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Técnicas de Análise Instrumental: Aplicações na Indústria de Biocombustíveis, Manuais, Projetos, Pesquisas de Farmácia

Analises quimica instrumental para estudo

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2019

Compartilhado em 22/08/2019

itamara-avila-7
itamara-avila-7 🇧🇷

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Análise Química Instrumental e sua Aplicação
em Controle de Qualidade de Biocombustíveis
Resumo
As técnicas analíticas instrumentais de maior uso nos laboratórios de análise
química tanto para controle de qualidade como para fins industriais e ambientais
são as cromatográficas, as eletroquímicas e as espectroscópicas. Para o correto
entendimento de tais técnicas são abordados os aspectos técnico-científicos e
econômicos envolvidos na escolha para uso na determinação genérica de analitos
orgânicos ou inorgânicos, além de discutidas aplicações em casos reais voltados
para o controle químico de qualidade na indústria de biocombustível, conforme
resoluções da ANP, utilizando-se diferentes técnicas de maneira associada.
Introdução
As técnicas analíticas instrumentais têm-se destacado sobremaneira nos últimos
anos pelos avanços tecnológicos, tanto na montagem de sistemas analíticos
mais robustos e de menor tamanho, quanto no desenvolvimento de softwares
de operação e tratamento de dados que otimizam o tempo de análise e de
interpretação dos resultados obtidos, o que têm levado, em associação a outros
fatores de mercado, a uma redução nos preços dos equipamentos de laboratório.
Partindo-se do pressuposto de que a Química Analítica é uma ciência fundamental
para garantir a qualidade de um amplo conjunto de produtos industriais, não
necessariamente químicos, e de que sem sua aplicação também não seria possível
a determinação de compostos químicos de importância ambiental, farmacológica,
industrial, etc., é pertinente ter um conhecimento introdutório que auxilie àqueles
que possam vir a fazer uso de análises químicas em sua atuação profissional.
As técnicas de análise química instrumental podem ser agrupadas em três grandes
áreas principais: Cromatografia, Eletroquímica e Espectroscopia, com cada uma
delas caracterizando-se por suas particularidades e pelas espécies químicas
de interesse (analitos) possíveis de detecção e/ou quantificação. É importante
ressaltar que para a devida aplicação de cada uma delas em certos casos é
necessário que antes a matriz analítica passe por um processo de extração (ou
separação) do analito, o que envolve a utilização de técnicas de separação líquido-
líquido, sólido-líquido, micro-extração em fase sólida, digestão ácida, digestão
em micro-ondas, destilação, headspace, fluido supercrítico, dentre outras,
de maneira que se tenha o analito em uma forma fisicamente detectável pela
técnica de análise instrumental adequada, sendo também necessária, em muitos
casos, a realização de pré-concentração e clean up do analito. Como indicativos
de extração, o coeficiente de partição, Kd, é um parâmetro bastante utilizado
quando se tem um analito não-polar presente em uma fase aquosa e que deverá
ser extraído por um solvente orgânico também não-polar (ex.: naftaleno em
água extraído com n-hexano para análise por Cromatografia Gasosa), onde este
coeficiente expressa a capacidade, ou eficiência, do solvente em extrair o analito
do meio em que este último se encontra, pois quanto maior o valor de Kd maior a
capacidade de extração de um solvente orgânico não-polar em meio aquoso.
Brasília, DF
Dezembro, 2010
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ISSN 2177-4420
Autor
Sílvio Vaz Jr.
Químico, Dr. em
Química Analítica, Pes-
quisador A, Embrapa
Agroenergia (DF),
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Baixe Técnicas de Análise Instrumental: Aplicações na Indústria de Biocombustíveis e outras Manuais, Projetos, Pesquisas em PDF para Farmácia, somente na Docsity!

Análise Química Instrumental e sua Aplicação

em Controle de Qualidade de Biocombustíveis

Resumo

As técnicas analíticas instrumentais de maior uso nos laboratórios de análise química tanto para controle de qualidade como para fins industriais e ambientais são as cromatográficas, as eletroquímicas e as espectroscópicas. Para o correto entendimento de tais técnicas são abordados os aspectos técnico-científicos e econômicos envolvidos na escolha para uso na determinação genérica de analitos orgânicos ou inorgânicos, além de discutidas aplicações em casos reais voltados para o controle químico de qualidade na indústria de biocombustível, conforme resoluções da ANP, utilizando-se diferentes técnicas de maneira associada.

