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apostila de chacras e med, Notas de estudo de Religião

apostila de chacras e mediunidade apostila

Tipologia: Notas de estudo

2019

Compartilhado em 30/09/2019

carlos-sarmento-9
carlos-sarmento-9 🇧🇷

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APOSTILA DE CHACRAS E MEDIUNIDADE
NOÇÕES BÁSICAS SOBRE OS CHAKRAS
CHAKRAS E NADIS - Chakra é a denominação sânscrita dada aos centros de força existentes nos
corpos espirituais do homem; também são chamados lótus ou rodas. Quando eles estão inativos
assemelham-se a rodas; quando despertam, eles tomam a aparência de uma flor (lótus) aberta,
irradiante, colorida pela freqüência da energia das pétalas (1).
No Mundaka Upanishad define-se o chakra como o local "onde os nadis se encontram como os
raios no cubo de uma roda de carruagem". Os centros são formados pelo encontro destas linhas
de força (nadis), do mesmo modo que os plexos, no corpo físico, são formados pelo encontro de
nervos. Existem centros maiores, aqueles que resultam do encontro de um número maior de nadis
(vinte e uma vezes, segundo Coquet) e os centros menores em que a confluência dos nadis é
menor (2). Entre estes últimos existem vinte e um (21) formados pelo encontro de quatorze (14)
nadis e outros bem menores formados pelo cruzamento de sete (7) nadis.
NADIS E MERIDIANOS - Os nadis são, portanto, linhas de força que não devem ser confundidas
com os nervos do corpo físico, embora estejam em relação a eles como os chakras com os plexos
e órgãos do corpo físico. São condutores de energia. Os estudos de Motoyama indicam que eles
podem ser comparados aos meridianos sobre os quais trabalha a acupuntura. Esta é também a
opinião de Coquet.
No corpo etérico, denominado também pelos teosofistas de corpo físico invisível, porque nasce
com o corpo físico e com ele desaparece, os nadis se apresentam como se fossem milhares de
finos filamentos de gás néon, entrecruzando-o em toda sua extensão (3). O número deles difere na
literatura hindu, pelo que se atribui um caráter esotérico às quantidades apontadas: 72.000,
550.000, 720.000, etc. Os mais importantes são o Sushumna, Ida, Pingala, Gandhara, Hastajihva,
Kuku, Sarasvati, Pusha, Sankhini, Payaswini, Varuni, Alambhusha, Vishvodhara, Yasasvíni. Os três
primeiros são os mais importantes, sendo que o Sushumna domina a todos os demais.
IDA, PINGALA, SUSHUMNA - Para que se possa ter uma noção desses três nadis ao longo da
coluna vertebral, tomemos uma série de números "8" e os coloquemos em posição horizontal,
empilhando-os ao longo da coluna vertebral; teremos então uma figura semelhante às serpentes
no caduceu de Mercúrio. O nadi que sobe pela esquerda é Ida; o da direita Pingala; não estão
porém dispostos de forma paralela, eles entrecruzam-se como nos referimos acima (4). No centro
corre um canal: é o nadi Sushumna. Ao longo da coluna vai formando uma série de confluências,
das quais a mais importante é a existente no chakra frontal, onde desembocam. Ida e Pingala
estão sempre ativos, mas o Sushumna permanece inativos, pois o prana ainda não circula através
dele (5).
No interior do Sushumna acham-se três outros nadis o Vajna, Chitrini, dentro do qual se encontra o
Brahma nadi, ao longo do qual se elevará a energia Kundalini.
NADI = NATUREZA - Coquet esclarece que: "Cada nadi tem uma natureza quíntupla e encerra
cinco fibras de energia estreitamente ligadas no interior de uma bainha que os recobre. Estes
filamentos de energia são unidos uns aos outros em relações transversais." É preciso entretanto
notar que cinco tipos de energia formam uma unidade e que, tomados em seu conjunto, eles
formam a própria bainha etérica. É, diz-se, através destes cinco canais que correm os cinco pranas
maiores, vitalizando assim todo o organismo humano. Não existe uma só parte do corpo que não
possua uma rede de nadis subjacente à sua forma.
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APOSTILA DE CHACRAS E MEDIUNIDADE

NOÇÕES BÁSICAS SOBRE OS CHAKRAS

CHAKRAS E NADIS - Chakra é a denominação sânscrita dada aos centros de força existentes nos corpos espirituais do homem; também são chamados lótus ou rodas. Quando eles estão inativos assemelham -se a rodas; quando despertam, eles tomam a aparência de uma flor (lótus) aberta, irradiante, colorida pela freqüência da energia das pétalas (1).

No Mundaka Upanishad define-se o chakra como o local "onde os nadis se encontram como os raios no cubo de uma roda de carruagem". Os centros são formados pelo encontro destas linhas de força (nadis), do mesmo modo que os plexos, no corpo físico, são formados pelo encontro de nervos. Existem centros maiores, aqueles que resultam do encontro de um número maior de nadis (vinte e uma vezes, segundo Coquet) e os centros menores em que a confluência dos nadis é menor (2). Entre estes últimos existem vinte e um (21) formados pelo encontro de quatorze (14) nadis e outros bem menores formados pelo cruzamento de sete (7) nadis.

NADIS E MERIDIANOS - Os nadis são, portanto, linhas de força que não devem ser confundidas com os nervos do corpo físico, embora estejam em relação a eles como os chakras com os plexos e órgãos do corpo físico. São condutores de energia. Os estudos de Motoyama indicam que eles podem ser comparados aos meridianos sobre os quais trabalha a acupuntura. Esta é também a opinião de Coquet.

No corpo etérico, denominado também pelos teosofistas de corpo físico invisível, porque nasce com o corpo físico e com ele desaparece, os nadis se apresentam como se fossem milhares de finos filamentos de gás néon, entrecruzando-o em toda sua extensão (3). O número deles difere na literatura hindu, pelo que se atribui um caráter esotérico às quantidades apontadas: 72.000, 550.000, 720.000, etc. Os mais importantes são o Sushumna, Ida, Pingala, Gandhara, Hastajihva, Kuku, Sarasvati, Pusha, Sankhini, Payaswini, Varuni, Alambhusha, Vishvodhara, Yasasvíni. Os três primeiros são os mais importantes, sendo que o Sushumna domina a todos os demais.

IDA, PINGALA, SUSHUMNA - Para que se possa ter uma noção desses três nadis ao longo da coluna vertebral, tomemos uma série de números "8" e os coloquemos em posição horizontal, empilhando-os ao longo da coluna vertebral; teremos então uma figura semelhante às serpentes no caduceu de Mercúrio. O nadi que sobe pela esquerda é Ida; o da direita Pingala; não estão porém dispostos de forma paralela, eles entrecruzam-se como nos referimos acima (4). No centro corre um canal: é o nadi Sushumna. Ao longo da coluna vai formando uma série de confluências, das quais a mais importante é a existente no chakra frontal, onde desembocam. Ida e Pingala estão sempre ativos, mas o Sushumna permanece inativos, pois o prana ainda não circula através dele (5).

