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Apostila Bio Mol, Notas de estudo de Agronomia

Ótimo matérial

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 22/07/2011

osvaldo-nogueira-nogueira-6
osvaldo-nogueira-nogueira-6 🇧🇷

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1. ESTRUTURA DO DNA.
A molécula de DNA é constituída por uma seqüência de nucleotídeos, que por sua
vez é formado por três diferentes tipos de moléculas:
Um açúcar (pentose)
O açúcar que compõe o DNA é a pentose desoxirribose.
Já, no RNA a pentose é a ribose.
Um grupo fosfato
Uma base nitrogenada
As bases nitrogenadas são derivadas de compostos heterocíclicos que são as
purinas ou pirimidinas.
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1. ESTRUTURA DO DNA.

A molécula de DNA é constituída por uma seqüência de nucleotídeos, que por sua vez é formado por três diferentes tipos de moléculas:

Um açúcar (pentose)

O açúcar que compõe o DNA é a pentose desoxirribose.

Já, no RNA a pentose é a ribose.

Um grupo fosfato

Uma base nitrogenada

As bases nitrogenadas são derivadas de compostos heterocíclicos que são as purinas ou pirimidinas.

No DNA existem quatro tipos de bases:

Adenina

Timina

Guanina

Citosina

  • A ligação entre o grupo fosfato e a pentose:

Esta ligação é feita através de uma ligação fosfoéster com a hidroxila ligada ao carbono-5 da pentose.

Para a formação da molécula de DNA é necessário que ocorra a ligação entre os nucleotídeos.

Os nucleotídeos estão ligados covalentemente por ligações fosfodiéster formando entre si pontes de fosfato.

O grupo hidroxila do carbono-3 da pentose do primeiro nucleotídeo se liga ao grupo fosfato ligado à hidroxila do carbono-5 da pentose do segundo nucleotídeo através de uma ligação fosfodiéster.

Devido a esta formação a cadeia de DNA fica com uma direção determinada, isto é, em uma extremidade temos livre a hidroxila do carbono-5 da primeira pentose e na outra temos livre a hidroxila do carbono-3 da última pentose.

Isto determina que o crescimento do DNA se faça na direção de 5'para 3'.

Sabendo-se como são feitas as ligações entre os nucleotídeos, formando assim a fita de DNA, podemos analisar a estrutura tridimensional do DNA.

James Watson e Francis Crick postularam um modelo tridimensional para a estrutura do DNA baseando-se em estudos de difração de raios-X.

A relação espacial entre as duas fitas cria um sulco principal e um sulco secundário.

O pareamento das bases de cada fita se dá de maneira padronizada, sempre uma purina com uma pirimidina, especificamente: adenina com timina e citosina com guanina.

A proximidade destas bases possibilita a formação de pontes de hidrogênio, sendo que adenina forma duas pontes de hidrogênio com a timina e a citosina forma três pontes com a guanina.

A dupla hélice é mantida unida por duas forças:

  • Por pontes de hidrogênio formadas pelas bases complementares

  • Por interações hidrofóbicas, que forçam as bases a se "esconderem" dentro da dupla hélice.

Estudos recentes mostram que existem duas formas de DNA com a hélice girando para a direita, chamadas A-DNA e B-DNA, e uma forma que gira para a esquerda chamada Z-DNA. A diferença entre as duas formas que giram para a direita está na distância necessária para fazer uma volta completa da hélice e no ângulo que as bases fazem com o eixo da hélice.

B-DNA: Tem a dupla hélice mais longa e mais fina. Para completar uma volta na hélice são necessários 10 pares de bases.

A-DNA: Tem a forma mais curta e mais grossa. Para completar uma volta na hélice são necessários 11 pares de bases.

  • O estado superenrolado é menos estável que o estado relaxado. Para desfazer o "supercoil" é necessário uma quebra em uma das cadeias de DNA.
  • Em Procariotos, o superenrolamento é feito por um grupo de enzimas denominadas "topoisomerases II", enquanto que o relaxamento é feito pela "topoisomerase I".
  • Ambas topoisomerases catalizam a quebra e a religação de ligações fosfodiéster do DNA.

Propriedades Físicas e Químicas do DNA.

