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Nutrição de Ruminantes: Alimentos Baseados em Fibras e Nutrientes Essenciais, Manuais, Projetos, Pesquisas de Ciência e Tecnologia de Alimentos

Informações sobre alimentos ricos em fibras necessários para manter a atividade microbiana do rúmen, com destaque para leguminosas, gramíneas, milho, arroz farelo desengordurado e outros subprodutos agroindustriais. Além disso, discute-se sobre a importância de nutrientes essenciais como proteínas, gordura, fibra, fósforo e vitaminas em dietas de ruminantes.

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2021

Compartilhado em 05/05/2022

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MÓDULO VIII
OS ALIMENTOS CONCENTRADOS – ENERGÉTICOS E PROTÉICOS
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO................................................................................................................1
SUMÁRIO.............................................................................................................................2
CAPÍTULO 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS.................................................3
1.1. ALIMENTOS VOLUMOSOS...................................................................................3
1.2. ALIMENTOS CONCENTRADOS...........................................................................4
1.2.1. Concentrados Energéticos...................................................................................4
1.2.2. Concentrados Protéicos........................................................................................5
CAPÍTULO 2 – CARACTERÍSTICAS E RESTRIÇÕES DOS ALIMENTOS
USADOS NA NUTRIÇÃO DOS RUMINANTES..............................................................7
2.1. GRÃOS DE CEREAIS E SUBPRODUTOS............................................................7
2.1.1 – Milho grão - Zea mays........................................................................................7
2.1.2 – Milho desintegrado com palha e sabugo (MDPS)...........................................9
2.1.3 – Glúten de milho 21...........................................................................................10
2.1.4 – Glúten de milho 60...........................................................................................12
2.1.5 – Milho quirera....................................................................................................13
2.1.6 – Milheto Grão – Pennisetum typhoides............................................................13
2.1.6 – Sorgo Grão – Sorghum vulgare.......................................................................14
2.1.7 – Arroz Farelo integral –Oriza sativa.................................................................16
2.1.7 – Arroz Farelo desengordurado..........................................................................18
2.1.7 – Aveia semente com casca – Avena sativa.........................................................19
2.1.7 – Trigo Farelo –Triticum aestivum....................................................................19
2.2. GRÃOS DE OLEAGINOSAS E SUBPRODUTOS..............................................21
2.2.1 – Soja grão – Glicine max..................................................................................21
2.2.2 – Soja grão desativada – Glicine max................................................................22
2.2.3 – Farelo de soja...................................................................................................23
2.2.3 – Casca de soja (Casquinha de soja peletizada)..............................................24
2.2.3 – Algodão sementes (Caroço de algodão) – Gossypium spp............................26
2.2.4 – Farelo de algodão – Gossypium spp................................................................28
2.2.5 – Farelo de girassol – Helianthus annun..........................................................31
2.2.5 – Farelo de gergelim – Sesamum indicum........................................................32
2.2.5 – Torta de babaçu – Orbignya martiniana........................................................33
2.3. SUBPRODUTOS DA AGROINDÚSTRIA.............................................................33
2.3.1 – Polpa cítrica peletizada...................................................................................33
2.3.2 – Polpa úmida de cervejaria (Cevada).............................................................35
2.3.2 – Farinha de carne e ossos.................................................................................36
2.3.3 – Raspa ou Farelo de Mandioca (Manihot esculenta Crantz).........................38
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS..............................................................................41
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MÓDULO VIII