No interior do Sushumna acham-se três outros nadis o Vajna, Chitrini, dentro do qual se encontra o Brahma nadi, ao longo do qual se elevará a energia Kundalini.

NADI = NATUREZA - Coquet esclarece que: "Cada nadi tem uma natureza quíntupla e encerra cinco fibras de energia estreitamente ligadas no interior de uma bainha que os recobre. Estes filamentos de energia são unidos uns aos outros em relações transversais." É preciso entretanto notar que cinco tipos de energia formam uma unidade e que, tomados em seu conjunto, eles formam a própria bainha etérica. É, diz-se, através destes cinco canais que correm os cinco pranas maiores, vitalizando assim todo o organismo humano. Não existe uma só parte do corpo que não possua uma rede de nadis subjacente à sua forma.

PRANA - ESPÉCIES - As cinco diferenciações do Prana no corpo humano são:

  • PRANA: estende-se do nariz ao coração e influencia particularmente a garganta e a palavra, o coração e os pulmões;
  • SAMANA: estende-se do coração ao plexo solar e age, sobretudo, sobre o poder de assimilação do alimento e da bebida. Está deste modo em estreita relação com o estômago;
  • APANA: é particularmente ativo desde o plexo solar até a planta dos pés e age sobre os órgãos de eliminação, de dejeção e da geração. Seu poder está pois fortemente unido aos órgãos geradores e eliminadores;
  • UDANA: está situado entre o nariz e a parte superior do crânio; está em relação com o cérebro, os olhos e o nariz.
  • VYANA: corresponde à soma total das energias prânicas tal como é repartida através de todo o corpo por intermédio de milhares de nadis e nervos, assim como dos canais sanguíneos, das veias e das artérias" (Coquet - Les Çakras - L"anatomie occulte de L"homme, Paris, 1982, p. 43).

CHAKRAS MAIORES - ENUMERAÇÃO - Os chakras maiores são em número de sete:

Denominação:

  1. Centro básico ou fundamental
  2. Centro sacro ou sexual (genésico)
  3. Centro solar ou umbilical
  4. Centro cardíaco
  5. Centro laríngeo
  6. Centro frontal ou cerebral
  7. Centro coronário

Em sânscrito

Muladhara

Swadhisthana

Manipura

Anahata

Vishuddha

Ajna

Sahashara

Morte", Vozes, p. 69). No Yoga se afirma que cada chakra é constituído metade dele mesmo e metade dos seis chakras restantes. As características funcionais de um chakra seriam assim influenciadas pelos outros chakras (vide para maiores detalhes, Pierre Weil, op. cit.).

CHAKRAS, FORMAÇÃO DO CORPO ASTRAL E EVOLUÇÃO - Os chakras são responsáveis pela formação do corpo espiritual. É o que ensina André Luiz ao dizer que "vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente estabelecem, para nosso uso, um veículo de células elétricas, que podemos definir como sendo um campo eletromagnético, no qual o pensamento vibra em circuito fechado" ("Entre a Terra e o Céu", p. 126). Esta também é a opinião emitida por Coquet - "... os centros são as causas primarias na formação e na construção do templo do homem ou, em outros termos, do mecanismo da alma. É, pois, normal constatar as dificuldades que têm as glândulas endócrinas de se adaptarem aos ritmos que lhes impõe a consciência objetiva em curso da evolução e particularmente neste século rico de novidades. Mas isto faz parte do plano de evolução e cada um deve estar consciente disso. À medida que a natureza emocional se desenvolve e o intelecto torna-se mais ativo, os centros correspondentes tornam -se igualmente mais ativos e pode-se observar a emergência de determinadas perturbações. Tomemos o exemplo do centro laríngeo que, em se desenvolvendo, arrasta consigo uma crescente atividade do intelecto e determina assim uma grande complexidade do pensamento: nós veremos a aparição de perturbações de ordem psicológica. Cada centro determina pois um número bem preciso de perturbações inerentes à qualidade de sua energia respectiva" (op. cit., p. 85).

CENTROS DE CONSCIÊNCIA - Os chakras não são simples centros energéticos, mas também centros de consciência. Esclarece a respeito Anagarika Govinda:

"Enquanto que de acordo com as concepções Ocidentais o cérebro é a sede exclusiva da consciência, a experiência yogue mostra que nossa consciência cerebral é apenas "uma" entre muitas formas possíveis de consciência, e que esta, de acordo com suas funções e natureza, pode ser localizada ou centralizada em vários órgãos do corpo. Estes "órgãos" que coletam, transformam e distribuem as forças que fluem através deles são chamados de chakras ou centros de força. Deles irradiam correntes secundárias de força psíquica, comparáveis aos raios de uma roda, às varetas de um guarda-chuva, ou às pétalas de um lótus" (op. cit., p. 145).

Depois de destacar que os chakras são pontos nos quais as forças psíquicas do corpo se interpenetram, situando-se a sede da alma nos pontos em que o mundo exterior e interior se encontram (Novalis), concluí:

"Por isso, podemos dizer que cada centro psíquico nos quais nos tornamos cônscios desta penetração espiritual torna-se a sede da alma, e que pela ativação ou despertar das atividades dos vários centros nós espiritualizamos e transformamos nosso corpo" (idem p. 145/146).

Jung considera-os também centros de consciência: "uma espécie de graduação de consciência que vai desde a região do períneo até o topo da cabeça" ("Fundamentos de Psicologia Analítica", Vozes, 1972, p. 26). Miguel Serrano registrou uma conversação tida com Jung sobre os chakras: "Os chakras, diz Jung, são centros da consciência e Kundalini, a Serpente Ígnea, que dorme na base da coluna vertebral, é uma corrente emocional que une de baixo para cima e também de cima para baixo" ("O Circulo Hermético" - Hermann Hesse a C. G. Jung, Ed. Brasiliense, 1970, p. 71).

E reafirmou na conversação:

"Os chakras são centros de consciência. Os inferiores são centros de consciência animal. Existem outros centros ainda abaixo do Muladhara" (p. 72) (10).

Este ponto de vista também foi sustentado em um seminário ("Hauers Seminar. Psychological comentary by C. G. Jung", Zurich, 1932, exemplar datilografado, Bíblíthéque de Jung - cit., por Pierre Weil, "Mística do Sexo", E. Itatiaia, pp. 104/105 e 113). Jung observa que na história da humanidade, o centro da consciência sofreu variações e, ainda agora, existem tribos como dos Pueblos que situam no coração o centro de consciência ("Fundamentos", pp. 06 e 07). Os ensinamentos esotéricos também indicam que as várias raças-mãe desenvolveram determinados centros preferentemente (Coquet, op. cit., pp. 35/37).

Jung interpreta estes vários centros assinalando o grau de consciência de cada um deles:

Centro Fundamental - Mundo dos instintos. Consciente.

Centro Sacro - Entrada no Inconsciente. Novo nascimento. Batismo.

Centro Umbilical - Emoções. Paixões. O Inferno.

Centro Cardíaco - Começo do Self. Sentimento. Pensamento e valores. Individuação.

Centro Laríngeo - Reconhecimento da independência da psique.

