Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Características e Aplicação de Tensoativos em Química Analítica, Notas de estudo de Bioquímica

Este documento discute as principais características do uso de tensoativos em química analítica, incluindo a formação de ambientes organizados, a melhoria da sensibilidade e seletividade em reações catalíticas, e a separação em duas fases isotrópicas. O texto também aborda os problemas iniciais relacionados ao uso de tensoativos, as diferenças entre tensoativos naturais e sintéticos, e a importância de seu emprego em detrimento de outras técnicas.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 28/10/2008

jane-beatriz-7
jane-beatriz-7 🇧🇷

1 documento

1 / 7

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
AMBIENTES MICELARES EM QUÍMICA ANALÍTICA
Nelson Maniasso
Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo, CP 96, 13400–970 Piracicaba - SP
Recebido em 20/12/99; aceito em 18/4/00
MICELLAR MEDIA IN ANALYTICAL CHEMISTRY. This review deals with the general use of the
surfactants in Analytical Chemistry. Principal characteristic of the micelle is the improvement in
selectivity and/or sensitivity of the analytical determination with emphasis on the catalytic reaction and
“cloud point” extraction.
Keywords: micellar media; cloud point extraction; catalytic reactions.
Revisão
Quim. Nova, Vol. 24, No. 1, 87-93, 2001.
INTRODUÇÃO
Tensoativos (surfactantes*) são importantes em Química
Analítica devido, principalmente, à sua capacidade em modifi-
car algumas propriedades reacionais com consequente melhoria
em sensibilidade e/ou seletividade analítica. As principais ca-
racterísticas do uso de tensoativos estão relacionadas à forma-
ção de ambientes organizados, também conhecidos como am-
bientes micelares1.
Nas últimas décadas, o uso de tensoativos teve um aumen-
to significativo em praticamente todos os campos da Química
Analítica, devido a suas características em modificar diferen-
tes propriedades reacionais associadas aos crescente emprego
destes compostos nos mais variados produtos de forma natu-
ral ou sintética1-4.
Os tensoativos são frequentemente empregados para modifi-
car o meio reacional permitindo solubilizar espécies de baixa
solubilidade ou promover um novo meio que pode modificar a
velocidade reacional, a posição de equilíbrio das reações quími-
cas e em alguns casos a estereoquímica destas dependendo da
natureza da reação, do tipo de reativo (eletrofílico, nucleofílico,
etc) e do tipo e forma (catiônica, aniônica, etc) da micela1-4.
Pode-se destacar o emprego de ambientes micelares princi-
palmente sob dois aspectos. O primeiro se refere à exploração
das características do ambiente micelar, formado no meio
reacional para a melhoria da sensibilidade e/ou seletividade,
com ênfase a reações catalíticas, e o segundo, se relaciona a
etapas de concentração e/ou separação, empregando tensoativos
em substituição às metodologias tradicionais (extração líqui-
do-líquido, troca iônica) pela separação em duas fases
isotrópicas, fenômeno este denominado “cloud point”. A apli-
cabilidade do meio micelar pode ser observada nos trabalhos
de Pelizzetti e Pramauro4 e Quina e Hinze5, para compostos
inorgânicos e orgânicos.
A ampla utilização dos tensoativos em óleos para automóveis,
na prospecção de petróleo, em fármacos, em produtos domésticos