OS ALIMENTOS CONCENTRADOS – ENERGÉTICOS E PROTÉICOS

  • APRESENTAÇÃO................................................................................................................ SUMÁRIO
  • SUMÁRIO.............................................................................................................................
  • CAPÍTULO 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS.................................................
    • 1.1. ALIMENTOS VOLUMOSOS...................................................................................
    • 1.2. ALIMENTOS CONCENTRADOS...........................................................................
      • 1.2.1. Concentrados Energéticos...................................................................................
      • 1.2.2. Concentrados Protéicos........................................................................................
  • USADOS NA NUTRIÇÃO DOS RUMINANTES.............................................................. CAPÍTULO 2 – CARACTERÍSTICAS E RESTRIÇÕES DOS ALIMENTOS
    • 2.1. GRÃOS DE CEREAIS E SUBPRODUTOS............................................................
      • 2.1.1 – Milho grão - Zea mays
      • 2.1.2 – Milho desintegrado com palha e sabugo (MDPS)...........................................
      • 2.1.3 – Glúten de milho 21...........................................................................................
      • 2.1.4 – Glúten de milho 60...........................................................................................
      • 2.1.5 – Milho quirera....................................................................................................
      • 2.1.6 – Milheto Grão – Pennisetum typhoides
      • 2.1.6 – Sorgo Grão – Sorghum vulgare
      • 2.1.7 – Arroz Farelo integral – Oriza sativa
      • 2.1.7 – Arroz Farelo desengordurado..........................................................................
      • 2.1.7 – Aveia semente com casca – Avena sativa
      • 2.1.7 – Trigo Farelo – Triticum aestivum
    • 2.2. GRÃOS DE OLEAGINOSAS E SUBPRODUTOS..............................................
      • 2.2.1 – Soja grão – Glicine max
      • 2.2.2 – Soja grão desativada – Glicine max
      • 2.2.3 – Farelo de soja...................................................................................................
      • 2.2.3 – Casca de soja (Casquinha de soja peletizada)..............................................
      • 2.2.3 – Algodão sementes (Caroço de algodão) – Gossypium spp
      • 2.2.4 – Farelo de algodão – Gossypium spp
      • 2.2.5 – Farelo de girassol – Helianthus annun
      • 2.2.5 – Farelo de gergelim – Sesamum indicum
      • 2.2.5 – Torta de babaçu – Orbignya martiniana
    • 2.3. SUBPRODUTOS DA AGROINDÚSTRIA.............................................................
      • 2.3.1 – Polpa cítrica peletizada...................................................................................
      • 2.3.2 – Polpa úmida de cervejaria (Cevada).............................................................
      • 2.3.2 – Farinha de carne e ossos.................................................................................
      • 2.3.3 – Raspa ou Farelo de Mandioca ( Manihot esculenta Crantz ).........................
  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS..............................................................................

CAPÍTULO 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS

1.1. ALIMENTOS VOLUMOSOS

São alimentos ricos em fibras, necessários para manter a atividade microbiana do

rúmen, apresentam mais de 50 % de FDN (Fibra em detergente neutro) ou 18 % de FB

( Fibra Bruta), geralmente são pobres em energia, quando comparados aos concentrados.

Neste grupo podemos incluir as pastagens, silagens, fenos e resíduos de agricultura e

indústrias. Na classificação internacional de alimentos recebem o número 1 (alimentos

secos), 2 (alimentos verdes) e 3 (silagens), como primeiro dígito do número de referencia.

Características nutricionais:

 Apresentam um valor protéico muito variável, principalmente em função da idade da

planta (no caso das gramíneas tropicais). As leguminosas e gramíneas imaturas são mais

ricas em proteínas, enquanto que gramíneas maduras, as palhadas e a maioria dos

resíduos da agroindústria apresentam valores baixos deste nutriente;

 Geralmente são baixos em energia, devido o alto teor de fibras e baixo em carboidratos

de reserva, quando comparado com os concentrados;

 São ricos em Vitamina A, cálcio e micro minerais;

 Geralmente são pobres em fósforo;

 São importantes para manter o funcionamento do rúmen (ruminação). A população

microbiana do rúmen depende da fibra para sua sobrevivência;

Neste capítulo descreveremos a classificação dos alimentos utilizados na

alimentação dos ruminantes, bem como as características nutricionais de cada

ingrediente que irá compor uma dieta. Nele o aluno terá oportunidade de conhecer as

classes de cada grupo de alimentos, com suas características nutritivas gerais, como

valor nutritivo e limitações de uso.