  • Pensamento abstrato. Conceitos; produtos da imaginação.

Centro Frontal - União do Self no todo, não no ego.

Centro Coronário - Nirvana.

(cit. por Pierre Weil, "Mística do Sexo", pp 104/105).

A referência aos chakras como centros de consciência permite-nos entender uma passagem de "O Livro dos Espíritos", aparentemente defasada no tempo, mesmo na época de sua recepção. No item 146, Allan Kardec registrou o ensinamento dos Espíritos sobre a sede da alma:

"146. A alma tem, no corpo, sede determinada e circunscrita?

  • Não; porém, nos grandes gênios, em todos os que pensam muito, ela reside mais particularmente na cabeça, ao passo que ocupa principalmente o coração naqueles que muito sentem e cujas ações têm todas por objeto a humanidade.

a) Que se deve pensar da opinião dos que situam a alma num centro vital?

  • Quer isso dizer que o Espírito habita de preferência essa parte do organismo, por ser aí o ponto de convergência de todas as sensações. Os que a situam no que consideram o centro da vitalidade, esses a confundem com o fluído ou princípio vital. Pode, todavia, dizer-se que a sede da alma se encontra especialmente nos órgãos que servem para as manifestações Intelectuais e morais."

Naturalmente que, do ponto de vista físico, na época de Kardec já se considerava o cérebro como a sede do pensamento, pelo que não havia razão para referência ao coração, como sede da alma, nem à outra parte do organismo físico. A referência, portanto, era aos chakras localizados à altura do coração ou à altura do cérebro, com suas ligações correspondentes, centros de ligação preponderante da alma ao corpo físico.

Segundo André Luiz, as três regiões fundamentais no processo de liberação da alma (e conseqüentemente de ligação do perispírito ao corpo físico) são: "o centro vegetativo ligado ao

Pode-se de imediato verificar que a reserva de Gopi Krishna a respeito dos chakras é devido a não ter visualizado os chakras na forma descrita pelas escrituras hindus, em que cada um deles aparece com um pecíolo mandálico, arrodeado de pétalas com letras sânscritas, contendo no seu interior uma forma geométrica (Yantra), um animal (nos quatro primeiros), duas divindades (uma masculina e outra feminina) e uma letra sânscrita (bija mantra). Ele viu os chakras, portanto, o que ele não percebeu foram os detalhes existentes nas escrituras hindus.

É evidente que isto não seria o bastante para descartar a realidade dos chakras. Leadbeater, por exemplo, não encontrou tais alegorias e, por isto, manifesta a opinião de que "os desenhos traçados pelos yogues hindus para o uso de seus discípulos são sempre simbólicos, e não guardam relação com o efetivo aspecto do chakra, exceto a indicação da cor e o número de pétalas" (op. cit., p. 115). No entanto, atesta a existência dos chakras com o pecíolo central e as pétalas. Se relermos os trechos de Gopi Krishna, verificamos que, em realidade, ele se deparou com os chakras: "as luminosas formações e discos incandescentes de luz, ao longo da medula espinhal, nas diversas junções nervosas". Acontece que, como sua experiência ocorreu com repercussões sobre o corpo físico muito evidentes, tomou ele tais discos apenas como resultantes das junções nervosas, já que não percebia os símbolos da literatura hindu, sem atentar que exatamente nestas junções (plexos) localizam-se no duplo os chakras etéricos. No entanto, a descrição que dá dos discos é precisa quanto aos chakras - "... discos luminosos girando, enfeitado com luzes, ou lembram flores de lótus em plena florescência, reluzindo aos raios de sol. O círculo de incandescência irradiante envolvendo a cabeça, tingindo às vezes com cores do arco- íris, e sustentado pela estreita faixa de luz que se move em ascensão ao longo do dueto espinhal, também ostenta uma inconfundível semelhança com um lótus em florescência. (...) Assemelha-se de fato a um deslumbrante lótus de brilho extraordinário, tendo milhares de pétalas a denotar suas dimensões avantajadas." (op. cit. 196/197)

OS SÍMBOLOS DOS CHAKRAS NA OPINIÃO DE MOTOYAMA - A respeito dos símbolos indicados no Shat-chakra-Nirupana é de interesse conhecer a opinião de Hiroshi Motoyama. Afirma o pesquisador japonês que, em sua própria experiência de despertamento dos chakras, ele nunca pode perceber os símbolos referidos (op. cit., p. 238). Apesar disto, ele está convicto de que não são apenas meros símbolos, mas que há uma realidade neles. Transcrevemos alguns parágrafos da obra pela importância das experiências relatadas a respeito.

"Superficialmente, estes detalhes podem parecer ser meras representações simbólicas, ou talvez figuras que podem ser visualizadas para facilitar a meditação. Contudo, os relatos de muitas pessoas que têm experimentado o treinamento espiritual comprovam muitos dos detalhes descritos aqui (no Shat-chakra-Nirupana). Por exemplo, indivíduos que se concentram nos chakras muladhara ou swadhisthana - mesmo aqueles que não possuem qualquer conhecimento anterior do simbolismo do chakra - freqüentemente relatam o brilho semelhante a uma chama seja em redor do períneo ou abaixo do umbigo. Isto pareceria corresponder às pétalas vermelhas que esses dois chakras, segundo se diz, possuem. Eu achei plausível que as cores designadas de cada chakra possam representar a coloração de sua aura na dimensão astral, e que os outros símbolos possam ter realidade".

"É de particular interesse aqui a experiência de minha mãe, uma personalidade religiosa bem respeitável e altamente evoluída. De seus 20 a 30 anos ela praticou-o ascetismo da água freqüentemente no fundo das montanhas. Durante esta prática ela muitas vezes viu em redor de seu coração um caractere como de um barco invertido circundado por brilhante luz dourada. Quando ela perguntou-me pela primeira vez o que era, eu não soube, mas um ano ou dois mais tarde eu comecei a estudar Sânscrito e li este Shat-chakra-Nirupana. Eu compreendi imediatamente que o "barco invertido" que ela descreveu não era outra coisa do que o "YAN", o bija mantra do chakra anahata. Além disso, a luz dourada que ela percebeu está provavelmente relacionada ao triângulo dourado localizado dentro do bija (veja a figura do chakra Anahata,

segundo as escrituras hindus, na obra de Leadbeater - "Os Chakras"). Em seu livro Os Chakras, o Rev. C. W. Leadbeater, também descreve o anahata como brilhando com uma cor dourada".

"Por conseguinte, em minha opinião, as descrições dos chakras no Shat-chakra-Nirupana são mais do que meras representações simbólicas. Eu estou de acordo com Swami Satyananda Sarasvati, que declara em seu Tantra of Kundalini Yoga, que existem numerosos mundos além da nossa consciência comum nas dimensões astral e causal onde estas figuras geométricas, cores e sílabas podem realmente existir. Sem dúvida, muitos detalhes iconográficos, bem como as habilidades paranormais e estados mentais descritos aqui (no Shat-chakra-Nirupana) como associados com cada chakra, correspondem exatamente com a experiência de vários ascetas de muitas religiões em todas as partes do mundo" (op. cit., pp. 183/184; vide também pp. 238/239).

