da krigagem ordinária.

Resultados e discussão

SEV

O modelo geoelétrico da área interna do cemitério (Tabela 1) apre-

senta uma heterogeneidade de valores de resistividade entre 10 e 2.

Ω.m, sendo os níveis mais condutivos interpretados como provável

contaminação por necrochorume e os mais resistivos, como horizontes

areno-argilosos, aterro com sedimentos arenosos, cascalho de calcário,

resíduos de construção e demolição moídos e reciclados, e tubulações

e galerias de drenagem superficial. As curvas apresentam padronização

da segunda parte em diante, em profundidade e resistividade a partir

de 4 m e 180 Ω.m, respectivamente, interpretado como siltitos argi-

losos da Formação Corumbataí. No entanto, em algumas SEVs, o seu

último nível (a partir de 18 m) apresentou resistividade 15 vezes maior

em relação ao nível geoelétrico anterior, podendo ser correlacionadas

com o diabásio. A Figura 7 apresenta curva típica (SEV-7) da área inter-

na, com sua respectiva correspondência hidrogeológica.

Devido ao caráter arenoso das camadas superficiais (aterro) do

cemitério, os líquidos provenientes da decomposição dos corpos –

necrochorume – podem fluir perfeitamente. Já nas camadas mais

profundas, os sedimentos apresentam condições fisico-químicas,

como textura argilosa e baixa condutividade hidráulica, que são

desfavoráveis para percolação do necrochorume – embora isso facili-

te o fenômeno de saponificação dos cadáveres.

Figura 6 – Localização dos ensaios geoelétricos realizados na área de estudo

Tabela 1 – Modelo geoelétrico proposto para a área interna do cemitério Zona Descrição dos materiais Resistividade (Ω.m)

Aeração

Solo argilo-arenoso 157 ≤ ρ ≤ 628 Solo areno-argiloso 2.070 ≤ ρ ≤ 2. Anomalia condutiva – necrochorume 13 ≤ ρ ≤^75 Solo areno-argiloso + aterro arenosos 448 ≤ ρ ≤ 935 Tubulações e construções de concreto aterradas

934 ≤ ρ ≤ 1.

Saturação

Solo argilo-arenoso 110 ≤ ρ ≤ 373 Siltito argiloso (Formação Corumbataí) 10 ≤ ρ ≤ 455 Diabásio (intrusivas básicas) ρ > 110

Investigação de cemitérios por meio de Métodos Geofísicos

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 0 5 10

Profundidade (m)^15

m

Seção de IE - 1

Espaçamento entre eletrodos de 10m Interações = 5 RMS = 18,5%

NA

Provável pluma de contaminação

Poço de visita

tubulações de concreto

Boca de lobo

tubulação Caixa de ligação de tubulações (concreto)

contaminação

Provável pluma de

200 0 5 10 15

m

Profundidade (m)

Seção de IE - 2

SEV 09 (^50 100) SEV 12 150 SEV 13 250 300

Espaçamento entre eletrodos de 10m Interações = 5 RMS = 12,4%

NA Poço de Caixa de ligação

Poço de visita

contaminação

Provável pluma de

Tubulação de concreto

visita

Boca de lobo

Poço de visita 0

0 m 5

10 15

200

Profundidade (m)

SEV 08 SEV 07

Seção de IE - 3

50 100 150 250 300 350 400

Poço de visita

Poço de visita e Boca de lobo

Tubulação

tubulação e poço Tubulação caixa de ligação

Provável pluma de contaminação 0

de visita

Espaçamento entre eletrodos de 10m Interações = 5 RMS = 14,5%

0 120 130 m 5 10 15

20 30 40 50 60 70 80 90 100 110

Profundidade (m)

Seção de IE - 5

Espaçamento entre eletrodos de 10m Interações = 5 RMS = 16,9%

10

Direção do fluxo da provável pluma de contaminação 0

(^01020 30 40 50 60 70 80 90 100 110120 )

NA

0 5 10

Profundidade (m)^15

Seção de IE - 11

m

Espaçamento entre eletrodos de 10m Interações = 5 RMS = 11,6%

Poço de visita

Provável área de influência por transporte de necro-chorume

NA

0 5 10

Profundidade (m)^15

SEV 16

Seção de IE - 12

(^050 100 150 200 250 300) m

Espaçamento entre eletrodos de 10m Interações = 5 RMS = 11,7%

NA

Sedimentos arenosos carreados por escoamento superficial

Siltitos Argilosos

Sedimento argilo-arenoso

Sedimento areno-argiloso

NA 2600 1400 700 350 150 50 0

Resistividade Aparente (ohm.m)

LEGENDA

Jazigos ( a montante)

Canteiro Central

Nível d'água

Cadáveres enterrados por inumação (a montante)

Jazigos ( a montante - lado de fora)

Muro

Asfalto

Figura 10 – Seções geoelétricas: linhas de IE-1, 2, 3, 5, 11 e 12

Silva, R.W.C. & Malagutti Filho, W.

