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Apostila - Trafego, Notas de estudo de Engenharia Civil

Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 15/11/2014

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Apostila do Curso de Graduação em Engenharia Civil
Estudos de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR)
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
SETOR DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE TRANSPORTES
APOSTILA
ESTUDOS DE TRÁFEGO
DISCIPLINA : TRANSPORTES “B”
Volume 1
PEDRO AKISHINO
MARÇO 2005
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Estudos de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

SETOR DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE TRANSPORTES

APOSTILA

ESTUDOS DE TRÁFEGO

DISCIPLINA : TRANSPORTES “B”

Volume 1

PEDRO AKISHINO

MARÇO 2005

Estudos de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cap 01

HORA DE PICO

É o intervalo de uma hora de maior movimento numa determinada via,

num determinado dia, num determinado ponto.

VOLUME DE PICO

Volume registrado em uma hora na hora de pico.

PICO HORÁRIO (K)

Relação entre volume de pico e volume do dia de 24 horas.

DENSIDADE ou CONCENTRAÇÃO

É o número de veículos que estão numa determinada extensão da via,

num dado instante (veículos/km).

FREQUÊNCIA

Tempo entre a passagem da frente de um veículo e a chegada da frente

do veículo seguinte no mesmo ponto de uma via.

OCUPÂNCIA

É a percentagem de tempo em que uma seção da via fica ocupada por

veículo, também chamada de encobrimento.

ANO BASE ou ANO ZERO

Ano a que se referem os dados de tráfego utilizados numa análise.

Normalmente o ano da pesquisa de tráfego e o ano de estudo são os

mesmos e, nesse caso, o ano base é o ano da realização do estudo.

ANO DE ABERTURA ou ANO UM

É o primeiro ano em que uma via onde se realizaram melhoramentos ou

obras é entregue ao tráfego de usuários.

PERÍODO DE PROJETO ou HORIZONTE DE PROJETO

Período para o qual é projetado o tráfego.

ANO DE PROJETO

Último ano do horizonte de projeto.

Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cap 01

VARIAÇÃO ANUAL DE TRÁFEGO (VARIAÇÃO MENSAL)

Os fluxos de tráfego apresentam mutações contínuas em seus volumes

ao longo dos meses de um ano, sendo mais sensíveis nas vias rurais

que nas urbanas.

De maneira geral, as alterações de volume mais significativas nas vias

urbanas, ocorrem nos períodos de férias escolares. No caso de vias

rurais (rodovias) existem influências de safras agrícolas, épocas de

comercializações e, nos casos de rodovias turísticas (praias) existem

as influências de estações do ano e férias escolares.

A variação de volume em vias urbanas, pode ser observada de acordo

com a localização da rua dentro do contexto: ruas de áreas comerciais

têm tráfego intenso no mês de dezembro; em áreas industriais os

volumes são relativamente constantes durante todos os meses do ano.

A título de curiosidade são inseridas 3 curvas adiante, onde são

mostradas as curvas de variação mensal em uma via turística no Estado

do Paraná e duas vias Arteriais Principais (com pedágio), também no

Estado do Paraná.

VARIAÇÃO SEMANAL

Em vias urbanas, normalmente, os volumes diários variam pouco no curso

dos dias da semana. As segundas e sextas feiras apresentam valores um

pouco acima da média; o sábado tem um volume menor e os

domingos e feriados apresentam os volumes mínimos nos grandes

centros urbanos, porém em pequenos centros e em cidades turísticas o

comportamento é bastante diferente.

No caso de vias rurais, normalmente os maiores volumes são

registrados na terça, quarta e quinta feiras na maioria das estradas,

porém dependendo do tipo de rodovia (troncal, alimentadora, arterial,

etc) o comportamento difere um pouco, embora mais ou menos

semelhante. Especificamente no caso de rodovias que servem localidades

de veraneio, o comportamento é totalmente diferente, verificando-se

volumes três a quatro vezes superior à média semanal, nos fins de

semana e feriados.

São apresentadas, na seqüência, 3 curvas que mostram as variações

semanais, sendo a primeira delas, uma rodovia de veraneio

(turística/comercial), mostrando a variação do tráfego numa semana do

mês de janeiro. A segunda curva refere-se a uma rodovia Arterial Principal

(troncal) com variação semanal do tráfego no mês de julho. A terceira

curva refere-se à rodovia de maior movimento existente no Paraná,

mostrando a variação semanal no mês de janeiro.

Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cap 01

VOLUME DIÁRIO DE TRÁFEGO PRAÇA DE PEDÁGIO ECOVIA AUTOM ONIBUS CAMIN DOM 22.360 308 864 SEG 16.371 241 2. TER 11.052 205 3. QUA 12.034 197 3. QUI 12.263 191 3. SEX 19.765 270 3. SAB 16.360 203 2. RODOVIA: BR 277 TRECHO: Curitiba - Paranaguá Volume Diário Em Ambos Sentidos no mês de janeiro ANO: 2002

VOLUME DIÁRIO DE TRÁFEGO PRAÇA PEDÁGIO JAGUARIAIVA AUTOM ÔNIBUS CAMIN DOM 2.086 724 1. SEG 1.971 557 1. TER 1.801 676 1. QUA 1.771 747 1. QUI 1.867 845 1. SEX 2.378 819 1. SAB 2.032 744 1. RODOVIA: PR 151 TRECHO: Piraí do Sul - Jaguariaiva Volume Diário Em Ambos Sentidos no mês de julho ANO: 1999

VOLUME DIÁRIO DE TRÁFEGO PRAÇA PEDÁGIO BALSA NOVA AUTOM ÔNIBUS CAMIN DOM 14.966 663 2. SEG 12.342 617 5. TER 10.193 538 6. QUA 10.086 529 6. QUI 10.405 538 6. SEX 12.650 624 6. SAB 10.895 585 4. RODOVIA: BR 277 TRECHO: Curitiba - Campo Largo Volume Diário Em Ambos Sentidos no mês de janeiro ANO: 2002

VARIAÇÃO SEMANAL

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DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB DIAS DE SEMANA

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VOLUME DIÁRIO AUTOM ÔNIBUS CAMIN

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VOLUME DIÁRIO

AUTOM ÔNIBUS CAMIN

Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cap 01

VARIAÇÃO DIÁRIA DO TRÁFEGO

Os fluxos de tráfego apresentam mutações contínuas em seus volumes

ao longo de um dia de 24 horas.

Nas vias urbanas, normalmente, mais de 70% das viagens diárias

ocorrem no intervalo de 12 horas, compreendido entre sete da manhã e

sete da noite. Os volumes horários variam de 1 a 12% do volume diário.

O volume horário médio é de 4.2% do diário, sendo os valores de pico da

ordem de três vezes o médio. Quando há restrições de capacidade, os

períodos de pico têm duração maior e intensidade menor (achatamento

dos picos).

Nas vias rurais, normalmente existem dois horários de pico, um de manhã

e outro à tarde, embora o pico da tarde tenha valores maiores que o da

manhã.

Os gráficos adiante inseridos mostram a variação do tráfego ao longo de

um dia de 24 horas. No primeiro gráfico é registrada a variação num

domingo do mês de janeiro em uma rodovia de aspecto turístico

(veraneio). O segundo gráfico mostra a variação do tráfego por motivo de

viagem registrada em uma cidade típica americana com uma população

entre 200.000 – 500.000 habitantes, dados de 1990 da Nationwide

Personal Transportation Survey (NPTS) - Federal Highway Administration.

Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cap 01

VOLUME HORÁRIO AMBOS SENTIDOS HORARIO AUTO ONIB CAMIN 00-01 123 3 28 01-02 69 1 13 02-03 34 1 8 03-04 30 0 2 04-05 44 2 3 05-06 52 4 14 06-07 119 8 10 07-08 273 10 12 08-09 535 15 30 09-10 971 9 38 10-11 1.233 8 51 11-12 1.489 22 32 12-13 1.343 22 49 13-14 1.363 11 26 14-15 1.577 18 53 15-16 1.487 19 33 16-17 1.946 17 51 17-18 1.729 36 63 18-19 1.721 53 77 19-20 1.797 24 89 20-21 1.508 27 70 21-22 1.124 29 43 22-23 913 12 57 23-24 451 6 44 RODOVIA: BR 277 - TRECHO: Curitiba - Paranaguá SOMA 21.931 357 896 Volume Horário de um Domingo do Mês de Janeiro de 2002 - Ambos os Sentidos

