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Bullying nas Escolas: Análise do Fenômeno e Estratégias de Combate, Slides de Socialização e o Curso da Vida

Apostilas de cursos livres para Atividades complementares.

Tipologia: Slides

2021

Compartilhado em 19/08/2021

Ariane_Souza
Ariane_Souza 🇧🇷

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Seja Bem Vindo!

Curso

Bullying

Carga horária: 55hs

Conteúdo Programático :

Introdução

O Fenômeno Bullying e sua Etiologia

Definindo o conceito de Bullying

Definindo o conceito de Cyberbullying

As Causas e Consequências da Prática do Bullying

O Fenômeno Bullying nas Escolas

Maneiras de Praticar Bullying e seus Protagonistas

Projetos e Práticas Psicopedagógicas para redução do

Bullying

Bibliografia/Links Recomendados

psíquicas e sociais, agindo de forma violenta. Com isso, faz-se necessário atentar para os problemas gerados em conseqüência deste. Diante do preocupante panorama escolar, percebe-se a necessidade em pesquisar sobre o fenômeno bullying, tendo em vista as poucas publicações encontradas sobre esta temática que visam aprofundar sobre o assunto. A Psicologia deve exercer papel fundamental na busca de fatores que possam explicar e auxiliar na prevenção e combate a essa tamanha barbárie contra vítimas e praticantes deste ato. Diante deste contexto, configura-se como problema de pesquisa neste curso: Quais os transtornos psicológicos que podem ser gerados a partir do bullying e quais os possíveis programas psicopedagógicos? O presente curso parte da premissa de que são muitos os transtornos gerados a partir desse tipo de agressão, entre eles estão o transtorno de pânico, de estresse pós-traumático e depressão. Diante desses problemas psicológicos advindos do bullying faz-se necessário um acompanhamento psicopedagógico com esses estudantes, tantos aos que sofrem, quanto àqueles que praticam tal ato. Frente a este exposto, este curso objetiva-se de maneira geral em analisar as manifestações da agressão escolar configurada no fenômeno bullying , buscando compreender as nuances psicológicas acarretadas por ele, assim como, seu possível tratamento psicopedagógico. Como objetivos específicos destacam-se: · Investigar o fenômeno bullying; · Compreender como o bullying tem se manifestado no contexto escolar brasileiro; · Identificar as possíveis causas deste tipo de agressão; · Elencar os problemas emocionais gerados no processo de agressão;

· Levantar elementos que possam contribuir com os programas psicopedagógicos do sujeito acometido pelo bullying. O FENÔMENO BULLYING E SUA ETIOLOGIA Sofrer com apelidos criados pelos colegas de sala de aula, ter que se defender diante de uma mentira inventada por algum colega, ou ainda se defender diante de uma agressão sofrida são situações que se tornam cada vez mais presentes no cotidiano escolar de crianças e adolescentes. Pesquisas mostram que essas atitudes eram consideradas "brincadeiras" entre estudantes, e percebidas como irrelevantes pela maioria dos educadores e pais, porém, atualmente, constata-se que essas brincadeiras causam um enorme prejuízo à vítima dessa situação. De forma que, atualmente este fenômeno está sendo encarado de maneira mais séria pelos especialistas em questão, que denominaram este tipo de comportamento como sendo: Bullying. Estudos indicam que as simples "brincadeirinhas de mau-gosto" de antigamente, hoje denominadas bullying, podem revelar-se em uma ação muito séria. Causam desde simples problemas de aprendizagem até sérios transtornos de comportamento responsáveis por índices de suicídios e homicídios entre estudantes (SILVA, 2006, p. 02). De acordo com Fante (2005), bullying é uma palavra de origem inglesa, utilizada em diversos Países para conceituar o desejo consciente e deliberado de maltratar outro indivíduo e pressioná- lo. Segundo Cavalcante (2004), bullying é um termo oriundo da palavra inglesa bully; a qual se refere aos termos de valentão e brigão. Já como verbo, tem o significado de ameaçar, amedrontar, tiranizar, oprimir, intimidar e maltratar. Ainda conforme Fante (2005), há muitos estudos sobre a fenomenologia do bullying nos últimos anos. No entanto, há algumas dificuldades encontradas pelos estudiosos, e entre estas