Soluções de DNA, em pH = 7,0 e temperatura ambiente, são altamente viscosas;

A altas temperaturas ou pH extremos o DNA sofre desnaturação, isto porque ocorre ruptura das pontes de hidrogênio entre os pares de bases. Esta desnaturação faz com que diminua a viscosidade da solução de DNA;

Durante a desnaturação nenhuma ligação covalente é desfeita, ficando portanto as duas fitas de DNA separadas;

Quando o pH e a temperatura voltam ao normal, as duas fitas de DNA espontaneamente se enrolam formando novamente o DNA dupla fita. Este processo envolve duas etapas:

  • A primeira é mais lenta pois envolve o encontro casual das fitas complementares de DNA, formando um curto segmento de dupla hélice.

  • A segunda etapa é mais rápida e envolve a formação das pontes de hidrogênio entre as bases complementares reconstruindo a conformação tridimensional.

2. REPLICAÇÃO DO DNA.

O DNA é a molécula que transmite a informação genética e tem a capacidade de se auto-duplicar. Uma cópia do DNA é passado para a célula-filha durante a divisão celular. A este processo de auto-duplicação do DNA deu-se o nome de replicação.

Replicação do DNA é o processo de auto-duplicação do material genético mantendo assim o padrão de herança ao longo das gerações.

Surgiram algumas dúvidas a respeito da replicação do DNA:

Quando a replicação se completa, tem-se a fita velha pareada com a fita nova ou a fita velha com a velha e a nova com a nova?

O DNA sofre replicação semi-conservativa.

Duas teorias tentaram explicar a replicação do DNA:

  • Teoria conservativa: Cada fita do DNA sofre duplicação e as fitas formadas sofrem pareamento resultando num novo DNA dupla fita, sem a participação das fitas "parentais" (fita nova com fita nova formam uma dupla hélice e fita velha com fita velha formam a outra dupla fita).
  • Teoria semi-conservativa: Cada fita do DNA é duplicada formando uma fita híbrida, isto é, a fita velha pareia com a fita nova formando um novo DNA.

Estas hipóteses foram testadas pelo experimento de Meselson-Stahl.

Como se dá à replicação propriamente dita?

Experimento:

Células de E.coli crescidas por várias gerações, num meio onde a única fonte de nitrogênio era cloreto de amônio (NH4Cl) com a substituição do nitrogênio normal (14N ) por nitrogênio "pesado" (15N ).

Desta forma, todos os componentes nitrogenados das células que cresceram neste meio, incluindo as bases do DNA, estariam enriquecidos por nitrogênio "pesado". A densidade dos componentes das células crescidas em 15N é maior do que a dos componentes das células crescidas em meio "normal" (14N) , no caso o DNA das células "parentais".

A análise do experimento foi feita por ultra-centrifugação utilizando uma solução concentrada de cloreto de césio.

John Cairns evidenciou por auto-radiografias a presença de "olhos" ou "bolhas de replicação" nos cromossomos circulares de bactérias crescidas em meio de cultura contendo [3H] - timidina.

A análise indica que o DNA dupla hélice se replica por um processo progressivo de separação das duas fitas parentais, acompanhada pela síntese de uma nova cadeia complementar a este DNA (fita filha).

A extremidade onde está a "bolha" de replicação é chamada de forquilha de replicação.

Uma "bolha" de replicação pode ter uma ou duas forquilhas. Se tiver apenas uma forquilha significa que a replicação é unidirecional e se tiver duas forquilhas a replicação é bidirecional. Com base nos estudos auto-radiográficos, demonstrou-se que a replicação do DNA é bidirecional (uma "bolha" de replicação com duas forquilhas que se movimentam em sentidos opostos).

Em procariotos e bacteriófagos, o DNA tem apenas uma "bolha" de replicação, enquanto que em eucariotos existem várias "bolhas" de replicação que estão distribuídas ao longo do DNA.

A tensão formada pelo "andamento" da forquilha de replicação ao longo do DNA é solucionada pela ação de algumas enzimas.

DNA girase

À medida que a forquilha de replicação "anda" pela dupla fita de DNA, começa a aparecer uma tensão na porção logo à frente da forquilha, devido ao "supercoil" do DNA.

Para aliviar esta pressão do "supercoil" um grupo de enzimas, denominadas de topoisomerases, quebram momentaneamente o DNA, fazendo com que este sofra algumas rotações e em seguida este mesmo grupo de enzimas refazem a ligação "quebrada".