Neste capítulo descreveremos a classificação dos alimentos utilizados na

alimentação dos ruminantes, bem como as características nutricionais de cada

ingrediente que irá compor uma dieta. Nele o aluno terá oportunidade de conhecer as

classes de cada grupo de alimentos, com suas características nutritivas gerais, como

valor nutritivo e limitações de uso.

1.2.2. Concentrados Protéicos

Apresentam altos teores de proteína bruta (maior que 20%), representados

principalmente pelos grãos de oleaginosas e seus subprodutos, subprodutos da indústria

animal e fontes de nitrogênio não protéico (NNP). O termo Equivalente Protéico refere-se

ao teor de nitrogênio multiplicado pelo fator 6.25 (N x 6.25 = PB).

Características nutritivas

 Apresentam baixo teor de fibras e são misturados os energéticos, para compor as rações

concentradas;

 Geralmente apresentam boa aceitabilidade pelos animais;

 O valor nutritivo é pouco variável dentro de um determinado alimento;

 São ricos em fósforo e pobres em cálcio;

 A qualidade da proteína é variável, geralmente de média a alta

 São médios a altos em energia;

Qualidade da proteína

 Refere-se à quantidade e proporção dos aminoácidos que compões a proteína;

 Os ruminantes sintetizam a maior parte dos aminoácidos essenciais, através dos

microorganismos simbióticos do rúmen;

 A exigência em alimentos protéicos de melhor qualidade deve ser observada

principalmente quando alimentamos animais de alta produtividade;

 A proteína sintetizada pelos microorganismos do rúmen é considerada de alto valor

biológico, por ser rica em aminoácidos essenciais;

 Para uso de nitrogênio não protéico é de fundamental importância o fornecimento de

carboidratos solúveis e fontes de minerais como fósforo, enxofre e zinco;

 O uso de fontes de NNP, como a uréia, deve ser feito apenas para os animais ruminantes

e dentro de normas e cuidados específicos.

CAPÍTULO 2 – CARACTERÍSTICAS E RESTRIÇÕES DOS ALIMENTOS

USADOS NA NUTRIÇÃO DOS RUMINANTES

Neste capítulo descreveremos as formas de uso, limitações e recomendações

práticas de cada alimento concentrado, utilizado na alimentação dos ruminantes. Nele

o aluno poderá identificar os alimentos mais utilizados em cada região e conhecer a

composição química e nutricional de cada alimento, de acordo com tabelas Brasileiras

de composição de alimentos.

ENN 74.10 49 3.

CHO 84.90 176 1.

FDN 13.98 153 5.

FDA 4.08 153 2.

HEM 9.41 13 4.

CEL 3.55 41 1.

LIGNINA 1.16 51 0.

NDT 87.24 24 3.

DMS 90.78 14 2.

DEE 100 1 -

DPB 69.23 6 3.

EB 4.31 102 0.

Ca 0.03 246 0. P 0.25 283 0. Mg 0.13 33 0. K 0.35 24 0. Na 0.03 27 0. Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)

2.1.2 – Milho desintegrado com palha e sabugo (MDPS)

É comumente conhecido como “Rolão de Milho”, espiga integral moída ou

simplesmente “Rolão”. Na espiga, 70% do peso é composto por grãos, 20 % por sabugo e

10 % de palha. O valor nutritivo do sabugo e da palha é muito baixo e o MDPS apresenta

aproximadamente 70 % do valor nutritivo do milho grão. O uso é conveniente apenas em

propriedades onde não temos disponibilidade de volumosos de boa qualidade e o custo é

menor que 70 % quando comparado com o milho grão. Para triturar a espiga inteira, requer

maior dificuldade no manejo, formação de poeira e maior gasto de energia. A tabela 2

mostra a composição média do MDPS, de acordo com análises em experimentos brasileiros.

