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Ismália é um poema de cinco estrofes de quatro versos com rimas alternadas que expressa a dualidade entre o plano físico e a alma. A personagem está presa entre o desejo de unir matéria e espírito, mas frustada pela consciência da distância intransponível que a separa de seu objetivo. O poema também aborda temas místicos, imaginários e subjetivos, desconsiderando a lógica e a razão em favor da intuição.
Tipologia: Resumos
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Ismália
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar
No sonho que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu.
Seu corpo desceu ao mar...
Características
O poema é de cinco estrofes de 4 versos, com rimas alternadas.
O poema expressa a dualidade entre corpo e alma.
Homem preso ao desejo de unir matéria e espírito, mas frustrado pela consciência da distância intransponível que o separa de seu objetivo.
Temas místicos, imaginários e subjetivos;
Há musicalidade e se ignoram questões sociais
Descarta-se a lógica e razão em privilégio da intuição
Primeiro
A torre tem um símbolo muito forte nos mitos e contos de fadas. É um símbolo de destruição\degeneração representando que algo não esta certo, que precisa ser mudado.
Na mitologia grega a princesa Danae é presa em uma torre pelo próprio pai, que ao ouvir uma profecia de que o filho da princesa iria mata-lo, prende a jovem em uma torre para que feneça e morra de fome. Ela é visitada por Zeus, pai dos deuses, que surge metamorfoseado em chuva de ouro e a fertiliza, lhe revitalizando com energia e proporcionando um filho que no futuro cumpriria a profecia
Almejando e desejando sempre a lua, Ismália poderia estar sonhando com um amor idealizado, se desprendendo da realidade (fugindo, se fechando em uma torre, ficando alheia ao mundo), o sonho de Ismália era porém inalcançável, tendo como única forma de realizá-lo através da morte, a maior das fugas e a solução para todos os problemas que atormentam o ser humano.
Ismália poderia ter se suicidado por ter sofrido com um abandono amoroso, iludindo-se com o retorno do amado. Ao perceber que tal coisa não aconteceria a heroica da fim a sua vida.
A morte da heroína apesar de trágica é bela. Ismália brilha, com uma beleza angelical ao chegar eu seu momento final " E como um anjo pendeu, as asas para voar... ". O poema concentra toda a carga trágica nestes últimos versos quando, sem mostrar medo ou hesitação Ismalia pula da torre e ascende aos céus como uma estrela iluminada.