Em procariotos estas topoisomerases são conhecidas como DNA girase. Este processo de desenrolamento do DNA é extremamente importante em procariotos.

Antibióticos do tipo ovobiocina e ácido oxolínico inibem a ligação da DNA girase ao DNA. O emprego destes inibidores levam a formação de mutantes.

Como ocorre a replicação sendo as fitas são anti-paralelas?

A replicação do DNA é semi-descontínua.

Sabemos que as fitas do DNA são anti-paralelas (uma fita tem direção de 5’ para 3’ enquanto que a outra tem a direção de 3’ para 5’).

  • atividade exonucleásica de 3´ para 5´: retira os nucleotídeos de DNA que possam estar errados.É importante para os mecanismos de reparo do DNA.
  • atividade exonucleásica de 5´para 3´: retira os nucleotídeos que fazem parte dos "primers" de RNA.

DNA polimerase II:

Ainda não tem suas funções bem definidas.

DNA polimerase III:

Enzima que forma os fragmentos de Okazaki. Possui atividade polimerásica e exonucleásica. Ocorre em baixa concentração na célula.

A DNA polimerase III faz parte de um grande complexo enzimático constituído por sete subunidades: a, e, q, t, g, d e b.

A DNA polimerase III propriamente dita é formada por três destas subunidades: a, b e e.

  • Subunidade a: somente esta subunidade tem ação polimerásica e exonucleásica de 5’para 3’.
  • Subunidade b: liga a DNA polimerase III ao molde do "primer" e este processo requer a hidrólise de ATP.
  • Subunidade e: tem ação exonucleásica de 3’ para 5’. As outras subunidades, do complexo enzimático, são todos necessários à função biológica da enzima.

Replicação da fita descontínua:

É importante sempre ter em mente que:

  • A replicação da fita descontínua é feita pela DNA polimerase, portanto na direção de 5’para 3’.
  • Todas as DNA polimerases requerem, para a produção da fita de DNA, a hidroxila da extremidade 3’ livre.

Com ênfase na fita descontínua, experimentos foram desenvolvidos a fim de se conhecer o início da síntese desta fita já que a porção livre é a hidroxila 5’.

A análise dos fragmentos de Okazaki revelou que a porção final deste fragmento consiste de um curto segmento de RNA ("primer" de RNA) e o restante do fragmento é composto por DNA.

A DNA polimerase I possui atividade exonucleásica e polimerásica. Em sua atividade exonucleásica, agindo na direção de 5’para 3’, remove nucleotídeo por nucleotídeo do "primer" de RNA e à medida que estes nucleotídeos vão sendo removidos a DNA polimerase I, em sua atividade polimerásica, vai adicionando desoxirribonucleotídeos completando o fragmento com moléculas de DNA.

Os segmentos formados, agora compostos apenas de moléculas de DNA, são ligados entre si covalentemente formando a nova fita de DNA.

Esta ligação é feita por uma enzima chamada de DNA ligase.

A DNA ligase forma uma ligação fosfodiéster entre o grupo OH - 3’ na extremidade de um segmento com o grupo OH - 5’ do próximo segmento, liberando pirofosfato.

DNA Ligase

É uma enzima que faz as ligações covalentes entre os fragmentos de Okazaki formando assim a fita descontínua.

Quadro – Enzimas de Replicação:

DNA polimerases

Existem três tipos de DNA polimerases em procariotos:

  • DNA polimerase I
  • DNA polimerase II
  • DNA polimerase III

Procariotos I II III Atividade polimerásica 5’--3’ + + + Atividade exonucleásica 3’--5’ + + + Atividade exonucleásica 5’--3’ + - - Moléculas presentes por célula 400? 10-

Existem quatro tipos de DNA polimerases em eucariotos:

  • DNA polimerase a
  • DNA polimerase b
  • DNA polimerase g
  • DNA polimerase e

Eucariotos a b g d Atividade polimerásica 5’--3’ + + + + Atividade exonucleásica 3’--5’ + - - + Localização na célula núcleo núcleo mitocôndria núcleo Associado a DNA primase + - - -

Para que haja economia da enzima DNA polimerase I e de tempo a fita descontínua sofre uma torção, que chamamos de "splicing"

O "splicing" é formado de modo que uma única DNA polimerase I replique, simultaneamente, as duas fitas de DNA.