Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Diagnóstico e Tratamento de Lesões Orais, Manuais, Projetos, Pesquisas de Odontologia

Este documento aborda os principais aspectos do diagnóstico e tratamento de lesões orais, incluindo a importância da anamnese e exame físico detalhados, técnicas de diagnóstico como diascopia e biópsia, e os diferentes tipos de lesões como úlceras, mucoceles, herpes-zoster e fibromatose gengival. Também são discutidos os tratamentos, como o uso de anti-inflamatórios tópicos, excisão cirúrgica e antibioticoterapia sistêmica, bem como o prognóstico de algumas condições. O documento fornece uma visão abrangente dos procedimentos e abordagens clínicas relevantes para o manejo eficaz de diversas patologias da cavidade oral.

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2024

Compartilhado em 06/05/2024

liane-stimamilio-costa
liane-stimamilio-costa 🇧🇷

1 / 64

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
Apostila de
Estomatologia
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32
pf33
pf34
pf35
pf36
pf37
pf38
pf39
pf3a
pf3b
pf3c
pf3d
pf3e
pf3f
pf40

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Diagnóstico e Tratamento de Lesões Orais e outras Manuais, Projetos, Pesquisas em PDF para Odontologia, somente na Docsity!

Apostila de

Estomatologia

Estabelecimento de

diagnóstico e tratamento

Diagnóstico

Conjunto de dados clínicos que para serem obtidos deve - se levar em conta não apenas os sintomas, mas também a história médica do paciente. Os dados são obtidos através do exame (sinais e sintomas) do paciente, que conduz e orienta para determinação de uma doença.

Semiologia

Relacionado ao estudo dos sinais e sintomas das doenças humanas SINTOMAS: Relato das sensações do paciente. Ex: dor, formigamento. SINAIS: Observado pelo profissional. Ex: mancha, nódulos. SINAL PATOGNOMÕNICO: característica encontrada exclusivamente em determinada doença e indica sua presença.

Classificação da semiologia

Dividia em três (03) partes: SEMIOGÊNESE Estuda a formação dos sinais e sintomas do ponto de vista clínico. SEMIOTÉCNICA Técnica de colheita dos sinais e sintomas. Utilizam-se os sentidos naturais do examinador, através de manobras. PROPEDÊUTICA Estudo, análise e interpretação dos dados coletados na semiotécnica.

Exame clínico

Anamnese

A anamnese é uma aliada para o profissional de saúde. Sendo a primeira etapa em qualquer consulta odontológica. Consiste em uma entrevista prévia para ouvir o paciente e entender suas queixas, avaliar sinais e sintomas. Assim, ela é considerada a base inicial de qualquer atendimento. É através dessa ficha, que se dará o direcionamento para a solicitação de exames de imagem e outros, quando preciso. Além de ser importante para as etapas sequentes do tratamento.

Exame físico

Consiste em avaliar os sinais da doença, podendo lançar mão de exames de imagens ou outros exames complementares para fechar o diagnóstico. Inspeção As principais manobras são: Palpação Auscultação Percussão A inspeção física deve levar em consideração todos as características gerais do paciente, cor de pele, desenvolvimento dos ossos da face, tonicidade, mobilidade da musculatura, a expressão dos olhos. A inspeção local é dirigida para a região de cabeça e pescoço. Estruturas anatômicas relacionadas com a cavidade oral como ATM, ossos do sistema estomatognático, glândulas salivares, língua, gânglios, devem ser inspecionadas. Inspeção intrabucal inicia-se face interna do lábio, gengiva, fundo de sulco, rebordo alveolar, mucosa jugal, língua, assoalho bucal, palato e dentes.

Manobras semiotécnica

As manobras de semiotécnica são os recursos clínicos utilizados para colher sinais. Podem ser realizadas diretamente, por meio dos órgãos dos sentidos do examinador, ou indiretamente, com a utilização de

instrumentos e aparelhos que de alguma forma ampliem os sentidos.

Inspeção

Utiliza-se a visão de modo direto (“a olho nu”) ou indireto, por meio de lentes e espelhos. As estruturas a serem inspecionadas devem estar secas e com boa visibilidade.

Palpação

Ato de palpar, por meio da palpação colhem- se sinais pelo tato e pela compressão. Assim, observam-se modificações de textura, espessura, consistência, sensibilidade, volume, conteúdo, elasticidade e temperatura.