Tabela 2. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO MILHO DESINTEGRADO COM

PALHA E SABUGO (MDPS).

Nutriente Média n s MS 87.81 58 2. MO 96.90 9 4. PB 7.71 47 0. PIDA/MS 2.40 1 - PIDN/MS 7.60 1 - EE 2.69 20 0. MM 1.83 21 0. FB 9.75 12 1. ENN 72.88 6 4.

CHO 87.74 12 1.

FDN 31.80 4 0.

FDA 14.37 12 2.

HEM 16.54 1 -

CEL 12.83 2 0.

LIGNINA 3.25 8 1.

NDT 65.53 6 3.

DMS 74.46 2 1.

DEE 85.08 1 -

DPB 57.89 3 15.

EB 4.19 9 0.

Ca 0.04 20 0. P 0.21 33 0. Mg 0.10 9 0. K 0.34 9 0. Na 0.01 6 0. Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)

2.1.3 – Glúten de milho 21

É o subproduto da indústria de amido de milho para nutrição humana, restando parte

do gérmen, fibras da casca do grão e proteínas. No mercado brasileiro ele aparece como

marca comercial de Refinazil (produzido pela empresa Refinações de Milho Brasil ) e Promil

(produzido pela Cargill), ambos apresentam o mesmo valor nutritivo, é classificado como

concentrado protéico, apresenta 21 % de PB e 73 % de NDT, a fibra é de alta digestibilidade

para ruminantes e possui boa disponibilidade no mercado. Possui sabor ligeiramente amargo,

mas os animais adaptam com facilidade ao consumo. É rico em carotenóides e pigmentantes,

recomendamos fornecer até em 20 % do concentrado, porém bovinos de corte alimentados

em confinamento consumindo até 5 kg por dia, apresentam bons ganhos de peso. Em

misturas múltiplas, o uso do glúten proporciona bom resultado, devido o alto valor protéico,

o que reduz o uso de fontes de NNP como a uréia. As tabela 3 e 4 mostram a composição

média do Glúten 21, de acordo com análises em experimentos brasileiros.

Tabela 4. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO GLÚTEN DE MILHO REFINAZIL

Nutriente Média n s MS 87.40 1 - PB 23.45 2 3. EE 1.40 2 0. MM 7.36 2 0. FB 9.45 2 0. CHO 67.80 2 3. Ca 0.17 1 - P 1.01 2 0. Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)

2.1.4 – Glúten de milho 60

.

Também conhecido como glutenose ou glúten 60, constitui a parte protéica do grão do

milho, ou seja, é o glúten 21 sem a casca do grão (fibra). Este produto é pouco utilizado

para ruminantes, em função do seu alto custo e baixa disponibilidade no mercado. É mais

usado em rações para monogástricos como fonte de proteínas e pigmentantes. Apresenta

alta quantidade de proteínas não degradáveis no rúmen (PNDR). A tabela 5 mostra a

composição média do Glúten 60, de acordo com análises em experimentos brasileiros.

Tabela 5. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO GLÚTEN DE MILHO 60

Derivado(s) Selecionado(s) MILHO GLÚTEN; MILHO GLÚTEN FARINHA Nutriente Média n s MS 90.46 26 2. MO 97.64 4 2. PB 63.60 24 4. NIDA/N 3.35 2 0. NIDN/N 7.04 2 1. EE 2.35 18 1. MM 4.09 17 3. FB 3.32 8 3. ENN 22.39 3 2. CHO 32.02 6 2. FDN 5.72 6 1. FDA 4.59 7 2. CEL 5.49 2 3. LIGNINA 1.31 3 0. NDT 84.56 2 6.

DMS 94.18 1 -

DEE 82.58 1 -

DPB 100.00 1 -

EB 5.64 2 0.

