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auditoria contabil 01
Tipologia: Notas de estudo
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Mariano Yoshitake
© 2009 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais.
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Capa: IESDE Brasil S.A. Imagem da capa: Jupiter Images – DPI Images
Y65 Yoshitake, Mariano. / Auditoria Contábil. / Mariano Yoshitake. — Curitiba : IESDE Brasil S.A. , 2009. 108 p.
Apresentação
A disciplina Auditoria Contábil enfatiza o modelo do processo de auditoria independente composto por seis sequências:
1 – Pesquisa ambiental. 2 – Planejamento estratégico. 3 – Controle interno. 4 – Teste de observância. 5 – Teste substantivo. 6 – Parecer do auditor.
Uma das principais bases de referências foram as Normas Brasileiras de Contabilidade e Auditoria obrigató- rias no país; a outra, as normas do International Federation of Accountants (IFAC).
O livro é estruturado em cinco capítulos. O primeiro capítulo trata do conceito de auditoria e planos de audito- ria, define a Auditoria Contábil, os meios para a construção de um plano de auditoria, papéis de trabalho e desenvolvi- mento de um programa inicial para auditoria. No segundo capítulo, o tema Testes de auditoria procura caracterizar os testes de observância e testes substantivos no proces- so de auditoria contábil. O terceiro capítulo trata do Pla- nejamento de auditoria, no qual é definido o processo de planejamento, são apresentadas as normas do Conselho Federal de Contabilidade e os tipos de avaliação de riscos em auditoria. O Programa de auditoria, quarto capítulo, conceitua o programa de auditoria; auditoria de ínterim; categorias de asserções da administração e programa geral de auditoria. O quinto, e último capítulo, cuida do Parecer de auditoria cuja finalidade é apresentar e analisar as normas brasileiras e as normas internacionais sobre o parecer de auditoria.
criaram base para que tal método se firmasse. O reflorescimento do comércio, o desen- volvimento industrial e dos transportes, foram acontecimentos que proporcionaram, de forma natural, o aumento do controle das operações, através do registro e, com isso, a utilização do método para esse fim.
Segundo Sá (2004), o Frei Luca Pacioli editou em Veneza, em 1494, a sua Summa de Aritmética, Geometria, Proporção e Proporcionalidade, na qual está inserido o Tratado de Computo e Escrituração, ensinando a partida dobrada que é a base da contabilidade.
Domínio público.
Figura 1 – Frei Luca Pacioli.
Pode-se afirmar que a profissionalização da contabilidade partiu da ampla disse- minação das partidas dobradas como método de registro contábil.
No Brasil, os serviços de auditoria independente foram regulamentados pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), através da Resolução CFC 321/72, elaborada pelo então Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, hoje, Ibracon. Atualmen- te, as Normas de Auditoria Independente são reguladas pela Resolução CFC 820/ que revogou as Resoluções 700 e 701/91.
No cenário mundial, o desenvolvimento e harmonização de normas e procedi- mentos de contabilidade está a cargo de duas entidades: a International Accounting Standard Board (IASB) e a International Federation of Auditing Committee (IFAC). Assim, atuando em nível internacional, essas entidades são apoiadas por 110 membros de 88 países, contando com mais de um milhão de profissionais.
Quanto à adesão do Brasil às Normas Internacionais de Contabilidade, veja a seguir as
Auditoriainformações retiradas da reportagem de 18 de maio de 2007, do jornal^ Valor Econômico.
Contábil
CVM quer regras internacionais até 2010
(VIEIRA, 2007)
[...]
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), estipulou o ano de 2010 como marco para que as companhias abertas passem a adotar suas Demonstrações Financeiras anuais consolidadas no padrão contábil internacional, estipulado pelo Conselho de Padrões de Contabilidade Internacionais (IASB, na sigla em inglês).
[...]
Para Reginaldo Alexandre, vice-presidente da Apimec-SP, as novidades intro- duzidas pela CVM são muito bem-vindas. “Os estrangeiros compram cada vez mais ativos brasileiros e o mercado está cada vez mais global. Ter um padrão unificado facilita muito a vida de analistas e investidores”, afirma, lembrando que o mercado americano vai facultar às empresas estrangeiras listadas a contabilidade pelos pa- drões do IASB e não pelos padrões dos EUA.