CLARIVIDÊNCIA - Com isso não se quer afirmar que na vidência e na sua interpretação não possa haver condicionamento à sua crença. As visões são sempre "coadas" através do vidente, e cada vidente, além do seu ângulo personalíssimo de "ver", de conceber o mundo, é também o produto de uma determinada cultura e de seu determinado momento histórico. O que se vê objetivamente passa pelo crivo da subjetividade do vidente. Acrescente-se a isto a Interpretação do objeto, isto é, da visão, exatamente a parte mais difícil, porque aí se torna necessário distinguir fatos observados e projeções mentais de encarnados ou desencarnados captáveis pelo médium.

Ocorre, evidentemente, um condicionamento à crença na vidência, o que determina, como conseqüência, seja a visão percebida e interpretada de acordo a ela. Preleciona Emmanuel que "como acontece na alimentação do corpo, a visão, no campo da alma, é diferente para cada um" ("Clarividência, in Seara dos Médiuns", FEB, p. 47). Na vidência há de distinguir-se, como dissemos acima, o que de fato se passa no momento das projeções mentais, que podem ter distintas origens. A recepção de umas e outras subordinam -se ao continente mental que traduz o captado em termos visuais.

Na obra de Tereza de Jesus e de Juan de La Cruz, duas almas cuja grandeza é indiscutível, anotamos, por exemplo, a visão da Trindade. Em uma das vezes em que celebrava a missa, afirmou Juan de La Cruz ter visto as Três Pessoas em uma nuvem muito resplandecente (M. Teixeira Penido, "O Itinerário Místico de São João da Cruz", Vozes, 1954, p. 61). Não há uma descrição pormenorizada da visão, de modo a que nos possibilite a compreendê-la fora do contexto católico, porém uma observação feita por Juan de La Cruz a Ana de Santo Alberto nos permite avaliar o observado. Dizia ele que em companhia daquele mistério se encontrava tão bem que "sem particular auxílio do céu, ser-lhe-ia impossível continuar em vida" (op. cit., pp. 61162). Ramakrishna fazia observação semelhante referindo-se ao samadhi, com o florescimento do lótus de mil pétalas, onde mora o Satchitdananda Shiva, o Absoluto, afirmando que o indivíduo não resistia mais de 21 dias após esse fato ("El Evangelio de Ramakrishna", tomo II, pp. 16 e 173). Só o desejo de servir poderia manter "o ego do Conhecimento" ou "o ego da Devoção", evitando a morte. Naturalmente que, por isto, o período mencionado não é fatal; busca-se avisar o praticante dos perigos de uma subida de Kundalini sem os cuidados necessários e sem o suporte físico para suportá-lo. O que importa, no caso, é perceber que os efeitos da "experiência", tanto para Juan de La Cruz como para Ramakrishna eram os mesmos, o que demonstra a igualdade de valor do objeto percebido.

Pierre Weil ao reportar-se às extraordinárias experiências de Muktanananda comparando-as com as de Juan de La Cruz e Tereza de Jesus, comenta:

"Eles também descrevem esses estados de consciência e visões parecidas, porém dentro do contexto cultural cristão. Tudo indica que a fonte de experiência é a mesma; porém a mensagem vem dentro de uma codificação cultural ao alcance de cada pessoa; essa codificação é feita por esse "campo informacional" do qual falam os russos" ("A revolução Silenciosa", Pensamento, p. 171).

A mesma visão pode ser diferentemente percebida. Se o indivíduo é cristão a visão de uma

hormônios: a córtico-supra-renal segrega adosterona, o cortisol e andrógenos, a medula supra- renal segrega a adrenalina.

Existem chakras mais baixos subordinados, todos eles, ao centro básico, localizados entre o cóccix e os calcanhares, controlando os instintos animais. São Atala, na planta do pé; Vitala, no dorso do pé; Nitala, na articulação superior da perna com o pé; Sutala, no joelho; Mahatala, na parte inferior da coxa; Rasatala, na parte superior da coxa; Talatala, na parte média da coxa. (Uttara-Gitta - II, 26 e 27).

O Uttara-Gitta descreve o Muladhara como:

"O Patala, onde as cobras vivem enroscadas abaixo do umbigo, é o lugar conhecido com o nome de Bhogindra. Este lugar, terrível como o dia do juízo final e como o ardente inferno, tem também o nome de Mahapatala. O eternamente denominado Giva, manifesta-se nesta esfera em serpentina roda, semelhante a um círculo".

No Muladhara se encontra a base do Sushumna nadi; ali está o lugar de reunião (kanda) da raiz de todos os nadis. Nesse centro localiza-se também o nó Brahma, o 1º nó a impedir a subida de kundalini. Os outros dois se encontram no centro cardíaco - o nó de Vishnu; e no frontal - o nó de Rudra ou nó de Shiva.

CENTRO ESPLÊNICO (do baço) - Ele não é incluso nas escrituras hindu, entre os sete grandes Chakras, Leadbeater, Powell e Coquet incluem-no, no entanto, ao lado dos demais em seus estudos. Por sua vez, André Luiz o inclui na relação que dá dos mais importantes chakras do perispírito.

Encontra-se localizado um pouco acima do centro sacro à altura do baço e tem a função de especializar, subdividir e difundir a vitalidade oriunda do sol (Leadbeater). Em volta do pericarpo estão seis pétalas com as cores vermelha, alaranjada, amarela, verde, azul e violácea. Segundo Coquet, o silêncio que em geral fazem os textos é devido ao fato dele não ter uma função no processo iniciático, permanecendo apenas ligado ao processo vital, canalizando a vitalidade na direção dos demais centros.

"Este centro", diz Coquet, "é o agente mais importante da força inerente à matéria. "É o mais importante centro ativo distribuidor de energia. Nele estão colocados em contato a via negativa da matéria (a energia do espírito) e a energia positiva do duplo etérico (Nous ou Prana). Deste modo se produz "a centelha" entre o plano divino e o plano físico, e isto por intermédio do corpo etérico. A vida dinâmica inerente ao oxigênio vitaliza o corpo penetrando a princípio pela cabeça e pelo coração; entretanto uma corrente mais reduzida e ligeiramente diferente entra no corpo físico pelo baço e se eleva em direção do coração para unir-se a outra corrente" (op. cit., p.p. 79 e 80).

"No ser humano", continua adiante, "a energia vital do sol é assimilada pelo centro etérico do baço que é, assim o chamo, a contrapartida do baço físico. Mas o centro receptor principal se acha entre as omoplatas; está situado, precisamente, entre o centro laríngeo e o centro cardíaco, mas fica, entretanto, mais próximo do coração que da garganta. Um terceiro centro está situado ligeiramente acima do plexo solar mas permanece adormecido e inativo, ao menos parcialmente, e isto por causa das condições de vida (poluição) nas grandes cidades" (op. cit., p. 80).

