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Este documento aborda as bases do pcp (plano de controle de produção) e suas decisões relacionadas à atividade produtiva de uma organização, enfatizando a engenharia de produtos, engenharia de processos, capacidade instalada, localização de instalações, políticas de recursos humanos e suprimento. Além disso, discute o marketing, a previsão de demanda e a importância de estudar o mercado, previsões de demanda globais, métodos de medição da demanda e etapas do modelo de previsão de demanda. Finalmente, aborda o dimensionamento da capacidade, seus níveis e desdobramentos.
Tipologia: Notas de estudo
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Ed Lima
Diamantina,
Ilustração 1. Sistema Estratégico Empresarial.
Em termos gerais, a estratégia de manufatura trata de políticas de longo prazo que guiam
todas as decisões tomadas nessa área. Para melhor esclarecimento do que vem a ser uma estratégia
de manufatura, embora não sejam as únicas opções estratégicas possíveis, recorremos à
categorização de Richardson, Gordon e Taylor (1985), segundo a qual existem seis tipos de
estratégias de produção com as quais as organizações se diferenciam:
Essas referências já permitem vislumbrar algumas questões críticas e capacidades-chave
Estratégia de Negócios
Produtos x Mercados
Estratégia Funcional
Plano de Produção
Progra masde Produçã
o
Estra
preliminares a serem considerados na formulação da estratégia de manufatura, como: a análise e
previsão da demanda, o dimensionamento da capacidade produtiva e localização de instalações.
Essas questões completam o escopo deste estudo.
O Planejamento e Controle da Produção, atividade reconhecida no meio organizacional
pela sigla PCP atua em diversos níveis de decisões: estratégico, tático e operacional. Consiste,
portanto, numa unidade de apoio à produção que, valendo-se dos mecanismos gerenciais da
administração, torna o sistema de produção operativo.
O PCP estabelece as bases que guiam as decisões envolvidas na atividade produtiva da
organização e essas decisões relacionam-se, com a engenharia de produtos, a engenharia de
processos, o dimensionamento da capacidade instalada, a localização de instalações, as políticas de
recursos humanos, as políticas de suprimento e outros desdobramentos subseqüentes.
Como instrumento de gestão da produção, o PCP responde pela coordenação dos
recursos produtivos de modo a concretizar os planos formulados nos diversos níveis decisórios.
Para tanto, o PCP mantém vínculos informativos nos diversos níveis do planejamento da empresa e
com as funções básicas e de suporte do sistema produtivo. No marketing busca conhecimento do
mercado, previsões de demanda, e insights sobre a diferenciação da oferta. De finanças espera o
plano de investimento e os fluxos de caixa esperados. De recursos humanos a política de pessoal e
treinamento. Suprimentos relatam sobre entrada e saídas de materiais. Da engenharia de produto,
desenhos técnicos e listas de materiais. Da engenharia de processo, roteiros de fabricação e tempos
de passagem ( lead times ).
Com esses insumos informativos, cujo fluxo pode ser visualizado na ilustração no^ 2, o
PCP elabora o Plano de Produção, na esfera em que são formuladas as estratégias gerais de
produção. Nos desdobramentos subseqüentes o PCP formula o Plano-mestre de Produção e a
A organização necessita de um referencial de mercado ao planejar suas atividades como:
produção, marketing, finanças, recursos humanos, etc. Geralmente, a referência básica é a previsão
e caracterização da demanda, partindo de dados e análises do mercado global. Em que pese
existirem outros insumos informativos, a previsão de demanda é uma base comum a todo
planejamento empresarial e é o ponto de partida para as principais decisões do processo de
produção.
A previsão de demanda consiste, portanto, num processo racional de busca de informações
a respeito das vendas futuras de um produto ou serviço ou um conjunto deles. Essas informações
devem, ainda, prestar esclarecimentos sobre as características esperadas dos produtos e a
localização onde serão procurados.
A empresa procura, por exemplo, dimensionar o mercado onde atua com base em
tendências positivas, estáveis ou negativas. Nessa análise, dois pontos fundamentais se destacam: a
demanda do mercado global e a demanda da empresa nesse mercado global. A caracterização e a
Previsão da demanda são, portanto, os insumos informativos fundamentais para o planejamento da
ação empresarial.