“A tendência é a convergência de padrões. Acredito que a médio prazo essa mu- dança que vai ocorrer no Brasil possa até ter impacto sobre o custo de capital, pois uma das coisas mais difíceis de explicar são as diferenças nos números. O interesse pelos ativos locais pode aumentar”, conclui Alexandre.
Relação entre contabilidade e auditoria
A expressão “auditoria contábil” pressupõe que há relacionamento entre contabili- dade e auditoria. A contabilidade produz informação que pode ser auditada em razão de ser quantificável, verificável e haver um critério ou padrão que possa ser utilizado neste confronto. Isto significa, portanto, que o auditor precisa conhecer a contabilidade para poder, criticamente, avaliar a informação e comunicar o resultado de sua opinião para terceiros interessados na informação contábil de uma empresa específica (auditada).
Importância da auditoria contábil
A auditoria contábil no mundo moderno evoluiu substancialmente a partir de 1934, com a criação da Security Exchange Comission (SEC), nos Estados Unidos. Os
Auditoria
(^) contábil
vicção que permitam julgar se os registros contábeis foram efetuados de acordo com os princípios fundamentais e normas de contabilidade e se as Demonstrações Contábeis deles decorrentes re- fletem adequadamente a situação econômico-financeira do patrimônio, os resultados do período administrativo examinado e as demais situações nelas demonstradas.
A literatura especializada em auditoria contábil registra inúmeros conceitos, muitos com ênfases diferenciadas, porém, convergentes entre si, de certa forma.
Em outras palavras, as definições de auditoria contábil procuram mostrar que se trata de uma atividade ou ações contínuas dentro de um cenário da contabilidade – os relatórios financeiros conhecidos como Demonstrações Contábeis – que permitem ao auditor avaliar o grau de conformidade que as demonstrações mantêm com as Normas Brasileiras de Contabilidade. Na primeira definição, da AAA, o padrão a ser seguido é a asserção ou afirmações feitas pela empresa, que precisam estar em conformidade com critérios estabelecidos pela profissão contábil. Na segunda, de Franco e Marra, o padrão a observar é a conformidade dos relatórios contábeis com os Princípios Fundamentais de Contabilidade. Observar ou seguir os citados princípios já implica na aplicação de procedimentos, obtenção de evidências (provas) e julgamentos, se os relatórios finan- ceiros refletem a situação econômico-financeira e de resultados do período auditado.
Plano de auditoria
O planejamento e execução de um plano ou programa de auditoria são transfor- mados em “procedimentos de auditoria”. Segundo as normas de auditoria, NBC T 11 (CFC 820/97) os procedimentos de auditoria são: “o conjunto de técnicas que permi- tem ao auditor obter evidências ou provas suficientes e adequadas para fundamentar sua opinião sobre as Demonstrações Contábeis auditadas e abrangem testes de obser- vância e testes substantivos”.
Os testes de observância visam à obtenção de razoável segurança de que os pro- cedimentos de controle interno estabelecidos pela administração estão em efetivo funcionamento e cumprimento. Os testes substantivos visam à obtenção de evidência quanto à suficiência, exatidão e validade dos dados produzidos pelo sistema contábil da entidade, dividindo-se em:
testes de transações e saldos;
procedimentos de revisão analítica.
O processo de auditoria é realizado sequencialmente, segundo o gráfico 1.
Auditoria
(^) contábil
Gráfico 1 – Sequência de um processo de auditoria
O autor.
Sequência 1 – Pesquisa ambiental Sequência 2 – Planejamento estratégico Sequência 3 – Controle interno Sequência 4 – Teste de observância Sequência 5 – Teste substantivo Sequência 6 – Parecer do auditor
Sq 2 Planejamento estratégico
Testes
Sq 4 Controle (observância)
Sq 3 Controle interno
Sq 5 Substantivo
Sq 1 Pesquisa ambiental
Sq 6 Parecer do auditor
Sequência 1 – Pesquisa ambiental
Nesta primeira sequência, o auditor obtém um entendimento preliminar das operações do cliente, ou seja, coleta informação a respeito da indústria, negócios e organização da entidade em particular; identifica a natureza e significância de vários segmentos de auditoria; considera os riscos relacionados que podem afetar significa- tivamente a estratégia de auditoria. O auditor consulta os manuais da indústria e asso- ciações comerciais; e, mais restritamente, obtém informações por meio de papéis de trabalho – em caso de continuidade a auditorias anteriores –, por revisão de manuais de procedimentos do cliente, por inspeção física às instalações e escritórios do cliente.
Sequência 2 – Planejamento de auditoria
Na segunda sequência, objetiva-se escolher as estratégias para cada conta ou grupo de contas, que serão efetivas e eficientes em uma situação particular. Especifica- -se a natureza, extensão e tempestividade^1 dos testes e procedimentos de auditoria para a obtenção de evidência como suporte à opinião a ser dada sobre as Demonstrações
Auditoria (^1) Tempestividade: oportunidade.
Contábil
Papéis de trabalho
Conceito de papéis de trabalho
Segundo a resolução CFC 820/97, nos itens 11.1.3.1 e 11.1.3.2: 11.1.3.1 – Os papéis de trabalho são o conjunto de documentos e apontamentos com informações e provas coligidas pelo auditor, preparados de forma manual, por meios eletrônicos ou por outros meios, que constituem a evidência do trabalho executado e o fundamento de sua opinião. 11.1.3.2 – Os papéis de trabalho são de propriedade exclusiva do auditor, responsável por sua guarda e sigilo.
Documentação da auditoria
O auditor deve documentar, através de papéis de trabalho, todos os elementos significativos dos exames realizados e que evidenciam ter sido a auditoria executada de acordo com as normas aplicáveis. Os papéis de trabalho devem ter abrangência e grau de detalhe suficiente para propiciar o entendimento e o suporte da auditoria exe- cutada, compreendendo a documentação do planejamento, a natureza, a oportuni- dade e a extensão dos procedimentos de auditoria, bem como o julgamento exercido pelo auditor e as conclusões alcançadas. Os papéis de trabalho devem ser elaborados, organizados e arquivados de forma sistemática e racional. Quando o auditor se utilizar de análises, demonstrações ou quaisquer outros documentos fornecidos pela entida- de, deve certificar-se da sua exatidão.
Documentação do planejamento inicial
Para a obtenção de uma documentação organizada do esforço de planejamen- to inicial, todos os papéis de trabalho devem ser incluídos em uma seção separada dos papéis de trabalho. Essa seção específica, que documenta o planejamento inicial, compõe-se de:
memorando do planejamento de auditoria; papéis de trabalho das considerações ambientais (exemplo: memorando de discussões com os executivos das áreas operacionais e financeiras); informação financeira usada para desenvolver o plano de auditoria geral, in- cluindo papéis de trabalho dos procedimentos analíticos; agenda e memorando de reuniões de planejamento com o pessoal do cliente e da própria equipe da auditoria; Auditoria
Contábil
estimativa geral de tempo, plano de composição da equipe de auditores e quadros demonstrativos de contas e transações;
relatórios do comitê de auditoria mostrando as principais linhas do plano de auditoria e o correspondente memorando da reunião com o comitê.
Em complemento a essas ações, pode ser apropriado fazer referência cruzada, i.e. 2 , comparar determinados assuntos contidos nos papéis de trabalho, de planeja- mento, com outras seções dos papéis de trabalho, que incluem materiais usados para identificar desenvolvimentos significantes.
Programa inicial de auditoria
Obter dados preliminares sobre a organização auditada
Uma das ações deste processo é a obtenção de dados preliminares sobre a orga- nização sob auditoria (a auditada), reconhecimento de possíveis pontos de concen- tração e desenvolvimento participativo de trabalho. As atividades que compreendem essa ação são as seguintes:
Estudo dos objetivos da organização
Nesta etapa, o auditor deverá procurar conhecer:
a estrutura da organização, suas funções e papéis;
canais formais e informais de comunicação;
a estrutura de poder da organização e que lugar este poder ocupa na comunidade;
que opinião tem a organização sobre seu funcionamento.
Interação dos elementos da auditada com o auditor
A interação dos elementos da auditada com o auditor compreende atividades como:
reunião entre as partes contratantes, com leitura e discussão dos termos do contrato de prestação de serviços;
(^2) Id est (i.e.): termo latim que significa “isto é”.
