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aula do curso da materia de didatica do curso de pedagogia ufsm
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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(^) O Ensino e a aprendizagem dos conteúdos de Física e Matemática exigem do professor não só o domínio específico destes conteúdos como também o domínio dos elementos que caracterizam uma prática educativa consistente e crítica. (^) Para isto, é necessário conhecer a Didática – a partir de seus elementos – para a construção do conhecimento coletivo, significativo e contextualizado.
(^) A palavra Didática tem a sua origem no verbo grego que significava a arte de transmitir conhecimentos. (^) No século XVII, em face ao grande empreendimento coletivo dos intelectuais europeus para uma explicação científica e racional do mundo e a necessidade de partir do olhar sistemático sobre uma ampla reforma do conhecimento humano e dos métodos de ensino, o sentido de arte se aproxima a uma técnica de ensinar. (^) Sendo assim, a Didática passa a ser um método de ensino centrado na razão, na busca de princípios gerais, na observação da natureza, das semelhanças e diferenças entre os fenômenos.
(^) Na verdade, buscar uma definição objetiva de Didática não é uma tarefa simples. Vejamos o que pensam alguns autores. Para Libâneo (p. 25-26, 1994): (^) A Didática é o principal ramo de estudos da Pedagogia. Ela investiga os fundamentos, as condições e os modos de realização da instrução e do ensino. A ela cabe converter objetivos sócio políticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos, estabelecer vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos.
(^) O ensino e a aprendizagem, como processos sociais, são certamente tão antigos quanto as primeiras sociedades humanas. (^) No entanto, desde as épocas mais remotas, a ação pedagógica de “ensinar” esteve vinculada às tradições de cada povo ou comunidade, à religião e aos rituais, às necessidades práticas, de uma forma mais ou menos espontânea. (^) Desse modo, a “didática” como uma atividade planejada e intencional é algo relativamente recente na História. Os teóricos da área costumam concordar em situar o “surgimento” da Didática como disciplina no século XVII.
(^) O século XVII representa um período de profundas transformações políticas, sociais, científicas, filosóficas, religiosas e econômicas, no mundo ocidental. (^) O mercantilismo e a expansão marítima europeia, a formação dos Estados Nacionais, a reforma protestante, a proposta heliocêntrica são diferentes aspectos dessas transformações. (^) Reforma Protestante (^) Movimento religioso do começo do séc. XVI que rompeu com a Igreja Católica Romana, originando numerosas igrejas cristãs dissidentes (Dicionário Aurélio Eletrônico, versão 3.0, Novembro de 1999,verbete ‘reforma’). (^) Mercantilismo (^) Doutrina econômica, em voga no século XVII, que enfatizava a importância do comércio exterior para a economia de um país. Defendia a ação do Estado em favor da expansão das exportações e de seu monopólio por companhias de comércio, e da restrição às importações (Dicionário Aurélio Eletrônico, versão 3.0, Novembro de 1999, verbete ‘mercantilismo’). (^) Heliocentrismo (^) Sistema cosmológico proposto por Nicolau Copérnico, mas que tem suas raízes na Antigüidade (com Aristarco de Samos), e que postula ser o Sol o centro do Universo, com os demais astros (planetas e estrelas) girando ao seu redor. É nessa época que João Amós Comenius (1592-1670) escreveu a primeira obra clássica sobre Didática: a Didática Magna , publicada em 1657.
(^) Em sua Didática Magna , que tinha a pretensão de apresentar a “arte de ensinar tudo a todos”, ele propõe uma série de princípios e regras que deveriam nortear a educação. (^) Entre outras coisas, Comenius defende uma escola para todos , ou seja, a universalização do ensino (princípio da igualdade). (^) Além disso, considerava a escola como espaço ( locus ) privilegiado da educação, e a figura do professor como a do profissional específico e qualificado para a ação de educar. (^) Preocupou-se em estabelecer princípios para o ensino das ciências e um planejamento escolar com vários “graus” de ensino vinculados aos graus de desenvolvimento do indivíduo.
(^) Para Comenius, o conhecimento vem dos sentidos, é trabalhado pela razão e iluminado pela fé. (^) Em função disso, considera que o conhecimento verdadeiro provém de uma “observação correta” das coisas. Daí que o seu método de ensino – que ele pretendia “claro e único” – fosse baseado na observação da natureza e dos fenômenos, no olhar das próprias coisas e não na consulta aos livros. (^) É por meio dos sentidos que se estabelece o contato entre a natureza e a mente. Esta, por sua vez, não é uma “tábula rasa”, mas “moldável”.
(^) Enquanto isso, as transformações continuaram acontecendo na sociedade, as formas de produção, bem como o avanço da tecnologia e da ciência, exigiam novas formas de ensino, que atendessem às necessidades do mercado, ao mesmo tempo que contemplassem o desenvolvimento das capacidades dos alunos. (^) Em meio à conjuntura do século XVIII, época das luzes, considerada como era iluminada pela razão, pela ciência e pelo respeito à humanidade, surge Jean Jacques Rousseau, pensador que buscou atender aos anseios que emergiam propondo uma nova concepção de ensino, baseada nas necessidades e interesses imediatos das crianças.
(^) Ele compreendia que o aluno deveria ter uma formação integral na intenção de construir sua personalidade individual. (^) O método privilegiado por Pestalozzi era o método intuitivo, em que se pautava na observação de objetos e fenômenos da natureza e na capacidade de observar e expressar, por meio da linguagem, a compreensão do que foi observado.