Introdução

As técnicas analíticas instrumentais têm-se destacado sobremaneira nos últimos anos pelos avanços tecnológicos, tanto na montagem de sistemas analíticos mais robustos e de menor tamanho, quanto no desenvolvimento de softwares de operação e tratamento de dados que otimizam o tempo de análise e de interpretação dos resultados obtidos, o que têm levado, em associação a outros fatores de mercado, a uma redução nos preços dos equipamentos de laboratório.

Partindo-se do pressuposto de que a Química Analítica é uma ciência fundamental para garantir a qualidade de um amplo conjunto de produtos industriais, não necessariamente químicos, e de que sem sua aplicação também não seria possível a determinação de compostos químicos de importância ambiental, farmacológica, industrial, etc., é pertinente ter um conhecimento introdutório que auxilie àqueles que possam vir a fazer uso de análises químicas em sua atuação profissional.

As técnicas de análise química instrumental podem ser agrupadas em três grandes áreas principais: Cromatografia, Eletroquímica e Espectroscopia, com cada uma delas caracterizando-se por suas particularidades e pelas espécies químicas de interesse (analitos) possíveis de detecção e/ou quantificação. É importante ressaltar que para a devida aplicação de cada uma delas em certos casos é necessário que antes a matriz analítica passe por um processo de extração (ou separação) do analito, o que envolve a utilização de técnicas de separação líquido- líquido, sólido-líquido, micro-extração em fase sólida, digestão ácida, digestão em micro-ondas, destilação, headspace , fluido supercrítico, dentre outras, de maneira que se tenha o analito em uma forma fisicamente detectável pela técnica de análise instrumental adequada, sendo também necessária, em muitos casos, a realização de pré-concentração e clean up do analito. Como indicativos de extração, o coeficiente de partição, Kd, é um parâmetro bastante utilizado quando se tem um analito não-polar presente em uma fase aquosa e que deverá ser extraído por um solvente orgânico também não-polar (ex.: naftaleno em água extraído com n -hexano para análise por Cromatografia Gasosa), onde este coeficiente expressa a capacidade, ou eficiência, do solvente em extrair o analito do meio em que este último se encontra, pois quanto maior o valor de Kd maior a capacidade de extração de um solvente orgânico não-polar em meio aquoso.

Brasília, DF Dezembro, 2010

ISSN 2177-

Autor

Sílvio Vaz Jr. Químico, Dr. em Química Analítica, Pes- quisador A, Embrapa Agroenergia (DF), [email protected].

De uma forma geral, a aplicação de uma técnica

de análise instrumental dentro de um método

analítico segue um procedimento comum

ilustrado na Figura 1.

A amostragem é a etapa inicial que garante que

uma amostra é representativa do material de que é

retirada, atentando-se para o fato da necessidade

de minimização de erros. A preparação é a etapa

na qual a amostra passa por procedimento que tem

por objetivo torná-la fisicamente disponível para

a separação e/ou para a detecção (ex.: moagem,

solubilização, digestão, extração por partição,

etc.), ressaltando que em algumas técnicas a

amostra preparada poderá seguir diretamente para

a detecção. Na etapa de separação a amostra tem

separado seus constituintes químicos a partir de

mecanismos de interação soluto-solvente (ex.:

fisiosorção e quimisorção ), enquanto que na etapa

da detecção tem-se a intensidade de resposta do

analito ao princípio operacional do detector (ex.:

corrente elétrica, radiação absorvida, radiação

emitida, etc.), o que leva à obtenção de um

resultado analítico viável de interpretação e uso

prático.

Objetivo

Esta Circular Técnica tem por objetivo apresentar

as técnicas analíticas instrumentais de maior uso

em análises químicas e demonstrar sua aplicação

no controle de qualidade de biocombustíveis

(biodiesel e etanol).

Fig. 1. Esquema operacional genérico de processo de análise instrumental. Fonte: adaptado de EURACHEM (2002).