tais como xampus, suavizantes, condicionadores, detergentes, cos-
méticos, etc 1,2 são indicativos de sua versatilidade.
Os problemas iniciais relacionados ao uso de tensoativos
nos mais diferentes produtos eram relativos ao emprego de
compostos não biodegradáveis, os quais proporcionavam séri-
os problemas de contaminação ao meio ambiente. Para soluci-
onar estes inconvenientes, novos tensoativos biodegradáveis
denominados “produtos verdes”, foram desenvolvidos. O de-
senvolvimento destes novos produtos associados aos já exis-
tentes propiciaram um incremento do uso dos mesmos em
Química Analítica.
Um tensoativo típico possui a estrutura R-X, onde R é uma
cadeia de hidrocarboneto variando de 8 –18 átomos (normal-
mente linear) e X é o grupo cabeça, polar (ou iônico). Depen-
dendo de X, os tensoativos podem ser classificados como não-
iônicos, catiônicos, aniônicos ou anfóteros4.
Um tensoativo catiônico possui em geral a formula RnX+Y-
, onde R representa uma ou mais cadeias hidrofóbicas, X é um
elemento capaz de formar uma estrutura catiônica e Y é um
contra íon. Em princípio, X pode ser N, P, S, As, Te, Sb, Bi
e os halogênios6,7.
Dentre os tensoativos aniônicos mais frequentemente utili-
zados, estão aqueles que possuem sais de ácidos carboxílicos
(graxos) monopróticos ou polipróticos com metais alcalinos
ou alcalinos terrosos, ácidos como sulfúrico, sulfônico e
fosfórico contendo um substituinte de hidrocarboneto saturado
ou insaturado8.
Para os anfóteros (os quais possuem ambos grupos aniônicos
e catiônicos no meio hidrofóbico), e dependendo do pH da
solução e da estrutura, pode prevalecer a espécie aniônica,
catiônica ou neutra. Os tensoativos anfóteros mais comuns
incluem N-alquil e C-alquil betaina e sultaina como também
álcool amino fosfatidil e ácidos9.
Os tensoativos não-iônicos são derivados do polioxietileno
e polioxipropileno (de compostos com alquil fenol e álcool,
esteres de ácidos graxos, alquilaminas, amidas e mercaptanas)
ou polialcoóis, esteres de carboidratos, amidas de álcoois
graxos e óxidos de amidas graxas10.
A Tabela 1, indica os principais agentes tensoativos empre-
gados para o estabelecimento de ambientes organizados visan-
do melhoria de desempenho em métodos analíticos.
Micelas são agregados moleculares, possuindo ambas as
regiões estruturais hidrofílica e hidrofóbica, que dinamicamen-
te se associam espontaneamente em solução aquosa a partir de
certa concentração crítica (CMC), formando grandes agrega-
dos moleculares de dimensões coloidais, chamados micelas.
Abaixo da CMC, o tensoativo está predominantemente na for-
ma de monômeros; quando a concentração está abaixo, porém
próxima da CMC, existe um equilíbrio dinâmico entre
monômeros e micelas3 (Figura 1). A combinação destas pro-
priedades distintas confere à molécula características únicas na
dissolução aquosa1-5. Em concentrações acima da CMC, as
micelas possuem um diâmetro entre 3-6 mm o que representa
de 30-200 monômeros. A CMC depende da estrutura do
tensoativo (tamanho da cadeia do hidrocarboneto) e das condi-
ções experimentais (força iônica, contra-íons, temperatura, etc).
* A definição da palavra surfactante é baseada na contração da frase
em inglês que descreve “surface-active agents” . Estes possuem uma
superfície ativa, devido à concentração de determinadas espécies em
uma região interfásica : ar-água, óleo-água ou sólido líquido.
pf3
pf4
pf5