VOLUME HORÁRIO(VEÍCULOS) DISTRIBUIÇÃO % NO DIA HORARIO HBW TM 00-01 0,35 0, 01-02 0,22 0, 02-03 0,35 0, 03-04 0,06 0, 04-05 1,03 0, 05-06 2,57 0, 06-07 8,58 3, 07-08 14,46 7, 08-09 8,06 5, 09-10 3,03 3, 10-11 2,63 4, 11-12 2,29 5, 12-13 2,86 6, 13-14 2,86 6, 14-15 4,4 7, 15-16 6,58 8, 16-17 9,78 9, 17-18 12,24 9, 18-19 6,86 7, 19-20 2,63 4, 20-21 1,94 3, 21-22 2,29 3, 22-23 2,05 2, 23-24 1,89 1, SOMA 100% 100% HBW - Viagem com Base Domiciliar Motivo Trabalho TM - Viagens Totais (Todos os Motivos) Distribuição Percentual ao Longo de um Dia de 24 Horas em uma Área Urbana com 200.000 - 500.000 habitantes

VARIAÇÃO HORÁRIA

0

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00- 01 01- 02 02- 03 03- 04 04- 05 05- 06 06- 07 07- 08 08- 09 09- 10 10- 11 11- 12 12- 13 13- 14 14- 15 15- 16 16- 17 17- 18 18- 19 19- 20 20- 21 21- 22 22- 23 23- 24 HORÁRIO DE UM DIA

VOLUME DE TRÁFEGO

AUTO ONIB CAMIN

VARIAÇÃO HORÁRIA

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PERCENTAGEM DO TOTAL DO DIA

HBW TM

Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cap 01

BIBLIOGRAFIA DO CAPITULO 01

MANUAL DE ENCUESTAS DE TRANSPORTE URBANO

LEON, Modesto Rodrigues com assessoria do Prof.José Geraldo Maderna Leite

LIMA / Peru 1988

TRAFFIC ENGINEERING HANDBOOK

BAERWALD, John 1965

ENGENHARIA DE TRAFEGO

Grêmio Politécnico

CURSO DE EXTENSÃO EM ENGENHARIA DE TRÁFEGO

AKISHINO, Pedro 1979

BOLETIM TÉCNICO No.

COMPANHIA DE ENGENHARIA DE TRÁFEGO (CET)

MANUAL OF TRAFFIC ENGINEERING STUDIES

Paul C. Box e Joseph C. Oppenlauder 1976

ENGINIERIA DE TRAFICO

VALDES, Antonio Espanha

Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cap 03

1.1 Escolha do Local de Pesquisa e Croquis Esquemático

1.1.1 Rodovias Municipais

Pesquisas de tráfego em rodovias municipais, normalmente serão pesquisas simples, pois tais rodovias, normalmente acomodam um tráfego baixo e de curta distância (tráfego local). Quando uma rodovia municipal apresenta importância significativa, acomodando tráfego de longa distância (intermunicipal, ou interestadual) a escolha dos locais de pesquisa, bem como a quantidade de postos de pesquisa a serem considerados deve obedecer aos critérios indicados adiante em Rodovias Estaduais e Federais.

É interessante, como uma primeira avaliação, elaborar um croquis esquemático de localização do trecho dentro do Município. O Mapa rodoviário do Município é um elemento preponderante nesse trabalho. Certamente, o Mapa não necessita estar em escala adequada, nem é necessário apresentar minúcias, ou precisões nas informações. Seria suficiente que o Mapa do Município mostrasse a sede do Município, as principais rodovias existentes, federais, estaduais e municipais pavimentadas, os principais distritos, vilas, bairros e povoados (apenas os mais significativos). Nesse Mapa estaria assinalado o trecho rodoviário cujo investimento é pretendido.

Certamente que, devido à redução do tamanho para apresentação, o trecho solicitado, pode se transformar apenas em um ponto, ou um segmento por demais curto no Mapa. Um círculo envolvendo o trecho considerado indicará a prancha ampliada do local. Nessa prancha, em tamanho adequado (A4 ou A3 no máximo), estará mostrado com um pouco mais de detalhe, a área próxima da área de influência da rodovia. Os pontos extremos da rodovia deverão aparecer claramente.

Se estiver sendo pretendida a inclusão da rodovia no programa de pavimentação, a prancha do detalhe da rodovia deve mostrar:

  • sede de Município
  • nome dos pontos extremos (distrito, bairro, vila, patrimônio, entroncamento rodoviário, etc.)
  • rodovias pavimentadas próximas e sua ligação com alguma delas (para que o trecho não fique “pendurado”).