Amostragem (^) Preparação

Separação

Detecção Resultado analítico

Escolha de Técnicas Analíticas Instru- mentais A aplicação das técnicas pode ser do tipo on line , com a análise sendo realizada de forma integrada para preparação-separação- detecção, e na maioria das vezes automatizada, ou off line com a preparação, separação e detecção não estando integradas. Para a escolha de uma técnica de análise instrumental devem ser levados em conta os seguintes aspectos técnico- científicos e econômicos:

  • O analito de interesse e suas características físico-químicas (solubilidade, pKa, especiação, etc.);
  • A matriz analítica ao qual o analito encontra-se sorvido (água, ar, solo, sedimento, fluido biológico, planta, resíduos industriais, etc.) e seu estado físico (sólido, líquido ou gasoso);
  • Necessidade de obtenção do resultado a curto, médio ou a longo período de tempo;
  • Existência de método analítico desenvolvido e/ou validado que atenda aos Limites de Detecção ou de Quantificação exigidos por lei para o analito;
  • Impacto gerado pelo resultado analítico (ex.: liberação de um lote de produto ou monitoramento da potabilidade de águas);
  • Robustez da técnica, com baixo desvio- padrão dos resultados, independentemente das condições de uso;
  • Técnica destrutiva ou não-destrutiva;
  • Resposta analítica satisfatória;
  • Custo por análise.

Desta forma, após serem avaliados estes aspectos no todo ou em parte, terá início a análise química.

Técnicas Cromatográficas As técnicas cromatográficas são, por definição conceitual e operacional, técnicas de separação as quais encontram-se acopladas às técnicas de detecção. Podem ser citadas cinco técnicas cromatográficas de largo uso em laboratórios analíticos, considerando-se os mecanismos

Técnica’ Eletroquímica

Tipo de uso Aplicações

Matrizes Analíticas

Preparação

Tempo de Análise* Amperometria Determinação da concentração de espécies eletroativas orgânicas e inorgânicas em soluções estáticas ou dinâmicas.

Análises de espécies orgânicas e inorgânicas de interesse industrial e ambiental. Análises biomédicas.

Solúveis em solventes polares.

Separação de interferentes.

Alguns segundos -alguns minutos.

Potenciometria Determinação seletiva de íons orgânicos e inorgânicos em solução.

Análise de íons em processos industriais em batelada ou contínuo. Análise e monitoramento de poluentes. Determinação do valor do pH do meio.

Líquidas e gasosas.

Ajuste de pH, dissolução.

5 seg – 1 min. 1 min – 5 min.

Tabela 2. Características operacionais das técnicas eletroquímicas.

*Sem levar em conta o tempo de preparo da amostra.

das técnicas espectroscópicas mais relevantes são apresentadas na Tabela 3.

Aplicações em Associado das Técnicas Instrumentais Frequentemente tem-se um conjunto de parâmetros analíticos para satisfazer a uma determinada legis- lação, tenha ela caráter ambiental ou caráter indus- trial, o que necessita da aplicação em conjunto das técnicas cromatográficas, eletroquímicas e espec- troscópicas.

Um exemplo da aplicação destas técnicas de forma associada é para o caso do controle químico da qualidade de biocombustíveis, como pode ser obser- vado nas Tabelas 4 e 5, conforme as Resoluções n^0 36/2005 (Etanol Combustível) e n^0 42/2004 (Biodie- sel) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Os parâmetros analíticos apresentados nas Tabelas 4 e 5 têm por principais objetivos garantir tanto a qualidade do combustível que se está utilizando quanto a conformidade deste para a comercialização nacional e internacional, segundo padrões físico- -químicos de controle já estabelecidos.

toramento da corrente elétrica, ou para a obtenção

do valor do potencial do analito em comparação

ao potencial de um eletrodo de referência. Destas

técnicas podem se destacar a Amperometria, as

Voltametrias e a Potenciometria, com suas caracte-

rísticas apresentadas na Tabela 2.

Técnicas Espectroscópicas Nas técnicas espectroscópicas tem-se a resposta analítica vinda da interação do analito, orgânico ou inorgânico, com a radiação eletromagnética em diferentes comprimentos de onda. Estão divididas em técnicas espectroscópicas atômicas e técnicas espectroscópicas moleculares, onde as primeiras observam o efeito da absorção da radiação por um determinado átomo e as segundas observam o efeito da absorção da radiação por uma determinada molécula ou grupamento químico.

Atualmente existe um grande número de técnicas espectroscópicas, destacando-se aquelas que têm uma maior aplicação, como: Espectrofotometria de Absorção na Região do UV-Visível, Espectroscopia de Absorção na Região do Infravermelho Médio com Transformada de Fourier, Espectroscopia de Absorção Atômica, Espectroscopia de Emis- são Atômica, Espectroscopia de Fluorescência e Ressonância Magnética Nuclear. As características

Técnica Espectroscópica Tipo de uso Aplicações

Matrizes Analíticas

Preparação

Tempo de Análise*

Espectrofotometria de Absorção na Região do UV-Visível (molecular: transição de elétrons de valência)

Determinação quantitativa e estudo de cinética química.

