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Apostila de LIBRAS, Notas de estudo de Informática

Língua Brasileira de Sinais

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 24/08/2009

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Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina
Unidade São José – Coordenadoria de Cultura Geral
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos
NÍVEL BÁSICO
APRENDENDO LÍNGUA BRASILEIRA DE
SINAIS COMO SEGUNDA LÍNGUA
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Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina Unidade São José – Coordenadoria de Cultura Geral Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos

NÍVEL BÁSICO

APRENDENDO LÍNGUA BRASILEIRA DE

SINAIS COMO SEGUNDA LÍNGUA

REALIZAÇÃO

Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República Fernando Haddad Ministro da Educação Eliezer Pacheco Secretário da Educação Profissional e Tecnológica SETEC-MEC CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE SANTA CATARINA – CEFET/SC Consuelo Aparecida Sielski Santos Diretora Geral Regina Rogério Vice-Diretora Geral Nilva Schroeder Diretora de Ensino Rosangela Mauzer Casarotto Diretora de Administração e Planejamento Marcelo Carlos da Silva Diretor de Relações Externas Maria Clara Schneider Diretora de Pós-Graduação e Pesquisa Wilson Zapellini Diretor de Gestão do Conhecimento CEFET/SC UNIDADE SÃO JOSÉ Jorge Pereira Diretor da Unidade São José Maria Lúcia de Souza Cidade Coordenadora de Cultura Geral NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO DE SURDOS - NEPES Vilmar Silva Coordenador do NEPES Kelly Machado Pinho da Rosa e Simone Gonçalves Lima da Silva Arte Final Sérgio Barbosa Júnior Ilustrações Originais Mara Lúcia Masutti Revisão gramatical

APRESENTAÇÃO

O “curso de Libras” desenvolvido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos – NEPES do Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina – CEFET/SC pretende ser um meio difusor da Língua e da cultura do povo surdo. Almejamos oferecer um suporte intelectual para quem desejar conhecer e se aprofundar no idioma dos surdos brasileiros, ou seja, na Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. O NEPES vem realizando estudos e pesquisas em Educação de Surdos desde 1994, experiência que envolve tanto aspectos políticos, culturais e pedagógicos como as metodologias de ensino nos diversos níveis de escolarização. Hoje, o NEPES mantém um curso de Pós-graduação lato sensu em Educação de Surdos, um curso de Ensino de Jovens e Adultos surdos – EJA Bilíngüe, tendo formado em setembro de 2006 uma turma de Ensino Médio Bilíngüe. Além dos diversos cursos profissionalizantes e básico de Libras para alunos, funcionários, docentes e famílias de surdos. Para saber mais sobre o trabalho do NEPES visite www.sj.cefetsc.edu.br/~nepes.

A Língua Brasileira de Sinais é uma língua que tem ganhado espaço na sociedade por conta dos movimentos surdos em prol de seus direitos, é uma luta de muitos anos que caracteriza o povo surdo como um povo com cultura e língua própria que sofre a opressão da sociedade majoritária impondo um padrão de cidadão sem levar em conta as especificidades de cada um destes cidadãos. Sendo assim, através de anos de luta o povo surdo conquistou o direito^1 de usar uma língua que possibilitasse não só a comunicação, mas também sua efetiva participação na sociedade. No entanto, para que esta participação seja efetiva é preciso difundir a língua, a cultura e a concepção de mundo dos surdos. E para isso o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos – NEPES elaborou este material

(^1) Lei Federal n.º 10.436/2002 (LEI ORDINÁRIA) 24/04/2002 que Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. Decreto n.º 5.626/2005 regulamenta a lei nº 10.436 , de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a língua brasileira de sinais - libras, e o art. 18 da lei nº 10.098 , de 19 de dezembro de 2000.

com conteúdos fundamentais para aprendizagem deste segundo idioma. O material se constitui em etapas de aprendizagem, informações interessantes com o tema “Você sabia...?”, atividades, dinâmicas e curiosidades além de dados históricos que marcaram o início da língua de sinais no Brasil e no mundo.