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Características e Aplicação de Tensoativos em Química Analítica e outras Notas de estudo em PDF para Bioquímica, somente na Docsity!

AMBIENTES MICELARES EM QUÍMICA ANALÍTICA

Nelson Maniasso Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo, CP 96, 13400–970 Piracicaba - SP

Recebido em 20/12/99; aceito em 18/4/

MICELLAR MEDIA IN ANALYTICAL CHEMISTRY. This review deals with the general use of the surfactants in Analytical Chemistry. Principal characteristic of the micelle is the improvement in selectivity and/or sensitivity of the analytical determination with emphasis on the catalytic reaction and “cloud point” extraction.

Keywords: micellar media; cloud point extraction; catalytic reactions.

Quim. Nova, Vol. 24, No. 1, 87-93, 2001.^ Revisão

INTRODUÇÃO

Tensoativos (surfactantes *^ ) são importantes em Química Analítica devido, principalmente, à sua capacidade em modifi- car algumas propriedades reacionais com consequente melhoria em sensibilidade e/ou seletividade analítica. As principais ca- racterísticas do uso de tensoativos estão relacionadas à forma- ção de ambientes organizados, também conhecidos como am- bientes micelares 1. Nas últimas décadas, o uso de tensoativos teve um aumen- to significativo em praticamente todos os campos da Química Analítica, devido a suas características em modificar diferen- tes propriedades reacionais associadas aos crescente emprego destes compostos nos mais variados produtos de forma natu- ral ou sintética 1-^. Os tensoativos são frequentemente empregados para modifi- car o meio reacional permitindo solubilizar espécies de baixa solubilidade ou promover um novo meio que pode modificar a velocidade reacional, a posição de equilíbrio das reações quími- cas e em alguns casos a estereoquímica destas dependendo da natureza da reação, do tipo de reativo (eletrofílico, nucleofílico, etc) e do tipo e forma (catiônica, aniônica, etc) da micela1-4. Pode-se destacar o emprego de ambientes micelares princi- palmente sob dois aspectos. O primeiro se refere à exploração das características do ambiente micelar, formado no meio reacional para a melhoria da sensibilidade e/ou seletividade, com ênfase a reações catalíticas, e o segundo, se relaciona a etapas de concentração e/ou separação, empregando tensoativos em substituição às metodologias tradicionais (extração líqui- do-líquido, troca iônica) pela separação em duas fases isotrópicas, fenômeno este denominado “cloud point”. A apli- cabilidade do meio micelar pode ser observada nos trabalhos de Pelizzetti e Pramauro 4 e Quina e Hinze 5 , para compostos inorgânicos e orgânicos. A ampla utilização dos tensoativos em óleos para automóveis, na prospecção de petróleo, em fármacos, em produtos domésticos tais como xampus, suavizantes, condicionadores, detergentes, cos- méticos, etc 1,2^ são indicativos de sua versatilidade. Os problemas iniciais relacionados ao uso de tensoativos nos mais diferentes produtos eram relativos ao emprego de compostos não biodegradáveis, os quais proporcionavam séri- os problemas de contaminação ao meio ambiente. Para soluci- onar estes inconvenientes, novos tensoativos biodegradáveis

denominados “produtos verdes”, foram desenvolvidos. O de- senvolvimento destes novos produtos associados aos já exis- tentes propiciaram um incremento do uso dos mesmos em Química Analítica. Um tensoativo típico possui a estrutura R-X, onde R é uma cadeia de hidrocarboneto variando de 8 –18 átomos (normal- mente linear) e X é o grupo cabeça, polar (ou iônico). Depen- dendo de X, os tensoativos podem ser classificados como não- iônicos, catiônicos, aniônicos ou anfóteros 4. Um tensoativo catiônico possui em geral a formula R (^) n X +^ Y - , onde R representa uma ou mais cadeias hidrofóbicas, X é um elemento capaz de formar uma estrutura catiônica e Y é um contra íon. Em princípio, X pode ser N, P, S, As, Te, Sb, Bi e os halogênios 6,^. Dentre os tensoativos aniônicos mais frequentemente utili- zados, estão aqueles que possuem sais de ácidos carboxílicos (graxos) monopróticos ou polipróticos com metais alcalinos ou alcalinos terrosos, ácidos como sulfúrico, sulfônico e fosfórico contendo um substituinte de hidrocarboneto saturado ou insaturado 8. Para os anfóteros (os quais possuem ambos grupos aniônicos e catiônicos no meio hidrofóbico), e dependendo do pH da solução e da estrutura, pode prevalecer a espécie aniônica, catiônica ou neutra. Os tensoativos anfóteros mais comuns incluem N-alquil e C-alquil betaina e sultaina como também álcool amino fosfatidil e ácidos 9. Os tensoativos não-iônicos são derivados do polioxietileno e polioxipropileno (de compostos com alquil fenol e álcool, esteres de ácidos graxos, alquilaminas, amidas e mercaptanas) ou polialcoóis, esteres de carboidratos, amidas de álcoois graxos e óxidos de amidas graxas 10. A Tabela 1, indica os principais agentes tensoativos empre- gados para o estabelecimento de ambientes organizados visan- do melhoria de desempenho em métodos analíticos. Micelas são agregados moleculares, possuindo ambas as regiões estruturais hidrofílica e hidrofóbica, que dinamicamen- te se associam espontaneamente em solução aquosa a partir de certa concentração crítica (CMC), formando grandes agrega- dos moleculares de dimensões coloidais, chamados micelas. Abaixo da CMC, o tensoativo está predominantemente na for- ma de monômeros; quando a concentração está abaixo, porém próxima da CMC, existe um equilíbrio dinâmico entre monômeros e micelas 3 (Figura 1). A combinação destas pro- priedades distintas confere à molécula características únicas na dissolução aquosa 1-5^. Em concentrações acima da CMC, as micelas possuem um diâmetro entre 3-6 mm o que representa de 30-200 monômeros. A CMC depende da estrutura do tensoativo (tamanho da cadeia do hidrocarboneto) e das condi- ções experimentais (força iônica, contra-íons, temperatura, etc).