De acordo com Cavalcante (2004) a primeira pessoa a relacionar a palavra ao bullying foi o professor Dan Olweus, da Universidade da Noruega. Ao estudar sobre as tendências suicidas entre jovens, Olweus concluiu que a maior parte destes adolescentes tinha sofrido algum tipo de ameaça e, sendo assim, bullying era um mal a ser combatido. Como é um assunto considerado novo, ou seja, estudado há pouco tempo, pois, as primeiras pesquisas são da década de 90, cada País deve encontrar uma palavra em seu próprio vocábulo que se refira a este conceito, tendo o mesmo significado. De acordo com Fante (2005), o Brasil adotou o termo que é utilizado na maioria dos países: Bullying. O fenômeno bullying é caracterizado como sendo um subconjunto de atos agressivos, repetitivos, nos quais evidenciam um desequilíbrio de poder, incapacidade de defesa da vítima, seja essa por variados fatores, tais como: menor estatura ou força física, por estar em minoria, por ser pouco habilidoso em se defender, pela falta de assertividade e pouca flexibilidade psicológica perante o autor ou autores do ataque. Os critérios acima citados muitas vezes não são aceitos universalmente, mas ainda assim não deixam de ser empregados em muitas ocasiões. Alguns estudiosos consideram ser necessários no mínimo três ataques contra a mesma pessoa ao longo do ano para que este seja caracterizado como bullying (FANTE, 2005, p. 28). Ainda de acordo com Pereira (2002), bullying é caracterizado por uma série de comportamentos agressivos de intimidação e que apresentam várias características comuns, entre as quais se identificam várias estratégias de intimidação do outro e que resultam em atos violentos desempenhado por um indivíduo ou por pequenos grupos de modo regular e frequente. Sendo assim, segundo a ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e a Adolescência), o bullying é constituído de todas as formas de atitudes, intencionais e repetidas, que acontecem sem um motivo claro, realizados por um ou mais estudantes contra outro(s), provocando dor, angústia,

e executadas através de uma relação desigual de poder. A ABRAPIA ainda ressalta (s/d) que os comportamentos caracterizados como bullying são: colocar apelidos, ofender, fazer gozações, encarnar, fazer humilhações, causar sofrimento, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, fazer perseguições, assediar, aterrorizar, tiranizar, dominar, agredir, bater, dar chutes, dar empurrões, causar ferimentos, roubar, e ainda quebrar pertences. Definindo o conceito de Bullying Desde o início dos estudos relativos à violência escolar e às relações entre alunos nas escolas, o fenômeno hoje aceito por bullying [termo de origem inglesa] (…) tem tido vários nomes em função quer do país dos investigadores, quer da própria abrangência do conceito e da evolução do mesmo. (…) Em Portugal, têm sido utilizados termos como “intimidação”, “prepotência”, “violência escolar entre pares”, entre outros. No Brasil, o termo "bullying" está mais popularizado atualmente.

criança vitimada pode estar em desvantagem numérica, ou só entre muitos, ser mais nova, menos forte, ou simplesmente ser menos auto confiante. A criança ou crianças agressivas exploram esta oportunidade para infligir dano, obtendo quer gratificação psicológica, quer estatuto no seu grupo de pares ou, por vezes, obtendo mesmo ganhos financeiros diretos extorquindo dinheiro ou objetos aos outros”. Seixas (2005:98) refere que “qualquer comportamento de bullying é manifestado por alguém (um indivíduo ou um grupo de indivíduos) e tem como alvo outro indivíduo. Assim sendo, encontra-se sempre subjacente o envolvimento ativo de, pelo menos, dois sujeitos, aquele que agride (o agressor) e aquele que é vitimizado (a vítima). Nesta perspetiva, quando ocorre um episódio de bullying ocorre simultaneamente uma situação de vitimização”. Como referem Carvalhosa etal. (2001) o bullying é caracterizado por determinados critérios:

  1. A intencionalidade do comportamento, isto é, o comportamento tem um objetivo que é provocar mal-estar e ganhar controle sobre outra pessoa; 2.O comportamento é conduzido repetidamente e ao longo do tempo, ou seja, não ocorre ocasionalmente ou isoladamente, antes passa a ser crónico e regular; 3.Um desequilíbrio de poder é encontrado no centro da dinâmica do bullying, em que normalmente os agressores vêem as suas vítimas como um alvo fácil. 4.Outro aspeto a destacar é que o comportamento agressivo não resulta de qualquer tipo de provocação ou ameaça prévia. O bullying pode manifestar-se de diversas formas, podendo ser

distinguidos, essencialmente três tipos ou formas:

1. Direto e físico , que inclui bater ou ameaçar bater; pontapear, roubar objetos, estragar objetos, extorquir dinheiro ou ameaçar fazê-lo, forçar comportamentos sexuais ou ameaçar fazê-lo, obrigar ou ameaçar colegas a realizar tarefas contra a sua vontade. 2. Direto e verbal , englobando situações como chamar nomes, gozar, fazer comentários racistas ou que salientem qualquer defeito ou deficiência dos colegas. 3. Indireto , que inclui situações como excluir sistematicamente alguém do grupo ou das atividades, ameaçar com frequência a perda da amizade ou a exclusão do grupo de pares, espalhar boatos e/ou rumores, ou seja, manipular a vida social do colega ou colegas. O bullying pode ser praticado por apenas um indivíduo – “bully”, provocador ou agressor – ou por um grupo, quanto ao alvo do bullying, pode também ser um indivíduo – “ victim ”, vítima – ou um grupo. Podemos adiantar alguns aspectos que nos ajudam a definir melhor as situações de bullying: 1. Intencionalidade de fazer mal e persistência de uma prática a que a vítima é sujeita. 2. A agressão não é resultado imediato de uma provocação, ou de ações que possam ser vistas ou entendidas como provocações.

faz sentido falar de bullying de alunos contra professores (uma vez que esta não é uma relação entre pares), mas não há “escolas de paz” em zonas de violência e, sendo tecnicamente incorreto falar-se de bullying na relação de alunos com professores, já é infelizmente uma realidade a ocorrência deste fenómenos entre pares/ docentes”. Os efeitos do bullying, quer a curto, quer a médio e longo prazo têm sido estudados nos últimos anos com particular interesse, como resultado ou resposta a acontecimentos mais ou menos trágicos, que envolveram suicídios, marginalidade e abandono escolar. É o seu carácter persistente e sistemático que tem aspetos claramente negativos para as vítimas que são diretamente atingidas no seu quotidiano escolar, afetando também o seu rendimento académico. Um estudo de Sharp & Thompson (1992) adianta que numa amostra de 723 alunos das escolas secundárias das quais 40% foram vítimas naquele ano letivo, verificaram que 20 % dos alunos referiram que se tornavam mais negligentes ao tentar escapar das agressões; 295 alunos referiram que era difícil concentrarem- se nas tarefas escolares, 22% sentiram-se indispostos, depois de serem agredidos e 20% experimentaram dificuldades em adormecer ou durante o sono. Um estudo de Haselager & Lieshout (1992) concluiu que as vítimas, em especial aquelas que tinham sido reportadas pelos pares, apresentavam mais problemas de relação do que os agressores. Igualmente, as

vítimas experimentavam com mais frequência pouca aceitação, ativa rejeição e eram menos frequentemente escolhidas como os melhores amigos. Também apresentavam fracas competências sociais, como por exemplo cooperação, partilha e capacidade de ajudar os outros. “Na vida, em suas relações com as pessoas, não seja vítima, não seja agressor(a), seja humano. Seja cidadão(ã). Diante da violência ou do desrespeito, não se omita”. (Campanha anti-bullying nas escolas brasileiras) Como sugere Martins (2005:402) “a agressão e a vitimação parecem ter consequências nefastas para os principais envolvidos no fenômeno bully-vítima, quer a curto, quer a longo prazo. Assim, as vítimas tendem a exibir um autoconceito geralmente desfavorável; baixa auto-estima; problemas de saúde física (sintomas psicossomáticos) e de saúde mental (sintomas depressivos, insegurança e ansiedade); e tendem ainda a ser rejeitados pelos pares”. A longo prazo há uma série de outros problemas que lhe estão associados, como a depressão na vida adulta. Apesar disso, alguns estudos evidenciam que ser vítima em criança não implica necessariamente continuar a ter, na vida adulta esse estatuto. Parecem indicar que noutros contextos, os sujeitos passam a ter maior liberdade para escolher o seu grupo social e/ou meio de influência. Outros estudos referem problemas a nível das relações íntimas na vida adulta e dificuldade em confiar nos outros (Gilmartin, 1987), problemas de ajustamento social na

precipitante de futuras carreiras delinquentes delinquentes para as crianças que com frequência agridem/intimidam”. Martins (2005:402), citando um estudo de Olweus (1997) refere que os agressores, com a idade, podem evoluir no sentido da delinquência e criminalidade mais séria na vida adulta. “Em contextos sociais em que a agressão não é valorizada estes alunos tendem também a ser rejeitados pelos pares, porém em contextos sociais que valorizam a agressão tendem a ter um estatuto sociométrico controverso, médio ou mesmo popular”. Estudos mais recentes têm-se debruçado nos efeitos do bullying sobre as testemunhas ou observadores passivos desses acontecimentos (Cowie, Murray & Brooks, 1996), referem que as testemunhas apresentam sinais de sofrimento e incompreensão do contexto de bullying. Outros estudos apontam também consequências para um grupo de crianças que são simultaneamente vítimas e agressoras, parecendo encontrar - se numa situação de maior risco psicossocial, “por apresentarem conjuntamente, e de forma mais acentuada, as características das vítimas e dos agressores”. Martins (2005:402). CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS VÍTIMAS De acordo com a definição de Boulton & Smith (1994), “a vítima é alguém com quem frequentemente implicam, ou que lhe batem, ou que a arreliam, ou que lhe fazem outras coisas desagradáveis sem uma boa razão. Verifica-se que as vítimas típicas (ou

