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Apostila Cidadania, Notas de estudo de Engenharia de Produção

Prof.Dilvo Peruzzo

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 16/09/2015

thais-batista-22
thais-batista-22 🇧🇷

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CIDADANIA O InpivíDuo E A SOCIEDADE . EXEMPLOS DA UNIVERSALIDADE DAS INFLUÊNCIAS SOCIAIS 1. Homens e Mulheres Quem convida a quem para dançar? Quem normalmen- te assume a maior parte da educação das crianças num casa- mento? Quem cuida da cozinha? dos afazeres domésticos? Quem tem mais probabilidade de parar de trabalhar quando casa? e quem tem mais probabilidade ainda de parar de ter filhos? Quem, em geral, faz as propostas sexuais? Quem gasta mais tempo no adorno pessoal? À quem outros avaliam pelo menos: tanto em termos dos seus atrativos pessoais coma em termos do trabalho gue fazem ou de outras qualidade? Quase ninguém terá dificuldade em responder a essas perguntas e & maioria, mas nem todos, de modo algum, estará descrevendo seu próprio comportamento no dar a resposta que considera adequada, Qual é a razão pata as diferentes maneiras de se comportar que a máioria das pessoas espera de homens e mu- lheres na nossa sociedade hoje em dia? Por existirem diferenças fisiológicas e biológicas entre homens e mulheres, muitas vezes se supõe que a Fisiologia e a Biologia sejam diretamente respon- sáveis por essas diferentes maneiras de comportamento, O arm gúmento é de que o comportamento tsualmente adotado por homens e mulheres não é uia coisa social e sim natural. Dat ser fácil caracterizar as pessoas que não se comportam das maneiras esperadas como sendo, de algum modo, antinaturais. Margaret Mead, num jivro famoso, Sex and Temperament in Three Primitive Societies, dispôs-se a mostrar, usando exem- plos dos seus estudos na Nova Guiné, que muitas das dife renças entre os sexos muitas vezes atribuídas à Biologia na verdade são de origem social (Mead, 1935). Uma das vanta- gens da Nova Guiné como área de investigação é que, embo- ra ali existam muitas sociedades diferentes, historicamente tem havido pouca mistura entre clas durante longos períodos, de modo que se pode encontrar muitas maneiras diferentes de se &) INTRODUÇÃO CRÍTICA À SOCIOLOGIA tudes de homens e mulheres devem ser procuradas não em sua composição fisiológica, mas na maneira como suas sociedades são dispostas. Margaret Mead compara várias sociedades. Ela usa o método comparativo, o que é muito útil para o tipo de problema que propõe que certas formas de comportamento são universais ou naturais. Investigando a variedade de comporta- mento em diferentes. sociedades, podemos fazer provas para ver so tais afirmações são verdadeiras ou não, Pode-se usar à história do mesmo modo, para pôr à prova a validade de pro- posições sobre a universalidade ou naturalidade de padrões de comportamento. Talvez em nossá própria sociedade, em outros tempas, as coisas fossem feitas diferentemente, caso em que podemos atribuir uma derivação social ao fenômeno particular que está sendo estudado, Pode-se notar outra coisa importan- te na descrição das três sociedades dada acima, Mead dá ênfa- se particular aos padrões da criação de filhos ao explicar as diferenças nas sociedades. A explicação é feita em termos de socialização. Mas temos procurado sugerir que o método pelo qual se produz a riqueza de uma sociedade (nesses casos, ali- mento) «, com os Tchambuli, a mudança na base de produ. ção, está atrás do comportemento e da socialização) Pela pro- va dada, essa explicação parece eminentemente razoável, Mas ela realmente ilustra a maneirá como as coisas que diferentes sociólogos consideram importantes podem afetar não só n ex- plicação que dão do que observam mas também o que conside- tam merecedor de ênfase no que observam, O que nos traz de volta aos problemas dos sociólogos a que nos referimos no capitulo 1. Tentamos