e-mail [email protected]

  • A definição da palavra surfactante é baseada na contração da frase em inglês que descreve “surface-active agents”. Estes possuem uma superfície ativa, devido à concentração de determinadas espécies em uma região interfásica : ar-água, óleo-água ou sólido líquido.

88 Maniasso Quim. Nova

As micelas são termodinamicamente estáveis e facilmente reprodutíveis, são destruídas pela diluição com água quando a concentração do tensoativo ficar abaixo da CMC 4. O processo de formação dos agregados ocorre num interva- lo pequeno de concentrações, e pode ser detectado pela varia- ção brusca produzida em determinadas propriedades físico- químicas da solução em função da concentração do tensoativo como a tensão superficial, pressão osmótica e condutividade (só para tensoativos iônicos) 11. Na Figura 2, é representada a variação de algumas propriedades e nela pode-se observar a mudança de comportamento que as mesmas experimentam ao alcançar a CMC 12.

aumento da energia livre do sistema. Quando este é dissolvi- do, o trabalho necessário para trazer uma molécula surfactante para a superfície é menor do que aquele relativo a uma molé- cula de água. A presença do tensoativo diminui o trabalho necessário para criar uma unidade de área de superfície (super- fície de energia livre ou tensão superficial) 12.

Tensoativos naturais e sintéticos

Tensoativos são compostos anfifílicos, orgânicos ou organo- metálicos que formam colóides ou micelas em solução. Subs- tâncias anfifílicas ou anfílicas são moléculas possuidoras de regiões distintas e características como hidrofóbicas e hidrofílicas. Como nestas substâncias apenas a polaridade das diferentes regiões varia enormemente, as mesmas são também denominadas de moléculas anfipáticas, heteropolares ou polar- não polares 13,^. Os tensoativos naturais incluem lipídeos simples (p. ex_._ ésteres de ácido carboxilílico), lipídeos complexos (esteres de ácidos graxos contendo fósforo, base nitrogenadas, e/ou açú- car) e ácidos bílicos tais como ácido cólico e deoxicólico.

Tabela 1. Agentes tensoativos de uso comum em Química Analítica.

TIPO AGENTE TENSOATIVO FORMULA CATIÔNICOS Brometo de cetiltrimetil amônio CH 3 (CH 2 ) 15 N +^ (CH 3 ) 3 Br - (CTAB) Brometo de dodeciltrimetil amônio CH 3 (CH 2 ) 11 N +^ (CH 3 ) 3 Br - (DTAB) Cloreto de cetilpiridino (CICP) ANIÔNICOS Dodecil sulfato sódico (SDS) CH 3 (CH 2 ) 11 SO 4 -^ Na + Bis(2-etilhexil) sulfosuccinato [CH 3 (CH 2 ) 3 CH(C 2 H 5 )CH 2 OCO] 2 CHSO 3 -^ Na + sódico (Aerosol OT) Dihexadecil fosfato (DHF) [CH 3 (CH 2 ) 15 O^ ] 2 PO 2 - NÃO IÔNICOS Polioxietileno (9-10) p-tercotil fenol (Triton X-100)

Polioxietileno (23) CH 3 (CH 2 ) 11 (OCH 2 CH 2 ) 23 OH dodecanol (brij 35) ANFÓTEROS 3-(dodecildimetil amônio) propano CH 3 (CH 2 ) 11 N +^ (CH 3 ) 2 (CH 2 ) 3 OSO 3 - 1-sulfato (SB-12) 4-(dodecildimetil amônio) CH 3 (CH 2 ) 11 N +^ (CH 3 ) 2 (CH 2 ) 3 COO - butirato (DAB)

Figura 1. Formação do agregado micelar.

