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Algebra Linear Ciclo Basico, Notas de aula de Geometria Analítica e Álgebra Linear

Algebra Linear curso universitario

Tipologia: Notas de aula

2020

Compartilhado em 06/05/2020

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Algebra Linear
com apoio computacional
Tarcisio Praciano-Pereira1
Edi¸oes Eletrˆonicas do
Laborat´orio de Matem´atica Computacional
Departamento de Matem´atica
Universidade Estadual Vale do Acara´u
29 de mar¸co de 2008
1Univ. Est. Vale do Acara´u - Ce
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Algebra Linear´

com apoio computacional

Tarcisio Praciano-Pereira^1

Edi¸c˜oes Eletrˆonicas do

Laborat´orio de Matem´atica Computacional Departamento de Matem´atica

Universidade Estadual Vale do Acara´u

29 de mar¸co de 2008

(^1) Univ. Est. Vale do Acara´u - Ce

Sum´ario

Bibliografia ................................................... i

Introdu¸c˜ao. Recomendamos que vocˆe n˜ao leia agora esta introdu¸c˜ao, at´e mesmo porque ela foi feita quase que depois de o livro ficar pronto... ou talvez, porque vocˆe

u¸c˜ao

j´a come¸cou, que a leia rapidamente, talvez marcando alguns trechos que n˜ao entender, para reler depois. Se a introdu¸c˜ao estiver clara, certamente vocˆe n˜ao precisa ler o livro. Se o livro lhe for ´util, a introdu¸c˜ao ficar´a absolutamente clara, depois. At´e pensamos em colocar a introdu¸c˜ao ao final, mas a´ı correriamos o risco de que ela ficasse perdida, definitivamente. Talvez a maior importˆancia desta conversa inicial resida na oferta que fazemos de um trabalho interativo, do leitor, com os autores. Use o nosso endere¸co eletrˆonico que aparece em v´arios locais no texto, fale conosco, diga-nos quando o texto n˜ao estiver claro, ou nos fa¸ca suas sugest˜oes. Claro, como na par´abola do homem, do burro e da crian¸ca, nem sempre poderemos aceitar todas as sugest˜oes, por mais importante e pr´oprias que sejam, sem descaracterizar o nosso trabalho. N˜ao pretendemos que este livro seja autocontido, embora desejemos que ele possa ser ´util ao autodidata, ele foi escrito como uma ferramenta de apoio ao trabalho do professor, seja em aula presencial seja em ensino a distˆancia. Em particular, os autores se declarama disposi¸c˜ao do leitor para responder quest˜oes ligadas com o texto. Use com liberdade o endere¸co [email protected] para discutir a teoria, as quest˜oes, apresentar suas cr´ıticas, e, se desejar, participar desta equipe. Este ´e um trabalho aberto. Supomos que a disciplina ´Algebra Linear esteja sendo ministrada posterior- mente, ou no m´aximo concomitantemente, com C´alculo II, (C´alculo multivari-

o

ado). Faremos uso dos conceitos da Geometria Anal´ıtica e do C´alculo sempre que isto puder tornar os conceitos e os exemplos mais interessantes. Faremos uso da geometria na interpreta¸c˜ao gr´afica e nas interpreta¸c˜oes das aproxima¸c˜oes computacionais. Desta forma entendemos que trazemos uma vis˜ao, utilitarista^1 da geometria.

do tria O t´ıtulo de cada se¸c˜ao deve mostrar o seu objetivo:

  • transformar para o ver o efeito de uma fun¸c˜ao,
  • usar transforma¸c˜oes lineares para esclarecer o significado da derivada,
  • e comparar o “exato” com a aproxima¸c˜ao obtida.

s˜ao alguns m´etodos geom´etricos aqui empregados. Trata-se assim de uma an´alise do efeito, atrav´es da transforma¸c˜ao geom´etrica produzida, porque em grande parte a Algebra Linear´ ´e geometria, apenas uma geometria de dimens˜ao maior do que esta geometria de dimens˜ao trˆes, (ou qua- tro), em que vivemos. No C´alculo, a vis˜ao geom´etrica, consiste em dominar os gr´aficos das curvas e superf´ıcies “alg´ebricas” fundamentais para com elas comparar com as outras cujos gr´aficos nem siquer sabemos fazer. Na Algebra Linear´ queremos tornar (^1) que horror...