Percussão

Ato ou efeito de percutir (bater, tocar). Leves batidas originam vibrações, por meio das quais se identifica o estado físico do conteúdo da estrutura que está sendo percutida. PERCUSSÃO INDIRETA: normalmente é feita com o cabo do espelho. PERCUSSÃO DIRETA: realizada diretamente com os dedos.

Auscultação

Ato de ouvir sons e ruídos produzidos no organismo. Em odontologia, o seu emprego é restrito, mas importante na avaliação fisiológica da articulação temporomandibular

Exames complementares

Biópsia

A biópsia serve de auxílio para fechar o diagnóstico correto. Várias vezes a biópsia é o diagnóstico e também o tratamento, outras vezes o tratamento daquela lesão é diferente daquela biópsia que se realizou inicialmente. A biópsia é indicada para lesões que se apresentam sob forma de úlceras persistentes que não cicatrizam espontaneamente ou após o tempo. As lesões de pequenas dimensões podem ser removidas totalmente, sem riscos de sangramentos.

Citologia esfoliativa

A citologia esfoliativa é um exame complementar de diagnóstico que utiliza células naturalmente eliminadas para estudo microscópico. Consiste em remover as células mais superficiais da lesão através da esfoliação (raspagem). As células passam por um processo de renovação celular, então na camada basal são produzidas células o tempo inteiro, essas células vão subir da camada basal até a superfície do epitélio, chega na superfície do epitélio vira ceratina e depois esfolia. Assim, a avaliasse as células que se desprendem da mucosa Na odontologia utilizasse citologia esfoliativa quando o paciente está com uma imunossupressão muito grande, ou quando o paciente não tem condições de fazer um procedimento cirúrgico, como por exemplo um paciente internado na UTI. Contudo, mesmo sendo um exame altamente confiável, a citologia esfoliativa não substitui a biópsia, pois não define o tipo de lesão maligna. A principal finalidade da citologia esfoliativa é a detecção de tumores malignos.

Existem as escovas conhecidas como Swab, que são esfregadas em cima da lesão, para remover as células da camada superficial; depois que se fez essa manobra, pega-se uma lâmina de microscópio e coloca-se esse conteúdo que foi raspado nessa lâmina. CLASSIFICAÇÃO DE CITOLOGIA CLASSE I – Ausência de células atípicas ou anormais; CLASSE II – Citologia atípica, mas sem evidência de malignidade; CLASSE III – Citologia sugestiva, mas não conclusiva de malignidade; CLASSE IV – Citologia fortemente sugestiva de malignidade; CLASSE V – Citologia conclusiva para malignidade.

Biópsia Incisional

  • Indicação para lesões grandes (> 1cm);
  • Lesão localizada em áreas de risco;
  • Remove-se uma parte da lesão;
  • Não pode ser qualquer parte da lesão;
  • Se eu suspeitar de lesão maligna ou lesão cística muito grande faz biópsia incisional.

Biópsia Excisional

  • Indicado para lesões menores (< 1cm);
  • Lesões pigmentadas;
  • Remove-se a lesão inteira/remoção total da lesão;
  • A lesão é armazenada no formol;
  • Faz-se a excisional de uma suspeita de câncer, quando a lesão é muito pequena. Para uma lesão maior que 10 mm pode- se fazer uma incisional.

Tomografia computadorizada

Na odontologia a tomografia computadorizada é bastante usada, principalmente, para identificar e delinear processos patológicos, como tumores benignos e malignos, cistos, além de visualizar dentes retidos, traumas, seios paranasais, componentes ósseos da articulação e leitos para implantes dentários. Considerado como um método para avaliar imagens das estruturas ósseas, a tomografia computadorizada é um método radiológico que permite obter a reprodução de uma parte do corpo humano, para que então o diagnóstico seja definido com mais precisão e agilidade, sendo possível efetuar uma melhor distinção entre os tecidos devido a maior sensibilidade, dando auxílio na detecção de anomalias que antes só seriam realizadas com procedimentos invasivos. É realizada com uma fonte circular de emissão de raio X que gira ao redor da cabeça do paciente. Realiza aquisição simultânea das imagens da maxila e da mandíbula. Além disso o exame permite ver a relação das duas arcadas. A tomografia tem aplicações importantes em todas as especialidades odontológicas. Na ortodontia é utilizada na avaliação de dentes inclusos e na análise de sua relação com estruturas adjacentes. Na implantodontia, a tomografia permite a avaliação quantitativa e qualitativa do osso alveolar, possibilitando a mensuração de sua altura e dimensão anteroposterior. Na cirurgia bucomaxilofacial, ela exerce um papel fundamental na detecção de fraturas do nariz, da maxila, da mandíbula e do arco zigomático, Dentes inclusos.