Esperamos despertar em você o desejo de conhecer, a vontade de aprender e a capacidade compreender um novo idioma, a Língua Brasileira de Sinais.

Os autores

  • Etapa I - Introdução ao aprendizado da Língua Brasileira de Sinais – Libras
  • ESTUDO DA LÍNGUA 1 - O que você precisa saber antes começar?..............................
  • O que é Libras?...........................................................................................................................
  • Quem são os Surdos e quem são os Ouvintes?.....................................................................
  • Culturas e Identidades em questão.........................................................................................
  • Sistema de transcrição em Libras............................................................................................
    • Principal Característica das Línguas de Sinais.....................................................................
  • Veja no DVD – “Início de Conversa”.......................................................................................
  • ESTUDO DA LÍNGUA 2 – Apresentação Pessoal: Oi, seu sinal?…….............................
  • Atividade 1 - Alfabeto Manual – Quem é Quem?…………………………….....................
  • Veja no DVD – “MEU SINAL”……………………………………………………..................
  • Pronomes Pessoais e Possessivos............................................................................................
  • Sinais em foco: Formas de cumprimento / Identificação.....................................................
  • Verbos em Libras 1: LEMBRAR / ESQUECER…………………………………..................
  • Veja no DVD – “BATE-PAPO EM LIBRAS - 1”
  • Curiosidades – Primeira Publicação do Alfabeto Manual………………………...............
  • ESTUDO DA LÍNGUA 3 – Expressões Faciais na Libras...................................................
  • Atividade 2 – Qual a expressão?…………………………………………..............................
  • Atividade 3 no DVD – Reconhecendo as Expressões Faciais................................................
    • Sinalizando: Quem? / De Quem É? / Quem É?.....................................................................
  • Veja no DVD – “Quem? / De Quem É? / Quem É?”…………...............................................
  • Sinais em foco: Pessoas, objetos e animais.............................................................................
  • Você sabia...? – “Escrita de Sinais – Sign Writing”………………………………...............
  • ESTUDO DA LÍNGUA 4 – Que dia é hoje?..........................................................................
  • Advérbios de Tempo e Freqüência / Calendário...................................................................
  • Atividade 4 – Responda rápido...............................................................................................
  • Veja no DVD – “Dia de Prova”………………………………….............................................
  • Curiosidades – A primeira Escola para Surdos no Brasil....................................................
  • ESTUDO DA LÍNGUA 5 – Números em Libras..................................................................
  • Atividade 5 – Responda rápido……………………………………………………...............
  • Veja no DVD – “Tipos de Numeração em Libras”
  • Sinais em foco: Localidades / Tecnologias / Caro / Barato...................................................
  • Verbos em Libras 3: COMPRAR / VENDER / PAGAR / TROCAR....................................
  • Veja no DVD – “BATE-PAPO EM LIBRAS – 2”
  • Você sabia...? – “Soletração Rítmica” + Atividade 6 no DVD……………..........................
  • REVISÃO DA ETAPA I
  • Etapa II – Produção e Compreensão de Sinais …………………………………................
  • ESTUDO DA LÍNGUA 6 – Na hora certa!............................................................................
  • Atividade 7 no DVD – Horas em contexto................................................................................
  • Conversando em Libras – Diálogo..........................................................................................
  • Curiosidades –“As Associações de Surdos no Brasil”
  • ESTUDO DA LÍNGUA 7 – Espaço de Sinalização……………………..............................
  • Igual ou Diferente?....................................................................................................................
  • Atividade 8 – Comparando Igual ou Diferente………………………………….................
  • VEJA NO DVD – Vocabulário Cores e Vestuário + Atividade 9 – Certo ou Errado?.............
  • Curiosidades – “O Intérprete de Libras”…………………………………….......................
  • ESTUDO DA LÍNGUA 8 – Classificadores de formas........................................................
  • Atividade 10 – Sinalizando classificadores............................................................................
  • Você sabia...? – “Língua de Sinais não é Mímica!!”………………………………..............
  • REVISÃO DA ETAPA II
  • Etapa III – Vocabulário Básico de Libras ………………………………………….............
  • ESTUDO DA LÍNGUA 9 – Exercitando Sinais....................................................................
  • Conversando no Banco…………………………………………………….............................
  • Conversando no Consultório Médico.....................................................................................
  • Conversando na Empresa.........................................................................................................
  • Pedindo Informação..................................................................................................................
  • Curiosidades – “As Línguas de Sinais do Mundo”..............................................................
  • Finalizando – “ATÉ O PRÓXIMO CURSO”..........................................................................
  • REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................................