intuitiva a generaliza¸c˜ao das retas, dos planos, a dimens˜oes maiores, ou menores, no caso do ponto (como objeto linear). Em ambos os casos, no C´alculo ou na Algebra Linear´ , existe uma quest˜ao dimensional cujos aspectos intuitivos ´e preciso romper ou enlarguercer. Um aspecto central da Algebra Linear´ ´e a resolu¸c˜ao de sistemas de equa¸c˜oes (lineares) e da an´alise destes sistemas (lineres) transferido para a an´alise das ma- trizes, que s˜ao multin´umeros guardando a informa¸c˜ao das equa¸c˜oes. As equa¸c˜oes Que ´e^ Algebra´ Linear? lineares s˜ao consideradas f´aceis, at´e mesmo porque elas podem de fato ser re- solvidas automaticamente, por programas de computador. Depois ela ser˜ao utilizadas em lineariza¸c˜oes das equa¸c˜oes n˜ao lineares, uma aproxima¸c˜ao. Apoio computacional O adjetivo computacional, no t´ıtulo, significa que faremos uso de um pacote computacional, scilab, para realizar os fatos da ´Algebra Linear. ´E preciso que

scilab

fique claro o que significa para n´os, computa¸c˜ao. Um programa de computador, o pr´oprio computador, s˜ao instrumentos com que podemos andar mais r´apido e, algumas vezes, fazer aquilo que nos seria imposs´ıvel fazer `a m˜ao. Vocˆe logo vai ver que existem opera¸c˜oes que nos tomariam dias para execut´a-las manualmente, fora as possibilidades de erro deste exerc´ıcio. Entretanto, nada do que fa¸camos

apoio computacional com o computador pode ser porque n˜ao saibamos fazer `a m˜ao. Isto representaria automatiza¸c˜ao in´ocua. A ado¸c˜ao do scilab foi feita pelas seguintes raz˜oes:

  1. ´E um programa distribuido sob a lincen¸ca GPL, ver http://www.gnu.org http://www.scilab.org para entender melhor do que se tratam programas livres, como scilab.
  2. ´E um programa de alta qualidade, bem documentado, e que se encontra possivelmente instalado em qualquer computador rodando Linux, de for- mas que qualquer aluno que quiser, poder´a ter acesso a este programa sem gastar nenhum centavo extra, al´em do que tiver gasto para obter o seu computador e o sistema operacional.
  3. Se scilab n˜ao estiver instalado, facilmente vocˆe o pode obter no site http://www.scilab.org

scilab se auto-define como similar a um outro programa comercial dedi- cado a ´Algebra Linear, quer dizer que, com scilab podemos fazer as contas da Algebra Linear, podemos resolver equa¸´ c˜oes lineares. H´a outros programas tamb´em distribuidos sob a licen¸ca GPL, octave e um exemplo, e pode ser obtido em http://www.octave.org scilab e octave s˜ao similares, de modo que a qualquer momento do texto, onde estiver escrito scilab vocˆe poder´a ler como se estivesse octave, que ´e um outro programa, tamb´em de dom´ınio p´ublico, e da mesma qualidade que este que adotamos como programa oficial do livro. scilab ´e distribuido para v´arias outras plataformas, ver no site do scilab citado acima. Como usar este livro

Parte I

Vetores e sistemas de

equa¸c˜ao

apesar de que, cuidadosamente, se acrescente a observa¸c˜ao, “raizes imagin´arias” quando ∆ < 0.

Exemplo 1 Resolvendo uma equa¸c˜ao do segundo grau

4 x^2 − 12 x + 25 = 0 ⇒ ∆ = − 256 x′^ = 12+16 8 i; x′′^ = 12 − 816 i x′^ = 32 + 2i; x′′^ = 32 − 2 i

em que vemos aparecer um “n´umero” do tipo

z = a + bi, (1.5)

formado por um par de n´umeros reais separados pela unidade imagin´aria i. Um “n´umero” desta forma se chama “n´umero complexo” e foram precisos v´arios s´eculos para que eles fossem admitidos como um n´umero comum, sem complexos.

1.1.1 Algebra dos n´umeros complexos

Repetindo o que fizeram os nossos antepassados, os n´umeros complexos foram inicialmente tratados como uma express˜ao alg´ebrica em que i era considerado como uma “vari´avel” mas obedecendo a regra

−1 = i ⇐⇒ i^2 = − 1. (1.6)

Assim, z = 2 + 3i, w = 5 − 2 i s˜ao somados segundo as regras da ´algebra:

  • “quem tem “i” ´e somado com quem tem “i”
  • e os que n˜ao tiverem “i” s˜ao somados entre si”:

z + w = (2 + 3i) + (5 − 2 i) = (2 + 5) + (3 − 2)i = 7 + i

e de maneira idˆentica se procede com a multiplica¸c˜ao:

(2 + 3i)(5 − 2 i) (1.7)

2 +3i 5 − 2 i 10 15 i − 4 i − 6 i^2 10 +11i −6(−1) 16 +11i

veja a figura (1.2) na p´agina 10. Usando estas regras da ´algebra podemos escrever uma defini¸c˜ao formal para a adi¸c˜ao e para a multiplica¸c˜ao de n´umeros complexos. Primeiro vamos banir a express˜ao “quem tem i” do texto porque ela n˜ao ´e uma express˜ao t´ecnica e n´os somos extremamente ligados em express˜oes t´ecnicas.