Exames hematológicos

Hemograma

O hemograma estuda a contagem de células sanguíneas, o sangue é um tecido vivo formado por células de diferentes formas, tipos e finalidades. SÉRIE VERMELHA - estuda as hemácias (ou eritrócitos ou glóbulos vermelhos). SÉRIE BRANCA - estuda os glóbulos brancos, representados pelos neutrófilos, eosinófilo, basófilos, linfócitos e monócitos. SÉRIE PLAQUETÁRIA - Quantifica as plaquetas presentes em uma determinada amostragem de sangue colhida.

Coagulograma

O coagulograma é um conjunto de exames responsáveis pela análise de alterações da coagulação presentes no sangue humano. Com ele, é possível identificar doenças ou complicações e iniciar o tratamento o mais rápido possível. O tempo de protrombina (TP) avalia os fatores de coagulação, já o índice de relação normalizada (INR), é um exame fundamental para avaliação e controle de pacientes anticoagulados que necessitam de intervenções cirúrgicas INR: 1,0 – valor ideal, pois mostra o equilíbrio entre coagulação e anticoagulação. Neutrófilos Combate as infecções bacterianas. Linfócitos Responsáveis pela defesa do corpo, segunda célula mais comum dos glóbulos brancos. Principais linhas de defesa contra infecções virais e surgimento de tumores.

Vesícula e bolha

Lesão da pele ou mucosa elevada, circunscrita contendo fluido em seu interior. A VESÍCULA é de dimensão pequena, até 3mm. A BOLHA é de dimensão grande, maior que 3mm.

Pápula

Pequena massa elevada, circunscrita, sólida e palpável na pele ou na mucosa, seu diâmetro não ultrapassa 5mm.

Nódulos

Grande massa elevada, circunscrita, sólida e palpável na pele e na mucosa. Com variação de consistência, tamanho, base de implantação, cor e superfície.

  • Consistência: flácida ou rugosa;
  • Base de implantação: Séssil, larga ou pediculada;
  • Superfície: Lisa ou rugosa.

Lesões ulceradas e

vesicobolhosas

Lesões ulceradas

São lesões que ocorrem pela exposição do epitélio e em continuidade com exposição do tecido conjuntivo adjascente. Afta A estomatite aftosa recorrente, popularmente conhecida como afta é uma das patologias mais comuns da mucosa oral, com característica próprias e etiologia pouco conhecida. As úlceras surgem quase exclusivamente na mucosa não-ceratinizada e podem ser precedidas por uma mácula eritematosa em associação a sintomas prodrômicos de queimação, prurido ou pontadas. As ulcerações aftosas menores são as mais comuns e representam o padrão presente em mais de 80% dos indivíduos afetados.

ETIOLOGIA

Diferentes subgrupos de pacientes parecem ter diferentes causas para a ocorrência das aftas. Estes fatores sugerem um processo patológico que pode ser desencadeado por uma variedade de agentes causais, envolvendo os fatores hereditários, psicossomáticos, hormonais e infecciosos.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

As ulcerações aftosas são observadas mais frequentemente em crianças e adultos jovens, com aproximadamente 80% dos indivíduos afetados relatando suas primeiras ulcerações antes dos 30 anos de idade.

Lesões vesiculares e bolhosas

Causadas por infecções, essas lesões têm a possibilidade de ulcerar. A fase de vesícula ou bolha pode ser curta. Herpes (Herpesvírus) O Herpesvírus apresenta lesões vesiculares mucocutâneas que ocorrem predominantemente no lábio e mucosas que ulceram com frequência. A maioria dos casos de gengivoestomatite herpética aguda ocorre entre os 6 meses e 5 anos de idade, com pico de prevalência entre os 2 e 3 anos de idade. Apesar desta estatística, alguns casos são relatados em pacientes com mais de 60 anos de idade.

ETIOLOGIA

Causada pelo vírus do herpes simples (VHS), a gengivoestomatite herpética primária aguda (herpes primário) é o padrão mais comum de infecção primária sintomática pelo VHS.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Inicialmente, na mucosa afetada desenvolvem- se diversas vesículas puntiformes, que rapidamente se rompem e formam inúmeras lesões pequenas, avermelhadas. Essas lesões iniciais aumentam um pouco de tamanho e desenvolvem áreas centrais de ulceração, recobertas por uma fibrina amarela. As ulcerações adjacentes podem coalescer e formar ulcerações maiores rasas e irregulares. Tanto a mucosa oral móvel quanto a aderida podem ser afetadas, e o número de lesões é altamente variável. Em todos os casos, a gengiva apresenta-se aumentada, dolorosa e extremamente eritematosa.