Segundo André Luiz, este centro regula "a distribuição e a circulação adequada dos recursos vitais em todos os escaninhos do veículo de que nos servimos" ("Entre a Terra e o Céu", p. 128), "determinando todas as atividades em que se exprime o sistema hemático, dentro das variações de meio e volume sanguíneo" ("Evolução em dois Mundos", p. 27).

CENTRO SAGRADO - (sacro ou genital) - É denominado no Yoga de Swadhisthana: significa "one is own abode". Isto parece indicar que a morada primitiva de Kundalini situava-se neste chakra, tendo mais tarde descido para o Muladhara. Situado na região lombar, ao nível da parte baixa dos órgãos genitais, é formado de seis pétalas (14).

Leadbeater e o Garuda Purana indicam como cor o brilho do sol; Coquet, Tara Michael, Schatchakra-Nirupana e o Siva Samhita, apontam o vermelhão, e Aurobindo, o vermelho violáceo- escuro.

Na representação yogue deste chakra vê-se uma mandala em cujo interior se encontra um nenúfar com oito pétalas brancas como a neve, acompanhado de uma lua crescente (Xantra), com o bija mantra "Vam" ao centro; no interior da lua existe mais oito pétalas. O animal místico semelhante a um crocodilo é makara.

Do mesmo modo que o centro básico (Muladhara), o sagrado recebe duas correntes particulares, uma proveniente da própria Kundalini e a outra da vitalidade solar. A energia que aí se concentra é de natureza muito material.

Segundo Coquet, "sua função o a conversação da vitalidade que anima e sustenta o corpo físico, como os diferentes órgãos de assimilação. Este centro afeta sobretudo os órgãos genitais ou gônadas, que são a exteriorização física" (op. cit., p. 67). No futuro, ele "deverá ser perfeitamente controlado e a maior parte de suas atividades serão submetidas à vontade e à razão", sendo a energia que alimenta os órgãos sexuais transferida para a garganta, possibilitando um nível mais alto de criação no campo do pensamento e das idéias, como já começa a ocorrer entre os grandes pensadores da humanidade. É este o ponto de vista de Aurobindo:

"A energia sexual utilizada pela natureza para a reprodução é na sua natureza real uma energia fundamental da vida. Ela pode ser utilizada não por uma elevação, mas por uma certa intensificação da vida vital emotiva. Ela pode ser dominada e desviada dos fins sexuais e utilizada para a criação, e a produtividade estética, artística ou outra, ou conservada para elevar as energias intelectuais. Inteiramente dominada ela pode também ser transformada em uma forma de energia espiritual. Era um fato bem conhecido na Índia antiga e chamava-se a conversão de Retas em Ojas pelo Brahmacharya (15). Mal utilizada, a energia sexual conduz à desordem e à desintegração da energia da vida e dos seus poderes" (cit. por Coquet, op. cit., p.p. 76/77).

O descontrole do centro genésico resulta numa exacerbação do prazer sexual, no apego a outro ser ou a objetos, no ciúme e no instinto de posse, na autoproteção. Isto repercuti inclusive na vida após a morte. André Luiz destaca o fato de que o descontrole do centro genésico impede o Espírito de uma visão mais ampla da realidade, mesmo em prejuízo da própria pessoa que só enxerga o parceiro sexual, "em vista do apego enlouquecedor aos vínculos do sexo" ("Entre a Terra e o Céu",. p.27), perturbações que acabam por eclipsar as qualidades morais já onquistadas.

Satyananda desenvolve interessantes considerações a respeito do Swadhisthana, como centro do inconsciente. Segundo ele, o centro frontal mantém uma conexão com o centro genital, e deste modo mantém sob controle a mente consciente, incluindo o inconsciente coletivo, que é muito mais poderoso que a própria consciência individual. Por isto é que apesar da maior parte das pessoas não se aperceberem do fato, é o inconsciente coletivo quem controla, em grande escala, o comportamento. O centro genital funciona assim como um computador onde são armazenadas as experiências diárias, sejam consciente ou inconscientes, tenha importância individual ou não. Destarte estariam ali os dados referentes às experiências e o karma que contribuíram para o proces so de evolução humana. Há uma parte do karma que existe em potência e outra parte em que ele se encontra atualizado, mas tanto uma quanto a outra só raramente são conhecidas da mente consciente do indivíduo. Agora bem, se a energia vital (Kundalini) é despertada, ela ascende através dos chakras, desencadeando todo o processo de evolução psíquica, de modo que tanto o karma ativo como o inativo expandem -se e afluem à consciência. No entanto, se o indivíduo é incapaz de encarar a tarefa de analisar ou controlar o karma, registrado no centro

geralmente causadas pelas frustrações e inibições, encontram nele sua causa. Também os males do estômago, do intestino, as perturbações hepáticas, etc., decorrem de perturbações no centro solar.

O desenvolvimento do centro solar, -como de todos os demais centros, acarreta determinadas perturbações relacionadas com a qualidade da energia respectiva. Por isso Coquet adverte que se faça um esforço consciente com relação ao centro solar e à vida emocional, "a usura e a degradação que surgem predisporão o indivíduo a uma frágil santidade, na verdade inexistente e isto por causa das energias interiores mal dirigidas e sobretudo mal empregadas ". (op. cit., p. 85). Torna-se indispensável operar a transferência de energia para o centro cardíaco.

Coquet recomenda que as pessoas cuja consciência ainda está fortemente localizada no centro solar, que se exprime mais pela emoção que pela razão, devem abster-se de exercícios respiratórios e até de exercícios cuja finalidade seja desenvolver faculdades psíquicas: no 1º caso, porque os exercícios respiratórios só fariam intensificar desejos e emoções; no 2º caso, porque o desenvolvimento obtido se prenderá às forças Instintivas de sua natureza menos elevada.

CENTRO CARDÍACO - Em sânscrito é denominado de Anahata (imbatível, inviolado), estando situado entre as omoplatas, ligeiramente à esquerda da espinha dorsal. Satyananda esclarece que ao contrário do coração físico, o espaço astral ocupado por este chakra é vasto e informe.

Possui doze pétalas, correspondendo aos doze raios de sua energia primária. No entanto, o Yoga Kundalini Upanishad aponta-lhe 16 pétalas. Segundo Leadbeater, Powell e Tara Michael, elas seriam de uma brilhante cor de ouro; para Coquet - sua cor é próxima do amarelo ou ouro incandescente; para Aurobindo é o rosa dourado. Satyananda descreve -o como normalmente escuro, tornando-se de um vermelhão radiantemente brilhante quando ativado. O Schat -chakra- Nirupana atribui-lhe o vermelhão; o Siva Samhita, o vermelhão escuro e o Garuda Purana, o dourado.

André Luiz indica-o como centro da emoção e do equilíbrio geral ("Entre a Terra e o Céu", p. 128), dirigindo a circulação das forças de bas e ("Evolução em dois Mundos", p. 27).

Ele é representado por um lótus de cor escura com doze pétalas de cor vermelha em torno. No interior do mandala se acham dois triângulos entrelaçados (estrela de Salomão), de cor cinza esfumaçado. O animal é uni antílope negro e o bija a letra "Yam". Ele se torna, quando ativado, de um radiante brilho.