Ca 0.06 8 0. P 0.50 13 0. Mg 0.13 1 - Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)

2.1.5 – Milho quirera

É o subproduto do beneficiamento do milho grão, logo após a retirada das impurezas,

na operação de pré-limpeza. Quanto maior a proporção de grãos de milho quebrado, maior

a proximidade do valor nutritivo do milho. O armazenamento deve ser no máximo de 90

dias devido à maior área de exposição. Em confinamentos e dietas de alto grão pode ser

utilizada sem triturar. Sempre que possível deve-se fazer análise do lote, quando o material

não for padronizado. A tabela 6 mostra a composição média da Quirera de milho, de acordo

com análises em experimentos brasileiros.

Tabela 6. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DA QUIRERA DE MILHO

Nutriente Média n s MS 89.76 7 2. MO 98.40 1 - PB 9.19 8 0. NIDA/N 4.20 1 - NIDN/N 10.20 1 - EE 4.74 4 0. MM 1.68 5 0. FB 3.79 4 0. ENN 71.07 2 0. CHO 84.58 2 1. FDN 22.91 4 3. FDA 4.97 6 1. LIGNINA 0.37 1 - NDT 84.80 3 1. Ca 0.07 1 - P 0.21 5 0. Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)

2.1.6 – Milheto Grão – Pennisetum typhoides

gado de corte e leite, pode compor até 100% do concentrado energético. O grão é pequeno

e duro e deve ser triturado em peneira fina (2 mm). O Tanino, presente em algumas

variedades, em níveis de 2,0 a 2,5 %, é um composto fenólico ligado à proteína, que diminui

a digestibilidade e aceitabilidade. Estas variedades são as mais produtivas por área e também

as que apresentam grãos escuros, conhecidas como “sorgo resistente a pássaros”.

Atualmente as empresas produtoras e multiplicadoras de sementes, estão extinguindo estas

variedades do mercado. Apresenta maior valor protéico que o milho (9 a13 %) e menor

valor energético (80% NDT). É pobre em carotenóides e pigmentantes e possui um

desbalanceamento entre isoleucina e leucina que interfere na conversão do triptofano para

niacina, este balanceamento de aminoácidos é mais importante para nutrição de

monogástricos. A tabela 8 mostra a composição média do Sorgo grão, de acordo com

análises em experimentos brasileiros

Tabela 8. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO SORGO GRÃO

Derivado(s) Selecionado(s) SORGO FARELO; SORGO GRÃO; SORGO GRÃO INTEIRO; SORGO GRÃO MOÍDO Nutriente Média n s MS 87.90 67 1. MO 98.43 16 0. PB 9.54 76 1. NIDN/N 25.55 4 2. EE 3.03 44 0. MM 1.80 32 0. FB 2.53 31 1. ENN 71.92 8 1. CHO 85.30 17 1. FDN 14.21 15 2. FDA 6.30 18 1. HEM 9.62 2 2. CEL 3.55 5 0. LIGNINA 1.21 8 0. NDT 80.35 6 4. DMS 70.32 19 4. DEE 93.48 1 - DPB 35.96 5 3. EB 4.13 2 0. Ca 0.04 18 0. P 0.28 26 0. Mg 0.19 6 0. K 0.40 3 0.

Na 0.03 5 0. Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)

2.1.8 – Arroz Farelo integral – Oriza sativa

É o sub-produto do beneficiamento do arroz para nutrição humana. Neste processo,

retira-se a casca do grão e a película que envolve a semente (pericarpo), obtendo o farelo de

arroz, ele contem pequenas quantidades de fragmentos de cascas, grãos e boa quantidade de

gérmen. É um concentrado energético com alto teor de extrato etéreo (30%), o que torna

este alimento muito susceptível a rancificação, deve ser armazenado no máximo por 30 dias.