O termo “interface” indica o limite entre as duas fases imiscíveis, e o termo “superfície” indica uma interface onde uma fase é liquida e a outra é gasosa, geralmente ar. A quan- tidade mínima de trabalho para criar a interface é chamada de energia interfacial livre, medida por unidade de área, quando a tensão superficial entre as duas fases é determinada. O tensoativo tem uma característica de estrutura molecular, consistindo de um grupo funcional que tem pequena atração pelo solvente chamado grupo liofílico. Este é conhecido como uma estrutura anfipática. Quando o tensoativo é dissolvido em um solvente, a presença do grupo liofóbico no interior do solvente causa uma distorção da estrutura líquida do solvente, aumentando a energia livre do sistema. Em solução aquosa com tensoativo, esta distorção da água pelo grupo liofóbico (hidrofóbico) do tensoativo resulta no

Figura 2. Variação de algumas propriedades físico-químicas. 1) Detergência, 2) Pressão osmótica, 3) Condutividade equivalente, 4) Tensão superficial, em função da concentração do tensoativo. A área hachureada corresponde à CMC.

90 Maniasso Quim. Nova

Tabela 2.

Comparação das características de diferentes tipos de agregados formados com o agente tensoativo.

Características

Micelas

Micelas Inversas

Micro Emulsões

Monocapas

Bicapas

Vesiculas

Constituinte

Tensoativo

Tensoativo

Tensoativo, co-tensoativo,

Tensoativo

Tensoativo com

Tensoativo com

solvente apolar

duas caudas

duas caudas

Método de

dissolver o tensoativo

Dissolver o tensoativo

Dissolver o tensoativo

Dissolver os tensoativos

Dissolver os tensoativos Submetendo a

preparação

[>CMC] em água

em sovente apolar

e co-tensoatico numa

livres em solvente

livres em solvente

solução

mistura de solventes

orgânico volátil sobre a

orgânico sobre um

a ultrasom

apolar-água

superfície aquosa

furo que conecta duas soluções aquosas

Estrutura Peso molecular

6

Depende da área

Depende da área

7

médio

coberta e da densidade

e da densidade coberta

da capa formada

da bicapa formada

Diametro (A)

¢^

Estabilidade

Semanas, meses

Semanas, meses

Semanas, meses

Horas, dias

Horas

Semanas

Diluição em água

Sào destruidas

Formam micro

o/aq + água =

São destruidas

São destruidas

Não se alteram

emulsões aq/o

micelas aquosasaq/o + água = separação de fases

Extraída da Tese de Doutoramento de Dolores Cecília Criado da Universidade de Córdoba

Vol. 24, No. 1 Ambientes Micelares em Química Analítica 91

Os mecanismos que envolvem esta modificação no meio reacional são complexos, e não totalmente estabelecidos, sen- do que várias teorias descrevem o que pode ocorrer durante este processo 25-^.