Análise qualitativa de compostos moleculares e iônicos orgânicos e inorgânicos para fins ambientais e de controle de qualidade.

Sólida, líquida e gasosa.

Diluição, dissolução, filtração, complexação, ajuste de pH.

2 min – 30 min.

Espectroscopia na de Absorção na Região do Infravermelho Médio com Transformada de Fourier (molecular: vibrações moleculares)

Determinação qualitativa.

Análise estrutural de compostos orgânicos e organometálicos para controle de produtos e processos.

Sólida, líquida e gasosa.

Pastilha sólida de KBr. Dissolução em solvente líquido não-polar.

1 min – 10 min.

Absorção Atômica (atômica: transições eletrônicas)

Determinação quantitativa.

Análise quantitativa de elementos metálicos para fins ambientais e de controle de qualidade.

Sólida, líquida e gasosa.

Diluição, dissolução, filtração e digestão ácida ou em micro- ondas.

10 seg – 2 min.

Emissão Atômica com Plasma Indutivamente Acoplado (atômica: transições eletrônicas)

Determinação quantitativa.

Análise quantitativa de elementos químicos para fins ambientais e de controle de qualidade.

Líquida. Diluição, dissolução, filtração e ajuste de pH.

30 min – 60 min.

Espectrometria de Massas (molecular/atômica: fragmentação)

Determinação qualitativa e quantitativa.

Análise estrutural e quantitativa de compostos orgânicos e elementos químicos.

Líquida. Diluição, dissolução, filtração e ajuste de pH.

5 min – 10 min.

Fluorescência Atômica (atômica: transições eletrônicas)

Determinação quantitativa.

Análise de metais e semi- metais para fins ambientas e de controle de produto. Análise elementar.

Sólida, líquida e gasosa.

Compactação, dissolução, adsorção.

Minutos – 24 h.

Ressonância Magnética Nuclear (atômica: transições de spin nuclear)

Determinação qualitativa.

Análise estrutural de compostos orgânicos.

Sólida e líquida. Compactação, dissolução em solvente líquido deuterado.

5 min – 48 h.

Difração de Raios X (atômica: transições eletrônicas)

Determinação qualitativa.

Analise estrutural de compostos orgânicos e inorgânicos.

Sólida. Pulverização. Minutos – dias.

Tabela 3. Características operacionais das técnicas espectroscópicas.

*Sem levar em conta o tempo de preparo da amostra.

Exemplares desta edição podem ser adquiridos na: Embrapa Agroenergia Endereço: Parque Estação Biológica - PqEB s/n, Brasília, DF Fone: (61) 3448- Fax: (61) 3448- E-mail: [email protected] 1 a^ edição 1 a^ edição (2010)

Presidente: José Manuel Cabral de Sousa Dias. Secretária-Executiva: Rachel Leal da Silva. Membros: Betânia Ferraz Quirino, Daniela Garcia Collares, Esdras Sundfeld.

Supervisão editorial: José Manuel Cabral de Sousa Dias. Revisão de texto: José Manuel Cabral de Sousa Dias. Editoração eletrônica: Maria Goreti Braga dos Santos. Normalização bibliográfica: Maria Iara Pereira Machado.

Comitê de publicações

Expediente

Circular Técnica, 03

devidamente qualificados respondendo pelos

processos analíticos.

Apesar de todas as facilidades proporcionadas,

deve-se ter em conta a compreensão e

aplicação dos métodos analíticos clássicos,

como os titrimétricos, o que aumenta em muito

as possibilidades de uso e de detecção das

técnicas instrumentais.

Referências

AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS

NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS. Resolução n^0 36 ,

de 06 dez. 2005. Disponível em: < http://www.

anp.gov.br/ >. Acesso em: dez. 2010.

AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS

NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS. Resolução n^0 42 ,

de 24 nov. 2004. Disponível em: < http://www.

anp.gov.br/ >. Acesso em: dez. 2010.

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SILVERSTEIN, R. M.; WEBSTER, F. X. Identificação espectroscópica de compostos orgânicos. 6. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora,