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APENDICITE AGUDA E APENDICECTOMIA, Resumos de Cirurgia Geral

Tudo sobre a patologia, anatomia, diagnóstico, tratamento clínico e cirúrgico, indicações e métodos e técnicas cirúrgicas. Tudo atualizado e completo, referenciado em livros e artigos atuais.

Tipologia: Resumos

2023

À venda por 04/08/2023

maria-luisa-cordeiro-5
maria-luisa-cordeiro-5 🇧🇷

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CNICAS CIRÚRG ICAS 02
AN AT OMIA
O apêndice é um órgão do intestino médio e é identificado pela primeira vez na oitava semana de gestação
como uma dilatação do ceco. À medida que a gestação progride, o apêndice torna-se mais alongado e tubular,
enquanto o ceco roda medialmente e torna-se fixo no quadrante inferior direito do abdome. Como um órgão do
intestino médio, a vascularização arterial do apêndice é derivada da artéria mesentérica superior. A artéria
ileocólica, um dos principais ramos da artéria mesentérica superior, origem à artéria apendicular, que
caminha no mesoapêndice.
O apêndice tem dimensões variáveis (3 a 35 cm de
comprimento), mas em média tem 9 cm de
comprimento nos adultos. Sua base pode ser
identificada com segurança na área de convergência
das tênias na ponta do ceco, e elevando depois a base
do apêndice para definir o curso e a posição da sua
ponta, que tem localização variável.
A ponta do apêndice pode ser encontrada em uma
série de localizações, com a mais comum sendo
retrocecal (mas intraperitoneal) em aproximadamente
60% dos indivíduos, pélvica em 30% e retroperitoneal
em 7% a 10%.
Localização: próximo à válvula ileocecal (2-3 cm) e
fica na confluência das tênias;
Vascularização: artéria apendicular, ramo da íleo-
cólica, que, por sua vez, é ramo da cólica direita, que
é ramo da mesentérica superior, que vem da artéria
aorta.
ET IOLOGIA E FIS IO PA TOLOGIA
Como é um órgão vestigial, o mais normal é que se encontrem os fecálitos,
mas pode ter hiperplasia de células linfoides, parasitos e tudo isso contribui
com a proliferação. Pode ter bactéria, muco, que leva à inflamação. Quando
tem um maior crescimento bacteriano e muco, distende as paredes do
peritônio e vai dar uma dor periumbilical (por conta da origem embriológica do
apêndice, que tem origem no intestino médio, por isso, quando tem a ativação
dos nociceptores, causa a dor periumbilical). Com a distensão, aumenta a
pressão e dificulta a drenagem linfática e venosa, iniciando uma isquemia e
aumentando o processo inflamatório, que é mais localizado porque pega o
peritônio visceral, iniciando uma dor localizada, inflamação, gangrena... Com
o passar das horas, vai ter isquemia, diminui a drenagem venosa e linfática,
necrose da parede e em 24-48h a dor se localiza, variando de acordo com a
localização do apêndice.
Regressão
espontânea Após 48h: Necrose Após 72h: Perfuração Abcesso
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TÉCNICAS CIRÚRGICAS 02

ANATOMIA O apêndice é um órgão do intestino médio e é identificado pela primeira vez na oitava semana de gestação como uma dilatação do ceco. À medida que a gestação progride, o apêndice torna-se mais alongado e tubular, enquanto o ceco roda medialmente e torna-se fixo no quadrante inferior direito do abdome. Como um órgão do intestino médio, a vascularização arterial do apêndice é derivada da artéria mesentérica superior. A artéria ileocólica, um dos principais ramos da artéria mesentérica superior, dá origem à artéria apendicular, que caminha no mesoapêndice.

  • O apêndice tem dimensões variáveis (3 a 35 cm de comprimento), mas em média tem 9 cm de comprimento nos adultos. Sua base pode ser identificada com segurança na área de convergência das tênias na ponta do ceco, e elevando depois a base do apêndice para definir o curso e a posição da sua ponta, que tem localização variável.
  • A ponta do apêndice pode ser encontrada em uma série de localizações, com a mais comum sendo retrocecal (mas intraperitoneal) em aproximadamente 60% dos indivíduos, pélvica em 30% e retroperitoneal em 7% a 10%.
  • Localização: próximo à válvula ileocecal (2-3 cm) e fica na confluência das tênias;
  • Vascularização: artéria apendicular, ramo da íleo- cólica, que, por sua vez, é ramo da cólica direita, que é ramo da mesentérica superior, que vem da artéria aorta. ETIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA Como é um órgão vestigial, o mais normal é que se encontrem os fecálitos, mas pode ter hiperplasia de células linfoides, parasitos e tudo isso contribui com a proliferação. Pode ter bactéria, muco, que leva à inflamação. Quando tem um maior crescimento bacteriano e muco, distende as paredes do peritônio e vai dar uma dor periumbilical (por conta da origem embriológica do apêndice, que tem origem no intestino médio, por isso, quando tem a ativação dos nociceptores, causa a dor periumbilical). Com a distensão, aumenta a pressão e dificulta a drenagem linfática e venosa, iniciando uma isquemia e aumentando o processo inflamatório, que é mais localizado porque pega o peritônio visceral, iniciando uma dor localizada, inflamação, gangrena... Com o passar das horas, vai ter isquemia, diminui a drenagem venosa e linfática, necrose da parede e em 24-48h a dor se localiza, variando de acordo com a localização do apêndice. Regressão espontânea Após 48h: Necrose Após 72h: Perfuração Abcesso

CLASSIFICAÇÃO EDEMATOSA/SUPURATIVA

  • É uma apendicite não complicada;
  • A supurativa o edema já se expande um pouco na parede, a edematosa é mais localizada. GANGRENOSA/ PERFURADA
  • É uma apendicite complicada
  • A gangrenosa começa a ter a necrose da parede e quando há perfuração dessa parede, classifica-se em perfurada. Essa classificação define o tratamento. EXAME FÍSICO
  • Geralmente, não há mudanças significativas nos sinais vitais;
  • Defesa voluntária > involuntária;
  • Ruídos hidroaéreos reduzidos na fossa ilíaca direita, por causa do processo inflamatório
  • Perfuração: hipotensão, taquicardia, abdome tenso e distendido, com contração muscular generalizada e ausência de ruídos hidroaéreos. SINAL DE BLUMBERG Dor à descompressão no ponto de McBurney, que se localiza no terço proximal da crista ilíaca. SINAL DE ROVSING Os gases, líquidos, voltam, fazem caminho e o paciente refere dor no apêndice quando se faz pressão na fossa ilíaca esquerda. SINAL DO PSOAS Dor na hiperextensão da coxa ilíaca direita, à contrarresistência. O psoas encosta no apêndice, causando dor, quando ele está mais posterior, é uma apendicite retrocecal SINAL DO OBTURADOR Dor à flexão da coxa direita. Se positivo, é um apêndice pélvico.
  • Alto: opera sem precisar fazer um exame de imagem;
  • Intermediário: TC ou USG e reexamina, se positivo, cirurgia; se incerto, laparoscopia ou interna e reavalia;
  • Baixa: se for um idoso ou não confiável, reexamina e faz TC, se der positivo, opera. Se der negativo, dar alta. Se for um jovem, orientado, pode dar alta e orienta. Qual primeiro exame de imagem eu devo solicitar para um paciente com abdômen agudo? Raio-X.
  • Incidência: Laurell, o paciente fica em decúbito lateral com raios horizontais; Achados comuns:
  • Sempre avaliar se há presença de pneumoperitônio;
  • Alça sentinela em FID;
  • Nível hidroaéreo no ceco e no íleo;
  • Fecalito em FID;
  • Apagamento da sombra do músculo psoas direito; USG
  • USG mostrando as paredes espessadas, líquido livre, se chama “imagem em alvo”.
  • Imagem em alvo
  • Apêndice com diâmetro >7mm
  • Apêndice não compressível, porque está comprimido
  • Parede espessada
  • Presença de apendicolito
  • Sinal de Blumberg ultrassonográfico
  • O apêndice inflamado está usualmente aumentado, imóvel e não compressível. TOMOGRAFIA A TC é o estudo de imagem mais comum para diagnosticar apendicite e é altamente efetiva e precisa. A administração de contraste oral e retal não está recomendada. O diagnóstico de apendicite na TC baseia-se na aparência de um apêndice espessado, inflamado, com “estriações” circundantes indicativas de inflamação. O apêndice tem normalmente mais de 7 mm de diâmetro com uma parede espessada, inflamada e fixação mural ou “sinal de alvo”. O líquido ou ar periapendicular é também altamente sugestivo de apendicite e sugere perfuração. Nos casos em que o apêndice não é visualizado, a ausência de achados inflamatórios na TC sugere que apendicite não está presente.
  • Densificação da gordura;
  • Fecalito hiperdenso;
  • Primeira imagem: apêndice espessado, inflamado e cheio de líquido (sinal de alvo).
  • Segunda imagem: a seta aponta para o apêndice espessado, alongado, com a gordura periapendicular estriada e líquido em torno da ponta do apêndice. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
  • Doença inflamatória pélvica , se esperaria achar uma dor mais suprapúbica, corrimento vaginal, geralmente purulento, de odor fétido; no exame físico se esperaria a dor ao toque vaginal;
  • Colecistite, se esperaria achar dificuldade de respirar, dor grave no hipocôndrio direito, desencadeada com alimentação;
  • Úlcera Péptica Perfurada, se esperaria achar uma dor intensa, taquicárdico, sudorético com irritação peritoneal difusa;
  • Ureterolitíase, se esperaria achar uma dor recorrente, hematúria, dor migratória;
  • Cisto ovariano roto, se esperaria achar apetite preservado, o paciente com apendicite tem anorexia;
  • Gravidez ectópica, se esperaria achar atraso menstrual;
  • Pielonefrite, se esperaria achar o Sinal de Giordano positivo;
  • Gastroenterite, se esperaria achar uma dor associada a diarreia, que geralmente não precisa de um exame de imagem para definir;
  • Adenite mesentérica aguda, se esperaria achar um quadro de diarreia associado, mas o que define é um exame de imagem. As bactérias mais prevalentes no quadro de apendicite são E. Coli e Bacterioides fragilis. ANAERÓBIOS
  • Bacteroides fragilis: 80 %
  • Bacteroides thetaiotaomicron: 61 %
  • Bilophila wadsworthia: 55 %
  • Peptostreptococcus spp.: 46 % AERÓBIOS
  • Escherichia coli: 77 %
  • Estreptococos viridans: 43 %
  • Estreptococos Group D: 27 %
  • Pseudomonas aeruginosa: 18 %