É o centro do amor e diz respeito ao princípio espiritual do ser.

Leadbeater Indica um segundo lótus no coração, abaixo do maior (op. cit., p. 129). Aurobindo, no entanto, em "More Lights on Yoga"', traduzido como 32 volume da coleção "A Consciência que vê", afirma:

"Nunca ouvi falar de dois lótus no coração; mas ele é a sede de dois poderes - na frente, o vital mais alto ou ser emocional, atrás, e escondido, o ser psíquico ou alma" (p. 207).

Como função do centro cardíaco, aponta Aurobindo, por isso, o comando do ser emocional superior, da parte mais elevada do vital, com o psíquico profundamente atrás (vide p.p. 203 a 205).

"O centro do coração", ensina Coquet, "terá todas as chances de desenvolver-se armoniosamente e sem perigo se o neófito, ou o homem em geral, viver tendo em consideração sobretudo os interesses do grupo, cultivando o sentido amplo da fraternidade e da tolerância, amando coletivamente e buscando servir o plano divino sem preocupação de agradar, de ser apreciado ou recompensado". Seria perigoso procurar os poderes criadores do centro laríngeo antes que o despertar do centro cardíaco não tenha começado, adverte ele.

Esta é a atitude natural que procura cultivar o Karma-yoguin, também recomendado pelos instrutores espirituais que supervisionam a elaboração da Doutrina Espírita; encontra-se retratada em todo decorrer da vida do Cristo, que sempre fez referência não só à atuação criadora do Pai, como também ao magistério divino, na revelação da Boa-Nova.

Entre as habilidades que resultam do seu despertamento, Satyananda indica:

a) aquisição do controle do ar;

b) o despertar de um amor não individualista e cósmico;

c) desenvolvimento da eloqüência e do gênio poético;

d) aquisição do poder de ter seus desejos satisfeitos;

e) tornar o sentido do tato tão sutil que pode sentir a matéria astral, através do sentido astral, sensação que pode ser transmitida a outros (o sentido desse chakra é a pele e o órgão ativo, o coração).

Motoyama acrescenta que seu despertar provoca o desenvolvimento do poder de cura psíquica. "Prana pode ser transmitido através das palmas das mãos e dirigido à área doente do corpo de outra pessoa. A técnica bem conhecida da "imposição das mãos" está provavelmente relacionada com o estabelecimento de uma conexão Intima entre o anahata e as mãos. Poderes psicocinéticos também se desenvolvem quando o anahata é despertado" (op. cit., p. 231).

CENTRO LARÍNGEO - Em sânscrito, denomina-se Vishudda, palavra derivada de "shuddhi", que significa purificar. Situa-se à base.e atrás da garganta, na nuca, na junção da espinha dorsal e da medula espinhal alongada, no Sushumna nadi, corresponde à glândula tireóide; estende-se até a medula alongada, envolvendo a glândula carótida, indo na direção das omoplatas, relacionando- se, ainda, com os plexos nervosos da faringe e da laringe.

Possui dezesseis pétalas na periferia, nas quais, segundo Leadbeater, "embora haja bastante do azul em sua cor, o tom predominante é o prateado brilhante, parecido com o fulgor da luz da lua quando roça o mar. Em seus raios predominam alternativamente o azul e o verde" (p. 28). Powell indica-lhe o prateado brilhante com muito azul. Aurobindo cinza; Satyananda - cinza-violeta; Schat- chakra-Nipurana - purpúreo escuro; Siva Samhita - ouro brilhante; o Garuda Purana - prateado.

É representado com um lótus transparente com dezesseis pétalas de cor cinza fumaça (violeta- cinza). No pericárdio se encontra um círculo de cor branca (Yantra) envolvido por um triângulo; no centro está o bija mantra "Ham". O animal é o elefante.

O centro laríngeo tem a função de purificar o corpo, eliminando os venenos provenientes do exterior. A glândula tireóide, que corresponde ao centro laríngeo, tem uma função antitóxicas. Além disto, a consciência criadora reside neste centro. É, segundo Aurobindo, "a mente física, a consciência externalizadora expressiva" (op. cit., p. 203). A expressão da verdade, através do pensamento, da palavra e da ação, é feita através do centro laríngeo. Para isto é necessária a harmonia do centro criador ou sagrado com o laríngeo, pois é necessário que as forças daquele tenham sido elevadas ao outro centro criador, o laríngeo (Coquet).

O centro laríngeo é o responsável pela recepção das ondas telepáticas; dali são transmitidas a outros centros. O reconhecimento consciente pode ocorrer nestes últimos, o por isso o indivíduo pode sentir como se os pensamentos de outros estivessem sendo registrados à altura do centro umbilical ou de outros centros.

A concentração sobre o centro frontal é geralmente feita no ponto entre as sobrancelhas. Satyananda adverte que é necessário despertá-lo primeiro que qualquer outro centro. Para ele, este chakra tem o poder de dissolver o karma, auxiliando com isto a diminuir qualquer perigo que possa surgir com a ativação do karma de níveis mais baixos.

Segundo Satyananda, o despertar do centro frontal permite o contato com o "guru interior", a fonte inata do conhecimento e sabedoria profundos que reside no centro frontal individual ou até com o "guru exterior", o nosso anjo guardião (o guia espiritual). Além disto, ele possibilita também comunicações telepáticas e percepções clarividentes.

"O centro cerebral", ensina André Luiz, "se represent a no córtex encefálico por vários núcleos de comando, controlando sensações e impressões do mundo sensório" ("Evolução em dois Mundos", FEB, p. 99; vide também p. 125).

CENTRO CORONÁRIO - Em sânscrito é denominado de Sahasrara. Coquet esclarece que se lhe dá também o nome de Brahmarandhra, cuja verdadeira tradução significa "orifício divino e representa a haste do chakra coronário ou, para ser preciso, a fontanela etérica por onde escapa a alma no momento da transição" (p. 131).

Está situado na parte superior da cabeça. A aura colocada sobre a cabeça dos santos corresponde ao Sahasrara. Ele é composto de duas partes: a parte central com doze pétalas maiores, menos ativa, e outra ao redor desta com novecentos e sessenta pétalas menores, vibrando com incrível rapidez. Ao contrário dos demais chakras que, ao desabrocharem, voltam-se para o alto, o coronário mantém sempre a sua posição invertida.

É o mais luminoso dos chakras. Leadbeater descreve-o como possuidor de indescritíveis efeitos cromáticos, parecendo conter todos os matizes do espectro, embora seja o violeta a cor predominante; a parte central é de um branco fulgurante com um núcleo cor de ouro. Coquet ensina que ele surge como um maravilhoso sol, branco brilhante de mil flores douradas. O Shat- chakra-Nirupana descreve-o como tendo a cor de um jovem sol, portanto o branco brilhante. Motoyama indica-o como um disco de cor de ouro ou de luz rosada.

Os livros hindus denominam -no o "lótus de mil pétalas", de cor branca e com a corola voltada para baixo, cerca de quatro polegadas acima da parte mais alta da cabeça.