Aplicações analíticas

O uso de micelas oferece interessantes perspectivas na área dos métodos cinéticos de análises. Considerando as aplicações já descritas sobre a utilização de agregados micelares em dife- rentes campos da Química Analítica 3,21^ e tendo em conta os estudos físico-químicos teóricos sobre catálise micelar, o uso de micelas pode ajudar no desenvolvimento de novos métodos ou na modificação dos métodos cinéticos já existentes. Alguns dos problemas que, em princípio, podem ser solucionados são os seguintes: insolubilidade dos reativos que participam na reação, reações analíticas lentas, presença de reações colaterais, sensibilidade e/ou seletividade insuficientes, etc. É portanto surpreendente que até agora poucas aplicações tenham sido descritas, a maioria delas restritas a métodos de equilíbrio. Dentre estas características, podem ser citados alguns traba- lhos que empregam tensoativos para catalisar reações. Um exem- plo refere-se ao método espectrofotométrico para a determina- ção simultânea de misturas binárias de cianeto, sulfito e sulfato mediante a reação com o ácido 5,5- ditobis (2-nitrobenzóico) em presença de micelas catiônicas de CTAB. A presença das micelas incrementam a diferenciação das velocidades reacionais envolvidas, permitindo dessa forma a análise 31. A catálise micelar também tem sido utilizada para melhorar os métodos espectrofotométricos para a determinação do íon cianeto baseados nas reações deste íons com dissulfetos aro- máticos, tais como 5,5 ditio-bis-(2-ácido nitrobenzóico) e 4,4– ditiopiridina 32. Os produtos de reação são tiocianato orgânico e o ânion tiol, sendo a absorbância do ânion formado propor- cional à concentração do íon cianeto. O problema principal destes métodos é a lentidão das reações consideradas, reque- rendo-se de 90 a 120 minutos para se alcançar um valor cons- tante de absorbância. O uso de micelas catiônicas de CTAB aceleram a reação e as medidas podem realizar-se depois de 1 a 2 minutos da mistura dos reativos 33. É interessante destacar que a sensibilidade e seletividade dos métodos não diminui pela adição do agente tensoativo. Dentro deste contexto, situa-se também a determinação fluorimétrica de cianeto baseado no seu efeito catalítico sobre a reação de oxidação do pirodoxal-5-fosfato pelo oxigênio dis- solvido nas soluções. A adição do tensoativo DTAB 34 produz um aumento do sinal de fluorescência (ao redor de 100%) do produto formado 4-piridoxi ácido 5-fosfato, o que permite sua determinação com maior sensibilidade. Outra importante aplicação de micelas está no emprego em reações derivativas (pré-coluna ou pós-coluna) em cromato- grafia líquida de alta resolução combinada com detecção por fluorescência. Um exemplo é o uso de micelas de Triton

X-100 visando derivações pré-coluna, envolvendo ácidos car- boxílicos em matrizes biológicas em presença do reativo fluóforo 4–bromometil-7-metoxicumarina. Esta reação deriva- tiva não se produz em solução aquosa devido à solvatação do grupo carboxilíco do analito. A adição do tensoativo iônico Triton X-100 permite a extração do analito na fase micelar, possibilitando que o ácido carboxílico penetre até ao coração micelar, onde se solubiliza o reativo fluoróforo; para isto é necessário se adicionar um reativo lipofílico, brometo de tetrahexilamônio, que forma um par iônico com o analito^35. A importância da catálise micelar no desenvolvimento dos métodos cinéticos tem sido preconizada por diferentes auto- res 36,37^. Contudo, poucos estudos foram realizados até esta data neste sentido, apesar dos resultados promissores obtidos. O efeito da concentração dos reativos na pseudofase micelar permitiu a aplicação de um método cinético para a determina- ção de aminas, fenóis, tióis, hidrazinas, mediante sua reação com 1-fluor-2,4-dinitrobenzeno (FDNB), utilizando eletrodo seletivo para quantificar os íons fluoretos liberados 38. Estas reações de substituição nucleofílica são muito lentas em solu- ção aquosa, contudo a adição de tensoativos catiônicos e não iônicos produzem uma importante aceleração das mesmas, tor- nando possível seu uso para determinações cinéticas. Ainda, compostos aminados tais como celafexin, sulfametiazol e vári- os aminoácidos tem sido determinados 38. A relação entre as constantes de velocidade e a concentra- ção de tensoativo sugere que a interação entre a micela e os aminoácidos ocorre através da parte lipofílica e do grupo carboxílico da molécula, permitindo que o grupo amino livre reaja com FDNB 39. A presença de CTAB produz um aumento de 16 vezes na velocidade de reação no caso mais favorável (triptofano). Este efeito acelerador proporcionado pelas micelas de CTAB foi utilizado também para a determinação cinética de compostos fenólicos 38 e de drogas tais como a isoniazida utilizando a técnica de parada de fluxos 40. Os efeitos micelares sobre a cinética reacional também podem ser aplicados em análises de multicomponentes. Desta forma, a presença do tensoativo Triton X-100 no meio reacional permitiu a determinação simultânea de Ni(II) e de Co(II) usando 5- octiloximetil-8quinolinol como reativo comum. Ambos os ions metálicos formam complexo com este reativo, sendo a velocidade de reação excessivamente alta para o seu controle mediante técni- cas convencionais do monitoramento de reações rápidas. As velo- cidades de ambas as reações são inibidas pelo tensoativo Triton X-100, tornando possível o acompanhamento espectrofotométrico das mesmas mediante a técnica de parada de fluxos.