Auditoria
(^) contábil
Informações sobre as obrigações legais da auditada
Alguns tipos de documentos e registros legais precisam ser antecipadamente exa- minados: o contrato social e suas alterações, as atas de assembleias gerais e de reuniões da diretoria e os contratos.
Algumas informações, tais como os contratos, precisam ser evidenciadas nas De- monstrações Contábeis. Outras, como as autorizações estabelecidas nas atas de reu- niões da diretoria, são úteis para o trabalho da auditoria. O conhecimento antecipado desses documentos e registros legais, portanto, possibilita ao auditor interpretar a evi- dência relacionada ao longo do trabalho de auditoria e assegurar adequada evidencia- ção nas Demonstrações Contábeis.
Constituição legal da empresa
O contrato de constituição de empresas é averbado pelas autoridades onde está estabelecida a empresa que se está formando legalmente. Esse contrato inclui o nome exato da entidade, a data de formação, os tipos e montantes de capital social que a em- presa está autorizada a emitir, e os tipos de atividades empresariais que deve conduzir.
Ao especificar os tipos de ações ou quotas do capital, há também incluído infor- mações, tais como: os direitos de voto de cada classe de ações ou quotas, ao par ou valor declarado da ação ou quota, preferências e condições necessárias para dividen- dos e direitos anteriores em liquidação.
Os estatutos incluem as regras e procedimentos adotados pelos acionistas ou quotis- tas da empresa. Especificam coisas como o ano fiscal, a frequência de reuniões dos sócios, o método de eleger os diretores, e os deveres e poderes dos executivos da organização.
Os auditores devem entender os requisitos do contrato social e os estatutos de modo a determinar se as Demonstrações Financeiras estão adequadamente apre- sentadas. A evidenciação correta do patrimônio líquido, incluindo o adequado pa- gamento de dividendos, depende muito desses requisitos.
Atas de reuniões
As atas de assembleia da empresa constituem o registro oficial das reuniões da diretoria e acionistas ou quotistas. Elas incluem sumários dos tópicos mais importantes discutidos nessas reuniões e as decisões tomadas pelos seus participantes. Se o auditor falha no exame das atas, pode descuidar-se de informação essencial para determinar se as Demonstrações Financeiras estão materialmente corretas.
Auditoria
(^) contábil
Enquanto examina as atas de reuniões, o auditor normalmente identifica infor- mação significante para a adequada apresentação das Demonstrações Contábeis. O auditor inclui a informação nos papéis de trabalho, elaborando um sumário das atas ou obtendo uma cópia e destacando as partes significativas.
O auditor deve fazer um seguimento (follow up) dessa informação para assegurar- se de que a administração cumpriu as determinações emanadas dos sócios e comitê de diretores.
Como uma ilustração, os benefícios autorizados aos executivos devem ser exa- minados individualmente através do registro na folha de pagamento, efetuando um teste se a compensação devida foi paga. O auditor deve comparar as autorizações de compra de equipamento conforme as atas com os registros de equipamento; e se o comitê de diretores deve aprovar todas as novas aquisições de equipamento acima de um montante especificado.
TEXTO COMPLEMENTAR
Informação de campo
(YOSHITAKE, 2004)
1 – Conhecimento do ambiente de negócios da Auditada
Um conhecimento sobre o ramo de atividade, negócios e práticas operacionais da Auditada é essencial segundo a norma técnica NBC T 11.
“11.2.1.2 – O planejamento pressupõe adequado nível de conhecimento sobre o ramo de atividade, negócios e práticas operacionais da entidade”.
Para interpretar adequadamente o significado da informação obtida através da auditoria, é essencial entender a indústria na qual pertence a Auditada. Os aspectos únicos de diferentes indústrias estão refletidos nas Demonstrações Contábeis.
Nos Estados Unidos, o entendimento razoável da indústria a que a Auditada pertence é obrigatório segundo normas vigentes.
O conhecimento da indústria na qual a Auditada se insere, pode ser obtido de diferentes modos. Entre esses, as discussões entre o auditor responsável pelos ser- Auditoria
Contábil