Defini¸c˜ao 1 Parte real e imagin´aria de um n´umero complexo Dado um n´umero complexo, escrito como

z = a + bi ≡ (a, b)

designaremos

ℜ(z) = a a parte real de z (1.8) ℑ(z) = b a parte imagin´aria de z (1.9)

Defini¸c˜ao 2 (Adi¸c˜ao de n´umeros complexos) Dados dois n´umeros comple- xos

v = a + bi ≡ (a, b) (1.10) w = c + di ≡ (c, d) (1.11)

definimos

v + w = (a + c, b + d) (1.12) ≡ v + w = (a + c) + (b + d)i (1.13)

a soma se faz “coordenada por coordenada”, ou ainda

ℜ(v + w) = ℜ(v) + ℜ(w) (1.14) ℑ(v + w) = ℑ(v) + ℑ(w) (1.15)

As duas formas a + bi, (a, b)

s˜ao equivalentes e usamos uma ou a outra conforme for mais conveniente:

express˜ao alg´ebrica C ∋ w = c + di ≡ (c, d) ∈ R^2 entidade geom´etrica. (1.16) Observe que a ´ultima parte, na express˜ao acima, (c, d) ∈ R^2 , ´e uma repre- senta¸c˜ao geom´etrica para os n´umeros complexos, uma vez que estamos dizendo que existe um ponto do plano,

(c, d) ∈ R^2 (1.17)

que ´e “equivalente” ao n´umero complexo

c + di ∈ C. (1.18)

1.1.2 A representa¸c˜ao geom´etrica dos complexos

Falamos acima na equivalˆencia

C ∋ w = c + di ≡ (c, d) ∈ R^2 , (1.19)

o par (c, d) ´e um ponto do plano e, assim, estamos representando um n´umero complexo com uma entidade geom´etrica, um ponto. Os n´umeros complexos trouxeram, para o reino dos n´umeros, os conceitos da geometria: ˆangulo, m´odulo, dire¸c˜ao e sentido. A F´ısica, desde cedo, lan¸cou m˜ao deles, com muito sucesso, por exemplo, na eletricidade. A figura (1.3) na p´agina 12 descreve alguns aspectos geom´etricos dos n´umeros complexos, como o m´odulo e o argumento.

  • o vetor z O ponto do plano, z = (a, b) determina com a origem um seg- mento de reta que identificamos, tamb´em, com o n´umero complexo z e que vamos chamar de vetor;
  • argumento de z ´e o ˆangulo que o vetor z determina com o semi eixo po- sitivo OX, no sentido anti-hor´ario, partido do semi-eixo OX. Nota¸c˜ao arg(z)
  • m´odulo de z = (a, b) ´e o comprimento do segmento de reta que subentende o vetor z. Nota¸c˜ao |z| =

a^2 + b^2 pelo teorema de Pit´agoras;

A pr´oxima lista ´e um laborat´orio que deve preparar a sua intui¸c˜ao para as constru¸c˜oes que faremos depois.

Laborat´orio 1 (O plano complexo) A interpreta¸c˜ao geom´etrica

  1. Encontre as solu¸c˜oes da equa¸c˜ao: x^2 − 3 x + 1 = 0.
  2. Encontre as solu¸c˜oes da equa¸c˜ao: x^2 + 1 = 0.
  3. Verifique, experimentando na equa¸c˜ao, que os n´umeros i, −i s˜ao solu¸c˜oes da equa¸c˜ao x^2 + 1 = 0.
  4. Some algebricamente e represente geometricamente: u+v; a) u = 3 + 2i; v = 2 + 3i b) u = 3 − 2 i; v = 3 + 2i c) u = 3 + 2i; v = − 3 − 2 i d) u = 3 − 2 i; v = 2i − 3 e) u = 2i − 3; v = 3 − 2 i f ) u = 2 − 3 i; v = 3i − 2
  5. Efeitos da multiplica¸c˜ao

(a) Multiplique 3+2i pelos inteiros 2,3,5,10. Represente geometricamente os resultados.