Pré-concentração em ambiente micelar empregando a metodologia de extração por “cloud point”

Os métodos empregados para determinação de espécies quí- micas que ocorrem em baixas concentrações utilizam em geral etapas de concentração e/ou separação prévias à determinação. Os processos mais comumente empregados para esta finalida- de são a extração líquido-líquido 41,42^ e a troca iônica, em geral envolvendo sorventes sólidos/resinas de troca iônica 43-47^. Con- tudo, são conhecidas as vantagens e as limitações que tais pro- cedimentos possuem quanto ao seu emprego 42,^. Nos últimos anos os ambientes organizados (micelas normal ou reversa, microemulsões, vesículas, etc.) tem sido empregados em praticamente todo o campo da Química Analítica na melhoria de métodos já existentes e/ou no desenvolvimento de novas metodologias, incluindo uma particular aplicação do meio orga- nizado em vários processos de separação. Como exemplo po- dem ser citadas as aplicações em HPLC, extração, filtração com gel, ultra-centrifugação, cromatografia com eletroforese capilar, as quais tem mostrado novas possibilidades de pesquisa na se- paração das moléculas em diversas áreas como biotecnologia, saúde pública ou no estudo de poluentes ambientais48-^.

Figura 4. A, B, C e D indicam as possibilidades de interação do substrato e a micela.