Na seção de IE-5, ocorrem baixos valores de resistividade aparen-

te (abaixo de 75 Ω.m) próximo à superfície, acima do nível freático,

correspondendo a uma anomalia condutiva proveniente da influên-

cia do vazamento de necrochorume dos jazigos a montante.

A parte final das seções de IE-2, 3 e toda a seção 5, mais preci-

samente a jusante das quadras 1, 4 e 8, apresentaram, em todas as

camadas, resistividades aparentes inferiores a 150 Ω.m. Essa área,

além de apresentar baixo nível freático, é a de maior intensidade de

sepultamentos, havendo assim uma constante renovação da fon-

te contaminadora. Dent (1995), em um cemitério na Austrália, e

Matos (2001), no cemitério Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo,

constataram que há aumento da condutividade elétrica no lençol

freático próximos de sepultamentos recentes. Migliorini (1994), no

cemitério Vila Formosa, em São Paulo, e Almeida e Macêdo (2005),

em cinco cemitérios na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, cons-

tataram aumento da condutividade elétrica no lençol freático por

meio de altas concentrações de íons maiores, principalmente o clo-

reto e compostos nitrogenados.

Na superfície das quadras 1, 4 e 8, há presença de jazigos acima

do nível do terreno com até quatro gavetas, preparados para alojar di-

versos cadáveres num mesmo local ao longo dos anos, após o período

de exumação. Desta forma, a principal fonte de contaminação são es-

ses tipos de jazigos, nos quais continuamente ocorrem sepultamentos

e, consequentemente, renovação das fontes contaminadoras.

Na seção IE-11, que está localizada na área externa do cemitério

  • aproximadamente 40 m da quadra 1, observa-se que as faixas de

baixa resistividade estão abaixo de 7 m de profundidade, em zona

saturada, a jusante do fluxo no cemitério, podendo ter influência do

necrochorume. Romero (1970) apud Pacheco (1986) afirma que o

percurso de contaminantes biológicos em sedimentos com textura

fina, que é o caso do necrochorume e o aquífero presente no cemité-

rio, pode chegar a 30 m.

A seção IE-12 foi realizada a aproximadamente 320 m a NW e

a montante da área cemitério, servindo assim como uma linha de

comparação ( background ). Foi realizada a essa distância, devido à

inexistência de uma área a montante próxima ao cemitério, com

dimensões suficientes para realização do ensaio, e que fosse isen-

ta de interferências causadas pela linha de alta tensão presente no

entorno do cemitério. Segundo Orellana (1972), um valor anômalo

deve diminuir ou ultrapassar em pelo menos duas ou três vezes o

valor de background.

Os altos valores de resistividade aparente que ocorrem na seção

IE-12 demonstraram que essa área é isenta de anomalias conduti-

vas proveniente de contaminação por necrochorume. Os valores de

resistividades entre 700 e 2.600 Ω.m relacionam-se ao solo argilo-

arenoso, areno-argiloso e aos sedimentos arenosos carreados por es-

coamento superficial e depositados em curvas de nível do local. Os

valores de resistividade entre 150 e 700 Ω.m correlacionam-se com

uma camada de solo argilo-arenosa saturados. Os valores de resis-

tividade elétrica inferiores a 150 Ω.m correlacionam-se aos siltitos

argilosos da Formação Corumbataí.

A Figura 11 apresenta o mapa 3D de resistividade elétrica para os

cinco níveis de investigação que corresponde a uma profundidade de

4,16 a 14,8 m, segundo o modelo do software RES2DINV.

Observam-se, no mapa, duas prováveis plumas de contaminação

no primeiro nível de investigação: uma na direção SW e outra a SE,

ambas seguindo a direção do fluxo subterrâneo. A provável pluma a

4,16 m

9,62 m

12,20 m

6,97 m

14,80 m

Z

0 20 75 250 900 2000 3000

Resistividade em ohm.m

Provável Pluma de Contaminação

P

P

P

P

P6 (^) P

Poço de Monitoramento

Fluxo d' Água Subterrânea

Delimitação da Provável Pluma de Contaminação

Figura 11 – Mapa 3D de resistividade elétrica para os cinco níveis de investigação

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