É pobre em Proteínas, cálcio e rico em energia e fósforo e vitaminas do complexo B. Em

suínos na terminação e outros monogástricos, pode provocar toucinho devido à presença de

ácidos graxos insaturados, já nos ruminantes isto não ocorre devido a hidrogenização destes

ácidos no rúmen, o que os transforma em saturados (entrada de um hidrogênio na dupla

ligação da cadeia carbônica). Deve-se observar sempre o teor de gordura (EE) da dieta

total, que não deve ultrapassar a 6 %, o que pode provocar queda na digestibilidade da fibra,

principalmente a celulose e até diarréia nos animais. Recomenda-se utilizar até 20 % do

concentrado ou fixar em no máximo 1 kg por animal adulto ao dia. A tabela 9 mostra a

composição média do Arroz Farelo integral, de acordo com análises em experimentos

brasileiros

2.1.9 – Arroz Farelo desengordurado

É o farelo de arroz que foi prensado para retirada do óleo, possui maior teor de

Proteína Bruta e menor em energia, devido à retirada da gordura, é mais resistente à

rancificação e pode ser armazenado por até 3 meses. Em análises, deve-se observar possíveis

presenças de cascas nestes farelos, o que deprecia seu valor devido à redução da energia.

Menos que 14% de fibras. A tabela 10 mostra a composição média do Farelo de arroz

desengordurado, de acordo com análises em experimentos brasileiros.

Tabela 10. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DO ARROZ FARELO

DESENGORDURADO

Nutriente Média n s MS 89.40 13 1. MO 87.49 5 1. PB 17.53 19 1. NIDA/N 6.2 1 - EE 2.23 13 0. MM 10.26 6 1. FB 10.80 15 2. ENN 60.81 1 - CHO 69.70 5 1. FDN 25.48 2 1. FDA 14.27 4 1. LIGNINA 4.31 1 - EB 4.20 5 0. Ca 0.10 9 0. P 1.68 10 0. Mg 1.18 1 - K 1.89 1 - Na 0.08 1 - S 0.20 1 - Cu 9.11 1 - Fe 203.46 1 - Mn 452.66 1 - Zn 114.07 1 - Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)

2.1.10 – Aveia semente com casca – Avena sativa

É um concentrado energético que apresenta alto teor de fibras (devido à presença de

casca), porém de alta digestibilidade, apresenta boa aceitabilidade e é encontrada desde o sul

até o sudeste e centro oeste do Brasil, cultivada como cultura de inverno. Não existe

diferença nutricional entre as variedades de aveia em grãos (preta ou amarela), como é

crença entre criadores de cavalos. Deve apresentar uma densidade de 50%, ou seja, em cada

100 litros de aveia, deve-se ter 50 kg do grão. A tabela 11 mostra a composição média da

Aveia semente com casca, de acordo com análises em experimentos brasileiros.

Tabela 11. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DA AVEIA SEMENTE COM CASCA

Gossypium hirsutum Derivado(s) Selecionado(s) ALGODÃO CAROÇO; ALGODÃO CAROÇO MOÍDO; ALGODÃO CAROÇO QUEBRADO; ALGODÃO CAROÇO TOSTADO; ALGODÃO CAROÇO TRITURADO Nutriente Média n s MS 89.68 20 3. MO 95.29 14 4. PB 14.21 36 1. EE 5.05 17 1. MM 2.37 9 0. FB 7.56 10 4. ENN 67.95 4 1. CHO 78.09 4 1. FDN 27.69 7 3. FDA 23.53 11 3. HEM 18.67 1 - CEL 5.30 1 - LIGNINA 4.38 16 0. NDT 75.23 4 3. EB 4.77 1 - Ca 0.13 4 0. P 0.34 4 0. Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)

2.1.11 – Trigo Farelo – Triticum aestivum

Subproduto da fabricação da farinha de trigo para alimentação humana, o farelo de

trigo contém as camadas mais externas do grão (tegumento, aleurona, gérmen e parte de

amido). É classificado como concentrado energético por apresentar 14 a 15 % PB, porém é

baixo em energia devido a grande quantidade de fibras. Apresenta alta aceitabilidade pelos

animais e muito utilizado em rações para bezerros, novilhas, touros e animais com menor

exigência energética. O uso é limitado em animais confinados, quando desejamos alto

desempenho (tanto corte quanto leite), devido ao baixo valor energético. É rico em fósforo