mostrar que algo que comumente se supõe ser de origem biológica na verdade é social, a fim de ilustrar a universalidade do social, a importância da explicação socioló- gica, que é o tema principal desta seção, Também podemos observar que a investigação sociológica é relevante para os problemas sobre as relações entre as mulheres e o lar & a cria- 2: O INDIVÍDUO E A SOCIEDADE ção de filhos, problemas que frequentemente são descritos co- mo “problemas das mulheres” na imprensa “de primeira”, já que maior número dé mulheres da classe média começou a exigir direito de trabalhar é tem havido mais. pressão econômi- ca para quê etas trabalhem. Muitas vezes se afiniia ser antina- tural e errado uma mulher trabalhar enquanto seus filhos ain- da são pequenos e muitas mulheres têm consideráveis confli- tos sobre as pressões cruzadas a que se sentem sujeitas. Está claro gue; historicamente, as mulheres da classe operária nun- ca tiveram a oportunidade de tal escolha, De modo geral, on- de Havia trabalho à sua disposição, tinham de aceitá-lo por necessidade econômica, À medida que as pessoas da classe trabalhadora se têm esforçado para melhorar seus padrões de vida, o mesmo tipo de escolha, e de dilema, começa a se tor- nar significativo para algumas delas, Mas uma olhada no mun- do de hoje nos mostra que as expectativas sobre as relações das mulheres para com a família e o trabalho não são as mes- mas em toda parte, mas variam de uma sociedade pata outra e também estão mudando dentro das mesmas sociedades. Es- ses “problemas das mulheres” se originam mais da estrutura da sociedade do que das próprias mulheres. Um intêressante estudo das Nações Unidas ilustra isso. Esse estudo comparou os relatórios de psiquiatras sobre as causas de neurose em mu» lheres casadas, com famílias, em diferentes países (Organiza- ção Mundial da Saúde, 1966). Um psiquiatra da Toheco-Es- lováguia informou que os problemas cram muito frequentes entre aquele grupo de mulheres que não estavam trabalhan- do, mas que passavam o tempo em casa com os filhos. As que combinam o trabalho com a educação de filhos tinham menos probabilidade de sofrer de neuroses. fPor outro lado, um psiquiatra da Espanha, informando sobre problemas das mu- lheres espanholas da classe média e mais abastadas, relatava o oposto. As que realmente combinavam q ltabalho com a educação de filhos é que tinham tensão mental, Como pod 43 s+ uau fossa op ouejd ojod epep ogssaiduy e eso sfos eloquia 'ser-gogdxa vivd eo pum nosogrjo ogjua » ospae J0d nugos -sop se ofo onb JEsuad sOlupjIaAdp" ON 'seG5EjaloS sesjno SEJ “JUS NOTUOOUS aque wroygand 'ojuamrou onno Janbjenh uz onb op apre Y 9 Eyueu ep om ou ajuanhosy steur a “ou -Joati] OU onb Op OgIaA OU lnuioo sjpuz eso onb 'sogno mo emb op vip op sopojzod soja wma ajuanbazy sieur vio ojproms ap elousppm É enb oxejo ss-nowzo) “opmuoo 'sjaammodsip seo] “Sejso 5E LUOO supeICdiOS Opuenb SESIpIISAU] UIBIO IUBAR)OI -I29e seja anb sog5isodoid se enb Jensom suapod os anbiod no sugjej qJudweado, wasso; onbiod no 'sisapyuajsnsul umas sagipandxa sesso sepo; onb nousow “ejiojornos =p omjosqe 2240] op'anoj um 9 enb “o3Ag nos op ogãas vunN *(sonno FSCADIA Ojprojns. um, enb ap eigpi E) oiênoa 3 apepotenpas «o “fervor vS0s0p “vões “euIgo OUIOS Sal0jej uia Sepeaseg “Bo -odo ejonbe gje sepejuasside opis wequi onb sotpyoins so rued sapôtatidxo Se sepo ajuamesopepmo nopnjsa tUraippndT| Sepp -a90s sepeuIula]aop tIvd opepieom o apepiejei op ssopur so enb op sazejngss sjeui “opepios eu isosenfos ajuoarepeu IPJORI)XO UIEIO “OImO EIBd OUU UM ap, “olpjns ap sap so “stejoy sendendod sz wos ogieIedmoo mo “sosea ap oJougtu ouanbad op oyadssp 3 'ejaepor “oxno esed oue um ap" “pep apos tonbjenb ua sampur snas sou sopueis alteiseq sapõeri BA JBISÓSS JOABOZEI Ejios “feroos ajuopodinos mnguou ossem -U9 Opu"opuo Jenpiaspur oxdisosop ap. oje Um assoy orpiagas 9 95 "PAPIOU ojnur ojey un njSing “sepyseue é “ig ojno -88 O queInp snodozna sasjnd souza Bird sor Op seDusAmISS SE Jejajos 10] 297 nb O “sopipaynoosr seproms ap sojuazed ap ogáeisdova E noJnoord oonodurz 'segzex seus “sep JeBepay esed oipjoms o opejusy ureiácy onb sonpjarpur Jemooad *umifs opow ap “nojão; ogu. uwayyIng “| ojmjdes “om somepnjsa enb otistoafie op opssesdw, 2 JEp 9 ojuaund “J2 TOS O SIUONIPA|SSOOKS JVJUSJES E UNIINÇ LADAD] SOz0A SE onb ilojoofsa q effojopos vp agónnar 7 anbeye ajso 2a aavazidos Y A ONgJalaNF Q ; br “(BE *dpd) SONPIAIPUY Wajspto 98 05 Iso wepod ogu sujso anb q sopepaços Ursa end , BOuSuI é “BOIOE JSASU Wss0d onh apusaidimoo Ss OgN :NoAdJOsa “OJAI] OB OoFjord NOS ON 'SOnpIAIp -U; SOp OpnISo OE [BANDAI SJRomITEO) BIS UU Ojuoureniodwos Op opmsa O anb IBNSOL JEjND TO] Opnjso asso napiigorduio enb Jod sogzez sep em (ZS6D) UIpEnd opa ap Pppms xx ojnogs op oJsuos op sosiâgjonos sópnise sosourey sys sop WN Pp OjunssE O LUIIgoId assa 10J *ojuejaua 'ogssaadap ep no jeossad oJadsssop Op OWIXZUI OtISI)XS OU OnPIAIpUF tm Jo vpeuro; opstoop vm “Soje SOp [2npraTpur sigy O gusaarvd Otpjoms Op O O 'spossod sep grope v Exed "ojuounfig o 1251071 pIed ojdiaxo sp odij ormo somar “iodo enb to 12/05 Olxajuoo o agos ofje somsges opugnb sepraidxs Jos urpod 9s seja onb sowensow 2 “jemeu,, no poiojoig tus “PO ap sepriapjsuoo sisasf sogõejal sep ojdimoxe Um somueiy -0) “BIZOS OP SPBPIJESISMUN EP OBSENSUOUp essoL WA ppInS “T . “(9961 “SMoIAD Soxoyjmu sep jeixos o zonuguosa 'jsos ogdru -jpuóqus 8 avarasad exed sopesn Opis Lgy 'ajo soymy AP Serop -BIO ONTOS seJatjnu sep «BALBOIÓIA,, OBSEZIEjOdSO E SIgos so) -uawndar so onb JeAJasgo UIPQUIB), SOUIBINSPOg "Sos0IoU OUIOS sepessasdxo ops onb sagsuo sy Wofuo pp Oss; 9 umposse as seja tuanh uloo sgossod sÉp ejIONêLI ep stájjejoodxo se usos 0) -muoo mo piso ojuamegsodinoo nos onb 9 vurajgord o — Taro -D5 BZOIMEU SP OBS Sozoujnur sep seurojgosd sop sesnea, se onb Sam SsPuOL cmarenjaqua, “souonbad soujy oo 'sepejsege SIBUI 2 EIP9UI asse(o EP SozoMJau se [ewIon 9 BU equedsg er enb a 'usreyeqea souanbod! souyz uios Sotoujmur se jetmIo! 9 eimbraojsg-ooajoL eu onb sotsgus onb zoa vin opeuojnjos ? emajgoId O. 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SOpIvo sigmap SO 9 OIgoIgo Ossou “eympe EPIA E oguquo Op sottgiso Sonemud sog “BUTUOUE EU FIEp XX JEÍ O “Y OUOSSOMOI UM IXTIGR 9S “ONTUDUI UM FIOsLU 9 AX Jd op ogóemras FISABY “X OUTOSSOUIOO IA JOXNOM AprozojenTIadso O 98 “K [ENXOS DUIOSSOMOI UM Elatizo 9IÚMIAS OJNAÇ O GUTO) “O[BAO O ENaIrad oprozojeuiradsa O anb 9 aJuEIsTE OU LieSamoo susto a salsa ajdo SOLNHIIONTINISA a sLH 'sOoz Op osods sp 7 Omeg 'S2P BOL BIA ORNEI "SIVIAS SOULNOONASTA APPCC VS VV rr E we www wa 7. INTEGRAÇÃO SOCIAL Pérsia Santos de Oliveira Introdução A aciotogia Ática ISOLAMENTO SOCIAL » Acompanhe a descrição de dois casos de isolamento social, em que seres humanos foram criados desde pequenos entre animais: -" . Ramu, o "menino-lobo", criado numa alcatéia e recolhido por pessoas que 9 encontraram quando tinha 1 O anos de idade, morreu sábado numa instituição dirigida por Madre Teresa de Calcutá. (...) Ramu chegou a aprender a tomar banho e a vestir-se sozinho, mas contimuou à - andar de quatro e a se alimentar de came crua. Também nunca aprendeu a falar e jamais deu sinais de querer se integrar socialmente. (O Estado de 8. Paulo, 26-2-85.) se Amala e Kamala eram duas meninas que foram descobertas em 1921, numa caverna da índia, vivendo entre lobos. Essas crianças, que na época tinham aproximadamente idades de 4 e 8 anos, foram confiadas-a um asilo e passaram a ser observadas pelos estudiosos. Amala, a mais jovem, não resistiu à nova vida. À outra, porém, viveu mais uns oito anos. Ambas apresentavam hábitos alimentares bastante diferentes dos nossos. Como fazem normalmente os animais, elas cheiravam a comida antes de tocá-la, dilacerando os alimento com os dentes e poucas vezes fazendo uso das mãos corno instrumento para beber e comer. Possuíam aguda sensibilidade auditiva e desenvolvimento do olfato para a came. Para sé locomover apoiavam-se sobre as mãos e os pés, adotando a marcha quadrápede, como faziam seus antigos companheiros, os lobos. Kamala, por exemplo, levou seis anos-para utilizar a marcha ereta. Notou-se também que Kamala não se sentia à vontade na companhia de outras pessoas, preferindo a dos animais, que se entendiam maravilhosamente com ela, jarnais se espantando quando de sua aproximação. (A. Xavier Teles, Estudos Soci: p. 115-116) Esses dois casos, mais o de Gaspar Hauser - o selvagem enconirado numa floresta da França e estudado pelo psiquiatra ltard -, são cxemplos que mostram que o indivíduo criado fora da convivência humana não se toma humano. Há absoluta necessidade do grupo para que O comportamento humano se desenvolva. Na verdade, é impossível uma criança sobreviver como um ser humano em completo e permanente isolamento social. — CAristóteles tinha razão ao afirmar: "O homem é por natureza um animal social". A vida em grupo é ima exigência da natureza humana. O homem tem necessidade dos seus semelhantes para sobreviver, para propagar e perpetuar a espécie.e para realizar-se plenamente como pessoa.) A sociabilidade, a tendência natural para viver cm sociedade, é desenvolvida através do processo de socialização. Este é um processo social global, através do qual.o indivíduo se integra no grupo em que nasceu, assimilando o conjunto de hábitos e costumes característicos do grupo. Participando da vida em sociedade, aprendendo suas normas, valores e costumes, o individuo está se socializando. Quanto mais adequada a socialização do indivíduo, mais perfeitamente sociável ele se toma. O isolamento social é a ausência de contatos sociais. Existem mecanismos que reforçam o . isolamento social. Entre eles estão as atitudes de ordem social e as de ordem individual, Entre as de ordem social temos os vários tipos de preconceito (de cor, de religião, de sexo etc). Um exemplo histórico bastante conhecido de preconceito é o anti-semitismo, voltado contra os judeus. Foi especialmente violento durante a Idade, Média e, de 1933 a 1945, nos países dominados pela TO 2 ideologia nazista. A África do Sul é outro exemplo de pais onde existiu uma legislação que afastava do convívio social uma parte da população: é o apartheid, que a minoria branca impõe à maioria negra, relegando seus membros à condição de cidadãos de segunda classe. . Como atitude de ordem individual que reforça o isolamento social podemos citar a timidez. O sociólogo Karl Mannheim considera que a timidez, o preconceito e a desconfiança são capazes de produzir um isolamento parcial semelhante ao ocasionado pelos defeitos físicos. A História demonstra que o convívio social foi e continua a ser decisivo para o desenvolvimentô ' da humanidade, As descobertas de um membro de um Brúpo, comunicadas aos oniros, tornam-se estímulo e ponto de partida para aperfeiçoamentos e novas descobertas. Transmitidas de peração a geração, elas não se perdem com a morte de seus descobridores. O homem sc guia pela inteligência: sobre q alicerce do instinto gregário ele edifica o convívio social, cujas formas se transformam de acordo com as mudanças que ocorrem em cada grupo, e de acordo com as condições em que cle vive. COMUNICAÇÃO Hã setecentos anos, Frederico I, imperador do Sacro. Império Romano-Germânico, efetuou . um experimento para determinar que língua as crianças falaram quando crescessem, se Jamais tivessem ouvido uma única palavra falada. Falariam hebraico - que então se julgava ser a língua mais antiga -, grego, latim, ou a língua de seu país? Dou instruções às amas c mães adotivas para que alimentassem as crianças e lhes dessem banho, mas que sob hipótese nenhuma falassem com elas ou perto delas. O experimento fracassou, porque todas as crianças morreram. — — (Paul B. Horton e Chester L. Hunt, Sociologia, Pp. 77) O texto mostra que a comunicação é vital para o homem enquanto ser social e para o desenvolvimento de qualquer cultura. — O principal meio de comunicação que o homem possui é a linguagem. Através da linguagem ele atribui significados.20s sons articulados que emite; isso é possível porque ele é dotado de inteligência. Graças à linguagem o homem pode transmitir seus pensamentos e sentimentos a seus semelhantes, bem como passar aos descendentes suas experiências e descobertas, fazendo com que o conhecimento por ele adquirido não se perca com sua morte. À medida que as sociedades se tomaram mais complexas, os meios de comunicação foram se aperfeiçoando. Um grande avanço foi o surgimento da escrita, na Mesopotâmia, por volta de 4000 a.C” A invenção da imprensa por Gutenberg, no século XV, » foi outro passo importante. No século passado e neste assistimos à invenção do telégrafo, do telefone, do rádio, do cinema, da televisão, do telex e da comunicação por satélite [da internet, da telefonia celular]. Através desses meios de comunicação, os fatos, as idéias, os sentimentos, as atitudes, as opiniões, são compartilhados por um conjunto enorme de indivíduos e atingem um grande número de países. Segundo 6 especialista em “comunicação Marshall McLuhan, o mundo modemo é uma - autêntica "aldeia global”, onde os fatos, opiniões e modos de vida sãa compartilhados pela maioria. Os meios de comunicação de massa moldam hoje as idéias e opiniões de inúmeras pessoas. A. UM CHINÊS LOURO, DE OLHOS AZUIS Hã alguns anos, conheci em Nova York um jovem que não falava uma palavra de inglês e estava evidentemente perplexo com os costumes americanos. Pelo “sangue” era tão americano como qualquer outro, pois seus pais eram de Indiana e tinham ido para a China como missionários. Órfão desde a infância, fora criado por uma família chinesa, numa aldeia perdida. Todos os que o conheceram o acharam mais chinês do que americano. O fato de ter olhos azuis & cabelos claros impressionava menos que o andar chinês, os movimentos chineses dos braços e das mãos, a expressão facial chinesa e os modos chineses de pensamento. A herança biológica era americana, mas a formação cultural fora chinesa, Ele voltou para a China. Clyde Kluckhohn, Antropologia - um espelho para o homem, p. 30. CULTURA MATERIAL E CULTURA NÃO-MATERIAO Toda cultura tem um aspecto material e outro não-material. A cultura material consiste em todo tipo de utensílios, ferramentas, instrumentos, máquinas etc. utilizados por um grupo social. Por exemplo, no interior do Nordeste a farinha de mandioca é alimento. básico, grande parte das pessoas dorme em redes e as casas são construídas com barro e folhas de palmeira. A cultura não-material abrange todos os aspectos não-materiais da sociedade, tais como: regras morais, religião, costumes, ideologia, ciências, artes etc. Por exemplo, a maioria da população brasileira segue a religião católica, não há pena de morte na legislação do Brasil e, embora proibido por Jei, o preconceito racial é bastante claro no país. Existe, porém, uma interdependência entre a cultura material e a cultura não-material. Quando, por exemplo, assistimos à apresentação de uma orquestra, sabemos que as músicas apresentadas são produto da criatividade de um ou mais músicos. Entretanto, para comunicar sua criação aos outros, os artistas valem-se de instramentos musicais. Da mesina forma que uma música requer instrumentos musicais para sua exteriorização, também as religiões, de modo geral, necessitam de templos, altares e outros elementos materiais para que possam ser praticadas. CAÇADORES, OS ESQUIMÓS AINDA RESISTEM NO FRIO NORTE DO CANADÁ O norte do Canadá pode parecer um mundo à parte, solitário e gelado, mas as terras acima do Circulo Polar Ártico abrigam um número grande de habitantes europeus e canadenses e, principalmente, esquimós, povo de origem asiática que durante milhões de anos fez migrações fantásticas de wm ponio ao outro do globo. Habitando o extremo norte do mundo, os esquimós levam uma vida difícil, enfrentando os rigores e a força da natureza, o que lhes confere certa aura de superioridade por terem se adaptado tão bem a este lugar gelado. Os esquimás são de estatura baixa, bem formados e fortes, com uma camada de gordura mais espessa nas pártes do corpo que ficam expostas ao fic, como bochechas, pálpebras, mãos e pés. Experimentam quatro meses de luz continua no verão, que vai de abril a agosto, quando o sol está ao norte do Equador, e, mais lards, quatro meses de escuridão total e frio intenso do. — invemo que vai de outubro à fevereiro. Só nos meses intermediários é que levam uma vida 5 “normal”, durante a primavera € outono. A audição e visão dos esquimós tambérn são bem aguçadas, pois a vida de caçador é árdua nestas regiões brancas. Mas são também bem humorados e alegres, cultivando vários tipos de jogos e tradições. Gostam da vida em família e têm geralmente muitos filhos. Tradicionalmente caçadores, muitos deles continuam a usar métodos antigos como arpões € anzóis feitos de osso, pescam as baleias, narvais e morsas, todos animais de. grande porte. Como a caça é proibida no Canadá, o govemo estabeleceu uma cota para os esquimós, evitando interferir em suas tradições. Afinal, caçar ursos polares confere status ao caçador, e uma das coisas mais deliciosas para um esquimó é a gordura que se localiza logo abaixo da pele das baleias, uma massa branca e compacta que ficam mascando horas a fio. Entranhas de morsa e foca também são pratos tradicionais, Os famosos iglus, a habitação dos esquimós, hoje em dia, são pouco usados, exceto em algumas regiões, mas são realizados concursos para ver quem ainda sc lembra da original . fórmula da casa de pelo. Outra coisa ainda usada hoje em dia são os umiaks, embarcações construídas com amplas armações de madeira e couro de morsa bem esticado por cima, São levesedo prande' duração, possibilitando a caça de animais de grande porte. O mundo do norte pode parecer solitário, mas para o esquimó é um lugar em constante mudança e cheio de beleza, desde o inverno rigoroso com temperaturas de vários.graus abaixo de zero e com ventos e neve que fazem com que o ar e a terrase confundam numa só parede brancs, e até a respiração pode apresentar o perigo de congelar os pulmões. Mas há também o belo verão, quando a região da tundra fica coberta de flores e pássaros, possibilitando a caça em terra. A coisa mais difícil quando sequer falar com um esquimó é pronunciar os seus complicados nomes como Taitsianguaratsiag ou um mais fácil como Quimangapilk. Christiana Carvalho, Cademo de Turismo. Folha de S. Patila, 234-87. - OS ELEMENTOS DA CULTURA A. cultura é um sistema, um todo, um conjunto de elementos ligados estreitamente uns aos outros. Para efeito de estudo, no entanto, pode ser decomposta em partes. As mais simples são os traços culturais, as unidades de uma cultura, Por exemplo, um objeto, uma idéia, uma crença representam traços culturais. Um carro;-urm lápis, uma capa, uma pulseira também são exemplos de traços culturais. , necessário ressaltar, porém, que os traços culturais só têm significado quando considerados dentro de uma cultura específica. Um colar pode ser um simples adorno para determinado grupo e para outro ter wn significado mágico ou religioso. Para os fiéis das religiões afro-brasileiras, por exemplo, os colares usados têm cores especiais, dependendo da divindade cultuada pela pessoa e, de acordo com a crença, dão proteção a quem os usa. Portanto, só no conjunto da cultura é que se pode entender um determinado traço. A combinação dos traços culturais em torno de uma atividade básica forma um complexo cultural. Por exemplo, o carnaval no Brasil é um complexo cultural que reúne um grupo de traços culturais relacionados uns com os outros: carros alegóricos, música, dança, instrumentos musicais, - desfiles etc. Da mesma forma, o futebol é um complexo cultural que pode ser decomposto em vários traços culturais: o campo, a bola, O juiz, os jogadores; a torcida, as regras do jogo etc. Padrão cultural é uma norma de comportâmento estabelecida pela sociedade. Os individuos normalmente agem de acordo com os padrões estabelecidos pela sociedade em que vivem. Quando os BDPIDSSOLUECETVVVVESLASLVV VE" E técnicas mudam com mais rapidez do que a relgião, osjpadrões familiares e a educação, provocando atraso de um setór em relação a outro. O uso de pilulas anticoncepcionais, por exemplo, encontrou grande resistência por parte de setores religiosos e educacionais. Toda vez que há um desequilíbrio entre os diferentes aspectos da cultura, pode-se falar de retardamento ou demora cultural. CONTATO ENTRE CULTURAS Durante a colonização do Brasil, ocorreram intensos contatos entre à cultura do colonizador português e as culturas dos povos indígenas e dos africanos trazidos como escravos. Como consegiiência desse contato, ocorreram modificações na cultura dos brancos - que assiinilaram muitos costumes das eutras - e também nas culturas indígenas e africanas - que foram dominadas e perderam grande parte de suas características. Desse processo de contato e mudança cultural - conhecido como aculturação - resultou a cultura - brasileira. Quando dois ou mais grupos humanos entram em contato direto e contínuo, geralmente ocorrem mudanças culturais nos grupos, pois verifica-se a transmissão de traços culturais de uma sociedade para outra. Alguns traços são rejeitados e outros aceilos, incorporando-ss, fregiientemente com alterações significativas, à cultura resultante. — MARGINALIDADE CULTURAL Na cidade paulista de Tupã - na reserva dos índios Caingangue vivem, em trezentos alqueires, duzentos indígenas descaracterizados culturalmente. Eles são atendidos por um grupo de funcionários da Funai; não conhecem mais nada de seu passado, não se lembram de sua Hngua, de seus cantos, de suas danças e de suas antigas práticas de trabalho. Também não estão incorporados à cultura que os cerca. São mansos é tristes. Quando duas culturas entram em contato, podem ocorrer - além: da aculturação - uma série de conflitos mentais nos indivíduos pertencentes a essas culturas. Esses conflitos têm origem na insegurança que as pessoas sentem frente a uma cultura diferente da sua. Aqueles que não conseguem. se integrar completamente em nenhuma das culturas que os rodeiam ficam à margem da sociedade. A esse fenômeno dá-se o nome de marginalidade cultural. 6. CONTRACULTURA Nas sociedades contemporâneas encontramos pessoas qué contestam certos valores culturais vigentes, opondo-se Tadicalmente a eles, num movimento chamado de contracultura. O trabalho, o patriotismo, a acumulação de riquezas, a ascensão social são valores culturais considerados - importantes em nossa sociedade. O movimento hippie da década de 60 foi um movimento de contracultura, porque se opunha radicalmente a esses valores. Dedicando-se a atividades artesanais e buscando novas formas de organização familiar e social (como o amor livre e a vida em comunidade), os hippies dos anos 60 opunham-se aos valores da sociedade industrial. CONTRA OS IHPPIES E e Policiais britânicos forçaram um grupo de hippies a retirar-se da localidade de Stoney Cross, sudoeste da Inglaterra. Cerca de trezentos hippies - remanescentes dos que pregavam a Ab. filosofia “paz e amor" nos anos 60 — têm acampado em vários locais do sul da Grã-Bretanha. Eles são considerados “indesejáveis” pela população e acusados de “permissividade”. Um acampamento na cidade costeira de Bournemouthfbi dissolvido ontem pela polícia, que realizou 42 prisões e confiscou cem veículos pertencentes 20 grupo, além de "grande quantidade de drogas e armaas”, O grupo pretendia organizar um festival de música em Stonehenge, centro-sul do país. . -Felhade S, Paulo, 10-6-86.