O chakra coronário não está relacionado com nenhum plexo e sim com a glândula pineal. A respeito, Leadbeater destaca a existência de uma diferença de acordo com os tipos de indivíduos. Em muitos deles "os vórtices do sexto e do sétimo chakras astrais convergem ambos ao corpo pituitário, que em tal caso é o único enlace direto entre o corpo físico denso e os corpos superiores de matéria relativamente sutil". (...) "Mas outros indivíduos, embora ainda aliem o sexto chakra com o corpo pituitário, inclinam o sétimo até o seu vórtice coincidir com o atrofiado órgão chamado glândula pineal, que, em tal caso, se reaviva e estabelece ligação direta com o mental inferior sem passar pelo intermediário comum do astral" (p.p. 94/95).

André Luiz assinala como função sua a assimilação dos estímulos do Mundo Espiritual Superior, a orientação da forma, do movimento e da estabilidade do metabolismo orgânico e da vida consciencial dos Espíritos encarnados ou desencarnados, supervisionando, além disso, os outros centros que lhe obedecem ao impulso, procedente do Espírito, porque ali se encontra exatamente o ponto de Interação entre as forças determinantes do espírito e as forças fisiopsicossomáticas organizadas (conf. "Evolução em dois Mundos" p.p. 26127).

"Dele parte, desse modo, a corrente de energia vitalizante formada de estímulos espirituais com ação difusível sobre a matéria mental que o envolve, transmitindo aos demais centros da alma os reflexos vivos de nos sos sentimentos, idéias e ações, tanto quanto esses mesmos centros, interdependentes entre si, imprimem semelhantes reflexos nos órgãos e demais implementos de

nossa constituição particular, plasmando em nós próprios os efeitos agradáveis ou desagradáveis de nossa Influência e conduta" (op. cit., p. 27).

Pela determinação da vontade, a mente se apropria dos elementos à sua volta e cria livremente, mas o centro coronário fixa, de modo automático, a responsabilidade correspondente a essas criações, conduzindo ao corpo causal as seqüências das ações e Inações, felizes ou infelizes (conf. op. cit., p. 28 e "Nosso Lar", FEB, p. 59).

Com relação ao mecanismo de ação do centro coronário sobre o corpo físico e a origem do pensamento, ensina André Luiz - "...o centro coronário, através de todo um conjunto de núcleos do diencéfalo, possui no tálamo, para onde confluem todas as vias aferentes à cortiça cerebral, com exceção da via do olfato, que é a única via sensitiva de ligações corticais que não passa por ele (contudo, essa via mantém conexões com alguns núcleos talâmicos através de fibras provenientes do corpo mamilar, situado no hipotálamo), vasto sistema de governança do Espírito, portanto aí, nessa delicada rede de forças, através dos núcleos intercalados nas vias aferentes, através do sistema talâmico de projeção difusa e dos núcleos parcialmente abordados pela ciência da Terra (quais os da linha média, que não se degeneram após a extirpação do córtex, segundo experiências conhecidas), verte o pensamento ou fluído mental, por secreção sutil não do cérebro, mas da mente, fluido que influencia primeiro, por intermédio de impulsos repetidos, toda a região cortical e as zonas psicossomatossensitivas, vitalizando e dirigindo o cosmo biológico, para, em seguida, atendendo ao próprio continuísmo de seu fluxo incessante, espalhar-se em torno do corpo físico da individualidade consciente e responsável pelo tipo, qualidade e aplicação de fluído, organizando-lhe a psícosfera ou halo psíquico, qual ocorre com a chama de uma vela que, em se valendo do combustível que a nutre, estabelece o campo em que se lhe prevalece a influencia" ("Evolução em dois Mundos", FEB, p. 99; vide também p. 125) (16).

Se por um lado as energias do plano espiritual atingem, através do coronário, os outros centros, por outro as energias provenientes de outros centros o atingem. Assim é que ali desemboca a energia violeta proveniente do centro laríngeo e a energia amarela originária do centro cardíaco.

A ativação deste centro surge com a integração com o Pai: é a realização da vontade de Deus, é o colocar-se integralmente, sem condições ou reticências nas mãos do Divino, o que determina a sua ativação. O discípulo já não vive, mas Deus é que vive nele, em Deus vive e em Deus se move, como afirma Paulo. Ali se encontra a abertura do Reino dos Céus. Juan de La Cruz grafou: "Porque logo que a alma desembaraça estas potências (sentidos, entendimento, memória e vontade) e as esvazia de tudo o que é inferior (terrestre) e da propriedade de tudo que é superior (apego ao celeste), ficando elas a sós sem nada disso, imediatamente Deus as emprega no invisível e divino, e é Deus o guia nesta solidão" (Cântico - 18 versão - XXXIV, nº 5; 28 versão XXXV, nº 5). É necessário uma completa desnudez de Espírito, uma completa "deoversão", uma reorientação da alma para Deus. Quando a alma se aparta de tudo o que não é Deus, "logo fica esclarecida e transformada em Deus e Deus comunica-lhe o seu ser sobrenatural de tal maneira que parece o mesmo Deus e teia o que tem o mes mo Deus... Esta união faz-se quando Deus concede à alma a sobrenatural mercê de todas as coisas de Deus e da alma serem uma só coisa em transformação participante; e a alma mais parece Deus que alma, é até Deus por participação..." (Juan de La Cruz - "Subida do Monte Carmelo", Livros II, cap. V, nº 7). Eis aí uma perfeita idéia do Samadhi, já que a experiência é indescritível. A alma penetra na 7ª morada (Teresa de Ávila).

Esclarece Leadbeater que à medida que o ser cresce espiritualmente, o centro coronário vai aumentando até tomar toda a parte superior da cabeça:

"No princípio é, como todos os demais chakras, uma depressão do duplo etérico, pela qual penetra a divina energia procedente do exterior. Mas quando o homem reconhece rei da divina luz e se mostra magnânimo com tudo o que o rodela, o chakra coronário reverte, por assim dizer, de dentro para fora, e já não é um canal receptor, mas uni radiante foco de energia, não uma depressão,

repentinamente, causando efeitos diversos de acordo com o desenvolvimento, constituição e temperamento dos indivíduos (conf. Gopi Krishna, op. cit., p. 58).

Eis aqui trechos do encontro de Gopi Krishna com a Kundalini, enquanto meditava:

"De repente, como o bramir de uma cachoeira, senti um fluxo de luz liquida penetrar no cérebro, através da modula espinhal.

A iluminação íntima se intensificou, ficando mais forte e brilhante, o bramir aumentou, e experimentei uma sensação de abalo que me fazia sentir como se estivesse saindo de meu corpo, Inteiramente envolto um halo de luz. É impossível descrever a experi6ncía com precisão. Senti o ponto da consciência, que era eu mesmo, crescer de tamanho, circundado por ondas de luz. Fui ficando cada vez maior, expandido-me para fora, enquanto o corpo, que normalmente é o objeto da percepção Imediata dessa consciência, parecia estar sumindo na distância, até que perdi totalmente a consciência dele. Agora eu era Consciência Pura, livre das limitações, sem qualquer Impressão ou sensação que pudesse vir dos sentidos, imerso num oceano de luz, simultaneamente sensível e consciente de cada ponto, expandindo-me, como se abarcasse todas as direções, sem qualquer barreira ou Impedimento material" (op. cit., P.P. 10/19).

