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Este documento explica como resolver equações quadráticas através da geometria algébrica, usando o exemplo da equação da parábola y = ax² + bx. O texto aborda a construção geométrica de euclides, a existência de raízes falsas e o papel limitado da álgebra geométrica na matemática. Além disso, são apresentados exemplos práticos de resolução de equações quadráticas e de encontramento de ternas pitagóricas.
Tipologia: Notas de estudo
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Também, visto que o ponto (4,0) está na curva, tem-se 0 = 16 a + 4 b , isto é, b = –4 a.
Então, seria interessante obter uma outra igualdade envolvendo essas cons- tantes para formar um sistema de duas equações com duas incógnitas que, no caso de ser possível e determinado, nos permitiria conhecer os valores de a e b. É oportuno, então, usarmos outra pista indicada no desenho: a abcissa do vértice da parábola é igual a 2. Como a abcissa do vértice da parábola
temos
Logo, não aparece uma nova relação entre a e b , ficando estabelecido que a equação da parábola é y = ax^2 –4 ax , onde a é desconhecida.
O professor Beremis reconheceu que seus alunos estavam certos: com as informações dadas não era possível achar o valor de a.
Entretanto, com seu costumeiro espírito animado, propôs aproveitar o momento para revisar o conceito de reta tangente. Assim começou:
Seja r uma reta (não vertical), com coeficiente angular m e passando pelo ponto ( x 1 , y 1 ) da parábola dada por y = ax^2 + bx + c , a ≠ 0.
Suponha que ( x 1 , y 1 ) não coincide com o vértice da parábola (ou seja, m ≠0). A equação de r é y – y 1 = m ( x – x 1 ).
Nosso intuito é encontrar m , de modo que a reta r tenha ( x 1 , y 1 ). Como único ponto em comum com a parábola.
Essa reta r é denominada reta tangente à parábola no ponto ( x 1 , Y 1 ) (É bom mencionar que, usando o conceito de derivada, obtém-se uma definição de reta tangente válida para uma curva qualquer, não apenas para parábolas).
Temos, então, o sistema
que deve ter o ponto ( x 1 , y 1 ) como única solução.
Substituindo-se o y da primeira equação na segunda, e usando
y 1 = ax 12 + bx 1 + c,
após agrupar e fatorar, vem
( x – x 1 )[ a ( x + x 1 ) + b – m ] = 0.
Se a única solução dessa equação deve ser x = x 1 , isso nos conduz a
m = 2 ax 1 + b.
Assim, a equação de r fica
y – y 1 = (2 ax 1 + b )( x – x 1 ).
O requerido na tarefa proposta é o valor de x correspondente a y = 0. Chamando esse valor de x 0 , temos
(Lembrar que m = 2 ax 1 + b ≠ 0.)
Também, no nosso caso particular,
x 1 = 1 e y 1 = ax 12 + bx 1 = a + b.
Assim,
.
Nesse instante, os olhos do professor Beremis brilharam e sua face iluminou- se de alegria, pois percebeu que podia resolver o problema mesmo sem conhecer o valor de a. Com efeito, visto que
No final, cada rosto desenhava um sorriso. Não era para menos!
Euclides de Alexandria Com a morte de Alexandre, o Grande, no ano 324 a.C, o império mundial que ele havia construído foi dividido entre os seus generais. O Egito ficou sob o domínio de Ptolomeu. Na cidade de Alexandria, Ptolomeu criou um centro de ensino e pesquisa chamado Museu, que significa refúgio das musas. Mais de 500 mil manus- critos foram guardados na biblioteca do Museu. Muitos dos grandes cientistas da época traba- lharam nesse Museu. Entre eles estava Euclides de Alexandria. O Museu funcionava como uma espécie de universidade moderna. Entre os professores, al- guns se dedicavam à pesquisa, outros eram bons administradores, e uma parte se destacava pela capacidade de ensinar. Euclides fazia parte deste último grupo. Foi, pro- vavelmente, por esta razão que o livro Os Elemen- tos – escrito por Euclides por volta de 300 a.C. e depois copiado e recopiado centenas de vezes – teve uma repercussão tão grande nos meios cientí- ficos. Durante mais de 20 séculos os homens estu- daram a Geometria, segundo Euclides. Todo estudante de Geometria tem uma dívida de gratidão para com Euclides. Mas os estudantes de Álgebra também devem saber algo sobre ele. Para um estudante de hoje, a Álgebra começa quando as quantidades desconhecidas passam a ser representadas por letras.