O ponto de partida para o conhecimento da demanda é definir o que se entende por
“mercado”. Kotler o define como “(…) uma arena para trocas potenciais”. Em termos mais
práticos, é o lugar onde se encontram a oferta e a demanda e em termos mais aplicados a sua
definição compreende:
A área na qual empresas comerciais, industriais e de serviços oferecem, de maneira competitiva, produtos relativamente homogêneos a um conjunto de compradores que procuram bens e serviços capazes de lhes satisfazer determinadas necessidades.
Essa concepção levanta quatro aspectos fundamentais a serem definidos no estudo do
mercado, para a formulação da estratégica de produção:
Em princípio, a demanda pode ser entendida como a procura global por um produto, num
determinado período (em geral, um ano), dentro de uma área geográfica delimitada. De acordo com
certas características a demanda se enquadra em algumas categorias, as principais são:
a) Demanda Primária (ou de mercado) Genérica, refere-se à procura geral por um produto num determinado tempo, numa área delimitada. Informação de um ano de consumo comparado com anos anteriores sinaliza tendências positivas, estáveis ou negativas;
b) Demanda Secundária (ou da empresa) Refere-se à determinada empresa. Parte da demanda global, manifestada num certo território, num tempo determinado. Reflete a cota/fração (participação relativa) que uma empresa tem no mercado global, revelando a posição competitiva da empresa nesse mercado;
c) Demanda de Primeira Compra Faz referência à procura de um produto recém-lançado, desconhecido pelos consumidores. Tendo em vista a diversidade de motivações que levam um consumidor a procurar esse tipo de produto e a ausência de fontes secundárias, deve ser mensurada pela pesquisa ou estimada com base em demandas derivadas.
d) Demanda de Substituição
preço e relativos à renda.
FATORES RELATIVOS AO PREÇO
A elasticidade da demanda em relação ao preço é a variação percentual (aumento ou
diminuição) da quantidade vendida logo após uma variação do preço. Essa relação entre a variação
percentual da quantidade vendida e a variação percentual do preço pode assumir um valor maior,
menor ou igual a um (1). As ilustrações nos^ 3, 4 e 5 mostram gráficos explicativos das situações
possíveis relativas à variação do preço.
Demanda Elástica - o consumidor é sensível ao preço. Quando a relação entre o aumento percentual da quantidade vendida e a diminuição percentual do preço é maior (>) do que 1, a demanda é elástica. Portanto, a uma variação do preço corresponde uma variação mais ampla da demanda. A relação entre as variações percentuais da quantidade vendida e do preço é maior que 1.
Ilustração 3. Demanda Elástica. A uma variação do preço corresponde uma variação mais ampla da demanda.
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Quantidade vendida
Pre
ço
Demanda Rígida – consumidor pouco sensível ao preço.
Após a variação do preço a variação de vendas tem relação inferior a 1, a demanda é rígida. A uma significativa variação do preço corresponde a uma variação mais baixa da demanda. A relação entre as variações percentuais da qtde. vendida e do preço é < 1.
Ilustração 4. Demanda Rígida. Variação do preço corresponde variação mais ampla da demanda.
Demanda Inelástica – consumidor imparcial em relação ao preço.
Quando uma variação de preço provoca mudança equivalente no comportamento da demanda, ou seja, quando a relação for igual a 1, a demanda é inelástica.
Ilustração 5. Demanda Inelástica. Correspondência entre as variações do preço e da demanda.
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Quantidade vendida
Preço
comunicação, a empresa leva o consumidor potencial a escolher uma determinada marca de
produto ou serviço, em detrimento de outra, mesmo que tais marcas tenham características
similares.
Embora subjetivo, o entendimento corrente no meio publicitário é de que existe um “ponto
crítico” a partir do qual o investimento na propaganda produz efeitos. A dificuldade no
estabelecimento desse limite está na sua mobilidade, em razão do investimento da concorrência e
de outros fatores também importantes.
Às vezes a comunicação empresarial está empenhada na influência da demanda global de
determinada linha de produto ou serviços. O propósito é elevar a taxa per capita de consumo ou
uso da oferta, mediante um esforço publicitário institucional, em alguns casos, compartilhado. O
incremento do consumo dos derivados da soja no Brasil pode exemplificar como a propaganda
institucional em regime de verba cooperada – esforço desenvolvimentista de mercado - influencia a
demanda global (primária ou de mercado).