Se estiver sendo pretendida a inclusão da rodovia no programa de melhorias de pequeno investimento, a prancha de detalhe da rodovia deve mostrar:

  • sede do Município
  • nome dos pontos extremos
  • ligação dos pontos extremos com vias revestidas ou pavimentadas.

Essas pranchas não necessitam estar desenhadas em escala, podendo ser uma prancha de localização esquemática apenas. O seu objetivo é posicionar a rodovia no contexto geral do Município.

Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cap 03

A terceira prancha, também em tamanho adequado (tamanho A4 de preferência), aceitando-se o tamanho A3 no máximo, deve mostrar detalhes da rodovia em análise. Será esquemático, sem escala, mas com indicação de todas as distâncias, onde serão assinalados os pontos notáveis existentes ao longo do trecho (grandes indústrias, vilas rurais, usinas, parques, grandes escolas, fábricas, grandes represas de recreação, locais de turismo, hotéis campestres, etc.) e todas as rodovias que cruzam, ou se originam da mesma.

Alguns exemplos dessa terceira prancha são mostrados nas figuras adiante inseridas.

No caso do Exemplo 1, temos um trecho rodoviário com 3 subtrechos de tráfego diferentes. De Vila André até ao Entroncamento de Acesso ao Bairro Andrade, o tráfego deve ser diferente do segmento seguinte, o subtrecho compreendido entre o Entroncamento de Acesso ao Bairro Andrade e Entroncamento de Acesso a Vila Antonio e Patrimônio São Pedro. O terceiro subtrecho é o segmento entre este último entroncamento até ao entroncamento com a PR xxx, no km 48 da PR. A PR xxx indica a existência de uma rodovia estadual (no caso, rodovia do Estado do Paraná) cruzando o mesmo. As localidades Bairro Andrade, Vila Antonio e Patrimônio São Pedro são chamados de geradores de tráfego.

Num trecho desta natureza, pode-se realizar pesquisa em apenas um dos trechos, dependendo da finalidade do estudo, como por exemplo, quando se deseja saber se vale considerar o trecho como um possível trecho para integrar a relação dos trechos para um programa de pavimentação do Governo. Entretanto, para o desenvolvimento de projetos de engenharia será necessário fazer uma pesquisa de tráfego em cada um dos subtrechos para se verificar qual o tráfego de cada um deles.

Como o que interessa para cada um dos motoristas é chegar a um determinado local (normalmente, sede do Município), e, como o caminho natural é a PR xxx, certamente o terceiro subtrecho apresenta tráfego maior que os demais. O posto de pesquisa de tráfego deve ser posicionado mais ou menos no meio do trecho, contudo, deve-se escolher um local onde os pesquisadores fiquem ao lado da rodovia, fora da pista de rolamento, onde possa enxergar o tráfego dos veículos, distinguindo-os quanto aos seus tipos (automóveis, ônibus, ou caminhões). Assim sendo, muitas vezes não é possível escolher um local bem no meio do trecho. A escolha do local deve levar em conta, não só uma área onde os pesquisadores possam montar uma barraca, mas também, preferencialmente, onde os mesmos tenham um ponto de apoio para suas necessidades (uso de banheiro, por exemplo). O importante é que o posto de pesquisa esteja dentro do subtrecho, evitando a influência de algum gerador de tráfego específico. No caso deste subtrecho não existe esse gerador.

Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cap 03

No caso do Exemplo 2, temos 2 subtrechos: Distrito Esperança – Vila Rural e Vila Rural – Lagoa Seca. Partindo-se da premissa de que Distrito Esperança é maior que Lagoa Seca e Vila Rural, o gerador maior de tráfego é o Distrito. Assim sendo, o maior volume de tráfego deve ser do primeiro subtrecho: Distrito Esperança – Vila Rural. Deverão ser considerados 2 postos de pesquisa, uma vez que 2 segmentos são identificados, certamente, apresentando tráfegos diferentes. Os mesmos cuidados na escolha do local, discutidos anteriormente, devem ser tomados, porém, no caso específico deve- se evitar a influência da área urbanizada (gerador de tráfego). Assim, o posto de pesquisa deve ficar fora da área de influência do tráfego urbano do Distrito e da Vila.

No caso do Exemplo 3, o Patrimônio São Miguel é um gerador de tráfego e o posto de pesquisa não deve ser alocado no primeiro subtrecho: Xanadu – Entroncamento de Acesso a Patrimônio São Miguel.