Objetivo

Apresentar algumas das características fundamentais da Língua

Brasileira de Sinais para iniciação ao seu aprendizado e ao contato com

pessoas Surdas.

de sinais também varia. Dito de outra forma: existe a língua de sinais americana, inglesa, francesa e varias outras línguas de sinais em vários países, bem como a brasileira.

A estrutura da Língua Brasileira de Sinais é constituída de parâmetros primários e secundários que se combinam de forma seqüencial ou simultânea. Segundo Brito (1995, p. 36 – 41) os parâmetros primários são:

a) Configurações das mãos , em que as mãos tomam as diversas formas na

realização de sinais. De acordo com a autora, são 46 configurações de mãos na Língua Brasileira de Sinais;

b) Ponto de articulação , que é o “espaço em frente ao corpo ou uma região do

próprio corpo, onde os sinais são articulados. Esses sinais articulados no espaço são de dois tipos, os que articulam no espaço neutro diante do corpo e os que se aproximam de uma determinada região do corpo, como a cabeça, a cintura e os ombros”; (BRITO, 1995).

c) Movimento , que é um “parâmetro complexo que pode envolver uma vasta

rede de formas e direções, desde os movimentos internos da mão, os movimentos do pulso, os movimentos direcionais no espaço até conjuntos de movimentos no mesmo sinal. O movimento que as mãos descrevem no espaço ou sobre o corpo pode ser em linhas retas, curvas, sinuosas ou circulares em várias direções e posições”. (BRITO, 1995)

Quanto aos parâmetros secundários tem-se:

a) Disposição das mãos , em que as “articulações dos sinais podem ser feitas

apenas pela mão dominante ou pelas duas mãos. Neste último caso, as duas mãos podem se movimentar para formar o sinal, ou então, apenas a mão dominante se movimenta e a outra funciona como um ponto de articulação”; (BRITO, 1995)

b) Orientação da palma das mãos , “é a direção da palma da mão durante o

sinal: voltada para cima, para baixo, para o corpo, para frente, para a esquerda ou para a direita. Pode haver mudança na orientação durante a execução do movimento”; (BRITO, 1995)

c) Região de contato , “refere-se à parte da mão que entra em contato com o

corpo. Esse contato pode-se dar de maneiras diferentes: através de um toque, de um risco, de um deslizamento etc.” (BRITO, 1995)

d) Expressões faciais “muitos sinais, além dos parâmetros mencionados

acima, têm como elemento diferenciador também a expressão facial e/ou corporal, traduzindo sentimentos e dando mais sentido ao enunciado e em muitos casos determina o significado do sinal” (SILVA, p. 55, 2002). Ou seja, podem expressar as diferenças entre sentenças afirmativas, interrogativas, exclamativas e negativas.