2.2.1 – Soja grão – Glicine max

É o grão de oleaginosa mais cultivada no Brasil, com objetivo de produzir óleo para

alimentação humana. A semente da soja (grão) é rica em óleo (18%EE), com NDT de 90%,

proteínas (38%PB), média em fósforo e pobre em cálcio, vitamina D e caroteno. Tem ação

ligeiramente laxativa. Na forma crua, recomenda-se não ultrapassar 2 kg por animal adulto

ao dia, que pode ser oferecida inteira ou triturada. Após ser triturada, a soja rancifica

facilmente, devendo ser armazenada no máximo por 3 dias. É comum nas regiões

produtoras, o uso de soja com baixo padrão para a indústria, conhecida como “soja ardida”

este produto apresenta baixo custo, mas deve ser seco e livre de fungos (mofo). Apresenta

substancias tóxicas, inibidores da tripsina (sojina) que provoca hipertrofia pancreática e

crescimento retardado, por impedir a digestão de proteínas. As Fitoemaglutininas prejudicam

a absorção de todos os nutrientes, principalmente da glicose. Estes fatores são inativados

com o calor e a fermentação rumenal, portanto seu uso é limitado apenas para ruminantes

jovens e monogástricos. A presença de uréase (enzima que degrada a uréia em amônia), em

níveis maiores que 0.30 % é o principal indicativo da atividade de fatores ante nutricionais.

A mistura de uréia em rações contendo soja grão triturada, leva à perda do nitrogênio por

volatilização. A tabela 13 mostra a composição média da Soja Grão, de acordo com análises

em experimentos brasileiros.

Tabela 13. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E NUTRICIONAL DA SOJA GRÃO

Glycine Max (L.) Merr. Derivado(s) Selecionado(s)

SOJA EXTRUSADA; SOJA GRÃO INTEGRAL; SOJA GRÃO CRUA MOÍDA; SOJA GRÃO TOSTADA MOÍDA; SOJA INTEGRAL AUTOCLAVADA; SOJA INTEGRAL MICRONIZADA; SOJA INTEGRAL TOSTADA; SOJA TOSTADA Nutriente Média n s MS 91.18 61 2. MO 94.17 10 3. PB 39.01 68 3. NIDA/N 6.60 4 0. NIDN/N 17.27 2 3. EE 19.89 47 3. MM 5.01 40 0. FB 6.36 34 4. ENN 25.07 8 2. CHO 35.27 23 4. FDN 17.52 9 4. FDA 13.18 8 4. HEM 9.26 3 4. CEL 3.93 2 2. LIGNINA 2.69 7 1. NDT 84.50 2 0. DMS 77.55 2 12. DPB 65 2 6. EB 6.94 11 5. Ca 0.27 12 0. P 0.53 29 0. Mg 0.20 3 0. K 1.90 4 0. Na 0.02 3 0. Fonte: VALADARES FILHO, et al. (2006)

2.2.2 – Soja grão desativada – Glicine Max

O grão de soja pode ser tratado com temperatura e pressão (extrusão) ou apenas por

temperatura (tostada), com objetivo de desativar os princípios tóxicos, melhorar a

conservação e aumentar a digestibilidade dos nutrientes, isto possibilita o uso para

monogástricos e ruminantes de alta exigência energética, como em vacas leiteiras de alta

produção. Estes processos elevam o custo da soja e impossibilita o uso rotineiro deste

alimento, por este motivo ela é utilizada de preferência em rações para bovinos de elite,

bezerros em desmama precoce e alto desempenho em ganho de peso e produção de leite.

Este tratamento não extrai o óleo da soja, portanto deve-se limitar o EE da dieta total em no

máxi 6 %.