M ic e la

D

A

C

B

Vol. 24, No. 1 Ambientes Micelares em Química Analítica 93

  1. Preston, W. C.; J. Phys. Chem. 1948 , 52 , 848.
  2. Rosen, M. J.; “Surfactants and interfacial phenomena” , N.Y., Ed. Wiley-Interscience, 1978.
  3. Fendler, J. H.; Fendler, E. J.; “Catalysis in micellar and macromolecular systems” , N.Y., Ed. Academic Press, 1975.
  4. Shapiro, D.; “Chemistry of natural products” Paris, Vol IX, Ed. E. Lederer, 1969.
  5. Mysels, K. J.; “Introduction to colloid chemistry” , N.Y., Ed. Wiley Interscience, 1958.
  6. Tanford, C.; J. Phys. Chem. 1972 , 76 , 3020.
  7. Schott, H.; J. Pharm. Sci. , 1971 , 60 , 1594.
  8. Zografi, G.; Yalkowsky, S.H.; J. Pharm. Sci. , 1972 , 61 , 651.
  9. Mukerjee, P.; Mysels, K. J.; “Critical micelles concentration of aqueous surfactant systems” , Washington: U.S. Gov. Printing Office, Superintendent of Documents, 1971. (NSRDS-NBS 36.)
  10. Pilpel, N.; Chem. Ver. 1963 , 63 , 221.
  11. Durham, K.; “Surface activity and detergency” , N.Y., Ed.Macmillan, 1961.
  12. Cordes, E. H.; “Reaction kinects in micelles” , N.Y., Ed. Plenunn Press, 1973.
  13. Menger, F. M.; Jerkunica, J. M.; Johnston, J. C.; J. Am. Chem. Soc. 1978 , 100 , 4676.
  14. Menger, F. M.; Yoshinaga, H.; Venkatusubban, K. S.; J. Org. Chem. , 1981 , 46 , 415.
  15. Menger, F. M.; Nature 1985 , 313 , 603.
  16. Rodgers, M. A. J.; Chem. Phys. Letters 1981 , 78 , 509.
  17. Menger, F. M.; Doll, D. W.; J. Am. Chem. Soc. 1984 , 106 , 1109.
  18. Dill, K. A.; Koppel, D. E.; Cantor, R. S.; Dill, J. D.; Bendeclouch, D.; Chen, S. H.; Nature 1984 , 309 , 42.
  19. Cabane, B.; Nature 1985 , 314 , 385.
  20. González, V; Moreno, B; Sicilia, D.; Rubio, S.; Perez- Bendito, D.; Anal. Chem. 1993 , 65 , 1897.
  21. Love, L. J. C.; Habarta, J. G.; Dorsey, J. G.; Anal. Chem. 1984 , 56 , 1133.
  22. Sicilia, D.; Rubio, S.; Pérez-Bendito, D.; Maniasso, N.; Zagatto, E. A. G.; Analyst 1999 , 124 , 615.
  23. Mori, I.; Fujita, Y.; Fujita, K.; Nakahashi, Y.; Tanaka, T.; Shihara, S.; Fresenius Anal. Chem. 1988 , 330 , 619.
  24. Van der Horst, F. A. L.; Trends Anal. Chem. 1989 , 8 , 268.
  25. Hinze, W. L.; Singh, H. N.; Baba, Y.; Harvey, N. G.; Trends Anal. Chem. 1984 , 3 , 193.
    1. Athanasioumalaki, E.; Koupparis, M. A.; Anal. Chim. Acta 1989 , 219 , 295.
  26. Pérez-Bendito, D.; Rubio, S.; Anal. Chim. Acta 1989 , 224 , 185.
    1. Archontacki, H. A.; Koupparis, M. A.; Efstathiou, C. E.; Analyst 1989 , 114 , 591.
    2. Jungclaus, G. A.; Games, L. M.; Hites, R. A.; Anal. Chem. 1976 , 48 , 1894.
    3. Blanco. T.; Maniasso, N.; Giné, M. F.; Jacintho, A. O.; Analyst 1988 , 123 , 191.
  27. Basu, D. K.; Saxena, J.; Environ. Sci. Technol. 1978 , 12 , 791.
  28. Symons, R. K.; Crick, I.; Anal. Chim. Acta 1983 , 151 , 237.
    1. van Rossum, P.; Webb, R. G.; J. Chrom. 1979 , 150 , 237.
    2. Inukai, Y.; Chinen, T.; Matsuda, T.; Kaida, Y.; Yasuda, S.; Anal. Chim. Acta 1998 , 371 , 187.
    3. Xu, B. X.; Fang, Y. Z.; Talanta , 1988 , 35 , 891.
    4. Pinto, C. G.; Pavón, J. L. P.; Cordero, B. M.; Anal. Chem. 1992 , 64 , 2334.
    5. Laespada, M. E. F.; Pavón, J. L. P.; Cordero, B. M.; Analyst 1993 , 118 , 209.
    6. Colambara, R.; Tavares, M. F. M.; Massaro, S.; Quim. Nova 1997 , 20 , 512.
    7. Cordero, B. M.; Pavón, J. L. P.; Pinto, C. G.; Laespada, M. E. F.; Talanta 1993 , 40 , 1703.
    8. Saitoh, T.; Hinze, W.; Anal. Chem. 1991 , 63 , 2520.
    9. Saitoh, T.; Tani, H.; Kamidate, T.; Watanabe, H.; Trends in Anal. Chem. 1995 , 14 , 213.
    10. Ferrer, R.; Beltrán, J. L.; Guiteras, J.; Anal. Chim. Acta 1996 , 330 , 199.
    11. Sirimanne, S. R.; Barr, J. R.; Patterson Jr, D. G.; Anal. Chem. 1996 , 68 , 1556.
    12. Corti, M.; Mimeiro, C.; Digiorgio, V.; J. Phys. Chem , 1984 , 88 , 309.
    13. Degiorgio, V.; Piazza, R.; Corti, M.; Mineiro, C.; J. Phys. Chem. 1985 , 82 , 1025.
    14. Goldstein, R. E.; J. Phys. Chem. 1986 , 84 , 3367.
    15. Watanabe, H.; Tanaka, H.; Talanta 1978 , 52 , 585.
    16. Hoshino, H.; Saitoh, T.; Taketomi, H.; Yotsuyanagi, T.; Anal. Chim. Acta 1983 , 147 , 339.
    17. Silva, M. F.; Fernandez, L. P.; Olsina, R. A.; Analyst 1998 , 123 , 1803.
    18. Sicilia, D.; Rubio, S.; Pérez-Bendito, D.; Maniasso, N.; Zagatto, E. A. G.; Anal. Chim. Acta 1999 , 392 , 29