3

z

w

β α

|z|=|w|=

arg(w)= β

arg(z)= α

w+z = 0

Figura 1.3:

(b) Multiplique 3 + 2i por 2i, 3i, 5i,10i. Represente geometricamente os resultados. Elabore uma teoria a partir da semelhan¸ca dos resultados obtidos.

  1. Verifique que o n´umero complexo 1 + 0i ´e o elemento neutro da multi- plica¸c˜ao.
  2. Calcule o inverso multiplicativo de 3 + 2i e represente ambos geometrica- mente.
  3. Multiplique z = 3 + 2i por si pr´oprio, represente geometricamente e veri- fique o qual a rela¸c˜ao entre arg(z), arg(z^2 ).
  4. Multiplique 3 + 2i por 3 − 2 i e represente geometricamente estes vetores e o produto deles.
  5. M´odulo de um n´umero complexo

Uma das raz˜oes que tornam os n´umeros complexos um tipo de n´umero a parte, ´e o seu envolvimento com a geometria. Como um n´umero real, os n´umeros complexos tem m´odulo, mas neste caso o m´etodo de c´alculo se deduz direto do Teorema de Pit´agoras.

Defini¸c˜ao 4 M´odulo do n´umero complexo a + bi.

||(a + bi)|| =

a^2 + b^2

1.2 N´umeros complexos: extens˜ao dos reais

Um n´umero complexo ´e um par de n´umeros reais, portanto co¨ıncide, com o conjunto, com o R^2 : C ≡ R^2. A diferen¸ca ´e que existe em C uma multiplica¸c˜ao que estende a multiplica¸c˜ao dos n´umeros reais Usaremos as duas nota¸c˜oes para um n´umero complexo (a, b) ≡ a + bi

sem mais nos preocuparmos com observa¸c˜oes a respeito.

Uma terminologia existe em torno dos n´umeros complexos que vamos relem- brar. A figura ( 1.4) p´agina 14, ilustra os fatos descritos na pr´oxima defini¸c˜ao.

z+w

w

z

(a,b)

(c,d) (r,0)

a + b

2 2

z+w=(a+c,b+d) arg(w) = β

α

β

Figura 1.4: Propriedades dos n´umeros complexos

Defini¸c˜ao 5 Parte real e imagin´aria Dado um n´umero complexo z = (a, b) diremos

  • parte real a ´e a parte real de z; a = Re(z)
  • parte imagin´aria b ´e a parte imagin´aria de z ; b = Im(z)
  • m´odulo O n´umero complexo z = (a, b) determina com a origem (0, 0) um segmento do plano que usamos para visualizar o n´umero complexo z. O comprimento deste segmento ´e

|z| =

a^2 + b^2

o m´odulo de z.

  • argumento de um n´umero complexo ´e o ˆangulo que o segmento de reta que representa geom´etricamente o n´umero complexo faz com o semi-eixo posi- tivo dos n´umeros reais medido na dire¸c˜ao anti-hor´aria. Quer dizer que se um n´umero complexo for real, o seu argumento pode ser´a zero quando for positivo, ou π quando for negativo. Na figura ( 1.4) o argumento de w ´e β e o argumento de z + w ´e α.

arg(w) = β ; arg(z + w) = α

  • Os n´umeros reais
    1. O conjunto dos n´umeros reais positivos ´e o subconjunto de C formado pelos n´umeros complexos cuja parte imagin´aria ´e zero, e argumento zero, R+ = {w = (x, 0) ; x ∈ R ; arg(w) = 0} ´e o semi-eixo positivo OX+
    2. O conjunto dos n´umeros reais negativos ´e o subconjunto de C for- mado pelos n´umeros complexos cuja parte imagin´aria ´e zero e o ar- gumento ´e π:

R− = {w = (x, 0) ; x ∈ R ; arg(w) = π}

´e o semi-eixo positivo OX−

Teorema 1 (Extens˜ao da multiplica¸c˜ao dos reais) A multiplica¸c˜ao de n´umeros complexos ´e uma extens˜ao da multiplica¸c˜ao de n´umeros reais. Dem : Dados dois n´umeros complexos z = (a 1 , b 1 ) = a 1 + b 1 i, w = (a 2 , b 2 ) = a 2 + b 2 i

temos

zw = (a 1 , b 1 )(a 2 , b 2 ) = (1.20) (a 1 a 2 − b 1 b 2 , a 1 b 2 + a 2 b 1 ) = (1.21) a 1 a 2 − b 1 b 2 + (a 1 b 2 + a 2 b 1 )i (1.22) Considere agora dois n´umero reais: r 1 , r 2. Eles determinam os dois n´umeros complexos z = (r 1 , 0), w = (r 2 , 0).