Na perspectiva da organização, o impacto da comunicação comercial é avaliado pelo
aumento das vendas no curto prazo. No longo prazo, as características do produto, o preço, e a
distribuição influenciam o volume de vendas mais do que a propaganda consegue fazer.
Os métodos de previsão de demanda possuem algumas características comuns a todos eles.
Em geral, assumem que a mesma relação causa-efeito que esteve presente no passado continuarão
presentes no futuro, para configurar a demanda. Um outro aspecto comum diz respeito à precisão e
isto significa que os métodos não produzem resultados precisos, o grau de confiança é tanto menor
quanto maior for o horizonte temporal de previsão.
Um dos fatores mais utilizados pela empresa ao estimar a sua cota de demanda é o esforço
comercial deflagrado pelo mix marketing, comparado com o esforço da concorrência e relacionado
ao tamanho da demanda primária conhecida ou estimada. A título de exemplo, pode-se supor três
resorts situados numa localidade turística, equivalentes no número de acomodações, oferecendo
serviços de hotelaria. Na localidade não existem outras opções de acomodação e a cada temporada
recebe 5.000 turistas. A capacidade instalada dos três resorts é de 6.500 vagas. A semelhança da
atuação comercial deles faz supor que as cotas de mercado também são equivalentes, neste caso,
um terço para cada um. No entanto, caso um deles decida aumentar seu investimento no mix
marketing, é natural que aumente a possibilidade de receber mais turistas em relação aos outros
hotéis. Nessa linha, a previsão do hotel que investiu será estimada levando em conta o seu
investimento, comparado com a concorrência. O sentido lógico que orientará o hotel nessa
estimativa considerará sua capacidade de acomodação e serviços adicionais, seu investimento e a
atuação dos concorrentes.
Embora úteis, mas nem sempre suficientes, as técnicas de previsões mais utilizadas na
preparação de uma estratégia empresarial podem ser enquadradas em duas abordagens: a qualitativa
e a quantitativa. Dentre elas pode-se destacar: o potencial do mercado; a previsão de vendas certas;
séries históricas, medidas causais, etc. Na seção seguinte as técnicas de previsão serão abordadas
com mais detalhes, enquanto isso, a lista a seguir permite vislumbrar o alcance de algumas dessas
técnicas, considerando que nenhum delas, isoladamente, é capaz de resolver de modo preciso um
problema de previsão. Se isso fosse possível, um programa de computador seria o bastante.
Extrapolação de Série Histórica Assume que a tendência observada na série histórica passada possa ser projetada para o horizonte temporal futuro; Coleta de Opiniões– método empírico de registrar opiniões de notórios especialistas Opinião do pessoal de vendas – valiosas, mas limitadas pelo território de vendas e por resultados passados. Opinião de especialistas – pessoas com grande experiência no mercado referido, é o caso de atacadistas, distribuidores, revendedores, etc.; Intenções de compradores potenciais
Fonte: Planejamento e Controle da Produção. Dalvio Ferrari – adaptação.
As técnicas de previsão estão subdivididas em qualitativas e quantitativas, conforme foi
mencionado na seção anterior. As qualitativas são baseadas na opinião de peritos-chave nos
mercados e nos produtos a eles destinados. Mais rápidas no seu preparo, são recomendadas em
situações tempestivas ou no lançamento de um novo produto, oportunidade em que não se pode
apoiar em dados passados. A abordagem qualitativa é usada, também, em ambientes turbulentos,
onde o quadro sócio-econômico se mostra instável ou, ainda, em conjunto com abordagens
Objetivos do modelo define a complexidade do problema
Coleta e análise de dados natureza dos dados sinaliza a metodologia de previsão
Seleção da técnica disponibilidade dos dados experiência e custo horizonte temporal
Monitoração do modelo ajuste nos parâmetros nova técnica de previsão
Resultado das previsões demanda real x projeção futura
quantitativas para “jogar luz” sobre informações extraídas de modelos matemáticos.
As técnicas quantitativas, por outro lado, consistem em projeções da demanda futura a
partir de dados passados submetidos a modelos estatísticos, podendo ser enquadradas em dois
grupos: baseadas em séries históricas e baseadas em correlações (métodos causais).
