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Um projeto de habitação popular na amazônia, desenvolvido pela arquitetura e engenharia da caixa, com a intenção de oferecer condições dignas de habitabilidade a população local, integrando princípios de arquitetura bioclimática e preocupações ambientais. O texto aborda o clima equatorial da região, as características do movimento solar e o conforto ambiental, além de discutir a importância de fechamentos opacos e transparentes, o telhado, a ventilação e a preservação de árvores.
Tipologia: Notas de estudo
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Arq. Mauro Beck Rolim da Rosa Eng. Marcelo Mavignier Jung Eng. João Fernandes de Carvalho Eng. Rogério Mitsuo dos Santos Eng. Sérgio Augusto Mineiro Eng. Marcelo Mascarenhas da Silva Pontes Eng. Cláudius Ferrari Duarte de Oliveira Arq. Glaydson de Jesus Cordovil Pereira
Esta proposta de habitação popular destinada para a região amazônica tem por objetivo integrar questões sócio-ambientais às práticas de gestão, oferecendo à população uma alternativa de moradia com uma preocupação ambiental, visando oferecer a baixo custo condições dignas de habitabilidade. É embasado em princípios da arquitetura bioclimática, para que com o uso passivo da energia mais pessoas possam ter acesso à eletricidade.
CLIMA, TEMPERATURA E UMIDADE DO AR O clima equatorial que compreende toda a Amazônia possui temperaturas médias entre 25°C e 27°C, com amplitude térmica anual de até 3°C e grande umidade do ar em todas as épocas do ano (83% em média).
MOVIMENTO APARENTE DO SOL E CONFORTO AMBIENTAL Estudando-se os dados de radiação solar e a trajetória do sol ao incidir sobre os planos verticais e horizontais, tomando como base o horário de 12h no solstício de verão (que ocorre no dia 21 de dezembro), no solstício de inverno (21 de junho) e nos equinócios (dias 21 de março e 21 de setembro), verifica-se que a amplitude angular do sol em relação ao azimute tem variação muito pequena no estado, diferente de outras regiões mais ao sul do país onde estas características, por serem bem mais discrepantes, tornam as estações do ano mais definidas. Baseado nestas premissas e comparando com situações reais, podemos observar que o ganho térmico das edificações no Amazonas se dá principalmente pela insolação direta e não tanto pela temperatura em si, pois esta dificilmente atinge grandes picos. Então, para diminuir os efeitos da radiação solar e tornar os ambientes mais confortáveis termicamente devemos dar toda a atenção aos planos de maior exposição ao sol, que são os planos verticais leste, planos verticais oeste e planos horizontais. Para conceber o projeto arquitetônico foi especulado justamente sobre os planos verticais onde deveríamos usar fechamentos opacos (paredes) e onde usar
O desenho do telhado em duas águas e a opção pela não utilização de calhas horizontais procuram lançar as água pluviais para fora da projeção da edificação o mais rápido possível, proporcionando também mais facilidade de manutenção aos futuros usuários.
ASPECTOS ECONÔMICOS E SOCIOCULTURAIS Há um grande defict para este tipo de habitação, tanto na Amazônia como em todas as regiões do país, pois tem como público alvo principal a população com renda de até 3 salários mínimos. Levando-se isto em conta, na elaboração desta proposta também foram observadas formas culturais locais de apropriação do espaço e aplicadas medidas arquitetônicas que garantem privacidade, interna e externamente às unidades habitacionais.
ASPECTOS CONSTRUTIVOS E ÁREA RESTANTE DO LOTE A implantação da unidade habitacional em relação ao lote permite adições de novas construções somente para os fundos do terreno, como é o caso da ampliação proposta, salvaguardando as fachadas principais de futuras descaracterizações. Além da ampliação proposta (ou várias derivações que se pode compor a partir dela), pode-se permitir a construção de edícula ao fundo do terreno, não associada ao corpo da casa, que pode ser usada como unidades de trabalho e geração de renda, tendo acesso independente através do corredor externo lateral. Deve-se também estabelecer uma política de plantio de árvores, tanto anterior como posterior à habitação. Ao ser implementado este projeto, a vegetação nativa de médio e grande porte que estiver fora da projeção das casas deve ser mantida como elemento atenuante do calor; dependendo da relevância das árvores que se encontrarem no terreno, a própria locação da construção deve ser alterada para que a vegetação seja preservada, conforme preconiza a atual Política Ambiental Corporativa da CAIXA.