Enfim, o posto de pesquisa de tráfego deve ser posicionado em local que identifique, o mais fielmente possível, o tráfego do trecho. Certamente que, ao longo dos trechos de cada um dos exemplos citados existem diversos acessos a propriedades existentes ao lado da rodovia e, na verdade, cada um deles é um gerador de tráfego. Observe-se, porém, que se trata apenas de um pequeno gerador de tráfego e, não necessita ser considerado como um gerador significativo. Esses acessos a propriedades nem aparecem no croquis esquemático desenhado, porque não são considerados na definição de subtrechos de um trecho rodoviário.

1.1.2 Rodovias Estaduais e Federais

No caso de Rodovias Estaduais ou Federais, o processo é semelhante, com a diferença de que os trechos rodoviários, normalmente são de maiores extensões e apresentam maiores quantidades de outras rodovias cruzando o trecho rodoviário em estudo, o que faz com que haja a necessidade de se considerar mais de um posto de pesquisa. Serão apresentados no Capítulo 06 adiante, exemplos de dimensionamento de postos e formulários de campo para rodovias de maior porte, como as estaduais e federais.

Observe-se, por outro lado, que no item 1.1.1 anterior, foram definidos apenas postos de contagens volumétricas e que a rodovia de alguma forma é existente. Para o caso de rodovia não existente e, para o caso de se identificar um tráfego futuro que possa se desviar de outra rodovia para a mesma, deve- se considerar postos de pesquisa de origem/destino. Normalmente, a consideração de postos de origem/destino é feita para se identificar desvios de tráfego, o que significa que esses postos deverão ser alocados em outras rodovias, de tal forma a que se possa identificar qual o trajeto desejado e o trajeto que o veículo realiza. Para tal, existem diversos métodos de pesquisa de origem/destino; o método mais utilizado no Brasil é o de entrevista na via. A localização dos postos de origem/destino, bem como sua quantidade é função da rede viária existente, não havendo, portanto, uma regra básica a ser obedecida. Para cada caso deverá ser feita uma análise específica.

Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cap 03

2. UM EXEMPLO DE FORMULÁRIO DE CAMPO DE CONTAGEM

VOLUMÉTRICA E FORMAS DE PREENCHIMENTO

Diversos modelos de formulários de campo para pesquisa de tráfego serão apresentados no Capítulo 06 adiante. No presente Capítulo será mostrado o modelo de um formulário bastante simples que se encontra inserido logo adiante, na página seguinte.

Observe-se, pelo formulário Modelo que existem, no cabeçalho, os dados para serem preenchidos com o Número do Posto de Pesquisa (numeração de controle do Município), a data e o dia de semana. A data e dia de semana são dados importantes, como será visto mais adiante. Além disso, existe espaço para que seja indicada a Rodovia (sigla). Se a rodovia não tiver sigla, anotar- se-á apenas: “Municipal”. Existe também um espaço para indicação do trecho. O trecho é o trecho para o qual pretende-se realizar o investimento. Assim, por exemplo, o trecho do Exemplo 2 é Distrito Esperança – Vila Rural, para o Posto

O formulário apresenta 3 grandes colunas. A primeira coluna é reservada para anotação de horários. O número de veículos contado no campo é registrado na segunda e terceira colunas. Observe-se também que existem 8 linhas designadas de: “DE” e “ATÉ”.

Nos 4 quadradinhos da coluna: “Horário”, logo após as palavras “DE” e “ATÉ” são preenchidos os horários do intervalo de pesquisa. Como existem 8 linhas, em cada linha é registrado o número de veículos contados em uma hora cheia. Em se tratando de uma pesquisa de 12 horas, por exemplo, a pesquisa poderá ser realizada entre 06:00 horas e 18:00 horas. Isto significa que se utilizarão dois formulários para cada dia de pesquisa. No primeiro formulário, o horário será de 06:00 até 14:00 e, no segundo o restante.

Assim, na primeira linha os quadradinhos deverão ser preenchidos com os números:

DE 0600 ATÉ 0700

Isto significa que, nessa linha são anotados todos os veículos que transitaram entre 6 e 7 horas. Na segunda linha são anotados os veículos das 7 às 8 horas e os números a serem preenchidos nos quadradinhos serão: DE 0700 ATÉ 0800 ... e assim por diante.

Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cap 03

As 2 outras grandes colunas são subdivididas em 3 subcolunas cada uma. Na primeira subcoluna registram-se os automóveis que transitarem na rodovia; na segunda, os ônibus e, na terceira, os caminhões. Na primeira dessas duas colunas são registrados os veículos transitando no sentido um: sentido do nome do trecho. Por exemplo, se o trecho chama-se Xanadu – Vila Promessa, o sentido considerado é de Xanadu para Vila Promessa e todos os veículos transitando nesse sentido são registrados nessa coluna. Na segunda dessas duas colunas são registrados os veículos transitando no sentido contrário.

Portanto, todos os veículos que passarem na rodovia, num sentido ou noutro, durante o horário assinalado nas quadrículas da coluna horário, serão assinalados na linha correspondente. Pode-se, dessa forma, saber qual é a distribuição do tráfego por horário do dia.

Adiante é incluído um formulário já preenchido como um exemplo hipotético, para maiores esclarecimentos.

Observe-se, no formulário que o Número do Posto foi assinalado como sendo AC03. Esta enumeração é uma enumeração de controle do próprio engenheiro de tráfego que vai realizar o estudo. A data e o dia de semana, como já afirmado, são importantes pois serão utilizados mais adiante. A rodovia, por não ter ainda uma sigla definida foi chamada simplesmente de Municipal e o trecho é o do Exemplo 3.

Observe-se que o número da folha é 1 de 6. Significa que existem 6 folhas para essa pesquisa. Certamente, tratou-se de uma pesquisa de 3 dias consecutivos; em cada dia foram utilizados 2 formulários pois as pesquisas continuaram depois das 14 horas até uma outra hora qualquer (provavelmente foi até 18 horas).

Como se pode observar ainda pelo formulário preenchido, foram contados os veículos que transitaram no sentido Xanadu – Vila Promessa e os veículos que transitaram no sentido Vila Promessa – Xanadu. Observe-se também que, entre 6 e 7 horas, foram registrados 2 automóveis, nenhum ônibus e 1 caminhão transitando no sentido Xanadu – Vila Promessa. Entre 7 e 8 horas foram registrados: 3 automóveis, 1 ônibus e 2 caminhões. Entre 8 e 9 horas foram registrados: 11 automóveis, 3 ônibus e 4 caminhões... e assim por diante.

Portanto, é necessário observar que existem quadradinhos pontilhados no formulário modelo. Esses quadradinhos pontilhados servem como guia para o pesquisador que vai preencher o formulário no campo. Na primeira linha (6-7 horas), na primeira coluna (automóveis) somente 2 tracinhos tracejados foram utilizados, pois somente 2 automóveis passaram no posto de pesquisa nesse horário, no sentido Xanadu – Vila Promessa.

  • CAPÍTULO 01: Conceitos Básicos de Tráfego ÍNDICE
  • CAPÍTULO 02: Determinação do Tráfego Existente Atual - 1. Classificação das Contagens Volumétricas - 2. Métodos de contagens Volumétricas - 3. Períodos de Contagens Volumétricas - 4. Métodos de Pesquisas de Origem-Destino - 5. Generalidades - 6. Execução de Pesquisas de Tráfego em Rodovias - 7. Execução de Pesquisas de Tráfego em Vias Urbanas - 8. Correção dos Dados de Uma Amostragem - 10. Conceitos Diversos 9. Sequência de Atividades para Determinação do Tráfego Existente Atual - 11. Exercícios
  • CAPÍTULO 03: Determinação do Tráfego Futuro
  • CAPÍTULO 04: Tempos de Percurso e Demoras
  • CAPÍTULO 05: Número N
  • CAPÍTULO 06: Interseções
  • CAPÍTULO 07: Aplicações de Conceitos de Velocidades
    • 7.1 Atrasos Devidos às Lombadas e Semáforos
    • 7.2 Estudos de Filas em Interseções Não Semaforizadas
  • CAPÍTULO 08: Semáforos
  • CAPÍTULO 09: Estudos de Capacidade
    • 9.1 Introdução
    • 9.2 Multilane (Múltiplas Faixas)
    • 9.3 Two Lane (Pista Simples)
    • 9.4 Interseções Sem Semáforos
    • 9.5 Rotatórias
    • 9.6 Ondas de Congestionamento
  • Introdução à Engenharia de Tráfego – Prof. Pedro Akishino – Universidade Federal do Paraná (UFPR) Cap