A técnica de séries temporais relaciona matematicamente os dados históricos do produto
com o tempo e consiste no método mais simples e usual de previsão, de muita utilidade. As
correlações procuram estimar a demanda de um produto (variável dependente) com base numa
outra variável relacionada com o produto (variável independente). Dados sobre algumas variáveis
podem ser internos, a quantidade de serviços de montagens de pneus pode estar associada ao
número de pneus vendidos numa loja, por exemplo.
Um gráfico de previsão, baseado em séria histórica, como o da ilustração no7, pode revelar
os fatores que influenciam o comportamento da demanda: tendências, variações aleatórias e
sazonalidades. Embora fora do escopo do presente estudo, os chamados “ciclos” também exercem
influência sobre a demanda. Existem instrumentos estatísticos para a decomposição das séries
históricas, na tentativa de isolar esses fatores de influência e tratá-los separadamente.
Ilustração 7. Fatores que influenciam a previsão de demanda nas séries históricas.
acompanhar o seu desempenho, mediante o confronto das previsões obtidas com a demanda real
observada. O erro de previsão obtido desse confronto permite estabelecer decisivos parâmetros de
manutenção e monitoração da metodologia. Tal acompanhamento procura:(1) analisar a precisão
dos dados obtidos; (2) identificar e ajustar anomalias nas variações; (3) reavaliar a adoção do
método.
Em duas situações distintas o Planejamento e Controle da Produção (PCP) utiliza-se das
previsões de demanda: para dimensionar o sistema produtivo como um todo e para programar o uso
episódico deste sistema. Na primeira, utiliza-se de previsões agregadas para definir no plano de
produção a gama de produtos e serviços a serem produzidos, para definir em que patamar da cadeia
produtiva irá atuar, para o dimensionamento da capacidade produtiva em termos de máquinas e
instalações, para traçar o perfil das competências a serem agregadas em termos de mão-de-obra,
etc. Na segunda situação, os insumos informativos das previsões de demanda são desmembrados no
médio e curto prazos para subsidiar o plano-mestre e a programação da produção, onde são
alocados recursos para implementação, cuidando de questões como: seqüência da produção,
suprimento, armazenagem, programação de cargas de trabalho, etc.
A previsão de demanda é atribuição da área de marketing. Duas razões, no entanto,
justificam o envolvimento da área do PCP nessa tarefa. Uma delas diz respeito ao fato de que essa
previsão é o principal insumo informativo utilizado pelo PCP na formulação e implementação de
suas atividades, com reflexos diretos no seu desempenho. Em segundo lugar, as pequenas
organizações não contam com uma estrutura divisional especializada, requerendo do pessoal
versatilidade para a realização de múltiplas atividades.
O dimensionamento da capacidade consiste numa atividade chave planejada em níveis, de
acordo com os horizontes temporais do planejamento, conforme esquema da ilustração no8. No
primeiro momento, oportunidade em que se formula o Plano de Produção, a capacidade
dimensionada contém informações com elevado nível de agregação. Num momento seguinte, no
horizonte do médio prazo, o planejamento da capacidade trata de pontos críticos, apontando
necessidades de recursos que requerem tempo maior para sua mobilização. Apresenta informações
com certo nível de aproximação. Já não trata de famílias, mas de produtos finais. Em última
instância, no âmbito da Programação da Produção, o ajustamento da capacidade é detalhado em
termos de exigências de curto prazo para deflagrar o processo de produção e suprimento de
materiais.
Ilustração 8. Níveis de planejamento da capacidade.
Como se pode perceber, no horizonte de longo prazo o planejamento da capacidade tem
como principais finalidades: assinalar necessidades de recursos de capacidade a serem mobilizados
num prazo maior e sinalizar os limites de produção de famílias de produtos previstos no plano de
vendas.
Plano de Produção
Capacidade instalada ajuste agregado: Demanda x Capacidade Exigências de recursos
Plano-Mestre de Produção
Capacidade ajuste de médio prazo: Vendas x Capacidade Tratar recursos críticos
Programação da Produção
Capacidade Exigências de curto prazo: carga - mão-de-obra - roteiros, Centros de recursos Tratar recursos críticos Exigências de recursos Controle da Produção
Controle da Capacidade