Oscar Guelli
Na sua “Álgebra” Euclides representava as quantidades desconhecidas por segmentos de retas, quadrados, retângulos, triângulos, etc.
A Álgebra Geométrica
Veja: nós entendemos o produto notável ( a + b)^2 como “o quadrado do primeiro termo, mais duas vezes o produto do primeiro termo pelo segundo, mais o quadrado do segundo termo”, isto é,
( a + b )^2 = a^2 + 2 ab + b^2_._
Euclides e seus colegas de Alexandria também manejavam com muita facilidade este produto notável, mas interpretando-o através desta constru- ção geométrica:
Você consegue reconhecer nesta construção geométrica:
o produto notável
( a + b )( a – b ) = a^2 – b 2?
Ou através da figura ao lado você consegue entender por que
Ao invés do retângulo anterior, poderíamos ter desenhado qualquer outro, cujos lados tivessem estas medidas: 10 e 1, 4 e 2,5 , 1,25 e 8 etc. Procuramos traduzir o problema através de área de figuras planas. Esta primeira constru- ção corresponde à seguinte passagem na equação:
x. ( ) = 5. 2
Observe: área de A + área de B + área de C = área de A’ + área de B ’ + área de C Como área de A = área de A ’ e área de C = área de C’ temos que área de B = área de B.
Portanto,
Para os matemáticos de hoje, a resposta do problema é o número real
A “Álgebra” de Euclides significa a construção desta figura
e a solução da “equação” é o segmento AB.
Dois motivos impediram que a Álgebra Geométrica tivesse um papel mui- to mais destacado no estudo das equações na Matemática:
Mas não foram somente eles.
Em 1882, um matemático alemão, chamado Lindemann, mostrou a im- possibilidade de se resolver o problema através da Álgebra Geométrica: é impossível construir o segmento , usando-se apenas uma régua e um compasso. A demonstração requer uma Matemática bastante sofisticada.
A Álgebra Geométrica dos antigos matemáticos gregos e a regra da falsa posição do Egito Antigo representaram, de um certo modo, o esforço dos matemáticos da antiguidade para encontrar uma linguagem apropriada para as equações.
Mas os dois métodos apresentavam falhas:
Por volta do ano 400 d.C, uma idéia simples e audaciosa de um matemático de Alexandria, chamado Diofante, iria começar a mudar todo o aspecto da Matemá- tica: começavam a surgir os primeiros símbolos matemáticos, inicialmente na forma de abreviação de palavras.
Mas, esta já é uma outra história.
Cavallanti mostrou-me a equação
e fez a seguinte observação: “Apesar de, no de- correr da resolução, elevarmos as equações so- mente a potências ímpares (duas elevações ao cubo), ainda assim, surpreendentemente, apare- ce uma raiz falsa. Por quê?” Antes de mostrar como o professor Sidney resol- veu a equação, vejamos o porquê da sua surpresa. Sabemos que
mas a recíproca desta afirmação só é verdadeira se n for ímpar. Isto é,
se n for ímpar. É fácil ver que a propriedade xn^ = y n^ ⇒ x = y não vale se n for par – basta observar que
52 = (–5) 2 e 5 ≠ –5.
Estes fatos aparecem nitidamente quando, no final do ensino fundamental, resolvemos com nos- sos alunos as equações irracionais. Vejamos um exemplo: Resolver
Cláudio Possani
E, portanto, x = 0 ou x = 1 ■ Verifica-se, por substituição em (1), que 1 é solução, mas 0 não é. Onde e por que apareceu esta falsa raiz? Sugiro que o leitor tente responder à esta pergunta antes de prosseguir. Observe que x = 0 não é solução das equações (1), (2) e (3), mas é solução das equações a partir de (4). Na verdade, (1), (2) e (3) são equiva- lentes entre si (possuem o mesmo conjunto solução), e as equações de (4) a (9) também são equivalentes entre si, mas (3) e (4) não são equivalentes. Foi nesta passagem que fizemos algo “ilícito”.
O que fizemos para passar de (3) a (4)? Ora, usamos novamente a equa- ção (1) substituindo
por 1, e este procedimento não gera uma equação equivalente à anterior. Tendo duas equações equivalentes, (1) e (3), se substituirmos uma na outra, obtemos uma nova equação que é conseqüência das anteriores, mas não é, necessariamente, equivalente a elas. Assim (3) ⇒ (4), mas não vale a recíproca.