TRATAMENTO E PROGNÓSTICO

Os pacientes devem restringir o contato com as lesões ativas para prevenir a disseminação para outros locais e pessoas. O aciclovir em suspensão é iniciado nos 3 primeiros dias de sintomatologia pela técnica de bochechar e engolir 5 vezes ao dia por 5 dias.

Herpes - Zoster Doença infecciosa que apresenta lesões vesiculares mucocutâneas que ocorrem principalmente na pele e na mucosa sempre acompanhando uma terminação nervosa periférica.

ETIOLOGIA

Após a infecção inicial pelo vírus varicela zoster (catapora), o vírus é transportado para os nervos sensitivos e presumivelmente estabelece sua latência no gânglio espinhal dorsal. O herpes-zoster clinicamente evidente ocorre após a reativação do vírus, com o envolvimento da distribuição do nervo sensitivo afetado.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Durante a replicação viral inicial, desenvolvem- se ganglionites ativas que resultam em necrose neural e neuralgia grave. Essa reação inflamatória é responsável pelos sintomas prodrômicos de dor intensa que precedem a erupção cutânea em mais de 90% dos casos. Conforme o vírus movimenta-se pelo nervo, a dor intensifica-se e tem sido descrita como queimação, formigamento, coceira, um incômodo pontiagudo ou cortante.

DIAGNÒSTICO

O diagnóstico do herpes-zoster pode muitas vezes ser feito com base nas manifestações clínicas, entretanto outros procedimentos podem ser necessários nos casos atípicos. A cultura viral pode confirmar a impressão clínica, mas leva pelo menos 24 horas.

TRATAMENTO E PROGNÓSTICO

A febre deve ser tratada com antipiréticos que não contenham aspirina. Antipruriginosos, como a difenidramina, podem ser administrados para diminuir o prurido. As lesões cutâneas devem ser mantidas secas e limpas a fim de prevenir infecções secundárias.

Sinal de Nikolsky - após pressionar o local notará imediatamente que aparecerá uma bolha que se rompe.

TRATAMENTO E PROGNÒSTICO

O pênfigo é uma doença sistêmica; portanto, o tratamento consiste basicamente em corticosteroides sistêmicos (geralmente prednisona), muitas vezes em combinação com outros medicamentos imunossupressores (denominados agentes poupadores de esteroides), como a azatioprina. Rânula Rânula é um termo usado para mucoceles que ocorrem no soalho de boca. A origem da mucina extravasada é usualmente a glândula sublingual, mas as rânulas podem também se originar do ducto da glândula submandibular ou, possivelmente, das glândulas salivares menores presentes no soalho de boca.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

A rânula em geral se apresenta como um aumento de volume flutuante, de formato abaulado e coloração azulada no soalho de boca, embora lesões profundas possam apresentar a coloração normal da mucosa. As rânulas são vistas mais frequentemente em crianças e adultos jovens. Estas lesões tendem a ser maiores que as mucoceles nas localizações orais.

TRATAMENTO E PROGNÓSTICO

O tratamento da rânula consiste na remoção da glândula sublingual e/ou marsupialização, que consiste na remoção da porção superior.

Mucocele Mucocele é uma lesão comum da mucosa oral resultante da ruptura de um ducto de glândula salivar e o extravasamento da mucina para dentro dos tecidos moles adjacentes. Este extravasamento geralmente é resultante de um trauma local, em geral mordida no lábio inferior ou traumatismo por aparelho ortodôntico, embora em muitos casos não haja história de trauma associado.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

As mucoceles geralmente se apresentam como aumentos de volume mucosos em forma de cúpula, que podem ter seus tamanhos variando de 1 a 2 mm a alguns centímetros. São mais comuns em crianças e adultos jovens, entretanto, têm sido relatadas em todas as idades.

PROGNÓSTICO E TRATAMENTO

Algumas mucoceles são lesões autolimitantes que se rompem e cicatrizam sozinhas. Entretanto, muitas dessas lesões são de natureza crônica, e a excisão cirúrgica local é necessária. O prognóstico é excelente, embora ocasionalmente algumas mucoceles possam recidivar, necessitando de reexcisão, especialmente se as glândulas subjacentes não tiverem sido removidas.