Relata Gopi Krishna que, no seu caso, houve uma subida de Kundalini através de Pingala, o que resultou numa alteração da temperatura do corpo, tendo ele começado a queimar-se interiormente; foi necessário um esforço mental para trazer a corrente de energia para o lado esquerdo, onde se encontra o nadi Ida e em seguida fazê-la penetrar pelo Sushumna:

"Deu-se UM som que lembrava um fio de nervo estalando; instantaneamente um filão prateado começou a deslocar-se em ziguezague ao longo da espinha dorsal, exatamente igual aos movimentos sinuosos de uma branca serpente em fuga rápida, vertendo um, fulgente aguaceiro de brilhante energia vital, a qual em forma de cascata cala dentro do cérebro, preenchendo minha cabeça com um abençoado esplendor, substituindo o fogo que tinha estado atormentando-me durante as últimas três horas" (op. cit., p. 78).

É interessante destacar o fato de que uma luminosidade permanente passou a envolver Gopi Krishna e que este passou a perceber a produç ão anormal de sêmen vital que era absorvido pelo trabalho reticular dos nervos, na base da espinha, onde ora transformando, no muladhara, na energia nervosa transferida para o cérebro (p.p. 103 e 104). Esclarece Gopi Krishna que nos momentos mais dramáticos, uma pequena recomendação salvou-lhe a vida – fazer leve refeição de 3 em 3 horas, não deixando o estômago completamente vazio (p. 73).

Ao contrário do que pensam certas pessoas, somente alguns sistemas tratam do trabalho direto para ocasionar o despertar de Kundalini - a Laya-Yoga, a Hatha-Yoga e Kundalini-Yoga. Existem portanto diversos métodos de iluminação espiritual que não tratam diretamente com o despertamento de Kundalini.

DESPERTAMENTO DOS CHAKRAS

Ao contrário do que pode parecer ao observador apressado, no estudo dos chakras apresentam-se também opiniões divergentes. Isto é um fato que não pode ser esquecido a fim de evitar as "pregações" sobre chakras, quando são repetidos o ensinamento deste ou daquele autor, como se tratasse da palavra única e definitiva. As referências que faremos a seguir, buscam destacar um pouco mais estas divergências.

Rajneesh (17) sustenta que Kundalini não é a energia da vida, mas um dos caminhos que podem ser tomados por esta força; por isto é possível despertar a iluminação através de outros caminhos, embora Kundalini seja o mais curto. Neste caso, o Brahma-randhara (o ponto central do Sahashara será o maior terminal (se for outro o caminho ele não será o término). Kundalini é para ele, pois,

uma passagem relacionada com os chakras. Os chakras estariam, no corpo etérico, de modo estático, "mortos" até que a energia penetrasse neles através da passagem Kundalini. Essa força estaria localizada no muladhara, a que Rajneesh denomina o centro do sexo (naturalmente, com o no sistema tântrico, ele une o básico ao genital). Outros caminhos seriam utilizados pelos diversos métodos do yoga, zen, budistas, taoístas e cristãos. Seriam utilizadas outras passagens que não pertencem ao duplo etérico: as do corpo astral, do corpo mental, etc. Apesar disto, mesmo nestes métodos, pode ocorrer o surgimento de Kundalini, porque os corpos estão interligados entre si e com os sete chakras. Qualquer dos métodos pode levar a energia da vida a atingir o sahashara (vide "Meditação - A Arte do Êxtase" Cultrix/Pensamento, p. 67/86).

A utilização dos chakras dar-se-ia no momento em que a passagem de Kundalini é bloqueada, porque o trabalho deles só é necessário para romper bloqueios. Se não existem obstáculos não se perceberia, segundo Rajneesh, os chakras porque estes existem para ajudar a ascensão da energia através de Kundalini. Assim, se ocorre uni bloqueio, Kundalini retrai-se; para evitar que ela desça, o chakra começa a trabalhar, tornando mais viva a energia, de modo a facilitar o rompimento do bloqueio (13).

Ao que parece Rajneesh chama de Kundalini o Brahma nadi localizado no interior do Sushumna, pois é exatamente por ele que a energia vital se eleva em busca dos centros superiores.

Posição distante é a de Anagarika Govinda. Afirma este Lama que não é possível concentrar-se sobre os centros mais altos sem ter adquirido o controle sobre os centros mais baixos, "como acreditam ingenuamente alguns "místicos" modernos" (op. cit., p. 181). No entanto, ao explicar o sistema de Yoga budista, em que a Kundalini não é mencionada, cita ele o "Yoga das Seis Doutrinas de Náropa" em que o discípulo é aconselhado a meditar nos quatro chakras superiores, formados como um guarda-sol ou rodas de uma carruagem (coronário, laríngeo, cardíaco e umbilical) (19). No sistema do budismo tântrico, ao invés de Kundalini, o princípio que ocupa o centro de meditação é o Dákini: a Khadoma Dorje Naljorma (rdorje rna-hbyor-ma; Sânsc.: Vajra- Yogiuí).

"As Khadomas, semelhantes a todas as personalizações femininas da "vidyá" ou do conhecimento, têm a propriedade de Intensificar, concentrar o integrar as forças das quais elas fazem uso, até serem focalizadas num ponto incandescente e significam a chama sagrada da inspiração que leva à iluminação. As Khadomas, que surgem como visões ou como imagens interiores produzidas conscientemente no decorrer da meditação, são por isso representadas como uma aura de chamas e evocadas com a sílaba-semente HÚM, o símbolo mântrico da integração. Elas são a personificação do "Fogo Interior" que na bibliografia de Milarepa foi chamado "sopro acalentador das Khadomas" que rodeia e protege o santo semelhante a um "manto puro e suave" (op. cit., p. 208).

O Swami Satyananda Saraswati, no entanto, é de opinião distinta; sustenta ele que o praticante deve primeiro procurar ativar o ckakra frontal antes de qualquer outro, porque, segundo ele, este chakra tem o poder de dissolver o Karma, auxiliando a diminuir qualquer perigo que possa surgir quando é ativado o karma de chakras inferiores.

Aurobindo, em "Bases of Yoga" (trad. bras. "Consciência que Vê" vol. I), ao referir-se ao método do Yoga Integral, ensina:

"Não há método neste Yoga a não ser concentrar-se de preferência no coração, e chamar a presença e o poder da Mãe para assumir o ser e, pelas operações de sua força, transformar a consciência: você pode se concentrar também na cabeça ou entre as sobrancelhas, mas para muitos isto é uma abertura difícil demais" (P. 32).

Considerando que ninguém é tão forte para superar por sua aspirações e vontade isoladas os impulsos das forças da natureza mais baixa, conseguindo no máximo um domínio incompleto, recomenda Aurobindo que o indivíduo utilize aspiração e vontade para trazer para baixo a força