APENDICECTOMIA VIDEOLAPAROSCÓPICA Para a apendicectomia laparoscópica, o paciente é colocado na posição supina. A bexiga é esvaziada com um cateter vesical ou pela micção imediatamente antes da cirurgia. O abdome é acessado na zona do umbigo, e o diagnóstico é confirmado pela inserção do laparoscópio. Duas portas de trabalho adicionais são colocadas, normalmente no quadrante inferior esquerdo e na área suprapúbica ou linha média supraumbilical, com base na preferência do cirurgião. Percebemos ser vantajoso para o cirurgião e para o assistente estar à esquerda do paciente com seu membro superior esquerdo ao longo do corpo. Isso permite uma triangulação ótima da câmera e dos instrumentos de trabalho. São usadas pinças atraumáticas para levantar o apêndice, e o mesoapêndice é cuidadosamente seccionado usando a pinça bipolar ou com clipes metálicos. A base é depois suturada com endoloops, e o apêndice, seccionado. Em alternativa, o apêndice pode ser seccionado com um grampeador endoscópico. A pelve é irrigada, os trocartes removidos e as feridas fechadas.

  • Principalmente em obesos e em mulheres;
  • Gestantes: contraindicação relativa; 2º trimestre é o mais seguro para fazer;
  • Quando coloca o primeiro trocáter, que é o da incisão umbilical, tem uma cânula que está acoplada a um reservatório com gás, distendendo toda a cavidade, gerando um pneumoperitônio;
  • Depois que o apêndice fica solto, isola a base e sepulta o coto, retirando o apêndice;
  • Com o trocáter que direciona o apêndice, retira o trocáter e o apêndice juntos.

COMPLICAÇÕES

  • Infecção de ferida operatória;
  • Obstrução intestinal; TRATAMENTO DE ABCESSO APENDICULAR (SEM PERFURAÇÃO)
  • Por exemplo, um paciente chegou com um abcesso de 4-6 cm, sem perfuração, na FID. Começa antibiótico e faz uma drenagem percutânea (guiada por USG ou TC). Se tiver melhora, libera dieta, ATB. Depois de 2 a 4 semanas faz uma colonoscopia porque ele pode ter uma neoplasia como causa. Se ele não melhora, faz cirurgia.
  • Se o abcesso for pequeno e estiver afebril, libera dieta, ATB depois colonoscopia. Se tiver febril/séptico, faz drenagem e antibiótico. CASO CLÍNICO Mulher de 32 anos comparece ao pronto-socorro com dor abdominal, anorexia, náuseas e febre baixa. A dor se iniciou na região abdominal periumbilical há 12 horas e agora se encontra no quadrante inferior direito do abdome. A dor era de natureza estável e agravou-se com a tosse. O exame físico revela febre (38ºC), FC 96 bpm e dor à palpação do quadrante inferior direito. Diagnóstico sindrômico: abdome agudo inflamatório Diagnóstico etiológico: apendicite aguda, colecistite, doença inflamatória pélvica, diverticulite, gravidez ectópica, pancreatite, se fosse um homem poderia pensar em ureterolitíase Quais exames solicitar: USG, hemograma, PCR, Raio-X (é o principal exame devido ao pneumoperitônio) Como tratar: ATB e apendicectomia Perguntas durante a aula:
  • Classificando pelos sintomas, pelo tempo, localização, seria uma apendicite não complicada.
  • Agravou com a tosse: sinal de Dunphy (dor à percussão do ponto de McBurney ou dor ao tossir), pode ser indicativo de apendicite
  • No escore de Avarado, pontua: náusea (1), anorexia (1), dor migratória para FID (1), febre (1) e dor à palpação de FID (2) = 6 pontos. Solicitaria um BHCG, Raio-X, USG, TC (esses de imagem estão em ordem de prioridade para pedir), Hemograma, PCR, Sumário de Urina.
  • Conduta: jejum, hidratação, analgesia, consultar alergias, antiemético, antibioticoterapia e cirurgia, estes dois últimos são os pilares da cirurgia.
  • Até 10% dos casos de apendicite o paciente pode não apresentar leucocitose;