Culturas e Identidades em Questão

Quando falamos sobre cultura muitas coisas podem vir a nossa mente, há diferentes culturas e diferentes modos de conceituar cultura, depende do espaço onde ela é discutida. Aqui, neste espaço lingüístico, usamos o termo cultura para expressar “jeitos de ser e estar no mundo”, e ressaltaremos a todo momento os jeitos de ser e estar no mundo do povo surdo, ou seja, a Cultura Surda. Sobre Cultura Surda podemos dizer com as palavras de Sá (p.01, 2006)^4 que ““Cultura”, neste texto, é definida como um campo de forças subjetivas que dá sentido(s) ao grupo”. No século XXI, mais do que nunca, tem-se dado extremo valor à estética do corpo e da linguagem, mesmo que ocultamente tem- se mantido o paradigma da alta e da baixa cultura. O discurso que ecoa é que surdos são pessoas deficientes, que precisam entrar na linha da normalização, precisam urgentemente ser iguais a maioria, precisam falar, ver, ouvir, andar fazer parte de uma cultura dita padrão para então serem considerados incluídos na sociedade. O embate acontece exatamente porque existe um campo de forças subjetivas que dá sentido(s) ao grupo , ou seja, existe a Cultura Surda e é a língua de sinais a marca subjetiva que dá sentido(s) a esta cultura. Os surdos são organizados social e politicamente, possuem um estilo de viver que é próprio de quem usa a visão como meio principal de obter conhecimento. A cultura surda é também híbrida e mestiça, pois não se encontra isolada no mundo, está sempre em contato direto com outras culturas e evolui da mesma forma que o pensamento humano. Há narrativas normalizantes que põem os surdos como pessoas sub-culturais relatando que:

Acho que os surdos não têm uma cultura própria, têm apenas algumas adequações. (...) Os surdos interagem com outros surdos, porque eles se

(^4) SÁ, Nídia Limeira de. Existe uma cultura surda? Artigo disponível em http://www.eusurdo.ufba.br/arquivos/cultura_surda.doc. Acessado em 28/03/2007.

entendem na sua linguagem, e se afastam dos ouvintes pela falta de compreensão, dando a ilusão de ter uma cultura própria^5_._

A contradição acontece nas narrativas surdas, elas revelam que pessoas surdas não vivem de adaptação ou reabilitação, vivem em evolução, criam meios de ser e de estar no mundo, como qualquer ser humano faz. Possuem a necessidade de estar em permanente contato com outros surdos, não porque os ouvintes não os compreendem, mas pela força da identificação cultural, pela força da subjetividade que os atrai como um imã da mesma forma que acontece com outros grupos sociais.

Para compreender por que existe uma cultura surda é fundamental entrar em contato com esta cultura deixando de lado pré-conceitos que se costuma fazer antes de conhecer, seja aberto ao novo e torne-se um ser plural.

(^5) SÁ, Nídia Limeira. A produção de significados sobre a surdez e sobre os surdos: práticas discursivas em educação. Porto Alegre: UFRGS/FACED/PPGEDU, 2001. (Tese de Doutorado). Tais enunciados fazem parte da pesquisa que realizada pela citada autora com professores de surdos.

Principal Características das Línguas de Sinais

O que você vê?

Fonte: http://ervilhas.weblog.com.pt/arquivo/cat_crafts.html

VISUALIDADE – A atenção do olhar

Obviamente a atenção do olhar é imprescindível para comunicação com pessoas Surdas já que a língua de sinais é principalmente visual se você não olhar não entenderá o que estão dizendo. Então mesmo que você não saiba nada sobre a língua de sinais o olhar continua sendo o ponto principal de comunicação, poucas pessoas sabem como se comunicar com pessoas surdas, a grande maioria fala por trás ou de costas não mostrando sua expressão facial e com movimentos limitados do corpo. Então o primeiro passo para a comunicação com pessoas surdas é demonstrar pela expressão facial, pela fala pausada (sem exageros), pelo

apontar e pela comunicação escrita o que se quer informar. É importante você saber também que nem todos os surdos fazem leitura labial assim como nem todos utilizam a língua de sinais para comunicação, cada um tem suas especificidades. Observe a figura abaixo e note ângulo do olhar quando se utiliza a Libras ou se pretende comunicar com pessoas surdas.

Se você já assistiu o DVD já estará ciente de como se comunicar, por alguns instantes, com uma pessoa que utiliza o idioma Libras mesmo sem sabê- lo. A visualidade implica também no momento da criação de sinais para representar objetos e pessoas, assim como o som implica no momento de criar novas palavras. É claro que há ainda o processo de significação que se encontra embutido na historia do que se quer representar, mas isto é uma longa trajetória. Agora vamos saber como é a identificação pessoal em Libras.

VEJA NO DVD – “Início de Conversa”

CONFIGURAÇÕES DE MÃO

ALFABETO MANUAL

NÚMEROS