passivas) são mais deprimidas do que os outros alunos”. Outros estudos referem que as vítimas também têm menos amigos, maior dificuldade em fazer amigos e sofrem mais rejeição dos pares. Tendem a pertencer a famílias que são caracterizadas pela educação de restrição (Olweus, 1993) e excesso de proteção pelos pais (Olweus, 1994). No seu estudo de 1993, Olweus também encontrou correlações positivas entre a vitimação no grupo de pares e a exposição a negativismo paternal e excesso de proteção materno. Estes dados podem levar-nos a concluir que experiências precoces de vitimação, de violência e tratamento rígido e autoritário por parte dos adultos, serve para desregular a criança emocionalmente, expondo-a à vitimação pelos pares. O mesmo investigador indica-nos que as crianças vítimas não são assertivas e não dominam algumas competências sociais. Caracterizam-se pelo medo e falta de confiança em si próprias. Quando agredidas não são capazes de ter respostas assertivas. Apresentam características como dificuldade de interação, sendo frequentes vezes excluídas socialmente. Alguns estudos distinguem dois tipos de vítimas: as vítimas passivas (ansiosas, inseguras, e que procuram defender-se a si próprias) e as provocativas (temperamentais, que criam tensões e lutam sempre em resposta). CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS AGRESSORAS O provocador ou agressor é aquele que frequentemente implica com os outros, ou que lhes bate, ou que os arrelia ou que lhes faz outras coisas desagradáveis sem uma boa razão (Boulton & Smith,1994). Alguns estudos referem que os agressores têm dificuldade em fazer e manter amigos (Boulton, 1999). Relativamente à escola, os agressores sentem-se infelizes na mesma. Noutros estudos são associadas as crianças agressoras a um maior envolvimento em comportamentos de risco para a saúde, tais como fumar, beber álcool ou usar drogas. Os alunos considerados provocadores ou agressores na escola

1. Mudança súbita na assiduidade / no desempenho académico. 2. Assiduidade irregular 3. Perda de interesse no trabalho escolar / no desempenho acadêmico / nos trabalhos de casa. 4. Declínio na qualidade do trabalho escolar / do desempenho acadêmico. 5. Sucesso acadêmico; parece ser “um menino do professor” (nerd). 6. Dificuldade em concentrar-se nas aulas; distrai-se com facilidade. 7 .Vai para o intervalo mais tarde e regressa à sala mais cedo. 8. Tem uma dificuldade de aprendizagem.

9. Falta de interesse pelas atividades / eventos patrocinados pela escola. 10. Desiste de atividades de que gosta Social 1. Solitário, retraído, isolado. 2. Competências sociais / interpessoais inexistentes ou fracas. 3. Sem amigos, ou com menos amigos do que os outros alunos, impopular, muitas vezes / sempre o último a ser escolhido para grupos ou equipes. 4. Falta de sentido de humor, usa um humor inapropriado. 5. Frequentemente alvo de troça, riem-se dele, provocam-no, importunam-no, rebaixam-no, e/ou chamam-lhe nomes, não se

afirma a si mesmo. 6. Frequentemente maltratado, pontapeado e/ou agredido por outros alunos, não se defende.

7. Usa linguagem corporal de “vítima” – ombros descaídos, cabeça baixa, não olha as pessoas nos olhos, recua em relação aos interlocutores. 8. Apresenta uma diferença notória que o destaca dos seus colegas. 9. É oriundo de uma tradição cultural, étnica e/ou religiosa, que o coloca em minoria em relação aos seus companheiros. 10. Prefere a companhia dos adultos durante o almoço ou em tempos livres. 11. Provoca, importuna, injuria e irrita os outros; não sabe quando deve parar. 12. Subitamente, começa a ser um bully com os seus companheiros. Físico 1. Frequentemente “doente”. 2. Frequentes queixas de dores de cabeça, de estômago, e outras. 3. Arranhões, nódoas negras, roupas rasgadas ou outros pertences estragados, para os quais não há explicações óbvias. 4. Repentina gaguez ou tartamudez.