Vejamos um exemplo onde este fato é mais evidente: x = 2 (o conjunto solução é {2}), 2 = x ( equivalente a de cima). Substituindo uma na outra, obtemos x = x , cujo conjunto solução é IR! Assim, o aparecimento de uma raiz falsa não está ligado ao fato de a equação ser irracional nem às potências que tomamos, e sim. ao procedi- mento da resolução.
Uma palavra sobre a abordagem deste tema em sala de aula: o “truque” utilizado na passagem de (3) para (4) é útil, pois “limpou” a equação, mas não é uma equivalência – não podemos perder de vista a equação original. Situações como esta são comuns, por exemplo, na trigonometria, quando usamos numa equação a identidade sen^2 x + cos^2 x = 1.
Vamos ilustrar o aparecimento de falsas raízes por meio de mais dois exemplos:
x = 1 – x (e, portanto, x = 1/2). Se elevarmos ambos os membros ao cubo, teremos:
x = l – x ⇔ x^3 = (l – x )^3 ⇔ x^3 = 1 – 3 x + 3 x^2 – x^3 ⇒
(substituindo x por 1 – x )
x^3 = 1 – 3(1 – x ) + 3 x^2 – x^3 ⇔ 2 x^3 – 3 x^2 – 3 x + 2 = 0 ⇔ x = 1/2; x = –1; x = 2 ■
Outro exemplo:
x = 1 ⇔ ( x – l)^2 = 0 ⇔ x^2 – 2 x + 1 = 0 ⇒
(substituindo x por 1)
x^2 – 2.^ 1 + 1 = 0 ⇔ x^2 = 1 ⇔ x = l ou x = –l, ■
Em qualquer terna pitagórica reduzida, os números 3 , 4 e 5 estão presentes.
Devemos entender que 3, 4 e 5 estão presentes como fatores dos elementos da terna, eventualmente os três números como fatores de um mesmo elemento. Por exemplo, usando o teorema mencionado anterior- mente com p = 6 e q = 5, obtemos a terna pitagórica reduzida (11, 60, 61) onde 3, 4 e 5 são fatores de 60.
Minha atenção foi despertada por um aluno, Frederico, que me disse ter lido tal afirmação no livro Maravilhas da Matemática, do nosso Malba Tahan.
Para demonstrar a propriedade, usamos o teorema mencionado. Seja en- tão uma terna pitagórica ( p^2 – q^2 , 2 pq, p^2 + q^2 ), com p e q naturais restritos às condições (1), (2) e (3).
E óbvio por (3), pois um dos números, p ou q, é par.
De fato, dividindo p e q por 3, encontraremos resto 1 ou 2, ou seja, estes números são da forma 3 k + 1 ou 3 k + 2. Em qualquer caso, o quadrado é da forma 3 k + 1. Portanto, a diferença p^2 – q^2 de dois números da forma 3 k + 1 é divisível por 3.
De fato, dividindo p e q por 5, encontraremos para resto um dos números: 1, 2, 3 ou 4. Isto é, p e q são de uma das formas: 5 k + 1, 5 k + 2, 5 k + 3, ou 5 k + 4. O quadrado de qualquer um desses números é da forma 5 k + 1 ou 5 k + 4. Assim, se p e q forem do mesmo tipo (5 k + 1 ou 5 k + 4), p^2 – q^2 será múltiplo de 5. Caso contrário, o fator 5 estará em p^2 + q^2.
Moral da história:
Numa terna pitagórica não há como escapar dos números 3, 4 e 5!
nos calouros do curso de Matemática da UFRS, constatei o quanto os alunos vêm presos ao uso de tabelas na construção de gráficos de funções. E isto faz com que percam a idéia mais geral sobre o comportamento da função. Com a tabe- la o problema se reduz à marcação de alguns pontos do gráfico por meio de avaliação em va- lores de x (geralmente, x = 0, +1, –1, +2, –2), tornando-se um exercício meramente compu- tacional, sem muito raciocínio. O que pretendo neste artigo é dar uma idéia de como podemos fazer nossos alunos de ensino mé- dio, através de raciocínios simples, obterem infor- mações sobre gráficos, especialmente sobre for- ma das curvas; a tabela entra como um recurso, mas não como o único recurso. Vamos aqui nos deter no estudo da função quadrática f(x) = ax 2 + bx + c. Começaremos com a função quadrática mais simples e, gradati- vamente, chegaremos à função quadrática geral.
Caso I f ( x ) = x^2
Observamos que conforme o valor absoluto de x aumenta, x^2 aumenta mais rapidamente e, por-
Maria Alice Gravina